HUMANO CORAÇÃO VAMPÍRICO
(Vampire Human Heart)
Garota Inu
13. Os sonhos de outro alguém
Inuyasha estava decidido no que queria, mas estava indeciso se fazia ou não o que queria. E se estragasse a amizade? Sim, ele admitia que Kagome era uma ótima amiga, eles tinham um relacionamento maravilhoso e, de fato, ele preferia passar o seu tempo com Kagome do que com qualquer outro indivíduo naquele castelo. E talvez nem tivesse vergonha de assumir isso... talvez.
Ele ergueu toda a sua coragem e ousadia das profundezas e depositou um suave beijo na palma dela enquanto pensava a coisa mais decidida de sua vida que o fazia jogar todas as conseqüências que aquele gesto acarretaria pro inferno, num ato de extrema irresponsabilidade e displicência à olhos externos: 'Foda-se'
Inuyasha abriu os olhos subitamente e penetrou-os nos dela, determinado a não largar por nada. Não era olhar de raiva, ou determinação. Não era de luxúria, nem de dominação... era uma olhar neutro, que não continha nada além de nada. Ele parou subitamente de beijar a doce palma e a puxou para um confronto de lábios que beirava a violência de uma eterna luxúria que ele não sabia estar contendo desde que conhecera a Kagome de seus sonhos... mas estranhamente, ele sentia que esse sentimento o assolava desde muitos anos antes... até mesmo antes de Kagome tê-lo ajudado no parque há alguns anos... Mas isso agora não importava muito... ele só conseguia pensar na doce boa contra a sua... que não lhe correspondia.
Isso o irritou, na verdade. Ela também queria, ele sabia disso, ele sentia isso. Por que ela ficava parada, então, feito uma boneca?
Ele parou de beijá-la, suspirando exasperado, olhou-a e se surpreendeu com o que viu. Kagome estava com os olhos arregalados e incertos grudados aos de Inuyasha. Ele a viu ofegar e engolir em seco antes de dizer o que ele estava mais que doido para ouvir. "F-faz isso de novo?"
Inuyasha sorriu e a beijou de novo, da mesma maneira desesperada. Mas Kagome não estava respondendo apropriadamente ainda, ela só queria que ele a beijasse de novo, porque ela queria descobrir o que eram aquelas imagens e vultos que passavam atrás de suas pálpebras.
Ela chegou por trás de Inuyasha e tampou-lhe os olhos. Ele pulou de susto e, rápida e facilmente, ele se afastou dela, a encarando hostil. Kagome riu. "Ok, não precisa ficar assustado. – Eu não mordo."
Inuyasha bufou. "Assustado? Nem em sonhos estranhos como esse, garota."
"Oh, eu diria que sim. – Pulso acelerado; querendo saber meu histórico de vida para saber se sou perigosa, mente já trabalhando manobras de ataque e, oh, seu corpo físico lá na realidade está encharcado de suor, já." Kagome disse, sem nunca perder o sorriso nos lábios.
Inuyasha estacou. Aquela humana sabia demais, até mais do que julgava ser possível no sentido lógico. Como aquela garota sabia sobre o seu corpo se ela apenas era fruto do seu inconsciente? Ele repetia: que sonho mais estranho. Tão estranho que ele nem ao menos conseguia discernir a aparência facial da humana. De fato, ele só sabia que era uma garota por causa da voz e por causa do corpo feminino.
"Então, Inuyasha... se eu te disser que vai se apaixonar por mim assim que estiver a ponto de acordar deste sonho, você acreditaria?"
"Faz-me rir." Mas ele não estava rindo.
"Isso é um 'não'?"
"Sim."
"Ok."
Nem um milésimo depois de Kagome terminar de falar, ela já o estava beijando delicadamente, com amor, singelos toques de lábios. Inuyasha estava imóvel. Seus olhos arregalados e seu rosto entre as palmas da garota, que colou sua testa com a dele enquanto o olhava docemente com aqueles cintilantes olhos que ele não sabia de que cor eram. Ela sorriu triste para ele e sussurrou "Meu querido amor..." A voz se partiu. "Nunca julgue um livro pela capa, nem um monstro pelos seus olhos."
O coração de Inuyasha disparou numa galopada frenética em seu tórax e ele sentiu uma grande alegria por estar com ela, por tê-la conhecido. Inuyasha a abraçou. "Você é Kagome?" Ele perguntou pasmo por saber o nome dela de repente. Kagome assentiu. "Você é minha a partir de agora." Ele beijou a testa dela.
Ela riu com a possessividade dele, mas aquilo ainda soava triste. "Meu tolo amor... eu sou sua desde que me arrancou da lama."
Então, Inuyasha acordou.
Kagome parou o beijo meio assustada com aquela visão. Por que ela se sentia familiarizada com a sensação de ter ficado na lama por milênios e milênios se nem nunca tocou em lama nem para tratamento de pele? Engoliu em seco, querendo saber mais. Fixou seus olhos em Inuyasha e sorriu falsamente sem-graça para ele. "Sei que você pode fazer melhor que isso, Inuyasha. – Você é bom, seja romântico." Ela circulou o pescoço dele com seus braços para enfatizar seu pedido.
Inuyasha, ainda comandado pela sua sede, obedeceu. Segurou o rosto dela entre suas mãos – um gesto que ele adorava – e olhou nos olhos dela. Kagome ofegou com aquilo e a resposta veio rápida e eficaz para sua mente. Aquelas visões eram os sonhos de Inuyasha com a Kagome dele... isto é... os sonhos de Inuyasha com ela. Inuyasha suspirou e disse "Que minha mãe resseque se não me lembrar de você. – Que minha língua se prenda ao céu da boca se de ti, minha adorada Kagome, eu me esquecer.", sussurrou e a beijou mais delicadamente, mas ele queria mais que só os lábios desta vez. Ele a beijou e passou a língua para a boca dela assim que encontrou uma brecha.
Kagome ofegou surpresa e sua visão foi novamente tomada por outro sonho.
"As palavras escoadas desse lápis – Doces palavras que eu – Oh, oi, Inu! Pensei que não viria hoje." Ela interrompeu sua música para cumprimentá-lo e logo depois voltou a cantar. "Doces palavras que eu quero te dar. – E eu não consigo dormir, eu preciso te dizer... Boa noite."
Inuyasha sentou-se ao lado de Kagome, trouxe a cabeça dela para descansar em seu colo e passou a afagar as madeixas negras dela. "O que está cantando?", ele perguntou.
"Shhh! Não interrompe." Ela riu. "Quando estamos juntos me sinto perfeita; quando eu sou puxada para longe de você, eu me parto. – Tudo o que você diz é sagrado pra mim. – Seus olhos são tão azuis, eu não posso olhar para longe enquanto estamos deitados na quietude–"
"Sério, o que está cantando? Quero saber." Inuyasha insistiu.
