Reverto Umquam
Versão em português da fic "Reverto Umquam"
Autora: Jaina-com-mx
Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich
CAPÍTULO 13
O entardecer fazia sua entrada por entre as abóboras gigantescas e as enormes propagandas dos estabelecimentos de Hogsmeade. Dezenas de bruxos e bruxas regozijavam-se ante os fogos de artifício, que desenhavam no céu mechas de cores brilhantes, para festejar o vencedor do concurso da maior abóbora.
Harry, Rony, Hermione e Gina haviam regressado a Hogwarts com os estômagos cheios e os bolsos vazios. Os dois primeiros portavam várias sacolas de doces, brincadeiras e equipamento especial para Quadribol.
Desde que o pai de Rony fora promovido dentro do Ministério, ele podia dar-se ao luxo de comprar o que desejasse. A diferença financeira entre seu melhor amigo e ele deixava de envergonhá-lo. Embora os Weasley não fossem ricos, atualmente podiam adquirir coisas que não eram de segunda mão e, para felicidade do Monitor de Grifinória, agora podia exibir uma roupa tão elegante quanto a de Harry.
O baile dessa noite seria o ponto máximo de muitos dos alunos que o assistiriam. As personalidades mais importantes do Ministério Mágico compareceriam para um Homenagem aos Bruxos e Bruxas, que tinham realizado grandes feitos durante a chamada Guerra.
Harry Potter agora podia caminhar tranqüilo, sem a sensação de ser vigiado ou com o temor de que sua cicatriz doesse a qualquer instante. Voldemort estava morto e com ele o reino obscuro que havia criado.
Tudo havia começado depois do seu quarto ano em Hogwarts, onde Cedrico Diggory perdera a vida num cemitério e onde esteve a ponto de perdê-la também. Foi a primeira vez que teve um encontro angustiante, sem possibilidades de sobreviver e, para horror seu, não seria a última vez.
No início do quinto ano, Voldemort tinha recuperado suas forças e seus asseclas haviam se reunido para aniquilá-lo. De alguma outra forma, Harry salvou-se e Voldemort viu-se caído em sua própria armadilha, traído por seu "fiel" vassalo Peter Pettigrew.
Toda a batalha terminou no início do sexto ano e o mundo mágico pode respirar a tranqüilidade. Harry não havia sido o único libertador mas sim, todo um grupo de bruxos e bruxas com o mesmo valor que possuía o jovem bruxo.
Desse modo, durante 1996, tudo havia terminado...
Sendo 1997, um ano depois da Guerra, o Ministério ordenara uma Homenagem aos mortos na Guerra e aos sobreviventes que tinham dado muito de si mesmos.
'Noite das Bruxas', 'Halloween', 'Noite de todos os Santos'... não importava como se chamava o 31 de outubro, o mais importante é que se tratava de um dia especial, a data em que todos seriam relembrados.
A maioria dos alunos ia, eufórica, para suas respectivas Salas Comuns. Após um grandioso dia em Hogsmeade, talvez alguns estivessem bastante esgotados para comparecer ao baile mas, devido à importância do mesmo, relevaram.
Os minutos de nervosismo transcorriam lentamente, Neville Longbottom era um dos mais nervosos. Conseguira a aceitação de uma Grifinória chamada Sandy Smith, uma bruxa companheira de Gina, conhecida como uma das melhores alunas de sua geração. Rony, por sua vez, não deixava de contemplar-se, angustiado, no espelho buscando algum defeito na vestimenta.
Harry e Simas não paravam de fazer piada dele sobre que Luna Lovegood gostaria muito de sua túnica. Tal comentário fez que o ruivo se ruborizasse; fazendo com que seus amigos intensificassem ainda mais suas brincadeiras.
Gina Weasley havia se convertido numa terna e graciosa jovem, que tivera a certeza de sobressair-se num maravilhoso vestido, para satisfação de Harry. Parvati Patil não deixava de invejar, silenciosamente, o vestido que Hermione Granger exibia. Não era um tão caro como o dela, mas favorecia enormemente a expressão inteligente e cordial da Monitora de Grifinória.
Hermione arrumava-se sem muito esmero, de fato sequer estava tão emocionada para comparecer ao baile, embora Parvati lhe insistisse que ir de braço dado com Draco Malfoy não era tão mau. Gina, de algum modo, tentava consolá-la mas parecia inútil. Hermione estava resignada a passar uma das piores noites de sua vida... e de fato... não era a única que assim pensava.
