N/A: Twilight não me pertence.

Obrigada Cella por ser minha beta/vendedora de peixe/pata marrom/traficante musical. Obrigada Dans por ficar me ouvindo tagarelar sobre isso no MSN. Obrigada Lou por toda ajuda com a história desde o começo.


Celebridade do Mês

Dia 12

O despertador não havia tocando ainda, mas eu já estava acordada. Levantei da cama desativando o aparelho e peguei o controle que tirava a proteção solar das janelas. O céu estava limpo e parecia que hoje seria mais um dia quente. Caminhei até o banheiro para escovar os dentes e lavar o rosto. Antes de deixar o quarto coloquei o hobby de cupcakes que havia comprado há alguns dias e fui até a cozinha procurar companhia.

Como já desconfiava, Zaza estava acordada e espremia laranjas para fazer um suco. Seus pés iam de um lado para o outro, acompanhando a música que tocava no fundo. Era uma das favoritas de meu pai e um sorriso se formou em meu rosto lembrando dos dias em que ele a colocava para tocar de manhã e dançava comigo. Eu deveria ligar para ele.

- "And my arms need someone, someone to enfold, to keep me warm when, mondays and tuesdays grow cold..." * – cantei junto à voz de Etta James na bela "A Sunday Kind of Love" e fui dançando até Zaza.

- "Love for all my life to have and to hold oh and I want a Sunday kind of love"* – Zaza continuou.

- Eu amo essa música – comentei.

- Eu estou vendo! Etta James é sempre uma boa escolha.

Balancei a cabeça para cima e para baixo, indicando que concordava com ela e continuei dançando deixando a música tomar conta de mim. A canção se aproximava do final e eu soltei mais uma vez a voz.

- "Sunday, Sunday, Sunday, kind of love." - finalizei sorrindo para Zaza que começou a bater palmas. De repente, ouvi outra pessoa também batendo palmas.

- Muito bom! – Edward falou atrás de mim.

- Você me ouviu cantar? – perguntei morrendo de vergonha. Cantar na frente de gente que não era profissional, tudo bem, mas na frente de Edward? Argh.

- Dançar também. – falou colocando os braços ao meu redor e me dando um abraço.

- Que vergonha. – murmurei retribuindo o abraço e encostando meu rosto em seu peitoral desnudo.

- Devo dizer que é um tanto quanto ousado cantar Etta James, mas não importa se está afinado ou querendo fazer com que todo mundo tampe os ouvidos. O importante é o que a música faz você sentir e pelo que vi você estava cheia de felicidade.

- Você por um acaso já acorda filosofando assim?

- Eu só estou tentando fazer você se sentir melhor. – falou dando um sorriso e me apertando mais em seus braços. – Está funcionando?

- Uhum. Um pouquinho. – disse colocando meus braços em volta do pescoço dele.

- Hmmm, que bom... – sussurrou abaixando o rosto e me dando um beijo. Os lábios dele eram suaves e sua língua tinha gosto de pasta de dente. Esse era o tipo de beijo que me fazia pensar que eu deveria ter beijado-o no momento em que pisei nessa casa. Ele separou nossos lábios e deu um beijo na minha bochecha. – Bom dia, Carrapata.

- Bom dia, Cachorro. – falei ainda não o soltando.

- Bom dia, vovó. – ele falou e eu congelei. Meu Deus. Zafrina! Como eu esqueci que Zafrina ainda estava na cozinha?

- Eu estou vendo que é um ótimo dia. – ela falou e eu virei o rosto para observá-la. Ela estava me dando um enorme sorriso e ainda fez um sinal de ok com as mãos. Senti meu rosto quente.

- Posso sequestrar Bella da cozinha? – Edward inquiriu.

- Claro! – Zaza respondeu – Ela é toda sua.

Ele soltou os braços que estavam ao meu redor e pegou minha mão, puxando-me para a sala. Sentou no sofá e deu um tapinha no joelho, pedindo que eu sentasse em seu colo. Assim que acatei seu desejo, ele colocou as mãos em volta de mim e me deu um beijo rápido.

- O que você está fazendo acordado essa hora? – indaguei curiosa, já que ainda faltava um pouco mais de uma hora para sairmos de casa.

- Minha querida assessora fez questão de me ligar às 7 horas para avisar que eu não podia esquecer a prova de roupa que tenho marcada para as 11h30. – falou com um tom debochado.

