Capitulo 12 –Incêndio

Êxtase é o que sinto quando Peeta me diz que não irá mais partir, dentro de mim surge uma necessidade urgente de beijá-lo, seus lábios são quentes e tem sabor de pão fresco com chocolate que desperta em mim uma fome avassaladora que me faz querer mais dele, o empurro para o sofá sem deixar de beijá-lo sento-me de frente para ele, sinto cada pedaço de seu corpo, o seu peitoral em contado com meus seios, suas mãos que estão em minhas nádegas, fazendo uma fricção no centro de meu ventre que me deixa com uma vontade louca de tê-lo por completo e estou desejando-o como nunca pensei ser possível. Ele me olha com o olhar um pouco nublado.

-Isso está realmente acontecendo? Verdadeiro ou falso.

-Verdadeiro. –Respondo o beijando-o com mais vontade, só tenho consciência dele e de meu desejo por ele. De como estava carente de contato físico com ele, algo dentro de mim se meche como um bicho sedento por mais. Porém algo muda nele que para de corresponder ao beijo e me afasta de si, ele levanta do sofá. Sem entender, confusa, sedenta, olho para ele buscando uma resposta.

Após algum tempo ele falar com uma voz quase que cruel

-Você não me quer, só está com medo, mas não tenha medo. Eu sou só aquele que está mais próximo. Você não me ama de verdade. –Por um momento penso que talvez realmente esteja dentro de uma ilusão, mas isso não é possível, pois a dor que sinto no peito e a fome que ainda está em mim é bem real o que trás a tona raiva de ser rejeitada.

- E quem eu quero Peeta? É tão difícil acreditar que eu quero você? –Digo para que ele enxergue o quanto eu o desejo naquele momento.

-Sim, especialmente quando eu não sei se quando Gale aparecer você não correrá para floresta com ele. -O que Peeta diz entra como um espinho de gelo no peito. Não escondo a dor que sinto, olho no diretamente para os olhos dele e vejo a dúvida que está por trás dessa pergunta. O problema é que eu realmente não sei o que eu sinto em relação a ele, nem sei se tenho capacidade de amar como ele merece ser amado e por isso me mantenho em silêncio mesmo quando ele pega sua mala e sai. Deixando-me só, depois de uns instantes percebo Peeta foi embora zangado e triste por eu ser ineficiente com meus próprios sentimentos.

Decido então ir ate a casa dele, tentar explicar um pouco ressentida, já que ele deveria saber que eu estou quebrada, que não sei como funciona os meus sentimentos no momento em relação a ele exceto que o considero a pessoa mais próxima a mim e que nunca mais Gale poderia se meter entre nós, o que tínhamos desceu pelo ralo no momento em que a guerra acabou e pedir, implorar se fosse preciso pra ele não me deixar sozinha. Mas percebo que é tarde demais quando a porta da frente não abre, chamo o seu nome e não recebo resposta. Dou a volta na casa e a porta dos fundos também está trancada. Algo está errado, quebro a vidraça de sua janela e a abro, entro sorrateiramente para encontrar uma casa vazia, adentro cada um dos cômodos que estão limpos e em ordem, mas sem ninguém.

Então a realidade cai sobre mim de forma esmagadora, Peeta se foi por uma semana para o distrito 4. Não sei como encontro o caminho de volta para casa e só percebo quando estou no local onde ele pediu uma resposta e eu não dei.

Caio aos prantos no sofá a dor que sinto depois que Peeta parte é quase insuportável por que sei que a culpa é toda minha, sou ruim com palavras, não sei como faço para ele saber que eu... Eu o quê? Eu o amo? Sim, é claro. Mas o amo como? Mais que um amigo, mas não o suficiente para dar o próximo passo. Eu nunca vou dar o próximo passo, estou quebrada demais e continuo chorando, ate ser embalada por minhas lágrimas.

Como de costume quando tudo esta desesperador meus sonhos se tornam cruelmente bons.

-Katniss... –Prim está me chamando sorridente no campo florido, o dia está ensolarado e radiante. Corro feliz ao seu encontro, abraço-a o mais forte que posso e ela retribui. Olho para seu rosto doce e inocente.

-Senti sua falta– Falo – Eu te amo patinho.

-Também te amo- Ela responde sorridente. –Não se preocupe, não foi sua culpa.

Acordo no sofá pela luz do sol, olho para o relógio e são 7 da manhã. Esse foi o melhor sonho de todos os tempos, ainda posso sentir a presença de Prim na casa. Quando vou despertando por completo caio na real, foi só um sonho e o buraco vazio que está no meu peito só aumenta me fazendo lembrar também, de Peeta que está a caminho do 4 a uma hora dessas. Greasy entra pela porta com sua netinha de uns 8 anos, Mellissa que é deficiente e sempre a segue.

-Hoje não teve quem fizesse Mel ficar na escola, espero que não se importe de tê-la trazído comigo.

Se fosse um dia bom eu responderia a ela, mas não quero que minha voz denuncie o choro. Subo para me lavar para o café. Desço e encontro Melissa brincando com o Buttercup.

-Soube que Peeta viajou ontem para o distrito 4. –Sei que ela não é intrometida, só quer saber e que devo a ela por estar cuidando de mim, mas me limito em dar de ombros como se não soubesse.

O telefone toca e vou atendê-lo.

-Alô.

-Olá filha, você comeu? –Minha mãe pergunta preocupada, às vezes acho que ela tem medo que eu acabe ficando desnutrida, pois a situação em que ela me viu quando eu estava vindo para o 12 era essa.

