Complicações e Felicidades
- Eu te adoro, seu idiota! – Eu disse, entre lágrimas.
Sam parecia que não ia conseguir falar. Era melhor eu falar pra ele antes que ele tirasse conclusões precipitadas.
- Mas eu tenho algo muito, muito importante sobre o que pensar, agora. – Eu continuei. Sam olhou pra mim com uma cara de interrogação, e eu o puxei para dentro do salão comunal novamente. Sentamos em uma poltrona perto da lareira, e eu contei a ele toda a história sobre meus pais e Dumbledore. Quando eu terminei, um arrepio percorreu seu corpo.
- Meu pai me falou um pouco dos dementadores. Ele já viu alguns, e tenha certeza de que essa é uma experiência que ele não quer repetir. – Ele disse, preocupado.
- Eu preciso aprender a me defender deles. E preciso ser forte, se quero visitar meu pai. Dumbledore vai contá-lo que eu existo, e acho que se eu não visitá-lo ele vai acabar tentando fugir.
- Coisa que não vai dar certo. – Completou Sam. – Ninguém, nunca, em tempo algum escapou de Azkaban. Pode ficar tranqüila.
- Tenho medo de ele se machucar por minha causa. – Eu disse, abaixando a cabeça. Sam riu, e eu olhei para ele confusa.
- Liz, você nunca viu o cara. Nunca falou com ele, nem sabe se ele é inocente mesmo ou não. E mesmo assim, você já teme por ele. Você é incrível. – Disse ele com um sorriso. Eu também sorri.
- Minha mãe se apaixonou por ele por algum motivo. – Eu disse, me levantando, e dando uma pirueta com os braços abertos. – Ele não é do mal.
- Espero que esteja certa, Liz. – Disse Sam, com um ar sonhador. Nesse instante, eu senti alguém me puxando pro dormitório feminino. Hermione.
- Lizzie! Você não vai aacreditar no que os meninos me contaram! – Ela disse, claramente uma pilha de nervos.
- O que eles disseram?
- Eles me fizeram prometer não contar! – Ela guinchou, sua voz bem fina.
- Então por que você me falou sobre isso? Agora eu fiquei curiosa!
- Eu não acho que vá conseguir manter o segredo. – Mione choramingou.
- Então eu vou embora antes que você me conte, ok? – Eu tentei guardar o segredo deles, mesmo estando curiosa.
- Não, eu vou. Vou almoçar. – Ela saiu do dormitório.
- Mantenha sua boca ocupada apenas com comida! – Eu disse, antes de ela ir.
Assim que ela saiu, eu me virei para o dormitório agora vazio. Resolvi trocar de roupa, a que eu usava agora ainda estava molhada de lágrimas. Olhei pela janela e vi que já estava chovendo, como Sasha havia previsto mais cedo. Nem parecia que isso tinha acontecido apenas algumas horas antes. Parecia há dias atrás.
Troquei de roupa, colocando uma calça jeans preta e um moletom verde com capuz por cima de uma camiseta. Desci as escadas, preparada para um fim de semana que já havia começado de um jeito muito diferente.
Os dias passaram com muita facilidade depois que eu fiz as pazes com Sam. Eu procurei com ele em vários livros da biblioteca sobre como enfrentar dementadores, mas nenhum ensinava exatamente como fazer isso. Eu também passava o meu tempo entretido nas aulas, e nos deveres de casa gigantescos que os professores nos mandavam.
Quando eu percebi, já era o dia das bruxas. Eu sempre gostava de me fantasiar e sair por aí pedindo doces, mas não sabia se a escola permitiria fantasias. Depois de um dia entediante, finalmente chegou a hora do jantar. O salão principal estava estonteante. Haviam morcegos e abóboras por todo o teto do salão, e quando eu e meus amigos nos sentamos, a comida apareceu magicamente em nossos pratos.
