Harry Potter puxou o relógio do bolso do colete pela terceira vez. Sacudiu a peça de ouro 24 quilates e diamante, e depois levou-a ao seu ouvido. Depois o examinou de novo e olhou para o relógio de ouropel sobre o consolo da lareira, acima de sua escrivaninha.

Passava cinco minutos da quatro da tarde. Não havia duvida. Seu relógio estava correto, e Ambrosia se certificava de que o da lareira estava no horário certo toda tarde, antes de deixar o escritório.

Não havia duvida: ela não vinha.

Não que ele estivesse esperado por ela. Não realmente. Sabia que não devia ter dito aquilo na noite passada. Ele não tinha a intenção de falar com ela. Ele tinha dito firmemente a si mesmo para não alimente a ideia de ir falar com ela, depois de notar sua presença no camarote em frente ao seu.

Não chegara nem perto de seguir seu próprio conselho.

Em sua defesa, entretanto, seu interesse por Hermione Granger se devia em parte apenas ao fato de que desde que ela saíra intempestivamente de seu escritório alguns dias antes, ele tinha achado totalmente impossível tira-la da cabeça. Ela era certamente a mulher mais original que ele já tinha encontrado.

Mas aquilo, ele sabia, não era tudo. Tinha algo mais.

O que ele não conseguia definir exatamente era que coisa poderia ser.

Mas depois houve aquele acontecimento da noite seguinte à extraordinária visita dela ao escritório dele... À noite em que Ambrosia havia chegado com uma perna ferida e sangrando, pois fora atacado por um homem que, como ele próprio, vinha seguindo o misterioso amante de Lady Cho.

Harry achou surpreendente que o homem pudesse ter "duas" pessoas seguindo-o, mas Ambrosia estava determinado.

- Ele me perguntou - Ambrosia disse, com os dentes fortemente cerrados, enquanto o cirurgião estava examinando o buraco em sua coxa - quem havia me enviado. Com quem eu estava.

Harry, cheio de culpa, apesar da afirmação do médico que se tratava de um ferimento superficial e que seu secretario logo ficaria de pé novamente, insistira em que o amigo poupasse energia, mas Ambrosia insistiu em dizer tudo a ele.

- Eu lhe disse que não da maldita conta dele quem havia me mandado. - Ambrosia continuou, entre goles do frasco de uísque que Harry lhe dava. - Então eu perguntei a ele quem o mandara. E foi ai que ele se levantou e me atacou. Ele teria me matado também, se eu tivesse lhe dado uma chance. Mas eu não dei. Eu corri, provavelmente deixando uma trilha de sangue, mas corri o mais rápido que já havia corrido em minha vida. Finalmente, ele perdeu a minha pista. Não creio que ele conhecesse a área.

- Eu não entendo. - Harry desmoronou na cadeira ao lado da cama de Ambrosia. Ele não iria se perdoar tão cedo por ter mandado outra pessoa para fazer o seu trabalho sujo. Mas, seu rosto era muito conhecido, graças à frequência que aparecia no Times, e ele chamava muita mais atenção na rua do que gostaria. Isso, junto com a sua altura e compleição forte, o tornavam facilmente reconhecível, fácil de ser localizado.

Mas que seu amigo tivesse que sofrer por ele... Isto ele não iria permitir, nunca mais.

- E esse outro sujeito, quem ele estava espionando? - Harry perguntou, engolindo a repugnância que sentia por si. - Ele estava espiando Cho? Ou o amante dela?

- O amante - Ambrosia olhou para o cirurgião, que costurava o ferimento com extrema precisão. - Licença, mas isso deixara cicatriz?

- Provavelmente - o cirurgião respondeu.

- Bom - Ambrosia disse. Como muitos homens crescidos no Dials,Ambrosia associava cicatrizes com masculinidade e não se importava em adquirir novas. Voltou então a falar com Harry, como se não tivesse havido interrupção -Ele veio andando, sei lá de onde,juro, Dead. O sujeito que chegou chamava-a de Cho. Esgueirou-se pela entrada dos criados dessa vez, quase antes de eu ter notado que ele estava lá. Ela abriu a porta para ele,vi o seu rosto sob a luz que vinha de fora da estava usando um maldito capuz, por isso só consegui ver seu nariz.

