11.
- Então você é o herói misterioso... – Joan, de braços cruzados, fitava Clark.
- Sou.
- E porque você não evitou a explosão?
- Primeiro por que fiquei em dúvida de me revelar. E depois porque acho que todos devem saber que atentaram contra a vida de dois repórteres.
- Hum, boa sacada.
- E eu gostaria que você não contasse pra ninguém que eu te salvei. Pode atribuir à outro.
- Eu só posso atribuir ao herói misterioso... Meu Deus, se eu fizesse uma matéria sobre quem é Clark Kent, Metropolis pararia. – ela pensou e mordeu o lábio. Ele ficou tenso. – Mas fica frio, seu segredo está seguro comigo. Não vou contar nada. Mas isso não me impede de falar do herói. Só que você precisa de um nome.
- Um nome?
- Um codinome que te defina. Um alter ego. Vou pensar em algo legal, Clark.
Clark sorriu.
- Confio no seu bom senso, Joan.
- Ok. E Clark, obrigada por confiar seu segredo a mim. Significa muito.
Os dois trocaram olhares e sorriso carinhosos, mas logo ouviram a sirene da polícia, que quebrou o clima. Joan contou sobre o atentado e que ela e Clark foram salvos pelo novo herói de Metropolis.
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Smallville
Clark acordou e viu Jonathan lendo o jornal. Ele sorriu para Clark.
- Superman salva o dia. Gostei do nome.
- Superman? – Clark repetiu, sem entender.
- Ué, você virou matéria de capa do Planeta Diário, meu caro! – Jonathan entregou o jornal para o tenso Clark. – Toda a Metropolis deve estar falando só nisso.
Clark leu a matéria assinada por Joan. Não havia nenhuma foto sua e nem o seu nome verdadeiro citado, mas o herói fora batizado pela jornalista. Clark gostou da matéria. Joan tinha uma escrita que envolvia o leitor. Clark colocou o óculos.
- Hora de ver isso de perto. Até mais, Jonathan.
- Até mais, Super! – brincou Jonathan, erguendo a caneca de café.
Clark voou até o Planeta Diário e viu Joan digitando no computador enquanto todos falavam do Superman. Clark se aproximou dela e lhe deu um copo de café.
- Eu vi o jornal.
- Ei, Clark. – ela sorriu e pegou o copo. – Obrigada. Gostou do que leu?
- Sim. Sabia que você faria um ótimo trabalho.
- Você me dá muito crédito, Smallville. – ela disse,mesmo se sentindo lisonjeada. Sentou na beirada da mesa dele. – E o codinome? Acho que cobriu todos os aspectos do herói, não é?
- Eu não teria pensando em um nome assim. Ficou legal, Lois.
- Porque você me chama de Lois se o meu nome é Joan? – ela cruzou os braços.
- É... Quando você tiver tempo, tenho uma história pra te contar. Eu não troco por maldade. Mas de qualquer forma seu nome é Lois mesmo.
- Mas eu prefiro Joan. – ela insistiu.
- Tudo bem, não vou te contrariar. – ele sorriu.
- Você já está pegando o jeito, Smallville. – Joan piscou e voltou para sua mesa.
Clark sorriu, encantado.
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LuthorCorp Media
Lex leu o jornal e o amassou, com raiva. Clark havia voltado. Estava simplesmente furioso pelo irmão de criação querer virar o herói de Metropolis. O Superman! Lex tinha vontade de matá-lo. Lionel entrou na sala da vice-presidência e fitou o filho.
- Você parece contrariado hoje, Lex.
- Você viu essa palhaçada? – Lex sacudiu o jornal. – Claro que viu, aliás, você deve estar patrocinando isso! Você sabia que Clark tinha voltado, não sabia?! Agora quer torná-lo um herói?! Ele nunca será, é egoísta demais pra isso!
- Não sei do que está falando, Lex. Clark não retornou.
- Mentira! – gritou Lex, furioso. – Você o preferiu! Pensa que não sei? Pensa que não sei do segredinho dos dois?! Clark é um afetado por meteoros, Lana me contou!
- Eu fico surpreso de você acreditar nos delírios daquela sua mulherzinha... – disse Lionel com desprezo.
- Lionel, você tinha que ter me contado sobre Clark!
