Amor de Meia-Noite
Tradução (autorizada) da fic "Amor de Medianoche" (reeditada)
Entrada: www(ponto)fanfiction(ponto)net(barra)s(barra)2086794(barra)1(barra)
Autora: Lady Verónica Black
Tradutora: Inna Puchkin Ievitich
Capítulo Treze
O escritório era pequeno, de um tamanho apenas suficiente para conter uma mesa, dois arquivos, um aparelho de fax e um computador. Não havia pinturas nas paredes, nem assentos cômodos, nem plantas. Uma janela de vidro à prova de balas dava para o estacionamento vazio de um edifício de escritórios, e um complicado sistema de alarmes garantia uma completa segurança, assim como uma discrição total.
Harry apoiou-se no respaldo da cadeira e esticou-se; com um suspiro de cansaço, consumiu o último trago de café e olhou, sem ver, a pilha de pastas que tinha sobre a mesa.
Draco Malfoy, trinta e três anos. Agente especial, doze anos no Grupo Especial de Investigações. Havia trabalhado no departamento de Assistência Jurídica, Justiça e Assuntos Internos. Como Ron lhe dissera, havia alcançado um posto bastante considerável às custas de ascender com excessiva lentidão, degrau a degrau. Segundo os arquivos que Harry havia recebido por fax, parecia como se seus superiores o fossem promovendo muito a contra-gosto, reticentes a isto. Treze anos. Por que havia arriscado sua carreira a essa altura, matando Marcus e tentando assassinar Hermione?
Fosse o que fosse, Marcus havia averiguado algo, Malfoy o matara e em seguida havia levado Hermione para as montanhas, com a intenção de deixar atados todos os nós. Poderiam ter transcorrido semanas antes que alguém houvesse descoberto seu corpo, algo com que evidentemente Malfoy havia contado. Um pneu furado e o instinto de Wolf eram os únicos fatores que haviam contribuído para salvar a vida de Hermione.
Recordou o estado de Hermione quando a encontrou meio afogada, quase congelada de frio, e de sua própria raiva quando Malfoy entrou em cena. Apertou entre seus dedos o copo de papelão e arremessou-o na lata de lixo, com a mandíbula tensa e os olhos entrecerrados de fúria, pensando em seu próximo encontro com Draco Malfoy.
Hermione ainda prosseguia adormecida quando ele tivera que levantar da cama, quase duas horas antes. Depois de vestir-se em absoluto silêncio, permanecera contemplando-a, encantado com sua expressão inocente. Como pode tê-lo ocorrido que ela era uma agente? Muitos anos desconfiando das pessoas o haviam convertido em um cético, em alguém que não tinha nada nem ninguém em quem acreditar. E havia se esforçado para não mudar, mas o ternos olhos de Hermione e seu espírito confiante se lhe haviam metido na alma, no coração. Nada na vida lhe resultara mais difícil que isto, nunca nada o havia transtornado tanto, porque admitir que estava loucamente apaixonado por essa mulher era algo que desencaixava totalmente de sua forma de vida.
Era verdade, apaixonara-se por ela como um idiota. Mas era um idiota feliz com ela.
Amava-a!
Esse pensamento ainda o fazia sobressaltar-se, nunca em sua vida acreditou poder chegar a sentir algo assim por alguém, mas, de certa forma, lhe agradava senti-lo, porque este amor que tinha dentro de si e que não podia deixar de sentir lhe estava fazendo conhecer coisas preciosas. Mas, apesar de tudo, sabia que não devia alegrar-se demasiado, porque em seu tempo teria que deixa-la ir.
A raiva voltou a assalta-lo, mas era uma raiva muito diferente da anterior. Era raiva da idéia de ter que separar-se da única mulher que havia conseguido que seu murcho coração voltasse a saltar de amor, a raiva de ter de separar-se da única mulher que havia-lhe interessado, da única mulher a qual se sentia capaz de amar. Uma mulher pela qual seria capaz de morrer, de sacrificar-se em corpo e alma, se com isso assegurasse seu bem-estar.
