Cap. 12: O Natal "Perfeito" para Peter Evans.
Disclaimer: Nada que está nesta fic, é meu... nem personagens, nem lugares, nem seres, nem bichos, nem nada! Apenas a Lua que é exclusivamente minha, mas com características da Luna Lovegood, personagem da J.K.! Então... é isso aí! Créditos para a Sra. Rowling.
Passados uns vinte minutos em que a cena se repetia só que com diferentes comensais (e eu particularmente não agüentava mais ver e também não suportava mais segurar o braço de Tiago que parecia querer sair dali pra estapear o grupo a nossa frente), o tal "Lord" se distanciou ( reparem meu nojo ao falar deste ser infeliz.. eu realmente o detesto), e falou numa voz calma e fria, que parecia ser capaz de esquartejar ou queimar vivo qualquer recém nascido indefeso tamanha sua maldade:
- Podem ir. Nott, Avery, Rookwood, Bellatriz Black, Régulo Black, Crabbe, Goyle, Malfoy e... Snape.
Senti um arrepio na espinha enquanto ouvia Tiago esmurrar o tronco grosso da árvore a ponto de sangue escorrer de suas mãos.
Enquanto voltávamos na vassoura, eu preferi não dizer nada. A noite havia sido bastante emocionante para mais algum comentário débil meu ou pergunta. Percebi Tiago duro demais na vassoura, como se ainda estivesse tenso. Suas mãos ainda sangravam e ele segurava fortemente o cabo da vassoura. Não tendo nada a dizer, eu apenas olhava para frente, e realmente senti um alívio quando já estávamos próximos à Hogwarts, a ponto de eu ver as luzinhas do castelo...
Pousamos lentamente, porém quando tocamos o chão, foi como um sobressalto, já que as pernas de Tiago estavam duras de mais e eu desconfiei da raiva. Assim que descemos, ele ficou em silêncio, com o cenho franzido e semblante sério.
- Tome...- eu disse, lhe entregando um lencinho que eu tinha no bolso da calça, para que ele limpasse a mão direita que ainda estavam sangrando.
- Obrigado.- respondeu ele, a voz seca ainda de raiva, apanhando o lenço de leve, com a mão tremula.
De um em um segundo ele engolia em seco, enquanto limpava a mão, só que devido a sua raiva constante, ele não limpava... ele apenas arranhava mais e mais a pobre coitada da mão.
- Tiago.. calma...- eu dizia, sem perceber, que estava o chamando por "Tiago".
Eu estou falando muito sério quando eu digo que não percebi que o estava chamando daquela forma.
Ele pareceu despertar quando o chamei pelo primeiro nome, e me olhou, parando de massacrar sua mão. Sua expressão anuviou-se e não sei porque mas eu comecei a pensar que só naquele momento ele havia lembrado que nós havíamos nos beijado antes daquela cena toda. Ele pigarreou.
- Desculpa.. eu...- mas eu não o deixei continuar.
Ora vamos, momento de tensão, ele estava totalmente estressado, quer uma forma de deixa-lo mais tranqüilo do que o beijo de sua amada? (Ok, eu me achei...)
O beijei lentamente, como se quisesse que toda sua raiva passasse com aquilo. Num segundo estávamos nos beijando calmamente um afastado do outro, ele ainda com o lencinho na mão... mas como ninguém é de ferro, muito menos eu e o Tiago, no segundo seguinte estávamos nos beijando fervorosamente, encostados numa árvore na orla da Floresta. Ele me segurava fortemente pela cintura e eu tentava me firmar no chão segurando-o pela nuca. De uma forma ou de outra, eu havia percebido que aquele gosto que nunca sentimos antes, tinha deixado um "quê" de início de vício em nós. Mas era muito cedo para dizer qualquer coisa. Nossos corpos estavam muito colados para isso e nossas bocas digamos que ocupadas demais, também.
Ok, eu devo confessar que o Tiago beija bem... ok, não, ele beija muito bem... não, não, não, melhor! Ele foi a melhor pessoa que eu beijei na minha vida, adeus!!!
Eu não sabia dizer o que era que me provocava aquela sensação de levitação... talvez fosse suas mãos firmes, uma segurando firmemente minha cintura enquanto a outra subia delicada e fervorosamente pelas minhas costas e indo parar nos meus cabelos enraizando-os com os dedos... talvez fosse pelo fato de que ele saber dosar o tempo do beijo com o os segundos em que beijava avidamente meu pescoço o que devo dizer, me deixava totalmente sem ar, e consequentemente quando ele voltava para me beijar não ajudava muito.
Ok, agora você deve tá se perguntando..
Lílian... vocês não acabaram de presenciar a iniciação de um bando de comensais que por sinal moram aí em Hogwarts debaixo do nariz de Dumbledore??!! E já estão nesse... encontro intimamente íntimo?!
Foi isso que o Tiago falou, alguns minutos depois dessa cena...
- Você é esquisita, Lilly. – falou ele, num tom de voz normal, como se falasse que ia chover.
Ele estava sentado com as costas apoiadas na árvore,e eu sentada entre suas pernas, encostada nele. Devo dizer que eu estava muito mais confortável que ele, obrigada.
- Esse comentário não me é estranho... já ouvi em algum lugar...- eu disse, fingindo estar realmente interessada pra descobrir onde já ouvira aquilo.
Ele olhou minha interpretação e riu de leve, e começou a brincar com meus cabelos enrolando algumas mechas no dedo e depois soltando-as.
- Estou falando sério, Lilly...- repetiu ele, embora eu sentisse pela sua voz, que ele ainda estava sorrindo.
- Você acha que eu estou brincando, por acaso?- perguntei, me virando um pouco de lado, para que ele visse meu rosto que tinha um semblante sério. (Ao contrário do dele).
- Não... só que você não me leva a sério de vez em quando...- comentou ele, e devo dizer com uma vozinha de cachorrinho abandonado.
Mas como eu já tenho convivência avançada com "cachorrinhos", e não tive pena em relação a isso. Apenas bufei, e voltei a posição que estava.
- Coitado... – falei, rolando os olhos.- Sim, e porque esse comentário agora?
Eu senti que ele havia dado de ombros, e disse em seguida:
- Só porque além de você ser esquisita, você faz com que os outros ajam esquisito...- falou, MUITO esclarecedor.
Eu rosnei para demonstrar isso. Ele bufou e explicou:
- Nós presenciamos uma cena não muito legal a poucos minutos e quando chegamos já estávamos...bem...- ele disse tão depressa isso, que eu demorei alguns segundos para raciocinar o que ele tinha dito.
Não, tudo bem eu perceber isso... EU perceber isso é uma coisa... o TIAGO perceber isso é outra... Vejam bem, ele estava dizendo o que? Que éramos ambos, promíscuos??? Do jeito dele?!! Eu não era nem um pouco do jeito dele!! Ora, fora ele que me arrastara até lá, e me ameaçou de Crucio se eu não o beijasse ali mesmo!! Não foi?!! Hunpf!
Quando finalmente a ficha caiu do que ele havia dito, eu me ergui e me separei dele, com os olhos estreitos. Ele percebeu que falou algo errado e arregalou ligeiramente os olhos.
- O que exatamente você quer dizer com isto?- perguntei ordenando que ele respondesse.
- O que eu quis dizer com isso, o quê?!- perguntou ele rapidamente, mas eu percebi que essa pergunta era mais pra arrumar tempo pra pensar no que responder.
- Isso mesmo que você acabou de falar.- falei, justamente para ele se "lembrar" (já que ele não havia esquecido nada, estava mesmo era me enrolando!), e ergui uma sobrancelha desafiadora.
- Ahm.. eu... er... quero dizer.. eu... ahm...
Tiago É uma pessoa que não sabe se safar de situações embaraçosas. Geralmente, nessas situações, ou ele mergulhava de cabeça na merda que havia feito ou saía correndo OU ainda lançava um feitiço no mínimo engraçado no indivíduo que o deixara em tal situação, ou seja, Snape. Mas era óbvio que ele não ia sair correndo e muito menos lançar feitiço no mínimo engraçado em mim... ele preferiu a opção um.
Ele suspirou e respondeu:
- Bem, eu quis dizer que é estranho a forma como você faz com que situações pesadas passem despercebidas em alguns casos, não só pra você como para as pessoas que estão com você, entende?- ele disse isso muito rápido com medo de ser espancado que eu tive que parar por um segundo para repassar tudo isso na cabeça e vê se eu entendi direito.
Repassei uma, duas, até três vezes. E no final?? O que eu fiz??
