"Confissões e Entregas"
Havia se passado uma semana. Minos já estava completamente curado e restavam apenas algumas discretas cicatrizes esbranquiçadas em seu corpo, lembrando-o da luta contra o taurino. Albafica foi mantido sedado durante aquela semana, pois a presença de Luco era algo perturbador para o cavaleiro e sempre que retomava a consciência se mostrava arisco para com ele. Mas Dryade foi embora naquela manhã, pois seu trabalho já havia terminado, então Albafica não mais estaria sedado. O espectro deixou Griffon avisado de que o pisciano acordaria em algumas horas e recomendou que Minos estivesse presente nessa ocasião, pois embora não entendesse o motivo, percebera que a presença do juiz acalmava um pouco aquele espírito indomável e selvagem. Então, Minos deixou ordens expressas a Lune de que não deveria ser interrompido por ninguém, em absoluto.
Luco se lembrou da ocasião em que viu Minos oferecer silenciosamente e de forma tão gentil uma maçã ao cavaleiro de peixes e, para sua surpresa, Albafica não só aceitou como mordiscou o fruto, a despeito de ter se negado tantas vezes a comer depois de cinco dias sem se alimentar. Mas agora, passada uma semana, ele já não tinha dúvida alguma; os sentimentos de Griffon eram bem explícitos e o juiz também não fez questão alguma de esconder.
"Este não é o Minos-sama frio, sádico e calculista que eu conheço... O que aconteceu entre ele e peixes, afinal? Será possível mesmo que ele esteja... apaixonado? Como um juiz do submundo pôde se apaixonar por um santo de Atena? Logo Minos-sama? Ele sempre foi o mais frio e impiedoso dos três juízes... Tão diferente de Rhadamanthys-sama que mostra sua paixão em tudo que faz, ou Aiacos-sama, sempre impetuoso, guiado pelo calor das batalhas e tão cruel com seus servos..." - O espectro pensava enquanto se despedia de um Minos distante e preocupado.
Ao se despedir de Luco, Minos fecha a porta, trancando-a. Respira aliviado por não precisar mais aturar alguém em seus aposentos. A presença do espectro durante aquela semana o deixou incomodado. Ele odiava ter sua alcova invadida por qualquer um, mesmo Lune, seu fiel subordinado e também amigo. O juiz se decide por fazer sua assepsia matinal e relaxar num banho quente do ofurô que o aguardava tão tentador, repleto de ervas medicinais e sais de banho.
"Eu tenho que reconhecer. Aiacos pode ser bem relapso com sua aparência e ter um estilo rústico, mas de certa forma mantém algum bom gosto..."
Agora mais sossegado, Minos repara melhor no quarto que fora reformado para hospedar Aiacos quando este viesse para alguns julgamentos que necessitassem sua presença, o que não era raro antes da guerra começar, já que o mesmo era responsável pelas almas da Europa e cabia a Minos apenas dar o veredicto. Todos os detalhes dos aposentos eram recomendações do juiz de Garuda, que podia ser despojado, mas era tão exigente quanto Griffon. O chão era de tábua corrida e suas paredes em lambri. Sobre o piso amadeirado e reluzente do quarto repousava uma linda e colorida tapeçaria persa. E nas paredes alguns quadros, com pinturas que remetiam ao mar da ilha de Égina visto de cima do grande cinturão de muralhas, que devido ao efeito de profundidade da pintura, quem observava tinha a nítida impressão que, a qualquer momento, seria tragado pela visão paradisíaca da ilha pintada neles. Na parede que abrigava a cabeceira da cama havia um grande mosaico, que lembrava os mirmidões em seu cotidiano e as construções da civilização. Por todo o ambiente era possível desfrutar da visão magnífica de estátuas gregas em bronze que reproduziam o corpo humano em vestes antigas com perfeição.
O banheiro não era muito diferente; também mantinha o piso amadeirado, mas as paredes em mármore bruto foram mantidas e nelas havia vários desenhos antigos, que contavam a história do povo que um dia fora liderado pelo juiz de Garuda ainda em vida. Havia também uma fonte d'água fresca e gravado acima dela, um desenho gigantesco e imponente da Garuda. Desde que o local fora reformado, Minos não teve a mínima curiosidade, muito menos tempo para observar o resultado.
"Este local tem seu charme..."
Depois de uma hora no banho, Minos sai do banheiro descalço, vestido apenas com uma calça larga de flanela, colocando uma camisa de seda sem manga estilo chinesa. O juiz fita Albafica por algum tempo, que repousava em sua cama num sono pesado, perdendo-se em velar seu sono. A delicadeza de suas feições, tão angelicais e tranquilas, têm um contraste perfeito com o temperamento forte do pisciano. Seu sono tranquilo espanta Minos, que fica a indagar como ele poderia dormir tranquilamente depois de tudo o que aconteceu. Sente uma pontada no coração ao lembrar-se dos fatos, despertando da tarefa de admirá-lo. Vai à porta ao lado esquerdo da cama e entra, deixando-a entreaberta para que Albafica soubesse onde encontrá-lo quando acordasse.
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Albafica dormia angelicalmente sem demonstrar que, durante aquela noite de sono, teve alguns sonhos bons, porém também pesadelos, que às vezes se manifestaram em seu rosto. Estava perdido em meio a seus sonhos quando algo o fez despertar. Acordou assustado com batidas e gemidos, levantando-se sobressaltado. Piscou algumas vezes, sem saber se ainda sonhava, levando uma das mãos ao rosto e esfregando os olhos, tentando acordar para assim perceber que sons eram aqueles. Ofegante e um pouco trêmulo, olha de um canto a outro procurando de onde vem o barulho, ainda mais temeroso ao notar-se sozinho naquele quarto. Mais consciente e alerta, ouve um som um pouco mais alto e reconhece os gemidos: era Minos.
- Minos... - Balbucia aflito, confuso com o que escuta.
Aqueles sons claramente são de luta. Sons abafados de pancadas seguidos de vários gemidos de Minos, como se ele estivesse sendo espancado ou batendo em algo ou alguém. Mas não há outra presença além do Kyoto; sente apenas seu cosmo baixo, embora um pouco agitado.
"Mas o que está acontecendo?" - Pensativo, observa a porta entreaberta, ressabiado com o barulho, em dúvida se deveria tentar se aproximar para ver o que ocorria. Abaixa a cabeça, analisando os sons e o cosmo de Griffon, quando finalmente percebe que as algemas estão sem correntes e apenas os braceletes permanecem em seus pulsos.
"Ele me tirou as correntes? Mas por quê?" - Intrigado e ao mesmo tempo curioso com os sons vindos daquela porta, Albafica se levanta lentamente e caminha, esgueirando-se na parede para observar. Cuidadosamente, observa pela fresta e consegue ver Minos treinando algum tipo de arte marcial num saco de pancada. - "Um treino? Ele está treinando!"
Suspira aliviado, levando a mão ao peito acelerado.
"Albafica, você tem que se acalmar... Um cavaleiro de Atena, não pode se deixar levar por traumas... Concentre-se! Não se rebaixe a isso! Não se deixe levar por esse tipo de sentimento!" - Fecha os olhos levemente por alguns segundos, enquanto repreende-se por deixar sua mente lhe confundir. Depois volta a observar o juiz e repara na decoração e arquitetura do lugar.
O local era grande. Mantinha o piso amadeirado, mas as paredes eram feitas em blocos de claras rochas brutas. Havia várias tochas, estrategicamente colocadas nas paredes para clarear ainda mais o ambiente, aproveitando o reflexo das pedras que pareciam um tipo de mármore branco reluzindo ao contato da claridade. O pisciano teve a nítida impressão de estar diante de uma masmorra ao reparar a decoração de instrumentos que remetia aos castelos medievais. Pensa por alguns instantes e conclui que certamente tais instrumentos deviam ser usados para algum treinamento, visto que se encontravam dentro dos aposentos do Kyoto. No canto esquerdo do cômodo havia um tipo de altar quadrado medindo cerca de meio metro de altura, com tochas acopladas a grandes castiçais e presas em cada extremidade. Nele estava a súrplice do Kyoto, montada em sua forma majestosa de Griffon e emanando um brilho púrpura, como se tivesse vida própria. Mal sabia ele que aquela funesta, mas bela armadura, realmente tem vida própria e guarda o segredo mais profundo dos espectros... sua masei. Depois de observar tudo, Albafica volta a fitar o juiz, observando cada movimento de seu corpo e percebendo que mesmo com aquele esforço físico, seu semblante permanecia suave, embora sofrido.