E o fato de que no dia anterior ela mesma houvesse tentado fazer o mesmo por ele, ao ter-se entregado a Malfoy com o propósito de protege-lo, o havia deixado profundamente comovido e constrangido por um série de sentimentos e sensações que nunca havia experimentado. Se ao menos houvesse uma forma, tão somente uma só e remota forma de que...
Mas não havia. A raiva anterior se desintegrou para deixar lugar a um negro vazio em seu interior. Nenhum agente deixava seu departamento, e não havia forma de admitir Hermione em seu mundo.
O aparelho de fax se pôs a funcionar de novo, proporcionando-lhe a resposta a sua pergunta anterior sobre as missões que Draco Malfoy havia realizado nos últimos cinco anos. Harry leu o informe. Sua última missão, a que estava realizando atualmente, tinha a ver com a vigilância de um empregado de uma companhia de seguros, suspeito de traficar obras de arte por todo o mundo.
O olhos verdes ficou tenso de golpe, convencido de que não era uma simples coincidência que a missão de Draco Malfoy tivesse relação com o mundo da Arte. Rapidamente revisou as últimas missões que havia realizado no último ano, e seu olhar ficou fixo ao ler um nome que lhe era tremendamente conhecido: Jacques D'mouton.
Maldizendo entre dentes, Harry recolheu as pastas, fechou a porta da sala e voltou a toda velocidade para o hotel.
O vigia noturno da biblioteca não apenas deixou passar Hermione, como também emprestou-lhe algum dinheiro para pagar o táxi quando ela contou-lhe que havia esquecido a carteira em casa. Depois de ter que suportar um discurso do homem mais velho acerca dos jovens que saem para a rua a horas estranhas, subiu ao terceiro andar pelas escadas e entrou na sala de arte. Quando as portas duplas se fecharam às suas costas com um sonoro eco, não pode evitar estremecer de medo.
Não tinha muito tempo, já eram quase cinco e media da manhã. Preferiu não ligar o interruptor de luz, pensando que seria melhor que apenas o vigilante soubesse que se encontrava ali. Os empregados da limpeza chegaria em torno das seis, e tinha intenção de partir muito antes.
Engolindo o nó que sentia na garganta, recorreu às escuras as altas estantes e dirigiu-se à sua sala, que se encontrava na parte traseira da grande sala. Conhecia perfeitamente o caminho, de modo que não tinha a necessidade de andar com uma luz. Momentos depois quando entrou em sua sala e sentou-se diante de seu computador, sentiu um leve alívio ao ver-se em seu ambiente.
A pálida luz da tela não tardou em iluminar tenuemente o pequeno recinto. Não conhecia os documentos com os quais havia trabalhado Marcus, mas se conseguia encontrar a sucessão de páginas que havia visitado poderia, ao menos, seguir sua rota pela Internet e encontrar a mesma evidência que ele encontrou. Depois de teclar a senha, observou as direções que apareciam e os termos que ele havia colocado nas diferentes páginas de busca: 'Registro de Obras Perdidas'...'Fundação Internacional de Investigações Artísticas'...'Departamento de Justiça'...
Sentiu um tremor de excitação. Já sabia precisamente o que estava buscando, a Jacques D'mouton.
Após escrever essas duas palavras, Hermione começou a salvar todos os arquivos que houvesse com informação sobre ele: suas pinturas, investigações diversas, sub-pastas privadas...
Foi examinando os dados conforme os ia imprimindo. E quando as peças começavam a se encaixar em seu lugar, começou a compreender tudo o que Marcus havia descoberto, um frio estremecimento gelou-lhe os ossos. Tinha que entregar rapidamente aquela informação a Harry.
Olhou o relógio que estava pendurado na parede, às cinco e trinta e cinco tinha que apressar-se; cinco minutos mais tarde recolheu todas as folhas que havia imprimido e guardou-as numa pasta. Já se dispunha a desligar o computador, quando um suave sussurro a sobressaltou...
- Olá, Hermione.
