-


Memória XI: Há Muito Tempo Atrás

Dono: Peter Pettigrew

Música: Edguy – Superheroes


Nós caíamos de cabeça nessas memórias, observando, de todas as elas, uma das mais antigas.


-

Eu nunca fui o mais corajoso de Hogwarts, desafiando o mundo como Prongs; o mais bonito, atraindo garotas como Padfoot fazia; ou o mais esperto, como Remus mostrava atrás de seus grossos livros. Para falar a verdade, eu nunca havia sido muita coisa perto de meus amigos, mesmo antes deles serem meus amigos. Nas aulas era um pouco deslocado, sempre dormindo e colando durante as provas, nos corredores nunca fui popular, exceto por algumas coisas constrangedoras. Isso tudo até aquele dia.

Era praticamente rotina eu sofrer azarações de sonserinos, ou aspirantes a Death Eaters, nos corredores durante a minha estadia em Hogwarts até o terceiro ano. Para mim, só havia dois tipos de pessoas que azaravam outras, muitas vezes inocentes: os sonserinos e os grifinórios. Nunca tomei partido entre eles, mesmo estando na Grifinória, mas, mais uma vez, sou obrigado a colocar um "até aquele dia".

- Vamos, seu merdinha! – gritou o sonserino, me desarmando com um Expelliarmus e me azarando, deixando minhas pernas presas para que eu não pudesse correr, enquanto se aproximava, saboreando cada momento, cada simples movimento de meu corpo, elevando seu ego às alturas.

- Por favor, eu... – eu ia argumentar, mas fui puxado bruscamente para cima, ficando de cabeça para baixo e, logo em seguida, girando até ficar de pé, ainda no ar e, mais uma vez, virado de ponta-cabeça. Isso aconteceu algumas vezes consecutivas, até eu me sentir enjoado, prestes a colocar meu almoço para fora. Quando pensei que vomitaria ali, na frente deles, com seus espectadores rindo, um contra feitiço me colocou no chão e soltou minhas pernas. Foi tudo em um piscar de olhos. Eu me lembro como se estivesse vendo tudo em câmera lenta: Avery virou-se de costas e, após um clarão azul e vermelho, voou sobre mim, que apenas acompanhei virando a cabeça, surpreso com tudo isso. Eu vi um par de varinhas apontadas para ele e meus olhos brilharam, assim como os olhos daqueles que o azararam. O grupo de espectadores ficou tenso com a repentina demonstração da habilidade de vôo sem vassoura executada por Avery.

Dessa vez era o sonserino que estava rodando no ar enquanto outro garoto, além daqueles dois, veio até mim. Ele tinha os cabelos mais ajeitados que os dos outros e bem mais claros, além de olhos cor-de-mel.

- Precisa de ajuda? – perguntou com um sorriso gentil.

Eu meneei a cabeça positivamente e ele me ajudou a me levantar. Soube mais tarde que seu nome era Remus. E, dos outros dois, James e Sirius. Não que eu não soubesse, mas apenas não os conhecia assim, pessoalmente.

Pela primeira vez, eu não me senti tão deslocado. E, também pela primeira vez, vi Avery correr de alguém que não fosse um monitor.

- Você está bem...? – perguntou James.

- Peter. Peter Pettigrew. – falei com um sorriso bobo na face, com a mais completa admiração pelos três a minha frente.

- Nós somos os Marauders. – os dois morenos falaram ao mesmo tempo. – Sirius Black, James Potter e Remus Lupin. – falaram apontando ora um, ora outro, sem abandonar o sorriso largo em ambas as faces. Eu também me permiti sorrir. – Nós já vamos. – falou só James dessa vez.

Assim que eles saíram andando, eu me levantei. Quando pensei em ir à direção contrária, quando um deles, Sirius, me chamou.

- Hey, Peter! – eu olhei, com curiosidade. – Quer vir com a gente? –

Eu sorri um sorriso que deveria ser mais ofuscante do que mil holofotes apontados para a face de alguém. Sirius sorriu e acenou para eu acompanhá-los. Foi exatamente nesse momento que eu soube que os Marauders eram demais. Eu, Peter Pettigrew, alguém nunca antes valorizado, com os melhores amigos que poderia ter. Era bom demais para ser verdade. Na verdade, era bom demais até para os contos infantis cheios de finais felizes.

-


O mergulho por entre as memórias nos revelava cada um dos momentos, felizes ou tristes, de cada um dos Marauders.


-

Notas do Autor: Failure. Eu realmente falhei neste capítulo. Achei o tema interessante, mas não consigo escrever com o Peter. Eu poderia tentar colocar com sutileza a tendência dele a trair os amigos, ou sequer colocar, mas, ainda assim, o Peter não exatamente o foco nos livros. O que acontece com ele, segundo as bases que o livro oferece, é que o medo molda suas ações e o poder o corrompe facilmente. Basicamente é isso.

Explicações: "We never cry for love, we're superheroes..." Interessante colocar. Justamente quando quem salva Peter são os nossos super-heróis.

Próxima memória: Ciúmes (Sirius Black)