XIII – Hatake Kakashi: Um pai despreocupado

Anouk subiu pelo monte a cima em direcção á floresta, as lágrimas caiam-lhe pelo rosto. O menino parou junto a uma grande arvore, a sua raiva estava a aumentar rapidamente. Furioso o filho dos sanins deu um forte pontapé na arvore que estremeceu. Durante 10 minutos o tronco da grande arvore foi o saco de pancada de Anouk, este já tinha as pernas vermelhas e os nós dos dedos a sangrar.

- assim é que é um bom treino! – gozou Kimimaro aproximando-se. De repente Anouk não fez ideia do que lhe passou pela cabeça, mas naquele momento correu na direcção do amigo e começou a ataca-lo.

Kimimaro evitava os ataques de Anouk facilmente.

- podes para com isso?! – ordenou Kimimaro dando um forte pontapé a Anouk.

O filho dos sanins caio ao chão e rebolou uns metros, a criança levantou-se ligeiramente com a cabeça baixa as lágrimas ainda caiam no chão. O mestre dos ossos aproximou-se da criança agarrou-o pela gola da camisola e levantou-o.

- ouve meu estupor! Pareces uma mosquinha morta! – gemeu Kaguya sacudindo o menino no ar – achas que assim vais a algum lado, a combateres dessa maneira? – gritou ele aproximando o rosto do menino ao seu. – se quiseres! Eu ajudo-te, mas acredita que vai ser difícil!! E se continuares a ser um menino da mama não vais conseguir ir a lado nenhum! Pensa nisto que te disse! – rosnou Kimimaro atirando Anouk para o chão. O jovem chunnin desapareceu na escuridão, Anouk deixou-se ficar caído no chão com as lágrimas nos olhos.

- Anouk!! – gritou a mãe com a voz fina, o filho não se mexeu, Shizune aproximou-se juntamente com Jiraya

- estás bem? – perguntou Shizune puxando o rapazinho

- porque é que vieram atrás de mim? – perguntou Anouk chateado com a cabeça baixa.

- ó meu filho! Desculpa por estares a passar por isto tudo! – soluçou Tsunade espremendo o filho contra o peito.

- Jiraya.. – chamou o menino, o sanin tremeu.

- sim? – perguntou ele

- podes levar-me a casa? – pediu o filho sem levantar a cabeça

- claro… -respondeu Jiraya.

Anouk desprendeu-se da mãe, e sem dizer nada começou a caminhar sozinho, Jiraya seguiu-o, Shizune e Tsunade voltaram a festa para se despedirem do Kazekage.

- o que se passa Anouk… - perguntou Jiraya rompendo o silencio.

- Jiraya eu quero que me treines… amanha de manha cedo pode ser? – pediu o filho limpando o sangue das mãos.

- Anouk porque é que estas com tanta pressa? – perguntou o sanin, mas ao ver os olhos do filho romperem-se em lágrimas, Jiraya decidiu reformular a sua pergunta.

- está bem… a que horas é que queres?... – perguntou ele num suspiro.

- antes das aulas, quando o sol nascer estarei pronto aqui…. – respondeu o filho entrando em casa.

Anouk dirigiu-se ate ao seu quarto enquanto Jiraya ia buscar um kit de primeiros socorros a casa de banho.

- não é necessário isto é só um arranhão – disse Anouk, mas Jiraya fez questão de curar as mãos do filho.

- vá agora descansa que amanha vais ter um treino difícil! – disse Jiraya deitando o filho na cama.

- está bem… - concordou o menino

Anouk rapidamente adormeceu, e Jiraya ficou em casa ate que Tsunade chegasse. Não demorou muito para que isso acontecesse, pois ao fim de 40 minutos a sanin já estava a invadir a casa.

- onde está o Anouk? – perguntou ela nervosa

- está bem… está a dormir… - respondeu Jiraya calmamente.

- Jiraya… amanha precisava que ficasses com ele a tarde… - pediu a sanin

- não posso… amanha tenho uma coisa importante a fazer… - disse Jiraya sem adiantar mais nada.