A morena ficou paralisada, fechou os olhos presa do pânico, lentamente deu a volta e abriu os olhos. A silhueta de um homem se destacava no umbral da sala. Quando deu um passo para dentro desta, a pálida luz do monitor iluminou seu rosto de expressão austero e sério.
"Oh, Deus, não", exclamou Hermione para si mesma.
Draco Malfoy estava ali. Havia-a encontrado.
- Como conseguiu entrar? – sussurrou com voz rouca.
- Não foi muito difícil convencer o vigia.
O pânico apoderou-se dela, e rezou para que nada de ruim tivesse ocorrido ao pobre homem. Detrás de Malfoy, oculto entre as sombras, distinguiu outra figura, a de Goyle. Não tinha nenhuma dúvida de que Crabbe também estava perto. Não havia ninguém a quem pudesse chamar, ninguém que pudesse ajuda-la.
"Harry, eu sinto tanto, se ao menos eu o houvesse esperado..."
- Como me encontrou? – perguntou ela, de costas para sua mesa.
- Admito que perdemos vocês durante um bom tempo, mas presumíamos que você voltaria aqui em algum momento. Seu amigo, o senhor Potter, dispõe de bastante recursos para ser um simples vendedor de seguros. Algo que me diz que esconde algo... – suspirou – Mas, dado ao pouco tempo de que disponho, temo que não vou poder investigar o assunto antes de... – olhou para pasta que sustinha nas mãos e arqueou as sobrancelhas. – Ora, ora. O que temos aqui?
"Calma, fique calma.", aconselhou-se Hermione, enquanto respondia:
- Tudo acabou, Malfoy. A polícia virá a qualquer momento. Já sabem tudo o que você fez.
- E, exatamente... – olhou-a durante um bom tempo - ... o que eles sabem?
- Que você estava a cargo da missão quando as pinturas de Jacques D'mouton foram recuperadas em um armazém de Los Angeles. E que você apenas informou sobre a descoberta de sete, quando, de fato, eram dez as obras que haviam sido roubadas. Porque você ficou com as outras três em seu poder.
- Os agentes federais – replicou Malfoy, aproximando-se dela – estão obrigados a respeitar as leis do país no qual se encontram. Como eu ia violar um juramento tão sagrado como esse?
- Talvez pelos doze milhões de euros que um colecionador alemão estava disposto a pagar por esses quadros. – Hermione fazia um grande esforço para não deixar de falar, tentando ganhar tempo. – Marcus averiguou no Registro de Obras Perdidas que as três pinturas de D'mouton não haviam sido registradas como roubadas, o que significava que qualquer um pode vende-las no mercado internacional sem que ninguém tivesse idéia que era ilegal. Mas Marcus sabia. - continuou, medindo mentalmente a distância que a separava da porta, mas embora conseguisse libertar-se de Malfoy, não podia livrar-se de Goyle. – Ele tinha um especial interesse pelas pinturas de D'mouton, de forma que se pôs a aprofundar o tema, investigou e fez muitas perguntas. E todas as respostas levavam a uma só pessoa... a você. E obviamente você, Malfoy, ao descobrir, o assassinou.
- Uma história muito interessante. – comentou o loiro, enquanto tirava uma pistola do bolso interior de seu paletó – É uma pena que ninguém mais possa saber esta grande descoberta que fez o seu pobre e idiota amigo, o qual espero... não descanse em paz."
- Já lhe disse que a polícia está a par... – horrorizada, olhou fixamente para arma.
- Você é uma mentirosa incorrigível, Hermione. – replicou Malfoy, suspirando. – Vocês não teriam ido à polícia sem contar com alguma prova. E quero parabeniza-la pelo trabalho que acaba de fazer, ao conseguir as provas que tem em mãos... para mim. Isto me facilita muito as coisas para poder apagar bem meu rastro.
- Nunca vai se sair bem desta. – provocou Hermione, desgostosa com o tremor que parecia evidente em sua voz.
- Claro que sim. O taxista que a trouxe para cá se mostrou muito disposto a colaborar com o FBI. Já enviei meus homens para que vão ao hotel e se encarreguem do senhor Potter. – sorriu e olhou por cima do ombro para Goyle. – Uma jovem violada e assassinada quando estava trabalhando sozinha no meio da madrugada... Isso é algo que acontece muito amiúde, não?