Kagome abriu um olho e sorriu para ele. "Eu vou te dizer, mas você vai esquecer assim que acordar mesmo." Ela suspirou e abriu um belo sorriso de deleite. "É a música que você vai compor pra mim daqui a alguns anos, quando você não estiver mais sonhando comigo."
Inuyasha ofegou. Olhou atordoado para ela buscando uma explicação, mas ela apenas sorria, como se o fato de que parariam de se ver fosse algo fantástico. "Não sonhar com você?! Do que está falando? Vamos parar de nos ver??"
Kagome se levantou do colo dele, ainda sorrindo, e o beijou na mandíbula, feliz. "É. Isso não é fantástico?"
"Não! Não, não é!" Ele exasperou, tirando seu rosto dos lábios dela. "Como você pode achar isso fantástico, Kagome? Eu nunca mais vou ver você??"
Kagome riu. "Não, meu tolo amor..." ela murmurou. "O dia em que você parar de sonhar comigo será o dia em que você irá me encontrar na realidade. E isso é fantástico, sim." Ela disse, deitando a cabeça novamente sobre o colo dele.
Inuyasha suspirou aliviado, voltando a afagar os cabelos dela. Ele sorriu esperto. "Então quer dizer que seus olhos são azuis?"
"São sim." Ela voltou a cantar. "Você sussurra pra mim... 'Yasha, case comigo. Prometa que você estará comigo.' Oh, você não tem que me perguntar! Você sabe que você é tudo para o que eu vivo; você sabe que eu morreria só para segurar você, ficar com você! – De alguma forma, eu te mostrarei que você é o meu céu noturno – Eu sempre estive logo atrás de você, agora eu sempre estarei bem ao seu lado... – Pode falar algo agora, Inuyasha, isso ficará no instrumental por alguns segundos." Kagome riu.
Mas Inuyasha não falou nada. Depois de alguns segundos de silêncio, Kagome abriu um olho e o viu congelado, olhando embasbacado para o nada. Ela enrugou a testa. "O que você tem?"
Ele a olhou, ainda espantado. "Se esta música ainda está para acontecer... isso quer dizer que você VAI me pedir em casamento?!"
Kagome começou a dar risadas altas, tanto que seus olhos lacrimejaram e sua barriga começara a doer. Sorte a sua por ele não poder enxergar direito do seu pescoço para cima, senão ele veria o quanto seu nariz avermelhava quando lacrimejava. "Sim, esse dia vai ser demais!" Ela sorriu, deleitada. "Estranho, mas demais!"
Inuyasha encolheu os ombros. A sombra pequena de um sorriso aparecendo no canto de seus lábios. "E eu vou aceitar?"
Kagome suspirou e abriu mais seu sorriso, voltando a cantar a última estrofe da música. "Tantas noites eu chorei comigo mesmo para dormir... agora que você me ama, eu... amo a mim mesmo... – Eu nunca pensei que diria isso... eu nunca pensei que existiria... Você."
"Kagome, eu vou aceitar?" Ele insistiu na pergunta, mas ele não estava mais sorrindo.
Kagome o olhou tristemente. "Eu não sei. – Você não estará apaixonado por mim nesse dia."
Inuyasha bufou e a puxou para sentar no seu colo, a abraçando carinhosamente. "Boba demais. E como não estarei se comporei esta música? E olha que acho isso tão gay." Ele torceu os lábios. "Eu já estou apaixonado por você, Kag."
Kagome sorriu, mas não havia humor naquilo. "Não, não está não."
Então, Inuyasha acordou.
Inuyasha ainda beijava Kagome, que ofegou ao ver como estavam. Suas costas estavam fortemente pressionadas contra a pilha de almofadas, seu corpo sendo esmagado pelo peso do corpo de Inuyasha, que estava completamente grudado ao seu... tanto que ela estava sentindo algo inusitado roçando em sua coxa e que não deveria estar sentindo.
Do nada, muito de repente, o peso de Inuyasha a estava esmagando e em meio segundo depois nada mais estava em cima dela. Ela o procurou, mas não o viu em lugar algum. Estava quase considerando a idéia de que ele dissipara-se no ar quando ouviu algo rosnar em cima de sua cabeça. Olhou para o teto e viu Inuyasha a olhando totalmente confuso para ela, pendurado no teto pelas garras penetradas no concreto.
"O que faz aí em cima?"
"Precisamos começar essa viagem pela Jóia o mai rápido possível. – Não temos tempo pra você se preparar, partiremos amanhã de manhã." Ele disse, descendo e caindo com um grande impacto no chão, mas sem perder a graciosidade. "Alguma objeção?"
"Sim."
"Ok, mas ela não vale nada. Partiremos mesmo assim."
"Minha objeção é que: se você não comer esses joelhos que passei a tarde toda fazendo, você não poderá partir para jornada nenhuma porque estará sem pernas!"
Era uma objeção válida, ele pensou. Sentou na almofada e abocanhou um joelho. Kagome pegou um também, mas apenas ficou olhando para o salgado. "Então, o que foi isso agora há pouco?", ela perguntou.
Inuyasha engasgou com o joelho. "Você diz o beijo ou o meu súbito ataque de pití?"
Kagome pensou um pouco. "Os dois.", ela decidiu.
"Bem..." Ele pigarreou. "O beijo foi um método saudável de não te beber o sangue; eu procurei me distrair. – E o meu ataque de pití foi mais um ataque de consciência, afinal, por que nos beijamos se somos amigos?"
Kagome se espantou. "Somos amigos?"
Ele assentiu. "Ainda tem dúvidas? Eu não sei como aconteceu, mas somos, sim."
Kagome sentiu seu coração parar e voltar a bater numa velocidade preocupantemente rápida. Seus lábios lentamente se puxaram pra cima formando um singelo, porém grande sorriso. Suspirou, ainda sorrindo. "Se eu te disser que quero te abraçar, você me abraçaria?", ela perguntou corando.
Inuyasha a olhou como se ela tivesse duas cabeças. "Ficou louca??" Mas fechou o espaço entre eles em duas passadas largas e abraçou-a pelos ombros. "Isso foi de repente, né? – Chega a ser estranho e forçado."
"Muito." Kagome concordou sorrindo mais enquanto apertava a cintura dele. "Mas amigos não se beijam.", ela murmurou.
Inuyasha riu, segurou-lhe o queixo e a puxou para selinho. "Agora se beijam."
Kagome riu, mas negou com a cabeça. "Pare com isso, Inuyasha. – Espera só até Kagome saber disso."
Inuyasha lutou para ignorá-la. Caminhou até a porta. "Partiremos amanhã a noite – Você pode passar o resto da noite treinando o que você tem e passar o dia dormindo.", ele sugeriu.
Mas Kagome negou. "Não dá, prometi a Kouga que passaria o dia com ela.", sorriu educada.
Provavelmente ela não sabia o que estava falando já que ela falava aquela atrocidade para ele com tanta naturalidade. Ele engoliu um palavrão. "Perdão?"