- mas eu não quero que ele fique sozinho… - começou Tsunade, mas foi interrompida pelo sanin.

- Tsunade, tu querendo ou não o teu filho está a crescer! E tens de te mentalizar disso! um dia ele vai sair de casa! Ele vai fazer a sua vida! Não o podes impedir de crescer, por isso deixa-o ele começar a fazer as suas escolhas! – disse Jiraya com o rosto vermelho da raiva. Tsunade não disse nada, e o sanin saio da casa por sua própria vontade.

Tsunade ainda em choque deixou-se cair no sofá.

- ele fala como se eu e que tivesse a culpa! – rosnou Tsunade baixinho.

-Tsunade… não é eu estar do lado do Jiraya… mas… em certa forma… se o tivesses perdoado à 10 anos atrás… o Anouk não estaria a passar por isto agora… - gemeu Shizune nervosa. A sanin deixou cair ligeiramente o queixo chocada com a reacção da amiga.

- é a minha opinião…. – disse ela para tentar suavizar o choque.

Tsunade enterrou a cabeça nas mãos, a amiga sentou-se ao lado passando-lhe as mãos pelas costas.

- eu já não sei o que fazer… - gemeu Tsunade.

- agora a única coisa que podes fazer é deitar-te e dormires que bem precisas! – disse Shizune com um sorriso.

-vais a algum lado? – perguntou Tsunade levantando-se e dirigindo-se para o quarto

- er… sim… o Genma perguntou se eu queria ir beber um copo… mas não volto tarde… - disse ela esfregando a mão na cabeça meio envergonhada.

- faz o que quiseres eu não sou tua mãe… - sussurrou Tsunade com um sorriso. Shizune retribuiu o sorriso e saiu.

Na verdade desde que Tsunade, Shizune e Anouk tinham ido para Konoha, que os dois andavam muito íntimos. Tsunade nunca questionou nada acerca da relação entre os dois, pois para ela era bem claro o que se estava a passar. A sanin entrou dentro do quarto e atirou-se para cima da cama a pensar em tudo o que tinha ocorrido naquele dia.

- Jiraya estúpido! – rosnou ela a pensar em tudo o que ele lhe tinha dito. O dia tinha sido cansativo e atarefado, rapidamente a hokage descontraiu e adormeceu.

No dia seguinte quando Jiraya chegou já Anouk transpirava por ter estado a fazer flexões e abdominais.

- não devias de te ter cansado olha que o treino vai ser puxado! – anunciou Jiraya ao entrar no quintal.

- só estava a aquecer um pouco… - respondeu o menino a sorrir.

Era bom ver o filho a sorrir novamente depois de tanto choro e sofrimento.

- então vais aperfeiçoar as minhas técnicas? – perguntou o filho entusiasmado

- não… se tu já as sabes eu não sirvo de nada, só tu as podes aperfeiçoar, e estás aqui só a dizer para repetires o exercício acho que é perda de tempo! – respondeu Jiraya pousando uma mochila no chão. Era exactamente isso que Anouk queria ouvir, o menino levantou-se do chão e correu até ao pai.

- o que tens ai? – perguntou o menino curioso.

- isto aqui são balões de agua… - respondeu o sanin.

- balões de agua? – repetiu o filho confuso – EU ACHO QUE PEDI PARA ME TREINARES! E NÃO PA FAZER GUERRA DE BALOES DE AGUA! – gritou o filho zangado. Jiraya ficou com os olhos brancos com o susto quando o filho gritou.

- Calma meu rapaz! Paciência é uma virtude! – respondeu o sanin ainda com o coração acelerado. – o que eu te vou ensinar, é isto! – disse Jiraya esticando a palma da mão para o céu. O filho prestou máxima atenção, e a sua cara ficou com uma expressão bastante surpreendida quando viu uma grande bola azul a formar-se na palma da mão do amigo.

- bem… viste este jutso com atenção? – perguntou Jiraya fechando a mão.

- acho que sim…. – respondeu Anouk.

- como é que o viste? – perguntou o pai

- bem… vi uma grande bola, a girar em varias direcções…- arriscou ele a dizer.