- Por que você não desliga o celular antes de dormir? E calma aí... Prova de roupa?

- Porque pode acontecer alguma emergência. O VMA acontece daqui a três dias, tenho que fazer a última prova de roupa para minha performance.

- Eu não sabia! Você tem que passar a me avisar as coisas com antecedência!

- Desculpa, é tanta coisa na minha cabeça que eu esqueço as vezes. Aliás eu deveria então te avisar mais uma coisa.

- O quê?

- Minha mãe me ligou logo depois de Jessica para informar que estava tudo certo para amanhã.

- O que tem amanhã? – perguntei confusa.

- Amanhã nada, mas depois de amanhã é aniversário da minha mãe. A gente marcou um churrasco em família, então ela deve chegar aqui amanhã à noite.

- Sua família inteira vai estar aqui? – questionei tentando não entrar em pânico.

- Sim. Quer dizer, meus pais e meus irmãos.

- Eu vou conhecer sua família.

- Sim. – ele falou me olhando de forma estranha.

- E você pretende falar que a gente está...junto?

- Sim, pretendo te apresentar como minha namorada. Por quê? Você por um acaso está com medo de conhecer minha família, Carrapata? – indagou sorrindo.

- Para de achar graça onde não tem! É claro que eu estou com medo. Primeiro de tudo eu sei que seus pais deram à luz a você e Alice, então já desconfio que essa não deve ser uma das famílias mais convencionais. – falei sinceramente e ele deu um riso devido a meu comentário. – E desculpe por soar clichê, mas e se eles não gostarem de mim?

- É claro que eles vão gostar de você. Já ouviu o ditado que a maçã nunca cai muito longe da árvore? Se eu e Alice nos demos bem com você, eles também irão. Você só tem que agir da mesma maneira com eles.

- Argh, tenho certeza que vou passar alguma vergonha!

- Ah, isso sim. Definitivamente. – expressou com absoluta certeza.

- Edward, não é isso que namorados fazem. – falei virando o rosto para ele. – Você deveria falar que eu estou apenas nervosa e que tudo vai ocorrer bem.

- Eu acho que você vai se sair bem, mas vendo por outro lado, eu conheço meu pai e meu irmão mais velho. Eles definitivamente farão com que seu rosto fique da cor de um tomate.

- Merda! – exclamei e coloquei as mãos sobre o rosto. Edward ria as minhas custas.

- Vai dar tudo certo, eu prometo. – tentou me confortar dando um beijo em minha cabeça.

- Fácil para você falar, eles já te conhecem. Queria ver se fosse para você conhecer meu pai.

- Seria um imenso prazer. – ele falou confiante. Argh, às vezes eu odiava toda essa confiança que ele tinha.

- Falando no meu pai, eu tenho que ligar para ele hoje. Não falo com ele desde o dia que vim para cá.

- Você nunca me falou sobre seu pai. Onde ele mora?

- Em Phoenix, no Arizona. Ele mora com minha madrasta, Sue.

- E sua mãe?

- Ela faleceu quando eu tinha 6 anos.

- Eu sinto muito. – falou fazendo carinho em meu quadril e dando um beijo em meu ombro.

- Tudo bem. Eu era bem nova. Meu pai conheceu Sue dois anos depois e ela me tratou como uma filha desde o primeiro dia que começou a namorar Charlie, esse é o nome do meu pai. Não é como se eu tivesse crescido sem mãe.

- Como ela faleceu?

- Dirigindo alcoolizada.

- Que merda. – ele falou sinceramente.

- Foi uma merda, mas meu pai segurou as pontas. Eu não o vejo há mais de um ano. Hoje ouvir aquela música na cozinha me lembrou tanto dele. Acho que estou com saudades.

- Imagino que seja difícil não sentir saudades com esse trabalho.

- Difícil? É praticamente impossível. É o preço que se paga, né? Acho que não há ninguém que possa me entender melhor do que você. No fim sempre existe algo que acaba sendo sacrificado.

- É. Eu sei. – falou colocando o queixo no meu ombro.

Nós ficamos em silêncio e era agradável. Se não fosse pelos aleatórios beijos que ele distribuía no meu braço, acharia que Edward estava dormindo encostado em mim. Eu tinha uma mão dele em minhas pernas e traçava as linhas de sua palma com a ponta do meu dedo indicador.