"Vou passar o dia de amanhã com Kouga." Kagome soletrou como se estivesse falando com um retardado.
Inuyasha suspirou, mas apertou a maçaneta para se segurar em seu autocontrole. "Poderia repetir? Eu acho que não te entendi direito."
Kagome rolou os olhos. Ele era um hanyou, claro que a tinha ouvido direito. Suspirou. "Posso treinar meus poderes amanhã usando Kouga como cobaia?"
Inuyasha sorriu largamente. Assim era beem melhor. "Oh, claro, por que não?" Ele largou a maçaneta e saiu do quarto, deixando a porta aberta.
Kagome sorriu com a infantilidade dele e fechar a porta, notando que a maçaneta fazia um formato estranho em seu punho fechado. Ela olhou e a viu espremida, como se fosse massinha apertada pela mão de alguém, provavelmente Inuyasha. Vândalo! Como é que ele destruía sua maçaneta assim?! Acostumada com anormalidades sobrenaturais, Kagome testou pensar na maçaneta consertada e tão logo pensou e a maçaneta desamassou com ruídos e ficou como nova.
Ela se jogou na cama, frustrada, pois queria beijar mais Inuyasha para saber mais sobre os sonhos dele e o que acontecia entre eles dois; queria ver se descobria coisas sobre si própria... De repente, uma idéia maluca lhe ocorreu. Podia dar certo, mas se a vissem iriam duvidar de sua estabilidade mental. Sentou-se ereta na cama e olhou para o nada, se concentrando. Suspirou e colocou sua tática em ação. "Pode me ouvir?" Silêncio. "Ora, vamos, não era eu mentalmente naqueles sonhos, então você tem que estar aí." Silêncio de novo.
É, talvez ela só estivesse louca mesmo.
Suspirou e deitou-se de novo, mais frustrada ainda e mega preocupada. Por quê? Porque simplesmente ela gostou de beijar Inuyasha, gostou do romantismo dele sendo direcionado a ela, gostou da forma que sentiu - apesar de estar ocupada assistindo a sua mais nova série favorita Inuyasha's love dreams -, gostou MUITO do fato de que ele gostava de beijá-la. Ela não queria, mas estava começando a gostar de Inuyasha.
Era incrível como a gente passava a achar lindo tudo o que a pessoa fazia depois de admitirmos nossos sentimentos... Inuyasha tinha o cabelo mais lindo que já vira; o 'feh' que ele fazia era cute; ele parecia um anjinho quando estava inconsciente; o jeito sarcástico dele era engraçado; seus caninos eram uma gracinha; e o jeito como o traseiro dele se movia quando andava era o mais sexy.
"Estou louca...!"
'Sim, você está.'
Kagome estava sentada em um segundo e muito rígida. "Eu não falei sério.", ela murmurou.
'Mas você está. - Louca, louquinha de amor por déécadas.'
Kagome enrugou a testa e torceu os lábios. "Não é para tanto - Só estou bastante atraída por ele... mais do que deveria, só isso." Ela sussurrou a última parte.
Ouviu um suspiro vindo da sua mente. 'Kagome, estou te falando que você está - além da razão - apaixonada por Inuyasha, acredite-me.'
"Como você sabe? Eu não me sinto tanto assim desse jeito!"
'Mas EU me sinto!'
"E o que EU tenho a haver com isso?!" Ela gritou.
'EU SOU VOCÊ E VOCÊ É EU!!!' A voz gritou em sua cabeça, fazendo eco, e sua cabeça quase explodiu em dor com o volume alto demais. 'Não se sente louca por estar falando com você mesma?? - Bom, eu me sinto!'
"Se somos a mesma pessoa, por que Inuyasha sonha com você e não comigo?"
Um bufar. 'Ele não sonha comigo ou você, ele sonha com nós - Mas eu e você só seremos nós quando você descobrir, não quem, mas o quê você é.'
"E o que eu sou? - Eu sou Kagome, uma sacerdotisa."
Uma risada. 'Você não é Kagome, eu não sou Kagome e não somos uma sacerdotisa.'
"Então o que eu sou?"
'Irá descobrir isso quando você descobrir estar apaixonada por ele.'
"Mas eu já não estou?" Aquela voz não fazia sentido algum.
'Você não se sente assim ainda. - Você o ama, mas ainda não sabe disso. Mas não se preocupe, você irá descobrir amanhã e finalmente irá descobrir que Kagome não existe.'
"Eu não existo?" Ela perguntou, completamente confusa.
'Quantas vezes terei de dizer?? Você NÃO é Kagome, você sou EU e eu sou você. - A pessoa Kagome nunca existiu.'
"Como assim?"
Silêncio.
"Hey, como assim?", ela tentou.
Nada.
Suspirou estressada. Se ela era aquela voz e aquela voz era ela, fazia sentido ela estar agora se sentindo como se estivesse falando sozinha - ou consigo mesma - todo este tempo? É, até que fazia. Deitou na cama novamente e não demorou muito para que caísse no sono e começasse a sonhar - ou, melhor dizendo, para que começasse a assistir Inuyasha's love dreams.
Kagome suspirou sentada na grama enquanto esperava Inuyasha cair no sono. Era hoje que diria a verdade para ele, era muito errado enganá-lo daquele jeito, afinal, e ela queria que ele a amasse de verdade.
Inuyasha surgiu de repente à sua frente e sorriu já se agachando para ela e a beijando cheio de saudade. Ela não correspondeu ao seu ósculo, então ele parou preocupado. "Amor, o que houve? Algo errado?", ele perguntou, segurando o rosto dela para que ela o olhasse nos olhos como sempre fazia, mas ela se recusava.
Ela respirou fundo, deixando as lágrimas caírem e deu um pequeno sorriso. "Poxa, eu vou sentir falta dessa atenção toda..."
Inuyasha curvou a cabeça para o lado, a expressão confusa. "Do que está falando, Kag? Você sabe que sempre terá tudo de mim pra sempre, você sabe disso."
Ela o ignorou, ainda olhando para a grama, sentindo seus lábios começarem a tremer e continuou. "... mas eu te amo demais para continuar te enganando e usando desse jeito..." A voz dela se partiu e soluçou.
Inuyasha engoliu em seco, não gostando do rumo que a conversa estava tomando.
Ele sentiu medo. "Do que está falando? - Você por acaso... também está nos sonhos de outro cara ou tem um cara na realidade? Se for isso, eu acho que não me importo, só, por favor, não vá." Inuyasha a abraçou forte enquanto sentia sua mentira penetrar amarga em sua alma.
É claro que se importava, e muito, mas era mil vezes mais incômodo e ruim se Kagome o deixasse. Ele sequer podia pensar na idéia sem sentir uma infinidade de pregos espetarem seu coração. Ele podia aprender a... dividi-la, se isso a mantivesse com ele.