- Claro - Harry comentou, secamente.

- Claro. Um segundo ou dois depois, o outro cara apareceu, arquejando, como se tivesse seguindo o primeiro cara, o da Cho. Mas se movia sem fazer barulho. Ele era um profissional, Dead. Estou certo disto.

- E você tem certeza que nunca viu ele antes? - Harry perguntou.

- Ele não era do Dials. - Ambrosia assegurou a ele. - Eu não o reconheci do cais, nem da estrada de ferro ou de nenhuma das mesas em que estive ultimante... Ele não falava como ... bem, como qualquer pessoa do Est End que conheci. Nem acho que ele seja de Londres, Dead. Mas ele era bom. Era danado de bom.

Devia ser mesmo para pegar Ambrosia de baixa guarda. Wesley Ambrose não tinha ganhado seu apelido apenas pela sua persistência. Ele era feroz na luta – quando não era pego completamente de surpresa.

Era a violência gratuita do ataque que preocupava Harry. A maioria dos homens que reagem com violência o faz porque eles se sentem apavorados. Mas Ambrosia não tinha feito nada para ameaçar aquele homem que ele tinha encontrado. E mesmo assim ele o atacou com uma brutalidade que chocou ate Harry Potter, que estava acostumado com violência.

Foi por isso que ele chamou esses homens de fora. Ele não iria arriscar a vida de nenhum dos seus amigos, só queria saber o nome do amante de sua noiva. Havia outro meio de conseguir isto.

Não que fosse algo de que apreciasse e não estava esperando empregá-lo. Mas agora ele não tinha outra opção. Ele não podia deixar Cho vencer. Ele não ia permitir que ela saísse do relacionamento deles com o dinheiro que ele trabalhou tão duro para conseguir... Especialmente porque estava bem claro que ela achava que ele trabalhara por isso com tanto descaso.

Foi então que Lady Hermione chegara. Lady Hermione Granger, com sua chocante proposta, era a única chance que Harry tinha de ganhar o caso contra Cho. Porém a ideia de prosseguir com este esquema completamente ridículo, mal concebido como o dela, o afligia. Mas, e outra opção ele tinha?

Talvez não fosse tão ruim se tivesse sido alguma outra mulher. Mas não, tinha que ser Lady Hermione, com sua luva branca e sua dama de companhia, exatamente o tipo de senhorita da sociedade que Harry se esforçara tanto para evitar quando ele estava procurando uma noiva. Por ter encontrado poucas delas na sua vida, as virgens o apavoraram ou aborreciam absurdamente.

Bem, Hermione Granger nunca o aborrecera, já que irrompera audaciosamente em sua vida, mas a sua ingenuidade, era um pouco aterrorizadora. Ela pediu que ele a ensinasse a fazer amor, quando parecia muito provável que ela nunca havia sido beijada adequadamente. Como em nome de Deus ele iria explicar para uma garota tão inexperiente a fina arte da sedução?

Mas não havia nada mais o que fazer sobre isso. O jogo tinha se tornado muito perigoso. Ele teria que acabar com ele da maneira que ele pudesse, e quando mais rápido, melhor.

Mas será que Lady Hermione ainda o ajudaria? Ela certamente não parecia aparentar isto na noite anterior. Sua raiva havia aumentado por causa de sua rejeição inicial, e ele só podia rezar para que o dedo que passara em seu pescoço fizesse o efeito que ele pretendia: capturar o interesse dela novamente. Um homem que podia gerar tal sensação com um mero toque de seu dedo, ele esperava que ela estivesse pensando, deveria ter conhecimento de muitos outros segredos sexuais.

A pobre menina mal sabia que ele estava contando que ela fosse tão sensível como parecia.

Mas o que isso importava? O que importava era que ela viesse.

Só que não parecia que isso ia ocorrer.

Ele olhou para o relógio. Passavam doze minutos da hora. Ela definitivamente não vinha.