Considerei o que ele falou.
Sinceramente, esses dias eu to considerando muita coisa. To revendo muitos conceitos e isso não é legius... porque não é legius? Vejam bem, rever conceitos pode ser até algo positivo, quando a coisa que você tem É negativa. Mas quando é algo relacionado a sua personalidade, rever conceitos não é muito bom, porque aí você deixa de ser quem você é!! Exemplo vivo e frustrante (pra mim) é o da Lua! Lua deixou de ser quem ela era fisicamente, e eu sei que físico não importa tanto na personalidade, mas no caso dela importa e muito!! O que ela veste é o que ela é!! E quando ela mudou isso, ela mudou quem ela era, e consequentemente começou a fazer besteira (vulgo: beijar Black no meio de um festa na frente do Lovegood).
Toda essa Tagarillysse se passava na minha cabeça na hora, e Tiago como sempre, esperava minha resposta, com a testa totalmente franzida. Depois de uns cinco minutos dessa forma, ele cansou-se de esperar.
- E então...?? – disse ele, me cutucando no ombro, para que eu "acordasse".
Eu suspirei, balancei a cabeça para espantar aquele vulcão de pensamentos, e disse:
- É, talvez você esteja certo.
Eu falei mais para me livrar daquele assunto do que para qualquer outra coisa. (Tudo bem que eu concordava com ele). Mas, Tiago não estava acostumado com isso... não era todo dia que eu lhe dava razão sobre algo... ele arregalou ainda mais os olhos e começou a rir nervosamente.
- Hohohohohoho... meu Merlin, você concordou comigo Lilly?!! Hoje é dia de São Nunca!!!- falou ele, meio alto demais pro meu gosto, e em seguida soltou sua risada estrambólica.
Eu rolei os olhos e cruzei os braços. Aquilo pareceu divertir mais ele, que começou a rir mais ainda. Comecei a me irritar com aquela situação e senti meu rosto começar a esquentar... mas, não sei se vocês se recordam... quem é que está comigo mesmo? Tiago Potter. O que ele está fazendo? Me irritando. Ele sempre consegue? Consegue. E ele sempre bate recordes? Bate. Então...
Num segundo eu estava virada para o outro lado, emburrada, e no outro ele havia me puxado pelo pulso e me dado um beijo extremamente inebriante, me deixando tonta e o rosto mais quente ainda.
Gente, o Potter... não, eu vou dizer, o Potter, tem alguma coisa.
TEM alguma coisa.
As garotas sabem do que eu falo.. sabe aquele alguma coisa que você procura em todo cara? É, ele TEM esse alguma coisa que eu gosto! A gente nunca sabe que alguma coisa é esse, só sabe que tá faltando alguma coisa... as vezes alguma coisa pode ser um problema! As vezes até não porque percebendo que o cara não tem aquele alguma coisa, você desiste dele e alguns tempos depois vê que ele não era realmente o que você queria pra você. Mas não. O Potter TEM esse alguma coisa que eu gosto, e eu percebi isso desde o nosso primeiro beijo apaixonado. E esse alguma coisa é que está fazendo eu rever os meus conceitos...
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- Potter, eu NUNCA mais vôo com você... só pra você ficar sabendo...- comentei, com os cabelos em pé, assim que pisei firme do lado da minha cama na enfermaria.
A ida até que não tinha sido aquela coca-cola toda (expressão trouxa para algo que é MUITO alguma coisa, sabem? É uma bebida muito boa por sinal..), mas a volta... foi um horror!!! Ele fez questão de rodopiar com aquele treco voador, fez uns quinhentos loopings e pra fechar com chave de ouro, parou bruscamente à poucos centímetros da parede, o que para alguns seria uma freada espetacular para mim foi sinal de uma dor de cabeça nada agradável.
- Você por acaso tem a consciência de que eu estava com você nessa coisa não é?- enfatizei bastante o "coisa", para ver se deixava-o irritado.
Eu não conhecia muito o Potter e então eu não sabia o que ele realmente amava e o que ele realmente detestava. Mas eu desconfiava de três coisas que ele não ficaria feliz se eu xingasse. Primeira: aquele pomo com vida irritante. Segunda: Sua vassoura que é uma Comet 260 (ou seja, de último tipo). E terceira: eu mesma. (HAHAHAH!!)
Mas como eu não xingar o pomo porque ele não havia feito nada esta noite (só esta noite mesmo) e eu não ia ME xingar... (hehe), eu xinguei sua vassoura para ver que efeito tinha sobre ele.
Porém, como nem tudo são meus lírios campestres, ele parecia meio que satisfeito com minha pergunta, e deu de ombros, sorrindo de lado. Isso me irritou (pela o que? Milésima vez na noite?) porque eu sabia o motivo por ele não ter ficado com raiva. Ele já sabia que eu ia reclamar de suas voltas exageradas no pedaço de pau voador então ele simplesmente ignorou meu comentário com um riso de deboche. QUE ÓDIO. Enfim...
- Tenho, mas foi divertido, não foi? – perguntou ele, piscando para mim.
(Eu acho que eu coloquei "QUE ÓDIO" no parágrafo errado... posso repetir? Brigada...)
QUE ÓDIO!!!!
Eu fechei meus punhos com raiva e estreitei meus olhos, mas como Potter é o prepotente-mor daquele colégio, ele riu baixo (porque não podia rir alto, já que já estávamos dentro da Ala Hospitalar e o dia ainda estava amanhecendo) e me puxou novamente só que dessa vez ele não me beijou logo, ele apenas me apertava contra seu corpo me enlaçando com um braço e com a outra mão tirava as mechas do meu cabelo que insistiam em ficar no meu rosto.
- Eu sempre quis ver seus olhos de perto...- comentou ele, realmente MUITO perto de mim.
Eu nunca tinha visto o Tiago me encarar tão seriamente como naquele momento... quero dizer, a forma como ele olhava eu já conhecia.. era aquele velho olhar procurando entender o que se passa na minha cabeça (o que não é fácil e ele nunca conseguia)... porém naquele momento ele parecia mergulhar em algo e estava totalmente perdido.. mas parecia estar gostando dessa sensação... Eu fiquei me perguntando porque ele estava gostando daquilo, e acabei também "mergulhando" nos olhos dele.
Não é saudável "mergulhar" nos olhos de Tiago.
Já que eu fiquei totalmente "afogada" porque primeiro eu comecei a tentar adivinhar que cor exatamente seria os olhos dele... se eram castanhos... verdes.. castanho esverdeados.. ou verde acastanhados... depois fiquei meio que perdida como se estivesse em transe... depois comecei a ficar desesperada porque eu comecei a achar os olhos dele os mais lindos do colégio inteiro assim como as tietes podres dele.. e depois fiquei num estado anormal, com um sorriso débil no rosto.
Vendo esse sorriso, ele também abriu o dele, e então começou a se aproximar seu rosto do meu chegando até a roçar seus lábios nos meus. JURO que eu não queria mas consegui apertar seus cabelos com força como se implorasse para que ele me beijasse logo e não me deixasse esperando, sentindo sua respiração e já ficando tonta de tanta proximidade. Ele parecia fazer aquilo justamente para me provocar já que chegou até a mordiscar meu lábio inferior o que me fez tremer as pernas intensamente. Descobri que não gosto de mais uma coisa na minha vida: desses joguinhos idiotas do Tiago. (Rosnei.)
Quando eu já não agüentava mais apertar seu couro cabeludo e ambos não agüentávamos mais segurar sem nos beijar, algo realmente chato aconteceu. E embaraçoso. E... e... e... enfim. Chato mesmo.
Tiago sentiu algo no bolso que havia doído por sinal, pois ele se afastou com a mão neste, e se sentou na cama rapidamente como se estivesse com a perna toda em chamas. No início eu pensava que fosse algum tipo de dor e perguntei o que era, mas ele apenas balançou negativamente a cabeça e começou a vasculhar os bolsos até que achou o que era mas eu não pude ver porque ele se virara para trás rapidamente. Eu franzi o cenho e vagarosamente fui andando em sua direção. Percebendo isso, ele olhou por cima do ombro, e se afastou novamente, com algo nas mãos.
Quando eu estava o seguindo novamente, ouvi uma voz bem baixinha como se fosse de um rádio que estivesse nos primeiros volumes.
- O que... você não disse que ia avisar...- dizia a voz, que era masculina.
No início eu achava que era um walk-talk trouxa, mas percebi que a voz era um pouco real demais para ser um destes. Continuei me aproximando mas sem fazer barulho.