Kagome soluçou e segurou o rosto dele, mas sem olhá-lo ainda. "Pelo amor de Deus, não é isso! - Eu só estive te enganando esse tempo todo, porque... você não está apaixonado por mim, você nem sequer tem amizade comigo..." Mais lágrimas saltaram de seus olhos e ela continuou "Nunca te trairia, nunca vou trair, Inuyasha."
"Me enganando como, então? - Aliás, eu juro que não me importo desde que continue aqui, por favor...!" Deus, ele queria chorar.
Kagome limpou a garganta entalada, ainda se recusando a olhá-lo nos olhos. Já que ele estava sentindo o mesmo amor que ela sentia por ele, ele estava sofrendo HORRORES... e ela não queria ver isso... preferia que conseguissem quebrá-la a vê-lo sofrer... "Desde o seu primeiro sonho - você lembra que eu disse que você se apaixonaria por mim?" Ele assentiu. "Eu fiz você se apaixonar, você não se apaixonou por mim, eu... Eu te apaixonei por mim, entende?" Ele negou. "eu posso influenciar os sentimentos de outras pessoas, eu estou influenciando os seus sentimentos para você sentir por mim o mesmo que eu sinto por você! - Perdão!" Ela soluçou. "Se eu parar esta influência, você não sentirá mais nada, mas - Mas eu te amo demais para manter você preso em algo falso. - Eu vou parar isso."
Inuyasha engoliu o bolo em sua garganta... ou pelo menos tentou. "Mas... você quer parar? Eu não sentirei mais nada por você, Kagome?" Ela apertou os lábios trêmulos, lutando contra as novas lágrimas que borraram sua visão e negou freneticamente. Inuyasha sorriu compreensivo, porém arrasado.
Ele entendia como ela se sentia, ele talvez fizesse o mesmo se estivesse no lugar dela. "E-eu ao menos me lembrarei de você...?" Kagome assentiu. "Então..." Inuyasha tomou uma mão delicada dela e a pôs em seu coração, depois a puxou para um selinho demorado e muito, muito doce. "Isto é seu para tooodo o sempre. - É pra te amar que ele existe e por te amar que ele pulsa..." Inuyasha abriu um lindo sorriso brilhante para ela, com caninos, e a abraçou possessivo.
"É quando estou perto de ti que ele acelera e quando estou longe de você, eu quase o sinto parar..." Ela sussurrou de volta pra ele.
"Você pode parar agora, se quiser, amor... - Amo você."
Na luta com Kagome, as lágrimas venceram. Kagome jogou os
braços ao redor de Inuyasha, como que para segurá-lo ali quando ele
não a amasse mais e tentasse se afastar. Seus olhos brilharam e
cintilou rosa por dois segundos e Inuyasha estremeceu, ficando
rígido logo depois. Kagome fungou, choramingando, e apertou-o mais
quando ele fez menção de se afastar do abraço. Ele era dela, tão
dela que ele mesmo não tinha o direito de se separar dela. "Não
vai!!" Ela soluçou alto e o sentiu se encolher com o volume alto.
O Inuyasha que a amava nunca se incomodava com o volume desde que era
a voz dela que ele ouvia... por que este era diferente? "Não vai,
por favor! Fica...?", ela perguntou, sem coragem de o olhar nos
olhos e vê-los vazios. Ela o ouviu ganir, parecendo incerto e
sem-graça de alguma forma e quis chorar quando ele tomou os seus
braços e tirou-os para longe dela. "Kagome,
eu–" Então, Inuyasha acordou.
o-x-o
Ela caiu no chão com um grande impacto ensurdecedor, fazendo aquela imensidão de nada estremecer brutalmente e, se aquilo fosse algo sólido, tudo aquilo racharia e se quebraria com a força do impacto. Kagome se curvou em uma posição perfeitamente fetal enquanto sentia espasmos de choro a chacoalhar seu corpo.
O que ela tinha feito? Ela estava sofrendo, morrendo, se corroendo de dor por dentro, mas mesmo assim, ela ainda achava que aquilo era o certo, era o certo a se fazer. Talvez fosse algum tipo de masoquista, quem sabe, mas não podia abusar de seu poder assim para dominar Inuyasha daquele jeito, era errado e deixá-lo ir viver a vida dele sem suas influências era o certo. Era o certo, era o certo, era o certo. Ela chorou, tentando se convencer de que Inuyasha seria mais feliz sem ela, que ele merecia alguém melhor... afinal, ele não estava de todo errado ao sugerir que ela talvez tivesse outro homem... na verdade, ela tinha – além dele – mais dois em sua vida.
Um deles era Kouga, o homem pelo qual buscou consolo, secretamente por Inuyasha, e acabara se afeiçoando por ele; O outro era Naraku e ela não tinha NADA a haver com ele, mas ele tinha TUDO a haver com ela. Kagome nunca ia nos sonhos dele, mas ele sempre sonhava com ela os sonhos mais cruéis e porcos que ela já vira em uma mente. Por Deus, ele era nojento. Naraku sabia que ela havia tomado a forma de uma humana e sabia quem era, então, ele não só sonhava que a tinha nas mãos como Jóia, como também sonhava que a tinha na cama como mulher, transando com ela e absorvendo sua essência a cada estocada, se fortalecendo a cada gemido de prazer que gritava.
Ela sabia que Inuyasha a queria por poder também, mas ele não sabia que ela era o que ele estava procurando... e se soubesse... quando soubesse, ela não se oporia em atendê-lo com o que quer que ele pudesse querer. Seria a melhor forma de morrer: pelas e nas mãos de Inuyasha. Kagome sorriu com o pensamento de morrer feliz e seu coração pulsou frustrado, pois ela não podia contar a ele o que ela era... se contasse agora, quando ele não a amava, ele não hesitaria, ele não seria tão indulgente em matá-la, tamanho era o seu desejo de possuir a Shikon.
Mas e daí? Morreria feliz se fosse pelas mãos dele e nas mãos dele, não é?
Sorriu para a idéia de vê-lo de novo e deu boas vindas às pulsações felizes que seu coração bateu. Estava CHEIA de saudades dele, nunca pensou que três dias sem vê-lo a enlouqueceria tanto.
Kagome rastreou a mente de Inuyasha e a encontrou alienada, completamente insana por sangue. Ele devia estar se alimentando agora.
"NÃO!!!" Gritou horrorizada quando viu quem ele estava bebendo. "Não! Yasha, largue ele!", ela gritou ao mesmo tempo que seus olhos cintilavam rosa para controlar Inuyasha e fazê-lo ir embora. Tendo feito isso, ela rastreou sua mente e seu corpo e gritou para ela como um ataque de consciência. "Vá ver Kouga agora!! Vá!"