O que era uma pena. Ele tonha de achar outro jeito de vê-la novamente e não apenas com o objetivo de testar sua teoria de que Hermione Granger era uma daquelas mulheres cujos atributos pareciam melhorar com o conhecimento. Ele tinha chegado à conclusão, especialmente desde que ficara observando-a na ópera noite passada. Embora estivesse usando um vestido branco, quase nada de joias, ela tinha capturado os olhos dele e segurado por tanto tempo que ele tinha se forçado para evitar encará-la. Mesmo quando fazia sdas rédeas puxadas, uma coisa que poderia ser detestável em mulheres menos atraentes, Hermione Granger valia bem mais que um segundo olhar.

No mínimo, ela era uma mulher original. Não haviam muitas mulheres que ele conhecesse que censurasse uma duquesa pela crueldade aos animais. Havia até muito poucas que teriam a temeridade de admitir que se entediara com Fausto.

E nenhuma, que ele soubesse, se aproximaria de um completo estranho, pedindo aulas de como fazer amor.

Isto, ele decidiu, era seu charme, e verdade seja dita, ele ficou aliviado por Ambrosia ter sido apunhalado, porque isso o deu uma desculpa para entrar em contato com ela novamente. Achava mesmo que ela não era como nenhuma que ele já conheceu. Por isso, ele disse para si mesmo, que desde aquela tarde em seu escritório ele não conseguia tirar da cabeça a lembrança dela, freqüentemente, completamente sem aviso, a imagem dela aparecia em sua memória. Não tinha nada a ver, ele assegurou a si mesmo, com aquela doce boca e aqueles olhos perturbadores dela. Nada a ver com isto mesmo.

E então, exatamente quando ele tinha perdido as esperanças, e estava se preparando para ir para casa e passar a noite entretendo com o enfermo Ambrosia, muito provavelmente perdendo para ele nas cartas, alguém bateu à porta de seu escritório. Era Snake, que tinha se voluntariado para assumir as tarefas de Ambrosia, colocou a cabeça na porta e disse:

- Lady Hermione Granger esta aqui para vê-lo, senhor.

E lá estava ela, olhando ele cautelosamente enquanto se aproximava de sua escrivaninha, com a sombrinha fechada pendente de um pulso, e a bolsinha, de outro.

- Senhor Potter. - ela disse, sem sorrir, depois de Snake ter fechado a porta atrás dela. Ficou em pé diante da mesa, irradiando indignação, parecendo uma colegial levada à diretoria por desobediência.

Ele não teve nem a chance de se levantar. Permaneceu completamente imóvel, estupefato primeiramente pela aparição súbita dela, depois pelo fato de que – novamente – ela não parecia em nada com a Hermione Granger que ele vira pela primeira vez, sentada na escada de Dame Ashforth. Nessa ocasião, o rosto nada atraente exibia uma expressão aflita, ela usava um penteado muito simples, enfim, tinha uma aparência comum.

Agora seu rosto estava muito diferente. Os olhos d'água cintilavam. O cabelo brilhava com lampejos dourado e âmbar, e a sua aparência era suave e agradável.

O marque de Winchilsea, ele pensou e não pela primeira vez, era um tolo, se é que realmente não estava apaixonado por ela, conforme dissera.

Ele perguntou, estupidamente, como achou mais tarde, a primeira coisa que lhe veio na cabeça:

- Onde esta Violet?

- Oh, Violet. - Ela disse, desfazendo o laço de seu chapéu. - Ela esta lá fora. O feitiço que jogou ainda não passou. Ela acredita irrestritamente no senhor.

- Mas a senhorita... - disse ele, a observando enquanto colocava a sombrinha e o gorro numa mesinha ao lado de um das poltronas de couro à frente de sua mesa. - não compartilha os sentimentos dela sobre mim, acertei?

- Quer dizer, confiar no senhor? Porque eu deveria? - Hermione se soltou na poltrona, e começou a tirar suas luvas - O senhor obviamente não conhece sua própria mente.

- E a senhorita? - não pode deixar de perguntar. - A senhorita me disse noite passada para não esperá-la hoje.