Mas tudo o que é bom dura pouco. Assim que eu comecei a comer meu caldo de carne e legumes, o Professor Quirrel entrou desesperado no salão, com o turbante todo torto e claramente perturbado. Ele correu até a mesa de Dumbledore, ofegante.
- Trasgo... Nas masmorras... Achei que deveria lhe dizer. – Ele disse, e depois desmaiou.
Depois disso, o que antes foi um calmo jantar de Halloween virou um pandemônio geral. Crianças corriam para todos os lados, e Dumbledore teve que chamar a atenção com explosões saindo de sua varinha.
- Monitores, levem os alunos de suas casas de volta aos dormitórios, imediatamente! – Disse ele, se levantando.
Percy, irmão mais velho de Rony, nos agrupou e nos levou de volta ao salão comunal. Chegando lá, comecei a conversar com meus colegas sobre o acontecido.
- Alguém deve ter deixado o trasgo entrar. – Disse Melinda convicta. – Eles são criaturas muito burras, nenhum conseguiria entrar em Hogwarts sem ser visto.
- Bem, ele foi visto pelo Quirrel. – Disse Sam, rindo. – Vocês viram a cara dele? Parecia que ia molhar as calças de medo!
Depois disso, nos entretemos com piadas sobre nossos professores, e o assunto do trasgo foi esquecido.
Por dias, nada de mais me aconteceu. Aconteceram alguns jogos de Quadribol, mas eu não me importei em ir. Hermione, estranhamente, passou a ficar mais tempo com Harry e Rony, mas eu não quis arriscar o grande segredo deles, então manti distância. Logo chegaria o Natal, e eu fiquei surpresa ao perceber como o tempo passara rápido. Estava realmente ficando muito frio, e estava nevando bastante. Logo as férias chegariam.
- O que você vai fazer nas férias? – Perguntei a Sasha, enquanto andava com ela pelos jardins cobertos de neve. Nós éramos obrigadas a falar bem alto, pois nossos protetores de ouvido – o meu marrom peludo e o dela, rosa – impediam que ouvíssemos bem.
- Eu não sei. Vou ficar em casa... Ou seja, vou basicamente ver TV e dormir. – Disse ela, espanando a neve de seu sobretudo vermelho-vinho. Os flocos que caíam sobre seus ombros pareciam caspa.
- Eu tenho que resolver as coisas com a mamãe e o papai. – Meus olhos desceram para minhas botas pretas de neve. Chutei um montinho da neve fofa e branca, e os flocos caíram sobre uma planta congelada.
- Sabe, é muita coisa pra você agüentar. – Comentou Sasha. – Tipo, você só tem 11 anos, caramba!
- É, eu sei. – Eu ri, fechando meu casaco de couro preto até o pescoço. – Mas eu não posso fazer nada, posso? Se eu quero resolver as coisas, preciso de um pouco de estresse na minha cabeça.
Sasha riu, e continuamos nosso caminho de volta a Hogwarts.
Assim que o trem chegou à King's Cross, eu olhei pela janela para as pessoas nos esperando.
Não sei bem o que estava procurando, pois minha mãe não poderia entrar na plataforma nove e meia, mas mesmo sabendo disso, meus olhos correram pela plataforma.
Saindo do trem, eu acenei para meus amigos e seus pais e atravessei a parede que me levaria ao lado trouxa da estação. Assim que eu passei pela parede, eu vi minha mãe sentada em um banco. Assim que ela me viu, ela se levantou e veio andando em minha direção. Eu corri até ela e a abracei.
- E então, como foi o ano na escola de bruxos? – Ela perguntou, com um sorriso.
- Ótimo! E eu tenho muitas coisas pra te contar... – Eu sorri, empurrando o carrinho com meu malão e com a cesta em que Sombrio viajou.
Assim que chegamos em casa e eu terminei de arrumar minhas coisas, eu contei para minha mãe sobre as coisas que aprendi nas aulas e meus novos amigos. Ela parecia muito interessada, e sugeriu que eu tentasse ficar de reserva no time de quadribol.
