Capítulo 13

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Donzela Guerreira

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Capítulo 13

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Quando Kagome voltou para a fortaleza, descobriu que seu pai estava tendo um de seus maus dias. Encontrou-o vagando pelas escadas, chorando desconsoladamente, procurando a sua esposa Kira. Sua angústia era quase intolerável. Kagome não teve o coração para lhe dizer que uma de suas filhas também se havia ido, e que estava em algum bosque com um Normando. Seu pai não o teria entendido.

Esse dia nem sequer reconhecia Kagome.

Ela sabia que tinha que passar o dia com ele na habitação, protegendo o dos olhares e dos ouvidos dos serventes fofoqueiros. Oferecer-lhe companhia e privacidade era o mínimo que ela podia fazer para preservar sua dignidade. Ordinariamente não era algo muito inconveniente. Seus dias maus eram incomuns e Sango e Rin podiam dirigir o castelo em sua ausência. Mas sem Sango e Rin sobrecarregada de trabalho, não havia ninguém para controlar as tarefas diárias de Higurashi. Kagome amaldiçoou aos normandos por sua invasão e Sango por sua impetuosa escapada.

Estava sentada na habitação perto da fogueira, quando seu pai começou a reclamar a sua esposa. Kagome se ajoelhou a seu lado, ele chorava e tomou sua mão entre as dele, lhe falando para acalmá-lo. As ervas que ela tinha colocado no chá teriam efeito logo. Dormido, ela rogava, ele poderia encontrar alívio para as lembranças que o espreitavam.

Ajustando a manta sobre sua saia, Kagome refletiu sobre seu próprio matrimônio e sobre seu marido normando.

Possivelmente era melhor que ela não sentisse grande afeto por InuYasha. Só precisava olhar a seu pai para convencer-se de que o amor era um cruel amante: demandante, ciumento e lhe debilitava.

Seus pais tinham desfrutado de tempos felizes. Ela se lembrava dos dois cantando juntos e rindo como meninos, abraçados ao lado da lareira e enviando-se sorrisos secretos durante os jantares. Mas finalmente, o amor lhes tinha pagado com tristeza. Tinha tomado a um guerreiro que alguma vez sustentava sua cabeça com orgulho nas batalhas e o tinha reduzido a um velho doente. Não, era bom que não amasse a seu marido.

Ela olhou as chamas por um longo momento. Finalmente os soluços do lorde diminuíram, e ele dormiu. Kagome cuidadosamente desprendeu suas mãos das dele, parou-se e adicionou um lenho ao fogo da lareira.

O céu escurecido lá fora a recordava que o dia terminaria logo, e que a noite implicava voltar a sua própria habitação. Perguntou-se quão feroz seria a batalha que InuYasha imporia em umas horas.

Suas defesas estavam debilitadas. Temia não poder lutar contra ele outra vez. Mas não ia ceder.

Kagome estava bem consciente que uma mulher podia empregar a paixão de um homem para dominá-lo completamente. A Luxúria era uma força potente. Tinha sido o calcanhar de Aquiles dos homens dos tempos de Sansão. Sempre e quando Kagome negasse seu corpo a InuYasha, poderia exercer controle sobre muitas coisas. Governar a sua própria gente. Um perdão sem castigo para sua irmã. E comandar seu exército.

Mas se ele suspeitava quão frágil sua fúria era, quão frágil era seu controle sobre seus próprios desejos, essa seria sua perdição.

Alguém golpeou a porta e anunciou o jantar, despertando ao lorde de seu sonho.

— Kagome? — Lorde Tourhu pestanejou, então se levantou até sentar-se. Subitamente, ele se estava transformando em um pai orgulhoso, forte, capaz e sábio. Seus olhos estavam claros, seu olhar atento.

— Kagome. — ele disse carinhosamente, acariciando seu cabelo. — O que está fazendo me olhando enquanto durmo? Não deveria estar em braços de seu novo marido?

Deu-lhe um débil sorriso. Ao menos ele recordava algo do que tinha passado.

— Vamos jantar, Pai?

— O jantar. Sim.

Ficou de pé e se estirou. Uma lagrima indesejada apareceu nos olhos de Kagome enquanto ela vislumbrava brevemente ao orgulhoso guerreiro que seu pai alguma vez tinha sido.

— E depois, um bom jogo de dados. — ele disse com um piscar de olhos. — Tenho que recuperar o dinheiro que ganharam esses normandos.