Os movimentos do Kyoto eram graciosos, porém fortes e Albafica não consegue deixar de admirá-lo, permanecendo ali, parado sem conseguir tirar os olhos dele, contemplando cada movimento preciso e perfeito que fazia. O corpo do juiz movimentava-se como uma águia, pronta a abater sua presa com graça e leveza, enquanto seus músculos enrijeciam e movimentavam-se por baixo da pele alva, empregando força aos ataques. O pisciano, boquiaberto, se vê hipnotizado por aquela cena, se perdendo no corpo suado do Kyoto e na beleza de seus movimentos flexíveis como de uma cobra, sentindo sua garganta secar estranhamente e sua respiração acelerar. Ao mesmo tempo em que sente o cosmo de Minos oscilar discretamente.
"O que está acontecendo com ele? Visivelmente algo o perturba..." - O pisciano analisa as oscilações daquele cosmo, tentando ler os sentimentos impregnados nele. - "Preciso saber o que o aflige tanto... mas como? Não posso simplesmente entrar ali e perguntar, com certeza ele não diria nada e ainda me humilharia."
De fato, Minos está muito longe da tranquilidade habitual. Perde-se em pensamentos e lembranças do fatídico dia em que conheceu o cavaleiro, bem como os dias que se seguiram depois de sua ressurreição. Um misto de sofrimento, ódio e revolta o afligem, enquanto flashes de Albafica ensangüentado, caído ao chão se misturam com os momentos de carinho, ternura e a tortura imposta por ele mesmo. E como aconteceu durante toda aquela semana, os momentos de tensão e desespero vividos em seus aposentos tendo Fiodor como protagonista de seu auto-julgamento, mais uma vez o martirizavam.
"Por que me importo tanto com as palavras daquele verme? Eu não sou como ele!" - Pensa, enquanto aumenta o ritmo e força empregados em seus golpes, acertando o saco de pancadas com cada vez mais fúria. - "Mas o que fiz a Albafica no dia anterior... Posso mesmo dizer que não sou como ele? Qual a diferença? Nenhuma!" - Sente seu coração apertar, cheio de remorso. - "O que me faz diferente dele? O que? Não me sinto igual a ele, sei que não sou igual a ele... Mas o que difere nosso comportamento? Droga! Maldito Fiodor!" - Minos acerta um chute violento no saco de pancada, como se quisesse chutar o próprio Fiodor. Depois pára, segurando o retorno do saco, fechando os olhos, respirando fundo, mergulhado na sua própria confusão.
Albafica apenas o observa, analisando a grande confusão no cosmo do juiz, sem conseguir entender exatamente o que o deixava assim. Ele suspira compadecido. Sim, ele estava ali como escravo e devia sentir ódio e raiva desse homem que tanto o humilhara, mas a verdade não é essa e sim, que não era assim que se sentia e isso o confundia também. Principalmente depois de descobrir-se apaixonado por ele se tornou impossível odiá-lo, apesar de sua mente lhe dizer que não devia se sentir assim.
Nesse momento de reflexão e silêncio de ambos, Minos percebe o olhar atento de Albafica sobre si e sente seu corpo estremecer levemente, mas apenas olha de soslaio, não deixando transparecer que percebeu sua presença e volta a exercitar-se para disfarçar.
"Droga! Há quanto tempo você está aí, Albafica? Por que não bate na porta ou entra de uma vez? Que mania tem de esgueirar-se pelos cantos e me espionar! Isso... ah! Que sensação estranha!" - Mas o aborrecimento não dura muito. Quando o Kyoto percebe o olhar de admiração que o pisciano lança sobre ele, fica envaidecido e dá um sorriso torto e discreto. - "O que é isso, Albafica? Por que você parece gostar tanto de me espionar? Isso não faz sentido." - Minos dá um soco forte, mudando de posição e virando-se para a porta, vendo-o assustar e esconder-se. Um sorriso se desenha em seus lábios ante a cena quase infantil protagonizada por Albafica. - "Ahh Albafica... O que você está fazendo? Por que simplesmente não entra ou vai embora? O que você tanto olha? Não pode ser que..." - Um pensamento indecente corre à mente de Minos e este se arrepia. - "Será que Albafica... Será que ele...?" - Para confirmar suas suspeitas Minos pára e sensualmente retira a camisa, que estava completamente encharcada de suor e grudando em seu corpo, realçando todos os seus contornos, sempre atento a qualquer movimento que o outro faça. Continua treinando, enquanto tenta descobrir os motivos que faziam o pisciano agir desse jeito. Não consegue evitar sentir-se cheio de vitalidade ao sentir olhares tão ávidos sobre si. Dá um meio sorriso ao perceber que ele se aproxima com a boca entreaberta, admirando-o. - "Albafica... por que faz isso comigo? Por que me olha como se me... desejasse?" - O pensamento assusta Minos, que estremece ao lembrar-se do dia em que "torturou-o", sentindo-se mal por isso. Em um movimento preciso, sai do chão dando um belo chute, rodado e caindo em base baixa.
- Por quanto tempo ainda pretende me espionar, Albafica? - Pergunta baixinho e sereno, saindo da base e relaxando o corpo.
O santo de Atena arregala os olhos e estremece dos pés a cabeça. Fica petrificado, como uma criança pega no meio de uma arte.
- E-eu n-nã... - gagueja, sem saber o que dizer e incomodado pelo flagrante. - "Droga! Como ele percebe minha presença mesmo sem cosmo? Por que tem que ter os sentidos tão aguçados?"
- Entre! - Minos se afasta do saco de pancada e pega uma toalha que estava num canto; enxuga o suor do rosto e corpo, deixando-a apoiada sobre o ombro.
- Eu... Eu... - O pisciano desiste de falar qualquer coisa e suspira, tentando se acalmar. Abre a porta um pouco tímido e entra cabisbaixo. Força-se a manter a cabeça erguida, apesar de envergonhado. - "Por que é tão difícil falar algo para ele? Por que tenho tanta vergonha? Sempre fui tímido, mas isso já é exagero!" - Revoltado consigo mesmo, toma coragem e o fita com um olhar destemido, vomitando as palavras rispidamente, sem pensar.
- Olha, me perdoa por mais uma vez invadir sua privacidade, ta legal? Eu só fiquei preocupado com os barulhos que escutei ao acordar e vim ver o que era, mas quando o vi fazendo esses movimentos tão graciosos eu... - Arregala ainda mais os lindos orbes azul-escuros, calando-se instantaneamente ao perceber o que acaba de falar, enrubescendo completamente. Minos vira-se rapidamente ao escutar suas palavras e o fita surpreso. - Me desculpe... - o pisciano estremece quando os olhares se encontram e balbucia, desconfortável com a situação, desviando o olhar, ainda completamente corado. - Eu só...
- Não há porque se desculpar e muito menos se explicar... - seu tom de voz se torna gentil e baixo, enquanto a expressão sisuda e tensa rapidamente dá lugar a um discreto e fechado sorriso compreensivo e um olhar terno, sem que o mesmo perceba. - Já lhe disse, sua presença não me incomoda, fique à vontade.
- Minos... - a gentileza do juiz faz com que o cavaleiro volte a fitá-lo, prendendo os olhos nos dele, confuso com a mudança brusca de comportamento. - "Por que essa mudança repentina?"
- Sou obrigado a pedir desculpas por te acordar... Devo tê-lo assustado. Não tive essa intenção. - diz o Kyoto num tom terno, se aproximando lentamente do pisciano e estendendo a mão para lhe tocar o rosto. - Você... Está melhor? Digo, vai ficar bem? - mas Albafica dá um passo pra trás instintivamente, receoso, fazendo com que o juiz desista de tocá-lo e recolha a mão. Minos vira o rosto levemente, inclinando um pouco a cabeça e fecha os olhos, pesaroso e confuso. - "Sequer suporta que eu o toque... Você tem medo de mim? Tem raiva, ódio? Mas então, por que me olha daquele jeito se me rejeita?"
- Eu... Sinto muito por não chegar antes... Mesmo que não acredite, não queria que passasse por aquilo. - Minos revela sua maior apreensão, passeando o olhar sereno pela face do pisciano.