- Ah, e isso me lembra... Mãe, eu sei que nunca te perguntei isso, mas você poderia me dizer o nome do meu pai? – Ela ficou olhando pra mim com uma expressão vazia.
- Quadribol e seu pai não têm muita coisa a ver. – Ela disse por fim.
- Apenas me diga o nome dele.
Estávamos as duas sentadas em minha cama, e ela deixou-se cair deitada no colchão.
- Justin. – Ela disse por fim. – O nome do seu pai era Justin Gray.
Eu engoli em seco. Isso realmente confirmava tudo.
- Mãe, você sabia que meu pai é um bruxo? – Eu disse de repente.
- O que? – Ela se levantou, ficando sentada de novo.
- Ele era capitão de quadribol da Sonserina, quando ele estava em Hogwarts. Tem uma foto dele em um livro, "O Livro de Quadribol de Hogwarts". Dumbledore me mostrou esse livro.
- Nossa. – Ela disse com uma voz rouca. – Eu gostaria de ver essa foto. Não tenho nenhuma foto dele.
- Mãe, Dumbledore me disse o que aconteceu com ele quando... Quando ele foi embora.
- Ele não te deixou porque quis. Ele foi preso em Azkaban, a cadeia dos bruxos. – Eu disse, lembrando da expressão desesperada de meu pai, na lembrança de Dumbledore.
- Como assim?
- Houve um bruxo muito perigoso, que matou muitos, inclusive os pais de um dos meus amigos. O Conselho bruxo pensou que Justin o havia ajudado, mas ele não fez isso. – Eu disse convicta.
- Ele... Ele não me deixou porque queria? Ele foi levado para esse lugar...
- Azkaban. – Eu ajudei.
- Sim, esse lugar. Ele foi levado pra lá obrigado?
- Sim. Mãe, se você soubesse o tanto que ele sente sua falta... Ele está quase morrendo de saudades. Dumbledore me disse. – Eu disse, preferindo não falar sobre a Penseira.
Mamãe ficou calada, com o olhar perdido. Eu esperei. Depois de alguns minutos, um grande sorriso se abriu em seu rosto. Ela se virou pra mim e me deu um grande abraço.
- Obrigada, obrigada! – Ela murmurava, e eu percebi que o ombro da minha camiseta no qual o rosto dela estava apoiado estava molhado de lágrimas.
Depois disso, eu expliquei para minha mãe sobre meu plano de escrever cartas ao meu pai. Ela concordou, sendo que Dumbledore as levaria. Mamãe ficou muito animada com o fato de meu pai ser liberado da cadeia em apenas quatro anos, e eu percebi que ela sorria muito mais do que o usual.
Nossa casa estava toda decorada para o natal, com exceção da árvore, que nós ainda não havíamos montado. Mas nossa lareira, que constantemente ficava acesa por causa do frio, já tinha nossas meias penduradas, e haviam velas verdes e vermelhas e um presépio de argila que eu havia feito na escola quando era pequena.
No dia 23, a árvore já estava montada, mas não decorada. Eu estava começando a pegar as decorações quando a campainha tocou. Eu abri, era Sam.
- Oi! – Eu disse, abraçando-o. Eu não havia o visto desde quando nós havíamos chegado de Hogwarts.
- Oi, bonito suéter. – Ele apontou para meu suéter de lã com um boneco de neve usando uma cartola, costurado em cores vivas.
- Obrigada. – Eu disse com sarcasmo. – Vem, entra logo.
- Arrumando a árvore?
- É, e você vai me ajudar.
Nós passamos a tarde toda decorando a minha árvore de Natal, e quando terminamos ela estava muito bonita, com bolas vermelhas, verdes e douradas e uma linda estrela no topo.
- Bem, Samuel. – Eu me virei para ele. – Você não veio aqui só pra me ajudar a arrumar a árvore, certo?
- Certo. Eu queria saber como foi... Você já falou com sua mãe, certo?
