Capitulo 13

- Káh, onde coloco as roupas do seu avô? – perguntou Sango.

- Coloque-as em cima da cama dele, por favor. – respondeu Kagome em seu quarto colocando algumas roupas na pequena mala. – Na dispensa tem algumas caixas, pode usar para... – ela não conseguiu terminar a frase – Você sabe.

Os três estavam entretidos separando as poucas roupas do senhor que seriam doadas a algum abrigo de idosos, que com certeza seria mais útil do que o guarda roupa, além de algumas coisas que Kagome acharia mais importante em levá-las consigo. Apesar de Inuyasha não ter muita intimidade e estar presente no mundo de Kagome a pouco tempo, dava a sua contribuição ajudando a juntar as roupas e colocá-las em uma caixa. Era questão de pouco tempo, um pouco mais de uma hora e meia eles teriam arrumado tudo.

- Em qual instituição você pretende doar, Kagome? – Inuyasha indagou colocando as roupas na caixa que Sango trouxera a ele – Pretende ficar com alguma coisa? – tal pergunta foi feita como curiosidade além de tentar fazê-la se sentir melhor enquanto se organizava a não voltar ali, num futuro próximo.

Não ouve resposta por parte dela, aquele silêncio era intrigante. Por que Kagome não respondeu uma simples pergunta? E tão normal para quem perde os familiares ao doar seus objetos pessoais.

As palavras ditas por Inuyasha não a causaria melancolia aponto de ela não as responder; já que há alguns minutos atrás ela já se sentia melhor e mais a vontade depois da vinda pela primeira vez ao apartamento. Sango nem prestou a atenção na conversa deles, estava bastante concentrada na sua tarefa, mas sabia que a não resposta de Kagome era um tanto estranha. Ela olhou para o rapaz a sua frente franzindo a testa em sinal de estranheza. Sem muito que esperar ela caminhou com Inuyasha seguindo-a para o cômodo onde sua amiga estava presente.

Ao entrar no quarto da mesma encontraram-na sentada em sua cama com uma caixa de madeira nas mãos a olhando concentrada. As lembranças do dia em que seu avô lhe dera a caixa vieram a sua mente "– Quando eu me for quero que você veja o que está guardado dentro dessa caixa, às lembranças minhas e de seu pai e, reflita sobre elas. (...) Enquanto isso; não a abra". O que tanto seu avô guardava nela? Perguntava-se Kagome receosa ela apenas olhava e suas mãos percorriam a borda algumas poucas vezes "Quando eu me for..." a voz de seus avô surgira em sua mente "...quero que... você veja o que está guardado...".

- Kagome! – chamou Sango ainda sem resposta. – Kagome?

Ao longe ouvia Sango a chamar e aos poucos sua voz ia se tornando mais forte e mais presente de si.

- Kagome! – ela percebeu que sua amiga voltava de onde quiser que esteja – Onde esteve?

- Hã?! – Kagome piscou algumas vezes sem entender a pergunta – Desculpe, eu não sei onde estava. – sorriu constrangida – Acho que viajei.

- Percebe-se. – ironizou sua amiga divertida, olhou para a caixa e de volta para a amiga – O que tem nessa caixa? É a sua herança? – Kagome olhou para o objeto em mãos e sorriu faceira.

- Não sei... Pode ser. – o olhar de incredulidade de sua amiga e de Inuyasha a sua frente, desviou seus olhos para a caixa novamente continuando – Meu avô pediu para eu guardar e só a abrir após a...

- E aí você vai ou não abri-la? – incentivou Sango interrompendo-a por está mais curiosa do que a própria Kagome.

Sem hesitar Kagome abriu a caixa motivada por Sango, já Inuyasha apenas observava prudente, a cada expressão que ela fazia. Os olhos dela de repente obtiveram um brilho de contrariedade e ao mesmo tempo terno, ela nunca imaginara que seu avô pudesse guardar por tanto tempo aqueles objetos e sorriu ao pegá-lo. Dentro da mesma continha algumas fotos, dela com seus pais e o avô, que Kagome ia retirando e pondo em seu colo, muitas cartas datadas, outras com endereço desconhecido e endereçados a ela, alguns recortes de jornal antigo e no fundo, dentro de uma sacola transparente, com alguns objetos, notando ser, infantis. O coração de Kagome acelerou como quisesse sair do peito, não dando muita atenção as cartas, aos recortes e as fotografias. Não acreditava que seu avô guardara há muito tempo tais objetos.

