A masmorra era escura demais e mesmo ele, desacostumado ao medo, tinha pesadelos à noite. Ele gritava. No fundo, era apenas por isso que a masmorra era escura: pra assustar. De alguma forma aquilo parecia divertido aos habitantes da casa séculos atrás, quando as pessoas costumavam ser presas em masmorras. Agora também divertia os comensais mais sádicos.
Era engraçado pensar que aquele era o mais corajoso dos Weasleys. Carlinhos, o imponente domador de dragões, gritava a noite.
- Abra a cela. - Malfoy deslizou para dentro do compartimento pequeno de terra batida e acordou o prisioneiro com um chute entre as costelas - Bom dia, flor do dia! Hora de acordar!
Apesar dos muitos ferimentos no rosto e no braço e da perna que ainda sangrava o corte recente, Carlinhos tentou derruba-lo no chão.
- Você não tem forças nem pra levantar. O que te faz pensar que me derrubaria? - ele balançou o pé afastando as mãos de Carlinhos. – Weasleys! Pronto pra sessão de hoje?
- O que te faz pensar que eu vou te dizer alguma coisa? – Carlinhos disse levantando a sobrancelha, com um sorriso fraco.
- Cruciatus. Eu não sei. Everte Statum. O fato de que somos quase da mesma família.
Quando meu pai descobriu, quis arrancar vários pedaços diferentes da minha anatomia. Mas depois ele pareceu vislumbrar algo acima de nós que fez com que ele ignorasse o fato, como ignorou no dia em que entrou no meu quarto sem aviso e me viu com a Cassandra na cama.
No dia que eu pedi que descobrisse e pegasse o Weasley que sabia o segredo ele sorriu, mas não disse nada. Depois eu soube que o Rony não tinha aberto a caixa do colar, o domador tinha.
Alguns dias e eu vi que nem tudo na minha idéia era perfeito. A ruiva chorava sempre. Não na minha frente, claro, mas ela estava sempre com os olhos muito vermelhos. Isso incomodava porque aquele era o único chocolate que eu gostava. Cheguei a confortá-la um dia, dizendo que ele apareceria em breve. Era mentira. No tocante aos comensais, ele não sairia vivo de lá. Mata-lo não era minha intenção, mas um Weasley a mais, um Weasley a menos, nunca faz diferença (1). Eu não choro por eles.
O Rony não falou o que sabia. Acho que o seqüestro do Carlinhos o fez calar. O Malfoy era sempre gentil nos nossos encontros, isto é, no que dizia respeito ao Carlinhos. Eu digo, ele continuava daquele jeito que ele sempre foi. Violentamente avassalador. Mas dizia que o Carlinhos voltaria e quando ele dizia isso meu coração suspirava aliviado.
Nessa época nós falamos um pouco. Eu contei da minha infância, de como Carlinhos sempre foi meu irmão predileto e de tudo que ele faria por mim. O Malfoy repetia que ele voltaria e não falava muito de si mesmo, ou contava mentiras. Eu acreditava em tudo. Sempre acreditei. É claro que ele um dia ia se aborrecer de me ouvir e de mentir. Eu só não queria perceber isso. Mas naturalmente tudo que ele mais queria era que eu ocupasse minha boca com atividades mais prazerosas. Ele sempre disfarçou bem. Eu via a preocupação nos olhos dele, a preocupação que ele colocava lá para disfarçar o desejo. Eu achava tão bonito.
- Então, como você descobriu do – ele pigarreou – romance do meu filho com sua irmã?
- Eu – a dor era tão intensa que ele tinha que fazer um esforço intenso para falar – vi um colar.
- Meu filho sempre gostou de presentes caros.
- Por que ele está com ela, Malfoy? Vocês mandaram? Que tipo de plano é esse?
- Eu não sei. Mas deve haver algum motivo. Ele não me pareceu muito apaixonado por ela. Como poderia? Um Malfoy apaixonado por uma Weasley parece até piada.
- Eu não ficaria sorrindo assim. Minha irmã é muito encantadora, Malfoy. Talvez você perca seu filho pra ela.
- Eu não me prenderia a isso visto que foi ele que pediu que eu o matasse. No mais, Cruciatus.