- Sim. Foi ótimo, ela ficou muito feliz, querendo ver ele de novo.
- Ela não está nem um pouco preocupada? Desconfiada? Mentalmente perturbada? – Estranhou Sam.
- Claro que não, seu besta. – Eu mostrei a língua pra ele. – Ela ama meu pai, e meu pai a ama.
- E a única coisa que os separa é Azkaban. – Completou Sam. – Ei, você não quer enviar uma carta pra Dumbledore falando disso? Posso te emprestar a Nuvem.
- Sua coruja? – Sam acenou positivamente com a cabeça. – Pode ser. Vem comigo.
Levei Sam pro meu quarto, passando pelo quarto da minha mãe, onde ela estava lendo um livro. Sam a cumprimentou e ela sorriu um sorriso muito grande.
- Ela tá feliz mesmo, hein? – Sam comentou, quando chegamos ao meu quarto. Eu peguei um pergaminho, uma pena e tinta do meu malão e me sentei à minha mesa.
- "Caro Dumbledore," – Eu escrevi, falando em voz alta. Sam se sentou em minha cama. – "Gostaria de lhe informar que minha mãe, Natalie Berth, está muito feliz em saber que meu pai, Justin Gray, está bem. Ela deseja visitá-lo, assim, como eu."
- Tá indo bem, continue. – Disse Sam, que tinha pegado uma bola "pula-pula" e estava quicando-a, sentado na cama.
- Hm. – Eu pensei, molhando a pena no vidro de tinta. – "Esperamos que, assim que possível, o senhor possa informar o senhor Gray da minha existência."
- Essa foi boa, ficou engraçada. – Sam riu alto. – Mas ficou boa, podia ter sido pior. Deixa assim.
- Ok. "Assim que terminarmos nossas cartas para meu pai, eu e minha mãe as enviaremos ao senhor, para que o senhor possa entregá-las a Justin, em Azkaban." – Eu continuei. – "Tenha um feliz Natal, diretor Dumbledore." Será que eu devia mandar algum presente para ele?
- Talvez. – Respondeu Sam. – Ah, manda um doce trouxa. Ele gosta dessas coisas.
Lembrei-me de uma caixa de chicletes, balas e chocolates que havia em nosso armário. Fui rapidamente pegá-la e acrescentei na carta: "Espero que goste desses doces trouxas. Respeitosamente, Elizabeth Berth." Li a carta novamente em voz alta e a coloquei em um envelope. Enderecei o envelope e dei a Sam junto com a caixa de doces para que ele enviasse.
Quando Sam foi embora, eu me lembrei que eu ainda tinha que comprar presentes para meus amigos. Saí com minha mãe no dia seguinte e comprei um relógio prateado para Sam, uma pulseira para Mel, uma bolsa para Sasha, um livro trouxa para Hermione e caixas de doces trouxas variados para Harry e Rony. Na volta, passei na casa de Sam para que ele enviasse meus presentes junto com os deles.
- E o meu? – Ele exigiu.
- Só no Natal, Sam. – Eu ri, e voltei para casa com minha mãe.
No dia seguinte, eu acordei e vi, perto de minha cama, uma pilha de presentes. Chamei minha mãe e fui abrindo um por um. Hermione me dera o livro "Quadribol através dos séculos", Rony me dera uma caixa de feijãozinhos de todos os sabores, Harry me dera uma caixa de sapos de chocolate, Mel me dera um conjunto de arcos de cabelo combinando, Sasha me dera uma camiseta vermelha com desenhos em preto.
Minha mãe ganhou uma garrafa de vinho de um dos colegas do escritório, e um colar de uma amiga. Além disso, eu dei para ela um presente que eu havia comprado há um tempo: uma flor de cristal transparente, que ela colocou na mesa de seu quarto como uma decoração.
Foi aí que eu ouvi um pio vindo do meu quarto. Era uma coruja marrom-escura, com uma carta e um pacote. Peguei a carta e me surpreendi, pois ela era de Dumbledore.