Delicadamente Kagome retirou a sacola os mesmos revelando o que havia dentro dela e estavam uma manta, roupa e sapatinho de bebê. As roupas não eram bem de um recém nascido, mas com certeza era dela, era branca com detalhes bordados em rosa, os desenhos de alguns ursos, espalhados, com coleiras da mesma cor dando certa feminilidade. A roupa que se tratava de um vestido na cor lilás, um pouco desbotado, mas conservado devido ao tempo, os sapatos tão pequenos que não acreditara que um dia fora dela.

Ao ver Sango pega o objeto das mãos dela sentando ao seu lado, admirando-os.

- Kagome, é lindo! Eram seus? – questionou a amiga.

- Sim, acho que sim. – sorriu fascinada – Por que meu avô os guardou por tanto tempo? – se perguntou enquanto Sango pega algumas fotografias.

Enquanto Kagome e Sango se deliciavam olhando os pertences e fotos contidas na caixa de madeira deixados pelo senhor Higurashi a neta, Inuyasha estava intrigado com seu conteúdo, as cartas e os recortes de jornais queriam dizer algo que ela estava ignorando no momento, apenas para apreciar o que a fascinava. Ele aproximou-se de Kagome para ver melhor o conteúdo, mas ao pegar o recorte de jornal desprezado dentro da caixa seu celular vibrou no bolso da calça, deu uma rápida olhada no visor do aparelho constatando ser sua esposa deu uma última olhada no que dizia o recorte: "Grave Acidente: Casal Morre e Sua Filha Desaparece Sem Indícios". Deixou-o de lado saindo para um local mais reservado para atender a ligação de sua esposa.

Enquanto saia Inuyasha estranhou o propósito do senhor deixar aqueles recortes para a neta, para isso tinha algum fundamento. Qual seria a razão para qual, o senhor Higurashi, deixaria recortes de jornais como àquele para sua neta? Com esse pensamento ele atendeu ao celular.

- Oi amor!... Não posso. Convidei Kagome e a amiga dela, Sango, para almoçarmos juntos. Você... – ele fez uma careta ao ouvir as palavras azedas da esposa do outro lado afastando um pouco do ouvido – Quer parar de ciúmes bobos... Não quer... – suspirou desanimado voltando seus olhos para as duas amigas que guardava os pertences de volta na caixa. – Está bem, está bem.

Distraiu-se olhando na direção das duas amigas sentadas na cama, passou a observar Kagome e sorriu ao ver ela pegar das mãos da outra uma foto enquanto sua esposa tagarelava do outro lado da linha, sobre coisas que ele entenderia por ser de insignificância, do mesmo modo que admirava suas feições.

- Inuyasha! .... Inuyasha!.... – ouvia ele lhe despertando do estado de torpor, voltando a se concentrar na voz de sua esposa.

- Desculpe – pediu ele com a voz calma – Quando chegar a casa conversamos. É muito importante. - disse dando fim a conversa

Quando ia apertar o botão para desligar, ouviu-a soltar uns gritos frustrantes e um insulto que não gostou do tom. – Maldita bastarda...

Desligou o celular um tanto desapontado pelas palavras absurdas saídas da boca de sua adorada esposa e logo notou o clima de hostilidade entre as duas. Antes de aproximar da duas, aproveitou a oportunidade e fez mais uma ligação.

- Oi, mãe!? ...

- Como você era linda, Kagome... – mostrou a foto que mostrava a imagem de uma família feliz. O pai de Kagome estava em pé segurando Kagome com o mesmo vestido que ela estava em mãos, sua mãe ao lado dele, mas oposto a ela com um bebezinho nos braços sorrindo, pareciam está muito felizes pela família que construíram. O que era perceptível naquela fotografia é que a mulher que Kagome certamente acreditava ser sua mãe é naturalmente loira, entretanto, Kagome se passaria por filha do casal por causa de Naraku, ele tem características semelhantes a ela. Contudo Sango sabia a verdade daquela família – Mas não tem tento a ver com seus pais, poucas coisas.

- Não diga bobagens. – a repreendeu sorrindo pegando a foto da mão da amiga – Meu pai e meu avô eram tudo para mim.

- E esse bebê? Quem é? – Sango envolvida no mundo chamado Higurashi perguntou um tanto curiosa.

