Capítulo 13
FINALMENTE EM CASA!
Ginny já não aguentava aquele cheiro de hospital, nem o "zum-zum" de enfermeiras entrando e saindo e principalmente aquele quarto que tanto lhe lembrava o Ron.
Rosa estava à espera dela e de Draco quando chegaram a casa depois do almoço, parecia ansiosa e tinha um sorriso na cara que Ginny estranhou.
- Bom dia, Signora. Deixe-me que a ajude a subir para o quarto.
A ruiva aceitou de bom grado a ajuda da italiana, assim tinha uma desculpa para se afastar de Draco. A presença constante dele não lhe fazia bem. A traição dele ainda estava demasiado presente e magoava-a cada vez mais.
Subiu com Rosa até ao quarto e esta ajudou-a a deitar-se. A velha senhora estava demasiado… simpática. Será que sabia que Draco a traía com Pansy? Será que Rosa fazia parte daquele complô?
- Deixa estar, Rosa! – disse quando viu a mulher começar a puxar os cobertores para cima de si.
- Como queira, Signora. – fez uma pequena vénia com a cabeça e dirigiu-se para a porta.
- Rosa.
- Sim, signora? - a italiana virou-se de novo e esperou que Ginny falasse.
- Porque está a ser tão…simpática comigo? – a ruiva tentou escolher bem as palavras não fosse o temperamento latino da outra explodir ali com ela tão fraca e débil. Mas Rosa não explodiu, em vez disso sorriu.
- Eu peço desculpa pelo meu comportamento anterior. Io ero, come dico?… Eu não gosto das namoradas do Signor Malfoy. Sembrato sempre a superficiale. Espere, elas sempre foram superficiais. Eu simplesmente tentava assustá-las, fazer a sua estadia o mais difícil possível para que fossem embora, geralmente falar das antigas namoradas era uma boa táctica. Mas com o tempo percebi que a Signora siete differente. É forte e decidida e arrependo-me de tê-la tratado com desdém. Finalmente o meu menino encontrou alguém que o merece e fico feliz pela sua gravidez.
- Ele não parece concordar.
- Porque diz isso? – Rosa sentou-se ao lado de Ginny na cama e acariciou-lhe os cabelos num gesto muito materno.
- Ele e a Pansy…
- Quella donna stupida! De todas, a Signora Pansy sempre foi a mais superficial, sempre teve aquele ar de que era a dona do mundo e nunca confiei nela. Sabia que só estava atrás do dinheiro dele. Mas não acredito que o Signor esteja envolvido com ela.
- Eu vi-os juntos. – Ginny murmurou. Viu Rosa respirar fundo e por momentos julgou ter visto pena nos olhos negros mas foi por uma fracção de segundo e julgou que fosse imaginação sua.
- Gli occhi possono ingannarli. Os olhos são enganadores, Signora. E quando se trata de enganar, ninguém engana melhor que a signora Pansy. – Rosa deu-lhe uma palmadinha na mão e saiu. Ginny queria poder acreditar nas palavras dela, queria acreditar que se tinha enganado no que tinha visto mas o seu coração teimava em sofrer.
oOo
Estava a anoitecer quando Ginny acordou. Demorou um pouco a despertar completamente, deixando-se ficar naquele estado semi-adormecido mais um pouco, gostando da sensação que aquilo lhe causava. Depois forçou-se a abrir os olhos e então deu-se conta do que a tinha acordado. Draco estava no quarto, de costas voltadas para ela a mexer no roupeiro.
- Quanto tempo estive a dormir? - ela perguntou depois de um longo bocejo.
- Desculpa, não te queria acordar mas precisava de algumas coisas. - ele disse.
Ela notou que a voz dele não estava firme como sempre, tinha uma nota de fraqueza que ela não gostou. Dava-lhe quase um ar vulnerável.
- Eu tinha que acordar mesmo. Vais sair? – ela perguntou reparando na mala aberta em cima do sofá junto à janela. Sentiu o seu coração apertar-se. Ela acabava de sair do hospital e ele já ia partir, provavelmente ter com Pansy. Teve vontade de levantar-se e dar-lhe uma bofetada mas estava demasiado fraca. Em vez disso esperou a resposta dele.