- hummm… podes ir por ai… - respondeu Jiraya

– diz-me… tu sabes o método de escalar? -

Anouk abanou a cabeça afirmativamente.

- e sabes caminhar por cima da agua..? –

O filho voltou a abanar a cabeça dizendo que sim.

- sabes dizer-me alguma diferença entre elas? – perguntou o sanin.

- bem… para escalar arvores o chakra é concentrado e mantido na parte do corpo em que é necessário para nos agarrar-mos, enquanto quando se caminha na agua o chakra é libertado constantemente de maneira uniforme… - respondeu o filho com firmeza.

- Muito bem… só que agora é diferente, agora com o treino nos balões de agua vais ter de treinar uma correnteza de chakra, ou seja vais faze-lo girar… utilizando as técnicas que aprendeste antes claro… - explicou Jiraya.

- sim… estou a perceber… - disse o filho

- primeiro tens de concentrar e manter o chakra na palma da mão, e ao mesmo tens de o libertar, para conseguires que a agua dentro do balão gire com o chakra. – continuou o sanin.

- aahh já estou a perceber, vou ter de fazer a agua girar tão depressa para rebentar o balão! – respondeu Anouk.

- exactamente! – disse Jiraya felicitando o filho

- humm concentrar e libertar o chakra hem? Isso vai ser um pouco complicado… - anunciou o menino nervoso.

- pois vai…. Bem, vem ter comigo quando conseguires! – disse Jiraya

- para onde vais? – perguntou o filho surpreendido.

- vou á minha vida… isso vai demorar muito! Acredita… - respondeu o sanin virando costas.

- vai demorar como assim? – perguntou Anouk assustado

- essa técnica foi criada pelo quarto Hokage, e ele só a conseguiu controlar ao fim de 3 anos! E já era Hokage! – disse ele saindo do quintal.

Anouk ficou tão chocado ao ouvir aquilo que quase caiu ao chão.

- três anos?... – repetiu ele assustado.

- não te preocupes hás de conseguir! – disse Jiraya afastando-se

- Três anos… - repetiu ele… - tenho de me esforçar! – disse ele agarrando num balão de agua para iniciar o seu treino.

Jiraya afastou-se do quintal, e começou a andar na direcção do centro da aldeia, mas ao contornar a casa da Hokage algo o puxou.

- estás doido? Perdeste o juízo? - rosnou Tsunade esmagando Jiraya contra a parede.

- doido não… mas em breve estarei morto se não me largares – gemeu ele já com falta de ar – ai que feitio que esta mulher tem! – sussurrou o sanin agarrado à garganta.

- o que te passou pela cabeça para ensinares aquela técnica ao Anouk! – rosnou a Hokage.

- calma Tsunade ele à de conseguir – respondeu Jiraya desembaraçando-se dos braços da sua amada.

- Jiraya eu sei que ele está a crescer, mas ele não está o homem que tu pensas… ele só tem 10 anos! – disse Tsunade com a intuição de quem estava a lembrar alguma coisa a alguém que já se tinha esquecido.

- eu sei Tsunade mas ele é diferente! – respondeu ele olhando com orgulho para o filho. – ele é filho dos dois maiores Sanins de Konoha, e é super dotado, eu com a sua idade não tinha metade do seu talento! Eu sei que ele vai conseguir! – respondeu o Sanin.

Tsunade fintou o filho preocupada, e por fim desprendeu Jiraya.

- onde vais? – perguntou ela

- tratar de uns assuntos – respondeu ele sem mais pormenores.

- Anouk! – chamou a mãe. O menino olhou na sua direcção. – Anouk, eu vou para o escritório! Quando forem horas vai para a escola! – disse Tsunade começando a ir-se embora.

-está bem mãe! – respondeu o menino, voltando-se a concentrar no treino.

Quando o relógio de Anouk indicava as 7.50 da manha, o filho dos sanins agarrou a mochila da escola e desatou a correr até à escola. A sua mão direita estava ligeiramente dorida o que o incomodava um pouco a escrever.