- Meu irmão. – disse dura e um tanto hesitante diante de sua tristeza ao ver a foto – Não gostaria de falar sobre isso... Agora, então... É um tanto... Complicado de se falar...

- Tudo Bem. – disse Sango apertando as mãos de sua amiga entre as suas, dizendo em gestos que ela teria todo o tempo do mundo e em resposta Kagome deu sorriu deprimido

A expressão de Kagome mudou drasticamente para uma fria e dura, Sango sabia que não podia invadir seu espaço. Ela conhecia a amiga muito bem, mas tinha esse detalhe do irmão que nunca tomou conhecimento que existia e já que ela não queria falar, respeitaria o momento e esperaria até ela quisesse contar esse detalhe da sua vida.

Kagome sem dizer mais nada coloco os objetos na caixa não dando muita importância para os recortes de jornais e as cartas que em sua maioria eram endereçadas a ela. Levantou a cabeça e viu Inuyasha olhando para as duas com um semblante desconcertado. Com certa percepção ao comportamento das duas segundos atrás.

- Vamos? – perguntou Inuyasha com certa percepção – Estou Faminto, e vocês também.

Recolheu os pertences que iria levar junto para o apartamento de Sango, para no fim, depender da resposta de Kaguya. Se for ou não morar junto ao casal até o nascimento do filho deles, assim era o que Kagome esperava. Mas o objetivo real dela ir morar com eles, na concepção de Inuyasha, é uma aproximação com Izayoi com o intuito de revelar sua verdadeira origem sem despertar algum desprezo pelos os verdadeiros parentes.

Kaguya amaldiçoou Kagome inúmera vezes nesse dia. Ela não entendia como uma garotinha insuportável como ela podia ter tudo. Há uns dias atrás, não tinha nada, a não ser um velho doente com passagem para o cemitério e como num passe de mágica torna-se herdeira dos Tasho, é ultrajante para ela. E o mais interessante de tudo que foi ela, assim imaginava, sem intenção, de que trouxera a "bastardinha" para o seio familiar.

"Como sou uma idiota, tenho que dar um jeito em separá-los... Maldição" – expôs seu pensamento em Kagome e o filho deles que ela carregava em seu ventre.

Ainda presa em seus pensamentos detestáveis Kaguya passou a se olhar no enorme espelho bem iluminado do Studio onde tiraria as fotos para mais uma coleção de peças íntimas, procurou em seu rosto algo que revelasse sua idade e se descobriria uma ruga, passou as mãos nos cabelos escuros para notar algum fio sem cor. Ouviu uma batida na porta onde se encontrava e entendera perfeitamente que o cenário estava pronto para se deixar fotografar, sorriu para sua imagem perfeitamente sexy, seus longos cabelos estavam soltos e algumas mechas presas no alto da cabeça, vestia um conjunto de peças intimas com um provocante espartilho nos tons de vermelho e preto extremamente voluptuoso, similar as cortesãs de Paris do século XIX.

Acenou para sua imagem refletida indo ao encontro do fotografo, sua surpresa foi ao se deparar com o cenário montado; uma cadeira de mogno próximo a uma janela com cortinas nos tons de vermelho sangue, ouro e marrom. Algumas plumas soltas pelo chão coberto de carpete junto, uma penteadeira do mesmo material da cadeira espalhadas de jóias. E naquele exato momento ela percebeu que sua carreira decolaria ainda mais, melhor ainda, teria tudo que sempre quis. Sorriu, sim seu futuro.

- Perfeito, não acha? – perguntou o fotografo retirando-a da sua admiração do cenário – Com certeza mexerá com a fantasia masculina. – Kaguya virou para ele sorridente. – Qualquer homem desejaria retirar... – ele não continuou a frase, mas olhou maliciosamente. – Peça por peça – sussurrou sensualmente molhando os lábios com a língua.

- Oh! Sim, não restam dúvidas. – respondeu ela sutilmente insinuante. Seu batom vermelho deixava transbordar mais insinuações do além de palavras.

- Wolf, Kouga. – estendeu a mão para ela, contendo-se – Serei o fotografo dessa coleção, muito prazer.

- Hashi, Kaguya – pegou a mão dele apertando forte – o prazer também é meu.

- Pronta para começar? – dizia ele com toda a sensualidade que tinha atraindo-a.

- Só basta dizer – sem mais nada a dizer fora os olhares penetrantes e insinuantes de ambas as partes, Kaguya se dirigiu para o cenário acomodando-se para a primeira das várias rodadas de fotos daquele dia.