"Olá, Elizabeth.
Fico feliz que sua mãe tenha encarado bem a notícia. Falarei com Justin antes de as férias acabarem, já marquei com o Ministério. Quando chegar em Hogwarts, entregue-me sua carta e a de sua mãe. Estou enviando para vocês também algumas fotos de Justin Gray, talvez vocês gostem.
PS: Eu gostei muito dos doces trouxas, e estou te mandando uma caixa de, em minha opinião, deliciosos pirulitos de frutas. Tenha um feliz Natal."
A letra de Dumbledore era fina e inclinada. Ao abrir o pacote, vi, além da caixa de pirulitos, três fotos de meu pai. A primeira era a que eu havia visto no Livro de Quadribol de Hogwarts. A segunda era uma dele abraçado ao Dumbledore, os dois com grandes sorrisos no rosto, e apertando as mãos. A terceira, para a qual eu fiquei olhando por muito tempo, era uma foto trouxa dele com minha mãe, os dois bem novos, e se abraçando. Nessa foto, eu podia ver o quanto eles eram felizes juntos. Eles realmente se amavam muito.
Depois de olhar para a foto mais um pouco, eu a dei para minha mãe.
- O que é isso? – Ela disse, emocionada.
- Um presente. – Eu disse apenas, e fui trocar de roupa.
Pouco tempo depois, eu estava usando calças jeans, um suéter lilás sobre uma blusa de mangas compridas, meus tênis de cano alto roxo e um dos arcos de cabelo que Mel me deu; esse era azul com desenhos em roxo.
Eu coloquei a foto do meu pai segurando seu colar em um porta-retrato, e coloquei esse porta-retrato na minha mesa. Deixei as outras fotos com minha mãe, e ela colocou a foto trouxa em seu quarto e a foto com Dumbledore na sala.
Depois de me despedir de minha mãe e pegar o presente de Sam, eu fui para a casa dele. Minha mãe também havia comprado um presente para os pais de Sam, que eu entreguei para a mãe de Sam assim que ela abriu a porta para mim.
- Muito obrigada, Lizzie! Agradeça à sua mãe, por favor. Pode entrar, o Sam está no quarto. – Disse Helen.
Entrando no quarto do Sam, ele estava jogando seu videogame. Eu bati na porta e ele olhou para mim.
- Oi, Liz! Ganhou muitos presentes? – Eu acenei positivamente com a cabeça, e ele apontou para um monte de papéis presente rasgados em meio aos presentes que Sam ganhara.
- Aqui, o seu presente. – Eu estendi o embrulho para ele.
- Uau, obrigado! – Ele exclamou, ao abrir. – Vai me ajudar a não chegar atrasado às aulas.
- Comprei pensando nisso. – Eu ri.
- Ah, aqui está o seu. – Sam jogou um embrulho prateado para mim, que eu abri. Era uma máquina fotográfica automática.
- Que legal! – Eu agradeci, e mirei Sam com a máquina. – Você vai ser a primeira vítima da paparazzi Lizzie!
Sam fez uma careta e eu tirei a foto. Logo ela saiu por uma abertura na frente da máquina.
- Essa não ficou boa. Faça uma cara normal, Sam. – Eu disse, colocando a foto engraçada na minha bolsa. Sam olhou pra mim sorrindo, o sol entrando pela janela e fazendo seus olhos castanhos brilharem. Eu apertei o botão da máquina, e peguei a foto que saiu dela. Estava linda.
- Essa ficou ótima. – Eu sorri abertamente. – Vou virar uma fotógrafa profissional!
- Claro, claro. – Sam caçoou.
- Não vou ficar aqui ouvindo bobagens de você. – Eu me levantei, rindo. Sam me segurou pelo braço, me impedindo de ir embora. Um arrepio atravessou o meu corpo todo.
- Não, fique. – Ele disse. Eu me virei pra ele e engoli em seco. Seu rosto estava a menos de cinco centímetros do meu.