Draco encontrava-se perdido em seus pensamentos. Nem sequer percebeu quando Blaise reclamou-lhe sua ausência no Três Vassouras, como acreditava que haviam combinado. As inquietudes do moreno passaram despercebidas pelo Monitor, que dedicou-se apenas a arrumar a gola de seu traje, um modelo mistura dos estilos medieval e gótico.
O vestuário era composto por um casaco de veludo fino verde, com detalhes negro e cinza. A camisa era de seda pura, de cor acinzentada, com um elegante e pequeno volteio no colarinho, onde levava um broche em forma de dragão, cujos olhos eram simulados por dois rubis. Sua calça negra e reta faziam-no parecer ainda mais alto; tudo em conjunto ressaltava a frieza de seus olhos cinzas, dando-lhe um toque de mistério e elegância.
Draco Malfoy não se considerava feio, de fato não o era. Sua natural aristocracia o convertia num príncipe saído de um conto de fadas... embora excetuado pela expressão fleumática, sarcástica e indiferente. Se Draco sorria, derretia qualquer garota que estivesse diante dele, ainda que os milhões de galeões em sua conta particular em Gringots fizessem-no parecer ainda mais atraente.
A seu lado passeava Blaise Zabini, com um traje azul escuro que fazia destacar seus olhos azuis e pele branca. Sua figura também era galante, embora um pouco mais baixa que a de seu melhor amigo, contudo à simples visão não se percebia a diferença.
Para o moreno, o baile era tão importante quanto sua vida e estava nervoso por levar a cabo um excelente papel, porque, caso contrário, se veria com seu pai.
Draco também estava nervoso, mas ele fora educado para não demonstrar qualquer tipo de sentimento, para ele já era muito difícil expressar algo, por mínimo que fosse. Se estava muito feliz unicamente sorria e se estava triste permanecia com o rosto mal humorado; da mesma forma, se sentia medo zombava do adversário ou de quem estivesse próximo.
Por mais que quisesse expor o que pensava não podia fazê-lo e tal coisa se passara consigo em relação a seu tio Lethar Malfoy.
Realmente Draco estivera contente ao ver seu tio, porém ao invés de abraçá-lo ou sorrir, simplesmente esteve sério e irritado pelos comentários que este lhe fazia. Contudo, apesar de tudo, conseguira manter uma boa comunicação, embora não estivesse de acordo com alguns pontos de vista de seu tio.
A última coisa que acabou incomodando-o foi o fato de mencionar Hermione Granger. Por mais que Draco insistisse que Granger era um bruxa impura, Grifinória e amiga de seu pior inimigo, Lethar continuou pensando que a garota era amistosa e bonita, de uma beleza tanto interior como exteriormente.
Despediram-se sem a promessa de verem-se novamente, tanto Draco como Lethar aprenderam que fazer essa classe de promessas não servia aos Malfoy... era provável que não se cumprisse e Draco não sabia se isso lhe causava tristeza ou tranqüilidade.
O relógio que pendia da chaminé do quarto dos Sonserinos começou a soar, com leves badaladas. Blaise olhava-o ansioso, enquanto Draco semi-cerrou os olhos.
- Já é hora... - disse Blaise, umedecendo os lábios.
- Sim... - Foi sua única resposta.
Blaise acabou de dar-se uma última olhada no espelho e, com orgulho, saiu do aposento em busca de Pansy Parkinson. Draco ficou sozinho porém não por muito tempo, posto que seguiu os passos de Blaise.
No Salão Comunal de Sonserina estavam vários bruxos e bruxas que esperavam seus respectivos acompanhantes, todos eles levando seus melhores trajes e máscaras. A de Draco era uma prateada, mui digna de sua personalidade.
Draco saiu da Sala Comum sem dar atenção aos chamados de Pansy ou de Vincent; de fato, não desejava falar com ninguém, para que nenhum se compadecesse de ter que ir com a sangue-suja Granger.
Quando ia saindo das masmorras, um ligeiro temor acometeu-o. E se Granger não aparecia? E se ele não a reconhecesse entre a gente e ficasse como um tonto?
Pensou em ir até a Torre de Grifinória para assegurar-se de que a outra Prêmio Anual compareceria, mas o fato de saber-se muito próximo do "santuário" de Potter e Weasley deu-lhe náuseas.
No caminho esteve pensando em todas as suas falas para deixar Granger no ridículo diante do Ministério, e fazer-lhe um pequeno truque para que ela escorregasse durante o baile e caísse como um trasgo embriagado. Isso seria um excelente motivo para rir com vontade.
- Senhor Malfoy...
Uma voz rouca se ouviu próximo. Draco deteve-se e girou à direita do corredor. Severus Snape falava-lhe à porta de um dos laboratórios e olhava-o fixamente.