-Sim, Greasy tem se incumbido dessa tarefa. -Respondo

-Você quer que eu vá passar alguns dias com você? –Ela pergunta preocupada que talvez eu esteja mentindo

-Não precisa, eu estou saudável, voltei a caçar e tudo. Não falto a minhas consultas com o dr Aurélio, pode ligar para ele se não acredita. –Digo na defensiva, sei que minha mãe se preocupa e sempre liga. Mas não quero condená-la ao mesmo destino que eu viver no doze com o passado, acho que ela não suportaria. Ela não tem em quem se apoiar e eu sempre fui péssima em cuidar das pessoas.

-Estou só perguntando. –Ela diz na defensiva. –Fiquei sabendo que nosso hospital receberá Peeta para alguns exames hoje à tarde e pensei que algo poderia ter acontecido.

-Nada aconteceu. –Corto o assunto não quero pensar nele agora. –Tenho que ir.

Desligo sem dizer mais nada, ficar em casa é impossível então vou em direção à floresta, passo pela cidade e vejo que a reconstrução está adiantada. Construíram um novo edifício da justiça, na porta tem um exemplar da constituição que dá direito ao povo. Eu quase me sinto confortada por isso se não soubesse que não importa quantas garantias deem, eu nunca estarei em segurança. Não depois de viver nos jogos e passar pela guerra. Passo pelo mercado, a área destruída da costura está com algumas casas reconstruídas e vou ao caminho do antigo buraco da cerca.

Todas as folhas das árvores já caíram, em breve será inverno o que me deixa vir caçar mesmo sendo 9 da manhã, estou checando as armadilhas, escuto sons de passos e subo na árvore aguardando ver quem pode ser. Vejo um grupo de homens passarem com machados, acho que o doze tem lenhadores agora e desço. Passo mais algumas horas caçando, mas sem sucesso. Meus pensamentos giram em torno de Peeta. Desisto de tentar pegar alguma caça e vou para casa. O telefone está tocando irritantemente, penso em ignorar e ele para. Mas volta a tocar novamente.

-Alô. –Atendo contrariada.

-Katniss... –Desligo assim que reconheço a voz de meu antigo melhor amigo, o que tínhamos se quebrou, desapareceu... O telefone volta a tocar irritantemente, eu vou para o quarto passo perto do escritório onde tive minha conversa com Snow, onde ele me deixou a rosa após bombardear do 12 e vejo que está tudo limpo e organizado Greasy deve ter arrumado junto com o restante da casa, sou tomada por um medo arrebatador como se Snow ainda estivesse vivo, como se ele pudesse surgir a qualquer momento naquele escritório que nunca usei exceto uma vez, esse lugar não me pertence.

Pertence a Snow. O ódio que me consome é quase palpável, a fúria que corre pela minha corrente sanguínea parece ácido e queima pelo meu corpo.

Ensandecida pelo ódio, pelo medo e pela a fúria derrubo a estante de mogno. Reviro a escrivaninha, quebro cada enfeite de vidro liberando minha raiva, mas mesmo assim quando olho ao redor mesmo revirado, quebrado e arruinado. Ainda é pouco, esse cômodo precisa desaparecer assim como as vidas que foram perdidas na guerra. Sigo para o porão onde deixava o estoque de bebidas de Haymitch pego tudo e retorno para o escritório despejo todo conteúdo das garrafas nos móveis já destroçados, nas paredes, quebro alguns no chão saio para a cozinha pego o fósforo acendo e jogo no centro desse cômodo. As chamas de imediato consomem o álcool de uma forma magnifica, dentro de mim é como se a presença de Snow na minha vida também estivesse se consumindo me libertando da opressão que antes me aterrorizava e estou rindo histericamente. Passa alguns minutos quando começo a perceber que estou ficando com falta de ar, as chamas já consumiram todo o escritório e lambe a porta percebendo o risco do incêndio se espalhar fecho a porta.

Haymitch aparece um pouco penso e me leva para fora. O ar que invade meus pulmões é frio e puro, só agora percebo o quanto estava sufocada dentro.

-Você está querendo se matar? – Haymitch pergunta após uma ou outra tomada de ar. O incêndio agora está se espalhando pela casa, a alegria momentânea dá lugar ao desespero e lembro de minha gaveta com o medalhão de Peeta, a cavilha, meu broche e a perola. Mas é o livro de lembranças e o de minha família que me faz invadir a casa, corro para alcança-lo na mesa próxima a cozinha tudo está nublado dificultando minha locomoção com dificuldade subo para o quarto jogo o meu livro de família, o meu livro de lembrança e o livro que estávamos trabalhando em cima da cama. Pego a cavilha, o medalhão de Peeta, a pérola, meu arco, a jaqueta e amarro as pontas da colcha de cama. O fogo já invadiu as escadas o que me deixa somente com a janela. Preparo-me para pular os cinco metros da minha janela ao chão, respiro fundo e pulo. Estou caindo quando sinto o baque quando atinjo o chão e fico imóvel.

A dor no meu pé e joelho não é nada comparada a dor que sinto no peito. O que foi que eu fiz? EU destruí a minha casa, mas não só isso. EU fui o motivo do 12 ser bombardeado, de Peeta ter sido quase arruinado e EU fui o motivo da morte de minha irmã. Estou produzindo sons horríveis, soluços e lágrimas. Haymitch ao meu lado em silêncio enquanto o fogo consome a casa.