- Eu sei que eu disse que ia avisar, mas são o que? Cinco horas da manhã, cara!! Tenha piedade!!- respondeu Tiago, sussurrando, e se aproximando do objeto.
Minha curiosidade agora superava muros de Berlim e muralhas da China. Eu queria porque queria ver com o que diabos ele estava falando. Fui me aproximando aos poucos dele, e esticando ao máximo minha cabeça por cima do ombro de Tiago eu vi... um espelho... não muito grande, apenas médio, com a cara do Black lá, indignada com algo.
Eu suspirei com força com a surpresa. Era um Espelho de Dois Sentidos. Eu já vira um uma vez em uma loja mas eram muito caros, mas eu fiquei realmente muito tentada em comprar um. Apesar de meu suspiro, Tiago parecia não ter percebido que eu continuara a segui-lo. Porém, Black percebera que eu estava atrás dele. Ele ia reclamar novamente com Tiago, quando me viu, bufou e revirou os olhos.
- Se você esqueceu de avisar porque estava com a Evans, era só avisar, Pontas...- seu tom de voz era quem estava altamente entediado.
Tiago virou tão depressa o pescoço que estalou-o e eu deu um pequeno pulo pra trás, mas logo voltei a posição normal.
- Não precisa ser tão curiosa Lilly...- falou ele, mas notei que ele não tinha raiva ou tédio na voz como Sirius. Pelo contrário, seu tom era até divertido o que me permitiu aproximar mais para ver o espelho melhor. – Nosso amigo Almofadinhas acordou com mau humor hoje... a McKinnon não está aí, Sirius?- perguntou ele, voltando-se novamente para o espelho.
Se Black já estava de mau humor, agora estava praticamente soltando fogo pelas ventas. Mas parecia que ele não queria brigar, porque simplesmente respondeu, dando de ombros:
- Não.- sua voz era puramente amarga e parecia mais um rosnado de cachorro. Agora que eu sabia o porque, não estranhei.- Ela não quis conversa, levei três tapas na cara hoje...
Só naquele momento é que eu realizei o que havia acontecido na noite anterior. Os acontecimentos vieram como flashes na minha cabeça. O Baile de Verão, as caipirinhas, Lua extremamente linda, Lua beijando Black, o silencio, eu rindo, as pessoas rindo, Sirius indo embora e Marlene correndo atrás dele... e vários outros flashes. Depois reparei nas marcas vermelhas que Black tinha no rosto,que deveriam ser os tapas. Não agüentei. Abafei uma risadinha.
Black estreitou os olhos para mim.
- Ninguém te chamou aqui Evans...- falou ele, totalmente grosso.
Eu parei de rir na mesma hora. Me aproximei, também com os olhos estreitos.
- Eu não entendo latidos, desculpe...- respondi, dando língua para o espelho.
Ele fez cara de nojo.
- Intrometida...
- Palhaço...
- Chata..
- Canalha..
- Mocréia...
- O QUE?!- quase gritei. Não! Os xingamentos estavam leves!! Mas "mocréia" era muito pesado!!! Fiquei indignada!!! Não, quero dizer, que intimidade ele tem comigo?! Nenhuma!!! Por isso eu fiz algo extremamente "inteligente" (e lembro dessa situação rolando os olhos).- Tiago!! Você ouve isso e não fala nada?!!
Ok, isso foi estúpido... mas vejam bem, se ele estava querendo ter algo comigo ele tem que no mínimo me defender né??? Pois é!!! Por isso que eu fiz aquilo!! Black girou os olhos novamente no espelho e Tiago parecia ter acordado de uma cochilada.
- Oi? Ahm? Ah, sim, parem... parem...- falou ele, e sabe aquele ódio escaldante que sobe? É, esse mesmo! Subiu!!
Rosnei e virei para o lado.
- Voltando...- falou Black, ainda com a voz amarga. – A noite pra mim não foi muito agradável, ao contrario da sua claro...- falou com o MAIOR tom de ironia que ele conseguiu encontrar.- Então, me diz logo o que aconteceu naquele encontro?!- pediu, impaciente.
Então eu vi do que se tratava e fiquei com um semblante mais sério, voltando para eles dois. Aquele assunto também me interessava uma vez que eu também estivera lá.
- Foi aquilo mesmo, cara. – respondeu Tiago, agora mais ereto e compenetrado no assunto.- Os nojentos estavam lá... todos fazendo uma rodinha ridícula... cantando uns hinos em alguma língua que eu não reconheci...
(Já falei que o Tiago descreve muito bem as situações? Se ele me descrevesse algo desse jeito eu faria ele repetir quinhentas vezes a mesma coisa até ele me explicar direito!! Mas parecia que o Black já estava acostumado e não reclamou...).
- Depois chegou ... o tal Voldemort...- falou ele, e sua voz tremeu de raiva na hora que ele falou o nome do dito cujo.- E começou a falar ofidioglota..
- Eu sabia que o seboso tinha algo de cobra...- disse Black, com repulsa.
- Pois é! Bem que o Remo disse.. – comentou Tiago.- Mas sim, e estávamos certos sobre... aquilo...
Black franziu o cenho como se tentasse lembrar do que ele estava falando, e eu tentando entender do que se tratava. Black conseguiu lembrar mas eu não consegui entender..
- Ah! Sim, sim, aquilo...- confirmou ele, balançando positivamente a cabeça.
Eu detesto ficar por fora.
- Aquilo o que?- perguntei, de prontidão, com o queixo erguido.
Black olhou para mim e depois para Tiago como se quisesse que ele não contasse sobre o que estavam falando. Mas vejam bem, antes isso poderia até acontecer, Black olhava desse jeito para Tiago, Tiago retribuía e não me respondia , eu inflava de ódio e quase matava os dois. Mas depois de certas situações como as daquela noite, isso não aconteceu, Tiago apenas olhou para Sirius e depois deu de ombros e me falou:
- Nós já desconfiávamos que o Ranhoso era aprendiz de Comensal...- sua voz era normal, porém na hora em que ele pronunciou o "lindo" apelido de Snape, eu senti um certo tremor.
Sirius bufou como se não quisesse que eu ficasse sabendo daquilo. Eu lancei um rabo de olho repreendedor para Black e depois voltei-me para Tiago.
- Já eu nem considerei essa possibilidade...- comentei com ele, realmente falando sério.
Eu nunca que desconfiaria que o Snape fosse Comensal. Quero dizer, apesar de ele ser ótimo em Poções e tal, ele era... ah sei lá... ele era... um tipo de ... ah... perdedor!! (Tá isso soou meio cruel e parece que foi o Tiago quem falou isso, mas não, fui eu mesma!) Quero dizer, o Snape é tão... excluído... ah, sinceramente não sei! Não sei nem como ele conseguiu falar com alguém para pedir para se tornar Comensal... ou... sei lá, não sei nem se pede para se tornar Comensal!! Ah, que confusão, deixa pra lá!
- Você nunca considera nada Evans, porque sua cabeça é sempre bitolada nas suas possibilidades.- falou Black, com um tom de quem puxa para briga novamente.
Eu abri a boca para responder, mas Tiago bufou antes.
- Será que dá para parar?! Sirius, deixa a Lílian em paz, ok?!- disse ele, e apesar de eu continuar séria, sorri por dentro e inflei tamanho contentamento.
Black notou mas preferiu ignorar. Voltou-se novamente para o assunto.
- Então... o Ranhoso agora é oficialmente um Comensal...- disse ele, colocando uma das mechas dos seus cabelos que não conseguiram ficar presos no rabo-de-cavalo, para trás da orelha. – Ótimo, atenção redobrada naquele canalha...
- Com certeza, agora é que eu não o deixo em paz mesmo!!- afirmou Tiago com fervorosidade.
Ok, eu tinha que intervir.
- Epa! Como assim? Você vai o perseguir mais do que ele já é perseguido?!- indaguei, indignada. Quero dizer, tudo bem ele é comensal, mas ele não fizera nada para receber o que recebe!! O Tiago e seus comparsas o perseguem de graça!!
Black rolou os olhos.
- Se antes eu não tinha motivo agora eu tenho Lilly...- falou ele, sem olhar para mim.
- Mas você vai tá comprando uma briga com ele, perceba!! Se ele é comensal agora, ele vai aprender coisas de Magia Negra e depois que sairmos do colégio...
- Que ele venha me enfrentar, tanto bom para mim, tanto ruim para ele!- respondeu Tiago, de prontidão, desta vez me olhando.
