Capítulo Onze

Bella e as outras mulheres, Alice e Rosalie, estavam postadas ao longo do perímetro da arena improvisada, aguardando o início da batalha.

Os guardas as haviam trazido ali, e, após se apresentarem, elas ficaram em silêncio. Ela sabia que as outras esposas estavam tão preocupadas quanto ela com o que aconteceria, e em como iriam lidar com a situação.

A espera infernal contribuiria para lhes destruir o espírito antes mesmo que a batalha começasse.

O sol ainda não estava a pino quando Bella examinou as colinas que as cercavam, involuntariamente ponderando em voz alta.

- Deve haver um modo de sairmos daqui.

- Só se seus homens sobreviverem. – Caius aproximou-se e deteve-se diante delas. – Mas não contem com isso. Precisam aceitar o fato de que se juntarão aos que me servem.

Ele começou a descrever em grandes detalhes as atribuições das mulheres. Bella procurou ignorar em sua mente as fantasias doentias. Sua atenção estava toda voltada para os três homens que se aproximavam da arena pela outra extremidade do acampamento. Mal se deu conta de que ficara de queixo caído ante a visão.

Edward nunca dera a impressão de ser mais poderoso do que agora. Sua presença, forte, confiante e imponente, a fez ficar fraca de desejo.

Avistando-a, ele a fitou com intensidade nos olhos ousados. O olhar disfarçado a fez tremer por dentro. Sua respiração e sua pulsação se aceleraram.

Ele a acariciou com um olhar ardente, que parecia tão real quanto qualquer toque físico. Ela mal conseguia permanecer imóvel e conter o gemido de desejo.

Tentando se distrair, Bella rompeu o contato visual. Desviou o olhar para fitar os outros dois homens. Isso acabou se mostrando um erro, pois não ofereceu nenhuma distração.

Apesar da visão de Edward sozinho ser impressionante, a imagem dos três homens juntos era de tirar o fôlego.

E, quando eles flexionaram os bíceps e estufaram os peitos no que, certamente, devia ser uma demonstração pública de força, Bella expirou o ar que não notara estar prendendo, e sussurrou:

- Minha nossa!

Se alguém ali pensava que aqueles homens iriam perder naquele dia, logo foi provado que estava seriamente enganado. A esperança que ela tivera para a vitória deles logo se transformou em certeza completa. Esses guerreiros não eram apenas magníficos, eram invencíveis.

Caius estudou os homens com os olhos experientes quando eles se aproximaram da arena. Para a sua satisfação, eles haviam achado um jeito de manter os músculos definidos e rijos que ele se esmerara tanto para que seus corpos adquirissem.

Os homens alcançaram o centro da arena e formaram um círculo, com as costas voltadas um para o outro. Jasper agitou a espada, como se desafiando Caius a dar a ordem de ataque.

Ele se posicionou atrás das mulheres e assobiou. Dez dos seus guardas treinados correram das tendas na direção da arena. Para a decepção de Caius, o primeiro embate terminou rápido demais.

Jasper matou três dos guardas. A fera pesada Edward acabou com a vida de dois homens, enquanto Emmett matara mais um.

Então, os guerreiros haviam se saído muito bem contra as espadas. Como será que se virariam contra chicotes e correntes.

Ele assobiou, e mais cinco guardas apareceram. Estes homens eram peritos com qualquer tipo de chibata. Cada um deles manejava uma corrente com uma das mãos e um chicote comprido com a outra.

Para a sua irritação, Edward riu. A risada se transformou em impropérios indecentes quando James passou pelos guardas e, sabiamente deu as costas para os guerreiros. Foi inteligente da parte de James manter os olhos nos guardas que acabara de desertar, pois estes não hesitariam em matá-lo como a um cachorro.

Em vez de dar a ordem para que o fizessem, Caius deu de ombros. Após um ato de traição tão descarado, não faria diferença. Caso Arnyll sobrevivesse à batalha, ele ainda morreria naquela noite por sua traição.

