18 ANOS
É cada um que me aparece... 4
Ivete em cima do trio, gente por tudo que é canto, de todo canto do país, pulando e berrando, mãos pra cima, abadás molhados de suor, alegria ao cubo, músicas bobas e sem sentido cantadas com todas as cordas vocais e muitos, muitos beijos na boca em volta.
Era meu primeiro carnaval na Bahia, no Brasil. Presente do papai.
Folião bocudo se aproxima de mim. Era praticamente a versão masculina da Angelina Jolie. Ou seja, bocudo mesmo.
— Fala, gracinha!
Droga! Odeio diminutivo. E acho "gracinha" péééssimo! Mas fui fofa.
— E aí, graçona?
É, depois de duas cervejinhas eu sou capaz de falar qualquer asneira, por isso sempre paro na segunda.
— Tá curtindo?
"Curtindo?" Que palavra medonha! Odeio essa palavra! Mas ele era tããão charmoso! Tão bocudo!
— Tô curtindo muito, muito! — respondi, aos berros, minha boca quase encostando no ouvido dele.
— Me dá um beijo?
Ufa! Até que enfim, pensei. Demorou pra pedir. Eu estava no carnaval da Bahia, afinal de contas! Não precisa de muito teretetê antes de um beijo.
Beijei. Beijo bom, beijo muuuuito bom. Bocudo beijava que era uma loucura!
"E vai rolar a festa, vai rolar, o povo do gueto mandou avisaaaaar!"
Ivete cantava e a gente beijava, beijava.
— Já volto — disse ele.
Eu me surpreendi. Normalmente, na Bahia, pelo que minhas amigas contavam, a galera beijava e ia embora beijar o próximo.
Mas o cara gostou de mim, do meu beijo, pensei. Caramba! Vou ter um ficante fixo exclusivo no carná baiano!, concluí.
No momento seguinte à constatação, fiquei em dúvida se chorava ou se comemorava o fato de ter um ficante exclusivo. Não tive tempo de pensar muito no assunto, em poucos minutos o bocudo estava de volta.
— Quer um gole da minha caipirinha?
— Não, obrigada. Tomei cerveja, não posso misturar.
— Muito bem, menina. Muito bem. Eu sou nutricionista, e você?
— Nutricionista? Nossa, que máximo!
Oba! Nunca mais vou fazer dietas mirabolantes, vou apenas ligar para meu ficante nordestino (pelo sotaque fofo deu pra ver que ele era daquelas bandas) e pedir uma dieta balanceada. Gordura nunca mais! Eu ganhei na loteria! Agora tenho um personal dieter! Minhas amigas vão morrer de inveja!, vibrei por dentro.
— Eu acabei de passar pra faculdade de jornalismo.
— Olha só, que carreira linda — bocudo disse antes de dar um gole na sua bebida. — Droga, essa caipirinha tá horrível. Precisa de açúcar.
— Açúcar? Por que você não bota adoçante? Açúcar engorda...
— Gracinha... A açúcar não é a única vilã. As pessoas começaram a recriminar a açúcar de repente como se ela fosse a única coisa que engordasse no mundo, mas açúcar é muito melhor que adoçante. Café com adoçante é um nojo, a açúcar dá outro sabor ao café. Concorda?
Concordo que você é uma anta. Como é que um nutricionista diz "a" açúcar?, quase respondi. Deve falar também a café, a sal, aketchup, a agrião, o tangerina, o pimenta... Preciso calar a boca do bocudo o mais rápido possível antes que me desinteresse completamente por ele, pensei.
— Vem cá — chamei bocudo na chincha. Puxando-o pela camiseta e tascando nele um beijo daqueles. Looongo, demorado, perfeito.
Sou ótima de beijo.
— Gracinha, que é isso?
— Eu sei, muito bom! — gabei-me.
— Tô apaixonado por você. O que você vai fazer mais tarde?
Não tenho paciência pra esses que falam logo em paixão... Tive certeza de que ele estava com segundas intenções.
— Quero te apresentar pra mainha, ela faz o melhor acarajé de Salvador. Já comeu acarajé?
— Não — respondi, assustada com a idéia de conhecer a mãe do nutricionista bocudo.
— Então pronto. Vai comer hoje, depois do bloco, lá em casa. Mainha vai adorar você. E painho também, ele é meio fechado, mas é só você falar de novela que o velho se abre todo, adora uma novela...
— Mas... — tentei me esquivar do programa família em pânico.