"Mas, que atitude estranha é essa agora?" - Albafica estreita os olhos, desconfiado das intenções do Kyoto. - Não... Não se preocupe, sou um cavaleiro de Atena, não me deixo abater tão facilmente. - o pisciano firma a voz e endurece o olhar, tentando ao máximo manter-se altivo perante Minos. De maneira alguma quer demonstrar sua fraqueza e a dor da humilhação que passou. - Eu lhe disse isso quando nos conhecemos, não foi? Mesmo que todos os meus ossos sejam quebrados e meu corpo esmagado... Mesmo eu não tendo mais meu cosmo ou poder, ainda me restam a vida e o orgulho de saber quem sou. E nada, nenhuma tortura nem ninguém me farão abandonar meu caráter!
O Kyoto fecha os olhos, suspira profundamente e volta a fitar Albafica com ternura.
- Albafica, olhe nos meus olhos, por favor. - pede gentilmente e leva a mão direita ao queixo do pisciano, delicadamente o aproximando um pouco mais de si. - Olhe pra mim e me diga com sinceridade! Por que luta tanto contra seus próprios sentimentos? O santuário lhe ensinou isso também? Por acaso eles o proibiram de sentir? Ou este teu comportamento se dá pelo fato de eu ser um espectro? - Minos o fita com muito carinho e mágoa, invadindo-lhe a alma sem pedir permissão, enquanto continua em voz baixa. - Diga-me Albafica, se eu não fosse um Kyoto, se não fosse um servo de Hades-sama, como reagiria? Ainda continuaria se escondendo por trás desta casca? Por que tanto orgulho, minha alva rosa? Me odeia tanto assim? O que preciso fazer para lhe provar que não quero machucá-lo? Diga-me, por favor!
- Minos, eu... - o pisciano está sem palavras com a sinceridade do juiz, mas ao mesmo tempo confuso. Ocorreu-lhe a idéia de liberdade, apesar de ter certeza que Minos não aceitaria, mesmo que fosse verdade tudo o que acabou de ouvir. Fecha os olhos e segura delicadamente o pulso do espectro fazendo-o soltar seu queixo para desviar o rosto e fitar o chão, desanimado. - ... Melhor eu me retirar. Com licença.
- Não! Não... - O espectro se exalta, com certo desespero em sua voz, enquanto segura Albafica pelo pulso com a outra mão. Está inquieto com a presença do santo de Atena. Várias coisas que disse e fez com ele vêm à sua mente; as suas atitudes e as atitudes do próprio pisciano, julgando-o e sentenciando-o à dor. A confusão que sente na alma, comparando o que fez no dia anterior ao atentado de Fiodor com o ato estúpido do próprio espectro de mandrágora. E ao mesmo tempo, estranhamente, Albafica sempre o espiona... Esta atitude o mergulha ainda mais na confusão. Ao perceber que se excedeu, volta a pedir com delicadeza. - Por favor, não...
- Mas o que deu em você? Por acaso enlouqueceu? - Albafica sente seu coração acelerar e o corpo todo estremecer ao toque do Kyoto. Em um instinto de auto-preservação se exalta, puxando a mão com violência, se livrando do toque de Minos e explodindo num acesso de raiva e mágoa, fitando-o com aquelas duas safiras escuras e indomáveis. - Para que quer saber de meus sentimentos? Acha mesmo que vou lhe revelar minhas fraquezas para que tripudie em mim? Acha que lhe darei armas para que pisoteie mais meu orgulho? Não vou admitir que ria de meus sentimentos, Minos! Não vou deixar que...
- Idiota! - Em um rompante, um misto de tristeza e revolta com o que acabara de escutar, sem pensar em nada, Minos puxa Albafica para si abraçando-o com força, apenas escutando um gemido curto e seco do pisciano. Segura a cabeça de Albafica contra si, afundando-a no pescoço. Cheio de dor e arrependimento, o Kyoto trinca os dentes e fecha os olhos com força, tentando em vão se controlar.
- Minos! Me solta! - O pisciano exclama tentando se afastar, ainda mais surpreso, assustado e confuso com o gesto desesperado do Kyoto. Fica ainda mais perplexo e paralisa ao sentir o corpo trêmulo que o envolve fortemente. - O que você...?
- Cale a boca e me escute! - Sussurra o juiz, nervoso e ofegante ao pé de seu ouvido, interrompendo-o e causando-lhe um arrepio. - Como eu poderia rir dos seus sentimentos? Rir do que lhe aconteceu? Depois da dor que senti quando o vi naquele estado! Depois de ver as mãos asquerosas daquele verme imundo macular sua pele intocada e pura! De ver as lágrimas nos teus olhos nublados de dor e desespero! Albafica! Eu... Não sou o monstro que pensas que sou! Não aceito este tipo de coisa e já havia lhe dito isso antes! - vomita as palavras, enquanto as lágrimas da dor que já o torturava desde o ocorrido se formam nos orbes arroxeadas. Aperta ainda mais Albafica contra si, unindo completamente os dois e deitando a cabeça no ombro do pisciano. - Eu tive tanto medo! Medo de perder você! Que acontecesse o pior, de não chegar a tempo! Quando vi o que ele ia fazer contigo... Entrei em pânico! Nunca senti tanto ódio de alguém como senti daquele verme e nunca senti tanto medo! Medo, Albafica! - Minos está fora de si, chega até a soluçar. Suas lágrimas descem por toda a face, molhando o ombro do pisciano. Chora sem receio ou pudor, deixando cair a máscara do juiz frio e sádico. - Você é o que eu tenho de mais precioso! Não me perdôo por não estar aqui para impedir o que aconteceu...
- Minos... - Albafica balbucia enquanto, um pouco hesitante e receoso, o envolve delicadamente nos braços, sem conseguir mais resistir aos próprios sentimentos e àquele homem desmoronando à sua frente. - "Meu ombro... está molhado! Isso são... lágrimas? Ele está mesmo... chorando? Realmente está chorando? - arregala os olhos, espantado. - "Não, inacreditável! Eu estou sonhando... Devo ter enlouquecido... Isso realmente está acontecendo? É Completamente surreal!"- Os olhos do santo de Atena se enchem d'água. - "É quente! Seu cosmo... É tão quente. Cheio de... ternura? Isso é bom. Tão bom que sinto medo. Medo de acordar!"- Maravilhado e emocionado com o que presencia, o pisciano sente medo; mas não medo de Minos e sim, de acordar em outra realidade, onde ele é o espectro frio e sádico e apenas se diverte com um "escravo". - "Por favor, Minos, me diga que não é um sonho! Me diga que não vou acordar! Por favor, que isso não seja uma brincadeira. Não se afaste de mim, rindo dos meus sentimentos... Por favor!"- o pisciano não se segura mais e cai em prantos, apertando Minos em seus braços, sentindo o batimento acelerado do coração do Kyoto contra o peito.
"Você não é diferente de mim! É um espectro tão sádico e cheio de ódio quanto eu!"- As palavras do maldito mandrágora vêm fortes e ecoam em sua mente, enquanto Minos sente o coração ser dilacerado, tamanha a culpa e arrependimento de tudo que fez ao pisciano - Albafica, me perdoe pelo que eu te fiz, por favor! Me perdoe! Eu não queria forçá-lo a nada! Não queria ter feito aquilo! Eu não sou como Fiodor, jamais o tomaria a força, acredite em mim! Por favor, não me odeie...
- Pare! Não diga isso! Pare, por favor! - balbucia choroso, muito emocionado. - Você não é igual a ele! O jeito que me tocas, suas gentilezas, o respeito que sempre manteve com meu corpo mesmo sendo cruel e sádico, mesmo quando me despiu ou naquele dia em que me mostrou quão fácil seria me tomar... O carinho que senti vindo de ti, aquele beijo doce... São completamente diferentes!
O pranto de Minos interrompe-se abruptamente enquanto Albafica abre seu coração. O santo de Atena apenas escuta um grunhido abafado de um espectro trêmulo e assustado, que agora se mantêm em total e absoluto silêncio. O pisciano aperta mais seus braços em torno do corpo do juiz, deixando transparecer todo o amor e carinho que sente enquanto, por mais estranho que lhe pareça, tenta passar-lhe segurança.