Ela se pôs a remexer dentro de sua bolsinha, com os cachos cor de mel caindo-lhe no rosto, eu cabelo ligeiramente marrom. Nenhum do elaborados penteados de Cho, ele pensou, tinha sido tão encantador.

- Sim - ela disse. - Bem, eu acho que nenhum de nós fomos perfeitamente honesto ontem à noite. - Tirou então um da bolsa um caderninho de capa de couro, um lápis e algo enrolado no lenço. - Eu disse que não viria, e o senhor disse que nada tinha acontecido para fazê-lo particularmente ansioso em se livrar de Lady Cho. - Hermione não olhava para ele. Ela parecia ocupada desdobrando o lenço. - Ambos sabemos que nenhuma destas afirmações era verdadeira.

Depois que o objeto foi desdobrado, Hermione o pôs sobre o nariz. Era, para a surpresa de Harry, um par de óculos.

- Agora. - Hermione disse, abrindo o caderninho, um diário,ele percebeu, devido às folhas em branco. Então segurando o lápis na primeira pagina, continuou - Podemos começar?

Ele não conseguia tirar os olhos dos óculos. Tinham aros dourados, bem fininhos e femininos, mas definitivamente... eram óculos. Por trás deles, seus já relativamente grandes olhos castanhos, pareciam enormes. Ele disse, estupidamente se deu conta, mas não conseguiu evitar:

– O que esta fazendo?

Ela desviou os olhos para o caderninho e de novo olhou para ele.

- Bem - ela disse, piscando aqueles olhos luminosos. - Vou tomar notas, é claro.

- Tomar nota!? - ele explodiu.

- Bem, é isso mesmo. - Ela abaixou um pouco os óculos, examinando ele por cima do aro. - Eu não gostaria de esquecer nada. E desse modo, o senhor não precisara repetir.

Ele a encarou. Os óculos, embora lhe dessem a aparência de uma professora muito jovem, na verdade não alteravam seus traços, como ele achava que esse tipo de acessório faria. De fato, davam-lhe um surpreendente ar misterioso.

- Eu não tenho muito tempo - Hermione disse, num tom de desculpas. - Só uma hora mais ou menos antes que alguém perceba que eu sai. Então se o senhor não se importar Senhor Potter, eu gostaria de perguntar o que o fez mudar de ideia.

- Sim - ele disse. - Bem, isto é justo, eu suponho. E há algo que a senhorita deveria saber de qualquer modo, visto que conhece o cavalheiro em questão. Talvez possa entregar a ele um aviso meu.

Ela levantou a sobrancelha questionadoramente.

- O que disse?

- O homem com quem a senhorita disse que viu minha noiva em um abraço altamente comprometedor. - disse Harry, olhando para ela seriamente através da grande extensão de sua mesa de trabalho. - Temo que ele possa correr perigo.

Sua boca delicada se entreabriu, e seus olhos, por cima do aro de seus óculos, aumentaram perceptivelmente.

- Por causa de quem? - Perguntou ela, com uma boa dose de suspeita , quando seu espanto arrefeceu o suficiente para permitir que ela falasse. - Eu achei que tinha deixado bem claro que eu não iria tolerar...

- Não de mim - Harry se apressou em assegurar para ele. - Eu nem mesmo sei quem ele é.

- Então como o senhor sabe que ele esta correndo perigo?

- Porque mandei vigiar a casa de Lady Cho - Harry explicou um pouco embaraçado, embora não conseguisse entender por que ele devia se sentir assim diante dela. Ela sabia muito bem dos seus problemas românticos. E na noite passada, o homem que eu designei para lá foi violentamente atacado por outro homem, um homem que parecia estar seguindo... seu amigo.

- Meu amigo. - Hermione repetiu. - Um homem que o senhor enviou para espiar sua noiva foi atacado por outro homem, que estava seguindo meu amigo... o homem com quem sua noiva esta tendo um caso ilícito.

- Sim. - Harry disse. - É exatamente isto. Assim, talvez a senhorita pudesse dizer para seu... amigo tomar cuidado. Especialmente se se tratar de alguém que lhe seja querido.