Kagome não teve o coração de desafiá-lo. Sim, seu pai apostava enormes somas. Rara era a noite que passava sem que ele não jogasse ao jogo de dados e perdesse. Por sorte, Rin por volta de tempo tinha persuadido aos homens de Higurashi de devolver o dinheiro ganho na conta do castelo. Agora o único dinheiro que o lorde perdia eram com estranhos que paravam no castelo durante suas viagens. Mas com a casa cheia de Normandos, novos acertos deviam ser feitos.

No momento, Kagome tinha intenção de desfrutar da companhia de seu amado pai essa noite antes que se deslizasse de novo à loucura.

Seus planos para uma comida prazenteira foram arruinados. Aparentemente, enquanto Kagome esteve confinada na habitação de seu pai, InuYasha tinha feito estragos no castelo.

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— Fez o que? — ela demandou, quase se engasgando com um gole de cerveja.

— Derrubei os velhos currais. — InuYasha disse, mordiscando uma truta que os normandos tinham apanhado no lago.

Para sua consternação, seu pai assentiu sua aprovação.

— Bem, estavam-se derrubando.

Ela grunhiu.

— E o que fez com os falcões?

A boca de InuYasha se curvou para cima.

— Terá que lhe perguntar ao cozinheiro. — Sua mandíbula caiu.

Ao lado dela, Rin riu.

— Está brincando, Kagome.

Kagome não achou a brincadeira de InuYasha divertida. Ela tinha estado ausente só meio-dia, e ele tinha reordenado tudo no castelo, e aparentemente com a bênção de seu pai.

— A truta está deliciosa, Ian. — InuYasha apreciou. — É uma pena que não possa mandar a meus homens a pescar todos os dias.

Kagome fervia de raiva. Era só outro exemplo da ignorância de Inuyasha.

— Nem te ocorra. Se pescarem todos os dias, esvaziarão o lago. Não teremos nada que comer no inverno, e não deixarão nenhuma truta para reproduzir-se.

— Sim. — ele concordou. — Assim me advertiu Rin.

Kagome encheu a boca com comida. Não lhe importava o modo em que Inuyasha se apropriava da casa. Já chamava às pessoas do castelo por seu nome. Já se tinha apropriado dos recursos de Higurashi. E ganhava a aprovação de seu pai. Isto não era um bom presságio.

— Inuyasha me disse que trouxe um armeiro muito inteligente com ele. — Lorde Tourhu lhe disse.

— Jaken. — InuYasha adicionou, terminando sua cerveja e chamando à serva para que lhe trouxesse outra.

— Já temos armas. — Kagome afirmou.

— Não deste tipo. — seu pai disse com seus olhos brilhando.

— Todas de aço. — InuYasha disse. — Leve. Forte. Bem equilibrado.

Apesar do atrativo de ter novas armas, Kagome sentiu seu humor a ponto de estalar.

— E tem planos de reconstruir Higurashi, pedra por pedra, também? — ela perguntou sardonicamente.

— Bem, já que o menciona... — InuYasha começou.

— Kagome! — seu pai disse secamente. — Pára.

Ela se ruborizou. Por volta de meses da última vez que seu pai a tinha desafiado injustamente.

Que fizesse isso ante um grupo de estranhos, particularmente depois de que ela tinha passado todo o dia cuidando de sua melancolia e preservando sua dignidade, era completamente humilhante.

Curiosamente, foi InuYasha quem interveio para aliviar seu orgulho ferido.

— Desejaria falar com você e com seu pai sobre certas mudanças no castelo. São bem-vindas as sugestões.

Ela estava tentada lhe perguntar por que fazia isso, já que parecia não necessitar sua permissão para nada. Enquanto isso, Kikyo MiYako, uma das servas de Higurashi, ficou entre eles para encher o jarro de InuYasha, claramente exibindo seus enormes seios. Uma ofensa óbvia para Kagome. Procurando distração, ela se voltou para Rin.

— Começou com as contas?

— Comecei e terminei. — Rin respondeu com um sorriso. — Um homem de Sir InuYasha, TouTousai, já havia feito o balanço dos Tasyho. Só tivemos que somar os dois balanços. Muito simples Kagome mais simples que unir a gente dos TaYsho e de Higurashi.