- Calma Tsunade vais ver que não é nada importante – dizia Shizune tentando acalmar a amiga que rasgava papeis irritada.

- ele sempre me disse o que fazia, agora deixou de dizer! Ele está a tramar alguma! – rosnava a imperativa hokage.

- calma… não fiques nervosa! – era a única coisa que Shizune conseguia dizer. – olha porque é que não vamos dar um passeio?, para ver se consegues acalmar-te! – sugeriu a ninja medica já em desespero.

A hokage levantou a cabeça e acabou por concordar. As suas saíram do escritório e deram uma volta pela vila. Embora não fosse o seu dia de folga, Tsunade estava a relaxar com passeio, mas de repente o seu coração quase que parou. A Hokage começou a tremer de raiva, sem saber o que se estava a passar Shizune olhou para a onde Tsunade estava a olhar. A ninja medica sentiu um arrepio gelado a subir-lhe pelas costas, numa janela de um café era visível Jiraya a beber na companhia de uma bonita senhora, os dois conversavam-se e riam-se. Um novo aperto surgiu no coração de Tsunade quando viu a mulher a esticar dois anéis a Jiraya que aparentemente estava a adorar aquilo tudo.

As lágrimas surgiram nos olhos da ninja medica que virou costas e voltou para o seu escritório trancando-se neste.

- Tsunade! Por favor abre a porta, pode ser um mal entendido. – gritou Shizune

- Tu viste o mesmo que eu! Era por isso que ele estava tão ocupado! – gritou Tsunade do outro lado

- Amiga! Não tires essas conclusões já!! Fala com ele primeiro! – Gritou novamente a ninja medica

- Chama-me o Kakashi! Diz-lhe que é urgente! – ordenou a Hokage entre soluços

A amiga tremeu ao ouvir aquele nome, mas como sabia que era uma ordem não podia desobedecer e assim foi executar o pedido.

À tarde quando as aulas terminaram, Anouk despediu-se dos amigos e correu rapidamente em direcção as montanhas, onde o seu amigo Kaguya se encontrava.

- ninguém sabe que estás aqui? – perguntou o mestre dos ossos

- ninguém! – confirmou o mais pequeno

- muito bem! Quero que apagues a tua presença de espírito para ninguém detectar que estas aqui! – ordenou Kimimaro.

- então que vamos fazer? – perguntou o menino entusiasmado.

- a tua maneira de lutar deixa muito a desejar… vamos começar pelo Taijutso! – respondeu o Chunnin.

- Muito bem! – concordou o filho dos sanins.

- mas fica a saber que não vou ser nem meigo nem piedoso! – anunciou Kaguya

- Não faz mal! Assim o combate fica mais interessante! – respondeu o amigo.

Quando o combate começou o relógio apontava as 15 horas da tarde, ao fim de quatro horas Anouk cai no chão exausto.

- ai não posso mais tu és muito forte! – gemeu o menino cheio de dores e hematomas por todo o corpo.

- Vai para casa e dorme! Amanha vai ser pior! – rosnou Kaguya

- como e que vou explicar a minha mãe estas feridas todas? – gemeu o menino limpando o sangue dos nós dos dedos.

- Toma isto! – disse o mais velho atirando um frasco ao amigo. Basta despejares 3 gotas num prato de agua e passares por cima das feridas… amanha já não tens nada! – disse ele esclarecendo Anouk.

- hoo muito obrigado Kaguya! Amanha cá estarei! – disse o filho da hokage despedindo-se do amigo.

Quando Anouk chegou a casa, ainda ninguém lá estava, o menino foi rapidamente fazer o tratamento as feridas e vestiu de seguida o seu pijama para que ninguém reparasse nelas. Preparou um grande copo de leite e meteu uma torrada a boca. Exausto do seu primeiro dia de treino, Anouk esticou-se no sofá a ver televisão, mas como o cansaço era tanto o menino deixou-se adormecer.

Uma mão quente esfregou os seus cabelos, Anouk abriu ligeiramente os olhos… estava ali alguém que não pertencia aquela casa. A criança respirou fundo encheu-se de coragem e deu um salto fugindo do sofá.