- Talvez não o recordei mas... terá que ir até sua companheira na Torre de Grifinória...- disse Severus, com um brilho nos olhos que, para Draco, pareceu maligno.
- À Torre? - Perguntou, sem dar crédito ao que ouvia.
- Obviamente, você tem que chegar ao baile junto com ela. Receberão aos membros do Ministério na entrada, juntamente com o restante dos professores.
Draco apertou os lábios e esteve a ponto de reclamar, mas se conteve. Não era sábio contrariar seu Diretor de Casa.
- Espero-os em uns minutos... Não cheguem tarde. - Severus ergueu a vista, ansioso por ouvir alguma reclamação do garoto.
Mas Draco não disse nada, unicamente dignou-se a assentir com a cabeça e, sem esperar nenhum outro comentário de seu Diretor de Casa, dirigiu-se à Torre dos Leões, com o humor mais amargo que o normal.
Por sua vez, Hermione dava voltas pela sala com o olhar perdido entre as partículas de pó, que flutuavam no ar, e seu pensamentos. Rony olhava-a com receio, estalando a língua de vez em quando. Harry e Neville não podiam ocultar a expressão de pena que lhes dava a Monitora, mas a dita expressão desapareceu quando chegaram Gina Weasley e Sandy Smith.
Após uns comentários lisonjeiros de uns e outros, os amigos despediram-se de Hermione, embora insistindo-lhe que os acompanhasse. Hermione negou-se, mas não porque acreditava que Draco apareceria por ela, ao pé da escada da Torre, e sim porque desejava acalmar-se.
Rony ficou por uns segundos observando-a com preocupação. Ao notar isto, Hermione sorriu-lhe tão amplamente quanto pode e prometeu-lhe cuidar-se e reunir-se com eles o quanto antes. O ruivo não esteve tão seguro mas, após umas palavras de consolo, acabou saindo em busca de Luna Lovegood.
Por sua parte, Draco caminhava até a Torre e neste momento deu-se conta de algo. Como buscaria a Grifinória se nem sequer sabia se ela o estaria esperando? McGonagall teria advertido-a tal como o fez Snape a ele?
O loiro sentiu uma explosão de raiva em seu ser. Apertou os dentes com tamanha força que suas bochechas se ruborizaram. Por que essas coisas tinham que acontecer com ele? Chegar com uma Grifinória... que grande estupidez! Porém, se ele chegasse e ela não estivesse ao pé da escada, partiria dali em um segundo. Assim, facilmente.
Todavia, para sua desgraça, ao chegar à escada da Torre dos Leões, Rony Weasley vinha descendo e, ao verem-se um ao outro, o sangue começou-lhes a ferver.
Malfoy sabia que estava no território do ruivo e por isso não foi o primeiro a lançar seu habitual sarcasmo. Simplesmente ergueu o rosto com grande altivez, para que o garoto visse que não lhe tinha nenhum respeito.
- O que você faz aqui? - Perguntou Rony, quando estavam frente a frente.
- Isso não lhe importa, Weasley...- Draco respondeu despoticamente.
- Eu o advirto Malfoy... você não está nas masmorras... - disse Rony, apontando-lhe com um dedo.
- Já tem coragem para me enfrentar, Weasley? Só por ter uma roupa nova, isso não faz de você merecedor de me enfrentar... não somos iguais.
- Claro... nisso você tem razão... não somos iguais. Você é uma serpente asquerosa...
- E você, uma imunda doninha que, cedo ou tarde, voltará ao lodo de onde surgiu...
Ambos os bruxos sacaram as varinhas ao mesmo tempo e apontaram para a cabeça de um e outro.
- Não tem medo, Malfoy? Agora você não veio com seus gorilas para que o defendam. - Rony disse, com todo o ódio que era possível expressar.
- Medo? Deve estar brincando, Weasley... quem teria medo de enfrentar uma pequena porcaria como você?
Rony lançou o primeiro feitiço e fez com que Draco caísse estrepitosamente de costas, mas o Sonserino levantou-se muito rápido e foi o segundo a lançar o outro feitiço, fazendo com que o ruivo se estatelasse contra uma parede.
- Suponho que agora que seu pai está num melhor cargo, você já tem o que comer, não é 'Weasel'? Já engordou mais que sua mãe?
Rony apertou os dentes e, com toda a força que pode, comprimiu a varinha para lançar novamente outro feitiço.
- Expelliarmus!
Uma luz surgiu desde o alto da escada e fez com que a varinha de Rony lhe escapasse. Rony olhou, com o rosto contorcido, a pessoa que o havia desarmado.
- É suficiente!