Havia um quarto. Era tudo muito rosa. Na porta estava escrito Luna Zabini e no delicado papel de parede tinham desenho pequenos de coisas bonitas. O Sol entrava pelas janelas de vidro. O guarda roupas estava cheio de pequenas roupinhas. Coisas que pareciam feitas sob medida para uma boneca. O cheiro era muito bom, fazia pensar em doces e travesseiros. E em amor. Além do trocador havia um berço de bebê com pequenas fadas voando e brinquedos em vários lugares. Casinhas, bonecas e bichinhos de pelúcia parados e em movimento olhando para um ponto no quarto: a cadeira. Sentada, sorrindo ela parecia um anjo. Em seu colo, quase adormecido, um embrulhinho branco.
- Ela é linda, Pansy.
Ele estava escrevendo quando eu entrei, parecia entretido em uma das muitas atividades que tem como objetivo enlouquecer os alunos do sétimo ano. Pigarreei e ele me olhou.
- Você ta com cara de quem não dormiu de novo, ruiva.
Cheguei mais perto para sentir seu cheiro.
- Eu não dormi.
Sentei na mesa do professor e ele fechou o livro que estava lendo e pegou uns outros pergaminhos.
-Se você vai ficar acordada devia conseguir alguma coisa pra fazer pelo menos.
-Alguma sugestão? – ele levantou a sobrancelha e pôs os olhos descaradamente nas minhas pernas - Fora essa?
-Sempre dá pra conseguir.
Ele me beijou.
Desci da mesa, peguei uma cadeira e sentei de frente pra ele.
- O que você ta estudando?
-Herbologia.
- Você acha que pode me ensinar poções, tipo, qualquer hora dessas?
Ele me olhou.
-Problemas?
-Alguns, não consigo dizer o que nenhuma daquelas malditas poções fazem, confundo os usos, os ingredientes, os riscos. Eu ia pedir ajuda à Hermione, mas ela já ajuda o Rony, o Harry, o Neville e acaba quase sem tempo de fazer as próprias tarefas.
Ele sorriu.
-Dá pra ser. Às nove. Pegue a norte da sua torre, desça ate o primeiro andar e de lá desça pela ala leste até as masmorras. O monitor a essa hora é o Caleb e ele nunca passa por esse caminho. Masmorra três, ao lado da sala do professor Snape.
- Eu não vou pro seu quarto Malfoy
Ele sorriu de novo. Eu estava começando a ficar envergonhada.
-Não é meu quarto. Mas a gente pode providenciar isso também.
-Não é necessário.
Ela entrou sorrateira como uma gata. Eu não tive que vê-la pra saber que já estava lá.
- Você ta com cara de quem não dormiu de novo, ruiva.
- Eu não dormi.
Ela sentou na cadeira ao meu lado, enquanto eu fechava o livro aliviado por ter uma atividade a menos praquela que seria minha primeira noite de folga desde o inicio do ano.
-Se você vai ficar acordada devia conseguir alguma coisa pra fazer pelo menos.
-Alguma sugestão? – ela obviamente não tinha noção da provocação que eram aquelas pernas ao meu lado na mesa - Fora essa?
-Sempre dá pra conseguir.
Procurei me concentrar ao máximo em herbologia para esquecer as diversas loucuras que me apetecia fazer com ela, mas, instigado pelo perfume dela, tive que beija-la.
- O que você ta estudando? – ela disse depois que desceu da mesa
-Herbologia.
- Você acha que pode me ensinar poções, tipo, qualquer hora dessas?
Levantei os olhos.
-Problemas?
-Alguns, não consigo dizer o que nenhuma daquelas malditas poções faz, confundo os usos, os ingredientes, os riscos. Eu ia pedir ajuda à Hermione, mas ela já ajuda o Rony, o Harry, o Neville e acaba quase sem tempo de fazer as próprias tarefas.
Ela estava me usando como ultimo recurso. Sorri. Não tinha problema visto que eu a estava usando como boneca de plástico.
-Dá pra ser. Às nove. Pegue à norte da sua torre, desça ate o primeiro andar e de lá desça pela ala leste até as masmorras. – fui fazendo o caminho mentalmente para garantir que não haveria erros - O monitor a essa hora é o Caleb e ele nunca passa por esse caminho. Masmorra três, ao lado da sala do professor Snape.