Seus olhos estavam escuros e transbordavam uma raiva crescente e me deixou congelada. Resolvi não responder, e apenas engoli em seco e cruzei os braços, emburrada.
Ficamos alguns segundos em silencio depois disso, eu emburrada para um canto, Tiago olhando para o nada abaixo do espelho, e Black... bem Black eu não podia ver a cara já que ele estava no espelho na frente de Tiago. Ficamos tanto tempo assim, sem dizer nada, que eu já pensava que o Sirius tinha ido embora, quando ele finalmente falou:
- Bom, a questão já foi esclarecida, e bem.. por enquanto... são férias de natal, não quero ocupar minha cabeça muito com isso...- ele bocejou nessa hora. – Depois, quem sabe? A gente resolve isso com Ranhoso... Por hora, eu vou dormir porque não consegui esta noite...- eu vi por cima do ombro do Tiago que ele espreguiçou-se e depois disse:- Boa noite, ou melhor, bom dia para vocês!
- Tchau...- disse Tiago, a voz meio morta.
- Adeus, Black.- eu disse, a voz amarga.
Ele rolou os olhos pela ultima vez para mim, e depois, simplesmente sumiu do espelho, que se tornou cada vez mais escuro até ficar totalmente preto, e depois voltar a ser um espelho normal. Tiago suspirou erguendo os ombros e depois soltou-os, e colocou o espelho displicentemente no bolso esquerdo.
Eu me afastei e sentei na cadeira da enfermaria. Não havia muito o que comentar com o Tiago depois daquela avalanche de emoções e de situações confusas e eu não queria falar sobre mais nada daquela noite e continuaria sem querer falar por um bom tempo. Era tudo muito confuso e como dissera o Black, as férias de natal estavam bem aqui e eu não ia perder minha cabeça pensando sobre coisas sérias demais... Sentei-me na cadeira, e apoiei os cotovelos nos joelhos de forma que minhas mãos ficaram juntas apoiando-se no meu queixo. Era uma posição de uma pessoa totalmente entediada depois de uma noite conturbada. Suspirei profundamente quando de repente, o Tiago disse:
- Você vai passar as férias de natal aonde?
Ergui instantaneamente meus olhos e vi que ele me olhava com interesse sentado no parapeito da janela. Pareceu para mim uma pergunta normal, então apenas dei de ombros e respondi:
- Em casa, acho. Eu sei que é meu ultimo ano aqui, mas mamãe disse que ia fazer chester então... – e então parei bruscamente como se eu tivesse me espantado com algo.
Tiago ergueu as sobrancelhas, estranhando. Eu simplesmente estava achando muito fora do normal eu estar conversando com o Potter sobre o que iria fazer nas férias. Era um assunto tão simples e tão fútil que na minha concepção só era conversado com amigos. E bem... Potter era meu amigo? Quero dizer, eu o odiava, não odiava? E depois de hoje... como ficaria nossa relação? Seria de ódio mesmo assim? Ou nós íamos mesmo ser amigos? Ou íamos ser... bem... ah, deixa pra lá!
Dei de ombros novamente.
Ele pensou que eu tinha terminado no "então" e ergueu as sobrancelhas considerando o que eu havia dito.
- Legal... – disse, voltando seu olhar para fora da janela.
O dia estava amanhecendo, e apesar de estar escuro de qualquer forma graças as nuvens carregadas e a neve começando a cair, alguns raios pálidos vinham por detrás das nuvens e denunciavam que o dia já vinha. Sem assunto, eu falei:
- E você? Em casa também?
Ele pareceu despertar de algum pensamento.
- Han? Eu... eu... não, vou... passar por aí...- respondeu, ainda meio perdido e se levantado do parapeito, espreguiçando-se em seguida.
Eu estranhei o fato de ele estar totalmente avoado, mas depois esqueci disso quando ele abriu a janela e um vento frio do inverno entrou na minha área da ala Hospitalar. O vi colocando a vassoura para fora novamente e indo montar nela, pronto para ir embora. Só depois que ele já estava fechando a janela, é que eu me liguei e corri para esta.
- Espere!- pedi alcançando o parapeito e me apoiando nele.
Tiago olhou para mim, e ficou esperando o que eu tinha a dizer. Eu engoli em seco e perguntei o que estava me atordoando:
- Porque você disse que o que vimos hoje iria me interessar? Quero dizer, o encontro de comensais e tal...
Ele ergueu as sobrancelhas ligeiramente considerando a pergunta, e alguns segundos depois ele falou:
- Não sei... eu só... senti.
Ok, não foi a resposta que eu esperava, mas tudo bem, não era a primeira vez que o Tiago não me dava uma resposta satisfatória e não ia ser a última. Me ergui um pouco do parapeito mas aí ele fez a coisa que está se tornando especialista e que vai ganhar um premio: Melhor Agarrador de Pulso do Universo. Bem, ele puxou meu pulso e me deu um beijo leve mas que me fez arrepiar e não foi por causa do frio (que estava insuportável por sinal).
- Bom dia Lilly...- disse, simplesmente, e saiu voando janela afora.
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- Como assim? Snape? Comensal?!
- Se quiser falar mais alto Alice eu acho que Hagrid não escutou de lá de baixo...
Você me pergunta: "Ué, você não disse que não ia querer comentar isso por uns bons dias porque o assunto era muito confuso?!" Pois é, e eu tava falando sério quando eu disse isso... Na verdade, a situação em que nos encontramos agora, passou-se dias depois da tal noite confusa posterior ao baile de inverno.
Faltavam dois dias pro Natal e estávamos arrumando as malas para ir para casa. Não sabemos porque mas a maioria dos alunos resolveu passar Natal em casa inclusive os do sétimos anos, o que era totalmente contraditório porque era nosso último ano na escola. Acho que era porque lembrar disso nos dava uma tristeza sem fim, e ir para casa era como se estivéssemos em um ano qualquer, um ano normal em voltaríamos novamente para Hogwarts e no final do ano estaríamos nos preparando para mais um e assim por diante...
Enfim, eu estava contando para Alice, só naquele dia para vocês terem noção de quanto tempo eu levei para tirar aquela confusão da cabeça, o que havia acontecido durante "a noite depois do baile" como eu havia denominado. Ela estava de frente para mim, arrumando a mala que estava em cima da sua cama, agachada, enquanto eu também estava agachada, de frente para ela, arrumando a minha mala que estava em cima da minha cama.
Depois que eu a repreendi por ter falado alto, ela baixou a voz.
- Snape é comensal?!- ela tinha os olhos totalmente arregalados.
Eu rolei os olhos para confirmar que sim. Ela soltou um palavrão baixinho surpreendida e depois perguntou:
- Mas... não é só ele... quem mais mesmo, que você disse?- o ar curioso ela não conseguiu esconder de forma alguma.
Eu fiquei imaginando o que a Sketch faria se tivesse uma notícia dessas em suas mãos... na verdade eu não soube mesmo e nunca vou saber o que ela faria já que ela é da Sonserina e as pessoas que viraram comensais são seus "amigos" (se você considerar amigo aquela pessoa que te tira da seca e se esfrega com você pelo colégio, pode tirar as aspas).
Mas voltando...
- Ahm... Nott, Avery...- fui lembrando os nomes. Mas não sei se você lembra a mania de Alice avaliar as coisas enquanto eu vou falando, e se não lembra, veja agora...
- Sei, esses dois, bem que eu desconfiei, sempre calados, inteligentíssimos, aposto como esse tal de Voldemort adorou eles...
- Rookwood...
- Mais uma boa arma para eles, Rookwood tem o pai que trabalha no Ministério e é muito influente lá, aposto como vai trabalhar lá e vai servir de espião...
- Bellatriz Black...
- Vai ser a piranha deles, aposto...
- Régulo Black...
- O irmão de Sirius, bem que o Sirius tinha dito que aquele não tem personalidade...
- Crabbe, Goyle...
- Os cães de guarda, odeio os dois! Parecem que não sabem nem quanto é dois mais dois!
- Malfoy...
- Uma pena, ele é bonito...
- E o Snape.
- Você já disse...
- É, mas eu tava relatando todos de novo, já que você pediu..
- Eu não pedi pra você repetir o Snape só pedi para você falar os outros!
- Mas eu quis falar o Snape, dá licença?!
- Não!! Isso só confunde minha cabeça!!
- Bom dia meninas...- interrompeu a voz sonhadora de Lua, entrando no dormitório.
Eu bufei e joguei algumas roupas com força na minha mala. Eu sei que eu briguei por besteira com ela, mas não tem besteira que me deixe mais irritada do que as besteiras que eu brigo com Alice, sério mesmo...