A voz de Hermione retumbou desde o alto da escadaria de Grifinória, enquanto descia com rapidez. Draco ergueu a varinha para atingir Rony, mas Hermione desarmou-o também.
- Sempre tão valente, não Malfoy? - disse Hermione movendo, em círculos, a sua varinha em direção ao loiro.
- O que isso lhe diz respeito... estúpida? - Draco olhou-a rancorosamente.
Rony quase partia para cima do loiro até que Hermione, novamente, o deteve.
- Não prossiga, Rony... não dê importância a esse animal... ele não merece que, por culpa dele, castiguem você.
- Você não pode defender-se sozinho, Weasley? - disse Draco a Rony, sarcasticamente.
- Não provoque, Malfoy... eu o advirto... - Hermione e Draco ficaram frente a frente.
Quando ficaram nessa posição, uma estranha sensação tomou o Sonserino. Nesse momento, podia apreciar a aparência da garota e, sem desejá-lo, surpreendeu-se.
Foi um momento raro, "anormal", pensava Draco, mas se ela fosse outra pessoa o mais apropriado teria sido bajulá-la, embora fosse óbvio que Draco não expressaria algo assim e muito menos tratando-se de Hermione Granger. Contudo, não pode evitar sentir uma cosquinha no estômago que nunca antes havia sentido ao vê-la... ou, ao menos, não desde o quarto ano.
Mas o que havia acontecido com Granger? Desde quando a cor verde oliva ressaltava o dourado de sua tez e seus olhos cor de mel? Por que, mostrando-se raivosa e ameaçadora, ela parecia mais atraente ante seus olhos?
O vestido da Grifinória não se comparava com os caros vestidos de Pansy, mas destacava a alta e esbelta figura da garota. Seu vestido era longo e de mangas largas, muito ao estilo medieval. Seus cabelos castanhos estavam presos quase ao descuido, deixando alguns curtos fios caírem por seu delicado pescoço.
Hermione sentiu-se terrivelmente desconcertada pela forma tão intensa com que Draco a olhava e Rony observava tudo ainda mais desconcertado que ela, mas isso não lhe deteve de dar um empurrão no Sonserino.
- Rony!
- Maldito esfomeado... - disse Draco, empunhando as mãos.
- Basta, Malfoy! - Exclamou a bruxa.
Hermione colocou-se entre Draco e Rony.
- Retire-se, Hermione! - Rony ordenou.
- O que ocorre aqui!
A voz da Professora McGonagall paralisou aos três. Hermione guardou rapidamente sua varinha, Rony baixou a vista e Draco engoliu em seco.
- Sr. Weasley, Sr. Malfoy... O que significa tudo isto? - Perguntou a professora, com voz alterada.
- Na-nada acontece, Professora... eu apenas perguntava a... Malfoy... o que fazia por aqui. - Rony disse titubeante e com um sorriso nervoso.
A bruxa olhou a todos com severidade.
- Sr. Malfoy, o que você faz próximo da Torre de Grifinória?
- O Professor Snape enviou-me por... Granger. - Draco disse, olhando a garota de relance.
- Bem... - A professora McGonagall fez um movimento com sua varinha e as respectivas varinhas dos bruxos voaram de volta a suas mãos. - Retirem-se às suas ocupações.
Draco sorriu triunfal sem que a professora percebesse. Rony olhou-o desdenhosamente.
- Sr. Weasley... e sua acompanhante? - Perguntou, olhando-o com o rosto erguido.
- Em Corvinal, Professora.- Respondeu timidamente.
- Sugiro que vá até ela o quanto antes, a cerimônia está a ponto de começar.
- Não vou deixar você sozinha com este miserável... - Sussurrou o ruivo a Hermione.
- Vá tranqüilo... - Ela respondeu no mesmo tom.
A professora começou a bater um pé com impaciência e Rony não teve mais escolha que ir-se até a Torre de Corvinal, sob a expressão sarcástica do Sonserino.
- Srta. Granger, Sr. Malfoy... é melhor que partam agora. - disse a Professora com seriedade.
Ambos os bruxos assentiram. A Vice-Diretora saiu tão silenciosamente como havia chegado, deixando os dois jovens a sós ao pé da escada.
Hermione piscou, inquieta, ao encontrar-se sozinha com o Sonserino.
- Não se preocupe, Granger... - Draco disse com voz insinuante. - Não vou fazer nada a você... não me atreveria a tocá-la... poderia sujar-me.
Draco começou a rir cruelmente. Hermione, sem dar-lhe atenção, caminhou diretamente para o Grande Salão. Ele observou-a por uns instantes, ao passo que ela se distanciava, e outra vez a tal cosquinha voltou a fazer-se presente em seu estômago.