Isso foi um tremendo descuido, mas ainda podia ser consertado. Kagome guiou Inuyasha até o parque onde se encontraram quando criança e o desligou ali, logo ele sonharia. Voltou-se para Kouga e o viu sem sangue algum, completamente drenado. Deus, o que Inuyasha fizera com ele?! Ele secou o corpo de Kouga totalmente! Não havia jeito de salvá-lo nem como vampiro... apenas um jeito, mas isso o arrasaria enquanto ele vivesse... O que seria pior: morrer na ilusão de que foi amado pela mulher que ama, ou viver na ilusão de que é amado pela mulher que você não só ama, mas também respira e que é dona do sangue que o mantém vivo? – Particularmente ela preferiria ser quebrada em mil fragmentos e que estes fragmentos se quebrassem mil vezes, até virar pó de vidro. Kouga poderia querer isso também...
Mas ela não queria Kouga morto.
Ele era seu amigo, seu único consolo; ele a tinha ajudado como nenhuma outra criatura na face da terra já havia feito em todos esses milhões de anos de existência. Isso era um ato extremo de egoísmo, um ato mesquinho, mas ela não podia evitar, gostava muito dele, demais.
Encheu o corpo de Kouga com sangue suficiente para que ele se tornasse vampiro. Preencheu-o com o seu próprio sangue, afinal, não tiraria o sangue de alguém que não tem nada a haver com isso, odiava matar. E sim, queria que o sangue que salvaria a vida de Kouga fosse o seu sangue. Mas não o daria a vida novamente, não agora. Até porque o seu corpo já tinha achado Kouga. Quando ele estivesse enterrado, ela o reviveria. A parte ruim era a de manter os vermes longe, mas tudo bem.
"Fique bem, Kouga...", ela sussurrou.
De repente, alguém a agarrou por trás e ela arfou sem fôlego quando o abraço a sufocou. Kagome olhou para baixo e reconheceu imediatamente aquelas mãos. "Não consi... solta!" Sentiu o aperto afrouxar, mas não foi solta totalmente. "O que está fazendo?", ela perguntou tentando olhá-lo atrás de si.
"Por que você sumiu? Amanhã faria QUATRO DIAS sem você, por que não veio me ver?" Ele exigiu. "Quanto tempo pretendia ficar longe, hein? Responde, Kagome!"
"Se você deixar, terei o prazer de lhe responder!" Kagome brigou com ele, olhando-o zangada daquela posição. Desvencilhou-se do abraço, sem quebrar o contato visual. "O que raios pensa que estava fazendo ao beber o sangue de um youkai? – Quer se tornar maligno?"
'O que pensa que estava fazendo ao beber o sangue do meu Kouga?!', ela queria gritar para ele.
Inuyasha se remexeu desconfortável. "É como uma transferência... Além do sangue youkai me manter por mais tempo, eu também adquiro 1/3 das forças dele. – Eu precisava."
Kagome empurrou aquelas informações para longe, não querendo imaginar seu Inuyasha fazendo aquilo por poder. "Precisava por quê?"
Inuyasha prendeu seus olhos nos dela e deu um sorriso sem-graça, mas podia-se perceber ali uma sombra de humor-negro. "Eu queria me tornar mais forte. E eu vi a rapidez dele, foi quase impossível persegui-lo. – Eu queria a rapidez dele porque eu queria te procurar na realidade."
Kagome sentiu seu coração acelerar e sua respiração desregular tragicamente. "Pra... pra quê?" Ela conseguiu gaguejar.
O sorriso de Inuyasha se alargou até mostrar os caninos, a sombra de humor-negro sumindo, mas ele ainda parecia sem-graça. "Esses três dias – quase quatro – me abriram os olhos para ver que você não estava me influenciando... quer dizer, estava sim, mas... eu gostava daquilo. Amei cada segundo que passei com você aqui e quando eu me lembrava deles nesses dias, eu percebi que ainda amo." Cada palavra que Inuyasha dizia ecoava pesada no ar, de tão carregadas de sentimentos que estavam. Mas ainda assim, aquilo era leve, suave e doce. "E meu coração estar pulsando forte e rápido enquanto infla de uma alegria que eu não conhecia antes só pode significar que eu não amo apenas os momentos..." Ele sorriu. "Acho que acabei amando muito mais do que isso, Kagome."
Foi automático. Era como um eficiente comando de voz. Inuyasha dizia seu nome e a onde de emoções a afogava. Neste momento, isso era meio que literal já que as lágrimas não paravam de sair e rolar por seu rosto. Kagome sabia que ali naquele espaço não existia mais nada além deles dois, mas, naquele específico instante em especial... Nem o nada em si existia mais. "É verdade? Está sendo sincero?" Kagome evitou gaguejar de novo.
Inuyasha a encarou cético. "Estou magoado, baby. – Eu rasgo o meu coração, digo-te tudo isso mesmo morrendo para me enfiar num buraco qualquer e você ainda duvida do que eu digo? – Eu falo sério! Acho que não falo tão sério nem quando digo 'eu te odeio' à Sesshou."
Kagome riu através das lágrimas. "Bom, então isto é sério mesmo, huh?" Inuyasha assentiu. "... obrigada..."
Então, Inuyasha acordou.
o-x-o
"A cada noite que passa eu fico mais feliz."
"Até quando eu estou indo embora para a realidade?"
"Principalmente quando você está indo embora para a realidade."
"Por quê?!"
"Porque significa que é menos uma noite até você parar de sonhar comigo."
Inuyasha sorriu também. "Também anseio por isso – Detesto acordar sem o seu gosto e o seu cheiro em mim, é tão frustrante." Ele disse. "Oh, e também porque estou morto de curiosidade." Virou-se de bruços sobre o chão e apoiou o rosto nas mãos enquanto balançava os pés no ar.
Kagome torceu os lábios. "Posso imaginar com o que..."
"Como ele é?"
"Não vou dizer."
"Ora, vamos, não seja tão irredutível – Loira ou morena?"
"Não falo."
"Castanhos, azuis, ou verdes?"
"Não vou falar!"
"Gorda?"
"Credo, claro que não!"
"Baixinha?"
"Mais ou menos."
"Loira ou morena?"
"Morena."
"Olhos castanhos, azuis ou verdes?"
"Azul cintilante, meio prateado."
"Branca ou parda?"
"Branca."
"Cabelo preto ou castanho?"
"Pret – AH! INUYASHA!! Pára com isso!" Kagome gritou quando se tocou do que estava fazendo e emburrou. "Seu sem-graça! Pára de rir, isso não foi engraçado!" Ela esbravejou quando ele já estava sufocando de tanto rir.
"Chama-se 'rapidinhas'. – Truque de psicólogos, não acredito que você REALMENTE caiu nessa!" Ele começou a rir de novo.
Kagome estreitou os olhos. "Você vai esquecer mesmo quando acordar.", deu de ombros.
Aquilo pareceu ter tido o efeito desejado e Inuyasha parou de rir na hora. "Ah, não! Qual é! Por quê?!"
"Porque você estragou tudo! Eu queria te deixar na expectativa, mas você arruinou isso!"
