Capítulo 13

"Sequestro"

Aos poucos, o lugar começava a encher cada vez mais. As meninas se sentiam muito ansiosas e torcendo para que tudo desse certo. Olhavam por trás das cortinas a todo momento, como se isso fosse apaziguar seu nervosismo.

Enquanto isso, três homens muito esquisitos entravam no local. Tinham uma aparência desleixada, com roupas de couro e pinta de mau caráter. Dois deles tinham umas barbas compridas e arrepiadas. Um era ruivo de olhos castanhos e o outro loiro de olhos verdes. O terceiro tinha uma cabeleira comprida castanha sobre os olhos escuros sua barba era mais curta do que a dos outros dois, e tão castanha quanto o cabelo. Olhavam muito em volta. Não eram simples expectadores. Tinha algo mais além disso

Sentaram-se bem em frente do palco, para uma melhor visão. As luzes se apagaram logo depois e uma animada batida começou a tocar. Havia um comprido tecido no centro do palco, onde as luzes se refletiam. Nele, três silhuetas femininas apareceram, se remexendo ao som da música. Os três tipos se ajeitaram na cadeira, para prestar mais atenção.

Então, das silhuetas, saíam as vozes das três garotas, juntas:

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Por você vou dedica, distraída, louca de amor

Me deixou encantada, confundida, louca de amor

Estou hipnotizada e surpresa, louca de amor

Então, Agome soltou a voz, fazendo o loiro barbudo se remexer na cadeira para olhá-la melhor.

Por te olhar o mundo desapareceu

Eu fiquei sem ar, a terra tremeu

Começou no meu coração, uma revolução

Há na minha pele um incêndio que saiu do controle

E então entrava a ruiva, Ayame. O barba ruiva ficou muito concentrado nela.

Pra você viver só pra mim

O universo se expande quando me olha assim

Me faz voar, me faz rir, me faz chorar

Me amarra a sua cintura que eu não vou me soltar

Sango cantava o refrão da música. Ela atraía profundamente a atenção do moreno de olhos escuros, com sua dança e seu corpo escultural.

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Por você vou dedica, distraída, louca de amor

Me deixou encantada, confundida, louca de amor

Estou hipnotizada e surpresa, louca de amor

De volta a Ayame:

Perco o equilíbrio nos seus olhos marrons

Corre a mil por hora minha respiração

E o que antes foi preto e branco mudou de cor

Por que o céu me desceu, eu fiquei louca de amor

Agome de novo:

Pra você viver só pra mim

O universo se expande quando me olha assim

Me faz voar, me faz rir, me faz chorar

Me amarra a sua cintura que eu não vou me soltar

De volta a Sango:

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Por você vou dedica, distraída, louca de amor

Me deixou encantada, confundida, louca de amor

Estou hipnotizada e surpresa, louca de amor

Com Ayame cantando um refrão e Agome outro para depois voltar a Sango e as três encerrarem:

Eu fiquei sem ar, a terra tremeu

Eu fiquei apanhada, sem saída, louca de amor

Por te olhar o mundo desapareceu

Eu fiquei apanhada, sem saída, louca de amor!

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Por você vou dedica, distraída, louca de amor

Me deixou encantada, confundida, louca de amor

Estou hipnotizada e surpresa, louca de amor

Apanhada... Sem Saída... Louca de amor

Por você vou dedica, distraída, louca de amor

Me deixou encantada, confundida, louca de amor

Estou hipnotizada e surpresa, louca de amor

A música se encerrou com muitos aplausos do público. As três jovens eram muito talentosas e faziam uma equipe e tanto juntas. Agome e Ayame começaram como coro de Sango e, após estudarem e serem incentivadas pela amiga, agora eram um grupo completo. Ayame tinha aproveitado a oportunidade para esquecer de lembranças mais dolorosas e tinha aprendido a tocar teclado como ninguém, o que ajudava muito as meninas no grupo.

Além de lindas eram super talentosas e por isso faziam o sucesso que faziam. Porque mereciam.