Em seu quarto, Izayoi esbanjava alegria ao saber que Inuyasha, seu filho caçula, levaria para o a conforto de seu lar sua sobrinha até o nascimento do seu neto, ela estava tão ansiosa pela notícia dada por ele que não se continha em estar em casa e seguiria para o restaurante, já que aceitou o convite de um bom almoço, junto a Inuyasha e as duas garotas iriam almoçar. E como seu filho mais velho não pode ficar para o almoço junto com sua nora devido a uma consulta médica.

Sentou na cama tentando acalmar sua ansiedade, levantou uma das mãos para alisar os cabelos e ao olhar para as mesmas notou o quanto tremia - "sempre será assim?" – pensou – "Todas as vezes que iria ver sua sobrinha? Até quando ficaria a margem de sua vida?". Sorriu nervosamente, não perderia qualquer que seja a oportunidade de poder estar próximo de Kagome, mais uma vez, e algo lhe dia que em breve ela estaria em seus braços como deveria ter sido desde a morte de sua amada irmã. Imaginava o quanto Kagome estaria necessitada de amor, carinho, e só o conforto de seus braços podia dar, apesar de estar com a sua amiga, que hoje considera como irmã, nada se compara a verdadeira família.

Respirou fundo, três vezes, antes de levantar de onde estava e caminhar em direção ao guarda roupa pegando a bolsa que melhor combinava com suas roupas, se olhou mais uma vez no espelho e sorriu saindo para ir ao encontro deles.

Era mais cedo do horário habitual que Sesshoumaru costumava chegar a seu escritório, geralmente ele costuma chegar alguns minutos depois de seus estagiários, entretanto, nessa tarde precisava adiantar alguns documentos de audiências concluídas para poder acompanhar sua esposa, Rin, nos exames pré-natais.

Ao entrar em sua sala, sua secretária deixará em cima de sua mesa um envelope endereçado pela faculdade. Imaginando o que seria, abriu o envelope comprovando seu conteúdo e nele estava a lista dos estagiários ao qual renovaram a bolsa de estudos. Retirou do envelope a lista dos bolsistas junto dos outros documentos dos mesmos e nele constava o nome de Kagome e Sango. Sesshoumaru suspirou aliviado por ver que Kagome ainda era bolsista, tal fato dava mais algum tempo para sua família encontrar a melhor maneira de revelar a ela sua verdadeira identidade sem causar algum tipo de trauma.

Entre os documentos necessários para a renovação estava a cópia da certidão de nascimento de cada um dos estagiários inclusive os de Kagome, agora tinha como se certificar do que duvidava anteriormente. Com a certidão em mãos, Sesshoumaru tinha mais do que certeza que ele mostraria o meio a qual os pais adotivos de sua prima conseguiram adotá-la; já que ela tinha sido dada como desaparecida, e de acordo com seu conhecimento, haveria uma busca para tomar conhecimento de que não tinha parentes que pudessem ter a guarda da criança.

Ele olhou para o documento visualizando a assinatura do juiz de uma jurisdição diferente e não um carimbo de um cartório previamente assinado, diante dessa intriga, ele pensou contatou algo um tanto errado. Com o intuiu de esclarecer a facilidade de o casal ter adotado Kagome, já que havia dado uma criança desaparecida.

Sesshoumaru encostou-se na confortável cadeira de seu escritório observando o papel em suas mãos, pousou em sua mesa sem deixar de fitá-lo, tendo a certeza de que ali estaria a resolução do mistério que envolve a adoção de Kagome. Retirou do bolso da camisa que usava o celular procurando o número da residência de Sango, pegou o telefone em cima de sua mesa discando em seguida sabendo que encontraria seu irmão e seu amigo, ambos, detetives no caso de sua prima.

Esperou alguns toques antes de ouvir "Alô" do outro lado da linha.

- Por favor, o detetive Miroku ou Kohaku? – disse Sesshoumaru, sem conhecer a voz que atendera. – Quem fala é o Sesshoumaru Tasho, filho de Izayoi e Inu No Tasho.

- Como vai Sesshoumaru? É o Miroku, em que posso ajudá-lo? – respondeu polidamente.

- Bom, estou aqui com a certidão de nascimento da minha prima, Kagome, e tenho certeza que ele lhe será muito útil. – disse num tom calmo e firme, mas deixando passar importância.