- quem és tu? – perguntou ele a um ninja completamente coberto dos pés à cabeça.

- não te preocupes não vais sofrer mais… meu filho! – respondeu o ninja.

Anouk estremeceu ao ouvir aquilo.

- p… p…pa….pa….pa… pai? – gemeu o menino todo a tremer.

- vamos não temos tempo a perder… - disse o ninja tentando aproximar-se da criança que habilidosamente escapava.

- afasta-te de mim traidor! – gritou o filho

- filho compreendo que estejas chateado mas depois explico. – respondeu o ninja

- se queres explicar pordes começar! Mostra-te! – ordenou o filho

- Não! Não há tempo para isso! – disse ele, mas foi interrompido por Anouk

- Não! Há mais do que tempo! Há muito tempo! Á 10 anos que espero por este momento! Vais pagar por todo o mal que nos fizeste! – gritou Anouk saltando no ar na tentativa de esmurrar o seu pai, mas este desviou-se a tempo.

- Não fujas cobarde! – gritou Anouk a ferver de raiva, saltou mais uma vez no ar mas desta vez foi mais rápido. O filho atacou o pai de varias maneiras, mas este defendia-se de todos os seus ataques. Já em momento de desespero Anouk invoca um Katon no meio da sala para distrair o pai, quando isso aconteceu o filho lançou-se por trás ao pescoço do pai.

- Apanhei-te! Agora diz-me quem és… - ordenou Anouk novamente, mas de repente a sua atenção foi desviada para a porta da rua, onde ouvia a sua mãe a chegar. – estás tramado! – disse Anouk com um sorriso.

- Nem penses nisso! – respondeu o pai. Em segundos o ninja deitou as mãos as costas agarrando Anouk e projectou-o contra a porta da rua. Tsunade e Shizune ficaram com os olhos brancos quando viram a criança a atravessar a porta que se partia em mil pedaços.

- ANOUK O QUE SE PASSA? – Gritou Shizune

A criança não respondeu limitou-se a ficar deitado no chão a sorrir enquanto via uma sombra a fugir pelo telhado da casa.

- o filho da mãe fugiu! – disse ele

- Anouk que linguagem é essa? – rosnou a mãe doida de preocupação.

Anouk continuou a sorrir quando se apercebeu que tinha algo na mão. Era um fio que tinha arrancado do pescoço do ninja. O menino observou-o, era o símbolo de Konoha com o seu nome gravado.

- é mesmo ele! – disse Anouk

- ele quem? – perguntou Tsunade

- o meu pai! – respondeu o filho quase como se fosse um segredo. – ele tentou levar-me… mas eu defendi-me.. e arranquei-lhe isto! – disse ele mostrando o fio à mãe.

- ele esteve mesmo aqui! - disse Shizune contemplando o fio.

Apesar do cansaço Anouk não conseguia dormir naquela noite, o facto de o seu pai ter aparecido ao fim de 10 anos e de o querer levar era motivo de estar excitadíssimo ao ponto de não conseguir descansar. No dia seguinte de manha Anouk foi fazer o seu treino com os balões de agua, ele estava tão zangado e tão feliz ao mesmo tempo que em poucas tentativas o filho da Sanin conseguiu rebentar com o balão.

- Muito bem! Fizeste progressos em apenas 2 dias! – gritou Jiraya do outro lado do jardim.

-sim! Então e o que faço agora? –perguntou o menino bastante entusiasmado.

- bem… agora vais fazer isso, mas agora com bolas de borracha… - disse ele.

- o que? – perguntou o filho decepcionado.

- vá lá não te queixes! Queres ficar forte ou não? – disse Jiraya a sorrir, quando reparou num fio que Anouk trazia ao pescoço. – que coisa é essa? – perguntou ele

- hey cuidado com isto! – resmungou o menino – isto é do meu pai… ele ontem esteve aqui! –

- ai foi? – perguntou o Sanin confuso

- sim ele tentou levar-me… mas não conseguiu… - respondeu o filho a sorrir – bem agora tenho de ir para as aulas… Adeus! – despediu-se ele a sorrir.