- Crianças, o café da manhã já está na mesa. – Zaza falou parada na porta da sala e nos despertando de nosso mundinho.

- Já vamos. – Edward respondeu oferecendo a ela um pequeno sorriso.

Sentamo-nos os três na mesa e os únicos sons ouvidos eram do suco caindo no copo, pães sendo cortados e talheres batendo em pratos. Eu ainda estava um pouco tímida por Zaza ter me visto aos beijos com Edward. Era como se fosse minha avó vendo que eu fiz alguma travessura. Quando finalmente tomei coragem para olhar pro rosto dela com o rabo do olho, ela estava apenas com um sorriso no rosto e passava geleia em uma torrada tranquilamente.

- Bella, você não acha interessante como tem alguém nessa mesa que não para de sorrir? – Edward perguntou dando uma mordida em seu pão logo em seguida.

- Uhum. – respondi bebendo meu suco.

- O que foi? – Zafrina questionou fazendo cara de inocente, como se não soubesse que estávamos falando dela.

- Eu que quero saber. – Edward falou. – Por um acaso a senhora dormiu com alguém ontem, vovó? Deveria eu me preocupar que homens estão entrando na minha casa?

- Menino, olha o respeito!

- Só estou curioso. – ele falou. – Não sei porque, mas acho que pode ter algo com a forma que eu te desejei bom dia hoje pela manhã, Bella.

- É? – perguntei confusa. Não fazia ideia de onde Edward queria chegar com esse papo.

- Aham. Acho que alguém deve ter tido a impressão errada e achado que a gente está namorando. – ele falou olhando para Zafrina. Como assim impressão errada?

- Vocês não estão? – Zafrina perguntou abismada. – Mas a sua mãe me falou hoje...

- Eu sabia que vocês estavam fofocando! – Edward falou com tom acusatório. – O que ela te disse?

- Ela não falou nada.

- Vovó, você acabou de falar que ela te falou alguma coisa hoje.

- Menino, você tem que parar de ser curioso desse jeito. Foi uma conversa que só cabe a mim e sua mãe.

- Eu devo ter aprendido a ser curioso com você e a mamãe. O que ela disse?

- Menino irritante! – Zafrina murmurou. – Ela falou que você tinha contado a ela que tinha alguém especial para apresentá-la.

- Vocês não cansam de fofocar sobre mim, né? – ele perguntou dando um olhar de reprovação. Eu permanecia calada.

- Edward, você sabe que eu te tenho como um neto. Desculpa por ficar feliz que você finalmente tenha encontrado alguém, ou ao menos eu achei que era isso. – ela falou colocando a mão sobre os olhos, abaixando a cabeça e fungando exageradamente alto. Alice definitivamente aprendeu com Zafrina. Ela era boa.

- Merda! – Edward murmurou e Zafrina aproveitou o momento para dar mais uma fungada exagerada. – Eu só estava te provocando. Bella e eu estamos juntos.

- Eu sabia! Vocês fazem um casal tão bonito! – ela falou dando um sorriso com os olhos cheios de lágrimas de crocodilos. Eu certamente tinha que perguntar como ela fazia aquilo. – Bella, Esme não vê a hora de te conhecer!

- Ah meu Deus! – falei morrendo de vergonha. Ótimo, Zafrina já tinha fofocado sobre mim para a mãe de Edward. Há quanto tempo será que elas conversavam sobre isso?

- Viu? – Edward perguntou para Zafrina. – Não tem nem 24 horas que a gente está junto e você já está fazendo a Bella se arrepender.

- Eu não estou arrependida. – falei para ele. – É só essa atenção toda. Tem como ser um pouco menos?

- Querida, você está com Edward Cullen. – Zaza falou olhando com dó. – Se você já está preocupada com a atenção que recebe em casa, acredito que fora daqui será bem pior.

Só vi o olhar de reprovação que Edward deu a Zafrina, mas as palavras dela eram reais. Se as pessoas já comentavam dentro de casa, não era de se espantar que as de fora também fariam comentários. Jessica seria outra que não ficaria nada feliz com isso. Esse era um tópico que Edward e eu definitivamente teríamos que conversar.