- "A certidão de nascimento"? – rapidamente Miroku ficou intrigado com a informação – O que tem de errado na certidão de nascimento dela?

- Para uma pessoa ignorante, não passa de uma simples certidão; - disse ele com credulidade – mas para uma pessoa conhecedora, dessa área, como eu ou você, notará um erro.

- E que seria...?

- A assinatura de um juiz. – suspirou – Não um juiz qualquer, de outra área por sinal. – justificou não poder informar mais – Bom, esse não é um assunto para ser tratado por telefone.

- Sim, sim. Claro, eu entendo. – confirmou Miroku, imaginando o porque da assinatura de um juiz, "mas que juiz será esse?" pensou.

- Eu gostaria que não comentasse com meus pais, ainda, a respeito dessa pequena descoberta. – continuou Sesshoumaru – Já que não se tem a certeza do que se trata.

- Kagome está vindo morar aqui, hoje ela foi buscar suas coisas, e Sango foi com ela. - revelou - Nesse tempo pretendo descobrir mais sobre seus pais adotivos.

- Não estava sabendo. – mudou de assunto – Pode vim buscar antes que elas cheguem?

- Iremos agora mesmo. Até breve. – desligou o telefone.

Mais uma vez Sesshoumaru fitou o documento em sua mesa indagando as razões para que um juiz assinasse aquela certidão, passou a mão no cabelo em sinal de intriga. Entretanto deixou-se esquecer por alguns instantes até a chegada dos dois detetives, arrumou os documentos que estavam sobre a mesa deixando o que mais lhe interessava sob seus olhos. Respirou fundo e deu inicio ao que tinha pretensão de fazer naquele horário para não se atrasar ao encontrar-se com sua esposa.

Ao desligar o telefone, Miroku seguiu para a cozinha onde Kohaku estava preparando o almoço de ambos, já que Sango e Kagome não viriam. O almoço estava quase pronto, as panelas desligadas que continham arroz e carne, dela saia um agradável e delicioso cheiro. Só faltava uma simples salada; já que algumas verduras estavam sobre a pia sendo cortadas por ele.

Kohako estava de costas para a porta da cozinha quando Miroku entrou. – Kohaku. – chamou ele assustando-o deixando a faca cair. – O filho mais velho do casal Tasho, Sesshoumaru, ligou.

- E o que ele queria? – perguntou ao se abaixar e apanhou o objeto para depois lavar.

- Bom, ele diz ter uma pista para a adoção de Kagome.

- "Adoção"? – ele riu – Rapto seria mais apropriado, não? – voltou a cortar as verduras.

- Isso não importa no momento. – disse ele sem preocupação – O que sei é que ele está com a certidão de nascimento dela.

- E o que tem de mais? – perguntou sem valor.

- O fato de ter uma assinatura de um juiz, e não de um carimbo de cartório previamente assinado.

- Como assim? Isso é...

- É o que vamos descobrir. – sorriu maroto – Vai demorar muito aí? – apontou para a salada.

- Está pronto. Quer almoçar ou vai ao encontro dele primeiro? – perguntou arrumando o prato em cima da mesa.

- Iremos agora, antes que as duas cheguem ao escritório e nos peguem lá. – sorriu de frustração ao se imaginar se encontrando com as duas, balançando a cabeça para espantar a imagem – Não tenho argumento.

- Sei... – Kohaku o olhou com os olhos semicerrados, cobrindo com papel filme. Em seguida colocou na geladeira – Vamos.

Um pouco depois da hora do almoço o restaurante conhecido por ter uma excelente comida encontrava-se com algumas pessoas, mas havia mesas suficientes para outros fregueses que poderiam freqüentá-lo após o horário do rush além de encontrar uma vaga no estacionamento se tornava mais fácil. Depois que encontraram uma vaga no estacionamento aos fundos do restaurante Inuyasha e as amigas seguiam para dentro do estabelecimento, entrando por uma porta lateral de vidro espelhado ao qual dava para luz entrar e ao mesmo tempo garantir a privacidade de seus clientes, do mesmo modo eram as amplas janelas espalhadas pelo lugar.

Inuyasha abriu a porta dando passagem para as garotas entrarem antes dele, sendo que, Sango foi a primeira seguida por Kagome e Inuyasha fechando a porta atrás de si. Assim que Kagome entrou no restaurante sentiu o cheiro dos diversos tipos de comida que estavam sendo servidas, e imediatamente, levou a mão aos lábios parando repentinamente levada pelo enjôo. Inuyasha que vinha logo a trás dela preocupou-se com a parada repentina dela.