O Sonserino alcançou-a rapidamente e interpôs-se em seu caminho, fazendo que a bruxa estancasse bruscamente.
- Que demônios...? - Hermione olhou-o confusa.
O Monitor estava respirando com profundidade enquanto usava seus olhos cinzas para passear pelo rosto da Grifinória, sem preâmbulos. Hermione ficou quieta, como se seu corpo estivesse entorpecendo-se ante o olhar do maior de seus inimigos.
- Não fuja, Granger... - disse Draco, em voz baixa, com os olhos entrecerrados.
- Você não me inspira medo. - Hermione disse com firmeza.
- Acredita nisso? - O garoto ergueu uma sobrancelha.
Draco deu um passo adiante e Hermione retrocedeu.
- Não é tão valente sem seus amigos, Grifinória... - Draco disse com voz pausada.
Hermione engoliu em seco.
- Ah!... Vejo que traz meu relicário...
Ela olhou-o irritada e levou uma das mãos rapidamente ao pescoço.
- O que diz? - disse, franzindo o cenho. - Eu o comprei e é meu.
- Sabe de uma coisa? - Draco aproximou-se um pouco mais e Hermione teve que retroceder novamente. - Você não faz a mínima idéia do quanto vale esse objeto que leva pendente no seu ordinário pescoço. Não significa nada para você.
O lábio inferior de Hermione tremeu de raiva e, com toda a coragem que brotava-lhe desde o interior, empurrou o garoto para que se retirasse do caminho.
Draco colocou-se de lado e começou a rir divertido, mas antes que a garota se afastasse por completo, tomou-a por um pulso agilmente.
- Aonde pensa que vai? Você é minha companheira esta noite, Granger... não posso chegar sem par. - disse, com um sorriso sarcástico.
Hermione tentou libertar-se porém o garoto aproximou-a dele, o que a deixou pálida.
- O-o q-que pretende fazer? – Perguntou assustada.
Draco não lhe respondeu, senão que continuou examinando-a com o olhar.
- Por que não tira a sua varinha e me enfeitiça como quis fazê-lo um momento atrás? - Perguntou Draco, quase sussurrante.
A pergunta caiu em Hermione como um balde de água mas, acostumada a disputas com ele, rapidamente se recompôs.
- E por que me aproxima tanto de você? Não causo repulsa?
Isso foi pior para Draco, que soltou Hermione bruscamente. A garota segurou o pulso e o massageou. Os olhos cinzas do bruxo quase a fulminavam.
O som de risos fez com que ambos modificassem seus olhares e se apressassem em afastar-se um do outro.
- Já está tarde... - disse Draco, com voz grave.
Hermione estava confusa. Que raios se passou? O que Malfoy intentava fazer há um momento? Por que a olhava assim?
Draco retomou o passo junto com Hermione, enquanto um grupo de alunos passava, eufórico, sem dar demasiada atenção aos dois Prêmios Anuais.
Ambos caminhavam em silêncio contudo sentiam-se perturbados. Draco pensava que algo muito mau se passava com ele, posto que Hermione Granger... parecia-lhe atraente; de fato já o havia achado antes mas... era algo no qual preferia não pensar.
- Senhor Malfoy! - Um homem de túnica negra com amarelo, e uma máscara de coruja saudou o Sonserino com ímpeto.
Draco fixou a vista no bruxo e sorriu comprazido quando este se desfez da máscara. O bruxo que o saudava era, nada mais nada menos, que um antigo companheiro de trabalho de seu pai: Elliot King, um entusiasta bruxo do Departamento de Leis e Regulamentos Mágicos. Draco não se agradava de todo com ele, pois seu caráter parecia-lhe algo vulgar, mas o homem era muito rico e influente no Reino Unido.
- Senhor King... - Draco se deteve e fez uma reverência. - Que prazer em vê-lo.
- Desde que seu pai visitou-nos em nossa casa de campo, não o via. - disse o homem, tocando o queixo.
- Sim, é certo.
- E esta bela jovenzinha, quem é? - Perguntou com tanto interesse, que até entrecerrou os olhos discretamente.
Draco olhou contrariado o bruxo.
- Ela é... a Senhorita Hermione Granger. - Respondeu, fazendo um esforço para não dizer: "Sangue-Suja Granger".
Hermione olhou Draco tão surpresa que, sequer, lembrou de cumprimentar o Senhor King.
- Muito prazer em conhecê-la, Senhorita Granger...
O bruxo fez uma reverência, o que fez com que Hermione reagisse e respondesse a saudação.
