Disclaimer: Saint Seiya não pertence, mas sim à Masami Kurumada, Toei e Cia.

Baseado em fatos que me aconteceram recentemente (e em parte, ainda têm acontecido, infelizmente ou não têm mais). Esse capítulo foi inspirado pelas músicas To Victory, No Sleep Tonight, No Mercy e outras da trilha sonora de 300.

Nocturnal Storm

No Mercy

Para minha surpresa, o homem que lera a mente de Camus, que indicara como nos encontrar, e que auxiliara Augustus nessa busca por vingança, era Kannon...

Em minha expressão, meu desgosto e minha raiva eram nítidos. Lancei-lhe um olhar cheio de fúria, e ele me respondeu com um olhar indecifrável, dando um passo adiante e ficando a menos de um metro de Augustus. Sustentei aquele olhar, sentindo todo meu corpo arder pela raiva, pela fúria...

O vento frio cortou o ar e nossa pele.

Desviei minha atenção para Augustus, que por instantes permaneceu parado a base da colina...

Havia tensão no ar... Somente o vento que soprava ali, além de nós...

Algo na presença de Augustus a tornava terrível, densa... eu não sabia ao certo dizer o que era... mas causava uma espécie de arrepio na espinha... encarar seu olhar, suportar sua presença era um esforço enorme... mesmo para um vampiro como eu, Milo, Camus, Saga ou Shura...

Então eu pude notar... eu pude ver... algo sombrio...

O que tornava sua presença tão pesada e difícil de suportar...

Almas... Augustus carregava consigo as almas daqueles que havia matado...

Atrás de si, almas pareciam caminhar, marchar junto dele para a guerra, outras, sendo arrastadas... eu podia ver as almas de todas as pessoas assassinadas por ele em batalha e invasões que estavam ali, paradas, junto dele...

O olhar duro de Augustus nos analisava. Milo, Camus, Saga e Shura estavam um pouco mais atrás, ao meu lado direito todos os quatro tensos assim como nós...

Um estandarte do lado de Augustus foi levantado: uma flâmula vermelha, com a sigla S.P.Q.R... SENATVS POPVLESQVE ROMANVS... acima da flâmula retangular de bainha com franja dourada, uma águia dourada e uma inscrição... LEGIO III AVGVSTA...

- Augustus tem ainda muito orgulho da sua armadura... – Victorius falou. Augustus realmente tinha muito orgulho da sua posição no Exército Romano e do antigo Império. – Ele nunca deixou de usar sua armadura...

Do nosso lado uma flâmula triangular vermelha com a inscrição S.P.Q.R. em dourado, presa a uma cabeça de dragão dourado, sob a qual, havia a inscrição LEGIO IX HISPANA, foi levantada e fincada na terra.

O vento fez a flâmula estremecer e balançar, ondulando para a direita.

Um arrepio correu minha espinha ao ver os estandartes serem levantados...

Isso significava que nenhum de nós iria retirar-se dali. Nós não deixaríamos nosso território, e Augustus não desistiria de atacar...

Como a inspiração antes do mergulho, o silêncio e a quietude do momento anterior a tempestade, o tempo parou, pesado... novamente nada se movia... os olhares se encaravam, estávamos imersos em pura tensão...

No instante seguinte, Augustus avançava...

Kannon permanecia atrás, por ordem do ex-general romano, junto do estandarte que balançava ao vento...

Os cabelos negros de Augustus esvoaçavam com o vento... conferindo-lhe um aspecto extremamente ameaçador...

E as almas de suas vítimas, todas, carregadas por ele... acompanhando seus passos, marchando com ele ou sendo arrastadas para o campo de batalha...

Victorius pegou sua espada de cabo decorado em ouro e lâmina brilhante, seu elmo dourado, com revestimento interno de couro, e externo em ouro, decorado com desenhos representando a glória na guerra, colocou-o em seguida e deu um passo adiante. Vagarosamente começou a descer a colina em direção a Augustus...

E então, notei que Victorius também estava acompanhado das almas de suas vítimas feitas durante todos aqueles anos que fora General Romano...

Atrás dele, acompanhavam-no como se por livre e espontânea vontade...

Lembrei-me de Victorius ajoelhado... naquele momento, ele não estava rezando... Estava orando para as almas de suas vítimas, pedindo para as almas daqueles que matara que o acompanhassem nessa batalha, que o ajudassem a lutar com Augustus... pois sabia que lutar sozinho, seria difícil...

Augustus avançava, seu rosto tão duro e ameaçador... subindo a colina, acompanhado das almas que tirara, que marchavam com ele colina acima, tornando-o ainda mais sombrio...

Como sempre, quando eu estava nervosa e tensa, eu respirava, e a respiração saía curta e pesada... eu comprimia o maxilar inferior ao superior... os apertava um contra o outro... todos os músculos de meu corpo estavam tensos...