"Harry! Oh, meu Deus, não!", exclamou em silêncio Hermione, presa do pânico. Surpreender-no-iam desprevenido e o matariam. Tinha que avisa-lo. Mas como? Malfoy ia mata-la ali mesmo...
Sentiu que os joelhos se enfraqueciam ante esse pensamento. Olhou o rosto de Malfoy, brilhante com uma fantasmagórica máscara branca. Lançando uma olhada para o monitor do computador que estava a seu lado, deu-se conta que a única luz que havia em toda a sala provinha da tela. A CPU estava sob a mesa, ao lado de seus pés.
Era uma possibilidade arriscada, mas não tinha outra escolha. Agarrando a pasta com um só mão, caiu de joelhos ante Malfoy.
- Por favor, não me mate! – gritou desesperada, para tentar distraí-lo enquanto deslizava a outra mão para baixo da mesa, para a tomada da corrente elétrica. – Por favor, eu não direi a ninguém. Farei o que você quiser, qualquer coisa! Mas, por favor, não me mate!
Quando apalpou com os dedos o cabo, puxou-o num movimento rápido e de golpe tudo ficou em uma insondável escuridão. Malfoy maldisse em voz alta, e Hermione sentiu-o mover-se para ela, mas saltou para um lado e esquivou-o. Em seguida, correu para a porta.
- Encontre o interruptor de luz! – ouviu que Malfoy gritava para Goyle, furioso. – Não a deixe fugir! Mate-a!
Era como se tudo estivesse acontecendo de novo, como naquela primeira noite nas montanhas. Podia sentir o retumbar do sangue em suas têmporas e os gritos de Malfoy retumbavam em seus ouvidos. Mas não permitiria que machucassem Harry. Isso jamais! Perguntou-se onde estaria. E se já era muito tarde para ajuda-lo? E se ele já...? Não! Obrigou-se a descartar de sua mente esse horrível pensamento, negando-se a aceitar aquela possibilidade. Tinha que acalmar-se, pensar, raciocinar...
Contava com a vantagem de conhecer perfeitamente a biblioteca. Havia dez longas filas de estantes, divididas por um corredor e várias mesas e cadeiras próximas da porta de saída. Teria que orientar-se pelo labirinto de estantes e encontrar a saída. Mas sabia que Malfoy e Goyle a estariam esperando ali, além do mais Crabbe estava em algum lugar do exterior da biblioteca. Nunca poderia esquivar de todos. A única saída estava na esquina oposta e levava à sala de história, com o que se afastava ainda mais da saída.
Goyle e Malfoy continuavam gritando entre si, e Hermione podia ouvir o barulho dos livros ao caírem das estantes. Não dispunha de muito tempo antes que Goyle encontrasse o interruptor de luz.
- Hermione – Malfoy ciciou seu nome, e a morena deu-se conta de que estava perto, muito perto dela – Sabe que não pode escapar. Não deixe mais difícil, sim boneca?
Contendo a respiração, Hermione continuou caminhando até o final da fila de estantes, depois pegou um livro e lançou-o por cima das estantes, tão longe quanto pode. Em seguida, quando ouviu os passos de seus perseguidores, tirou os sapatos, colocou-os sob o braço e correu até a porta que se comunicava com a sala de história.
Malfoy e Goyle ainda continuavam gritando, procurando o interruptor de luz e Hermione.
"Só uns metros mais...", se disse a garota, muito nervosa. Se conseguia cruzar o umbral, poderia descer pela escada de trás do andar principal, e de lá chamar a polícia pelo telefone público que havia em frente à biblioteca. Sob seus pés sentia o chão frio e escorregadio, fazendo com que suas passadas fossem torpes e lentas. Quase já chegava na porta...
De repente as luzes da sala se acenderam.
- Quieta!