O caos abundava, ainda ali no grande salão. As palhas do chão tinham sido trocadas outra vez, e embora Rin tivesse ordenado que os serventes trocassem a palha fresca só no mês passado. As bandeiras das paredes tinham sido arrumadas para dar lugar a várias insígnias que os cavalheiros de Taysho haviam trazido com eles. Um par de garotos Normandos tratavam aos cães do lugar, dando-lhes pedaços de carne de veado. E agora os moços da cozinha traziam um prato que não lhe era familiar para completar a comida, um prato Normando.

Maldição com todos! Esta era sua fortaleza, eram suas estas terras, eram seus serventes. A interferência de InuYasha era como uma invasão. Tão intrusiva como sua presença na cama.

Mas à medida que revisava seus pensamentos e suas sensações, deu-se conta de quão irracional estava sendo. Não importava que mãos colocavam mais pedras nas muralhas do castelo, só importava que a fortaleza fosse mais forte por essa ação. Ela deveria estar agradecida pela ajuda de InuYasha.

Mas não o estava. Entre seu novo matrimônio, o seqüestro de Sango, cuidar de seu pai durante todo o dia, chegava à noite para que ela notasse que seu mundo tinha sido posto patas para acima, Kagome estava muito irritada para sentir-se agradecida por nada.

Desculpou-se pelo jantar, dando a InuYasha um olhar significativo que lhe comunicava tacitamente que não conseguiria o que queria dela essa noite. Ela se retirou a dormir.

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InuYasha tomou até a última gota de sua taça e olhou à moça que servia cerveja ao Reyner. Ela era uma moça atrativa com bochechas rosadas e um peito grande que aparecia pelo decote como duas formas de pães. Seu cabelo era escuro, seus olhos brincalhões, seus lábios, chamativos.

InuYasha golpeou sua jarra vazia na mesa.

A moça bonita se aproximou e lhe serviu cerveja pela décima oitava vez, virtualmente pressionando a carne cremosa de seu peito contra sua bochecha. Ela riu e perguntou se havia algo mais que ela pudesse fazer por ele.

Inuyasha tinha intenção de lhe dizer que sim. Tinha vontades de lhe sussurrar suas intenções luxuriosas no ouvido até que um rubor subisse às bochechas dela. Queria lhe dizer que a encontraria na despensa e que lhe daria um pouco vindo de suas próprias provisões.

Mas não tinha que ser. Cada vez que ele considerava a idéia de manusear a moça, a imagem de Kagome se cruzava em seus pensamentos. Não era a culpa o que o detinha. A culpa teria sido fácil de deixar de lado. Depois de tudo, não tinha sido ele quem se negava a consumar o matrimônio. Não, e por isso ele tinha direito de deitar-se com quem o escolhesse. Mas não podia escolher. Ou melhor, dizendo, se pudesse escolher, ele escolheria a moça loira que dormia em sua cama nesse momento. Suave. Cálida. E nua.

Soltou um suspiro e bebeu toda a cerveja de uma vez. A serva riu outra vez e perguntou se queria mais. Ele sacudiu a cabeça.

InuYasha olhou os degraus para sua habitação. Ele podia ir acima e fazer uma reclamação de seus direitos maritais nesse momento. Tinha direito. Ninguém o questionaria. Certamente Kagome não esperava que ele cumprisse a promessa feita a sua irmã agora. Não quando Sango tinha quebrado todas as regras e tinha seqüestrado a seu homem de confiança.

— InuYasha, moço! — o lorde de Higurashi o chamou, tirando o de seus pensamentos. — Sente-se comigo e compartilha minha sorte!

InuYasha tratou de não grunhir ante semelhante interrupção. Depois de tudo, ele raciocinou, suas ameaças eram vazias. Não tinha intenção de forçar Kagome, com promessa ou sem ela. Para melhor ou para pior, ele era um cavalheiro honorável.

Poderia jogar ao jogo de dados com o pai. O velho lorde parecia estar bastante lúcido essa noite. Além disso, InuYasha raciocinou, isso o faria deixar de pensar na tentadora e intocável deusa dormindo no piso de cima.

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A luz do amanhecer despertou Kagome na segunda manhã de seu matrimônio. A paz foi quebrada por um abrupto ronco. InuYasha roncava ao lado dela, sua cara esmagada contra o lençol, seu cabelo caindo sobre uma bochecha. Tinha vindo à cama muito tarde, ela parecia recordar que ele tinha sido cuidadoso de não despertá-la.

