À Beira do Abismo

Capítulo 12

Jared pegou um ônibus até Austin e se hospedou em um motel. Se conseguisse algum emprego, procuraria um lugar para morar, caso contrário, não permaneceria na cidade por muito tempo.

Procurou por uma babysitter nos anúncios e a contratou para ficar com Angel durante o dia, enquanto procurava por um trabalho. Quando, depois de alguns dias, não conseguiu nada, finalmente criou coragem e ligou para Samantha Smith, a senhora que Donald havia lhe indicado, na esperança de conseguir alguma coisa.

A pedido dela, Jared fora até o seu escritório e estava ligeiramente ansioso pela entrevista. Mentir nunca fora o seu forte e de repente precisava omitir grande parte da sua vida, até mesmo o seu verdadeiro nome. Aquilo não seria nada fácil.

O moreno gostou do ambiente, e Samantha se mostrou muito simpática, o que fez com que ele se sentisse mais à vontade. Donald já havia conversado com ela a seu respeito, o que tornou tudo mais fácil.

- Então você se divorciou recentemente, tem uma filha de dez meses, não concluiu a faculdade, trabalhou em dois grandes escritórios… mas não gostaria de divulgar os nomes? - Samantha franziu o cenho. - Em que tipo de encrenca você está metido, Jared? Só espero que não tenha matado ninguém - Brincou.

- Eu sei que isso é complicado - Jared suspirou. Por mais que ela parecesse uma pessoa de confiança, não queria mencionar o nome de Morgan, e qualquer um dos escritórios que trabalhara, remeteriam a ele. - Talvez não tenha sido uma boa ideia - Fez menção de pegar o seu currículo de volta e sair, mas Samantha o segurou.

- Eu não sei do que, ou de quem você está fugindo, e não é problema meu. Se algum dia você quiser conversar, saiba que a minha porta está sempre aberta. Nós temos uma vaga em aberto, e ela é sua, se você quiser.

Jared a olhou, estranhando.

- Um dia eu já estive em uma situação ruim, Jared. Muito ruim. E eu tive a sorte de que algumas pessoas me ajudaram, caso contrário, eu não sei o que teria sido de mim. Donald, ou DJ - Samantha riu - foi uma dessas pessoas que me ajudaram, sem questionar. E se ele me indicou você, isso é o suficiente para mim.

- Obrigado - Jared quase não conseguia acreditar. Finalmente algo de bom estava acontecendo em sua vida, depois de muito tempo.

- Você já tem algum lugar pra morar?

- Em me instalei em um motel. Não sabia se iria conseguir um emprego por aqui, então… - Jared deu de ombros.

- Eu conheço um casal que tem um apartamento pequeno pra alugar, fica em cima da casa deles, e não é longe daqui. Samantha anotou o nome e telefone em um papel e o entregou para Jared. - Não custa ir dar uma olhada. Se eu não me engano, ela cuida de crianças, também. Quanto ao trabalho, a vaga é sua, e você pode começar quando quiser.

No mesmo dia, Jared fora falar com o casal indicado por Samantha e acabou alugando o apartamento. Era um espaço pequeno, mas suficiente para ele e Angel, e melhor, já estava mobiliado.

No dia seguinte, ajeitou as poucas coisas que carregava consigo e foi às compras, pois precisavam de roupas, lençóis e toalhas, e também de comida.

Conforme Samantha havia comentado, a dona da casa, uma senhora simpática, na faixa dos 50 anos, também cuidava de crianças, e se encantou com Angel assim que a conheceu, o que facilitou as coisa para Jared.

Tudo parecia estar se encaixando e o moreno finalmente podia respirar aliviado. Não sabia por quanto tempo, mas não podia viver com medo, trancado dentro de casa. De alguma maneira, a vida precisava seguir.

O primeiro dia de trabalho foi mais tranquilo do que Jared esperava. Era sempre difícil lidar com a ansiedade, mas os remédios o ajudavam.

Foi muito bem recebido pelos colegas de trabalho, todos pareciam se dar muito bem e trabalhar bem em equipe, exceto a tal Cindy, que o olhara de cima a baixo, como se o estivesse avaliando. Jared se perguntou se era por causa do seu terno barato, mas percebeu que ela olhava da mesma maneira para os demais.