Lua sentou-se tranquilamente na minha cama, e automaticamente Baltazar pulou para seu colo. Gente, eu não sei porque mas o Baltazar sempre amou Lua de alguma forma... deve ser porque de perto ela realmente cheira a gatos... mas enfim, isso não vem ao caso. O que vem é que ela sentou-se na minha cama, e acariciando as orelhas do Baltazar, falou:
- Vou passar as férias aqui mesmo...
De alguma forma, aquela colocação sonhadora me despertou para algo. Eu ainda não havia conversado com Lua sobre "aquela noite". E percebi, quando olhei vagarosamente para frente, que Alice também não, pois ela me encarava do mesmíssimo jeito que eu a olhava. Lua apenas continuava a acariciar Baltazar e dessa vez cantarolando uma musica, e batendo os pés no chão.
Eu me ergui vagarosamente, pigarreei e como quem não queria nada, perguntei:
- Lua... você... er.. bem... você se lembra daquela noite do Baile? – perguntei ainda meio hesitante da resposta da loira.
Alice esperava a resposta tão ansiosa quanto eu. Olhava firmemente de Lua à mim. Lua apenas deu de ombros e parecendo que estava profundamente irritada por ter sido interrompida no meio de sua canção, respondeu:
- Acho que sim...
Eu olhei para Alice e decidimos que aquilo definitivamente fora um avanço. Eu balancei a cabeça positivamente para Alice que continuou por mim.
- Então Lua...- e sentou-se na sua cama, como se conversasse algo extremamente normal antes de viajar, pegando algumas mudas de roupa e colocando na mala.- Você deve se lembrar também dos... acontecimentos... não é?
Eu revirei os olhos.
Como Alice detestava mentiras, ela também não era muito boa mentindo. Disfarçava muito mal (ao contrário de mim, claro, que sou uma exímia atriz), e eu pensei naquela hora que só Lua mesmo para acreditar num desdobro daqueles.
A loira, como eu desconfiei, caiu nessa e tentou responder o mais normalmente possível.
- Lembro... não tem como esquecer da Lílian e do Tiago bêbados...- e soltou uma risadinha lunática.
Eu arregalei os olhos e depois estreitei-os para Lua, cruzando os braços. Alice riu abertamente pondo até a mão na barriga.
- Muito obrigada por lembrar disso McMoony... – falei, amargamente, me ocupando com minhas roupas para tentar disfarçar meu rosto extremamente corado.
Alice não parou de rir e não pudemos concluir por um bom tempo graças a sua risada altamente chata. E então, para dar meu revide na Lua, mandei:
- Na verdade estávamos falando do seu negócio com o Black.
Ok, negócio não era a palavra apropriada, mas foi a única que eu encontrei para denominar o momento em que ela beijara o Black no meio do Salão inteiro. Alice parara abruptamente de rir e prendera a respiração (acho que ela não esperava que eu fosse tão direta assim). Eu, apesar de ter sido bem direta nessa hora, também fiquei meio nervosa porque oras... Lua andava meio imprevisível demais não é mesmo?
Mas a sua reação não foi a que a gente temia... foi a que a gente esperava que fosse...
- Não sei se vocês repararam mas nós estamos na época da reprodução de tronquilhos, não é o máximo?!
Ficamos uns três segundos em silêncio assimilando essa mensagem, até que eu bufei e joguei o resto da minha roupa na mala, sem muita paciência.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
- Você está definitivamente mais gordinha, Lílian...
- Não estou, quantas vezes vou ter que repetir?!
- Tem certeza que você não está com uma certa saliência na região ventral?
- Pelo amor de Deus pai, eu NÃO estou grávida se é isso o que o senhor quer saber!!!
E aí? Sentiram falta do meu papai?!
Ah, falem sério, ele é demais não acham? Tudo bem que ele exagera de vez em quando, principalmente quando eu volto do primeiro semestre de aulas e ele vem me atacando com perguntas chatas e achando que eu estou grávida e com uma certa saliência na região ventral mas isso não vem ao caso, gente! Ele É um bom rapaz... só precisa de compreensão...
Tudo bem que não era isso que eu tava pensando na hora, mas enfim...
Eu dei um pulinho básico porque relatar minha viagem não seria muito interessante já que não foi muito legal ficar no mesmo vagão com Alice que ficou a viagem inteira comentando com Frank sobre minha bebedeira com Tiago no Baile de Verão que Lua fizera questão de lembrar para Alice e eu sabia que não ia ser muito interessante. Fora isso, quando eu desejava ir no banheiro ou ia comprar alguma coisa com o carrinho de doces no meio do corredor, a "mão assassina entrava em ação e me atacava" (leiam: a mão de Tiago Potter vindo de algum lugar obscuro, me puxava pelo pulso e me trancava em um vagão com ele para... bem... não para aquilo!!! Mas para uma conversa meio que... íntima...).
Depois de muitas idas (frustradas) ao banheiro, e a tentativas de comer (também frustradas), acabei me consolando no vagãm frustradas), acabei me consolando no vagiro, e a tentativas de comer (tambava em um vagma coisa com o carrinho de dotou grupao mesmo, e fiquei ouvindo o resto da viagem inteira, OU sobre minha bebedeira e de como era HIPER engraçado (segundo Alice) me ver cambaleando, OU sobre os planos natalinos do casal doçura, que era justamente eles próprios. Então amores, quero dizer que definitivamente não é legius transcrever a minha "aventura" na viagem. O que devo dizer de interessante é que tive um desejo de "Bom Natal" muito animador do Potter (ora, ora, quem diria Lilly...), e saí de encontro ao meu pai no carro que me esperava ao invés de ser com o mesmo olhar que os pais das outras pessoas esperavam (olhares calorosos e cheios de saudade) o do meu pai era basicamente me inspecionando para ver se estava tudo certo, e uma vez vista a tal saliência que eu não sei até hoje dizer onde RAIOS ele achou essa coisa, ele apenas me abraçou e me deu um beijo na testa e começou um interrogatório que durou até chegarmos na porta de casa que era onde estávamos agora, tirando minha mala e a cesta do Baltazar para fora do carro.
- Tudo bem, tudo bem... - falava ele como se mostrasse "não está mais aqui quem falou", mas eu sabia muito bem que essa não era a verdadeira intenção de Peter Evans, e adivinhei na lata.- Mas que você está, está... espere para sua mãe ver...
Não foi preciso eu esperar muito. Ao ouvir o barulho do carro (presumo eu), minha mãe veio correndo de dentro de casa com uma luva térmica apoiada no ombro (eu deduzi que fosse por causa do chester e fiquei bastante satisfeita, até porque não consegui comer NADA no trem por culpa de Seu Alguém), e apesar dos bons metrinhos de neve que tinha na frente da nossa casa ela conseguiu atravessá-los sem dificuldade e se jogou nos meus braços assim que me alcançou.
- Ah, Lilly, que saudades!!- exclamou ela, me apertando com força.
- Também estava com saudades, mamãe...- falei, enquanto a beijava no rosto.
Ela retribuiu o beijo e depois me encarou de frente com as duas mãos no meu rosto e um sorriso encantador na face.
- É muito bom tê-la de volta, filha... - disse, emocionada, e depois começou a me ajudar com a bagagem.- Eu já disse e repito que não gosto muito do sistema dessa escola de levar os alunos para morar longe...acho que é único defeito dessa Hogwarts...
- Concordo com você Joanne!- afirmou meu pai carregando meu malão. - É muito melhor quando nossas filhas estão debaixo do nosso nariz!
- Ora vamos Peter, mal nossa filha chegou e já vai começar?!- indagou minha mãe, abrindo a porta de casa para entrarmos.
Eu adentrei em casa com um sorriso maior ainda. Era muito bom estar de volta. Como sempre a casa estava enfeitada com enfeites de natal, a árvore se encontrava na sala com muitas luzes brilhantes e o aquecedor que me era tão familiar (lhes apresento o aquecedor dos Evans! Não tem um único vizinho que não tenha reclamado dele... é realmente chato o barulho que ele faz, mas, toda vez que um vizinho vem reclamar, escolhem o dia mais frio justamente porque o "reclamar" é o pretexto para se aquecer aqui dentro da nossa casa, já que apesar de barulhento, nosso aquecedor aquece muito mais do que qualquer outra coisa) e isso me fez até ficar com os olhos marejados. Mas não deixei que eles percebessem e fui continuando a conversa enquanto colocava meu cachecol no porta guarda-chuvas que ficava ao lado da porta.