Os olhos, que pareciam maiores que nunca por trás das lentes de aumento, se arregalaram ainda mais.

- Que me seja querido? - ela ecoou.

- Sim - ele disse. - Se, por acaso, ele for o seu... - Era sua imaginação ou os olhos dela pareciam ainda maiores? - irmão?

Ela explodiu em uma gargalhada.

- O senhor acha que meu irmão esta tendo um caso com sua noiva?

- Bem - ele disse, com alguma aspereza. - A senhorita mencionou que ele foi baleado...

- Por assaltantes - ela disse. - Oh, Senhor Potter, o senhor não poderia estar mais errado. Meu irmão venera o chão que o senhor pisa. Além do mais, Cho nunca...

Ele fez um aceno com a mão para impedir que ela continuasse. O que ela ia dizer era inteiramente verdade. Tinha sido apenas uma suspeita passageira, mas ainda, ele se sentia compelido a continuar.

- Bem, nesse caso - ele continuou - este sujeito parece significar trabalho. Eu estou convocando meus homens de volta, para a segurança deles. Não - Harry adicionou, em um tom mais leve - que eu imagine que seu amigo possa ter alguma dificuldade em lidar com ele. Seu amigo parece possuir a habilidade única de fugir quando é descoberto. Meus homens estão convencidos de que ele não existe, que é um tipo de fantasma, do jeito que ele entra e sai das sombras.

O olhar fixo de Hermione, ele pensou, havia ficado incrível, por isso ele não se surpreendeu quando ela disse:

- Meu amigo. Você quer dizer o homem com quem eu vi Lady Cho?

- Sim. Exatamente a quem me referi.

- O homem que eu vi com ela na Dame Ashforth? Este homem?

Um pouco impacientes, ele assentiu.

- Sim. Este homem.

Para a surpresa completa dele, Lady Hermione explodiu em uma gargalhada novamente.

- Eu acho difícil acreditar - Harry disse depois de ouvir as risadas dela por um minuto ou mais; isso era, ele sabia, seu castigo por concordar em fazer negócios com uma virgem – que este homem possa ser um grande amigo seu, se a senhorita acha tão divertido que um assassino possa estar pondo em risco sua vida.

- Assassino! - Isto fez Lady Hermione rir ainda mais, obrigando-a a levantar os óculos para limpar as lagrimas da risada para longe de seus olhos. - Oh, Deus - ela disse de novo, arfando pela sua explosão. - Desculpe-me. Mas o pensamento de alguém o chamando de fantasma...

Temendo que ela explodisse novamente em gargalhadas, Harry disse, rapidamente:

- Bem, eu só achei justo que a senhorita soubesse. Se decidir informar ou não a seu amigo é da sua conta, é claro...

- Eu não acho que farei. - Hermione disse, ainda sorrindo. - Parece que o seu fantasma e meu amigo não são o mesmo homem. Já te ocorreu que Cho pode ter mais de um amante?

- Obrigado pela sugestão. - Harry disse, incapaz de manter a secura longe de sua voz.

Toda a risada imediatamente desapareceu do rosto de Hermione Granger, que pareceu ter sido tomado pela culpa:

- Oh, eu não quis dizer... Eu não quis sugerir que Lady Cho é... oh, Deus. Desculpe-me.

Ele dispensou suas desculpas impacientemente.

- Esqueça - ele disse. - Nós dois sabemos o que minha noiva é. E é por isso que estamos aqui. Eu receio que não tenho outra opção, Lady Hermione, do que aceitar a sua proposta. Ao mesmo tempo em que eu não gosto da idéia do seu envolvimento em meus assuntos, receio que não posso mais colocar a vida dos meus homens em risco tentando descobrir a identidade do amante de minha noiva.

Ele olhou para ela, de repente temeroso de que a desculpa soasse tão falsa para ela como soava para ele. Mas se achava que ele tinha outra motivação para aceitar a oferta dela – como, por exemplo, a chance de passar mais tempo com a intoxicaste presença dela – ela não demonstrou.

E por que ela suspeitaria de tal coisa? Ele sabia muito bem que havia deixado claro que não se interessava por garotas pertencentes à mesma classe social dela.