- Por isso eu... Eu não te odeio... Não consigo te odiar! Não consigo ser imune a você! Isso está me matando, corroendo minha alma! Não aguento mais me manter afastado, fingir que te odeio quando na verdade estou apaixonado! Minos... Você não sabe o quanto sonhei com esse momento! O quanto durante estas duas semanas desejei que me abraçasse assim. Não sabe o quanto chamei por ti naqueles momentos de desespero e dor. O quanto me arrependi de não te revelar que te amo e, ao mesmo, tempo me doeu imaginar que só me via como um brinquedo, um escravo, alguém para humilhar e pisar. Não sabe como fiquei confuso... - Albafica interrompe o que fala ao sentir algo estranho no juiz.
- Minos? - Se afasta para fitar o Kyoto e se surpreende com o que vê. Minos está rindo baixinho, tentando se segurar. E ao constatar isso, Albafica gela instantaneamente, sente um calafrio percorrer sua coluna. Desespero e vergonha tomam conta de si, deixando-o completamente rubro. - "Não... Não pode ser... Isso não..."
O Kyoto não se segura mais e cai numa gargalhada incontrolável, se afastando de Albafica por completo, observado pelos olhos perplexos e decepcionados do pisciano. Mas não demora muito para que o cavaleiro se enfureça, deixando transparecer toda a revolta que lhe sobe rapidamente à cabeça.
- Maldito! - trinca os dentes, cerrando os punhos e, sem pensar duas vezes, voa em Minos cheio de ódio. - Vai me pagar por brincar com meus sentimentos!
- Ai... Não... Albafica... Pare... Pare! - Minos falava sem fôlego. Não conseguia parar de rir, enquanto era literalmente espancado pelos punhos frágeis do pisciano e tentava se proteger com os braços. Os socos, mesmo partindo das mãos delicadas de Albafica, machucavam bastante, pois ele também era um guerreiro e sabia muito bem lutar corpo a corpo, embora não fosse seu forte e não contasse mais com seu cosmo. - Desculpe! Desculpe! Ai!
- Não me importo se não tenho mais força ou cosmo! Foi a última vez que me usou desta forma! - grita em fúria em meio às súplicas risonhas do espectro, ao mesmo tempo em que seu próprio pranto, que há segundos era de amor, se transforma em lágrimas de revolta e tristeza, enquanto desfere socos e mais socos no espectro, que nada faz além de rir e pedir para que pare, defendendo-se dos ataques. - Que ódio! Que ódio! Como pude acreditar em você? Maldito! Como sou idiota! - mas não demora a ter as duas mãos tomadas pelo punho forte do juiz, que o traz para si e o fita firmemente com um olhar sedutor e um sorriso torto, fechado e enigmático, o emudecendo e arrefecendo o ódio em seu coração, paralisando-o dos pés a cabeça, hipnotizando, atraindo seus olhos confusos. Ambos estão completamente ofegantes, embora por motivos diferentes.
- Albafica, não estou brincando com você! Tudo que eu disse é verdade! - o fita com seriedade, mas com grande felicidade no tom de sua voz.
- Mas... Mas... Você está rindo de mim! - diz magoado, ainda com a voz alta e áspera, enquanto tenta desvendar aquela expressão.
- Não! Não é de você que estava rindo. - Minos explica com paciência, o seduzindo inconscientemente, abrindo um pouco mais aquele sorriso torto característico, mantendo seus orbes violeta, agora tão brilhantes quanto a mais lapidada ametista, presos no olhar ofendido do cavaleiro. - Estava rindo de mim!
- C-como? - O cavaleiro não cansa de surpreender-se com as atitudes e palavras de Minos. Quando pensa que já viu tudo, o Kyoto o surpreende ainda mais.
- Albafica... - Minos tenta reduzir sua excitação, acalmando a respiração rápida e descontrolada. - Agora eu vejo o quanto fui idiota.
- Hã? - a esta altura, o santo de Atena já não está entendendo mais nada.
- Passei as últimas duas semanas achando que você me odiava. Você não sabe como me senti mal. - aos poucos, Minos volta sua voz baixinha e terna. - Porque o amo, Albafica, e não enxergava isso. Quando descobri, pensei que era tarde demais.
- Minos... - como sempre, Albafica não consegue raciocinar em nada, tamanha a surpresa com a revelação tão direta e franca do espectro.
- Todo esse tempo achando que queria me vingar de você... Como pude ser tão cego e não perceber que estava apaixonado? - fita o pisciano com sofreguidão, perdendo-se naquelas belas íris azuis. - Naquela luta... Quando o deixei caído naquele deserto... Eu sabia que estava vivo. Não foi um erro de calculo, eu apenas não... não consegui dar o golpe final. Esta é a verdade que eu me negava a enxergar. Achei que fosse pena, ou simplesmente um mero capricho, mas... agora vejo que realmente queria poupá-lo, porque já estava enfeitiçado por teu olhar destemido e indomável, por esta tua personalidade forte e marcante. - se sente envergonhado por abrir tanto assim seus sentimentos para o pisciano e sente seu rosto aquecer, enquanto sua voz se torna mais baixa. Sim, Minos estava rubro, completamente frágil. - A cada golpe que desferia contra ti, a cada dor que lhe causei, meu coração sangrava. E aquele sentimento estranho, que não me deixava ir além, que me impedia de matá-lo, me incomodou tanto... que eu quis destruir aquilo que você mais amava para fazê-lo sentir o mesmo que eu. O ódio de mim mesmo por sucumbir à minha fraqueza e não conseguir cumprir minha missão... Por isso ataquei o rodório. Eu não consegui te matar, Albafica. Queria que você permanecesse lá até que tudo terminasse e eu fosse embora, mas você recuperou a consciência e foi atrás de mim. Eu não esperava por isso, não achei que fosse se levantar no estado em que o deixei. Isso... fez meu coração acelerar e apertar, minha alma regozijar e estremecer ao mesmo tempo, de tal maneira que tive ainda mais ódio de mim por sentir aquilo e de você por me provocar tal reação. Eu queria matá-lo e eliminar qualquer coisa que tivesse ligação com você para que aquele sentimento dentro de mim desaparecesse, mas ao mesmo tempo, não consegui ir além das torturas a que o submeti, pois somente elas já me causavam uma dor enorme! E quando disse que me doía ver alguém tão belo naquele estado... Quando disse que queria poupá-lo, mesmo usando de todo o meu sarcasmo e maldade, mesmo usando tais palavras para ferir teu orgulho e te humilhar eu, sem perceber, estava sendo sincero. Eu queria realmente poupá-lo e assim o fiz, até o ultimo momento. Você não faz idéia da grande confusão que eu senti, nem da batalha interna que venho travando desde então por sua causa.
"É verdade... naquele momento, depois que dei meu ultimo golpe e perdi completamente as forças, tudo que ele fez... foi me deixar incapacitado, ajoelhado no chão. Sequer tentou me dar o golpe final. Pensei que era sadismo, achei que ele apenas queria me ver agonizar até morrer... Então, esse foi o real motivo? Eu jamais perceberia seus sentimentos em meio aquela batalha, sequer o notei! O via apenas como um espectro, um ser sem coração. Jamais imaginaria que um servo de Hades fosse tão parecido com um simples mortal! Agora eu vejo... não há diferença alguma! Somos os mesmos seres humanos que lutam em lados opostos, cada um com seus motivos, personalidades, conceitos e objetivos." - os momentos finais da batalha vêm à mente de Albafica e este finalmente entende as atitudes do Kyoto. Enquanto escuta as palavras do ariano, reflete em tudo que vivera com ele até então. Nos outros espectros que conhecera, lembrando o quanto Markino e Zelos eram engraçados... Byako era sério, educado e reservado. E principalmente, o quanto Minos podia ser agradável, brincalhão e divertido, com seu humor negro e sarcástico. - Minos eu...
- Eu não acabei! - interrompe abruptamente, levantando um pouco sua voz, mas logo volta a abaixá-la em um tom carinhoso. - Não queria que você viesse para este mundo, não queria vê-lo aprisionado no cocytos. E quando voltei à vida e soube que já estava lá, fiquei com tanto ódio... Ódio por ser um Kyoto, ódio por sentir isso por você, ódio de mim mesmo por não ter conseguido evitar que isso acontecesse. Eu nunca quis que viesse para cá e quando vi a primeira chance de tirá-lo daquele inferno gelado, não pensei duas vezes. Eu poderia ter pedido qualquer coisa Albafica, mais poder ou qualquer outra coisa, com certeza meu senhor não me negaria. Mas não, tudo que me passou pela cabeça foi tirá-lo de lá o quanto antes, porque eu queria ver este teu olhar que me encantou, ter a chance de tocar em ti e conhecê-lo melhor. De estar perto, fora de um campo de batalha. - as palavras do juiz são calmas e carregadas de sentimentos. Albafica apenas escuta calado, encarando-o com um olhar mais surpreso a cada palavra. - Eu não aceitei sua morte, Albafica. Eu, um espectro de Hades... não aceitei o que para mim é natural. Bem como hesitei ao máximo tirar sua vida e cumprir minha obrigação como um dos três juízes do meikai. - o juiz se cala, mantendo seu olhar sereno e carinhoso preso nos olhos azuis de Albafica, que aguarda mais alguns instantes para ter certeza de que não falaria mais nada.