O trabalho era basicamente o mesmo que fizera nos escritórios de Jeffrey; montar planilhas, ligar para os clientes, avaliar e reunir provas e documentos, redigir processos e petições, entre outras coisas.

- Quem trabalha na outra sala? - Jared estranhou o fato de terem uma sala vazia e perguntou a Tahmoh, enquanto avaliavam juntos um novo caso.

- Ah, é a sala do Jen. Ele tirou uns dias de folga, mas deve voltar na semana que vem. Você vai gostar dele, só precisa proteger o seu traseiro - Tahmoh brincou, e como percebeu que Jared não gostava de falar sobre si mesmo, continuaram a conversar sobre o trabalho.

No dia seguinte, Jared precisou ficar um pouco além do seu horário, pois queria terminar um relatório. Somente Samantha ainda estava no escritório, além dele, e quando o moreno saiu da sala de Tahmoh, disposto a ir embora, acabou esbarrando em alguém.

- Desculpe, eu… J-ensen? - Jared franziu o cenho, sentindo seus joelhos fraquejarem. Jensen era a última pessoa que esperava encontrar ali.

- Jared? - Jensen ficou paralizado, tentando processar aquilo.

- O que diabos você está fazendo aqui?

- Eu trabalho aqui - O loiro respondeu, ligeiramente aborrecido. - Mas eu é que pergunto: O que você faz aqui?

- Não, você… Espera, você é o Jen? - Jared não queria acreditar. Aquilo jamais teria passado pela sua vabeça. Logo agora que a sua vida estava entrando nos trilhos novamente… Não. Não podia ser.

- Jensen! - Samantha saiu de sua sala e foi cumprimentar o loiro. - Você já está de volta? Eu o esperava só na semana que vem - A mulher estranhou.

- Sim, eu… Espera… - Jensen ainda estava atordoado com a situação. - Vocês já arranjaram um substituto pra mim? - Olhou de Samantha para Jared.

- O quê? Não. Esse é Jared, nosso novo assistente. Acho que vocês ainda não foram apresentados, certo? Jared, este é Jen. Ele é meio mau humorado, como você pode ver, mas… geralmente não morde - Samantha brincou.

- Assistente? - Jensen o olhou; um misto de surpresa e raiva em seus olhos. - Desde quando nós precisamos de um novo assistente?

- Nós sempre precisamos de pessoas neste escritório, Jen - Samantha usou sua melhor voz de mãe, e o loiro sabia que ela o estava repreendendo.

- Bom, eu… - Jared só queria poder sumir naquele momento. - Eu já estava de saída - O moreno pegou seu casaco e foi saindo de fininho. - Até amanhã.

Sentia que o destino mais uma vez estava lhe pregando uma peça. Estava tentando deixar o passado para trás, mas ele parecia persegui-lo para onde quer que fosse.

Tinha escolhido o Texas, porque não havia a menor chance de ser reconhecido por ali e fora encontrar com Jensen justamente no seu local de trabalho? O quão irônico podia ser aquilo?

Seu primeiro pensamento fora largar tudo e sumir da cidade o mais rapidamente possível. Mas não podia fazer isso. Tinha um emprego ali, e o dinheiro que havia juntado não duraria para sempre. Precisava ter alguma reserva, por precaução.

Tinha um bom lugar para morar e Angie estava se adaptando bem à senhora que tomava conta dela durante o dia. Sua filha precisava de alguma estabilidade, de alguma segurança, não podia simplesmente sair correndo com ela pelo mundo.

Mas ao mesmo tempo, o medo era latente... E se Jensen tivesse algum contato com Jeffrey e o homem acabasse descobrindo o seu paradeiro? Precisava descobrir o quanto Jensen sabia.

Jensen...

Era incrível como, mesmo depois de tanto tempo, pensar nele ainda doía. E estar perto dele novamente, só tornava tudo ainda mais difícil de suportar. O fazia pensar no quanto a sua vida podia ter sido diferente...

Mas ficar se lamentando não iria mudar o passado, nem tornar o presente mais suportável. Um coração partido não o havia matado uma vez e não iria matar agora. Não podia deixar que aquilo o afetasse, precisava ser forte e manter a sua filha segura. O restante, já não importava mais.