- Para mim é um prazer conhecê-lo, Senhor King. Tenho ouvido falar muito de você.
- Oh, é sério? - Perguntou com os olhos brilhantes. - Talvez, por minha espetacular marca no Golfe.
Draco fez uma careta de repugnância. 'Golfe? Esse estúpido jogo de trouxas?'
- Não, Senhor. Por seu projeto do Regulamento 34, Capitulo XV, do Código Penal de Bruxos.
- Ah! - exclamou desiludido. - Sim... sim... algo interessante.
Draco sentiu que a conversa estava-o pondo de mau humor. Hermione, ao perceber, pensou que era um bom momento para fazer uso disso.
A bruxa aproximou-se do Senhor King e convidou-o a caminhar até o Salão, enquanto Draco os seguia. O loiro sentiu-se sumamente indignado de que o excluíssem da conversa e, embora tenha se colocado ao lado do bruxo, não se fez partícipe.
Os três chegaram à porta do Salão Principal onde lhes esperava o Diretor Albus Dumbledore, com uma túnica vermelha e máscara da mesma cor, Severus Snape, com a túnica negra com azul e máscara de serpente, e Minerva McGonagall, com um elegante vestido cor vermelha e uma máscara em forma de pássaro. Estes dois últimos retiraram suas máscaras e olharam os garotos com seriedade.
Draco fez caso omisso dos olhares, mas Hermione ruborizou-se. Elliot King cumprimentou a todos com um grande sorriso. Atrás dele apareceram outros bruxos e bruxas, aos quais imediatamente deu as boas-vindas.
Hermione sentiu-se um pouco coibida a princípio, mas todos eles saudavam-na com cordialidade, o que a fez sentir-se um pouco melhor. Pelo contrário, Draco parecia um verdadeiro diplomata, pois tinha os modos para cumprimentar a um importante bruxo do Ministério, obedecendo todas as normas de civilidade.
Tudo pareceu ir muito bem com o Sonserino quando cumprimentou o Sr. Albert Halley, Chefe do Departamento de Cooperação Mágica Internacional, justamente da área em que queria trabalhar. O Sr. Halley estava muito satisfeito com Malfoy e sugeriu-lhe que, mais tarde, se reunissem para conversar, o que, mentalmente, fez Draco dar um salto de regozijo... porém, Arthur Weasley apareceu...
O Sr. Weasley e Draco encararam-se. O loiro não pode dissimular seu desgosto ao vê-lo, o mesmo se passando com o pai dos ruivos. Hermione apressou-se a cumprimentá-lo juntamente com Dumbledore. Se houvesse estado em suas mãos, Draco teria lhe dado uma bofetada ali mesmo; por culpa desse homem seu pai estava na França.
Dentro do Salão o som de umas notas ambientais amenizavam o entorno. Um grupo de fantasmas, homens e mulheres vestidos ao estilo vitoriano, tocava uma melodia suave, com um lúgubre mas belo coral.
Os professores, o pessoal do Ministério, Draco e Hermione entraram no Salão para dar início às atividades seguintes. Dumbledore foi o primeiro a subir no estrado e, enquanto retirava a máscara, o silêncio reinou num instante.
"Há aproximadamente um ano o medo assolava em nossos corações sem dar-nos a plenitude de viver. Num dia como hoje, muitos de nossos familiares e amigos deram suas vidas para nos encontrarmos agora. Os ilustres membros de nosso atual Ministério decidiram transmitir nosso respeito aos caídos na Guerra, a todos aqueles que desde muitos anos atrás ofereceram o mais sagrado de si mesmos, aos que se sacrificaram por seus filhos, por seus irmãos e... por seus amigos. Os dias de escuridão já acabaram e damos início a uma nova era, onde vocês farão parte desse futuro. É por isso que lhes peço um momento de silêncio e lembremos, com carinho, aqueles que se doaram por todos nós..."
Dumbledore ergueu o olhar em direção ao teto do Salão. Os alunos imitaram-no e ficaram maravilhados quando começaram a surgir pompas fúnebres de cristal, que levavam os nomes dos falecidos na Guerra.
Não se ouvia nenhum som enquanto as bolhas flutuavam com lentidão por todo o Salão. Entretanto, não faltou um e outro soluço ao serem reconhecidos os nomes de seres queridos, entre eles, os Potter.
Harry estava observando uma pompa fúnebre que flutuava ao seu lado com os nomes de Lílian e Tiago Potter. Gina segurou-lhe a mão timidamente, para consolá-lo enquanto Neville, com os olhos úmidos, contemplava os nomes de seus pais flutuando numa bolha.