- Eu fui cego... Nossa, como fui cego! - Albafica enxuga as lágrimas de seu rosto e abre um sorriso discreto, emocionado. - Meu orgulho me cegou. Fiquei tão ocupado tentando manter meu orgulho e não permitir que você me manipulasse, preocupado em não deixá-lo me fazer sofrer... que fui tomado pela vaidade e não percebi seus sentimentos. Não quis admitir o que sinto... Não segui meu coração, aumentei ainda mais meu sofrimento e o fiz sofrer também. Mas não farei mais isso. Não vou mais fugir dos meus sentimentos, nem agir contra minhas vontades. Você é um espectro, verdade, mas também é humano. Você, assim como eu, pode sentir angústias, dores... assim como também pode amar, sonhar... - pela primeira vez, Albafica não tem mais dúvidas sobre os sentimentos do juiz e está grato por seu destino. - Hunf! Eu... nunca imaginei que você um dia pudesse me amar... Jamais pensei que nós pudéssemos sentir o mesmo um pelo outro. Eu o subestimei, e fui desumano com você, me perdoe.
Minos o fita carinhosamente por mais alguns instantes, acariciando seu rosto e, sem dizer uma palavra, o toma em um beijo cálido e arrebatador. Abraça-o forte, levando a mão à nuca do pisciano, enquanto a outra desliza pelo corpo em seus braços e se enrosca em sua cintura. Albafica finalmente se entrega aos encantos do Kyoto, deixando-se levar pelas sensações que antes lutava para conter. Ambos sentem seus corpos aquecerem e estremecerem, esquecendo-se completamente de todo o resto. Neste momento, não existe mais o cavaleiro de peixes e o Kyoto de griffon, apenas Minos e Albafica, dois homens apaixonados.
"Como não percebi isso antes? Como pude ser tão cego? Como pude confundir ódio com amor? Como pude me privar disso por tanto tempo? Como pude ser tão burro? Como?" - Minos pergunta a si mesmo, enquanto toma avidamente aqueles lábios finos e quentes num beijo tórrido, devorando-lhe, mordendo e chupando, tomando aquela boca delicada com força e impaciência, invadindo-a com a língua intensa e inquieta que vasculha desesperadamente cada canto daquela cavidade quente e úmida, exigindo a língua do outro e tomando-a de forma ardente, saboreando seu gosto doce e apreciando o hálito naturalmente perfumado pelo veneno das rosas que habita aquele corpo. O juiz o puxa mais para si com força e o toma para perto de seu corpo, como se fosse possível fundir-se e tornar-se uno com ele. Envolvendo-o com seu cosmo, que embora ainda seja obscuro e ímpio, emana calor, desejo e amor. Sente seu coração se aquiescer e acelerar, bombeando para seu corpo todo o calor que o acometeu.
Suas línguas serpenteiam entre si, apartando-se apenas para que seus lábios possam sugar-se e seus dentes mordiscarem a pele fina da extremidade levemente rubra da boca do outro, voltando a se encontrar e unir-se com desespero e desejo.
"Por que não pude ler nas "entrelinhas" de seu comportamento seus verdadeiros sentimentos em relação a mim? Como fui tolo..." - Albafica se questiona, enquanto entrega-se completamente aos braços do Kyoto e busca mais e mais o calor de seu corpo, entrelaçando os dedos nos cabelos da nuca do outro, segurando-os com força, enquanto desliza a outra mão pelo corpo tão perfeito e desejado do juiz, apertando-o contra si. Sente o peito latejar de alegria e o corpo todo arder de desejo, correspondendo ao toque urgente dos lábios do espectro.
Ambos, completamente ofegantes, se perdem nos lábios um do outro, sentindo-se, explorando-se, tocando-se. Escorregando as mãos trêmulas por toda a extensão de suas costas, sentindo seus corpos arderem febris e seus corações acelerarem descontrolados, enquanto buscam um ao outro com urgência. Gozando do calor e prazer daquele beijo como se fosse o primeiro, descobrindo-se, instigando-se e excitando-se a cada carícia.
- Hei! O que pensa que está fazendo? - Albafica se enfeza quando Minos o ergue de supetão, carinhosamente pondo-o no colo. - Minos! Enlouqueceu? Ponha-me no ch...! - mas seus protestos são calados pelos lábios macios do Kyoto, tão inebriantes que o cavaleiro acaba por esquecer o que dizia.
Minos o leva para a cama, deitando-o com toda a delicadeza sobre os lençóis finos de seda pura e cobrindo-o com o corpo. Prossegue com o beijo ardente, enquanto lentamente desabotoa a veste comprida cinza clara que cobre a pele fina e macia do pisciano, acariciando seu tórax definido mas delicado, um pouco mais franzino que o seu próprio.
"Sua pele é tão macia e frágil... Como pode existir dentre os mortais um ser tão belo e perfeito como este? Como pôde se tornar um guerreiro, quando tal criatura delicada deveria ser poupada de tal fardo?" - ao mesmo tempo em que sente a delicadeza da pele alva e aveludada em suas mãos, Minos não pode deixar de notar o quanto é sensível ao mínimo toque. Aparta lentamente seus lábios para contemplar a beleza dos traços perfeitos daquela face e o corpo trêmulo em suas mãos. Admira minuciosamente as curvas de seus músculos roliços, enquanto passeia os dedos por eles em um toque suave, apreciando a sensação de tocar a pele que se arrepia. Volta a fitar Albafica nos olhos para ter a visão paradisíaca de suas íris azul-escuras, que agora se encontram ainda mais escurecidas de desejo. Leva os lábios ao colo do pisciano dando-lhe singelos beijos, enquanto desce vagarosamente em direção ao delicado mamilo já eriçado, onde se detém beijando-o suavemente, mordendo sua ponta e chupando-o por inteiro em seguida.
-Ah... Aaaah! - os gemidos contidos do pisciano recompensam cada carícia feita naquele lugar tão sensível. Albafica encolhe-se um pouco, não se aguenta e crava as unhas nas costas do Kyoto, que por sua vez se arrepia com o singelo rompante violento e morde-lhe o mamilo com um pouco mais de força, sugando-o com avidez. - Hmhh... Haah!
O juiz deixa aquele local e continua sua exploração, excitando-se ainda mais com a reação do pisciano a cada beijo e chupada que dá pelo trajeto até o outro mamilo. Pode sentir o próprio membro pulsar completamente ereto, enquanto o corpo estremece reagindo aos gemidos, suspiros e a alternância entre toques leves e outros violentos das unhas do pisciano em suas costas. Desce ainda mais, passando os lábios pela extensão lateral do corpo em suas mãos até chegar à cintura, onde morde com vontade lhe arrancando um grito de prazer e sentindo-o sobressaltar sob si, aumentando ainda mais sua excitação.
Suas mãos vagueiam pelos poucos botões que ainda restam fechados, abrindo-os lentamente, enquanto a língua faceira procura pelo pequeno umbigo do cavaleiro, adentrando por ele e fazendo círculos molhados ao seu redor, impondo-se ali, enquanto a teimosa barriga insiste em fugir-lhe, encolhendo-se, e gemidos entrecortados são escutados em alto e bom som. Minos pára por alguns instantes, apreciando o delírio do pisciano totalmente ofegante, que balança lentamente a cabeça de um lado para o outro, mantendo os olhos fechados enquanto segura com força os lençóis da cama com as delicadas mãos, que outrora arranhavam as costas do juiz.