Hermione se deteve, não havia um só lugar onde pudesse esconder-se. Malfoy aproximou-se dela, furioso, sem deixar de aponta-la com sua arma. Hermione olhou-o nos olhos firmemente, como que provocando-o a disparar.
- Encarrega-se você. – ordenou a Goyle, que se encontrava a uns metros dele, com um mão sobre o interruptor de luz que estava ao lado das portas duplas da sala. – Sei que é algo que vem desejando desde aquela noite.
Um sorriso tenso se desenhou nos lábios de Goyle. Retirando a mão do interruptor deu um passo para Hermione, sem desgrudar seu olhar luxurioso da figura da castanha.
No instante em que Goyle chegou a dar um só passo, as portas da sala se abriram de golpe. Uma figura negra investiu contra Goyle com a velocidade de um raio, derrubando-o; em seguida, voltou-se para o loiro, e, dando-lhe um chute na mão, o desarmou.
- HARRY! – gritou Hermione, aliviada de vê-lo com vida, mas de imediato voltou a gritar ao ver que Goyle se levantava do chão e se dirigia para o olhos verdes com o punho erguido.
Harry voltou-se com rapidez para desferir-lhe um soco no meio dos olhos, que o derrubou imediatamente no chão, inconsciente.
- Quem, diabos, é você? – perguntou-lhe Malfoy, com os olhos entrecerrados pela raiva.
- Um simples agente de seguros. – disse Harry, com um ligeiro sorriso. – Mas somente em sentido figurado, claro. Temo que não poderia lhe fazer uma apólice nem se eu quisesse. – disse, com um sorriso travesso, mas pondo-se sério, continuou: - Depois dos tribunais se encarregarem de você, Malfoy, temo que não terá muito futuro em diante... Você está bem, Hermione?
A jovem queria correr para ele, lançar-se em seus braços, mas as pernas se negavam a obedece-la.
- Crabbe ainda está por aí, em algum lugar, não poderá com os três juntos, Potter...
- Ah sim, meu velho amigo Crabbe. Já nos cumprimentamos.
- Foi Malfoy quem roubou as pinturas. – disse Hermione, ansiosa. – Marcus descobriu e por isso o mataram.
- Eu sei. – considerou Harry, enquanto afastava com o pé a pistola de Malfoy, para que não se ocorresse tentar alcança-la. – Fiz uma pequena investigação por minha conta.
- Nós também.
Hermione ficou boquiaberta ao ver surgir na soleira da porta um homem alto e forte, vestido em roupa negra, de cabelo curto e ruivo. Seu intenso olhar cobriu toda a sala, sem perder um só detalhe. Atrás dele, um grupo de seis homens permaneceram à espera de instruções.
- Hey, Weasly" – saudou-o Harry, com um sorriso torto e as sobrancelhas erguidas -, você chega um pouquinho tarde, não parece?
- Da próxima vez não me chame em minha casa no meio da madrugada, para que eu chegue no outro lado da cidade em cinco minutos, Potter" – respondeu-lhe o ruivo, com a mesma careta.
- O que aconteceu com o 'Sempre A Postos', Ron? – disse Harry com sarcasmo.
- Este é o nosso homem? – perguntou Ron, com o olhar fixo em Malfoy, ignorando o comentário do moreno.
- Sou um agente do FBI. – respondeu o aludido. – Você está interferindo em um caso federal, e a punição para isso...
- Poupe-se de todo esse lixo, Malfoy. – interrompeu-o Harry. – Leve esse homem agora para longe de minha vista, Ron. Estou a ponto de perder o pouco controle que me resta...
O ruivo ordenou a seus agentes que o levassem, mas Goyle de repente jogou-se sobre Harry, golpeando-o na lateral e fazendo-o perder o equilíbrio. Os agentes, então, ocuparam-se de Goyle, deixando Malfoy sem guarda, que saltou para o chão para pegar a arma, rodou por um dos lados e mirou.
- ISTO É SUA MALDITA CULPA, VADIA! – fora de si o loiro apontou para Hermione, mas no momento do disparo um par de agentes lançou-se sobre Malfoy, impedindo-o, enquanto Harry jogava Hermione no chão, ficando parado na frente dela. Malfoy, em um ataque de raiva, conseguiu que a arma disparasse. Ao instante, soou outro disparo, era da arma de Ron, que teve como alvo o entre cenho de Malfoy.