"Ah, não, amor, por favor! Eu posso estar imaginando diferente uma Kagome diferente. – Não sei o formato de seu rosto, nem como são suas maçãs do rosto – Por favor, não me faça esquecer. Afinal, é injusto você saber como eu sou e eu não saber como você é."
Kagome sorriu boba. "Você é lindo e anormalmente sexy e quente. – Deveria ser crime ser tão gostoso assim." Kagome lambeu os lábios e começou a rir, querendo desviar o assunto sobre sua aparência.
Inuyasha arregalou os olhos e sorriu malicioso. "E eu achando que deveria esconder meus comentários e ser mais delicado."
Kagome negou com a cabeça e sorriu. "Posso ser pura e uma romântica incurável, mas não sou inocente."
Os olhos de Inuyasha brilharam em puro e lívido interesse. Não poderia existir homem no mundo mais sortudo que ele. Uma mulher linda, corpo maravilhoso, inteligente, doce, meiga, pura, o amava mais que tudo e ainda tinha uma medida certa de malicia. Tem como ficar melhor?, ele pensou sorrindo, enquanto se movia para cima dela e a beijava delicadamente, provando de seu doce amor. Era mais que perfeito eles combinarem em serem românticos, mas era igualmente bom eles serem maliciosos também.
Inuyasha levantou a barra de sua longa camisola preta e experimentou apertar a cintura fina dela e ajeitá-la entre suas pernas, sorrindo quando essa atitude pareceu ser bem-vinda por ela. Kagome cruzou os braços os braços atrás de seu pescoço e, enquanto uma mão acariciava sua nuca com unhas, fazendo-o arrepiar, a outra subiu mais e afagou suas orelhas.
Grande Erro.
Inuyasha gemeu e seu beijo tornou-se urgente quando seu sangue acelerou a velocidade em suas veias. Uma de suas mãos passou a acariciar as costas nuas de Kagome, onde a camisola não cobria, enquanto a outra desceu para puxar a perna direita dela sobre seu quadril, apertando a coxa torneada. Sentiu unhas fortes correrem por suas costas e ele parou o beijo debilmente para sibilar, mas não de dor.
As unhas sumiram de suas costas e Kagome se encolheu. "Te machuquei?", ela perguntou, a voz cautelosa.
Quando Inuyasha falou, sua voz estava rouca. "Se machucou, quero que machuque mais vezes."
Kagome sorriu e ergueu a cabeça para passear os lábios pelo pescoço masculino sensualmente. "Como o meu dilema..."
"Huh?" Inuyasha não conseguiu formular algo coerente com aqueles lábios o anestesiando.
Kagome o olhou. "O dilema da minha existência para o mundo."
"Qual?"
Kagome sorriu triste. "Seu desejo, minha ordem."
Então, Inuyasha acordou.
oOoOoOoOoOoOo
"Womanizer. Womanizer. Womanizer. – Womani–"
"Pare com esta música horrenda, seu hentai!" Inuyasha esbravejou. "Será que todo mundo neste maldito castelo não pode deixar Britney Spears longe dos meus ouvidos?" Sango havia feito isso ao sugerir que ela era sua prisioneira.
"Só acho a música legal." Miroku se defendeu, surpreso pela súbita aparição de Inuyasha e sua repreenda.
"Porque fala de você."
"Sem-graça." Miroku resmungou, o encarando. "Mas me diga a que devo a sua ilustre e muito indesejável presença?"
Inuyasha suspirou. "Às vezes acho que você esquece quem sou eu.", disse. "Porque se lembrasse, lamberia o chão que eu cuspo."
Miroku torceu o nariz. "Que agradável. – O que você ia dizer mesmo?"
"Quero que prepare uma grande bolsa de suprimentos. – Estou partindo hoje à noite para procurar a Shikon."
Os olhos de Miroku brilharam preocupados e doloridos por um segundo antes de arquear uma sombracelha. Inuyasha não percebeu. "Mas você não leva nada além de Tetsusaiga quando viaja, porque quer comida agora?"
Inuyasha trocou o peso dos pés e cruzou os braços. "Kagome. Ela vai comigo." Inuyasha não conseguiu esconder o brilho nos olhos quando disse isso. Odiava viajar acompanhado, mas a companhia dela era algo diferente.
Miroku tremeu por dentro. "Ok, farei isso depois que tomar meu chá-das-três que está me esperando na biblioteca com Lord Inu."
Inuyasha bufou. "Você parece filho dele mais do que eu."
"Por que será?" Ele foi sarcástico. "Será que é por que eu dou mais atenção a ele do que você jamais deu?" Miroku começou a andar para a biblioteca e não parou quando Inuyasha o chamou de novo. "Ela está com Kouga, perto do lago." Quando a aura de Inuyasha sumiu, Miroku apertou o passo e mudou de caminho para um que não levava para a biblioteca.
Tinha que avisar a Naraku que Inuyasha já estava partindo.
oOoOoOoOoOoOo
"Ok, ok." Kouga respirou fundo, nervoso, e pensou 'Agora você pode, POR FAVOR, me colocar no chão?' Ele sentiu algo invadir sua mente e soube que era ela.
'Ok, medroso.'
Medroso? Não, apenas cuidadoso. Que youkai não ficaria preocupado se estivesse a uns setenta metros do chão, sendo levitado por uma garota que tinha acabado de descobrir que podia segurar qualquer coisa no ar? Ainda mais que ela parecia bem relaxada ao fazer isso. Deitada na grama, mãos atrás da cabeça e um sorriso no rosto. Ele passaria a eternidade olhando-a linda daquele jeito... claro, se ele não estivesse correndo o risco de cair e quebrar o pescoço.
'Você deveria relaxar e confiar mais em mim, querido Kouga. – Você sabe, eu vou te pegar através disso tudo.' Ela disse em sua mente, e ele ode ver ela gesticulando um dedo para o espaço entre eles.
Kouga negou com a cabeça. 'Tenho medo de cair bem em cima de você, Ka, eu te esmagaria.'
Kagome riu em sua cabeça. 'Mas ficar em cima de mim não era tudo o que você queria quando éramos noivos? Desistiu?'
Kouga sorriu largamente. 'Isso seria ótimo. Mas em outras circunstâncias, Ka.'
Mal ele terminou de falar e seu corpo subitamente ganhou peso com a repentina volta da gravidade e ele começou a cair, gritando para que ela saísse dali debaixo dele. Apertou os olhos de medo e apreensão, desejando que pudesse se dissipar no ar, como podia se dissipar na terra firme. De repente, seu corpo sofreu uma freada brusca, sem impacto algum. Ainda assustado, Kouga arriscou abrir uma fresta
Os milímetros de distância sumiram quando ela parou de exercer poder sobre ele e Kouga gemeu, já sofrendo para pedir desculpas por machucá-la. Mas, qualquer pergunta, apologia ou qualquer dizer fugiram da sua mente quando Kagome depositou um suave beijo em sua testa e depois outro em sua bochecha direita. Quando ela estava a caminho da esquerda, ele virou o rosto e o beijo atingiu seus lábios. Não era algo extremo, mas ele conseguia sentir os sentimentos anexados em cada presente daqueles que ela deu para ele.