Leva os dentes ao laço da cordinha que segura a calça de tecido leve que Albafica veste, mordendo-lhe a ponta, puxando-o, desatando-o, enquanto as mãos leves e habilidosas retiram-na cuidadosamente junto à roupa íntima, descendo lentamente, seguidas pelos lábios que beijam a pele macia e delicada até os pés do pisciano. Ao terminar de tirar-lhe as vestes de baixo, Minos segura com esmero um dos pés do pisciano, passando o rosto pela curva da sola, pondo-se a beijá-lo por inteiro e vagueia seus lábios pela perna roliça, indo até o joelho e passando a língua pela parte de trás, observado por dois orbes azul-escuros com pupilas completamente dilatadas, que o fitam atentamente. Griffon abraça cada perna com um braço e alterna os beijos entre elas, subindo vagarosamente pelas coxas do pisciano ofegante, assustado e, agora, sem as vestes de baixo, visivelmente excitado. Minos interrompe a carícia, tentando desvendar o olhar contraditório de Albafica, aproximando-se um pouco dele com curiosidade, enquanto apenas lhe faz um carinho com as pontas dos dedos na parte de trás das coxas.
- M-mi... Nos... Minos! - ao se dar conta do que está por vir, Albafica sente um calafrio percorrer sua espinha e levanta-se se apoiando nos cotovelos, com um olhar assustado mas cheio de luxúria, gaguejando com certa urgência em meio à respiração entrecortada. - E-eu nunca...
- Xiiii! - Minos leva o dedo indicador aos lábios do pisciano, o interrompe delicadamente com um sorriso compreensivo, fitando-o carinhoso e sedutor, com os olhos nublados de desejo. Aproxima-se, se esgueirando como um felino por seu corpo e sussurra ao pé de seu ouvido. - Eu sei... - desliza delicadamente a ponta do nariz pela extensão de seu pescoço, dando leves beijinhos e causando mais arrepios na pele alva e sensível. - Serei carinhoso e paciente, minha alva rosa. - passa a ponta da língua atrás da orelha do jovem agora tão fragilizado em suas mãos, arrancando-lhe um profundo suspiro e fazendo-o fechar os olhos. - Está arrependido?
- Não é isso... Aahh! - Albafica recebe uma mordiscada, seguida de uma chupadinha no lóbulo de sua orelha e encolhe um pouco o pescoço ao sentir seu corpo estremecer e arrepiar levemente. Deita-se novamente e o abraça, soltando grunhidos abafados ao sentir seu pescoço ser sugado pelo juiz. - Eu... Hmhh! Eu... Apenas estou... Aah! Nervoso.
- Albafica... Eu te quero tanto... - Minos murmura carinhosamente ao pé do ouvido do pisciano e aspira profundamente sua flagrância de rosas, enquanto passa a ponta do nariz pela borda da orelha. - O desejo tanto... - volta a fitar o pisciano com sofreguidão e leva a mão ao seu rosto, acariciando-o com as costas dos dedos. - Por favor, seja meu, se entregue para mim por inteiro!
- Eu... já sou teu. - ofegante e completamente rubro, em um misto de excitação e vergonha, Albafica esboça um sorriso tímido e fechado, joga a cabeça levemente para trás, oferecendo-lhe o pescoço e sussurrando bem baixinho. - Meu coração já te pertence e eu também o desejo, apenas me tome para si e serei teu por completo. Quero sentir teu amor dentro de mim!
Minos sorri levemente e volta a acariciar o pescoço de Albafica com a ponta de seu nariz, com pequenos movimentos circulares, embriagando-se com seu aroma, enquanto escuta com atenção as palavras do pisciano, regozijando-se no íntimo pela entrega total declarada. Ao chegar bem pertinho de seu ouvido, sussurra-lhe carinhosamente:
- Não farei nada... - dá beijinhos curtos e molhados no pescoço que ainda se encontra à mostra, recebendo em resposta baixos gemidinhos contidos. -... que não queira. - morde levemente a junção entre o pescoço e o ombro, sentindo o corpo sob o seu vibrar levemente. - Podemos parar... - com a língua, percorre toda a extensão do pescoço, retrocedendo todo o caminho de volta a sua orelha e um arfar é ouvido. -... quando quiser. - finalmente, volta a olhar para Albafica, que mantém os olhos fechados, mordendo os lábios para conter os gemidos. - É só me pedir... - sussurra rente à sua boca, lambendo os lábios finos e macios como pêssego, sorrindo ao ver a boca do outro abrir levemente, reagindo ao toque de sua língua. -... e eu pararei. - dá um singelo beijo na maçã completamente rubra do rosto e desliza lentamente os lábios pela pele macia, procurando novamente o pescoço do cavaleiro, dando-lhe beijinhos molhados seguidos de chupadinhas, descendo lentamente por sua extensão, passando pelo colo até chegar ao peito ofegante. - Eu prometo! - volta a encontrar os mamilos rosados, enrijecidos e acaricia lentamente com a ponta da língua, descendo pela lateral do corpo, que se arrepia mais uma vez, até chegar à virilha, voltando a dar beijinhos molhados seguidos de leves chupadinhas, descendo pela curva perfeita e sinuosa. Passa o braço por baixo da perna do pisciano, levantando-a e abrindo um pouco, para descer ainda mais pela virilha do pisciano e chegar ao nervo do baixo ventre, mordendo-o e chupando-o, acariciando o local com a língua, fazendo com que Albafica se agarre com mais força nos lençóis e solte gemidos mais altos, enquanto se contorce levemente.
- Isso é... Bom! Aaaaah! - o pisciano balbucia em meio a gemidos estrangulados. Levanta um pouco a cabeça para observar o rosto de Minos mergulhado entre suas pernas, deleitando-se com sua pele frágil e sensível. Tem um sobressalto e geme quase em um grito ao ver e sentir o Kyoto abocanhar-lhe o testículo, sugando e linguando-o, ainda dentro da boca. Seu membro rijo pulsa ainda mais e gotículas de sêmen despontam, reagindo a tal carícia. Albafica volta a se apoiar nos cotovelos e não consegue tirar os olhos daquela cena tão sensual e prazerosa. - Aah! Aaaahhhh! Minos...
Minos afasta um pouco o rosto e fita as duas safiras trêmulas que o olham, mostrando toda a fragilidade e pureza daquele ser em suas mãos. A reação inocente de Albafica deixa o juiz ainda mais excitado e o incentiva a prosseguir com as carícias. O juiz abraça cada perna com um braço, segurando-o pelo quadril e volta a abaixar a cabeça com lentidão, mantendo o olhar naturalmente sedutor preso às orbes do pisciano, linguando a base do pênis do outro, exercendo certa pressão no local. Depois sobe seus lábios com beijinhos curtos e molhados por toda a extensão daquele falo completamente ereto, indo até a ponta umedecida pelo líquido transparente que evidenciava o prazer que ele estava proporcionando ao cavaleiro, sugando-o e deleitando-se com ele. O Kyoto dá um beijo demorado na ponta da glande, seguido de uma leve mordiscada, arrancando um gemido alto e desesperado do cavaleiro, que deixa seu corpo ir novamente à cama e instintivamente leva uma das mãos trêmulas à cabeça do juiz, segurando-lhe os cabelos quando sente seu membro ser envolto pelos lábios macios do ariano, mantendo a outra mão na cama segurando com força o lençol.
- Aaaaahhh! - Albafica geme alto de prazer e arqueia o corpo, jogando a cabeça para trás, completamente alucinado com a sensação causada pela boca úmida e quente do Kyoto, que desliza lentamente por seu falo, abarcando-o por completo.
Minos desliza vagarosamente seus lábios de volta à ponta daquele membro pulsante, deliciando-se com seu gosto e excitando-se ainda mais com as reações que provoca em Albafica. Durante um tempo permanece ali, sugando a glande com mais força, acariciando com a língua em movimentos circulares, por vezes forçando-a contra o pequeno orifício e voltando a tomar aquele membro por inteiro, sem tirar os olhos do outro, admirando aquele ar de sofreguidão estampado na face do pisciano, que o fita com luxúria enquanto geme por entre os lábios entreabertos e ofegantes. Ao ver que Albafica está completamente excitado, Minos leva uma das mãos à parte baixa e acaricia o orifício apertado e virgem com movimentos leves e circulares, enquanto aumenta um pouco a velocidade dos movimentos que faz com a boca no falo do cavaleiro. Aproveita-se do êxtase que provoca nele para penetrar-lhe lentamente com o dedo médio, sentindo o corpo em suas mãos estremecer enquanto aquele anel apertado fecha-se ainda mais ao redor de seu dedo.