- Ele já começou mamãe!- denunciei-o.- Está insistindo desde que me viu que eu estou com uma certa saliência na barriga, você acredita?!- perguntei, indignada colocando as mãos na cintura.
Ela olhou de mim para meu pai que continuava sério enquanto subia as escadas para colocar meu malão lá em cima. Vendo que eu não estava mentindo, ela começou a gargalhar fortemente.
- Essa é boa! Saliência Peter?! Faça-me o favor!!- falava ela, zombeteira, enquanto se apoiava no corrimão da escada.
Meu pai já havia subido mas nós ouvimos sua voz indignada lá de baixo, enquanto ele gritava de dentro do meu quarto:
- Ora mas é verdade!! Verifique você mesma!!!
Minha mãe parou de rir aos poucos e me olhou. Eu enruguei a testa e abri os braços para ela ver. Ela bufou e gritou em resposta pro meu pai:
- Se você não sabe Peter, é inverno, e precisamos usar casacos, é por isso que ela está um pouco "maior" mas não, ela não está grávida!!!
E seu tom era de quem havia terminado a conversa. Mas apesar desse seu tom de voz, quando ela terminou de gritar, virou seu olhar para mim como quem perguntava "você não está grávida, está?" e eu rolei os olhos sorrindo. Mamãe sorriu de volta e assim seguimos para a cozinha.
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Estar em casa mais uma vez era muito bom. Tudo bem que tinha seu lado ruim (digamos Petúnia com seu mau humor constante, tentando me incriminar toda vez que eu ia comer algum docinho de Natal escondido antes da refeição, ou então ela resolvera acatar a idéia do papai, ou seja, de que eu estava com a tal saliência na barriga e toda vez que ia comer dizia que era por causa da gravidez... isso não era legius da parte dela, se bem que ela nunca foi legius comigo mesmo...), mas também tinha seu lado bom... Mamãe e papai sempre eram o lado bom. Ficar perto deles era mesmo que estar em paz vinte e quarto horas do dia e ter certeza de que nenhum mal iria acontecer para mim enquanto estivesse por lá. Outro lado bom era rir. Sim, eu ria muito. Não só com as brigas de papai e mamãe (que na verdade não são brigas, são mais discussões engraçadas por motivos fúteis) e ri também do namoro de Petúnia com um gordo da cara achatada que mais me lembrava um porco do que qualquer outra coisa. Petúnia resolvera apresentá-lo a família justamente na época do Natal. (Era um presente em tanto pro papai). E foi algo que eu não posso deixar de transcrever aqui...
- Lílian, atenda a porta por favor.- pediu meu pai que lia seu jornal calmamente no sofá da sala, enquanto eu e minha mãe conversávamos no tapete.
Petúnia havia saído e como ainda não era tarde, nós não nos preocupamos muito, nem meu pai se esquentou. Mas ele mal sabia que ia ter bastante motivos para se esquentar...
Bufei, uma vez que estava num papo muito descontraído com mamãe, e me levantei preguiçosamente. Assim que me ergui, me espreguicei e bocejei ao mesmo tempo. Fui caminhando lentamente até a porta enquanto a campanhia não parava de tocar. Eu já sabia que era Petúnia que era extremamente estressada e apertava furiosamente o botão toda vez (por isso fui tão vagarosamente). Abri a porta tão devagar que parecia em câmera lenta. Quando finalmente a abri por inteiro que eu pude ver.
Petúnia estava lá, com a cara cavalar de sempre, agasalhada até o último fio de cabelo, e me olhando com desprezo só que de mãos dadas com o tal gordo que eu ainda não sabia o nome. Olhei de Petúnia para ele, e dele para Petúnia com uma sobrancelha erguida como se perguntasse exatamente quem seria aquela banha humana. Reparando no meu olhar ela girou os olhos e me empurrou para entrar.
- Mal educada!- xingou ela, entrando de uma vez e conduzindo pela mão o tal rapaz.
Eu não sabia ainda quem era aquele porco, mas mesmo sem saber já comecei a soltar risadinhas fechando a porta e me conduzindo rapidamente a sala para ouvir o que ia acontecer. Mal cheguei lá e já senti um calor que não era do aquecedor... era meu pai, que tinha a cara mais vermelha do universo e encarava Petúnia e o rapaz por cima do jornal ainda sem se manifestar. Minha mãe também parecia receosa para falar algo, e apenas olhava do meu pai ao casal, com o olhar preocupado. Até que finalmente, ela resolveu romper o silêncio:
- Então Petúnia... quem é este rapaz?- perguntou ela, engolindo em seco.
Eu franzi a testa e me encostei na parede da sala esperando mais reações. Foi então que eu vi uma.
- Er.. boa tarde senhor, eu sou Válter Dursley, filho do casal Dursley, donos da companhia de brocas.- falou o garoto, muito rápido e se aproximando muito rápido do meu pai com a mão estendida e quase derrubando o vaso de vidro que ficava em cima da mesinha com sua barriga.
A mesinha e o vaso vacilaram e eu sufoquei uma risada. O rapaz parecia vermelho e sem graça depois daquilo. Petúnia ao ver a reação do tal Válter girou os olhos e percebi que nem mesmo ela agüentava aquele ser humano. Mas ao ouvir minha risada sufocada, ela me fuzilou com os olhos e se aproximou mais do rapaz como para ajudá-lo. Meu pai e minha mãe tinham as sobrancelhas erguidas. Mamãe pigarreou para falar algo enquanto papai continuou mudo.
- Prazer Válter...- falou ela, se erguendo e finalmente apertando a mão gorducha do rapaz que estava ainda esperando os cumprimentos do meu pai. - Eu sou Joanne Evans, e esse é meu marido... Peter.- e indicou meu pai com a cabeça.
Meu pai parecia mais uma escultura de gelo desafiadora. Não movia um músculo sequer.
- Er... não sei se Petúnia falou também da sua irmã... a Lílian.- disse mamãe, apontando para trás do casal com a mão.
Tenho certeza absoluta de que se não tivessem na presença de meus pais eles não teriam me olhado. Porém, Petúnia virou-se a contragosto me olhando de uma forma repugnante e o tal Válter me olhou de cima a baixo como se já estivesse instruído por Petúnia de me desprezar. Eu, que apenas me divertia com a situação, ergui o polegar para os dois fazendo um sinal de "legal" mostrando toda minha animação.
Depois que se viraram para meus pais novamente, o gorducho mandou:
- Er... tenho certeza de que o senhor já ouviu falar da companhia de meus pais, não? É uma das mais famosas da cidade...- falava ele com a voz trêmula.
Ora, nem o homem mais corajoso do mundo olharia para meu pai sem medo naquela hora. Ele continuou no silêncio profundo e isso começou a irritar minha mãe.
- Peter?... - chamava ela, hesitante, e cutucando meu pai no braço sem tirar os olhos do casal. - Peter?... O garoto falou com você... Peter, responda!!- exasperou-se minha mãe, dando um beliscão "nada discreto" (eu herdei esse dom dela) no braço do meu pai.
Meu pai rosnou e respondeu a contragosto:
- Já ouvi falar sim...- e continuou a fixar o garoto sem muita simpatia.
Ficamos mais um pouco em silêncio a ponto de eu poder analisar a situação melhor...
Eu me lembrava da cara daquele rapaz... ele era familiar... mas de onde??... Foi então que uma luz me veio... ele era o garoto que sempre brigava e batia nas menininhas que xingavam Petúnia de magricela. Era também o garoto que andava com sua trupe para lá e para cá espancando meninos menores. Eu me lembrei e bufei de lado dizendo para mim mesma o quão ridícula eu havia sido por não lembrar-se dele assim que o vi. Fui analisando aos poucos e na minha concepção, Petúnia chegou a namorar aquele rapaz e a enfrentar meus pais por ele por dois motivos, um: ele daria toda a proteção que ela quisesse sempre (não que hoje em dia fosse acontecer o caso das garotas do primário aparecerem do nada para xinga-la de magricela), e dois: ele era rico. Aquela companhia de brocas, eu me lembrava bem, era uma companhia cara e daquelas com um visual que quer ser globalizado a força à ponto de ter seus funcionários um passando por cima do outro para se dar bem. Acho que Petúnia mandara o garoto citar a companhia justamente para ver se satisfazia meu pai ter um genro rico. Pobre Petúnia... acho que nada no mundo satisfaz meu pai quando esse 'nada' está se relacionando com suas filhas...
- Então papai... bem... - finalmente falou Petúnia, com um pouco mais de segurança. - Acho que o senhor já sabe que... que... estamos namorando...