J2

- Eu estou preocupada com você - Samantha entrou na sala de Jensen, enquanto este organizava suas coisas e checava seus e-mails, já que estivera fora da empresa por muitos dias.

- Só por que eu não gostei do seu novo assistente?

- Por que essa implicância com o garoto? - A mulher queria entender.

- Não é implicância. E ele não é um garoto.

- Ele tem 25 anos, Jensen. E você o está julgando sem sequer conhecê-lo. O que está havendo com você?

- Nada - Jensen fechou os olhos, tentando manter a calma. Samantha era uma grande amiga, mas aquele era um assunto que queria deixar enterrado. Não estava pronto para falar. Ainda estava tentando processar tudo o que Chris revelara, e não estava pronto para lidar com a presença de Jared novamente. Provavelmente nunca estaria.

- Nada? Eu sinto que você está se tornando cada dia mais frio, mais distante... E eu nunca toquei no assunto antes, mas… essa bebedeira quase todas as noites, eu não acho que...

- Você quer que eu vá embora? É isso? – Jensen a interrompeu. O que menos precisava agora era ficar ouvindo sermões. Ela não era a sua mãe, afinal.

- Não. Eu não vou abrir mão de você. Você é um dos nossos melhores advogados, sem dúvida alguma, e eu o considero um amigo. Mas não posso fechar os olhos para certas coisas. Tenho medo que essa vida que você está levando, vá acabar prejudicando o seu trabalho e, principalmente, o seu futuro.

- Isso não vai acontecer. Eu voltei de viagem revigorado - Jensen forçou um sorriso.

- Okay. Se você está dizendo… - Samantha fez menção de sair da sala. Sabia quando não valia à pena entrar em uma discussão.

- Você está vendendo a empresa? Ou tem mais um sócio que eu não estou sabendo? - Jensen perguntou, quando ela já estava na porta. Precisava saber.

- Claro que não. Por que essa pergunta?

- Você sabe quem ele é?

- Jared? - Samantha ficou curiosa.

- É marido do Jeffrey Dean Morgan. O sócio da Stuart's Associated em Nova York, e da Cohen & Morgan em San Francisco. Por que ele iria querer trabalhar como assistente, logo aqui?

- Ele me pediu um emprego, eu o contratei - Samantha respondeu, simplesmente. - Sua vida pessoal, é problema só dele, eu não questiono.

- E se ele estiver aqui como um espião?

- Você parece conhecê-lo muito melhor do que eu, então me diga, você acha que ele pode estar aqui como um espião?

Jensen não respondeu, mas por mais que quisesse odiar Jared, a ideia era ridícula, sabia que ele jamais faria algo assim.

- E por que alguém tão importante quanto Jeffrey Dean, estaria de olho no meu escritório? Isso sequer faz sentido, Jensen – Samantha sorriu. – Eu entendo que você possa ter problemas com Jared, mas isso não vem ao caso. Se vocês quiserem se matar lá fora, o problema é de vocês, mas aqui, dentro deste escritório, você vai tratá-lo com respeito, como qualquer outro colega de trabalho.

- Sim, senhora – Jensen respondeu, irônico.

- Ótimo – Samantha sorriu, satisfeita.

- Posso perguntar só mais uma coisa? Por que você o contratou, afinal?

- Foi a pedido de um amigo. Eu nunca viro as costas para os meus amigos. E nós estávamos mesmo precisando de alguém, o Tahmoh já vinha reclamando há algum tempo – Samantha explicou. – Agora venha cá... desfaça esse bico e me dê um abraço. Eu senti sua falta.

Jensen fez uma cara feia, mas se levantou e a abraçou. Também sentira sua falta.

Assim que Samantha deixou a sala, o loiro arrumou suas coisas e foi para casa, mas ainda estava cheio de dúvidas.

Por que Jared precisaria de um emprego ali, era uma delas. E por que Austin? Jeffrey estaria vivendo por ali também? Jared não tinha nenhum parente, sequer tinha amigos no Texas, nada daquilo fazia sentido.