Jasper e Edward largaram as espadas e deixaram a arena. Emmett e James se posicionaram de modo a estarem um de costas para o outro. Caius sabia que os dois homens lutariam como um eficientemente formando uma única unidade com quatro braços. Ele esperava que isso acontecesse em algum momento da batalha. Afinal era uma excelente maneira de proteger as costas enquanto se concentrava no inimigo à sua frente.

O que ele não esperava era que Jasper fosse capaz de estender a mão com tanta facilidade por entre as chibatas que cortavam o ar para agarrar um guarda pela garganta, partindo-lhe o pescoço em seguida.

Nem esperava que Edward fosse capaz de agarrar um chicote em pleno ar e, em seguida, pouco a pouco, puxar o guarda surpreso para si com a própria arma deste. A reação atordoada do guarda permitiu a Edward os segundos que precisava para puxá-lo perto o suficiente para agarrá-lo. O tolo mereceu ter o pescoço esmagado entre o bíceps e o antebraço de Edward.

Porém, não foi como se os guardas restantes não tivessem causado nenhum estrago. Suas chibatas e correntes haviam cortado a carne dos guerreiros em muitos lugares. O sangue corria livremente das feridas e pingava no chão.

Quando apenas dois dos guardas restavam, Caius sorriu para si mesmo e assobiou uma última vez. Os guerreiros não se livrariam do próximo ataque.

Vinte de seus melhores homens desceram cavalgando da colina. Eles se aproximaram determinadamente da arena. Os cavaleiros cuidariam da submissão completa dos guerreiros. As compridas lanças afiadas que traziam facilmente fariam os guerreiros enxergarem que sua liberdade, e a das esposas, chegara ao fim.

Os quatro homens ergueram as espadas. Cada marido olhou para a sua esposa, como que se despedindo, antes de formar o seu círculo pela última vez.

Estavam preocupados a troco de nada. Caius dera ordens estritas aos cavaleiros para não matarem os guerreiros, apenas para feri-los, de modo que não pudessem continuar a batalha.

Ele andava de um lado para o outro atrás das esposas.

- Talvez agora possam aceitar o inevitável. Seus homens não vencerão.

Ele mal havia acabado de dizer tais palavras quando a mulher chamada Rosalie apontou para as colinas do outro lado da clareira, gritando:

- Olhem! Bom Deus, olhem!

Caius virou-se na direção apontada e praguejou. Pelo menos cinquenta homens cobriam o topo da colina. O cavaleiro na frente da fileira carregava uma flâmula. Ao seguirem pela curva da estrada, a flâmula se desenrolou na brisa, exibindo o leão do rei Henrique.

Então, estes homens eram importantes o bastante para o próprio rei vir em seu socorro? Caius ergueu a mão, ordenando que seus cavaleiros se detivessem. Depois, virou-se e seguiu na direção de sua tenda.

No que lhe dizia respeito, o jogo não havia terminado, apenas fora adiado. Não podia, e nem pretendia, retornar a Sidatha sem os homens.

Seria necessário mais tempo, mais ouro e um novo plano de ação. Porém, independentemente do que fosse necessário, não falharia para com o seu senhor.

Ele se deteve na entrada da tenda e apontou o polegar para Arnyll, que tentava fugir. Alguém tinha de pagar por este revés, e podia se dar ao luxo de sacrificar o tolo. Dois de seus guardas investiram contra Arnyll, mandando-o rapidamente ao encontro do criador.

Edward correu na direção de Bella, detendo-se apenas para testemunhar a morte de Arnyll. Por um instante, foi tomado de tristeza. Queria que tivesse sido ele a tirar a vida de James.

Porém, a tristeza não durou muito, e ele se voltou para Bella, apenas para vê-la desfalecer lentamente. Edward a tomou nos braços, antes que ela caísse no chão.