- Eu não vou pro seu quarto Malfoy
Minha boca se movimentou involuntariamente. Não precisava ser no meu quarto.
-Não é meu quarto. Mas a gente pode providenciar isso também.
-Não é necessário.
Dessa vez o movimento involuntário da minha boca foi pra produzir muita saliva.
Sabe qual o grande problema das masmorras?
Elas são muito frias e a noite a gente acaba sentindo muito frio se não estiver bem aquecido. (Draco)
Ele falando no meu ouvido me causava calafrios e a meia luz das masmorras não ajudava a manter o controle.
-Acho que eu já aprendi o movimento, Malfoy.
Ele soltou minha mão e saiu de trás de mim.
-Certo. Por quantos minutos você ainda vai mexer isso?
-Vinte.
-E depois?
-Depois eu vou colocar as lascas de unha de dragão e as ervas daninhas picadas.
-Quanto de cada?
-Oito gramas e seis ramos.
-O contrário, mas você ta melhorando.
Continuei mexendo sem parar enquanto ele olhava. Durante as aulas mantínhamos o mesmo sistema. Líamos o capitulo sobre as poções, preparávamos os ingredientes e ele ia me corrigindo durante o preparo das poções. Nas semanas desde que começamos a fazer isso trocamos coisas sobre nós dois quase que por osmose. Eu falei sem perceber coisas que eu nunca havia falado a ninguém. Coisas que escapavam da minha boca sem que eu precisasse fazer qualquer esforço. Historias do passado.
-Vinte minutos, ruiva.
Coloquei os últimos ingredientes e o cheiro da poção melhorou gradativamente ate atingir o aroma de rosas que eu esperava.
-Pronto.
Ele chegou mais perto com a cara que ele fazia sempre que ia avaliar minhas poções. Como se quisesse achar algo errado.
-Perfeito.
O objetivo daquelas aulas não eram propriamente ensina-la a fazer as poções do sexto ano. Nunca foi.
-Acho que eu já aprendi o movimento, Malfoy.
Sai de perto dela agitado. O perfume, o cabelo, a forma discreta como ela mexia o bumbum no ritmo dos braços e as sardas, as malditas sardas. Fazia semanas que eu tentava sem sucesso conduzi-la a um passeio privado no meu quarto, mas aparentemente a ruiva era mais resistente que uma velha beata. Isso tava me deixando louco. Foco.
-Certo. Por quantos minutos você ainda vai mexer isso?
-Vinte.
-E depois?
-Depois eu vou colocar as lascas de unha de dragão e as ervas daninhas picadas.
-Quanto de cada?
-Oito gramas e seis ramos.
-O contrário, mas você ta melhorando.
O tempo corria contra nós. O tempo está invariavelmente contra quando se está a favor.
-Vinte minutos, ruiva.
Assisti enquanto ela colocava os últimos ingredientes da poção.
-Pronto.
Fui ate o caldeirão avaliar a poção. Estava perfeita. Era a melhor desde que havíamos começado e eu me senti orgulhoso. Meu esforço.
-Perfeito.
Elas são tão distantes que mesmo a racionalidade não chega ate lá. (Virginia)
Aquele foi o momento. O descarrilamento de trem, o avanço do sinal, a falta de não sei o quê, o ponto do qual não podíamos passar e passamos. Lentamente. Por mais uma estatua onde minha capa foi esquecida. Enlouquecida quando ele me prensou na parede. Um choque térmico, eu tão quente e as masmorras tão frias. E ele me beijava e meus sentidos foram todos enviados com passagem só de ida para o fim do mundo. E aquele calor que me fez soltar um suspiro de alivio quando ele começou a abrir minha camisa. E meu ar faltou, literalmente.
-Eu preciso respirar
-Eu sei do que você precisa.
O processo era lógico demais. Tudo escuro e frio demais em uma noite de sexta feira depois de uma hora e meia de aula de poções levam inevitavelmente a amassos no corredor. Amassos e beijos ininterruptos levam a falta de oxigênio o que diminui o metabolismo cerebral e a fazia pensar menos do que ela deveria no caso. Mas quem quer saber os motivos? Quem precisa de lógica quando não tem nem blusa?