Senti todo meu corpo parar. Minha voz saiu baixa, um não abafado pelo meu próprio medo...

Aos poucos, Victorius descia, seus pés afundando a grama esverdeada contra a terra... as almas de suas vítimas o acompanhavam...

E a cada passo, ele não parecia mais o mesmo Victorius...

Estava altivo e imponente em sua armadura romana... seu semblante mudara... ele já não me parecia com o Victorius que eu conhecia... sua face não era mais terna, suave, amável...

Victorius era um guerreiro... Seu olhar era intenso, cheio de uma avidez pela guerra, por sentir sua espada ferir, matar... totalmente diferente do homem com quem me casei...

A cada passo, Victorius revelava uma parte de si que eu jamais imaginara encontrar... mesmo quando ele me contara sobre sua história... eu jamais o imaginei como alguém tão... terrível... pois mesmo sabendo que aquele homem era bondoso, era amável, amoroso, sabia ser terno e suave, e era tão bom para mim...

Eu senti o porquê de, apesar de todas essas qualidades, este homem havia se tornado General do Império Romano...

Ele era um guerreiro...

Ele era um vampiro...

Ele tinha a violência no sangue...

Victorius não precisava de mais nada para ser temível...

Em um súbito desespero, eu olhei para Milo, Camus, Saga e Shura... estavam tão tensos quanto eu... e nenhum deles se movia. Acredito que eles teriam maior noção do que estava por ocorrer, pois haviam sido todos guerreiros também...

Olhei desesperada meu marido descer a colina, se transformando em um outro homem, o qual ele jamais desejara ser novamente... e talvez, jamais havia desejado ser...

O som das lâminas correndo pelas bainhas e sendo expostas a luz do sol ofuscou meus pensamentos e minha visão...

Augustus e Victorius caminhavam um em direção ao outro, ambos armados...

O choque das espadas ressoou pelas colinas...

Faíscas brilharam e caíram sobre a grama...

Os pesos dos corpos se sustentaram, lâmina contra lâmina, escudo contra escudo...

Os olhos de Victorius centrados nos de Augustus...

- Enfim... Nos encontramos de novo, Augustus...

- Você sabe porque eu vim até aqui... – a voz de Augustus soou grave e mais forte do que eu imaginei... – Me dê a menina...

- Clarisse faz parte da minha família agora... Este homem que veio com você... eu o conheço e sei que o ajudou para buscar sua vingança contra Vallerya... Portanto, ainda que eu entregue Clarisse a você, eu ainda teria de enfrentar vocês...

A lâmina de Augustus deslizou sobre a de Victorius, abrindo um círculo com o movimento do braço de Augustus. Victorius se esquivou, dando um passo a esquerda e atrás, enquanto o general da III Legião girava sobre os calcanhares. O vibrar das espadas percorreu o vale.

Augustus parou de frente a Victorius, a espada elevada, pronta para atacar novamente. Mas foi Victorius quem atacou primeiro desta vez, mal esperando Augustus recuperar seu tempo, deu um passo a frente, ajoelhando-se sobre a perna direita e desferindo um golpe partindo da esquerda, na altura das pernas de Augustus, ao qual ele conseguiu se esquivar e fracamente bloquear com um girar da espada.

Aproveitando da posição em que Victorius se encontrava, Augustus girou sua espada para o alto, descendo-a em direção a meu marido, que bloqueou o ataque, apoiando o peso do corpo na perna que estava atrás e por pouco não se desequilibrando. Com um contra-golpe, empurrou a lâmina para longe de si, se levantando assim que pôde.

Um meio sorriso sádico surgiu no rosto de Augustus, que girou a mão com a espada ao lado de seu corpo, desenhando dois círculos concêntricos, enquanto flexionava ligeiramente os joelhos e colocando o escudo mais a frente. Victorius prevendo o ataque, passou o peso do corpo para a perna direita, atrás, com a esquerda, mais leve a frente, o escudo a cobrir e proteger seu corpo, a espada quase paralela ao tronco, na mão direita, ligeiramente mais atrás.

Augustus deu alguns passos rápidos e lançou o corpo a frente, com um salto. Virou o corpo no ar, usando a espada para perfurar e atravessar a guarda de Victorius, que usando o escudo para proteger-se, barrou a lâmina, e projetando sua força no escudo, usou-o para sustenar o corpo de Augustus, lançá-lo para o outro lado e girou o corpo sobre a perna esquerda, virando-se de frente para seu adversário, mantendo basicamente a mesma posição anterior a quando recebeu o golpe.

Augustus caiu pesadamente, rolando sobre a grama, e pondo-se em pé, com o escudo mais atrás e a espada a frente, numa postura mais aberta.

Alguns segundos se deram, sem que nenhum dos dois se movesse.