- Ok, eu fico. – Eu murmurei, minha voz fraca. Sam sorriu e puxou meu braço, me envolvendo em um abraço. Eu podia sentir minhas bochechas ficarem muito vermelhas.
- Vai ser minha melhor amiga pra sempre, Liz? – Ele falou.
- Só se você for meu melhor amigo pra sempre. – Eu repliquei.
- Sempre e sempre. – Ele apertou mais o abraço antes de me soltar.
- Lizzie! – Eu ouvi Helen chamar. – Sua mãe está aqui!
Saí do quarto de Sam com ele, e vimos nossos pais conversando, sentados no sofá da sala. Os pais de Sam agradeciam mamãe pelo presente que ela havia os dado, e mamãe os agradecia pelo presente que eles haviam a dado; um quadro de um artista bruxo, pelo que entendi.
Assim que me viu, mamãe se levantou e abraçou a mim e Sam ao mesmo tempo.
- Olá, senhora Berth. – Disse Sam sorrindo.
- Oi, Sam. Lizzie, você não estava voltando, então eu vim te buscar. Ainda temos que fazer o almoço de Natal.
- Vocês podem almoçam conosco! – Helen ofereceu. – Temos comida e espaço de sobra, não é, Rob?
- É claro. – Disse o senhor Hanson, sorrindo. – Vamos lá, Natalie.
- Bem... – Disse minha mãe, indecisa.
- Por favor, senhora Berth! – Pediu Sam.
- Ah, ok. – Minha mãe finalmente aceitou o convite.
O resto das férias foi como o resto da tarde: divertido, numa atmosfera quente, mesmo estando nevando. Mamãe e eu passamos muito tempo com a família de Sam, e eu também visitei e recebi visitas de Hermione, Mel e Sasha. As férias passaram muito rápido.
No dia de ir embora, eu e minha mãe fomos com Sam e seus pais para a parede que levava até a plataforma nove e meia. Minha mãe beijou meu rosto.
- Não se esqueça da minha carta. – Ela me lembrou pela milésima vez.
- Não vou esquecer.
Os pais de Sam ficaram na parte trouxa da estação nove e meia com minha mãe, enquanto Sam e eu atravessávamos a parede e entrávamos no trem. Chegando a Hogwarts, encontramos nossos amigos e eu reorganizei minhas coisas no dormitório. Assim que terminei, fui sozinha até a estátua da águia que levava à sala de Dumbledore e me esforcei para me lembrar da senha.
- Pirulitos de limão! – Eu exclamei, em uma lembrança repentina. Mas nada aconteceu com a estátua. Ela não se moveu, mostrando uma escada. Apenas ficou como estava antes.
- Chicletes tutti-frutti. – Ouvi uma voz rouca e firme falar atrás de mim. Me virei e vi Dumbledore.
- As senhas mudam de tempos em tempos, Elizabeth. – Disse ele, enquanto a escada aparecia e nos levava à sua sala.
- Aqui estão as cartas. – Eu o entreguei os dois envelopes.
- Ah, muito bem, senhorita Berth. Como foram suas férias? – Ele perguntou sorrindo.
- Foram divertidas. E as suas?
- Foram deveras interessantes. Eu falei com Justin.
- E como foi? – Eu perguntei ansiosa.
- Gostaria de ver? – Perguntou ele, retirando mais um vidrinho da estante e jogando o conteúdo em sua Penseira.
Novamente, mergulhamos nas lembranças recentes do diretor Dumbledore. Estávamos em frente da mesma cela. O mesmo homem estava lá, com a mesma expressão desolada. E havia dois Dumbledores, uma lembrança e um verdadeiro.
- Justin, eu falei com Natalie. – O rosto de meu pai se iluminou.
- Mas... Da última vez, você disse que...
- Houve uma mudança de circunstâncias. Acontece que Natalie tem uma filha.
- Uma filha? – Justin ecoou, sua face se contorcendo em tristeza. – Ela está casada?