-Você precisa, ruiva. Como eu preciso. Você é a parte que eu mais gosto do meu dia. Você é meu desejo, minha insensatez. Você me perturba e vai pagar. Tem que pagar, porque isso não é justo, sua feiticeira perversa. Eu quero minhas noites de volta, minha sanidade, meu futuro, minha racionalidade de volta. Eu quero minha vida planejada antes de você e acima de tudo eu quero você. Eu quero você.
Abri os olhos e olhei dentro dos dele. Essa era a sensação. Vontade profunda e incontrolada. Eu não sabia de onde vinha e ele também não. Ambos pedindo que não viesse do coração, mas nós já sabíamos. Nossos futuros estavam desgraçados como nossas noites. Para sempre.
Então talvez tudo pudesse funcionar entre nós. Poderíamos casar e ter filhos. Veríamos eles entrarem e saírem de Hogwarts, casarem, e teríamos netos. Viveríamos uma vida longa e feliz e morreríamos com a sensação de dever cumprido, ainda nos amando e muito velhinhos. Naquela mesma noite. Enquanto nos beijávamos freneticamente de encontro a uma parede. Sem perdão, agora seria do fim do poço pra baixo, felizes da vida. Eu tiraria dela não só o que eu queria como tudo que ela pudesse me dar. Nossa desgraça nos faria chorar de emoção, por ser a única coisa só nossa. Deixe o jogo começar, não deixe a musica parar e faça o que você nunca fez. Nossa maldição chegou e vai nos levar.
-Eu preciso respirar
-Eu sei do que você precisa.
De um homem. Que a fizesse gritar. Que a fizesse filhos lindos. Que a pusesse em seu lugar. Longe de seus sonhos e de tudo o mais. Ele seria um comensal e levaria uma Weasley pra cama toda noite. Um erro. Vários outros como numa teia. E eles presos.
-Você precisa, ruiva. Como eu preciso. Você é a parte que eu mais gosto do meu dia. Você é meu desejo, minha insensatez. Você me perturba e vai pagar. Tem que pagar, porque isso não é justo, sua feiticeira perversa. Eu quero minhas noites de volta, minha sanidade, meu futuro, minha racionalidade de volta. Eu quero minha vida planejada antes de você e acima de tudo eu quero você. Eu quero você.
Era onde os fortes caiam. Ate aonde eles iam. O limite e um pouco alem. Uma armadilha pior que a dele: amor. O desespero de quebrar seu brinquedo favorito e sete anos de azar por um espelho.
-Senhores. Suponho que isso seja seu srta. Weasley?
Ela pegou seu casaco e não levantou os olhos. Ele não poderia parecer mais culpado. Seu estado não o permitia esconder nada e o velho continuava lá olhando como se soubesse de algo que ninguém mais sabia. Mas eles sabiam. Sabiam perfeitamente ate que ponto iriam se Dumbledore não os tivesse parado.
-Eu estou sem relógio, mas acredito que já tenha passado muito da hora dos alunos perambularem pelo castelo.
Eles sentiram um certo medo de que Dumbledore pudesse contar que os dois estavam juntos pelo castelo. Despindo-se pelo castelo.
- Bom, eu podia levá-los aos diretores de suas casas, mas certamente ninguém acreditaria em mim.
Ela duvidada muito que alguém pudesse desacreditar Dumbledore, mesmo sobre eles. Ele negaria tudo ate o fim.
- Eu também podia aplicar uma detenção eu mesmo, mas me apavora a possibilidade de deixar os dois sós na biblioteca por tanto tempo quanto esta detenção deveria durar.
As cenas que passavam pela mente de Dumbledore passaram na deles e eles sorriram sem querer e começaram a pensar que a detenção podia não ser tão ruim.
- Então acho que devo deixar vocês irem. – ela pegou a camisa no chão – No entanto, srta. Weasley, sr. Malfoy, tentem manter suas roupas em seus corpos pelo menos enquanto estiverem pelo corredor. Pirraça tem uma certa facilidade para encontrar alunos despidos pelo corredor.