Hermione apertou os lábios uma vez e outra, para não deixar escapar qualquer som, porém não pode evitar que seus olhos se pusessem brilhantes ao encontrar-se com o nome de Sirius Black. Draco Malfoy encontrou em tudo isso uma cansativa breguice. Ele possuía familiares que tinham morrido na Guerra, mas nenhum pertencia ao bando dos "bons", todos eles haviam sido Comensais. Contudo, somente a idéia de imaginar encontrar o nome de seu pai entre eles o eriçou.
O momento de silêncio terminou com as palavras do Ministro da Magia: Oscar Cornwell. Fez meritória a participação de todos aqueles que haviam ajudado a preservar a paz no mundo mágico e concitou a todos que os aplaudissem, com o entusiasmo e o respeito que se devia.
Os aplausos se ouviram muito fortes e muitos dos alunos se emocionaram, deixando escapar algumas lágrimas pelo rosto. Após isso, o Ministro ofereceu sua ajuda a qualquer pessoa que tivesse necessidade e aproveitou para recordar que os conceitos de unidade, nobreza, sinceridade e lealdade permitiriam a todos construir um mundo sobressalente que esperavam.
O discurso do Sr. Cornwell arrancou aplausos e aclamações. Dumbledore continuou anunciando aos presentes a grandiosa ceia e o advento de um baile, em honra da Nova Era. Depois, todos colocaram suas máscaras.
Draco e Hermione não tiveram outra opção que sentar-se juntos à mesma mesa dos membros do Ministério. Dumbledore e os Diretores de Casa fizeram-lhes companhia.
A mesa cobriu-se de alimentos exóticos, como peru e pernil ao forno, nuvens de purê de batata e salada. Havia copos delicados de cristal com bebidas adocicadas e tintas, sobremesas de chocolate, rum e morango que convidavam qualquer um a dar-lhes uma mordida.
Hermione mantinha uma prazerosa conversação com o Sr. King e Draco com o Sr. Halley. Aparentemente, nem um e nem outro davam-se atenção, mas cada um pensava se o outro faria alguma coisa para deixá-lo em ridículo. A bruxa era a mais preocupada, mas soube fingir muito bem.
Os músicos fantasmas começaram a preparar-se para o Baile. Todos eles flutuavam sobre a mesa dos professores, com seus instrumentos musicais. Nesse momento, Hermione apercebeu-se da impressionante decoração, estivera tão nervosa que não havia dado a devida atenção.
O Salão Principal de Hogwarts não parecia mais o mesmo de sempre. O teto havia desaparecido para dar passo a uma paisagem de estrelas fugazes. A lua cheia se divisava por entre as nuvens grises e um feitiço que copiava o vento fluía por toda o recinto.
As paredes estavam decoradas com enredadeiras e teias de aranha. No chão, via-se um fino lençol de neve que brincava com as pisadas de cada um. O Salão estava iluminado por abóboras com velas e pequenas fadas, que giravam ao redor delas.
Os músicos começaram a entoar uma melodia, dando início ao baile. Hermione e Draco olharam-se de soslaio, e não tiveram mais remédio que levantar-se quando alguns do Ministério o fizeram e convidaram os professores presentes.
Os dois adentraram a pista, sem saber o que fazer exatamente. Draco sentia que todos o olhavam e que os Sonserinos murmuravam e zombavam dele. Hermione imaginava os rostos de Harry e Rony incrivelmente mal humorados.
Contudo, não passou muito tempo posto que Draco, recuperando o controle, tomou, inexpressivamente, Hermione pela cintura, e começou a guiá-la. Hermione segurou a mão de Draco e respirou profundamente para tranquilizar-se.
A música era suave. As vozes das mulheres fantasmas eram ouvidas como ecos, por todo o salão de baile. Para tranqüilidade dos Monitores, uma boa quantidade de fantasmas uniram-se à dança.
Draco girava com Hermione em uma perfeita harmonia e estava admirado disso. Era como se antes houvesse dançado com ela essa mesma melodia.
Havia algo que parecia-lhe irreal e ao mesmo tempo real. Era um jogo de pensamentos para os quais não encontrava significado. Tinha a sensação de já ter feito com Granger o que estava fazendo agora.
Hermione pensava o mesmo, mas ela não queria convencer-se. Tentou, de todas as formas, eliminar o tremor de seu corpo enquanto dançava com seu inimigo.
Sem pensar nas conseqüências, Draco segurou a cintura de Hermione com mais força e, enquanto davam voltas ao redor da pista, com um ágil movimento tirou-lhe a máscara. A garota olhou-o com uma mescla de angústia e confusão, ao tempo em que ele mesmo retirava a sua máscara.