Após o café da manhã seguimos para nossos quartos com o fim de tomar banho e nos arrumar para o compromisso que Edward tinha marcado para as 11h30. Como era de se esperar, Felix nos aguardava ao lado do carro. Edward e eu nos sentamos atrás como sempre, só que desta vez ele me puxou tanto para o lado dele que faltava pouco para eu estar sentada em seu colo.

- Eu estava pensando, – comecei a falar. – você não acha que é melhor manter isso em segredo?

- Isso o quê?

- A gente. Não digo pra sempre, só por alguns dias. Não acho que Jessica vai ficar muito feliz em saber do que está acontecendo entre nós, fora que pode dar uma confusão por conta do meu trabalho.

- Eu não ligo para o que as outras pessoas vão falar.

- Claro, porque você que é o famoso. Jessica vai vir cheia de pedras na mão e eu conheço a imprensa. Vão logo criar um boato que me aproveitei do meu emprego pra te seduzir e tudo que eu quero é seu dinheiro.

- Problema deles. – ele falou. – Você não deveria se importar com isso.

- Só por um tempo, Edward.

- Eu não gosto disso.

- Por quê? Só digo para não contar pra todo mundo. As pessoas que convivem com a gente tudo bem. Bom, tirando Jessica.

- Não sei. Não gosto. Faz com que eu me sinta como o babaca que te enganou. Eu estou disposto a assumir isso.

- Eu sei. Eu sei, Edward. Não estou duvidando das suas intenções, mas só acho que agora não é o melhor momento pra você sair numa entrevista dizendo que está namorando a jornalista que tinha que ficar trabalhando com você. Vamos esperar um pouco, ok?

- Se é o que você acha melhor, ok.

- Obrigada. – falei me esticando para dar um beijo na bochecha dele, mas ele foi mais rápido que eu e virou o rosto, me dando um longo beijo nos lábios. Quando nossos lábios se separaram, vi que Felix nos olhava pelo retrovisor.

- A gente está meio que junto. – falei para Felix tímida, porém com um sorriso no rosto.

- Foi meio difícil não escutar a conversa, perdão. – Felix falou. – Os senhores ao menos permitem que eu dê um conselho?

- Claro. – Edward e eu falamos em união.

- Sejam mais discretos. – aconselhou me fazendo corar e Edward rir.

Enquanto Edward fazia sua última prova de roupa antes do VMA, fiquei aguardando do lado de fora, aproveitando o momento para checar meu e-mail, ligações perdidas e mensagens que estavam em meu celular, já que não o abria desde a manhã anterior.

Havia diversas mensagens de Angela preocupada porque não havia conseguido falar comigo. Respondi dizendo que a retornaria em breve e parti para as outras. Meu e-mail continha inúmeras mensagens não lidas, mas como eu odiava escrever nas pequenas teclas no celular, dei prioridade as que eram mais importantes, como a de Alec, que falava que a revista já estava em negociações com a minha próxima celebridade e que quando tudo estivesse certo, eu seria avisada.

Após colocar tudo em dia, busquei pelo nome de meu pai em minha lista de contatos. O telefone tocou algumas vezes e eu já estava quase desistindo, até que a voz rouca de Charlie surgiu na linha.

- Alô?

- Pai! – falei dando um sorriso ao ouvir a voz que me acompanhou durante toda minha vida.

- Bella?

- Claro. Quem mais poderia ser? Será que tenho que me preocupar com irmãos espalhados por aí?

- Para de bobeira, minha criança. Como você está?

- Bem, e o senhor? E Sue?

- Estamos todos bem. Sue inventou de trazer um gato aqui para casa.

- O senhor não tinha alergia? – questionei.

- Não. Quem te disse isso?

- Você! Quando eu era pequenininha o senhor disse que esse era o motivo para não termos animais de estimação.

- Ahh sim... – ele falou aparentemente relembrando-se do dia em que havia me dito aquilo. – Aquilo era mentira.

- Pai! Não acredito que você mentiu para mim.

- Me desculpa, criança. Se te serve de consolo o bichano maldito estragou todas as cortinas. – reclamou me fazendo rir.

- Aposto que o senhor está se divertindo muito.

- Deveras. Melhor é quando ele deixa uma diversão atrás da outra para eu pisar de madrugada. Sue não para de mimar o gato, não posso nem reclamar com ela que começa a falar que eu estou virando um velho reclamão. As coisas que a gente é capaz de aguentar por amor. Desculpe ficar enchendo seu ouvido com isso, querida. Conte-me como vão as coisas. Ainda está fazendo aquele trabalho? Eu li sua última matéria. Simpático esse Peter Walters.