Kagome não teria tão cuidadosa. Depois de tudo, era de manhã. Se InuYasha queria ser um bom administrador do castelo, seria melhor que começasse a levantar-se cedo. Ela girou na cama. Bocejou sonoramente. Sacudiu o travesseiro. Tirou-lhe todas os lençóis que ele monopolizava, e, ruborizando-se ante o que tinha revelado ao tirar os lençóis, cobriu-o novamente.

Meu Deus! Perguntou-se se esse homem seguiria dormido se batessem na porta do quarto.

Muito bem, ela pensou, se InuYasha era muito preguiçoso para levantar-se cedo, ela estaria feliz de desempenhar suas tarefas habituais sem sua interferência. Ainda o ruído da cota de malha sendo tirada do baú não perturbou Inuyasha. Ela sacudiu a cabeça com desgosto.

Ela juntou suas coisas e se deslizou fora do quarto, resistindo às vontades de dar uma portada quando se foi. Ela deveu caminhar através de dúzias de Normandos roncando esparramados no grande salão até que encontrou ao escudeiro de Higurashi. Queria que a ajudasse a armar a seus homens.

Seus cavalheiros dormiam na armeria, e ela conseguiu despertar a cinco. O cinco que não estavam tão bebidos para conseguir ficar de pé. Foi óbvio por seus olhares zangados, não estavam muito felizes de ser levantados tão cedo. Mas ela contra argumentou suas queixas, lhes dizendo que era sua própria culpa ter bebido muito e haver ficado acordados até tão tarde.

Era essencial para os homens de Higurashi estarem preparados para uma batalha em qualquer momento, particularmente desde que notícias de que novos ataques Ingleses no Cruichcairn tinham-lhes chegado.

Logo ela estava treinando, cruzando espadas com seus homens, inventando novas manobras, gritando vitória enquanto abandonava ao Shuy contra a cerca.

Com seu espírito alegre, ela temerariamente os convidou a que a atacassem todos de uma vez.

É obvio, por uma questão de cortesia, avançaram um por vez. Nem o mais capaz dos guerreiros podia efetivamente batalhar com cinco oponentes ao mesmo tempo. Mas era um desafio para ela, e seu braço logo lhe doía de tanto sacudir a espada de aço. A luta a eletrizava, e a vitória era o êxtase. Para Kagome, não havia diversão maior que combater com a espada.

Tão perdida estava em sua alegria que foi muito tarde que ela notou a os brutos que vieram interromper seu entretenimento e a danificar seu bom humor.

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Bang, Bang, Bang, Bang, Bang!

InuYasha murmurou algo e esfregou os olhos. Jesus! Quem estava golpeando a porta? Não foi até que se sentou que recordou onde estava. Uma pálida luz solar banhava a habitação, mas ele sentiu como se não tivesse dormido nada. Olhou ao lado na cama. Foi-se outra vez. Maldição!

Bang, Bang, Bang, Bang!

— Maldição! — ele grunhiu.

Bang, Bang, Bang!

— Um momento.— Correu o lençol da cama e avançou para a porta.

Bang, Bang!!

Antes que outro golpe se ouvisse, abriu a porta abruptamente.

— O que!

Era Rin. E ela quase caiu dentro do quarto quando seu punho golpeou no vazio. Seu olhar atônito se dirigiu imediatamente ao corpo nu, e ele rapidamente pôs o lençol sobre os genitais.

— Eu... Eu... — ela parecia tratar de recompor-se e poder olhá-lo aos olhos. Sua face adotou uma expressão séria. — Acredito que é melhor que venha.

O aspecto sombrio de seus olhos o sacudiu.

— O que acontece?

— Não me querem escutar. Não escutam a ninguém.

— Quem? Quem não escuta?

— Te apure! — Ela se deu volta lhe dando as costas, obviamente esperando que ele se vestisse. — Te apure ou alguém acabará morto!

Maldição! Do que estava falando? Não se atreveu a perder tempo fazendo perguntas. Em troca, colocou a camisa, e se atirou o plaid sobre o ombro, e ajustou o cinto de sua espada.

— Onde está?

— No campo de treinamento. — ela disse.

Inuyasha passou enquanto desciam as escadas, com o coração na boca. Teria chamado a seus homens, mas curiosamente, nenhum deles estava no salão. Todas as que ficavam eram mulheres, serventes e meninos. Ainda a armeria estava vazia.

Correu para o jardim e cruzou a extensão de pasto até o campo de treinamento. Quando ele chegou, só pôde olhar em êxtase. O que viu era muito incrível para ser compreendido.

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Continua...