Elas não ficaram indiferentes aos olhares que os três homens estranhos lhe davam, e se sentiram muito incomodadas com isso, mas conseguiram disfarçar muito bem diante das pessoas.

Agradecendo mais uma vez aos cumprimentos recebidos, as meninas começaram uma nova canção.

Eram a atração principal, por isso o show se estendeu por cerca de uma hora. Quando acabaram foram para trás das cortinas, para trocar as roupas de show por roupas mais discretas e poder aproveitar o evento mais um pouco.

- Graças aos céus hoje eu consegui uma folga do trabalho para vir aqui hoje. Foi bem difícil convencer o... Meu chefe. _ Ayame comentou, a voz falhando com o fim da frase.

- Ele é assim tão rude, Ayame? _ quis saber Sango, colocando seu vestido rosa _ Na boa, você trabalha mais do que todas nós e seu chefe ainda quer encrencar com você? Que cara desagradável. _ assinalou.

Ayame limitou-se a assentir, sorrindo em seguida.

- Mas que bom que no fim deu tudo certo, não? _ ela comentou, animada _ O show foi um sucesso e todos gostaram. Viram só quanta gente veio nos ver? Ai, que legal! _ exclamou, sorrindo.

- Daqui a pouco vamos estar tão famosas quanto o Crash. _ Agome comentou.

As três se entreolharam, saudosas. Já fazia cinco anos que não viam os meninos. A única exceção fora o clipe no DVD, agora muito bem guardado em casa. Como eles estariam? Que estavam fazendo um enorme sucesso, era um fato. Elas tinham todas as informações em primeira mão direto da fonte e sentiam muito orgulhosas com isso.

Mas... E na vida pessoal? Elas tinham algumas informações, mas os telefonemas eram raros pela falta de tempo deles e muito rápidos. Não tinham tempo para pôr tudo em dia, como queriam... Dos dois lados...

- Bom... _ Ayame começou, voltando a si _ … Se conseguíssemos gravar uma música com eles, eu já ficaria muito feliz.

- Sim! _ Agome concordou _ Isso seria o máximo! Não acha, prima?

- Hã? _ só agora Sango tinha despertado _ Claro. O máximo.

Sango não tinha se aberto completamente com elas. Nem mesmo com Agome. Tinha admitido o que sentia por Miroke, por que não aguentava mais guardar isso para ela e além do que, ela já sabiam disso. Ouviu uma semana toda de gozação por ter escondido o que era óbvio.

Mas ela não lhes contara sobre aquela noite... Aquela noite em que ele invadira seu quarto... Aquela noite inesquecível que causara tanta dor e arrependimento a ela. Não se arrependera de não ter se entregue a ele. Não era isso. Ela realmente não estava preparada e teria se arrependido mais ainda se tivesse ido até o fim. O que ela mais pesava dessa noite era o fato da indiferença com que o tratou até seu último dia.

Tudo bem, ele passou da conta e ela ficou furiosa. Mas podia ter se aberto mais para ele quando a raiva passou. Ao invés disso, se tornara uma pessoa rancorosa e amarga quando se tratava dele, não dando-lhe nem a chance de se arrepender e se desculpar. Teve a nítida impressão de que ele tentara lhe dizer algo antes de partir, mas ela fora teimosa demais para lhe dar atenção.

Se arrependimento matasse... Ela jamais teria ignorado ele daquela forma. Ele já sabia o que ela sentia. Talvez... Tivesse também algo importante para dizer... Porque não o deixou falar? Porque?

As meninas entraram no meio das pessoas, buscando se misturar. Ayame olhou para o lado, seus olhos se tornando preocupados.

- Meninas... _ ela comentou, baixinho _ … Aqueles caras ainda estão ali.

As outras duas se viraram para confirmar o que Ayame dissera. Os homens não tiravam os olhos delas. Filmavam-nas de cima abaixo. Seus olhos parando em cada parte feminina delas, demonstrando um interesse intenso em seus olhos.

- Que tipos mais esquisitos. _ Sango comentou, sentindo um estranho calafrio _ O que querem aqui? Não parece o tipo de gente que gosta da nossa música.