Suas paredes estão impregnadas de sonhos mortos. Pesadelos. (Blaise)
-Blaise! Bom dia!
Eu conhecia o castelo. Antes, quando eu e o Draco costumávamos sair à noite, nós tínhamos que saber bem por onde ir. E o Draco era monitor então... Mas eu achava impossível a forma como a Pansy surgia do nada na minha frente. E ultimamente sorrindo muito.
-Eu tenho boas noticias! – ela parecia ter pego o suficiente da minha teoria de ser uma pessoas melhor. O suficiente, de acordo com ela, para renovar o armário, romper com os pais e voltar a falar com esse tio medibruxo que contrariava toda a família. Ela falou assim, como quem contava uma historia. - Eu falei com meu tio, aquele que eu te contei, bem, ele disse que tudo bem mandar uma carta de recomendação pra você.
De alguma forma eu me senti mais perto da Luna olhando pra Pansy, naquela hora. Eu me senti feliz de estar com alguém como eu não sentia a muito tempo e em num impulso fui impelido a Pansy. Minha boca contra dela.
De olhos bem fechados eu vi minha Loony me beijando.O carinho sutil no pescoço. Os cabelos muito longos brilhando e batendo nos meus braços enquanto eu a enlaçava. O calor do sol e como todos pareciam ter desaparecido do salão comunal.
Então eu abri os olhos.
Nada lá brilha. Tudo, inclusive as pessoas parecem sugar vida. Não há luz em parte alguma do túnel. (Pansy)
- Blaise! Bom dia!
Meu coração disparou. Era sempre assim agora. Bem clichê. De um jeito que eu não achava que podia existir. Como seu eu nunca tivesse falado com ele antes.
-Eu tenho boas noticias! – Que tinham um preço, como tudo que eu tinha feito desde que tinha notado essa minha... esse meu... problema emocional com o Blaise. - Eu falei com meu tio, aquele que eu te contei, bem, ele disse que tudo bem mandar uma carta de recomendação pra você.
Eu disse tudo de uma vez, quase sem ar, porque eu... gostava de ver as covinhas que o sorriso do Blaise tinha. Eu estava tentando fazer o sorriso ficar lá com as covinhas sempre, mas eu me esforçava demais nisso e era tão difícil fazê-lo sorrir com minhas coisas banais que sentia que eu tinha que me esforçar mais. Aquela coisa com a Loony ainda pesava sobre ele, pesou sobre nós dois quando ele me beijou, mas não me impediu de pensar que ele podia mesmo me querer, que aquele amor todo que ele sentia por ela podia ser meu. Que o amor me faria grande. Mas nem todo conto de fadas acaba com foram felizes para sempre e, apesar de encantados, os príncipes não sabem que os beijos mantêm as princesas vivas.
O chão é feito de pedra. (Carlinhos)
Dumbledore o tinha dito uma vez, quando ele ainda estudava em Hogwarts: Nas florestas e nas festas da corvinal procure sempre ir por onde houver mais luz. Na hora, ele fez uma interpretação muito obvia. O fato é que as meninas da corvinal sempre foram as mais inteligentes e mais bonitas, era fácil ser pego desprevenido por uma delas no escuro em uma de suas festas. Aparentemente as meninas que agora estavam na corvinal não faziam questão de manter a fama. Pena.
Naquela noite, porem, ele pensou naquela frase de uma outra maneira, enquanto equilibrava-se em uma arvore mancando de uma perna, com ferimentos pelo rosto e um sangramento no tórax tentando decidir que caminho tomar. Ele imaginou se Dumbledore previra sua fuga tantos anos atrás.
Se ele sabia que Carlinhos precisaria escapar floresta adentro.
Harry,
Eu gostaria que você mantivesse em segredo o nosso contato. Eu consegui escapar da mansão dos Potter e estou escondido na casa de uns trouxas. Nós temos um problema, Harry, com a Ginny. Ela está saindo com o Malfoy. Eu não sei o que aconteceu, mas ela não está enfeitiçada e Lucio Malfoy não parece saber de nada o que indica que não é um plano dos comensais.