Apesar de não estar a perceber o que se estava a passar, Jiraya teve um pressentimento de que não ir falar com Tsunade, mas sim vir ela falar consigo.

- olá Kaguya… - cumprimentou Anouk depois das aulas

- estás atrasado! – rosnou Kimimaro

- Desculpa… não foi fácil despistar a minha mãe… - desculpou-se o menino.

- não quero saber disso… mas sim de outra coisa… - gemeu Kimimaro

- o que? –

- porque é que estas com o chakra mais elevado hoje? –

- não sei… se calhar e do treino do Jiraya… - respondeu Anouk

- não me parece… porque esse chakra tem uma origem nervosa… -disse Kimimaro

- ontem o meu pai tentou atacar-me… - gemeu o menino baixinho

- então é isso Anouk! Não compreendes? Quanto mais deprimido e zangado estiveres, mas forte ficas… utiliza essa raiva e transforma-a em força! – gritou Kaguya entusiasmado com a dor do amigo.

- até pode ser que sim… mas Kaguya, desculpa lá mas não deves de bater bem da cabeça… não se fica assim feliz com a tristeza dos outros… - impôs a criança decepcionada.

- sim está bem… como queiras… vamos mas é treinar – ordenou Kimimaro.

Durante toda a semana Anouk treinou duramente com Kimimaro depois das aulas, e de manha quando acordava fazia o treino que Jiraya lhe impunha. À medida que o tempo passava, Anouk ficava cada vez mais forte.

Numa tarde de sábado Tsunade e Shizune treinavam as duas nas montanhas perto de casa. Um pouco afastado das duas ninjas encontrava-se Anouk que ainda não tinha conseguido rebentar com a bola de borracha.

- que raiva, isto é 100x mais duro que o balão, é muito mais difícil de estoirar! – resmungava a criança sozinha.

- a primeira fase é girar, e a segunda é a força… como não tem agua lá dentro é bem mais difícil determinar a direcção do chacra. – riu Jiraya ao aproximar-se do filho.

- ignora-o – gemeu Tsunade quando Shizune desviou o olhar para ele.

- mas devias de falar com ele! – disse Shizune parando de combater.

- ignora-o! – ordenou a hokage.

- ai! isto é muito difícil! – queixou-se Anouk cheio de dores na mão direita.

- e isto é só a segunda fase.. acredita este treino vai ficar cada vez mais difícil e mais doloroso! – disse Jiraya meio a cantar.

- Não há de ser mais doloroso que esse teu desempenho de canastrão! – Gritou um homem do cimo de uma arvore.

Ao ouvir aquela voz Tsunade correu para perto de Anouk.

- o que é que tu queres Kakashi? – perguntou o Sanin chateado.

- tu tens prazer pelo sofrimento dos outros! Não vês que o miúdo não está a altura desse treino! – Gritou o Jonnin descendo da arvore.

- e se eu não me importar! – gritou Anouk para Kakashi que o ignorou.

- estás com um ar de quem quer travar um duelo! – rosnou Jiraya aproximando-se do rosto do Kakashi.

- quando quiseres! – respondeu este.

Numa fracção de segundos Jiraya invocou um Rasengan ao mesmo tempo que Kakashi invocou um Chidori. Anouk assustado desviou-se dos dois ninjas.

- eles vão matar-se! – disse Shizune preocupada.

Rapidamente a hokage correu e meteu-se no meio dos dois.

- pára Kakashi! Não vale a pena brigar por isto! – disse Tsunade olhando-o fixamente.

- mãe… - gemeu o filho assustado caído no chão.

Kakashi obedeceu à ordem e parou, o mesmo fez Jiraya.

- confia em mim… não vale a pena… - gemeu ela para Kakashi. Jiraya não gostou daquele momento.

- Muito bem… eu vou-me embora… - disse o Jonnin dando uma pequena olhada a Anouk. A criança pouse-se de pé a encarar o ninja.

- o que é que queres? - Perguntou o ninja com arrogância.