Jensen não podia se conformar. Tinha saído de Nova York justamente para não correr o risco de encontrar Jared, e agora o moreno aparecia ali, justamente no seu trabalho? Parecia que o universo estava conspirando contra ele.

E ainda existia aquele sentimento que, embora Jensen quisesse ignorar, estava presente desde que o vira. Aquilo que fazia o seu coração bater mais rápido pelo simples fato de ouvir o som da sua voz. Era patético. Depois de tudo o que Jared havia feito, Jensen ainda se sentia assim. Como poderia conviver com ele trabalhando ali?

J2

- Hey minha princesa - Jared pegou sua filha no colo, beijando sua testa e cheirando seus cabelos, ao chegar em casa. - Você se comportou hoje?

- Ela é um doce de criança. Ainda pede pelo papai o tempo todo, mas já não chora mais. Só fez manha na hora de dormir, mas o restante do dia ela brincou e se comportou direitinho - A senhora que tomava conta dela falou, sorrindo e acariciando os fios de cabelos loirinhos de Angel. - Ah, e eu acho que não vai demorar pra ela dar seus primeiros passinhos, pois já está se agarrando por todos os lugares e tentando se levantar.

Jared conversou um pouco com a mulher, então pegou a bolsa de roupas, e subiu pela escada lateral para o andar de cima da casa, onde morava.

Brincou com sua filha por algum tempo, depois lhe deu banho e preparou sopinha e purê de legumes para o seu jantar.

- Não ouse dar seus primeiros passos quando eu não estiver por perto, entendeu, mocinha? - Brincou, enquanto lhe dava a comida. Era muito bom estar trabalhando novamente, se sentir útil, ter contato com as pessoas, mas sentia falta de estar com sua filha o tempo todo. A única lembrança boa que tinha dos últimos meses.

- Você gosta mesmo disso, não? - Sorriu ao ver a menina comer com gosto. - Acho que eu não perdi a mão pra cozinhar.

Jared estava tentando retomar seu velho hábito, que havia abandonado completamente depois que se mudara para San Francisco. Lembrou-se do quanto amava cozinhar para Jensen, e agora, igualmente, amava cozinhar para a sua filha.

Quando Angie terminou sua refeição, Jared limpou sua boquinha com o guardanapo, e tentou limpar uma sujeirinha que havia sobre o seu nariz.

- Sardas - Jared falou quando percebeu que não era sujeira. - Como eu ainda não tinha percebido? - Sua vida estava tão tumultuada ultimamente, que Jared sequer tinha notado essas pequenas mudanças.

- Sardas - Repetiu, sem saber se ria ou se chorava. - Você é tão parecida com ele que chega a ser assustador, sabia? - Falou, acariciando o rostinho de sua filha, enquanto a sua mente era tomada pelas lembranças...

"O que você está fazendo? - Jensen perguntou, levemente constrangido com a maneira que o moreno o olhava, muito de perto. Ambos estavam deitados lado a lado na cama do loiro, numa tarde de sábado, logo no início do namoro.

- Sardas.

- O quê?

- Você tem sardas - O sorriso de Jared era todo covinhas.

- É claro que eu tenho sardas. Eu fui zoado a minha infância inteira por causa delas. Você acha que eu me esqueceria? - Jensen fez bico, sem perceber.

- Zoado por quê? São lindas. Um conjunto perfeito. Ainda mais quando você fica assim, corado de vergonha e fazendo esse biquinho… - Jared sentiu sua calça jeans ficar apertada, de repente.

- Eu não estou fazendo bico. Pare de zoar com a minha cara. Eu sou seu professor, exijo respeito - Jensen tentou usar um tom autoritário, mas falhou terrivelmente. Sua voz saiu mais rouca do que pretendia, o jeito que o moreno lhe olhava o estava deixando cheio de tesão.

- Okay, Senhor Ackles - Jared sorriu e tocou o rosto do loiro com seus dedos longos, contornando desde as sardas sobre o seu nariz, até chegar em seus lábios carnudos. - Tão perfeito. Queria que você fosse meu. Oh, espera… Você já é meu - O moreno sorriu e venceu o espaço entre os seus rostos, tomando a boca do loiro em um beijo nada inocente..."

- Você tem que ser filha dele - Jared não queria nem pensar na possibilidade de Angie não ser filha de Jensen.