Kagome dava muitos significados valiosos para aqueles gestos de amor que Kouga lhe dava. Mas este ela decidiu ignorar. "Hey, não era para eu estar aqui. – Inuyasha pode me ver." Ela fez menção de sair, mas Kouga apenas se apertou mais a ela. Kagome engoliu em seco e levitou Kouga novamente e, como ele estava grudado a si, ela levitou junto. Suspirou e riu. "Pelo menos arranjei um jeito para eu me levitar também: apenas se eu levitar algo em que eu esteja grudada."
"Por que está preocupada se ele vê ou não?" Kouga perguntou, ignorando-a. "O que ele tem com isso?... você é minha..." A voz dele se partiu quando enterrou seu rosto nos cabelos dela.
"Ele ainda não sabe, mas ele me ama, Kouga. – Ficará irritado se nos vir assim." É, mas ela também não queria sair dali, mesmo não sabendo a razão de querer tanto que Kouga fosse feliz, não importando se ela tivesse que ficar com ele para isso, mesmo se isso fosse contra seus próprios desejos.
Kouga saiu de cima dela, mas sentou ao seu lado, sorrindo de canto. "Mas só porque não o quero gritando com você."
Kagome sentou e sorriu. "Do que está falando? Não é você quem vai ouvir mesmo.", suspirou.
Ele deu de ombros. "Mas ninguém pode gritar com você."
"Obrigada, Kou –"
"Só eu."
Kagome arqueou uma sombracelha, tentando não sorrir, mas falhando. "Ok, e você pode ir embora também. – Inuyasha está vindo."
"Bem, já estou aqui." Um rosnado ameaçador ecoou atrás dela. "Isso não me parece um treinamento, Kagome, onde está o corpo sem cabeça, ou por que ele não está em chamas?" Era claro que ele estava lutando para não rosnar mais e se manter calmo.
"Vai haver um já, já se você continuar falando como se eu não estivesse aqui, inukuro." Kouga rilhou os dentes, evitando olhá-lo.
"Desculpe, Kagome, disse alguma coisa?"
O lobo se levantou num salto, rosnando, e encarou Inuyasha nariz-a-nariz. "Já basta! – Ka, você se importa se eu começar o MEU treinamento e usar ISSO AQUI como alvo??", ele gritou.
Kagome suspirou e flutuou os dois no ar, bem distantes um do outro. Inuyasha ofegou e começou a se sacudir para voltar ao chão, mas Kouga estava acostumado, então ele apenas 'sentou no ar' de pernas cruzadas e cruzou os braços, já sabendo que seria advertido pela mulher.
"Realmente, Kouga, eu não me importo, mas deixe isso para depois de voltarmos de viagem, ok?" Kouga a olhou interrogativo, enquanto Inuyasha ainda dava piruetas no ar para descer. "Prometi a ele que o ajudaria a encontrar a shikon para que ele me libertasse."
De fato, aquilo apenas o irritou mais. Não lhe agradava que sua mulher viajasse com o homem mais odioso na terra sozinha. Fora que acabara de reencontrá-la e sentia muito a falta dela, tanto que lhe dilacerava pensar no tempo que não a teve e no tempo que não a teria, graças a Inuyasha e essa sua maldita jornada. Mas ele não queria ser chato, não queria sufocá-la. Não era assim que se conquistava o oração de uma mulher, afinal. E também, ele podia sugerir ir com eles, mas ele estava nas terras de Lord Inu para planejar manobras de batalhas e não passar férias com sua Kagome (por mais que ele quisesse).
Suspirou pesadamente, olhando para o chão com seus olhos azuis para que os dois não vissem o quanto era difícil para si desistir de seu orgulho. "Como essa viagem é importante, eu não vou intervir ou atrapalhar. E como sei que é incômodo proteger uma humana deliciosa dessas em um castelo de vampiros, eu agradeço por mantê-la a salvo até agora." Inuyasha estava prestes a sorrir presunçoso quando Kouga o olhou com olhos malignos e destruidores, que prometiam derramamento de sangue caso sua vontade não fosse feita. Se ele fosse outra pessoa, Kagome teria sentido medo. "Mas eu juro, hanyou, embaixo deste céu e em cima do seu futuro túmulo que se ela voltar com uma hematoma que seja, eu juro que eu – eu juro que –"
Sua fúria e medo de perdê-la eram tão grandes e fortes que ele não conseguia encontrar palavras adequadas para espremer sua jura com perfeição fatal. Kagome virou-se para Kouga, dando as costas para Inuyasha, e, colocando a mão no rosto de Kouga, ela sorriu. "Obrigada, Kouga. – Eu falo com você antes de partir. Você vai estar aqui?"
Kouga inclinou a cabeça para a mão de Kagome e suspirou, fechando os olhos. Não ligava se Inuyasha via ou não, dane-se. "Como sempre vou estar." Ele virou a cabeça e beijou a sua palma.
Kagome ia corar e sorrir, mas o som de vômito atrás dela interrompeu isso, mas, quando ela olhou para trás, Inuyasha estava apenas coçando o pescoço e assoviando enquanto olhava o céu, inocentemente.
'Para, Inuyasha, sabe que é difícil para ele.' Kagome estreitou os olhos.
Inuyasha bufou. 'Diga isso para alguém que ligue. – Se nós temos um quase-síndrome de Edward&Bella, vocês têm um síndrome de Jacob&Bella.'
'Como assim?'
'Ah, por favor... o maldito parece ter tido um maldito Imprinting!'
Kagome franziu o cenho e olhou para Kouga, lembrando-se de quando ele morreu e o salvou, preenchendo-o com o seu sangue, mas condenando-o ao mesmo tempo a ter um amor eterno, mas não-correspondido. Sim, parecia muito com o romance que lera há tempos atrás, quando tinha dezesseis anos, onde uma garota, já insanamente apaixonada por um vampiro... também ama o lobisomem...
Droga, agora ela se sentia depressiva de novo. Suspirou e sorriu um sorriso pequeno para Kouga. "Nos vemos mais tarde, Kouga."
Kouga se dissipou dali e Kagome virou-se para Inuyasha, que estava de braços cruzados e a olhava friamente. "Você deve amá-lo muito, não é?", ele perguntou, debochando.
Kagome cerrou os punhos e os olhos, dando as costas para ele e caminhando de volta para o castelo e deixando a resposta na mente dele, pois não confiava de que sua voz não sairia rosnada.
'Você nem imagina o quanto.'