- Sim, foi bom trabalhar com ele. E continuo com o trabalho sim. Esse mês estou morando com Edward Cullen, o senhor já deve ter escutado falar do nome dele.

- Quando você fala não me é estranho, mas Sue que deve saber, já que entende melhor dessas coisas do que eu. Como está se saindo?

- Está sendo bem legal. Edward é ótimo, pai. – comentei.

- Hmmm. Interessante. – ele falou com ar desconfiado. – Você parece bastante empolgada desta vez.

- É. Sabe o que ouvi hoje? – perguntei mudando o assunto.

- O quê?

- A Sunday Kind of Love.

- Ah...Bons tempos.

- Sim. – respondi com certa melancolia na voz. Aquela saudade de bons tempos que nunca voltam.

- Eu sinto sua falta, minha criança. – disse nostálgico.

- Eu também.

- Você deveria tirar alguns dias de férias, largar de viver a vida dos outros e viver um pouco a sua. Vir visitar seu velho.

- Eu vou. Juro que desse ano não passa.

- Ok.

- Tenho que desligar. – falei vendo que Edward se aproximava de mim. – Diga a Sue que mandei beijos.

- Pode deixar.

- Eu te amo.

- Eu também, criança. Até mais.

- Até! – respondi fechando o aparelho.

- Seu pai? – Edward questionou ao meu lado.

- Não. Meu amante.

- Muito engraçadinha. – ele falou debochado, mas vi que estava dando um olhar suspeito para meu celular.

- Aprendi com o melhor. – respondi dando-lhe uma piscadela – Era meu pai sim.

- Como ele está?

- Bem, tirando o fato que minha madrasta arrumou um gato que está infernizando a vida dele. – contei dando uma risada. – Você já acabou o que tinha para fazer?

- Sim. Vamos almoçar e depois a gente pode partir pro evento de rádio que vou participar.

Felix nos levou até um restaurante italiano que Edward já havia frequentado algumas vezes e julgava ser bom e tranquilo. Assim que abri o cardápio, descobri o por quê do pouco movimento.

- Meu Deus, eles deveriam mudar o nome desse lugar para assalto! Eu me recuso a gastar esse dinheiro todo com comida.

- E você não vai gastar mesmo. Quem vai pagar sou eu.

- Você não vai pagar minha comida. Edward, o preço daqui é surreal. Por que a gente não vai para um lugar mais acessível?

- Porque se eu for pra outro lugar, pode ser que eu desperte a atenção dos paparazzi. Aqui está vazio e não tem um fotógrafo do lado de fora. Por que você reclama tanto? No contrato fala que eu sou responsável pela sua refeição.

- O contrato não fala das refeições que são feitas fora da sua casa. Você é responsável pela alimentação quando eu estou na sua casa, isso significa que você não pode me negar almoço ou qualquer refeição do tipo, mas não lembro de ter nada referente as nossos lanches fora de casa.

- Você era chata desse jeito com os outros famosos?

- Eu não sou chata! – respondi indignada. – Eu só não me sinto confortável com você pagando algo para mim.

- Eu vou pagar pelo almoço do Felix. Você tem algo contra isso? – Edward questionou Felix.

- Não, senhor. Já sei até o que vou pedir. – ele disse fechando o cardápio.

- Vai, para de ser chata e pede alguma coisa logo, eu também já sei o que vou pedir. Se você não pedir vou achar que está fazendo desfeita. – falou sério, tentando me ganhar com seus olhos verdes.

Acabei cedendo e pedi um prato que fez Edward bufar e rolar os olhos, mas ele não tinha feito nenhuma exigência, então pedi o prato mais barato da casa que na verdade era apenas uma entrada. Eu estava satisfeita, já que a comida estava gostosa. O problema foi quando o prato de Edward chegou e ele gemia a cada mordida de seu canelone de mussarela de búfala e tomate seco. Eu queria um pedaço.

- Tãão booom. – falou mastigando de forma exagerada e me deixando um pouco constrangida pelos sons que estava fazendo. Felix parecia nem ligar, já que estava devorando sua comida.

- Posso provar? – perguntei não aguentando mais. Meus olhos não saiam do prato dele.