- E de onde você tirou que esse tal... Superman... é Clark? Você mesmo diz que Clark é um egoísta... Ele jamais agiria para salvar ninguém além de si mesmo. Seu ódio por seu irmão o cega de tal forma que você para de ver as coisas com clareza.
- Aquele infeliz não é meu irmão! – gritou Lex, vermelho de raiva.
- É melhor deixar você sozinho para que se acalme e depois conversaremos sobre a empresa que você decidiu abrir nas minhas costas. – falou Lionel e Lex ficou surpreso. – Sim, eu sei dos seus passos, meu filho. Você é esperto, mas eu sou o professor aqui. Com licença.
Lionel saiu da sala e Lex deu um murro na mesa. Estava completamente possesso. Lex estava com as mãos na cabeça quando Tess entrou na sala e fechou a porta.
- Qual o problema, Lex?
- Qual o problema? – ele repetiu, hostil e se ergueu. – Quer saber qual é o problema? Você mentir na minha cara, Tess! Clark voltou e você disse que não sabia!
- Ai, Lex, me poupe! De onde você tirou que Clark voltou?
- Daqui! – ele quase jogou o jornal em cima dela.
- Vê se para com essa histeria! – ela gritou. – Ou então não respondo por mim! Quem você pensa que é pra falar nesse tom comigo?!
- Um homem traído! Você me apunhalou, Tess!
- E você não me apunhalou quando lhe foi conveniente? Quando casou com aquela praga da Lang?! Não venha bancar o ofendido comigo, Alexander!
Lex bufou e encostou a cabeça na janela. Tess cruzou os braços, chateada.
- Foi preciso casar com Lana, você sabe... – ele justificou e ela bufou alto. Ele a fitou. – Tess, a questão aqui é Clark. Ele é esse tal de Superman!
- O que? Clark Luthor? – Tess riu. – Pelo amor de Deus, não é, Lex? Clark nunca foi herói, ele nunca teve caráter pra isso! Esse Superman deve ser algum afetado por meteoro...
- Assim como Clark era!
- Lex, eu acho que você está surtando... Clark não era um freak.
Lex a segurou pelos ombros.
- Você ainda mente pra mim? Lana me contou sobre Clark.
- E como ela poderia saber de algo assim? Supondo que é verdade.
- Ela... ela teve um rápido caso com aquele cretino...
Tess deu uma gargalhada gostosa e se afastou de Lex. Ele fez uma careta de desagravo e Tess caiu sentada no sofá.
- Mas só podia ser! Uma piranha daquelas! Já transou com Metropolis inteira e todas as cidades vizinhas! E não duvido nada que continue assim, afinal, velhos hábitos não se largam! Você deve ser o corno mais famoso de Metropolis!
- Não tem graça, Tess! – reclamou Lex e ela continuou rindo. – Me diz que é mentira da Lana, então.
- Eu não vou dizer nada. Agora que esse Superman não é o nosso não tão querido irmãozinho, disso, não tenho dúvidas. Aliás, CL nem sabia que essa Lane existia.
- Se não é Clark, então onde ele está?
- Como eu vou saber? Tenho bola de cristal por acaso?
Lex sentou ao lado de Tess.
- Você ficaria contra mim e do lado dele, Tess?
- Ultimamente estou só do meu lado, Lex. Cansei de ser tapeada.
Lex acariciou o cabelo dela.
- Sabe que Lionel ia surtar se...
- Eu sei de tudo isso. – ela o cortou. – Mas se você tivesse mais coragem, Lex...
- Eu não posso! Você sabe que tem muita coisa em jogo!
- Só porque você quer a LCM só pra si. Por isso está tão perturbado achando que Clark ressurgiu das cinzas.
- É o meu direito! A LCM deve ficar sobre controle da família e Clark é só um agregado! A única pessoa que aceito que me ajude a controlar os negócios da família é você, que é filha de Lionel.
- Pois eu preferia não ser. – ela desabafou.
- Eu também. – ele confessou.
Tess e Lex trocaram olhares mais intensos, mas a porta abriu e ela se ergueu cortando o contato. Lana colocou as mãos na cintura fina.
- Ah, atrapalhei a duplinha? Que pena... – Lana deu um beijo no marido e Tess foi preparar um drinque. – Querido, vim te convidar para almoçar comigo hoje.
- Não posso, tenho muito o que resolver aqui e ainda tenho que falar com Lionel.
