No Apartamento
- Nossa, isto mais parece uma seção de loja de departamento. Sabe, aquelas que montam o modelo da sala completa? – Usagi disse com o rosto contorcido, aproveitando para revirar os livros da estante. Escolheu um dos mais grossos e o folheou.
Após se encontrarem com aquela mulher, Usagi pediu que fossem para algum lugar longe. Sabia que as chances de vê-la duas vezes no mesmo dia eram próximas de zero. Depois de como Mamoru a tratara, menores ainda eram de ela tão cedo querer falar com os dois. Ainda assim, queria um lugar para monopolizá-lo. Sugerir o apartamento não foi uma ideia que demorara a lhe vir à mente.
Agora que o via com mais calma, notava certos detalhes. Ou a falta destes.
- Além de xingar minha casa, vai também criticar o que leio? – Mamoru retirou o livro de suas mãos, devolvendo-o a seu lugar, onde também recolocou os demais em suas posições de origem.
- Achei que pudesse ser só de enfeite. Aqueles livros que só têm capa? Já disse, este lugar parece uma loja.
- Não lembro de você chamar meu apartamento de mostruário antes.
- Você apagou em minutos que chegamos aqui. E eu tava meio ocupada tentando usar o máximo do tempo antes de você desabar de exaustão.
Mamoru sorriu divertido com a lembrança, sem demonstrar embaraço.
- E agora... – Sua expressão transmutou em algo mais travessa, e ele se aproximou com menos caução que antes quando estavam na rua. - ...não quer mais usar bem nosso tempo? – Suas mãos seguraram a cintura dela, massageando até pararem em suas costas.
Usagi gargalhou de leve, esforçando-se para também não se abater com a provocação. Ignorou sua bochecha queimando e seguiu em sua excursão pela casa.
- Sua geladeira precisa de carboidratos – comentou após fechá-la e sair da cozinha.
Novamente, Mamoru tentou segurá-la, mas seus dedos somente roçaram no tecido de seu uniforme. Usagi agora abria a porta do quarto, seu riso ficando mais estridente.
- Gente, isto é mais impessoal que cenário de novela! – disse assim que reparou a cama perfeitamente arrumada com um lençol branco. – Até hotéis são mais acolhedores. Não tem nem fotos?
- Claro que sim. – Ele apontou para a cômoda, onde seu retrato com Motoki e Reika compunha a única evidência de que humanos já estiveram pelo cômodo. Todo o resto poderia muito bem haver sido arrumado por um robô.
Não satisfeita, ela decidiu abrir o guarda-roupa. Já tinha as mãos nas portas quando sentiu os dedos de Mamoru segurando-lhe a nuca.
- É falta de educação ficar andando livremente pela casa dos outros.
Ela se desvencilhou e torceu o nariz antes de responder:
- É do meu namorado, não dos outros.
Mamoru estalou a língua e depois apertou um lábio contra o outro, encarando-a.
- Sério que vai fazer essa cara braba pra mim? – Usagi caiu no riso. – Já me acostumei tanto que fiquei imune.
- Não estou fazendo, eu estou bravo.
Enfim, Usagi deixou que seu rosto ficasse sério e assentiu em silêncio, voltando o corpo para a porta e indicando que sairia do quarto. Quando Mamoru também começou a acompanhá-la para fora, ela mudou a direção e se jogou sobre a cama, rolando pelo lençol como um cachorro.
- Cheiroso! E não é de sabão! – ela disse, desejando que o cheiro da colônia de Mamoru se fixasse nela também enquanto continuava a rolar de um lado para o outro.
- Usagi! – ele brigou parado próximo à porta. Então, soltou um suspiro resignado e estalou novamente a língua. Ficou assim, observando-a agarrar os travesseiros por um longo período e só voltou a falar quando ela parou relaxada sobre o colchão. – Dessa forma, mais parece que está me fazendo uma oferta.
Ela voltou a rir, bem mais alto que antes. Parou um pouco ao perceber que a reação o havia assustado. Novamente, Mamoru devia ter esperado intimidá-la lançando uma frase tão de conquistador clichê na televisão. Quando ela deu por si, porém, Mamoru não se encontrava mais à porta, mas deitado a seu lado sobre a cama, com os lábios prontos para beijá-la. E beijando-a. Com o corpo perto, as mãos novamente lhe segurando a cintura. Alguns dos dedos havia passado por baixo de sua blusa, que subira quando ela arqueou para baixo. O calor do toque lhe queimava a pele. A proximidade de Mamoru era tanta que já podia calcular um pouco de seu peso sobre o corpo dela.
Espantou-se, pois não encontrava motivo por que deveria pará-lo. Apenas que não queria nunca sair daquela cama.
Uma das mãos voltou para cima da blusa e subia até bem próximo ao seio, a seu coração. Contudo, afastou-se até o laço de seu uniforme. Mamoru iria desfazê-lo. E Usagi o desfaria se demorasse qualquer segundo a mais.
No próximo momento, porém, o quarto voltou a ficar claro. E um pouco frio. Ela abriu os olhos para ver que Mamoru havia se levantado da cama com o rosto pálido levemente suado e os olhos esbugalhados olhando para todas as direções, menos Usagi.
- Vou pegar algo para beber – ele explicou, como se eles houvessem apenas acabado de se beijar e agora precisassem de um descanso.
E saiu.
Usagi olhou para seu arredor. O lençol desarrumado. Uma parte do colchão revelada em dois pontos. E ela. As mechas de cabelo pareciam cobrir melhor a cama do que o lençol. A saia um pouco levantada, com a carne de suas coxas redondas demais caindo. A blusa também fora do lugar expondo toda sua barriga nada em forma. O laço desamarrado pela metade, como Mamoru o havia deixado. No meio dele, o broche de transformação ainda preso. Intocado.
Continuará...
Anita
Notas da Autora:
Esta parte ficou bem curtinha, mas achei melhor ficar uma cena dividida :x Esta é na verdade uma das cenas que mais gosto. Adoro imaginar o apartamento do Mamoru, a Usagi fazendo a festa e aí culminar nessa cena da Usagi deixada sobre a cama bagunçada. Sei que é sádico admitir, mas foi tão legal escrever isso! xD A partir daqui a história está encaminhada, querendo dizer que passamos já do meio e as coisas tendem a err se desencaminhar. Não percam os próximos capítulos, ho ho ho!