- O que houve Kagome? – perguntou Inuyasha preocupado, pois a seguia. Ele notou o quanto a prima tinha empalidecido – Está sentindo alguma coisa?

Sem conseguir responder a pergunta devido às ondas de enjôo que intensificava cada vez que inalava, procurou ao redor uma cadeira para se sentar.

- Quero... Sentar... – sussurrou sentindo que o chão e o teto trocaram de lugar. – Oh! – ela levou a mão mais uma vez a boca.

Inuyasha que estava ao seu lado segurou a sua mão livre sentindo que ela se encontrava fria, preocupado procurou pelo local uma mesa próxima para que Kagome pudesse sentar. Ao ouvir ela pronunciar tais palavras, Sango, voltou para ao lado dela encontrando uma mesa guiando Inuyasha a ajudar Kagome a sentar.

- Kagome. – chamou Inuyasha num tom angustiado – Está se sentindo bem? – alisou o rosto dela sentindo o quanto frio estava enquanto segurava uma das mãos.

Entorpecida pelo as náuseas que sentia Kagome olhou para ele e sorriu, levantou a mão que foi a boca num sinal pedindo tempo. Respirando forte e pela boca, sentindo que aos poucos aliviava o que sentia.

- Kagome? – Sango chamou alisando a testa da amiga.

- Eu... Estou bem. – respondeu Kagome sentando-se melhor na cadeira olhando para os dois a sua frente – Pensei, realmente, que não estava grávida – sorriu olhando para Inuyasha – Até agora.

- Mas... – Inuyasha suspirou sentindo aliviado – O que você quer dizer?

- Enjôo. – respondeu diretamente – Toda mulher grávida passa por isso, e comigo não seria diferente. Não se preocupem estou bem.

Sango olhou para Kagome tranqüilizando-se por notar uma melhora – Está ficando mais corada. – sorriu para amiga. – Bom, vamos ao banheiro lavar o rosto enquanto Inuyasha pede o nosso almoço. – virou para ele sorrindo – Peça algo leve para a minha amiga comer.

Sango ajudou-a a levantar da mesa a ouvindo responder que estava bem, só foram náuseas normais de grávidas em pouco tempo passaria já que isso aconteceria nos primeiros meses, enquanto saiam da mesa em busca de seu destino Inuyasha observava as duas caminharem até ser interrompido pelo metre oferecendo seus serviços de ajuda a ele. Prontamente Inuyasha pegou o cardápio aceitando o serviço em seguida negou a ajuda alegando não ser mais necessário.

Contudo, não sabia o que pedir para a mulher grávida e seguir o conselho de Sango. Dessa forma, pediu a sugestão do metre a respeito de um prato leve e que não aumentasse os enjôos, aceitando a sua dica, fez o pedido do prato leve para que possa ser acompanhado por um suco e não por algum tipo de bebida alcoólica para Kagome e outros tanto para ele, Sango e sua mãe enquanto esperava a última.

Assim que o metre se afastou da mesa, Izayoi com as bochechas coradas de ansiedade entra pela mesma porta em que ele e as duas amigas, há poucos instantes, tinham passado. Inuyasha levantou de onde estava sentado indo ao encontro dela recebendo-a abraçando e beijando suavemente sua testa, notava também, a ansiedade no rosto de sua mãe, e isso, o fez sorrir faceiro.

- Boa tarde, mãe! – saudou Inuyasha a conduzindo a mesa.

- Boa tarde, meu querido! – Izayoi retribuiu o afeto beijando-lhe em uma das faces saudosamente.

- Tive a liberdade de pedir o seu almoço, tem algum problema? – sentou a mesa, acompanhado mãe.

- Não, claro que não. – sorriu para ele. – Onde ela está?

Com uma gargalhada Inuyasha, mais uma vez, abraçou a mãe, a reação de dele surpreendeu mais a si do a ela e ao levantar o rosto, antes de responder a pergunta. Inuyasha vê a garota citada caminhar um pouco mais corada do que quando saiu, sussurrou próximo ao ouvido materno: - Lá está ela, disse indicando com o rosto o caminho que Kagome fazia. Viu em Izayoi o brilho que tanto lhe faltava ao falar de sua falecida irmã, e continuou: - Ela não se sentia muito bem e foi ao banheiro.