- Ahhhh... Minos! - Albafica arrepia-se e geme ainda mais alto ao sentir-se invadido pelo toque delicado do outro, assustando-se com a sensação de prazer misturada a um leve incômodo, que logo passa quando sente seu pênis pulsar com intensidade e seu corpo esquentar ainda mais, arrepiando-se por completo.
Com movimentos discretos, o Kyoto tateia o interior daquele local quente e apertado procurando seu ponto erógeno, enquanto mantém os movimentos da boca sobre o membro do outro, sugando-o com força. Sente seu próprio membro pulsar forte quando toca em um determinado local, provocando gritos roucos do pisciano que abre ainda mais as pernas e mexe levemente seu quadril, buscando mais contato e prazer. Minos mal se aguenta de tanta vontade de tomar logo aquele corpo para si; seu membro lateja de tão rijo e seu abdômen dói devido à extrema excitação. O juiz introduz cuidadosamente outro dedo no orifício já relaxado, mas ainda muito apertado, e movimenta levemente a mão, diminuindo e quebrando o ritmo da felação, sincronizando e acariciando a glande com a língua, cuidando para que o pisciano não chegue ao orgasmo antes do tempo.
- Não pára... Aaah! - Albafica delira de prazer com as carícias tão íntimas do espectro e, ao sentir que se tornam mais lentas e leves, teme que Minos se afaste. - Por favor... Não pare! Deixe-me sentir diretamente seu amor!
Ao ouvir as súplicas do pisciano, Minos acata imediatamente seu pedido, voltando a abocanhar e sugar forte e lentamente aquele membro, introduzindo vagarosamente mais um dedo, forçando um pouco a passagem naquele anel estreito. Massageia carinhosamente a zona erógena, introduzindo e mexendo os dígitos com movimentos delicados, ouvindo suspiros, gemidos e sussurros incompreensíveis do pisciano. Faz tudo com muita calma e cuidado, dando-lhe prazer e preparando-o para recebê-lo dentro de si. Retira os dígitos de dentro do pisciano, afasta os lábios e volta a beijar as pernas torneadas, enquanto livra-se da calça juntamente com a peça íntima que ainda vestia, voltando a percorrer a boca por toda a extensão daquele corpo desnudo, esgueirando-se como um felino até seus lábios, calando-os com um beijo tórrido e urgente, vagando a língua por sua cavidade úmida, roçando-se contra seus lábios trêmulos e arfantes. Enquanto posiciona-se passando o braço por baixo de uma das pernas do pisciano e suspendendo-a, segura o próprio membro túrgido e pulsante, iniciando a penetração dificultosa com muita lentidão e cuidado, segurando-o pelo quadril, enquanto leva a outra mão por baixo da axila e a engancha no ombro dele, segurando-o com um pouco de força, invadindo aquele local apertado, enquanto toma seus lábios com ardor.
- Hmmm! - Albafica tem seu grito abafado pelos lábios vorazes de Minos quando sente a invasão dolorosa e ao mesmo tempo prazerosa, arregalando os olhos que não demoram a lacrimejar. Crava as unhas nas costas do ariano ferindo sua pele, arranhando-o no calor do momento, trancando-se no membro do outro, escutando grunhidos baixos em resposta.
Ao sentir-se estrangular com a força que o pisciano exerce ao redor de seu falo, o Kyoto solta gemidos altos, entrecortados. Paralisa imediatamente seus movimentos e afasta-se um pouco, para fitar com sofreguidão aqueles olhos marejados, assustados e cheios de volúpia. Minos respira fundo e ofega, delirante e instintivamente, como forma de aplacar a sensação de seu corpo, que queima com tamanho desejo e excitação, enquanto seu membro é apertado numa profusão de dor e prazer tão enlouquecedor que o leva às portas do orgasmo.
- Xiiii! Vai passar... Relaxe. - sussurra em meio à respiração ofegante, tentando acalmá-lo. Leva os lábios ao pescoço do pisciano, acariciando-o levemente como um pedido de desculpas, mantendo-se imóvel, esperando-o acostumar-se e relaxar, ao mesmo tempo em que tenta aplacar a sensação extrema que assolou seu corpo.
- Ah... Minos! - O cavaleiro fecha os olhos e relaxa seu corpo nos braços do juiz, deixando-se levar por suas carícias. Ansiando senti-lo ainda mais dentro de si, abre mais as pernas e volta a remexer seu quadril, procurando aflito a mesma sensação que Minos proporcionara com seu toque.
Minos volta a beijá-lo levemente no pescoço, instigando-o com chupadas e mordidas delicadas, até escutar novamente seus gemidos, arrepiando-se. Volta a movimentar-se lenta e cuidadosamente quando sente os quadris do pisciano impondo-se aos seus, forçando-se um pouco mais a cada dolorosa investida, controlando-se ao máximo para não arremeter-se por inteiro devido à excitação e angústia.
- Min hvite rose... hnmm! (Minha alva rosa.) - todo esse cuidado e delicadeza aumentam ainda mais o desejo do espectro por Albafica, levando-o ao êxtase cada vez que sente-se penetrar mais fundo. Invadindo pouco a pouco, mais e mais o pisciano tão apertado e dolorosamente delicioso. Entre um gemido e um suspiro, sussurra palavras de amor em norueguês sem se dar conta. - Du vet ikke hvordan jeg lengtet etter det! Aaaaaah! (Você não sabe o quanto ansiei por isso!)
Embora não compreenda as palavras do juiz, Albafica se excita ainda mais ao ouvir a pronúncia sussurrada pela voz grossa e carregada de tesão ao pé do ouvido. Arrepia-se ao escutar o arfar e sentir a respiração quente do Kyoto em seu pescoço. A angústia se torna quase insuportável quando o cavaleiro sente a proximidade do prazer outrora sentido nas carícias a que fora submetido. Sente que se Minos o penetrar um pouco mais fundo lhe trará um prazer ainda maior. Em meio a este desespero, arqueia o corpo em resposta, enlaçando Minos com as pernas, apertando-as em torno dele e impulsiona violentamente os quadris contra ele, em um movimento rápido e brusco, retesando-se por inteiro e sentindo-se apertar involuntariamente o pênis do espectro com força dentro de si.
- Aaaaahhh... Aaahhh... Aah! - Minos solta um alto e rouco grito desesperado, chegando às margens da insanidade quando sente seu membro penetrar completamente, tocando com violência bem ao fundo do pisciano, tendo seu falo completamente abarcado e estrangulado por aquele orifício já naturalmente tão apertado. Seu corpo inteiro se arrepia e estremece. Minos não consegue se conter e empurra-se ainda mais para dentro dele, sendo novamente obrigado a parar de imediato, ao sentir os músculos entesarem-se por completo e o êxtase anunciar-se impetuosamente, em um misto intenso de dor e prazer, propagando um extremo calor por todas as células de seu corpo. Falta-lhe ar nos pulmões quando sente suas nádegas serem apertadas por Albafica, que o puxa ainda mais contra si. - Ohhh, Albafica... Du driver meg gal... Aah... Aaahhh! (Você está me levando à loucura!)
- Hmmmm... Hmmm... Ah! - Albafica se contorce e fecha os olhos com força, mordendo os lábios e tentando a todo custo conter seus gritos, deixando apenas que grunhidos entrecortados de um prazer masoquista ecoem alto ao sentir-se estremecer fortemente, enquanto algumas lágrimas escorrem pelas laterais de sua face, quando dor e tesão intensos se misturam, proporcionando-lhe uma sensação inigualável e arrebatadora, espalhando-se rapidamente por todo o corpo, fazendo seu membro enrijecer ainda mais pulsando com fúria. Não consegue mais segurar os gritos, que saem por sua garganta em um tom rouco e urgente. - Aaaahhhh... Aah... Ah!
- Meu amor... Você... Está bem? - O rompante de Albafica retira Minos do transe voluptuoso, trazendo-o à realidade. Extremamente ofegante, o Kyoto afasta-se um pouco para observar a expressão sofrida, extasiada e umedecida pelas lágrimas que escorreram pela face do pisciano arfante e encontrar aqueles marejados olhos azuis, nublados de prazer.
- Minoosss... Ahnnn! Não pára... - Geme e sussurra com um jeitinho manhoso, implorando por mais em meio ao prazer insano que arrebata todos os cantos de seu corpo, tirando-lhe a razão. -... Continue por favor! Me faça sentir seu amor!