Qualquer sentimento de revolta ou raiva desmoronou-se quando ela viu os olhos dele. Estavam vermelhos como se ele tivesse estado a chorar, coisa que não havia acontecido porque ela conseguia ver as lágrimas não derramadas naqueles olhos cinzentos como as nuvens tempestuosas.
- Draco…? – ela murmurou novamente. Desta vez o seu coração apertava-se por outra razão. Era doloroso vê-lo tão… frágil.
- O Severus. Ele… teve outro ataque cardíaco e não resistiu. Tenho que ir para Roma tratar de tudo.
Ginny subentendeu "tudo" como: tratar da mulher do recém-falecido mas ficou calada. Aquele não era momento para o agredir. O seu melhor amigo havia falecido e ela acreditava que por mais frio e forte que Draco fosse, provavelmente tinha algum peso na consciência por ter traído Snape e agora tê-lo perdido. E sabia que era muito doloroso perder alguém querido.
- Os meus sentimentos. – ela disse incerta do que dizer. Ele apenas acenou com a cabeça e fechou a mala.
- Não penso demorar mais que um dia ou dois. No entanto, se precisares de alguma coisa não hesites em me chamar. O Snape é… era muito importante para mim mas… o nosso filho é tudo para mim.
E logo depois saiu do quarto deixando Ginny perplexa e com um turbilhão de sentimentos contraditórios. Sentia-se triste pela morte de Snape, mas com raiva porque assim Draco e Pansy tinham menos um entrave na relação. Sentia-se magoada com a dor que havia visto nos olhos de Draco mas ao mesmo tempo não conseguia deixar de ter ciúmes por ele ter ido ter com Ela e a ter deixado ali. Não podia Pansy tratar de "tudo" sozinha?!
Levantou-se rapidamente, levada pelo caos que a consumia internamente e sentiu uma tontura. Respirou fundo e foi até ao lavabo lavar a cara. Depois desceu para encontrar Rosa e comer qualquer coisa.
- Non penso che è il caso. - Marco estava sentado na mesa da cozinha comendo uma maçã, enquanto Rosa começava a preparar o jantar.
- Spero che non. Realmente gradico il Signora Ginevra. È una donna molto intelligente e dolce. – Rosa respondeu .
- Accosento. Ma la verità è che quando il Signora Pansy ha lasciato il Signor Malfoy, il era orribile. Era molto dificult per lui. Credo che sia stata l'unica donna lui hás amati mai e lo ha lasciato per sposare il suo migliore amico. Era a duro affinchè lui si occupi di esso.
- Credo che gli dia una sensibilità della sicurezza, dopo tutto, è stata nella sua vita da quando erano bambini.
- Pensate che ora che il Signor Snape è guasto, ottengano insieme indietro?
- Penso possano ritenere tentati ma dubiti che. Allineare credo che ami il Signora Ginny.
- Bene, penso che stiano bene agli amanti, se non sono già. Non dubito che è con lei ora. Ho pena Signora Ginny, è una donna meravigliosa.
- Penso che tutto risolva il giusto senso.
- Allineare credete che non siano insieme?
- Onesto? Sto provando a convincermi che Draco ed Pansy non siano insieme ma la verità è esso sta ottenendo più duro e credere più duro.
(N/A: a tradução da conversa de Marco e Rosa:
- Não penso que seja o caso. - Marco estava sentado na mesa da cozinha comendo uma maçã, enquanto Rosa começava a preparar o jantar.
- Espero que não. Eu realmente gosto da Senhora Ginevra. É uma mulher muito esperta e doce. – Rosa respondeu.
- Concordo. Mas a verdade é que quando a Senhora Pansy deixou o Senhor Malfoy, ele estava de rastos. Foi bastante difícil para ele. Acho que ela foi a única mulher que ele amou e ela deixou-o para casar com o seu melhor amigo. Foi muito difícil para ele lidar com essa situação.
- Acho que ela lhe dava uma sensação de segurança, afinal, ela está na vida dele desde que eram crianças.