Poucas eram as vezes que Izayoi viu Kagome e nestes encontros mal trocaram palavras e seu último encontro não tinha sido um bom momento para uma aproximação, mas com certeza podia dar início à verdade que tanto ansiava a família Tasho.

Izayoi sorriu carinhosamente ao vê-la se aproximar, mesmo com um semblante pálido, ela é muito parecida com a mãe. Kagome conversava com Sango e não notou que próximo a Inuyasha estaria mais uma pessoa. Assim que chegaram a mesa os olhos de Izayoi e Kagome se encontraram, a última sorriu em afeição.

- Oi. – voltou a sorrir Izayoi – Como você está Kagome?

- Bem... – olhou insegura para Inuyasha voltando sua atenção para ela – agora, estou melhor. – Suas palavras foram ditas em todos os sentidos, tanto do falecimento do seu avô quanto ao mal estar de pouco tempo, cumprimentando a mulher a sua frente com leve movimento de cabeça. Sentindo que suas bochechas se avermelharam Kagome desviou a atenção para o chão. Izayoi não quisera entrar no assunto que ela não gostaria de lembrar já bastava às palavras de Sesshoumaru sobre o comportamento dela.

Então, Izayoi voltou sua atenção para Sango - E você é a...

- Sango... – sorriu – amiga da Kagome. – completou ao cumprimentá-la. A senhora fez uma expressão de entendimento rápido ao concluir que ela deveria ser a irmã do investigador que ajudou a conhecer sua sobrinha antes mesmo do desastroso jantar. Da mesma forma que Sango lembrou o que escondia da amiga, passando despercebida sua aflição.

- Por favor, sentem-se. – disse Inuyasha para elas e ambas puxaram a cadeira para acompanhá-los.

O silêncio tomou conta entre eles por poucos instantes, apenas se olhavam. – Então Kagome, o mal estar passou? – perguntou Inuyasha quebrado com o silêncio.

- Oh! Sim, sim. Um pouco. – sorriu envergonhada pela presença de Izayoi. – Não é nada de mais, já disse.

- Você passou mal? – indagou Izayoi com um leve toque de preocupação na voz – O que teve? É com o bebê?

Kagome olhou duro para o único homem que estava presente pelas aquelas palavras – Não tive nada demais, nada que uma grávida não tenha. – Izayoi abriu a boca tentando entender o que ela dizia, percebendo isso Kagome se corrigiu – Enjôos.

- Bom, quando eu fiquei grávida do Inuyasha tinha muitos enjôos e mal podia fazer minhas tarefas diárias – sorriu lembrando-se de como se sentiu naquela época. – Até que me ensinaram um truque para combatê-los.

- E o que seria? – Kagome perguntou curiosa.

- Bolachas de água e sal ou, simplesmente, pão. – disse e sorriu.

- Não se preocupe, não vou deixar faltar – disse Inuyasha enigmático. Sua mãe não entendia tal afirmação, mas ao vê-la abrir a boca para pronunciar algo ele continuou – Kagome aceitou morar conosco – ela sorriu – Para acompanharmos a gestação.

- Mas isso é... é ótimo. – em seguida abraçou o filho diante do recado subentendido, enquanto Kagome e Sango apenas admiravam a felicidade de mãe e filho.

- Traíra. – resmungou Sango baixinho levando à mão a boca para que os dois não ouvissem o que ela disse e sim, num tom divertido – Prefere morar com aquela... sei lá o que e o atorzinho aí do que comigo.

- Ora Sango! Não exagere! Você muito bem por que eu irei morar com eles. – Kagome respondeu no mesmo tom. Entretanto, aquelas palavras, outra vez, tinham mais do que aquele sentido, mas na verdade Kagome não sabia; apenas o que estava evidente: sua gravidez. – E quando esta criança... – reformulou o que ia dizer – Quando... Você sabe, talvez eu volte a morar no AP do meu avô, ou talvez certa amiga minha – disse fingindo não saber da resposta – deixe eu morar com ela, isto é, se ela não tiver namorando com um certo amigo dela.

Sem saber o que responder Sango ainda fingindo raiva e sorriu. Rapidamente formulou uma resposta – Ei! E quem lhe disse que ela vai namorar aquele Don Juan?

As vozes de Inuyasha e Izayoi fizeram ambas interromperem a brincadeira, deixando a resposta no ar; e voltarem sua atenção aos dois a sua frente, pois a pergunta estava direcionada a elas.