Passou as mãos pelo próprio rosto, lembrando-se do reencontro com o loiro, no escritório de Samantha.

- Ele me odeia. Eu pude ver em seu olhos. Mas eu já esperava por isso, só não esperava reencontrá-lo aqui, nessas condições. E sequer posso pedir que ele faça o exame de DNA, porque não sei como ele vai reagir a isso… E se ele quiser tirar você de mim? Ele conseguiria isso facilmente - Jared tinha lágrimas nos olhos. - Eu sei que ele provavelmente seria um pai muito melhor do que eu. Que você poderia ter uma vida muito mais digna com ele, sem precisar fugir de ninguém, nem se esconder, mas… Eu não quero que ele queira ficar com você por vingança, ou por estar com raiva de mim… Eu só quero que ele te ame, do mesmo jeito que eu amo. E eu não estou pronto pra abrir mão de você, meu pequeno anjo. Eu não estou - Jared segurou sua filha no colo, abraçando-a e deixando as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

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Jensen entrou no escritório, dando um mau humorado bom dia para todos e foi diretamente para a sua sala.

- Vixi! Hoje ele está naqueles dias - Cindy reclamou e foi até a cozinha, pegar café.

Jared tirava cópias de alguns documentos e voltou para a sala de Tahmoh. Tinha consciência de que era o culpado pelo mau humor de Jensen, mas realmente não sabia o que fazer para remediar aquela situação.

Estava sozinho na sala de Tahmoh, organizando alguns arquivos, quando o loiro entrou e fechou a porta atrás de si.

- O que você faz aqui, Jared? - Jensen foi direto ao ponto. Parou encostado na porta, cruzando os braços sobre o peito, esperando por uma explicação.

- Eu trabalho aqui - Jared não sabia o que dizer. Não podia contar a verdade, pelo menos não por enquanto.

- O Jeffrey está pensando em comprar esse escritório também, ou o quê? - O loiro precisava saber. Se fosse o caso, pediria demissão e sumiria da cidade.

- O quê? - Jared não estava entendendo.

- O Jeffrey está aqui em Austin também? - Tudo o que Jensen menos queria era acabar cruzando com aquele que diziam ser seu pai.

- Não - Jared ficou um tanto aliviado, pois pelo jeito, Jensen não sabia de nada e não tinha contato com ele. - Nós estamos separados.

- Oh - Jensen deu um sorrisinho irônico.

- Jensen… eu sinto muito - Jared falou e se arrependeu no mesmo instante. Era cedo demais para aquele tipo de conversa.

- Sente muito? - O olhar do loiro era frio, e Jared pensou que já não o reconhecia mais. - Pelo quê?

- O jeito que as coisas aconteceram, eu… Eu soube que você nunca me traiu - As palavras foram saindo, sem nem mesmo pensar.

- Você soube? - Jensen mordeu o lábio inferior e deu uma risadinha. - E mesmo sabendo que Jeffrey armou aquilo tudo, você ainda continuou a viver com ele?

- Não exatamente - Jared pensou em tudo o que aconteceu depois de descobrir a verdade. Não era como se tivesse alguma escolha. Mas ainda assim, sabia que tinha magoado Jensen demais e que não havia perdão para o que fizera.

- Você nunca me deu uma chance de explicar. E não perdeu tempo em correr para os braços dele, não é? Ou será que já eram amantes e eu fui o último a saber? - Jensen queria machucar. Velhas feridas nunca deviam ser cutucadas.

- Não seja ridículo - Jared balançou a cabeça. - Eu nunca tive nada com o Jeffrey. Não enquanto estava com você.

O loiro gargalhou.

- E você fala sobre dar uma chance de se explicar - Jared continuou -, mas quando me viu no escritório do seu pai aquele dia, também deduziu que eu estivesse transando com ele, ao invés de procurar saber o que estava acontecendo.