- É mesmo. _ concordou Agome, se aproximando mais da prima _ Eu não gosto deles. Não me parecem boa gente.

- Meninas, vamos para outra parte? _ Ayame comentou. Não estou gostando do jeito como eles olham pra gente.

- É, nem eu. _ concordou Sango _ Vamos logo.

As três se afastaram, misturando-se com a multidão. Passado algum tempo sem vê-los, as meninas se esqueceram dos tipos estranhos, conseguindo aproveitar muito bem a festa.

As horas se passaram rapidamente e o pessoal começou a se retirar para as suas casas. Elas tinham que ficar até o fim para receber o pagamento pela apresentação, por isso, quando deu a hora de ir embora, estavam quase sozinhas na festa. Foi aí que elas se lembraram deles.

- Nossa... Já é tão tarde. _ disse Agome, olhando no relógio _ Será que aqueles caras já foram embora? O carro não está longe, mas acho perigoso sairmos com eles por aí.

- Também acho. _ Ayame concordou.

- Esperem aqui. _ Sango comentou _ Vou dar uma olhada.

Se misturou com as pessoas. As outras duas ficaram esperando nervosas por quase dez minutos, quando Sango voltou a aparecer.

- Que demora! _ Agome exclamou.

- Tive que ter certeza. _ ela justificou e sorriu em seguida _ A barra tá limpa, meninas. Podemos ir.

As outras duas sorriam, seguindo a garota rumo a porta. O carro estava apenas a uns cem metro da entrada do local, mas como estava muito escuro, ficaram um tanto nervosas. Não haveria problema chegar até ele. Mas mesmo assim, elas ainda olhavam em volta, esperando os caras aparecerem a qualquer momento. Como não havia sinal deles, elas seguiram em direção ao automóvel vermelho.

Foi mais rápido do que elas previram.

Surgindo do nada, três motos reluzentes apareceram, fazendo circulos em torno delas, impedindo sua passagem. Uma azul royal, uma vermelho fogo e uma negra.

- Quem são vocês? _ Ayame criou coragem para gritar, encarando-os com fúria _ Nos deixem em paz!

Não foi suficiente. Ela mal acabara de proferir as palavras, quando sentiu um braço puxando-a pela cintura, colocando-a sobre a moto azul e partindo em grande velocidade. O mesmo aconteceu com as surpresas Agome e Sango que, em choque, não conseguiram se impedir de ser galgadas para as motos vermelha e negra, respectivamente.

As três motos partiram em direções diferentes. Sango ficou olhando preocupada para as amigas, que desapareciam, Indefesa, não podia simplesmente saltar da moto em alta velocidade. Era pedir para morrer. Limitou-se em se manter firme na garupa, repassando todas as aulas de autodefesa que havia feito. Se esse cara queria algo dela ia levar também.

Olhando em volta, ela via os prédios passarem ventando por eles. Até que, sem que percebesse, pararam. Saltou da moto, já preparando para correr ou reagir, o que a situação pedisse, mas ficou estática de surpresa.

Em geral, quando se é sequestrada por um cara suspeito, os primeiros lugares que eles costumam te levar é no meio do mato ou uma viela escura talvez. Estava até esperando por isso, repassando mentalmente as possibilidades de se proteger.

Mas não esperava mesmo por isso. O que o sequestrador pretendia fazer com ela ali, em uma praça pública e florida, bem diante do lago mais romântico da cidade que nesse momento era iluminado pela lua intensa no céu, onde se, ele tentasse algo, qualquer um veria? Isso não era muito próprio.

Ainda desconfiada, virou-se para ele. Estava parado casualmente do lado da moto. Os braços e pernas cruzados diante de si.

- Quem é você? _ ela quis saber, arregalando os olhos cheios de lágrimas emocionadas ao ver que estava debaixo do capacete _ Você?...


Hola!

Andei sumida, mas já estou de volta com mais um capítulo.

Espero que tenham gostado.

Mais uma vez eu tenho que agradecer demais TODAS as reviews. Não sabem o quanto elas me estimulam a continuar.

Beijos a todos!