- Edward... – Bella lhe suspirou debilmente o nome.

Ele gentilmente enxugou as lágrimas de seu rosto, jurando que isso jamais aconteceria novamente. De agora em diante, ela ficaria em segurança.

O rei Henrique se deteve ao lado deles.

- Cullen, você está bem? – O rei fitava o sangue pingando do corte na lateral do corpo de Edward. – Precisa de cuidados?

Edward olhou para o que, para ele, parecia não passar de um arranhão.

- Não. Não é nada. A maior parte do sangue não é meu.

Só então, Bella olhou para o rei.

- Obrigada por ter vindo em nosso socorro, meu senhor.

Os olhos de Henrique se arregalaram.

- Lady Swan?

- Cullen. – Bella corrigiu. – Edward e eu nos casamos.

O olhar surpreso do rei voltou-se para Edward.

- Casou-se com a informante de minha mulher?

- Casei.

Antes que o rei se dirigisse aos outros homens, Edward perguntou:

- Será que posso solicitar alguns instantes do seu tempo antes de seguirmos nossos respectivos caminhos?

Henrique apontou com a cabeça para o campo de Caius.

- Ficarei aqui por alguns dias. Venha me procurar antes de partir. – Olhando por sobre o ombro, ele acrescentou. – Caso haja suprimentos ou comida de que precise, as carroças chegarão em breve.

Edward curvou a cabeça.

- Obrigado.

Bella repousou a cabeça no peito dele.

- Sobre o que quer falar com o rei?

- Nada que tenha a ver com você. – Edward mentiu.

Sua discussão com o rei teria tudo a ver com Bella. Mas ele não queria revelar o que planejara, até ter falado com Henrique.

Por ora, tudo que queria era encontrar um lugar reservado onde pudesse ficar sozinho com a esposa. E logo, antes que simplesmente abraçá-la passasse a não ser o suficiente.

Edward a soltou.

- Fique aqui mesmo, não se mexa.

Edward correu até onde ele e os outros homens tinham guardado os suprimentos. Pegou uma bolsa de couro contendo comida, um cantil de pele vazio, e enrolou algumas cobertas para também levar consigo. Se Emmett e Jasper precisassem de alguma coisa, poderiam pegar o que restara ou, como o rei dissera, aguardar a chegada das carroças de suprimentos.

Edward retornou até onde havia deixado Bella e a conduziu até o lugar onde passara a noite anterior. Eles escalaram a parede natural de pedras e rochas até chegar à região gramada entre as rochas e o rio.

Ele deixou os suprimentos caírem no chão e puxou a esposa para si.

Bella o abraçou apertado e enterrou o rosto no peito do marido.

- Estou tão zangada com você que tenho vontade de gritar.

Ele lhe acariciou o cabelo e, como não podia culpá-la por ralhar com ele, nada disse. Em vez disso, pegou-a nos braços e, após sentar-se na grama, de costas para a parede de rochas, colocou-a no colo.

Ela se apoiou no peito de Edward e olhou para ele. Jamais ficara tão contente de ver alguém como havia ficado ao vê-lo, na noite anterior. Saber que ele fora atrás dela significava mais para Bella do que ela jamais seria capaz de explicar.

De acordo com o que Caius e Arnyll haviam lhe contado, Edward passara muitos anos em cativeiro. Como alguém podia ter suportado tal vida, sem se tornar um animal, estava além de sua compreensão.

No entanto, esse enorme homem forte sempre a tratara com ternura. Mesmo quando estava furioso, jamais a agredira fisicamente.

Ela pousou o rosto de encontro ao peito dele e lhe acariciou o braço.

- Quanto tempo ficou prisioneiro?

- Quinze anos.

Bella franziu a testa ante o seu tom distraído. Mas decidiu insistir.

- Como foi que aconteceu?

Edward deu de ombros.