- Eu... só não quero machucá-lo... - uma gota de suor percorre o rosto do espectro ofegante até chegar ao queixo e pingar no canto dos lábios do pisciano, que lambe sem pretensão alguma de ser sexy, mas para Minos, que observa a cena, é o ato mais sensual que já vira em Albafica. - Mas você... - Minos volta aos movimentos lentos e delicados - é muito apertadinho... Hummm! - mergulha mais uma vez em seu pescoço, dando chupadas um pouco mais fortes - Está tão difícil... - serpenteia a língua por toda a extensão do pescoço até o lóbulo da orelha -... me conter! - sussurra quase inaudivelmente ao pé de seu ouvido, sentindo a pele delicada arrepiar-se. -Aaaaah Albafica, como você é... gostoso!
- Meu amor... hmmm! - Albafica segura delicadamente o rosto do juiz com as duas mãos e o afasta um pouco de si para observar a face lúbrica e o olhar inundado de luxúria à sua frente, sussurrando carinhosamente entre os tímidos gemidos. Um sorriso carregado de prazer se forma na face rubra e envergonhada. - Não estás... Me machucando... Aaah!
- Não estou? - sussurra a pergunta em um tom sedutor, olhando profundamente as íris azul-escuras.
Albafica apenas nega com a cabeça enquanto geme baixinho, sentindo o falo do Kyoto entrar e sair dentro de si, arfando e movimentando-se de encontro ao membro do juiz, que sorri malicioso ante aquela atitude encantadora.
- Hum... Então é assim que quer? - arremete-se com lentidão, empurrando-se por inteiro dentro do pisciano, forçando-se contra sua próstata, batendo-lhe a ponta do falo com força e vigor, arrancando-lhe gritos roucos e ensandecidos. Roça os lábios nos dele, sentindo contra a boca seus gemidos. - Assim... está gostoso, hã? - geme baixinho as palavras e morde seus lábios, segurando-se com força a ele, enquanto sente seu próprio corpo em brasas arrepiar-se e estremecer. - Aahhh... Min kjærlighet! (Meu amor!)
- Aaahhh... Minos... isso... é seu amor dentro de mim? Aah! - Albafica volta a se contorcer em meio ao delírio libidinoso ao sentir sua virilidade intumescida ser comprimida no atrito dos corpos agora tão colados, agarrando-se firme ao seu corpo, cravando-lhe as unhas nas costas, apertando-o mais contra si, seguindo com o quadril seus movimentos, naquela dança erótica e sensual. - Hmmmm... É maravilhoso!
Os corpos quentes e suados encaixam com perfeição e roçam entre si, esfregando-se em perfeita sincronia no vai e vem constante e intenso, como se tornassem um só corpo e uma só alma. Não é apenas sexo ou carícias, mas os sentimentos que se misturam intensamente aos cinco sentidos, aumentando prazerosa e insanamente suas sensibilidades. Nenhum dos dois consegue compreender e também não fazem questão alguma de tentar pensar nisso ou em qualquer outra coisa. Nesse momento, ambos apenas se entregam aos braços um do outro, desfrutando do prazer de cada toque, de cada reação de seus corpos, de cada sentimento que brota em seus corações.
- Albafica... Aahhh! Du liker det hot... (como você é quente.) - beija o pisciano loucamente, tomando seus lábios com paixão e desejo, passeando a língua com força dentro daquela boca úmida e perfumada, procurando e envolvendo-se impetuosamente à língua do outro, deixando que a ânsia por mais prazer tome conta de si, aumentando a velocidade de seus movimentos, indo fundo dentro dele, sentindo-o gemer em sua boca e empurrar com força os quadris contra si. O ar lhe falta nos pulmões e seu membro pulsa violentamente quando o pisciano o puxa pelo cabelo, forçando sua cabeça para trás e abocanhando seu pescoço, sugando-o com fúria, fazendo-o gritar de tanto tesão. - Du vet ikke hvor mye jeg ønsker... Aah... Aaaahhh! (Você não sabe o quanto te desejo!)
- Minos... Aaaaahhh! Isso... Isso... É tão perfeito! - Albafica está em seu limite, crava ainda mais as unhas na pele macia do ariano e volta a morder-lhe o pescoço, sugando-o em desespero, contraindo-se por inteiro quando sente o torpor que antecede o orgasmo tomar conta de si e espasmos espalharem por todos os músculos do corpo. Totalmente suado e trêmulo, esfrega-se com força contra Minos, aumentando o atrito dos dois corpos sobre sua ereção pulsante, movendo seus quadris aflito contra o baixo ventre do espectro, buscando mais força e profundidade às suas penetrações, sentindo-o bem no íntimo, batendo contra sua próstata com vigor, descontrolando-se por completo em um frenesi louco e intenso. - Hmmmmmm!
- Ah... Albafica! - Minos não consegue suportar a sensação de ter o falo completamente apertado e engolido, ao mesmo tempo em que tem seu pescoço devorado pela boca macia que o suga e morde vorazmente. Arremete-se com mais força, penetrando-o por completo e depois retirando o membro quase que por inteiro, voltando a estocar com certa violência o orifício que se fecha à sua volta, repetindo o ato insano sucessivamente, sentindo aquela pulsação se espalhar pelo abdômen, arrebatando-o completamente. - Føl all min kjærlighet inne i deg... Aaaahhhh! Føle det! (sinta todo o meu amor dentro de ti. Sinta isso!)
- Aah... Aaaah... Ah! - Albafica joga-se pra trás e fecha os olhos, retesando todo, gemendo e gritando alto de prazer. Segura o corpo de Minos, colando-o ao seu e o aperta com as pernas enlaçadas em sua cintura, travando-o em seus braços, comprimindo com força o pênis do ariano, sentindo-o pulsar dentro de si. Sente toda sua musculatura travar quando derrama-se entre os dois em um jorro forte e viril, que logo escorre sobre a superfície do abdômen.
- Albafica... Jeg elsker deg! Hmmm! (Eu te amo!) - o juiz não consegue mais controlar sua libido e afunda o rosto no pescoço do pisciano, escondendo-se em meio aos cabelos molhados de suor. Trinca os dentes, soltando gemidos estrangulados e sufocados por seu próprio êxtase ao sentir o falo vibrar e seu néctar surgir numa erupção de prazer, preenchendo o interior do cavaleiro com o gozo intenso. Quebra o ritmo estocando forte e violento, em arremetidas demoradas e profundas, sentindo todos os músculos enrijecerem em um tremor excessivo. Em meio ao clímax, não contém mais seus gritos roucos ao segurar os quadris do pisciano e estocar-lhe a próstata com força e vigor, entrando e saindo até a metade em movimentos rápidos, compassados e profundos dando mais prazer ao amante, até que a ultima gota de sêmen se derrame entre os dois. Exausto e extremamente ofegante, deixa seu corpo pesar sobre seu parceiro, após aplacar a fúria de suas paixões.
Um silêncio profundo cai sobre o local e ambos se abraçam com ternura, apenas escutando suas respirações e batimentos cardíacos acelerados e descompassados por um bom tempo, até se acalmarem.
- Minos... - pensativo, o pisciano acaricia a nuca do Kyoto, brincando com algumas mechas de seu cabelo úmido.
- Hum? - o juiz ainda se encontra deitado sobre Albafica, com a cabeça recostada em seu pescoço e os olhos fechados, acariciando a cabeça do santo de Atena.
- O que foi tudo isso? - Albafica balbucia carinhosamente, com seu ar inocente e feliz.
- Hã? - Minos não entende a pergunta e levanta a cabeça, apoiando-se com os cotovelos sobre a cama e fitando-o com uma incógnita no olhar.
- Essas sensações que até agora eu desconhecia... - o pisciano enrubesce instantaneamente quando se depara com o olhar de dúvida do espectro e murmura, envergonhado. - Sabe... Nunca havia sentido nada como isso antes.
Minos apenas dá seu típico sorriso torto e fechado, respondendo com um sussurro sedutor:
- Isso, minha alva rosa, é a expressão mais pura dos nossos sentimentos... é a entrega total e absoluta entre duas pessoas que se amam! - acaricia o rosto do cavaleiro, passando delicadamente as costas dos dedos enquanto o beija carinhosamente.
Mas... do outro lado de uma das paredes, um expectador acidental não estava nada feliz com tudo que escutara.