— Sem "mas", tá combinado paixão, depois daqui você vai lá pra casa comigo, conhecer minha família — decretou, agarrando minha cintura como se eu fosse sua propriedade. E eu estava em pleno carnaval de Salvador! Eu queria beijar muuuuito! Não só um nutricionista bocudo. E ele falava errado, não tinha a menor chance comigo!
— Puxa, graçona, não vai dar, tô com umas amigas aí...
— Leva as amigas... Assim é bom que já vou conhecer as amigas da minha namorada.
Namorada? Sai pra lá, isso é carnaval!, eu quase berrei.
Meu querido Senhor do Bonfim, meus lindos orixás baianos... help me, please!
— Graçona, a gente não tá namorando — esclareci.
— Como não. gracinha? E tudo que rolou entre a gente?
— Dois beijos?
— Dois beijos sensacionais, perfeitos! Eu quero casar com você, gracinha...
— Não tá muito cedo pra falar em casamento, graçona? — apavorei-me.
— Que nada! Nunca é cedo pra amar. Você é a mulher da minha vida.
— Tá louco?
— Louco por você. Nunca senti nada assim antes... Fica comigo pra sempre? Casa comigo? Diz que sim! Diz que sim! —
Ajoelhou-se aos berros, aos prantos.
Cara doido, doido.
— Eu vou embora.
— Não, não me abandone, não me desespere, porque eu não posso ficar sem você...
— Isso é Daniela Mercury... Este bloco é da Ivete...
— Eu sei, mas esses versos magníficos são perfeitos pra essa ocasião. Não termina comigo, por favor.
— Terminar o quê? A gente nem começou!
— Eu nunca fui tão pisado em toda a minha vida! Que dor, que dor!
— Não fica assim...
— Como não, gracinha? Eu sei que não significo nada pra você! Já entendi! Nossa história e nada é a mesma coisa!
— Nossa história? Que história?
— Oxóssi, meu pai, tá vendo isso? Oxum, minha mainha, tá acompanhando meu martírio? Me dê força, Iemanjá, me ajude, Iansã! — suplicou, em baianês arretado, mãos pra cima, lágrimas jorrando dos olhos, mostrando que conhecia todos os
orixás. E terminou sua prece com um inacreditável: — Vem comigo, Olodum!
— Olodum? O bloco dos meninos com tambor? Fala sério, graçona! — reagi, chocada.
Mas ele nem ouviu, a música estava alta.
"Quer andar de carro velho amor, que venha..."
Droga! Uma das poucas músicas que sei cantar, mas não vou poder porque estou no meio de uma cena surreal.
— Você é americana, né, gracinha?
— Sou.
— Eu sou baiano. Soteropolitano. E sei bem como é americana. Americana é fogo. São todas fáceis, mas quando a gente quer algo mais sério largam a gente e deixam a gente na pior, com o coração na mão. Sem mais nem menos, sem nem uma explicação, sem uma palavra de carinho, abandonam a gente na rua da amargura.
Rua da amargura? Ui!
— Olha, eu sou americana e não sou nada fácil, te beijei porque isso aqui é carnaval.
— Beijo? Você chama isso de beijo, isso é amor, gracinha! Amor! Amor sincero, amor de verdade.
— Isso foi um beijo de carnaval!
— Não faz isso comigo, gracinhaaa! Já pisou demais!
— Desculpa! — desesperei-me.
— Desculpo, desculpo. É só me dar seu telefone. Vamos conversar, vamos discutir a relação, vamos falar da gente! Vem viver o verão, vem curtir Salvador, eu sou camaleão, hoje sou seu amor! — gritou ele, parafraseando Chiclete com Banana. — Não se perca de mim, não se esqueça de mim, não desapareça! — tentou me conquistar mais uma vez, agora com outra música típica do carná baiano, enquanto eu sumia no meio da multidão, assustada, para escapar das garras do nutricionista bocudo. Nutricionista que mais tarde, quando contei a história para as minhas amigas, virou "DBB (Doido Bocudo Baiano)".
— Volta aqui, americana! Volta aqui! A praça Castro Alves é do povo, mas meu coração é todinho seu! — ele berrou com as vísceras.
Não adiantou, claro. Eu já estava longe, bem longe dele, botando a mão no joelho e dando uma abaixadinha no extremo oposto do bloco.
"Isso é com o seu pai"
"Isso é com sua mãe"
Quando estou namorando a pior coisa é conseguir sair á noite com o dito namorado. De dia, tudo bem, sempre pude ir para qualquer lugar, mas a noite... Meus pais devem ter feito o curso "Como infernizar a filha em poucos minutos", quando eu comecei a beijar na boca, com uns 12 anos.