- Meus pais haviam... Morrido, e o novo lorde da fortaleza mandou me expulsar. Alguns homens me encontraram vagando às margens de um rio e me acertaram na cabeça com um pedaço de madeira. Quando dei por mim, estava a bordo de um navio seguindo para o outro lado do mundo.

- O novo lorde o expulsou? Por quê?

- Porque ele era irmão de meu pai e mentira para o rei, alegando que eu também tinha morrido, quando, na verdade, ele havia assassinado meus pais na esperança de conseguir o controle do castelo.

Horrorizada com o modo como ele fora tratado, Bella perguntou:

- Por que não procurou o rei Henrique quando retornou?

- Stephan era o rei quando meu pai morreu. Cullen era leal a Stephan, em vez de à mãe de Henrique, Matilda. Ambos os lados precisavam desesperadamente de homens e ouro. Duvido muito que Henrique teria se importado de saber que Cullen passara para o lado deles através de traição.

Ela faria de tudo para ver isso retificado assim que possível. Por ora, perguntou, querendo que ele lhe dissesse, muito embora já soubesse a reposta:

- O que fez quando foi prisioneiro?

- Matei homens.

Bella não precisou ver o rosto dele para saber como dizer como tais palavras o afetavam profundamente. O retesar dos músculos sob os seus dedos, e a aceleração das batidas do coração dele sob seu rosto, a faziam perceber a raiva latente.

- Edward, você não teve escolha. Fez o que lhe foi comandado.

Ela agora entendia o por que de ele ter usado tal palavra ao descrever o relacionamento dela com a rainha.

Porém, na experiência dela, havia uma grande diferença entre ser ordenada a fazer algo a ser comandada. Desobedecer a uma ordem tinha suas consequências, é claro, mas estas geralmente se resumiam a ficar desgraçado por algum tempo, ou, na pior das hipóteses, a uma visita a uma cela. Desobedecer a um comando significava morte instantânea, como Langsford descobrira no dia anterior, e Arnyll hoje.

O peito do marido oscilou com um suspiro.

- Sempre temos escolha.

- A morte não é uma escolha. Mesmo que fosse, você era jovem demais para tomar uma decisão tão definitiva dessas.

- Contudo, se eu tivesse tomado tal decisão, não teria tanto sangue nas mãos. Eu jamais teria me tornado uma fera que vivia apenas para o combate e a matança.

A voz dele era áspera, e Bella buscou um modo de lhe mostrar que ele, no fundo, não era uma fera, não era um assassino. Ela estendeu a mão na direção de seu rosto, acariciando-lhe os lábios.

- Pode até ser, mas você jamais se tornou um animal como Arnyll. Era evidente que ele gostava demais do combate e da matança.

A fungada zombeteira de Edward a pegou de surpresa.

- Ah, sim, ele gostava da matança, mas nunca do combate. Ele não era um guerreiro, e jamais poderia vir a sê-lo. Arnyll era mais um informante assassino solto no meio dos colegas prisioneiros para espionar para Caius.

A vergonha tomou conta de Bella, dificultando-lhe a respiração e tornando quase impossível para ela engolir. O que ela poderia dizer em resposta ao comentário que não refletiria em seus atos para a rainha Eleanor?

Nada. De modo que decidiu seguir em frente.

- Certa vez me disse que pedacinhos de informações resultam em morte. Por quê?

O corpo de Edward estremeceu. Ela lhe sentiu a barriga retesar-se de encontro à coxa. Bella o abraçou apertado, sussurrando:

- Não, Edward, não há necessidade de falarmos sobre isso. Deixe enterrado no passado.

Eles ficaram sentados em silêncio por um bom tempo. Por fim, ela o sentiu relaxar. Logo, seu batimento cardíaco e a respiração se desaceleraram até voltarem ao normal. O que ela não sentiu foram os braços dele ao seu redor.