Juro que esse "estamos namorando" me lembrou muito quando a Lua cantarolava uma música triste. Ela sempre cantava o trecho mais triste da música dessa forma: inciava o verso bem alto e ia terminando bem baixo à ponto de fazermos leitura labial. Era um jeito "dramático" de cantar a música. Um jeito Lua...
- Não, não sei.- falou meu pai e eu vi sua cara começando a atingir o ponto dois de fúria.
O ponto um, gente, é justamente esse que ele apresentou até agora. Cara vermelha, mudez, estático, e tal...
O ponto dois é o de ignorar a pessoa. Ele falou o "Não, não sei" voltando a folhear o seu jornal tranquilamente.
Mamãe, já farta com os ataques de papai, o deu um beliscão muito forte por sinal (meu pai fez "Ouch!") a ponto dele erguer-se da poltrona. Ele encarou mamãe e eu percebi que eles discutiam por olhares. Minha mãe o forçando a falar direito com o casal e papai se negando a fazer isso. Porém, como sempre na casa dos Evans, minha mãe sempre ganha. Com um olhar final mortífero (do tipo: eu não falo mais com você, e se vira para um lado com os braços cruzados e a cara emburrada), meu pai bufou e disse:
- Irei analisar seu pedido...
- Que pedido papai? Nós já estamos...
- O PEDIDO...- ergueu a voz a ponto de gritar e isso fez com que todos nós nos encolhêssemos. - Do Sr. Dursley à Petúnia, por enquanto...- e afastou os dois que estavam de mãos dadas.- Petúnia está solteira. - e a puxou para seu lado.- Boa tarde, rapaz. - e estendeu a mão para que Válter apertasse.
Vi que o gorducho encolheu seus olhos miúdos e apertou a mão insatisfeito. Se ele estava insatisfeito meu pai estava mais feliz, até que papai abriu o primeiro sorriso (muito forçado) do dia, e me disse:
- Pode conduzi-lo à porta por favor Lilly?
Válter virou-se para mim e me encarou desprezadamente. Mas como meu pai não vira seu olhar de desprezo, achou que ele estava me olhando de outra forma e completou:
- Quero dizer, pode deixar que eu mesmo o conduzo...- e se aproximou de Válter.- Vamos? - perguntou ele indicando a saída para o gorducho.
Ambos deixaram a sala, e eu só tive tempo de ver o olhar de ódio de Petúnia me queimando e a vendo praticamente "voar" até o seu quarto.
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Eu prometo a vocês que nunca mais eu vou zombar da Petúnia por NADA nesse mundo de Deus. NADA. NADA. NADA. NADA. NADA. NADA. NADA.
Eu jurava que eu sabia que cara-de-pau tem limites, mas NÃO TEM, NÃO TEM, NÃO TEM, NÃO TEM.
Porque eu estou dando esse chimilique? Ok, vou explicar.
Sabe quando o mundo desaba nas suas costas por uma brincadeira de um certo alguém?! Pois é... aconteceu comigo!! Ok, eu não fiz nada esse ano para merecer isso, apenas dei uns gritinhos o que é natural, mas não fiz nada de exagerado ou de anormal, por que EU não sou neurótica EU sou ligada é totalmente diferente!!!! Mas tudo bem, tudo bem, tudo bem, tudo bem, por mim ó... já era! Eu desisto da minha vida que é muito injusta por sinal... Eu não joguei pedra na cruz nem chiclete em carteira de professor nenhum, nem xinguei meus pais pelas costas, nem amaldiçoei ninguém (talvez um ou dois, verdade seja dita... tá bom três ou quatro... TÁ LEGAL, algumas pessoas mas só algumas!!!), mas nada nesse mundo justifica o que aconteceu comigo! Nada. Nada, simplesmente nada. E sabe quando você começa a se arrepender por ter cedido alguma coisa, ou por ter admitido algo?! Tá vendo? Acho que você já se ligou em QUEM me fez ter esse ataque de fúria.
- Lílian... LÍLIAN!!!
Esse berro me deixou em pânico. Em geral quem dá os gritos aqui em casa são meu pai. Mas dessa vez era minha mãe, e ela parecia estar desesperada com algo. Desci correndo as escadas até a cozinha e não achei minha mãe. Depois corri até a sala e não a achei novamente. Corri até a entrada e a achei com uma cara pálida de quem acabara de ver um agouro de morte. Engoli em seco. O que havia deixado minha mãe tão em pânico assim?! Corri até ela.
- O que foi mamãe?! Está acontecendo algo?! A senhora está bem?!
Ela parecia disfarçar que não estava bem e eu não entendi ao certo. Só depois que eu vi que a porta estava entreaberta e dava sinal de que alguém esperava do lado de fora é que eu entendi porque ela tentava disfarçar seu nervosismo. Mas mesmo assim, continuei preocupada, e insisti com o olhar para que ela me respondesse.
- O que foi mamãe, diga!!!!- pedi sibilando, desesperada.
Ela respirou fundo e disse para mim num tom nervoso:
- Tem... tem...
- Tem o quê mamãe?!
- Tem um... tem um...
- Policial?! Ladrão?! Seqüestrador?! Terrorista?!
- Tem um moço...
- Sim?!!!
- Aqui na frente...
- Certo...?!!
- Que está dizendo...
- O QUÊ?!- sibilei com força.
- Que é seu...
- Meu?!
- Seu namorado Lilly!!!!
Gelei. Não, não, não, congelei.
Não, não, não, morri mesmo.
Fiquei estática. Para ter certeza de que eu havia encaixado o quebra-cabeças direito eu repeti:
- Tem o que... mamãe?- perguntei, só que dessa vez mais calma, mais desesperada e sem pressa nenhuma de ouvir a resposta que me dava pânico.
Ela respirou fundo novamente e disse de uma vez só:
- Tem um moço aqui na frente que está dizendo que é seu namorado Lílian!
Eu não acreditei. Ou melhor, eu não quis acreditar que era verdade. Balancei a cabeça negativamente de leve e aos poucos foi ficando cada vez mais forte até parecer que estava tendo um ataque de epilepsia de tanta força que a balançava a cabeça.
- Não... não tem ninguém aí mamãe...
- Tem minha filha, eu não sou louca!!- retrucou minha mãe, vendo meu desespero e se acalmando para me ajudar (pelo menos isso).
- Não, não tem, é ilusão de ótica...
- Ótimo, veja você!!
E me empurrou para a porta para que eu visse no olho mágico. Realmente algum rapaz esperava do lado de fora e eu fiquei procurando formas de enxergar que não era quem eu temia que fosse. Olhei virando a cabeça para esquerda, depois para direita, aproximei meu olho, distanciei-o, mas não tinha jeito. Aqueles cabelos espetados eram inconfundíveis. Ainda procurei outro ângulo que apontasse que não era ele, mas quando procurei tal ângulo o troglodita imbecil (porque só um mesmo para fazer isso) "brincando" aproximou o olho dele no olho mágico e eu quase cai para trás quando vi aqueles olhos castanhos esverdeados me encarando do tipo "Vamos lá Lilly, abra porta pra mim!".
Juro que a vontade que eu tive era de me virar e dizer : "Não é ninguém que eu conheça mamãe, pode fechar na cara do imbecil e de preferência com força para ver se ele bate o nariz na porta!", mas não consegui. Vocês sabem que tudo de maléfico que eu planejo quase sempre é interrompido por algo ou por alguém o que significa que nem que eu quisesse eu iria ser má na minha vida. Eu me distanciei da porta e já estava me virando para falar para mamãe que eu não o conhecia quando meu pai veio da sala.
- Joanne, quem está aí? Atenda logo, esse frio que está entrando pela porta está me matando...- dizia ele enquanto se encaminhava para nós.
Não deu tempo sequer de ele reparar nos nossos rostos desesperados que pediam para que ele não se aproximasse mais. Ele arreganhou a porta de uma vez só e aí eu pude encarar aquele CARA DE PAU nos olhando alegremente com as duas mãos nos bolsos e até com PRESENTES no chão que ele trouxera consigo. Papai franziu o cenho como se tentasse adivinhar quem era, mamãe me olhava como se me indagasse se eu realmente conhecia aquele rapaz (que devo confessar estava bem apresentável num traje de pessoa normal coisa que ele nunca usava e até digamos... charmoso... é, o desgraçado cativou minha mãe), e eu a olhava sem graça e depois encarava o chão totalmente um tomate de tão vermelha.