Que tolo!

- Bem, então - ele disse, limpando a garganta. - Eu devo prosseguir com, um, uma aula sobre o assunto?

Hermione, com seus óculos colocados de novo sobre o seu nariz, assentiu vigorosamente.

- Sim, por favor.

- E precisamente quantas...lições - ele disse, limpando a garganta. -A senhorita via querer, Lady Hermione, em troca do seu testemunho?

Hermione o olhou um pouco desanimada e disse:

- Bem, depende. Quanto tempo acha que ira precisa até que eu esteja... pronta?

- Acho mesmo que depende - ele disse, devagar. Por dentro, entretanto, seus pensamento vagueavam. O que, ele estava pensando, ela faria se eu tirasse aqueles óculos do nariz ela, jogasse eles no chão, puxasse ela da cadeira, e a beija-se? Então? Ela sairia da sala? Bateria-me? Ou me beijaria de volta?

- Bem - Hermione disse, interrompendo o seu monólogo interno. - Por que o senhor simplesmente não começa, e nós seguimos em frente.

- Certo - Ele concordou, relutantemente. E limpou a garganta novamente.

Naturalmente, ele havia preparado uma apresentação para a ocasião. Uma exposição elegante, muito bem pensada. Tivera essa ideia durante a ópera na noite anterior. Bem, ele precisava de alguma coisa que o impedisse de passar toda a tarde de olhos fitos em Hermione.

Infelizmente, ele não tinha acreditado que ela apareceria esta tarde, e então ele deixou o seu programa da opera, o qual ele tinha feito anotações, ao lado de sua cama.

- Certo - ele disse de novo. Ele se sentia desconfortavelmente nervoso, embora não soubesse o porquê. A menos que fosse pelo fato de que nunca se imaginaria nessa posição, explicando uma coisa tão... bem, íntima, para uma jovem dama que havia sido tão cuidadosamente educada.

E por quem ele estava se encontrando cada vez mais e mais atraído.

Felizmente, o tópico que ele tinha escolhido para a primeira aula era razoavelmente impessoal.

- Bem, veja, Lady Hermione - ele começou - as intimidades que ocorrem entre um homem e uma mulher na privacidade de um quarto não pode ser adequadamente descrita numa situação como esta. Nós estamos como a senhorita sem dúvida sabe, em um escritório, numa atmosfera que dificilmente conduz ao romantismo.

Isto soava bem. Ele decidiu então explorar este tema.

- Não posso enfatizar suficientemente a importância da atmosfera da ligação romântica. Tem os que dizem que esse amor não deve ser feito durante a luz do dia, porque a luz do sol não é propícia à manifestação dos sentimentos românticos. E enquanto eu descobria que isso era verdade com algumas mulheres, que talvez se sentissem tímidas em relação a suas formas, também descobri que não havia nada mais libertador do que se despir, assim como das inibições, à brilhante luz do dia.

- Perdoe-me - Hermione o interrompeu com seu lápis parado na pagina.

Ele parou, e olhou para ela. O diabo que o levasse se ela não o olhara tão encantadora quanto uma náiade numa barranca de rio, com seu cabelo dourado e aquela beleza de pele fresca. Bem, uma Náiade de óculos.

- Sim? - ele disse.

Ela sorriu educadamente e disse:

- Como eu disse anteriormente, eu só tenho uma hora. Será que podemos guardar a discussão sobre a atmosfera – que é fascinante, acredite em mim – para outra hora, e ir direto ao assunto beijar?

- Beijar? - perguntou ele, com um ar espantado.

- Sim - Hermione disse - Beijar. E depois nós possamos discutir aquilo que o senhor fez noite passada, com o seu dedo.

Ele tossiu, sem graça.

Bem, ele provocara isso. Pensou na cara de Cho, como ela reagiria quando Lady Hermione aparecesse para testemunhar a seu favor...

Ele achava que poderia manter o controle sobre seus instintos mais básicos pelo prazer de ver isso.

- Certo, então - ele disse. - Beijar. Muito bem. Escutamos, é claro, sobre beijos todo o tempo, mas o que não escutamos é que o beijo é uma parte muito importante do...