A terrível sensação de que havia algo seriamente errado a fez inclinar-se para trás para poder fitá-lo.

- Edward?

Ele olhava para todos os lados, menos para ela.

- O que foi?

Quando ele não respondeu, ela deslizou as mãos até a nuca dele, porém, por mais que tentasse, não conseguia forçá-lo a olhar para ela.

Bella abaixou as mãos e as cruzou sobre o colo. Bom Deus, o que havia feito? Talvez fosse a comparação entre ela e Arnyll.

- Edward, eu sinto muito por ter espionado para a rainha. Sinto tanto. Jamais quis fazer mal a ninguém. Eu apenas...

Ele pousou o dedo sobre os lábios dela.

- Sshh. Você fez o que precisava para sobreviver. Depois de tudo que viu, tudo que escutou, ainda acha que não sei o que é isso? Nada do que fez jamais se comparará às maldades desprezíveis de Arnyll.

Talvez ele tivesse razão. Ela podia não ter cometido maldades, mas muitos de seus atos foram desprezíveis.

- Onde você foi ontem à noite?

Ele a envolveu com o braço, puxando-a novamente contra o peito.

- Aqui. Dormi aqui.

- Por quê? Como pôde me deixar sozinha com tanta facilidade, sabendo o quanto eu estava apavorada?

Edward descansou a cabeça na rocha e suspirou.

- Bella, eu não conseguia respirar naquela tenda. Todos os homens que morreram pelas minhas mãos me assombravam ali dentro. Todas as cicatrizes causadas pelas chibatadas voltaram a arder. Optei por fugir das lembranças em vez de enfrentá-las.

Ela podia entender a necessidade de fugir. Quantas vezes havia colocado as lembranças de lado em vez de lidar com elas?

Bella voltou a lhe tocar o rosto.

- Quer dizer que me deixar zangada foi o modo mais fácil de garantir a sua fuga?

Edward esfregou a própria face contra a palma da mão da esposa, antes de arrastar-lhe a mão até os lábios para beijá-la.

- Foi. Será que pode me perdoar?

- Ah, Edward, obrigada.

- Obrigada? Por quê?

- Você veio atrás de mim. Não poderia querer mais.

Ele esfregou um cacho de cabelos da mulher entre os dedos, roçando a mão em seu rosto.

- Você é minha esposa, Bella, como poderia deixar de vir atrás de você?

- Poderia facilmente ter deixado que Caius me levasse embora da Inglaterra, e, depois, dito para todo mundo que eu havia morrido. Ninguém jamais saberia da verdade.

- Ah, sim, isso com certeza teria sido uma atitude honrada, não teria? Ainda mais levando em conta o fato de que eu sabia muito bem os tormentos que a aguardavam.

- Honrada? A honra foi a única razão pela qual você veio?

Ele a apertou de encontro ao peito. Seus lábios eram vorazes de encontro aos dela, deixando-a sem fôlego e querendo muito mais. Edward interrompeu o beijo para enterrar a cabeça no pescoço da mulher, perguntando:

- E o que mais existe?

Se não o conhecesse bem, Bella teria dito que o marido guerreiro estava a beira das lágrimas. Decerto, apenas imaginara o tremor na voz dele. Ela queria discutir com ele, reclamar que ele poderia ter vindo porque a desejava. Ou porque se importava demais com ela como pessoa para deixá-la morrer. Algo, qualquer coisa que não fosse a sua honra.

Porém, aquele não era o momento para discussões e nem para palavras duras. Havia sido uma longa noite para os dois, e uma manhã brutal. De modo que Bella preferiu lhe acariciar o cabelo, confortando-se com a realidade de que ele estava vivo e a abraçando.

- Ainda assim eu agradeço.

Ele lhe ergueu a cabeça para sussurrar de encontro ao seu ouvido:

- Disponha.

Bella fechou os olhos e relaxou por completo junto a ele.