- Ah claro. E o fato da sua irmãzinha querida ter voltado a LCM não tem qualquer influência nisso, não é? Vocês me dão nojo. – ela fez uma careta. – Bem, eu almoço sozinha. Bye. – acenou e saiu do escritório.
Tess bebeu um pouco e se virou para Lex.
- O que Lionel quer falar com você?
- Ele descobriu sobre a LexCorp.
- É, Lex, agora sim você vai ter que enfrentar a fera de frente. Boa sorte. – sorveu o resto da bebida e saiu do local.
Lex bufou.
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Lana estava almoçando quando olhou pela janela e viu Clark na calçada. Pagou a conta e saiu correndo, conseguindo interceptá-lo.
- Clark? Você voltou mesmo! Mas porque está usando esse óculos?
Clark viu que Lana era ruiva naquela terra e se vestia como uma perua. Não ficou surpreso ao perceber que ver Lana Lang não mais o afetava. Ele ajeitou o óculos.
- Eu conheço a senhorita?
- Senhora Luthor. Como assim você não me conhece? Sou eu, Lana! Ah não vai dizer que ainda está com raiva de mim por ter contado pro Lex que você é um freak? Já disse que estava chateada por você ter me trocado por aquela nojenta da Tess! Como se não bastasse o meu marido ter... você sabe... uma ligação com ela no passado nada apropriada.
- Eu não sou um freak e nem Clark Luthor. Com licença.
- Clark! – ela o segurou pelo braço. Olhou-o com atenção. – É, realmente seu olhar, sua pose, seu jeito de falar, é tudo diferente. Você é um sósia?
- Sou apenas um cara. Tenha um bom dia, Sra. Luthor.
Clark entrou em um táxi para despistar Lana, que ficou chateada.
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Torre de Vigilância
Clark chegou na Torre e Chloe teve que recolher os papéis no chão.
- Sabe, acho que seria uma boa colocar um sininho em você. – brincou. – Mas ainda bem que chegou. Diana está experimentando o novo uniforme e Bruce providenciou um pra você também.
- Pra mim? – Clark perguntou, surpreso.
- Claro, ainda mais que a Srta. Lane já publicou na primeira página do Planeta Diário para Metropolis e o mundo inteiro sobre o Superman, não tem como escapar dessa, Clark. – Bruce disse, entrando na sala.
Clark deu um suspiro conformado. Não gostava de uniformes mas parece que não havia outro jeito. Diana surgiu usando o seu uniforme que lembrava muito o de uma amazona.
- Pensei em um short azuis com estrelas, mas depois achei que ficaria cafona. – explicou Chloe.
- Achei esse bem confortável e bom para luta. – Diana rodopiou e Bruce e Clark admiraram a beleza da mulher. Chloe percebeu e só olhou para o teto.
- Fico feliz que tenha gostado, Diana! – exclamou Chloe. – E qual vai ser o seu codinome?
- Ahn, ainda não decidi. – Diana franziu a testa. – Em Themyscira não usamos codinomes.
- Pois aqui é necessário para evitarmos problemas maiores, mas você tem tempo pra pensar. Ou então dá sorte como Clark e alguém a batiza. – disse Bruce.
- Por falar nisso, tá na hora de Clark experimentar o uniforme dele. – falou Chloe e Clark hesitou. – Vai, Clark, sem medo! Não vai te morder, prometo!
- Ok. – ele falou, nada animado e foi vestir o uniforme.
- Nossa, parece que está indo para um velório. – Chloe comentou e os outros riram.
Clark voltou com seu uniforme azul, mas sem um S no peito. Mexeu na capa.
- Não gosto muito de capas.
- Ajudam na movimentação, acredite. – falou Bruce.
- E a capa ficou super legal. – falou Chloe. – Só está faltando algo...
- Definiu bem o seu físico, não é, Clark? – comentou Diana, olhando-o de alto a baixo.
Agora foi Bruce quem olhou para o teto ao ver as meninas babando pelo corpo musculoso de Clark. O kryptoniano estava sem jeito e só olhava para baixo.
- Talvez um símbolo... – sugeriu Chloe. – Algo que seja a sua marca, afinal, você é Superman!
- Hum... Acho que tenho uma ideia. – Clark saiu voando e voltou logo com um cobertor com um S desenhado nele. – Foi uma das poucas coisas que trouxe da Terra 1. Foi com esse cobertor que meus pais me acharam no milharal.