- que te vás embora! – disse Anouk

- muito bem… mas primeiro ainda preciso de fazer uma coisa – disse Kakashi

- o que? – perguntou Anouk assustado ao ver o ninja a aproximar-se.

Quando estava a poucos centímetros da criança, Kakashi num rápido movimento tirou o fio que estava no pescoço de Anouk.

- o que estás a fazer? Porque é que fizeste isso? – Gritou a criança.

- fiz isto… tirei-te este fio, porque em tempos… fizeste o mesmo a mim! – disse Kakashi

Anouk tremeu ao ouvir aquilo.

- pa…pa…pa…pai? – disse ele a chorar…

- isso mesmo! – gemeu Kakashi.

Nesse mesmo instante varias imagens invadiram a cabeça de Anouk

Flashback on:

- Shizune? – chamou uma voz que a Shizune era familiar, Anouk virou-se

- olá Gai!! ha tanto tempo!! – disse ela dando um forte abraço ao amigo.

- o mesmo digo eu! – respondeu Gai dando uma olhada a Anouk

- Este… este…não pode ser o Anouk! – disse Gai admirado fintando o rapaz.

Anouk arregalou os olhos extremamente admirado, mas entretanto um ninja com uma mascara aproximou-se.

- Gai! Ele não sabe! – disse o ninja dando uma pequena olhada ao menino.

Anouk torceu o nariz ao ver o quanto repugnante e mal educado era aquele ninja.

- oi Kakashi! Que saudades! – disse Shizune dando um abraço ao amigo que corou.

- Shizune, só eu o Gai e o Yondaime é que sabemos… portanto.. podes estar descansada – disse Kakashi aliviando a aflição da amiga.

- Obrigada Hatake! – disse ela.

………………………………………….

- Cuidado com a cabeça… - alertava Jiraya cada vez que passava por uma porta.

- Ora, Ora… se não é a " Nanny McFee" – disse um ninja mascarado ( Kakashi refere-se ao filme da ama magica) – quanto é que te pagam para fazeres de ama seca? – perguntou o ninja amargamente.

Anouk torceu o nariz quando o ninja se aproximou, de todos os que já tinha conhecido, sem duvida que aquele era o mais irritante.

- Eu tomo conta dele porque quero Hatake… - respondeu Jiraya passando uma mão nos cabelos do menino que já tinha sido colocado no chão.

Kakashi olhou-os mais uma vez e foi-se embora.

- não percebo porque é que ele não gosta de mim… - murmurou o menino.

Flashback off

Então era por aquela razão que Kakashi não gostava de Anouk, era por ele era o seu pai.

- Não pode ser! Isto é verdade? – gritou Jiraya fixando Tsunade.

- é… - confirmou ela tremendo ligeiramente

Jiraya ficou sem reacção

Flashback on:

- Kakashi não te preocupes já com isso! – Disse Tsunade de dentro do seu escritório

- mas se der positivo, eu não si o que fazer… a minha vida fica perdida… - gemia Kakashi também dentro do escritório.

- Kakashi, eu sou medica, e também sou mãe, sei o que estas a passas mas não te preocupes, basta dares-me uma amostra de sangue e tira-se as tuas duvidas, sim porque eu não tenho duvidas – respondeu Tsunade.

- Está bem, Tsunade eu faço isso e trago-te o sangue amanha… - disse Kakashi girando a maçaneta da porta para sair, Jiraya de um pequeno salto mas era tarde de mais não podia fugir naquele momento.

Flashback off

Então era para por isso que Tsunade precisava do sangue de Kakashi, ela suspeitava que o Jonnin era o pai biológico da criança, e foi por isso que fugiu da cidade, pois não podia dizer a Jiraya que estava grávida de outro. Era por isso que Tsunade não queria que Jiraya entrasse na vida do filho, aquilo tudo tinha sido para desviar as atenções de que Tsunade e Kakashi se tinham envolvido.

Anouk e Jiraya estavam com os rostos vermelhos de raiva.

Não havia mais duvidas.

Hatake Kakashi era o pai de Anouk.