Tudo pareceu como se fosse em câmera lenta, o disparo deu em cheio no flanco de Harry. Este cambaleou, perdendo o pouco equilíbrio que restava, caindo de joelhos diante da garota. Hermione, desesperada, ajoelhou-se à sua altura e segurou-lhe o rosto.
- Harry! Meu Deus, por favor, Harry! – dizia ela angustiada, ao ver a quantidade de sangue que saía da ferida. – Harry, por favor, resista...
- Her...Hermio-ne... eu... eu... – Harry olhou-a nos olhos, com sua mão cheia de sangue acariciou a bochecha da morena, sentia que pouco a pouco ia perdendo o sentido. - ... Obrigado, Hermione, eu te, eu...
- Não, Harry, agora não! – gritou, desesperada a morena, já sem poder evitar que seu rosto se enchesse de lágrimas.
- Tem que ser agora, Her-mione... perdoe-me por não cum-prir a pro-messa... – a voz de Harry era cada vez mais suave, e ela mal conseguia ouvi-lo - ... E-eu te... Te amo, linda.
E com um suave sorriso os olhos de Harry foram-se fechando pouco a pouco, perdendo o conhecimento.
Hermione gritou desesperada ao ver que Harry desfalecia no chão, em meio a um grande charco de sangue.
- HARRY!
Respirava-se um denso odor de anti-séptico nos corredores do hospital. Um médico vestido de verde estudava um gráfico, enquanto caminhava pelo corredor apenas iluminado por um fraca luz; Hermione observava-o nervosa, quando o via desaparecer, de tempos em tempos, pelas portas que se comunicavam com a sala de cirurgia. Durante as últimas quatro horas tentara várias vezes abrir essa porta, para, pelo menos, falar com alguém que pudesse dizer-lhe o que se passava com Harry. E cada vez que havia tentado entrar, um vigia a havia interceptado do outro lado para dizer-lhe, educada porém firmemente, que não havia nenhuma notícia nova e que ela teria que continuar esperando no corredor.
As enfermeiras haviam se mostrado igualmente educadas e, por sua vez, herméticas, e Hermione não voltara a ver Ron desde que levou Harry na ambulância. Um dos outros agentes a havia acompanhado ao hospital, para em seguida desaparecer sem dar nenhuma explicação.
Já haviam se passado quatro horas desde então, e estava ficando louca de angústia.
O pesadelo se repetia uma e outra vez em sua mente. Malfoy lutando com os agentes, Harry jogando-a ao chão e pondo-se na frente dela, um disparo, as palavras de Harry... e o eco de seu próprio grito ressoando em seus ouvidos sem cessar.
Malfoy deixara de existir, e Harry estava estendido em uma mesa de operações, lutando por sua vida.
Tudo isto não podia ser real, era impossível. Depois de tudo pelo que haviam passado... negava-se a crer que ele não fosse se recuperar. Ele tinha que faze-lo.
Hermione não podia perde-lo. Amava-o muito para poder suportar o pensamento de uma vida sem Harry, mesmo que seu mundo não a incluísse, necessitava saber que ele estava vivo.
Incorporou-se de imediato, com o coração batendo acelerado, ao ver que um médico saía da sala de cirurgia, e aparentemente aproximava-se dela. Mas passou longe para dirigir-se a um casal que estava ao fundo do corredor. Abatida, Hermione voltou a despencar em seu assento, piscando várias vezes, para não derramar mais lágrimas.
Ouviu, então, um murmúrio de vozes ao longe e o som de telefones e sirenes à distância. Já não podia permanecer ali sentada por mais tempo. Cambaleando ligeiramente, levantou-se e dirigiu-se para as portas que se comunicavam com a sala de cirurgias. Quando as abriu, o vigia apareceu de novo, impedindo-lhe a entrada.