- Não.
- Namorando?
- Não que eu saiba.
- Então o maldito a abandonou? – Agora meu pai estava furioso.
- Não. Ele não pôde evitar. – Dumbledore sorriu e olhou para Justin por cima de seus óculos meia-lua. – Ele foi preso, sem sequer saber que a criança existia.
A expressão de meu pai foi se alterando enquanto ele percebia o que Dumbledore queria dizer. Seu sorriso mal cabia no rosto, e eu fiquei emocionada por ele gostar tanto de saber que eu existia.
- Eu... Sou pai? – Justin falou, num misto de alegria descontrolada e surpresa.
- Ela tem seus olhos. E seu medalhão. – Disse Dumbledore, fazendo o sorriso de meu pai aumentar ainda mais. Ele se levantou de sua cama e tentou abraçar Dumbledore por entre as grades.
- Posso contar a sua filha que você está feliz em saber sobre ela existir? Ela estava um pouco apreensiva quanto a isso.
- Diga a ela que eu a amo! – Gritou Justin, levantando os braços. – Diga-a que eu vou sair logo desse buraco para poder vê-la!
- Ela mesma está desesperada para poder visitá-lo. E vai te escrever uma carta.
- Isso é mais do que mereço. – Refletiu meu pai. – E... Qual o nome dela?
- Elizabeth. – Dissemos eu e Dumbledore ao mesmo tempo. Eu não havia reparado, mas estava chorando muito.
- Elizabeth Berth Gray... – Disse meu pai com um sorriso. – Soa bonito, não?
- É claro, Justin, é claro.
E então estávamos de volta ao presente.
Dumbledore me estendeu um lenço, com o qual eu sequei minhas lágrimas de emoção.
- Vou entregar as cartas amanhã. - Disse Dumbledore.
- Obrigada. – Eu murmurei, e saí da sala, voltando ao salão comunal da Grifinória.
Chegando lá, falei tudo sobre isso com Sam, Mel e Sasha, que ficaram muito felizes por mim.
Os próximos dois dias passaram se arrastando, e eu finalmente pude falar com Dumbledore.
- Ele gostou muito das cartas. Guardou-as, e disse que mal pode esperar para conhecer a senhorita. – Disse Dumbledore quando eu o abordei na mesa dos professores.
- Obrigada, senhor. – Eu disse com um sorriso, e voltei à mesa da Grifinória.
OOIII POVO! Aqui estou, dando a vocês o maior capítulo que eu já postei! Na verdade, esse cap foi meio chatinho, mas férias é assim mesmo.
Lina prongs: sim, sim, o papi da Lizzie é inocente e sai da cadeia daqui a pouquinho! Continue lendo!
Bru B. M.: a Lizzie ainda é muito novinha pra ser dramática e/ou sair dando murros por aí! Deixa a garota! Talvez eu voe no tempo, ainda não sei. Hm. Vai ficar no suspense por enquanto. Beijos :*
Alexia Black Potter: olá, minha nova leitora! A Lizzie vai jogar quiddich, espera só pra ver. E a história dos pais dela é muito linda e elaborada! Sim, Malfoy é retardado, mas acho que o Neville é bom demais pra Mel. E nada de Sasha com Fred! Ele é só meu! Mas eu ainda não sei bem o que vou fazer com ele, então fica na reserva. Continue acompanhando, viu?
F. Ismerim Snuffles F.: talvez, mas ele era da Sonserina/fato. E eu repito, Draco é PODRE.
Liana Ross: E esse aqui é o maior de todos os caps, melhor ter bastante tempo! Sam é só fofura, né? Beijos!
Marydf Evans Cullen: Sem comentários pra você, sua chata. Cabeça de pudim de abacate com M&Ms verdes por cima.
Beijos, meus leitores! Amo todos vocês! Cliquem no botaozinho verde aí em baixo!
PS: Aonde estará Paulinha Potter Cullen, ó meu Merlim?
Beijos :*