- Achas que agora que o Senhor Snape morreu eles vão voltar a estar juntos?
- Julgo que se vão sentir tentados a isso mas acho que ele não vai conseguir fazê-lo. Acredito que ele goste da Senhora Ginny.
-Bem, eu acho que eles se vão tornar amantes, se é que já não o são. Não tenho dúvidas que ele está com ela agora. Tenho pena da Senhora Ginny, ela é uma mulher maravilhosa.
- Eu acho que tudo vai se resolver da melhor maneira.
- Acreditas mesmo que eles não estão juntos?
- Sinceramente? Eu estou a tentar me convencer que o Draco e a Pansy não estão juntos mas a verdade é que é cada vez mais difícil acreditar nisso.)
Ginny lidava com o italiano o suficiente para perceber alguma parte da conversa. Sentiu-se ainda pior. Uma coisa era saber que Draco e Pansy eram amantes, outra completamente diferente que Draco amava a morena. Afinal as palavras de Rosa naquela tarde não tinham sido verdadeiras, eram apenas para acalmar Ginny e proteger o Signor Malfoy. Sentiu-se estúpida por quase ter acreditado em Rosa quando ela dizia que era engano.
Ginny correu o mais depressa que pode até ao lavabo e vomitou. Depois sentou-se no chão e abraçou os joelhos enquanto sentia as lágrimas caírem. Estava tão farta daquela dor constante, dos ciúmes que a magoavam ainda mais, das incertezas que a destruíram.
"Só alguns meses, depois vais para Londres e para longe de tudo isto!" pensava aquilo várias vezes por dia para se convencer a aguentar por bem do seu filho.
oOo
Ginny estava deitada acordada pela segunda noite consecutiva. Não dormira nada depois de ouvir a conversa dos empregados, nem sequer conseguira comer direito. O dia de ontem tinha sido passado a descansar na cama, entre livros que não lhe ocupavam a cabeça. Na verdade não conseguira ler mais que 3 páginas.
Por isso, quando Draco entrou no quarto a meio da noite, tentando não fazer barulho e andando no escuro, Ginny surpreendeu-o ao acender a luz.
- Desculpa se te acordei. – ele repetiu as palavras da última vez que o tinha visto.
- Estava acordada. Não tenho conseguido dormir.
- Muitas dores?
Sim, mas não as que ele se referia.
- Algumas. Conseguiste resolver tudo?
- Sim. O funeral é amanhã. – a voz dele ainda tremia como da última vez.
- Eu… - queria dizer que gostaria de ir mas não se sentia capaz, não só porque ainda se sentia fraca mas porque seria incapaz de ver os dois amantes juntos chorando sobre a campa de um dos traídos naquela história toda. Era demasiado sórdido e também doloroso. Mas Draco interrompeu-a.
- Não espero que vás. Não é lugar para uma grávida, muito menos uma tão frágil como tu. Vou porque era o meu melhor amigo mas volto logo. Não penso te deixar sozinha nos próximos tempos. Não fui a Roma apenas tratar das coisas de Snape, fui também tratar das coisas do hotel para que eu possa trabalhar em casa.
Depois entrou no lavabo e quando saiu encontrou-a ainda sentada na cama esperando por ele. No entanto o louro não falou, deitou-se ao lado dela e encolheu-se de costas para ela. Ela nunca o vira tão perdido nem tão vulnerável. Sem conseguir se conter, tocou-lhe o ombro. Os músculos dele ficaram tensos debaixo do toque. Não se deixando intimidar e completamente comovida pela dor que se reflectia em cada poro do corpo dele, Ginny abraçou-o levemente. Ele virou-se para ela e apoiou a cabeça sobre a barriga dela e deixou-se dormir assim, agarrado a ela como se só a ruiva pudesse acalmar aquela dor que ele sentia. Ela sentiu as suas próprias lágrimas caírem enquanto acariciava os cabelos louros. Naquele momento quis acreditar que realmente só ela podia tirar a dor dele. Mas a imagem de Pansy fazendo o mesmo que ela estava a fazer atormentava-lhe. Tratou de afastá-la. Naquele momento não haviam amantes, naquele momento só havia ela e um marido demasiado triste para se manter forte e frio como sempre. Naquele momento a única coisa que Ginny queria era apagar aquela mágoa dos olhos e do corpo dele. Preferia o Draco seguro e indiferente. A dor dele magoava-a mais que a sua própria dor. Beijou-lhe a testa enquanto o observava a dormir. E foi assim que passou o resto da noite.