- Vai ter que atirar em mim ou me prender para me deter. – declarou Hermione, com um tom surpreendentemente calmo, olhando-o fixamente. – Porque vou passar e não irei até que fale com alguém.
O vigilante começou a discutir, mas Hermione passou ao longe diante dele, e inclusive o empurrou ao ver que tentava pega-lo pelo braço. Ao chegar no corredor interior, entrou no primeiro quarto que viu, estava vazio. Entrou em seguida para o contíguo, ignorando os gritos do vigilante, e viu uma mulher que estava esfregando o piso.
Já se dispusera a dirigir-se para o terceiro quarto, quando a porta se abriu nesse mesmo instante, dando passo à imponente figura de Ron. Hermione conseguiu ver em seu interior uma equipe de médicos, sem as máscaras e consultando uns papéis. Todos voltaram-se para olha-la.
- Senhorita Granger...
- Vou entrar. – advertiu-lhe friamente a jovem.
- Hermione... – Ron, então, segurou-a pelos braços, enquanto uma enfermeira fechava a porta.
- Maldita seja..! – exclamou a castanha, rechaçando-o com lágrimas nos olhos. – Não podem me impedir de vê-lo!
- Hermione... – disse-lhe Ron, em tom suave, segurando-a pelos ombros. – Eu sinto muito.
Um frio terror apoderou-se dela. Olhou-o fixamente, tentando pronunciar alguma palavra, palavras que se negavam a sair de seus lábios.
Vacilando, Ron indicou com os olhos o quarto que estava às suas costas, e em seguida voltou a olhar Hermione. Mantinha a mandíbula muito tensa, a boca era uma dura e fria linha, mas seus olhos estavam brilhantes, como se quisesse conter as lágrimas.
- Se foi, Hermione. Harry, ele... – Ron fechou os olhos e respirou profundamente – De verdade, eu sinto muito, Hermione, os médicos não puderam fazer nada. O disparo deu em cheio no fígado e a hemorragia interna e os danos eram muitos...
- Não entendo... – disse ela, começando a tremer ligeiramente.
- Harry... ele morreu, Hermione.
Ao ouvir essas palavras, de repente tudo voltou-se escuro ao seu redor: ele se fora.
Nota da Tradutora:
Além de atrasada eu sou uma cabeça-de-vento. Eu tinha dito que a fic conta com 15 capítulos, quando, na verdade, tem 14 capítulos, o que significa dizer que este aqui é o penúltimo. ;-) Isto mesmo o que vocês leram: o próximo capítulo será o epílogo, o final da história, finito, fim-do-firim-fi-fim.
Ah, e me desculpem pelos possíveis erros encontrados ao longo do texto - pra variar. Sendo franca com vocês eu não tive um pingo de paciência em revisar. ¬¬
Bueno, aquele abraço para os review-sadores:
Valson – Muito me alegra que a tradução ainda esteja agradando e recebendo sua aprovação. :-) Beijo no cerebelo e hasta pronto!);
claudia – Não há pelo que eu desculpa-la, visse? Na verdade, eu só tenho a agradecer pela review. ;-) Mas então, a curiosidade foi maior e você resolveu ler a fic em espanhol, sí? Isso é bom, por dois motivos: primeiro, que você desenferruja o idioma e segundo, que você tem acesso à informações que os demais leitores não têm (o que significa dizer: bico calado até o último capítulo da tradução. ;-) Respondendo a sua pergunta: Sim, eu tenho a pretensão de traduzir mais fics e não apenas do meu shipper hetero predileto (H/H), como também mais uma fic D/Hr, a fic D/G da Julieta Potter que é "sequência" de Pó de Chifre de Unicórnio, e duas ou três fics slash. Com relação a fics H/H, existem na ponta da agulha mais três, uma das quais já comecei a traduzir e que, devido à falta de tempo, tive que deixar em ponto morto até o bendito dia em que eu possa retomar a tradução. Respondendo a sua outra pergunta: Sim, já me ocorreu traduzir uma fic com o casal James e Lily. Existem várias histórias muito boas que