- Eu pensei que você estava satisfeita com seu carpaccio. – falou cortando mais um pedaço da comida.

- Eu estou. Só queria provar um pedaço do seu... – falei tentando focar meus olhos em Edward ao invés da comida.

- Pode pedir um pra você.

- Eu não vou aguentar comer tudo.

- Ok, a gente faz um trato então. – propôs.

- O quê?

- Você não vai reclamar mais quando eu quiser pagar a comida.

- Edward, não é justo!

- Melhor canelone da minha vida. – comentou levando outra garfada até a boca.

- Argh! Tá bom!

- Boa menina! – ele falou sorrindo e cortando um pedaço para mim. Levou o garfo até minha boca e eu a abri prontamente, podendo enfim provar o maldito canelone que estava me tentando.

- Hmmm. – gemi ao sentir o gosto maravilhoso em minha boca. Edward empurrou o prato para minha frente e me deu o garfo. – Você não quer mais?

- Carrapata, – ele falou ao meu ouvido. – se for pra escutar você gemendo desse jeito eu não só te dou meu prato como peço um atrás do outro.

- Edward! – falei sentindo meu rosto corar. Olhei rápido para Felix, com medo que ele pudesse ter escutado alguma coisa, mas aparentemente não estava prestando atenção em nada além da comida à sua frente.

- Sério, gemer e depois ficar exclamando meu nome não está ajudando nada. – falou e assim que as palavras saíram de sua boca, fez questão de dar uma mordiscada rápida no lóbulo de minha orelha.

- Para de ficar me tentando! – cochichei colocando a mão na coxa dele e o olhando com reprovação.

- Carrapata, a sua mão está uns 5 centímetros da minha virilha. Quem tá me tentando aqui é você. – falou e eu cogitei por alguns segundos subir minha mão porque o jeito que ele falava realmente me dava vontade de subi-la, mas aqui não era local para isso.

- Eu estou comendo, mas eu ainda posso escutar. – Felix comentou após beber um gole de sua coca-cola.

Tem como eu ficar mais constrangida no dia de hoje? Acho que não.

Quando acabamos de comer, Edward informou a Felix que deveríamos ir para o evento da rádio, mas que antes tínhamos que buscar Jessica em sua casa.

A assessora entrou no carro e sentou no banco traseiro, deixando Edward no meio de nós. Ela começou a falar sobre as coisas que ele não deveria se focar muito em responder e que tinha que aproveitar ao máximo os momentos para falar do novo CD. Contou também que a rádio tinha uma promoção em que uma fã seria escolhida hoje para poder jantar com ele em algum dia da próxima semana. Edward ouvia tudo com atenção e eu virei o rosto para a janela, observando a paisagem.

De repente, senti algo cutucando minha perna. Virei para dar atenção a Edward, mas vi que ele ainda estava focado no que Jessica falava, mas seu dedo mindinho insistia em tocar minha coxa. Coloquei minha mão próxima da dele e tentei arrumar minha bolsa entre nossos corpos para que Jessica não pudesse ver nada. Ele segurou meu dedo mindinho com o dele e nós passamos o resto do caminho assim, de dedos mindinhos dados.

O evento que a rádio promovia era feito ao ar livre. Algumas tendas tinham shows e outras faziam transmissão direta para o rádio, onde alguns cantores davam entrevistas. Enquanto aguardava por sua vez, Edward foi direcionado para um dos vários trailers que estavam no gramado em frente ao local. Algumas fãs estavam atentas a qualquer movimento e quando o viram, fizeram questão de gritar e terem sua presença notada.

Durante o tempo que ficamos aguardando, Jessica ficou ao telefone e eu tentei me manter um pouco distante de Edward para não fazer com que a assessora desconfiasse mais ainda de que algo estava acontecendo, mas ele não parava quieto. Bastava uma troca de olhares pra ele fazer alguma gracinha, como dar seu típico sorriso que me deixava com as pernas fracas.

Quando um homem da equipe veio chamar Edward para finalmente começar a entrevista, todos nós saímos do trailer. Felix e mais alguns seguranças do local ajudaram Edward a passar pelas fãs e eu e Jessica ficamos ao lado da tenda para assistirmos a entrevista.

O entrevistador cumprimentou o cantor e comentou que era um prazer tê-lo pela primeira vez nesse evento. Conversaram sobre o novo CD e Edward manteve a mesma linha de resposta das entrevistas anteriores.