- Boa noite... - iniciou meu pai, muito cuidadosamente. - Você é...?
Ele pigarreou e tirando a mão do bolso com seu sorriso maior que a cara que eu conhecia muito bem, disse:
- Boa noite, sou Tiago... Tiago Potter.- e estendeu a mão para o meu pai.
Como meu pai não sabia exatamente quem era, apertou-a ainda confuso. Como Tiago não falara mais nada, ele muito transtornado, falou:
- Er... bem... prazer... er... - eu senti pena do meu pai. Pena porque ele conhecera meu calo e com certeza ia ser o dele. Mas o pior é que no momento eu sentia pena dele tendo certeza que alguns segundos e a pena se transferiria inteiramente para Tiago. - Er... sou Peter Evans e er... bem... você é... exatamente...- ele procurava a palavra certa para perguntar quem era ele.- Você...me conhece de algum lugar...?
Eu engoli em seco e gemi, olhando para o outro lado.
- Ah... não, não senhor. - afirmou ele, muito seguro de si, ainda sorrindo. - Na verdade conheço sua filha...
Palavrinhas mágicas. "Sua" e "filha". Meu pai ficou lívido.
- Qual... filha...?- indagou ele, com um tom de voz macabro que me lembrou muito os de vilões de filmes infantis "Qual filha exatamente que o senhor fala, para eu poder açoita-la?".
Tiago não percebeu aquele tom e eu gemi profundamente pela BURRICE daquele cavalo manco! É incrível como Potter só piora as situações mais críticas do universo...
- A Lílian oras, ela não falou de mim? - perguntou ele.
Eu sufoquei uma risada nervosa. PREPOTENTE ACIMA DE TUDO!!! ESSE é o lema do Potter.
Meu pai girou a cabeça lentamente na minha direção, e depois olhou para ele novamente.
- Não.- respondeu, simplesmente.
Tiago, que ainda não se tocara de toda a situação (ou fingia que não se tocava mas isso era algo que eu ia resolver o mais rápido possível), bufou e estendeu a mão novamente para meu pai.
- Desculpe então... sou Tiago Potter... namorado da Lílian.
Gemi novamente. Ainda hoje eu iria conhecer o gosto da morte. (Tão Dramblemático quanto parece).
Porque simplesmente o mundo gira contra você quando você mais precisa?! Eu havia dito a vocês que meu pai tem dois estágios de raiva, certo? Certo! Pois bem.. ele tem o terceiro, que na maioria das vezes só acontece quando ele já passou pelos dois primeiros. Repito: na maioria das vezes. O terceiro estágio, lhes apresente com muito desgosto! Estágio ironia. Quando meu pai está muito PUTO ele voa para o estágio ironia. E foi nesse que ele ficou, para complicar minha situação porque com o conhecimento Potteriano que eu tinha, Potter nunca foi muito bom para entender ironias.
- Ah, é? Namorado da Lílian?- repetiu meu pai, com o sorriso mais irônico impossível. - Que bom...
Tiago pareceu se aliviar de alguma tensão que existia nele exatamente como eu previra. Ele estava pensando que meu pai estava falando sério. "Oh, não..." foi o que eu pensei.
- Pois é, er... sem querer ser intrometido nem nada... mas... aqui fora está um frio imenso...- falou ele olhando significativamente para minha mãe.
"Mas que filho da mãe inteligente!!!" pensei na hora. Ele sabia de alguma forma que comovendo minha mãe, ele iria entrar.
- Mas é claro...- falou meu pai, muito ironicamente, sem se mover.
Tiago franziu a testa sem entender, até que minha mãe sorriu sem graça e pigarreou dizendo:
- Entre querido, entre, realmente está frio aí fora...- e abriu a porta para ele entrar com um sorriso docemente nervoso.
Tiago agradeceu e entrou normalmente como se nada estivesse acontecendo. Meu pai demorou um pouco ainda olhando para fora fixamente como se Tiago ainda estivesse lá. Depois de alguns segundos em que Tiago já havia entrado, eu já me retorcia de ansiedade do que iria acontecer comigo, e minha mãe já estava cansada de cutucar meu pai nas costas, ele virou-se, vermelho.
Foi então que Tiago pela primeira vez na noite, me olhou sem ser pelo olho mágico. Me encarou como se estivesse tudo bem e estivesse fazendo algo que me deixaria satisfeita. Eu apenas retribui o olhar só que não tão feliz quanto o dele. Ele finalmente (aleluia) pareceu perceber que algo estava errado me olhando fundo nos olhos. Deixou seu grande sorriso de lado. Ficou sério e com a cabeça mais baixa.
Até fazendo uma coisa errada ele acerta. Meu pai pareceu mais satisfeito com esse gesto de "humilhação" de Tiago e disse:
- Então... sr. Potter... namorado da Lílian, han?...
Em seguida, Tiago ergueu seu olhar para o meu pai e depois para mim.
Foi aí que eu vi pela primeira vez um olhar de pânico de Tiago Potter.
N/A: Okaaaaaaaaaaaaaaay, dessa vez eu não demorei tanto demorei?! Não, não demorei!!
Na verdade esse capítulo era para ficar mais longo porque SIM ainda tem mais coisa para acontecer nesse natal ANIMADÍSSIMO dos Evans, ok?! Mas como ia ficar um capítulo gigantesco e vocês teriam que esperar MAIS ainda, eu resolvi deixar por aqui e aí vocês lêem no que vai dar esse Natal no próximo capitulo,certo?!
Vamos às reviews:
Thais: Oi Thaty! Brigada... tá vendo? Por isso que a gente não deve desistir assim que lemos alguns capítulos que não nos satisfazem... as vezes aparece um e puf! Muda o rumo da história e a gente acaba gostando! Brigada mesmo pela review tá? Beijos!!!
Vanessa Zabini Lupin: Huhsuahsuhasuhasuhas, não não, o consolo de Sirius você verá no próximo capitulo creio eu! Mas tá quem sabe, em algum capitulo ele não brigue com Marlene? Aí eu entrego ele para você! Hhuhaushuas... Brigada pela review Vanessa, sempre lendo, você é ótima! Beijos!!!
fla Marley: Heheheheheh, leu? Eu esqueci de atualizar, mas tava fazendo o 12 aí nem lembrei, vou por mais dois capítulos lá agora!! Brigada pela review fla!! E ah! Minha peça era de comédia, sempre faço comédia, basicamente eram monólogos e o meu era de uma professora de português neurótica! Se quiser ver fotos da peça (na verdade uma foto só) vai lá no meu orkut (tá como a homepage aqui do meu perfil no fanfiction) que tem lá! Beijos!!!
Xanda: Gostou mesmo? Brigada Xanda!!! Nunca deixa de comentar tá? Sempre preciso das suas opiniões, ok? Beijos!!!
Franci Flom: Mulher que review ENOOOORMEEEE!!! Heheheheh, brigada mesmo por TODOS os elogios tanto pra mim quanto pra fic ok?! Gostou da idéia do Baile? Mesmo? Aliás eu queria lembrar não só a você mas a todos que eu tive uma certa ajuda de uma amiga para ter essa idéia então não foi inteiramente minha, ok? Mas enfim, brigada pela review Franci, adoro os seus comentários, sempre!!! Beijos!!!
Eliza Evans Potter: Hahahahahahaha, você não tem noção de como os elogios ajudam pra escrever, acertou em cheio!! Brigada Eliza, valeu mesmo, sei que você sempre comenta !! Beijões ok?!!!
Ok, considerações finais:
Gente, eu arrumei tipo que uma explicação para aquele vai e vem de emoções ou seja eles tão alegres num momento e no outro tão tristes, ou melhor, num momento eles estão com comensais e no outro estão se beijando felizes... isso fica realmente estranho, mas procurei justificar nesse capítulo e espero que vocês tenham entendido, ok?
Eu já disse em resposta de uma review aqui mas vou repetir... a idéia do Baile de Verão não foi só minha, foi de uma amiga minha (Rayane) que me ajudou durante uma aula muito chata que eu não lembro qual era... então, se vocês gostaram da idéia do baile não parabenizem só a mim, parabenizem também a Rayane que me ajudou, ok?! Beijos Ray-Ê!
E para as pessoas que não cansam de perguntar, eu respondo:
Estamos na metade do caminho oficialmente agora!! Creio que deve faltar uns cinco à sete capítulos para o final da fic... só de aviso, blz?!
Então vou nessa, já comecei o capítulo 13 e postarei ASSIM que terminar, podem ficar tranqüilos!!! Beijões e fuiiiii!!!!