certamente agradariam ao leitor brasileiro. Porém, devo confessar que esse shipper, apesar de bom, não está na minha lista de prioridades. Mas eu pensarei a respeito... Sobre o comentário que deixei para a Nathyyyyy sobre o hímen, você acabou complementando meu pensamento. No meu comentário eu brinquei a respeito da frase da Nathyyyyy sobre Hermione não ser virgem, dizendo que se ela não era virgem, então estava sem prática, porque tinha doído. De fato, só porque na primeira vez não dói tanto ou não sangra, não significa que não tenha havido um hímen. Como você mesma expôs, existem vários tipos de hímen e ainda casos em que o mesmo é inexistente. Eu citei apenas um tipo, conhecido como hímen complacente, que é flexível e muitas vezes sequer é rompido na primeira vez. Mas embora eu ainda lembre de algumas coisas que aprendi ainda no tempo de colégio, foi muito bom você ter se pronunciado a respeito. Tais explicações ajudam a diminuir certas idéias errôneas decorrentes da falta de informação sobre virgindade e desvirginamento. Valeu! ;-) Beijoca!);
Nathyyyyy – É britadeira mermo! ;-) E pra quem tá muito tempo sem usar a perseguida, vale um aspirador de pó super sônico, pra retirar as teias da "aranha" que se acumularam com o tempo, ahauhauahauahua! Oxe, como eu falo merda! ;-) Mas... hmm... eu sou má, é? - olhando Nathyyyy com uma sobrancelha erguida, enquanto balança o chicotinho de forma insinuante - De fato, eu sou uma pessoa muito boa, mas devo confessar que fico ótima quando má. ;-) Oh sim, eu entendo bem o tipo de surto psicótico que você tem pela diversidade, porque eu também sou assim. Não é a toa que já li de tudo, mesmo as fics de casais trash, por pura e simples mórbida curiosidade. Hohohoho! (risada no ritmo de Natal), Hermione está se saindo uma autêntica safada, e eu é que gostaria de estar no lugar dela me saindo uma legítima putana, ahauhauahauahau! ;-) Sim, sim!, o capítulo estava foda, como todas as fodas H/H! ;-) Quanto ao futuro do loiro mais sexy do fandom, não se preocupe, o final dele não será dos melhores. Mas acho que isso você já conseguiu deduzir por este capítulo aqui, não? Estão fechando o cerco em cima do loiro e as opções de fuga são praticamente nulas. E não, não irei matar sua curiosidade. Se depender de mim, os leitores é que morrem dela. Mas eu juro que não é por maldade, eu juro. ;-) P.S.1: Oh sim, Hermione pode estar grávida. Na verdade, é BEM POSSÍVEL que ela esteja. - caindo em si - Oops! Acho que digitei demais. ;-) P.S.2: Toooodos os Harry by Lady Verónica obedecem ao mesmo padrão: lindos, inteligentes, charmosíssimos, viris, deliciosamente possessivos, de "excelente pegada", e poderosos. Eles sempre conseguem tudo o que querem - incluindo a mocinha - e nós sempre conseguimos o que desejamos: mais do mesmo, mais de Harry. ;-) P.S.3: Realmente... Como seria a irmã de Harry? Ruiva como a mãe, e de olhos castanhos como os do pai? Ou de cabelos negros e olhos verdes, como o irmão? Eis o dilema... P.S.4: Eu também quero traduzir algo novo. Na verdade, já comecei, mas tive que parar e adivinha por quê? Bingo! Pela falta de tempo. ¬¬ P.S.5: Você não gosta de Draco e Hermione, mas deve gostar de Draco e Gina, não? Porque a Julieta Potter já me autorizou publicamente (num comentário que ela deixou lá na Pó de Chifre) a traduzir toda e qualquer fic dela, inclusive uma D/G que é "sequência" da PCU. Entonces, caso você goste desse casal, eu fico te devendo essa. ;-) Beijundão estalado pra você e Feliz Natal! E vida "longa" ao pintão do Harry!, ahuahauahauahua!)
Faltou alguém? Se não, então... Hasta... o próximo e último capítulo. ;-)
Inna