- Você costuma ler críticas logo após que seu CD é lançado?

- Eu tento não ler, mas normalmente não consigo me controlar e acabo lendo alguma coisa. – disse rindo. – Eu fico muito feliz quando os críticos entendem o que quero passar com minha música, mas é difícil agradar todo mundo, né? Sempre vai ter alguém que não está satisfeito. Quando se tem essa noção é mais fácil aceitar as críticas.

- Hoje em dia CDs não tem tanta venda como há 10, 15 anos. Um dos meios que os artistas têm arranjado para aumentar as vendas é lançar DVD. Você planeja gravar algum?

- Claro. Seria um prazer imenso ter a oportunidade de ter um show meu documentado. Está nos meus planos futuros. Enquanto isso eu vou participar da gravação do DVD de Tanya Denali. Nós temos uma música juntos e dentro de alguns dias ocorre a gravação da qual irei participar.

- Bom você citar o nome dela. Nós vimos que vocês gravaram um clipe para a famosa "Eternal", quando podemos conferir o resultado final?

- Acredito que dentro de um mês.

- Queríamos também aproveitar o momento para falar sobre os boatos que andam rolando sobre o relacionamento de vocês. Os fãs ficaram bem animados com a possibilidade de ser verdade. – o homem falou e para dar mais ênfase ao comentário que havia feito, as fãs começaram a gritar o nome de Edward e Tanya.

- Não passam de boatos. – Edward falou com finalidade, rapidamente lançando um olhar para mim.

Jessica saiu do meu lado e foi até onde Edward estava, pedindo que o apresentador não fizesse perguntas pessoais. O homem concordou imediatamente, talvez com medo que ela impedisse que a entrevista continuasse.

- Uma cosia que acho impressionante, é a quantidade de pessoas que dedicam o tempo que tem para fazer sites sobre os famosos. Você costuma conferir sites que falam sobre você?

- Às vezes. É difícil não ver algum site desses. Hoje nós vivemos na geração da internet, né? Sei muito bem disso porque graças a ela que sou famoso. Eu sou grato que as pessoas comentam sobre meu trabalho e que gastam seu tempo fazendo isso.

- Quando foi a última vez que você viu algum?

- Engraçado você tocar no assunto. Tem apenas alguns dias. Eu estou participando de uma matéria que se chama "Celebridade do Mês". – comentou e as fãs gritaram empolgadas. – E há alguns dias a incrível jornalista que me acompanha chegou a me mostrar alguns sites.

- Nós fizemos a mesma coisa antes de te entrevistar e selecionamos algumas curiosidades sobre você. Vamos ver se as fãs sabem de tudo.

- Ah meu Deus. – Edward disse rindo.

- Nós vamos selecionar 3 meninas da plateia e fazer essas quatro perguntas. – ele disse entregando um papel para Edward que tinha as questões. - Quem ganhar tem direito de participar de um jantar com você.

- Ok. Vamos começar.

O entrevistador selecionou 3 fãs e todas foram rapidamente abraçar Edward, tentando conter a emoção por estar frente a frente com um ídolo. Ele como sempre foi simpático e parecia estar gostando da brincadeira.

A grande vencedora foi uma menina chamada Jennifer, que conseguiu acertar qual o número do sapato de Edward (43) e quantos anos tinha quando tocou pela primeira vez ao vivo (8 anos. Alguém tinha soltado o vídeo no youtube. Eu teria que lembrar de procurar isso mais tarde). Edward tirou algumas fotos com as fãs e finalizou sua participação no local com uma performance.

Ao chegarmos em casa, estávamos morrendo de fome e Zafrina fez questão de preparar uma janta rápida para nós, mas recusou-se a sentar na mesa conosco, alegando já ter comido. Devoramos a comida em apenas alguns minutos e fomos para o segundo andar trocar de roupa.

Assim que tomei banho e coloquei o pijama, bati no quarto de Edward para juntar-me a ele antes de dormir. A cama dele parecia mais aconchegante que a minha, mas isso talvez seja porque ela cheirava como ele e ficar com a cabeça em seu peito era mais confortável que meu travesseiro.

- Dorme comigo hoje. – pediu ao meu lado. – Só dormir. Eu sei que com o que aconteceu com seu ex você não quer apresar as coisas, mas é só dormir.

- Ok. Só dormir.