Sair de casa nunca foi problema. Os dois se preocupavam, mas nada de mais. Depois de umas perguntas, liberavam e eu ia pra rua lépida e fagueira. Mas pensa que era assim quando a saída em questão era com um namorado? Nananina! Mesmo depois que se separaram, meus pais mantiveram uma espécie de ritual que se repetiu por muito tempo na minha vida. Mesmo quando eu já tinha 18 anos. Dezoito anos! Era o chatérrimo ritual do "deixamos-ou-não-deixamos?".
— Mãe, tenho uma festa pra ir hoje com o Eddie, vou voltar tarde. Beleza? — disse um dia, do alto dos meus 18 anos, idade que jurei que, quando completasse, decidiria minha vida e seria dona do meu nariz para sempre.
Tolinha.
— Com o tal do Eddie?
— É, mãe, com o tal do Eddie — respondia, desanimada, já antevendo o que estava por vir.
— Liga para o seu pai e pergunta pra ele, festa com namorado é com o seu pai.
Quando eu perguntava a opinião paterna sobre a possibilidade de ir à festa, a resposta era invariavelmente:
— Isso é com a sua mãe, fala com ela.
O diálogo que se seguia era o mesmo, sempre:
— Eu já falei com a mamãe e ela disse para eu falar com você.
— Mas isso de festa com namorado é com ela.
E lá ia eu falar de novo com a minha mãe.
— O papai disse que isso é com você.
Minutos de silêncio e reflexão diante da afirmativa que ela ouvia desde que eu tinha uns 12 anos, A seguir, o que escutei durante anos da minha vida foi:
— Quem vai a essa festa além desse Eddie? — Era sempre isso que perguntava, mesmo sabendo que não conheceria metade dos nomes que eu citaria. Eu, claro, evitava dizer os apelidos mais esquisitos, ela podia achar que eu estava andando com uma quadrilha: Fumaça, Descalço, Tálouco, Sapo, Espirro... Todos eram gente boa, mas a minha mãe não ia achar isso não...
Depois de me ouvir com cara de séria, coçando o queixo, vinha a decisão final:
— Tá bom, Marie Isabella. Mas juízo, hein?
Eu disse decisão final? Enlouqueci.
Quando contava ao meu pai que ela tinha deixado, começava outra novela:
— Sua mãe deixou? Como assim? Preciso conversar com ela.
E não era por telefone, não! Ele ia lá para casa e os dois se trancavam por horas para discutir se eu poderia ou não sair com o meu namorado. Como é dura a vida de uma menina de 18 anos!
Saíam do quarto e, em vez de darem o veredicto, faziam mais perguntas utilíssimas:
— Muito bem, muito bem... Você vai com o Eddie. Nós conhecemos bem esse Eddie, Renée?
— Mais ou menos, ele estuda com Marie Isabella desde a primeira série e agora tá de namorico com ela.
— Não é namorico, é namoro — corrigi.
— Por que eu não fui apresentado a ele?
— Porque a gente tá no começo. – Dos vários que já tivemos – Completei mentalmente.
— Então não é namoro. É namorico, mesmo. Eu não aprovei ainda.
— Até parece que você precisa aprovar meus namorados, pai!
— Você chama o garoto de amor?
— Chamo, pai.
— Então é namoro, Renée, não tem jeito. Qual é o carro dele?
— Um Volvo.
— Que cor?
— Prata.
— Que ano?
— Sei lá, pai!
— Como "sei lá"? Meu Deus do céu, você está ou não está namorando esse garoto, Marie Isabella? Não sabe nada dele! — exasperava-se minha mãe.
Eu ignorava. E o silêncio era a deixa para meu pai perguntar:
— Ele tem carteira de motorista?
— Claro.
— Calibra os pneus com freqüência? Pneu é muito importante.
— Acho que sim.
— Ele bebe?
— Não quando dirige, mãe.
— Então quando não dirige bebe.
— Bebe, pai.
— Muito ou pouco?
— Pouco.
— Cerveja, uísque ou vinho?
— Só cerveja.
— Vai ficar barrigudo já, já. Cerveja incha que é um horror — comentava mamãe. — Você tão bonitinha com namorado barrigudo. Que desgosto.
— Dirige rápido ou devagar?
— Não.
— Não o quê? Acorda. Marie Isabella! Rápido ou devagar? —
aumentava papai o tom da voz.