Lady Hermione o interrompeu, dizendo:

- Há um tipo particular de beijo que eu quero discutir, um que eu tive a oportunidade de observar, em que as pessoas que estão se beijando enfiam a língua de um na boca do outro.

Ele não conseguia tirar os olhos de sua boca enquanto ela dizia isso. Era uma boca muito bonita, um botão cor de rosa pronto para ser beijado. Ele desviou os olhos com certo esforço.

- Você viu isso.

Ela assentiu enfaticamente.

- Oh, sim. Exatamente. Vi que faziam isto.

Ele se perguntava se ele algum dia havia visto, mesmo na infância, algo tão absurdamente inocente, e concluiu que provavelmente não.

Ele limpou a garganta, tentando mostrar-se impessoal.

- Sim. Bem, este tipo particular de beijos que a senhorita descreveu é bem...

- Desagradável - ela terminou para ele, com um olhar de quem sabia o que estava dizendo.

Harry piscou para ela. Ele não podia evitar. Realmente, o que havia de errado com o noivo dela? Ele era mais do que um almofadinha? Seria ele, Harry não pode deixar de se perguntar, um daqueles? Ele preferiu pensar que sim. Esta era certamente a única razão em que ele podia pensar para que o cara não tivesse levado Lady Hermione para a cama. Ele também podia ser excêntrico ou tolo, ou provavelmente uma combinação dos dois.

- Não é desagradável - ele disse, mantendo o tom impessoal com esforço. - Não é de jeito nenhum desagradável.

- Bem - ela disse. - Eu não vejo o que pode haver de agradável nisso. Quer dizer, ter alguém enfiando a língua na minha boca.

- De qualquer modo, ninguém vai ficar enfiando a língua em lugar nenhum - Harry disse impaciente. - Se Wesley beijar você assim, não crio que você vá achar desagradável.

Hermione o olhou de modo afetado, um olhar que não era difícil de exibir com aqueles óculos .

- Se o senhor diz Wesley - ela disse - referindo-se ao meu noivo, o marques de Winchilsea, a resposta é não, Senhor Potter. Ele nunca me beijou desse jeito.

Bem, isto certamente não era uma surpresa. O que o surpreendeu, um pouco, foi o tom melancólico na voz dela quando ela fez a confissão.

- Bem - ele disse, rapidamente. - Um dia, sem duvida ele o fará, e é melhor que a senhorita esteja preparada. Este tipo de beijo, Lady Hermione, é conhecido pelos franceses como o beijos da alma, porque através desse beijo, um casal passa a alma de um para o outro.

Hermione ficou de boca aberta e disse:

- Que coisa completamente mórbida. - ela disse.

- Os Franceses... - ele disse, sacudindo os ombros. -Agora, eu devo avisá-la que este tipo de beijo se popularizou neste pais, e eu receio que se a senhorita estiver sendo sincera sobre seu desejo de ser esposa e amante para seu marido, vai ter que aprendê-lo.

Hermione suspirou resignadamente, virou a pagina de seu caderno, e preparou seu lápis.

- Muito bem. Como se faz?

De qualquer outra mulher, aquilo teria sido um convite. Isso o afetou muitíssimo. Ele foi tomado por um desejo tão repentino e poderoso desejo de beijar Lady Hermione que seus braços pareciam tremer com o esforço de mante-los junto ao seu corpo. Ele não tinha o habito de sair por aí, agarrando e beijando garotas que tinham deixado claro seu desinteresse por ele.

Mas estava acontecendo isso. Ele queria beija-lá, não obstante o fato de que isso, sem dúvida, era umas das ideias mais absurdas que ele já tivera.

Mesmo assim, ele a combatia.

- Talvez - Harry disse, esperando que ela não notasse que aquela não era sua própria voz. - nós devemos voltar ao tópico de criar uma atmosfera romântica.

- Beijos, por favor - Hermione disse, batendo impacientemente com o lápis contra o seu caderno.

Bom Deus. Isto não daria mesmo. Até o jeito que ela falou as palavras – Beijos, por favor – naquele tom aborrecido tinha excitado ele.