Ginny estava na cozinha, na tarde do dia seguinte, juntamente com Rosa que preparava o almoço quando ouviu alguém bater a porta da rua.
- A petulância daquela mulher! Como é que ela pode fazer isto no funeral do Snape. Já não chega tudo o que lhe fez em vida… - a voz de Narcisa Malfoy invadiu a casa. A mãe de Draco parecia completamente fora de si.
Ginny levantou-se e dirigiu-se ao salão de onde vinha a voz naquele momento mas sem saber ao certo porquê não conseguiu dar a perceber a sua presença e ficou atrás da porta ouvindo.
- Nem depois de morto se ela o respeita! E tu… - a voz de Narcisa tornou-se dura. – Eu esperava melhor de ti, Draco. O Snape foi como um pai para ti depois do Lucius morrer, além de ter sido o meu melhor amigo. Esperava que pelo menos o respeitasses depois de morrer já que andavas a dormir com a mulher dele quando ele ainda era vivo e débil no hospital.
- A mãe não sabe do que está a falar. Está demasiado alterada. Vou chamar a Rosa para…
- Eu não quero nada. Queria que o meu filho tivesse se portado á altura. E a Pansy! Como é que ela pôde? Toda a gente viu os olhares que ela te lançava e a maneira como se roçava em ti. Meu Deus. Que descaramento! Eu esperava mais descrição da vossa parte. Pelo menos no funeral dele. Se querem andar por aí a brincar de amantes, tudo bem, mas sejam discretos.
- Mãe! – Draco disse. O tom era autoritário e não dava espaço para argumentos. Narcisa calou-se de imediato.
- Se eu tivesse alguma coisa com a Pansy, não teria qualquer problema em admitir mas o facto é que eu não me envolvi com ela, não tive absolutamente nada com ela depois dela casar com o Severus.
- Então ela anda a dizer que dorme contigo pelo simples prazer de gozar com a cara do falecido marido? É isso, Draco? Talvez a tua mulher acredite nisso, mas eu não. Infelizmente está no teu sangue. Ou achas que eu não sabia cada vez que o teu pai e a Belatrix dormiam juntos?
- Eu não sou o meu pai! Eu não tenho nada com a Pansy, ela já nem trabalha para mim! Despedi-a. E acreditares em mim ou numa mulher tão obcecada por mim que ultrapassa o limite da sanidade é escolha tua, mas julguei que me tivesses melhor consideração. Agora se não te importas que ver como está a minha mulher e o meu futuro filho. A Rosa deve estar na cozinha a preparar o almoço. Porque não vais até lá e bebes um copo de água com açúcar?
Ginny aproveitou a deixa para voltar para a cozinha a correr e sentar-se no mesmo lugar. Rosa lançou-lhe um olhar desconfiado mas nada disse. Parecia que toda a gente acreditava que Pansy e Draco eram amantes e no entanto ele não parava de negar. A cabeça da ruiva estava uma confusão. Será que Draco lhe fora realmente fiel? Será que ela estava a cometer um grande erro? Será que tinha interpretado mal o que acontecera no hotel? E como poderia responder a tudo isto?
Quando Narcisa entrou na cozinha, Ginny esboçou um sorriso e tratou de afastar todos os pensamentos da sua cabeça quando Narcisa começou a bombardeá-la com perguntas sobre o bebé e a fazer planos para comprar as roupas do futuro herdeiro dos Malfoy.
N/A: É um capítulo muito pequeno e não ficou nada como queria que ficasse mas é tudo o que consegui com tanta coisa na cabeça(os exames não estão a correr muito bem =S ) Tentarei que o próximo seja maior e melhor. Beijo