Chloe achou uma ótima ideia e logo o uniforme de Clark ganhava um S no peito. Diana não resistiu e toco de leve.
- Combinou muito com você.
- Mas será que não vão reconhecer Clark sem nenhuma máscara? – indagou Bruce.
- Com um corpo desse, quem é que vai olhar pra cara dele? – comentou Chloe e ela e Diana riram.
Clark ficou ainda mais sem graça e Bruce ficou com um pouco de pena.
- Clark, você acha que não será reconhecido?
- Bem, eu ajo de maneira diferente como repórter do Planeta Diário. Pensei em um disfarce a paisana. O repórter e o Superman sendo diferentes um do outro.
- Hum, pode funcionar. As pessoas só veem o que querem. – achou Bruce.
- E o melhor do uniforme, Clark, é que você pode usá-lo debaixo da roupa e ninguém vai perceber. Ele adere muito bem à pele. – Chloe falou.
- Hum, parece legal, mas ainda estou meio... desconfortável... – Clark murmurou, tímido diante dos olhares de cobiça das mulheres. – Acho que vou usar aos poucos...
- O melhor jeito de saber se esse uniforme é o ideal pra você é testando. – falou Diana. – Vamos voar por aí. Que tal?
Clark acabou concordando e os dois saíram voando. Chloe olhou para Bruce.
- Ela está caidinha por ele...
- Você acha? E ficou incomodada com isso?
- O que? Eu? – Chloe riu. – Claro que não, Bruce, porque ficaria?
- Bem, você e ele já tiveram algo...
- Uma noite apenas. Bruce, as mulheres podem dormir com um cara sem ficar planejando namoro, noivado e casamento, sabia? Além do mais, já disse que isso não é pra mim.
- Só porque seu noivo foi vítima da megalomania de Lex Luthor que você não pode ter outro amor, Chloe. É só se dar uma chance.
- Não gosto de falar sobre isso. – Chloe fechou a cara.
- Ok. Entendo. – ele olhou para o computador. – Mas Barbs me falou que você andou fuçando no sistema da LCM... Chloe, pensei que você tinha desistido de ficar na cola de Lex. Ele é perigoso.
- Primeiro, Barbara não tem que se meter nos meus assuntos. E segundo, eu sei me cuidar. Lex merece levar uma queda pra nunca mais levantar.
- Um dia, os podres dele virão a tona e ele será desmascarado, você vai ver.
- Quando? No dia de São Nunca? Não acredito, Bruce. Se alguém não fizer algo, Lex e toda aquela corja vão ficar agindo como se tivessem direito sobre as vidas das pessoas.
- Eu só não quero que você se machuque. – disse Bruce genuinamente preocupado.
- Mais do que já fui, é impossível. – ela afirmou e olhou para o celular. – Dinah e Oliver estão vindo experimentar os uniformes deles. Devo colocar um cão de guarda a disposição pro caso de Dinah querer pular no pescoço do Ollie?
Bruce deu um sorrisinho.
- Não seria uma má ideia. Dinah ainda não o perdoou. Espero que eles não fiquem brigando quando estiverem fazendo a ronda, senão vai ser complicado.
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Diana e Clark pousaram nos campos de milho de Smallville. Ela sorriu, animada.
- E então, o que achou?
- É, bem que Chloe disse que esse uniforme adere bem à pele, mas ele não incomoda e a capa realmente ajudou no voo.
- Ah, viu? Você logo se acostuma. E devo dizer que você ficou ótimo de Super. – Diana se aproximou dele. – Eu nunca tinha visto alguém como você, Clark.
- Eu sou só um cara. Meus poderes só existem por causa do sol amarelo.
- Você é mais do que isso. Mesmo sem poderes, ainda seria um herói. – ela tocou no rosto dele. – Um homem bravo e valente.
- Não sei se sou tudo isso...
- Talvez só te falte descobrir por si mesmo...
- Talvez...
Clark percebeu o interesse de Diana e ficou sem saber o que fazer. Achava-a bonita, mas isso ele também achou de Dinah e Chloe.
- Diana, eu nem sou daqui... É complicado pra mim... Não sei o que esperar...
- Então não espero. Apenas viva o momento.
Diana deu um beijo em Clark. A princípio, ele hesitou mas correspondeu.