Ambos continuaram dando voltas ao ritmo da melodia, junto com os fantasmas e os bruxos do Ministério. Os olhos cinzas de Draco mergulharam nos olhos mel da Grifinória e seus finos lábios abriram-se para dizer umas palavras.
Nota da Tradutora:
Demorou um pouco, mas chegou. Eis o capítulo 13 e com ele o início do baile! Esse final foi um tanto cruel, eu sei, mas o próximo capítulo cobrirá os estragos. Como eu disse em comentários anteriores, o baile se estende para além de um capítulo, até o 15, sendo mais precisa. E é exatamente no capítulo 15 que uma primeira tensão "lasciva" entre Draco e Hermione acontece, e também onde um outro personagem faz a sua entrada triunfal – não me perguntem quem é, porque minha boca é um túmulo – assim como a ponta de meus dedos. ;-) Até lá, teremos no capítulo 14 a reaparição de Lethar (ouço suspiros?) em pleno baile e um Draco já começando a questionar-se "quem, de fato", é Hermione Granger para ele". Hmm... e querem saber de mais? Eu acho que o "demônio loiro de olhos cinzas" vai sentir um ligeiro ciúme de Hermione, durante o baile... dela com quem, isso eu não direi. ;-) Bueno, creio que valerá a pena a espera. Mas não se preocupem! Eu não tardarei em demasia. ;-)
Obrigadão aos que estão acompanhando a tradução de Reverto Umquam e meu agradecimento especial às "reviewsadoras" de plantão Pink Potter (Demorei em publicar o capítulo anterior e demorei em publicar este aqui também. Mas, como eu disse em AdM, eu estava viajando a trabalho, o que explica a brecada na tradução e publicação dos capítulos das fics, o mesmo, claro, valendo para RU. Mas espero que este capítulo tenha compensado a demora. ;-) E eu concordo com você: pobre Lethar... embora eu prefira outros adjetivos mais "gentis" que fazem jus à sua deliciosa pessoa ;-) Mas, creio que Jaina deva reservar um futuro mais digno para ele... isso se ela ainda não abandonou a fic, porque haja demora na atualização! (e vocês ainda reclamam da MEU inexpressível atraso, hunf! ¬¬). Enfim, vou ficar aguardando a srta. no próximo capítulo. ;-) Beijos e até!); la Die Die (Quando começa o baile? Hmm, agora eu creio que a pergunta é: como ele termina? ;-) Sobre o beijo... vai demorar um pouquinho, mas quando acontecer será de forma inesperada e avassaladora... que o diga Hermione, que perceberá que por trás da fria máscara de gelo do loiro, há um mar de emoções assustadores abrasadoras e tempestuosas). Por último, mas nem por isso menos importante: obrigado pelo elogio à tradução. :-D Beijo e até o próximo capítulo!); Fadinha (Será que Lethar fica com a Irina? Eu torço que sim. O fato é que apesar da fic contar com 27 capítulos inacabados, Lethar continua à deriva. Mas ocorre que o relacionamento dele e de Irina é o que podemos chamar de um 'caso mal resolvido'. Ou seja, se não foi resolvido, mais cedo ou mais tarde será, acredite. ;-) A propósito: depois de receber um tapão na testa, o que você acha que o Draco merece agora? ;-) Beijo e até!); ...Miss Verônica... (É bom saber que RU funciona como relaxante e analgésico para a dor nos seus pés e pernas, muito bom. ;-) E por falar em baile, ei-lo finalmente! Quanto ao kit personalizado ad infernum, sim, sim, claro que eu daria um de presente a você. Não garantiria o seu ingresso no Sindicato de Assassinos e na Associação Anarco "Fuck the System", mas seria, simbolicamente, um bom começo de sua longa trajetória no universo killer de todos os "santos". ;-) Até esse dia, se é que vai chegar, sugiro a você ir praticando suas habilidades com os "instrumentos de prazer" do kit em seres vivos, a começar pelas pessoas "más e pecadoras" que você "ama intensamente" (Mwaha-mwaha-mwaha! gargalhada diabólica em "câmera lenta", para degustar o momento). Beijundão e até o próximo capítulo! P.S.: Com tanta roupa de frio assim junta, eu juro que imaginei você balofa, da largura de um sino. Balofos lembram bola e neve lembra bola de neve. Ou seja: imaginei você despencando ribanceira abaixo, rolando, feliz, como uma imensa bola de neve. ;-) É nesses momentos que eu me pergunto: Por que, em nome de mil drags, os pensamentos não podem ser filmados, ahauhauahauahua!).
Abraço a todos!
Hasta!
Inna