— Devagar.
Mentira.
— Os pais,dele sabem que você vai com ele?
— Sei lá mãe, devem saber.
Eles se entreolhavam e vinha a parte que me matava por dentro:
— Me dá o telefone desse Eddie, Marie Isabella. Quero falar com a mãe dele.
E então minha mãe telefonava para a mãe do namorado em questão e ficava séculos falando não sei o quê.
Que mico!
Uma hora depois...
— Conversei com ela, Charlie. É menino direito, responsável, cabeça no lugar. Acho que tudo bem.
— Tudo bem? — dizia, empolgada. — Posso ir?
— Não. Ainda quero saber uma coisa. Vai mais alguém no carro com vocês?
— A Alice, a Rosalie e o Jasper, pai.
— Isso não é um carro, é uma lotação, não é, Marie Isabella? — irritava-se minha mãe.
— Melhor assim, Renée. Não vão fazer nada no carro com tanta gente em volta. Se é que você me entende...
— Isso é. Bem pensado, Charlie.
— Já rolou sexo, filha?
— Pai!
— Claro que não, Charlie! Não, né, filha?
— Mãe!
— Bom, se rolar não vai fazer burrada, usa camisinha! Tenho uma aqui, toma...
— Paiêêê!
— Deixa de ser burra, menina, pega! Finge que eu nem tô vendo!
— Pai! Pára com isso! — berrava eu, roxa de vergonha.
— A que horas você pretende voltar?
— Tarde.
— Tarde que horas?
— Não sei, mãe! Tarde, tarde.
— Tarde o quê? Uma, duas horas da manhã?
— Claro que não, pai! Uma hora a gente deve estar chegando à festa.
— Sem cogitação — dizia minha mãe.
— Por que tão tarde? — inquiria meu pai.
— Porque tudo é tarde hoje em dia.
— Que tipo de festa é essa? — questionava minha mãe.
— É a festa de um amigo do Eddie.
— Que amigo? — insistia meu pai.
— Um amigo de infância dele.
— Onde?
— Em Port Angeles, pai.
— Port Angeles? Do outro lado do mundo, meu Deus! — exclamava minha mãe. — Você não vai rachar a gasolina com ele, não, né?
— Não, mãe. Os pais dele pagam a gasolina...
— Melhor assim.
— E então. Posso ir?
— Pergunta pra sua mãe.
— Pra mim, não, pergunta para o seu pai!
E sempre, num momento dessa interminável discussão, tocava o telefone. Dessa vez, claro, era o Eddie.
— Oi, Bella, tá pronta? Tô passando aí daqui a uma meia horinha, tá?
— Não passa, não.
— Por que não?
— Porque ainda não sei se vou. Meus pais não decidiram se vão me deixar ir.
— Fala sério, amor!
— Tô falando. Eles estão há três horas e meia pensando.
— Quer que eu fale com eles?
— Tá doido?
— Eu não vou à festa sem você...
— Ô, lindo...
— Eu te amo.
— Eu também...
— "Eu também" o quê? — quis saber a enxerida da minha mãe, liga da na conversa.
— Ele deve ter dito que ama a Bella, Renée.
— Ou que estava contando com ela para uma noite pervertida num motel, até as cinco da manhã. Nossa filhinha num motel, num daqueles quartos cheios de bactérias e cuspe, ai, que nojo! Não vai entrar em piscina, hein, Marie Isabella!
— E usa a camisinha, finge que você que comprou, não precisa dizer que eu te dei!
Caraca! Estava difícil conversar.
— Eddie, eu tenho que desligar. Eles estão aqui do lado viajando na nossa conversa.
— Eles estão mais propensos a deixar ou a não deixar?
— Não tenho a menor idéia.
— Jura?
— Juro.
— O que será que ela jurou? — ficou curioso meu pai. — Espero que não tenha jurado que vai fugir com ele. Vocês não têm dinheiro. Lembre-se disso. Ninguém vive de amor sem dinheiro, não, minha filha! Amor embaixo da ponte não existe!
— Charlie! E se ela tiver jurado que vai fazer tudo o que ele quiser da próxima vez que se encontrarem? E se ele quiser fazer "aquilo" sem proteção? Já pensou, Marie Isabella aparecendo grávida aqui em casa? Não estou preparada pra ser avó, não!
— Bella, seja qual for a decisão deles, eu apóio. São seus pais, eles querem o melhor pra você. A gente tem que ouvir os nossos pais.