- Estou tão cansada. Poderia dormir aqui mesmo durante vários dias.

As mãos dele se fecharam dos dois lados da cintura dela antes de levantá-la do colo.

- Existe uma cura para isso.

Ela alisou a saia do vestido, reclamando:

- Eu não estava procurando uma cura.

- Temos a noite toda para dormir. – Ele ficou de pé. – Porém, agora, o que quero mesmo é um banho.

Bella caminhou até o rio e ajoelhou-se na beirada. Com um profundo suspiro, jogou água no próprio rosto.

- Está fria?

Ela sacudiu a cabeça.

- Não muito.

- Ótimo.

Edward desenrolou uma das cobertas sobre a grama, deixando outras duas dobradas sobre a pedra. Depois, sentou-se e tirou as botas, antes de se levantar para despir as roupas. Queria mais do que apenas sentir a água jogada sobre o corpo. Queria afundar no rio e permitir que a corrente levasse embora a sujeira, o sangue e a fúria febril que ainda pulsava no interior do seu peito.

Bella deixou escapar uma exclamação de surpresa quando ele passou por ela, nu.

- Edward! – Ela olhou por sobre o ombro. – E se alguém o vir?

Ele perdera qualquer senso de recato há muitos, muitos anos. Que o mesmo não houvesse acontecido com ela o surpreendia. Não devia haver muita privacidade nos aposentos da rainha, se é que havia alguma.

- Não tenho nada que os outros não tenham visto no próprio corpo.

Assim que a água alcançou o quadril dele, Edward afundou até o fundo do rio. Ele fechou os olhos enquanto a água o envolvia para levar embora o fedor da maldade de Caius e seus próprios pecados banhados em sangue.

- Está fria?

Ele abriu um dos olhos, depois, virou a cabeça para ver Bella andando de um lado para o outro na margem. Será que ela estava pensando em se juntar a ele?

- A temperatura não mudou desde que eu lhe fiz a mesma pergunta.

- Eu estava apenas com a mão na água. Ela está fria... De encontro ao seu corpo?

Ela estava pensando em se juntar a ele no rio. Se a água estivesse fria, apenas as intenções dela teriam sido o suficiente para aquecê-la consideravelmente. O pensamento foi o bastante para deixá-lo arrepiado, e não de frio. Ele acabara de sair de uma batalha. Será que Bella não se dava conta do que isso significava?

Qualquer vestígio de paciência que pudesse ter havia sido colocado de lado. Será que sua necessidade de permanecer acordado e fazendo algo não deixara isso bem claro?

Ah, mas possuí-la contribuiria um bocado para acalmar os últimos vestígios da sede de batalha.

- Não, Bella, não está fria.

- Mas é funda.

Ele poderia muito bem ter ficado de pé e dado uma volta para lhe mostrar a verdadeira profundidade do rio, mas tinha certeza que ela sairia correndo como uma coelhinha amedrontada ante a visão de sua excitação.

- Eu estou sentado.

Mais uma vez, ela fitou a água com desejo.

- Não sei nadar.

- Eu sei.

Embora, se ela se juntasse a ele, ninguém fosse nadar muito.

- Você tem um pouco de sabonete?

Sabonete? Ele precisou de alguns instantes para processar o pedido. Ela, de fato, queria banhar-se? Edward pegou um pouco de areia do fundo do rio e a ergueu no ar.

- Isso vai ter o mesmo efeito.

Ela mordeu a parte incólume do lábio inferior.

- Não vai deixar que me afogue?

Esta tinha de ser a pergunta mais tola que ela já fizera até então. Sem ligar para a reação dela, Edward ficou de pé, a água pingando de seu corpo enquanto caminhava na direção dela. Quando chegou à margem coberta de grama, ele a ergueu, sentando-a em uma das enormes pedras, onde lhe removeu as botas macias, as meias e a cinta.