Chegou no seu quarto e começou a preparar uma pequena sacola com dois vestidos, fora o que ela estava usando, e várias peças íntimas, suspirando triste para os vestidos depravados. O que estava usando agora era o menos depravado que conseguira. A alça do vestido inteiramente vermelho circundava seu pescoço, dando a seu busto um decote em 'U', mas o vestido se interrompia depois que cobria os seios, ficando com a aparência de um top apenas, que era ligado com a saia do vestido por uma tira em suas costas. Ou seja, quem a visse de frente, pensaria que ela estava só com um top e uma saia que tinha dois enormes cortes desde a sua bainha até acima das coxas. Nem queria pensar se batesse um vento forte...
Isso porque era o MENOS depravado. Por que os vampiros têm que ser tão depravados e pervos?
Claro, excedendo Kouga.
Ele não a olhava com desejo nem mesmo quando usava um vestido chamativo daqueles. Ele a olhava como se estivesse maravilhado com ela, como se ela fosse algo único e extraordinário. E isso não era assim desde que ela o salvou isso já era assim antes mesmo disso. Depois que o salvou, aquilo apenas ficou muito mais intenso e forte, como questão de vida ou morte. Tanto que não ficaria tão surpresa se um dia visse fogo nos olhos de Kouga enquanto olhava para ela. E ela adorava isso. Mas tudo foi atrapalhado por Kouga não ter sabido se defender de um hanyou-vampiro. Por um momento Kagome se deixou lamentar sobre o jovem Lobo-demônio. Mas só por um momento, antes que ela rapidamente se empertigasse e falasse alto para si, mesmo que de mentira. "Eu odeio ele!"
"Tudo bem, porque eu odeio você também."
Kagome pulou e girou para encontrar Inuyasha caminhando pelas portas em direção a ela.
"Não estava falando de você!" Ela disse rapidamente, querendo se estapear por falar sozinha.
"Então deve ser Kouga." Ele sorriu cínico.
"Como... como você sabe –"
"Ah, é óbvio com vocês donzelas apaixonadas." Ele rolou os olhos enquanto se dirigia para o trono. Falou de novo, fingindo uma alta voz feminina. "Oh, eu amo aquele garoto lobo – não, eu odeio aquele desgraçado – não, eu amo ele – eu odeio ele! Certo?"
Kagome ruborizou muito. "Eu não sou assim! Você é tão grosso! – Ignora o sentimento de outras pessoas e invade o quarto delas. Pensa que eu não sei que você estava aqui no quarto o tempo todo desde que entrei?"
Inuyasha ofegou. Como ela sabia que ele estava ali? Ele não era perito em esconder a aura, mas ele conseguia o suficiente pra nenhum sacerdote, monge ou sacerdotisa nunca o terem encontrado. Miroku só conseguira apenas uma vez e mesmo assim depois de meses de treinamento, por que Kagome conseguia assim? Ele estreitou os olhos. Não havia percebido que ela ficara poderosa daquele jeito. Kagome parecia não ter percebido também, talvez ela ignorantemente achasse que falar em pensamentos, acender fogo e levitar coisas era normal para sacerdotisas. Inuyasha rosnou ao lembrar o que ela levitava há uns minutos atrás.
"Por que não estavam treinando como você disse que faria?", ele perguntou, se sentando no teto da cama de Kagome.
Ela sentou-se na cama e olhou para o teto da mesma, como se olhasse para ele. "Estávamos sim, mas você tem um timing tão perfeito que nos pegou bem na hora do descanso.", ela disse sarcástica.
"Realmente. – Sabe-se lá o que estariam fazendo se eu não chegasse na hora certa." Seria horrível...
Kagome suspirou, exasperada. "Sabe? Desisto de tentar te conven – AH!"
Foi mais rápido que um flash. Em um segundo ela estava sentada, e no outro, estava pressionada na cabeceira de sua cama, o rosto entre as mãos de Inuyasha enquanto encarava o olhar dolorido dele a centímetros de seu rosto.
Ele ofegou, como se segurasse aquilo por mais tempo do que podia. "Aquilo que você me disse... é mentira, não é?", perguntou ele, sua voz trêmula igual as suas mãos.
"Do que você está falando?"
Inuyasha engoliu em seco, mas sua voz saiu quebrada e rouca. "Você realmente o ama... mais o que eu imagino...?"
Ela corou e seu coração correu como louco, feliz por ele se importar com a sinceridade daquelas palavras. Mas por que estava feliz por ele estar cobrando algo que não tinha nada a haver com ele? Por que gostava quando ele tinha ciúmes? Será que o amava? Ela não se sentia como se amasse, mas...
Provavelmente amava sim.
"Eu...", ela engoliu em seco.
Inuyasha cerrou os olhos em dor e lamentação, soltando o ar que inconscientemente prendera. "O ama... sabia...", ele murmurou, deixando as mãos caírem, como se não tivesse mais forças nem para mantê-las erguidas, e desviando o olhar para baixo.
Kagome viu as orelhas de Inuyasha caírem tragicamente e, ao invés de achar muito cute como teria feito em horas comuns, ela achou que era o fim para ela.
"Você realmente acha que sou sua Kagome, não acha?"
Inuyasha a olhou de novo, sua expressão ainda a mesma. O mesmo sofrimento que esmagava e triturava sem dó. "Você não? – Eu tentei não acreditar... mas a vontade de que fosse você arruinou isso. – Eu gostava de Kamitsu, você sabe."
"Eu não precisei fingir nada, eu fui eu mesma o tempo todo. – E, particularmente, eu sei que sou a sua." 'Mas você não precisa saber como sei disso...', ela pensou suspirando, suas testas coladas.
"Como poderia ser? Você ama outro..." A voz dele se partiu na última parte.
Ela pegou as mãos dele e as entrelaçou com as suas. "Eu amo Kouga de muitas maneiras reais, mas não da maneira que você insiste em acreditar."
Inuyasha arregalou os olhos para ela. "Não mesmo?"
Kagome soltou uma pequena risada pela garganta e roçou seus lábios na mandíbula dele, ouvindo-o suspirar tremulamente ao seu toque. Ela sorriu, sem interromper o contato entre eles e disse "Adoro ouvir quando você faz isso...", sussurrou
Inuyasha estremeceu quando o hálito dela fez carinho ali ao beijá-lo. "Fa-faço o que?" Ele gaguejou, os carinhos de Kagome lhe tirando as forças.
Kagome abriu a boca para responder quando a porta do seu quarto subitamente se abriu. Ela viu Sango entrar em seu quarto um segundo depois de Inuyasha ter se dissipado no ar.
Nossa,
gente, mil perdões pela demora xD Desculpas mesmo.
Eu
realmente não pretendia demorar, sério, mas é que foram surgindo
mais idéias para fanfics de Twilight, aew eu fui escrevendo mó
empolgada e fui deixando HCV meio de lado. Malz aew. ^^'
Bem, pra quem gosta de Twilight, eu estou postando uma aqui no ! =) O nome é Guerra dos Mundos. Enjoy. ^^/
Beijos,
Garota Inu.