— Eles deviam confiar mais em mim.
— Ih, não tô gostando desse Eddie — murmurou minha mãe.
— Nem eu — concordou meu pai. — Deve estar metendo minhoca na cabeça dela.
Não acreditei no comentário surtado.
— Não se esquece que te amo, tá?
— Ô, mô, eu também.
— Eu também amo minha filha! Amo muito a minha filha! MUITO! Diz isso pra esse Digo, Marie Isabella!
— Ele ouviu, mãe. Eu não preciso repetir, você tá berrando.
— Daqui a pouco eu te ligo, Eddie.
— Você que vai ligar? Fala sério, Marie Isabella! Vai gastar o meu dinheiro com esse garoto? Telefone custa dinheiro, sabia?
Eu estava quase perdendo as esperanças de sair com o meu Eddie.
Exausta de tanto interrogatório, precisava dar um ultimato neles:
— E aí, gente? Eu tenho que me arrumar. Posso ou não posso ir? Minha mãe pensou, pensou, pensou...
— Ele já disse que te ama?
— Várias vezes. Só nesse telefonema disse duas vezes.
— Só? — chocou-se minha mãe.
— Você merece mais, filha.
— Arrã.
Silêncio. Mais silêncio. Silêncio, silêncio, silêncio.
— E aí?
— E aí o quê?
— Como assim "e aí o quê", pai? Posso ou não posso ir?
Os dois se entreolharam. Meu pai coçou a barba malfeita. Minha mãe estalou os dedos e fez uma sugestão.
— Você não prefere jogar baralho? A gente chama seus irmãos e faz uma jogatina das boas.
— Nossa, suuuuuper tentadora essa proposta, mas eu continuo preferindo ir à festa — debochei.
Mais silêncio. Até que minha mãe disse de supetão:
— Pode ir.
— Pode? — indignou-se meu pai.
— Deixa a menina ir, Charlie! Não vai acontecer nada de ruim com ela. Vou rezar pra Santa Teresinha pedindo proteção...
— Tá maluca? Qual o time dele?
— Fluminense.
— É uma pessoa bacana, então! — exclamou meu pai e fez uma longa pausa. — Faz o tipo briguento?
— Não.
— Isso é bom...
Novo silêncio.
— Quer café, Charlie?
— Ótima idéia, Renée. Se tem uma coisa que gosto em você é seu café.
— É uma delícia, mesmo. Açúcar ou adoçante?
— E aí, gente? Dá pra decidir?
— Não sei se você deve ir a essa festa... Muito longe... — insistiu meu pai.
Chato!
— Charlie, isso é crueldade, o menino está vindo buscar a Marie Isabellaa, decide logo!
— Por que eu?
— Porque isso é com você!
— Comigo, não! Com você!
Meu pai que dava-se mudo. Minha mãe que dava-se muda. Mas era ela quem sempre tomava uma atitude.
— Vai se arrumar, Marie Isabella.
— Oba!
— Ah,é? Bom, se acontecer alguma coisa com a nossa filha a culpa vai ser sua, você sabe.
— Charlie!
— É isso, sim!A responsabilidade é toda sua...
— Mas...
Nesse dia narrado fui à festa com o Eddie. Na maioria das vezes, eu saía e eles continuavam brigando em torno da decisão por horas a fio.
Algumas vezes eu chegava em casa e os dois estavam no sofá da sala, xícara de café na mesa, esperando por mim e balbuciando palavras, de olhos fechados, quase dormindo:
— Não devíamos ter deixado...
— Não, mas isso é com você.
— Comigo, não. Com você.
Olá!
1. Como prometido, mais um capítulo postado! EEEE! \°/
2. E aqui, eu gostaria de pedir aos leitores fantasmas e a todos que colocaram a fic nos alertas e nos favoritos e que ainda não comentaram, por favor comentem! Afinal, as reviews podem sobreviver sem os favoritos e os alertas, mas não o contrário! E, quem tem tempo pra ler e favoritar, ou colocar nos alertas, também tem tempo pra comentar, né?
3. Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no balãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses eu nunca vou saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que eu escrevo, então eu quero muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, irei adorar ler!
– SrtaSwanCullen –
Só lembrando:
RESPEITO GERA RESPEITO
REVIEWS GERAM CAPÍTULO NOVO!
O BALÃOZINHO DO REVIEW THIS CHAPTER É LINDO, NÉ?
ENTÃO CLICA NELE E ME DIZ O QUE ACHOU! ;)
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