- Sim, só isso.

E assim foi combinado. Na verdade tudo estava correndo bem, até o momento em que ele começou a beijar meu pescoço e minha mão inconscientemente passou por seu bíceps, pescoço e finalmente agarrou com força um tufo de cabelo. Ele por sua vez caminhava com a mão lentamente pela minha coxa, até que ela foi subindo e parou em minha bunda. Minha perna involuntariamente foi para cima do quadril dele e aproximei nossos corpos, notando que ele estava pronto para fazer muito mais do que dormir.

- A gente combinou de só dormir. – falei ofegante enquanto ele passava a língua vagarosamente pela minha orelha. Merda.

- Eu sei.

- A gente deveria parar, então... – disse, mas meu corpo parecia não querer largar Edward por nada.

- Aham. – ele falou cessando suas carícias e descansando o rosto em meu pescoço. Aproveitou para ir um pouco para trás e separar nossos corpos.

- Boa noite. – desejei levantando o rosto dele e dando-lhe um leve beijo nos lábios.

- Boa noite, Carrapata. – retribuiu.

Fiquei de costas para ele, que me trouxe prontamente para mais perto de seu peito, me abraçando. Fui mais para trás e juntei todo nosso corpo. Ele ainda estava excitado.

- Carrapata? Eu estou tentando pensar em cachorrinhos sendo mortos, na guerra, no fato que minha mãe provavelmente transou com meu pai e que não é mais virgem, para ver se eu consigo relaxar. A proximidade da sua bunda e meu pau não está ajudando muito pra isso.

- Desculpa. – falei me afastando e sentindo meu rosto esquentar.

- Tudo bem. – disse rindo. – Aposto que você está corada agora.

- Para de implicar comigo.

- Não consigo. Só acho engraçado que você fica tímida com uma coisa dessas. Me deixa curioso... – comentou.

- Sobre o quê? – questionei.

- Como você é na cama. – disse sem papas na língua.

- Acho que você terá que esperar pra ver. – respondi tentando soar confiante.

- É... – falou e caímos no silêncio.

- Edward? – chamei após alguns minutos.

- O quê?

- Você sabe o que eles dizem... – falei indo com meu corpo um pouco para trás e empinando meu bumbum para que ele batesse exatamente onde eu queria. – Os mais quietinhos são sempre os piores.

- Merda, Bella! – falou empurrando os quadris contra minha bunda.

- Boa noite. – falei me afastando novamente.

- Você é cruel! – ele falou saindo de perto de mim por completo e levantando da cama.

- Aonde você vai?

- Ao banheiro.

- Ah. Você vai...tomar um banho frio? – indaguei curiosa.

- Você quer que eu seja sincero?

- Claro.

- Não. Eu vou aliviar um pouco da tensão.

- Oh...

- É. Já volto.

- Hmmm...Ok.

Alguns minutos depois ele retornou e durante todo o tempo eu estava tentando não pensar no que eu sabia que ele estava fazendo dentro do banheiro. Acho que eu estava precisando aliviar um pouco da tensão também.

- Agora a gente pode dormir tranquilamente. – falou deitando-se ao meu lado e colocando o braço mais uma vez em volta de mim. – Mas por precaução mantenha seu corpo da cintura para baixo distante do meu.

- Ok. – falei rindo.

- Boa noite, Carrapata. – desejou dando um beijo em meu ombro.

- Boa noite.


*"E meus braços precisam de alguém, alguém para abraçar, para me manter aquecida quando segundas e terças ficam frias"

"um amor para toda vida e para abraçar oh e eu quero um amor tipo de domingo"


N/A: IMPORTANTE:

Quando eu comecei a escrever CdM, me comprometi a mandar os extras como RESPOSTA de review. Eu não vou mais abrir exceções para isso. Quem manda review do dia 12, recebe o extra do dia 12. Quem manda pro 2, recebe do 2, etc. Assim vai ser até o final. Espero não estar soando rude e que compreendam o meu lado.

O extra desse capítulo se chama "Não é mole". É o ponto de vista do Edward dessa parte final em que eles combinam de só dormir.

No meu profile vocês encontram o áudio da linda "A Sunday Kind Of Love" (experimentem cantar essa música assim que acordarem e torçam para um Edward da vida aplaudir no final).

Beijos e até a próxima sexta com a visita de todos os Cullen ;)