Bem, e o que aconteceria se fosse assim? Que mal faria um pequeno beijo? Sério, que mal?

- Essa não é uma espécie de coisa que se pode descrever - ele disse, de novo olhando para a boca dela. Completamente sem nenhum tipo de batom, completamente diferente de qualquer uma das bocas de que ele lembrava de ter beijado nesses últimos anos. - Talvez seja melhor que eu lhe mostrasse.

Ela largou o lápis. Quando ele levantou o olhar de sua boca para seus olhos, ele viu que ela estava olhando para ele seriamente através das lentes de seus óculos.

- Senhor Potter. - ela disse, severamente. - Talvez o senhor tenha entendido errado. Eu não vim aqui com o desejo de ser incluída no seu Harém. Eu não estou interessada em ter um romance com o senhor. Eu estou, como o senhor sabe, noiva.

Ele sentiu uma estranha onda de prazer percorrer todo o seu corpo. Era inexplicável. Ele nunca tinha sentido nada como isso antes.

- Assim como eu, Lady Hermione. - ele disse, estendendo as mãos para fora. - Mas a senhorita não me vê preocupado com minúcias sobre se é ou não apropriado ensinar-lhe essas coisas. Por que a senhorita fica se debatendo sobre a propriedade de aprendê-las? Afinal, a senhorita, Lady Hermione, veio até mim.

- Mas - ela disse, em uma voz mais branda do que aquele que usara antes - Eu não vejo o porquê o senhor não pode simplesmente me dizer...

- Eu lhe disse. - Ele empurrou de novo a cadeira e ficou de pé. - Porque este não é o tipo de coisa que eu posso dizer. - então, rapidamente deu a volta na escrivaninha, antes que pudesse voltar atrás e enquanto ainda estava aturdido. - Eu tenho que lhe mostrar. É o único jeito. - Ele disse, se curvando para pegar o caderno e o lápis das mãos frouxas dela - a senhorita vai aprender.

- Mas... - Hermione disse, fracamente.

- A senhorita quer impressionar o marques, não quer? -pegou as mãos dela, e levantou-a firmemente da poltrona.

- Sim - ela disse, na mesma voz hesitante. - Mas...

Os óculos, ele percebeu, teriam que ser tirados. Levantou as mãos e gentilmente os desenganchou das orelhas, enquanto falava com ela na mesma voz baixa, confortante, o mesmo tipo de voz que um cavalariço usaria com um cavalo nervoso.

- Tudo ficara bem,- ele disse. - Você vai ver. Pode até gostar.

- Não creio. - Hermione disse, ansiedade estava escrita em seus enormes e expressivos olhos marrons.

- Bem - Harry disse, - Agora!. - levantou a mão e tirou da sua testa uma teimosa mecha de cabelo castanho. Enquanto ela estava distraída com isto, ele se inclinou, e com uma sensação de necessidade pressionou sua boca contra a dela.


(N/A): Oii gente, e ai como vocês estão? Saiu bem rapidinho esse hein ? Ta vendo, eu disse que ia melhorar! Haha o primeiro beijo deles, nessa fanfic até que foi bem rápida né?

Muito obrigada a todos que estão lendo e comentando, estão fazendo uma adaptadora muito feliz!

Forever Loving Jimmy: KKKKKKKKK Adoro seu comentários! Realmente o ruim desse casal na fanfic é que eles são muitos teimosos! Mas até que o Harry deu o braço a torcer bem rapidinho e já ta saindo beijando ela, hein? Espero que você continue gostando. Bjoos

LMidnight: Haha você ainda vai ver que o Harry é muito esperto nas artes da conquista - meu lado malvada, querendo deixar no suspensa. realmente não sou muito boa nisso - esses dois ainda vão ter algumas indas e vindas, mas nada muito dramático, até porque até que foi bem rápido o beijo deles né - kkkkk eu li a sua review em estilhaça-me e em minha defesa é: ponha a culpa na autora, não em mim! Sou uma simples adaptadora, mas eu juro que agora as coisas vão começar a andar mais rápido. Espero que você continue gostando. Beijos!