O olhar de ambos era ameaçador... um olhar de guerreiro em uma batalha sangrenta...

Pela primeira vez, eu via a ferocidade de Victorius...

Augustus baixou a espada e o escudo, assumindo uma forma mais relaxada, e começou a andar para a esquerda, Victorius acompanhou seu movimento, caminhando para a direita... ambos se circundavam, como dois leões medindo forças...

Victorius não havia baixado a guarda, então fora fácil se defender do golpe de Augustus, que se aproximara correndo.

Novamente lâmina contra lâmina... as espadas se chocaram algumas vezes seguidas, até que Victorius em um dos bloqueios passou o corpo ao redor de Augustus e com o braço ainda levantado, usou a lâmina próxima a ponta para rasgar as costas de Augustus, o que não ocorreu por ter a armadura protegendo-o, assim como a capa vermelha dos romanos.

Augustus tropeçou para a frente, virando-se raivoso para Victorius em seguida, e desferindo-lhe um golpe na altura do pescoço, do qual, ele se esquivou. Victorius deu um passo para trás, abrindo um pouco mais de espaço para desenvolver seu ataque.

As lâminas se chocavam incessantemente, escudo contra escudo, armadura contra armadura...

Eu estava aterrorizada com a cena que eu presenciava...

Milo, Shura, Camus, Saga... os quatro estavam tensos, os olhos grudados na luta que se seguia...

Kannon, do outro lado do vale tinha um olhar calmo... indiferente, eu deveria dizer...

De repente, Victorius escorregou e caiu, enquanto tentava se esquivar do ataque de Augustus, que avançou, desferindo golpes de cima para baixo. Victorius defendia-se usando o escudo, a mão que segurava a espada procurava apoio para se afastar do adversário e conseguir se levantar.

Augustus atacou-o novamente, porém dessa vez Victorius rolou para a direita, e Augustus apenas fincou a espada na terra. Quando meu marido se levantou, imediatamente atacou Augustus, com um golpe da esquerda para a direita, do qual Augustus se protegeu com o escudo, pegou sua espada da terra, desferindo um golpe fraco, ao que Victorius usou o escudo para aparar e jogou seu peso a frente, fazendo os escudos se chocarem, avançando. Augustus recuava, tentando barrar seu oponente, em vão.

Victorius empurrou-o longe, dando um golpe de baixo para cima, na diagonal, o qual dessa vez acertou Augustus no peito. Girou sobre os calcanhares, fez sua lâmina rasgar a coxa de Augustus, que cambaleou para trás.

Novamente furioso, ele avançou contra Victorius, usando o escudo para socar-lhe o rosto. Meu marido cambaleou, e Augustus avançou. Seus golpes seguidos foram aparados pelo escudo de Victorius, que recuou, e assim que foi possível, girou pelas costas de Augustus, dando-lhe uma cotovelada no rosto.

Afastou-se e sua lâmina cortou o braço esquerdo pouco abaixo do ombro do general da III Legião.

Após a recuperação de Augustus, que durou apenas alguns segundos, os dois se encararam...

Augustus disparou em uma corrida e saltou, com a espada levantada para perfurar, Victorius se jogou por baixo, deslizando pela grama. Augustus caiu sobre o chão, ajoelhado, com um grande estrondo.

A cada golpe, um estridente tinir das armas se chocando se elevava por todo o vale.

A luta feroz continuava, sem nenhum dos oponentes vencer...

Victorius havia dito que Augustus era extremamente poderoso, provavelmente mais que ele. Mas o próprio Victorius me pareceu ainda mais poderoso do que ele demonstrara...

Nossos amigos pareciam quase tão surpresos quanto eu...

Até agora, a luta estava empatada...

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Pessoas...

Desculpem pela demora a atualizar... como alguns de vocês devem saber, eu fui para Floripa no feriado, e não consegui escrever e atualizar antes... nestes últimos três dias (depois do feriado), eu praticamente não fiz nada... na quarta eu ainda tava exausta da viagem, e dormi o dia inteiro quase, na quinta e na sexta, eu fiz um workshop que durava os dois dias inteiros e mais a manhã de sábado na faculdade... portanto...

Bom, eu particularmente não me considero uma boa escritora de cenas de luta e batalha, mas espero que essa parte tenha ficado boa o suficiente...

Esse capítulo foi difícil de escrever, pq antes da viagem, eu tinha certas coisas já na cabeça, estava tudo tão bem desenvolvido e tão nítido que eu até podia ver as cenas se desenrolando na minha frente... mas como não coloquei no papel no devido tempo, perdi boa parte daquilo que tinha em mente, e pra resgatar, foi complicado... acho que não saiu muito bem como eu queria... e me perdoem se não ta legal...

É isso... capítulo que vem tem mais... e logo logo chegamos a historia vira...

Beijos...