- E o que estava acontecendo? Você estava nu no escritório dele, isso era tão óbvio quanto…

- Quanto eu encontrar a Danneel seminua no seu apartamento? Quanto ela me dizer pra não contar sobre aquilo pra ninguém, porque ela era sua aluna, e não seria ético? - Desta vez foi Jared quem ironizou. - Como você acha que eu fiquei depois de presenciar aquilo? Eu saí de lá arrasado, saí caminhando pela chuva e esse era o motivo de eu estar no escritório do seu pai sem as minhas roupas que estavam molhadas. Mas você deduziu que eu estava te traindo, assim como eu também deduzi sobre você e a Danneel. Se eu errei, você também errou - Jared falou com raiva.

- Você foi embora com ele.

- Sim, eu fui. Ele me ofereceu um emprego em San Francisco e tudo o que eu queria naquele momento era sumir de Nova York, então… - Jared engoliu o nó na garganta. Aquele tinha sido o maior erro da sua vida, e por mais que quisesse, não poderia voltar no tempo e corrigir as coisas.

- Vocês se merecem - Jensen falou com certo desprezo. - Mas nada disso explica o que você faz aqui… nesse escritório. Está me perseguindo, por acaso?

- O quê? - Jared o olhou, incrédulo. - Eu jamais teria aceitado esse emprego se soubesse que você trabalhava aqui.

- Qual é? O Jeffrey é rico, você não precisa desse emprego. O que você quer aqui, afinal?

- Eu vim pra cá tentando recomeçar, não quero o dinheiro dele - Jared mentiu. Não podia revelar que estava fugindo.

- Pelo visto, o conto de fadas não durou muito, não é? - Jensen riu.

- E o que você faz em Austin? - Jared ignorou a piada.

- Eu vim pro Texas, justamente pra não correr o risco de encontrar vocês em Nova York. Mas pelo visto, não dei muita sorte.

- Eu não pretendo ficar muito tempo por aqui. Só até encontrar outro emprego, ou… - Jared não sabia por que estava se justificando.

- Espero que isso aconteça logo, mas enquanto tivermos que conviver por aqui… - Jensen abriu a porta para sair da sala. - Fique fora do meu caminho.

Continua…


N/A: Sardas, sardas, sardas… Falaram tanto sobre elas no twitter, que me deram ideias e acabei incluindo o flashback, escrito de última hora. Estão vendo como não sou tão má? kkk. Beijos!


Resposta às reviews sem login:

Helena Candido: É muito bom saber que a história está te prendendo. Espero não decepcionar. Obrigada! Beijos!

Val: Pois é, menina… Achei que só o Jensen estava pegando o Joseph, e aí me aparece aquela foto com Jared… hahaha. Humm, sobre o reencontro:Cuidado com aquilo que deseja. Sempre digo! Kkk. Não queriam que o Jared sofresse? E agora pedem pra parar, né? rs. Reconciliação? O que é isso? *corre* Obrigada por comentar, linda! Bjos!

Sol Padackles: Kane jogou no lixo uma grande amizade, mas que ele não soube dar valor. Quem quer demais, às vezes acaba sem nada. Vai ser difícil ele reconquistar a amizade e a confiança de Jensen. O reencontro pode ser algo doloroso, e talvez os Js não estejam preparados pra isso. A mágoa ainda está presente. Obrigada por comentar, xuxu! Beijos!

Maria Aparecida: Chris não se contentou com a amizade e acabou sem nada. Saber a verdade só serviu para reabrir velhas feridas, mas também serviu para Jensen saber (ainda que uma mínima parte) quem seu pai realmente é. O comportamento do Jensen é destrutivo, eu não consigo ver algo de bom nisso. Sinto que você não vai gostar do rumo da história… rs. Obrigada por comentar. Beijos!

Acia cassimo: Contar a verdade não diminui a culpa do Chris, não é? Acho que ele acabou de perder uma grande amizade. E sim, uma reconciliação entre os Js não é algo fácil. Apesar de ter se passado muito tempo, a mágoa ainda está lá. Obrigada por comentar! Bjos!

Nicole: Kane se arrependeu um pouco tarde demais, né? Talvez algum dia Jensen consiga perdoá-lo, mas a amizade nunca será a mesma. (Sim, na minha fic só o Jared pode ser perdoado… hahaha). Jeffrey realmente não merece perdão. E isso que nem tudo foi mostrado ainda (sorry… rs). Que bom que está gostando. Obrigada por comentar. Bjos!