- Ah, sim, Bella, após ter arriscado minha vida em uma batalha até a morte para salvá-la, com certeza vou deixá-la se afogar.

Antes que ela pudesse responder, ele a ajudou a descer da pedra e lhe retirou o vestido e a combinação pela cabeça.

Ela cruzou os braços sobre o peito e estremeceu quando a brisa lhe alisou a pele. Edward a tomou nos braços e a carregou até o rio. Quando ele voltou a entrar na água e sentou-se, ela soltou um gritinho, pendurando-se no pescoço dele.

- Você mentiu. Está fria.

Fria? Com a pele úmida de Bella pressionada de encontro à dele, suas pernas envolvendo-lhe a cintura, ele estava longe de estar sentindo frio. Estava em chamas.

E, se ela não estava, Edward estava fazendo algo errado. Ele soltou os braços da mulher de seu pescoço.

- Vire-se.

- O quê?

Ele pegou um punhado de areia.

- Você disse que queria um banho.

Ela relaxou as pernas e deslizou até o colo dele. Os olhos de Bella arregalaram-se.

- Ah. – Um sorriso sedutor esboçou-se nos cantos de sua boca, enquanto ela balançava o quadril para frente e para trás, de encontro a ele. – Será que o banho não pode esperar?

Edward ficou imóvel, depois suspirou ante o tom lascivo de sua voz e a fricção de seus movimentos. Ele poderia facilmente possuí-la agora. Contudo, queria mais do que apenas um alívio rápido. Inclinou-se para beijar o pescoço da mulher, e, em seguida, lhe mordiscar a orelha.

- Se não aceitar o banho agora, não posso prometer que vai ter um.

Ela franziu a testa como se estivesse ponderando. Sem querer esperar a decisão dela, Edward a agarrou pela cintura e a colocou de pé diante dele. Ajoelhando-se, Edward gentilmente esfregou-lhe o corpo com a areia áspera. Passou as palmas das mãos sobre os braços, os ombros e o pescoço dela, antes de baixar as mãos até os seios, depois, desceu até a barriga e o quadril.

Bella agarrou os ombros dele e fechou os olhos, evidentemente deliciando-se tanto quanto ele com as atenções. Ele subitamente se deu conta de que este seria um dos momentos de que se lembraria quando se separassem. Uma lembrança que arderia de encontro ao coração, e que apenas aumentaria a saudade que sentiria dela.

Poderia se poupar da dor futura, afastando-a. Mas não tinha forças para se privar da sensação da pele macia de Bella sob suas mãos, ou do som de seus suspiros em seus ouvidos.

Incapaz de falar por causa do aperto que sentia na garganta, Edward fez um gesto para que ela se virasse.

Ele lhe esfregou as costas, deslizando as mãos para baixo para lhe acariciar as nádegas arredondadas. Com os pés separados plantados no chão, de modo a oferecer apoio contra a ligeira correnteza, ela estava exposta ao toque dele. Pelo som ofegante da respiração da mulher, Edward sabia que Bella estava na expectativa de seu toque.

Ele sorriu para si mesmo. Tinha toda a intenção de ser egoísta, e nenhuma intenção de se apressar esta noite.

Edward esfregou a areia áspera por toda a extensão das pernas dela, depois lavou a areia com a mão antes de deslizar com a ponta dos dedos pelo interior das coxas. A pele sensível estremeceu sob o toque provocante.

Sua pequena exclamação de surpresa, seguida de um ligeiro gemido, o fez continuar. Mas, quando ela fez menção de se virar nos braços dele, Edward a manteve no lugar. Com uma das mãos no ombro dela, sussurrou no ouvido da mulher:

- Não, Bella, fique aí.

N/A: ahhh eu sei!!! Sou muito má... mas a cena do capítulo que vem vai compensar, eu prometo!!

Só mais uma coisinha: O prêmio de cú doce do ano vai paaaraa..... Bella!!! Quem concorda comigo???