- Desculpa! – responderam unissonora – O que diziam? – perguntou Kagome.

- Gostaria de saber se você ficaria incomodada se eu acompanhá-la nos exames pré-natais? – perguntou Izayoi um tanto apreensiva.

- Claro, não é incomodo nenhum. – Kagome se ajeitou na cadeira – A não ser que Kaguya...

Suas palavras foram interrompidas com a chegada do metre junto ao garçom para servir o almoço pedido acabando com o assunto incomodo: Kaguya.

- Não se preocupe com ela, Kagome. – disse Inuyasha olhando-a nos olhos. – Não se preocupe. – Os pratos foram servidos acompanhados com um bom vinho com exceção de Kagome que acompanhou um suco, o almoço ocorria tranquilamente entre eles.

O rumo da conversa deles nada mais era a não ser o bebê e alegria que Inuyasha estava sentindo ao ser pai; e nas conversas paralelas e risadas durante aquele almoço, Inuyasha observava Kagome atentamente: na forma como conversava, como sorria e até mesmo quando parava e ficava a pensar distraidamente, a qual fora pega por eles observando-a.

Enquanto a observava, Inuyasha notou que a tristeza nos olhos de Kagome ainda existia; não aquela que vira quando a conheceu, mas uma mais profunda. Num primeiro encontro não percebia seu estado de espírito, mas no segundo seguinte, em seus olhos, era notável a dor da perda do avô. Dentro dele sua vontade é de abraçá-la, espantando toda a tristeza que existia nela, contudo, não podia fazer isso. Não era justo.

Surpreso com o rumo de seus pensamentos, Inuyasha concluiu que só podia ser o fato dela está esperando um filho dele e a afinidade dela ser sua prima embora ainda não soubesse sobre isso.

Miroku e Kohaku andavam apressados entre as salas do prédio que abrigava o escritório de advocacia onde Sesshoumaru desempenha sua profissão, além de atuar como professor na Faculdade de Direito, era um excelente advogado criminalista. Entraram na sala após serem anunciados pela secretária que gentilmente os atendera como exigia sua profissão, da mesma forma que era a sua personalidade que foi a chave para a posição que ocupa.

Ao entrarem na sala Sesshoumaru levantou da cadeira cumprimentando os com um forte aperto de mão, indicando gentilmente umas cadeiras no canto mais próximo.

- Sentem-se, por favor. – Sesshoumaru pediu, educadamente pegou o documento que estava em cima da sua mesa entregando a Miroku. – Aqui está a certidão de nascimento de Kagome. E aqui, – apontou onde existia o carimbo e a assinatura do juiz – está as minhas suspeitas.

Miroku passou o documento para Kohaku lendo o nome em voz alta: – Rossete Rinkotsu.

- O que sabem sobre ele? – perguntou Sesshoumaru, pois o que sabia desse juiz não lhe agrava nem um pouco e com certeza os dois investigadores saberiam mais do que ele.

- Sabemos um poucos mais do que as notícias que saíram nos jornais. – respondeu Kohaku – Nossos pais investigaram a respeito dele enquanto estavam e após saírem da corporação policial...

- O crime de suborno e corrupção é apenas a ponta do aceberg – completou Miroku – Ele também estava envolvido em adoção ilegal e venda de crianças no país, o que não foi noticiado. – concluiu por fim.

A face de Sesshoumaru mostrava a sua indignação a respeito dos colegas de profissão que não cumprem com o dever e se corrompem para benefício próprio causando dano em todo sistema judiciário, e a população. Pensando assim, seus pais foram vítimas desses desmoralizados.

- E pode se concluir que Kagome é uma dessas crianças – Sesshoumaru completou em tom neutro de voz seu pensamento.

- Sim – responderam unissonoro.

- Contudo não sabemos qual o envolvimento dos pais adotivos dela. E nem como eles a encontraram.

Continua...

Nota da Autora: Não tenho justificativa para o meu atraso absurdo deste capítulo. Acho que foram quase 8 meses de espera e pretendo não demorar mais nos capítulos. Espero que tenham gostado deste post e me perdoem pela demora, prometo não fazerem esperar tanto por eles.

Agradeço a todos: Agome Chan; Nada Yume; Lune Cullen and Liaah Taisho; Inulucas; Onuki Yumi; Bielawest; Uchiha Danii-chan.

Beijos e até o próximo capítulo, que já está sendo escrito.