Nós dois conhecemos muito bem minha irmã pra saber que ela não vai deixá-lo se nós pedirmos, se realmente for o que parece, se ela estiver mesmo apaixonada por ele e eu acho que está. Os olhos dela brilharam Harry, como quando ela falava de você.
Eu não sei em que circunstancias o namoro de vocês acabou, mas eu sei que você consegue superar qualquer coisa pela segurança dela. Termine esse romance, Harry, ou seja lá o que isso for. Faça-a ficar longe do Malfoy. Você é a única pessoa com quem eu pretendo contar. As intenções dele não são boas, você sabe.
Eu era apanhador do time de quadribol e Olívio dizia que eu devia jogar pela Inglaterra. Desculpa, esse é o único segredo que eu acho que você deve saber.
Carlinhos
Era quando ela sumia.
De cara, Harry pensou que era uma armadilha. Mas Olívio já o havia dito que Carlinhos devia ter jogado pela Inglaterra.
Depois a imagem de Ginny abraçada ao Malfoy fez seu sangue ferver. Ela era dele, merda! Ela era dele ate aquela confusão com a Hermione. Aquela que ainda não tinha explicação. Explicação. Malfoy. Ele tinha feito isso. Imperius é claro. Aquele bastardo, filhote de comensal.
Ele andou varias vezes pelo quarto pensando em contar para Rony, mas Carlinhos disso que não e provavelmente era melhor assim. E ele tinha meios para trazer Ginny de volta. Ela o amava. Sempre amou.
Foi aí que ele começou a pensar como eles não tinham notado nada e se ela já estava com o Malfoy enquanto eles saíam. Se Ginny seria capaz de o trair assim.
E ele a viu nos braços dele de novo.
Foi no corredor do terceiro andar. O mesmo que guardou a pedra filosofal no primeiro ano. Eu estava saindo da aula de adivinhação, as escadas se mexeram e eu fui parar lá. Foi quando eu ouvi:
- Nós precisamos conversar.
Ele não agüentou. Era demais ate mesmo para um herói. Quando foi atrás dela, ele não tinha um plano. O plano era chegar, dizer...
- Nós precisamos conversar.
E dizer todas as coisas horríveis que estavam na sua mente. Coisas sujas.
- Você já estava com ele enquanto a gente namorava?
- Que ele, Harry?
- O filho do comensal?
Ele parecia furioso, chocado e... triste. Ela não tinha argumentos contra seus olhos verdes. Ela via o passado neles.
- E você? Já estava com a Hermione, quando a gente saía?
Ele pareceu lembrar de uma coisa que trouxe mais fúria a seu rosto. Ele estava ferido.
- Eu nunca estive com a Hermione. Se você abrir os olhos vai perceber. Eu sempre estive com você. Foi sempre com você que eu quis estar. É com você que eu quero estar agora. Como é comigo que você quer estar pra sempre.
Ela demorou a perceber que seu queixo tinha caído. Talvez ele estivesse certo. Talvez eles tivessem nascido para ser. O rosto dela ficava vermelho e o coração acelerado quando estava perto dele. Mas então o que ela sentia pelo Malfoy, se ele também disparava seu coração?
Ela não podia amá-lo como amava o Harry. Eles não deviam ser.
Então ele a beijou.
Ela pareceu pensar por um tempo e aquilo matou cada pedaço dele. Ele estava olhando pra ela, sem reconhecer a garota que ele amava. Mas era ela que estava olhando pra ele.
- E você? Já estava com a Hermione, quando a gente saía?
Não. O Malfoy havia projetado isso. E ele queria matá-lo. Louco. Furioso. Por entrar na única parte viva da sua vida. E matá-la.
- Eu nunca estive com a Hermione. Se você abrir os olhos vai perceber. Eu sempre estive com você. Foi sempre com você que eu quis estar. É com você que eu quero estar agora. Como é comigo que você quer estar pra sempre.
O plano não estava mais aí. Ele não queria xingá-la. Ele não queria gritar. Ele queria ela. Proteger. Lutar. Salvá-la.
E ele o faria. Ele a lembraria como era quando eles estavam juntos. Como era quando ele era o amor da vida dela, pois ela ainda era o da vida dele.
Então ele a beijou.
Ele me levou lá de novo. Eu ouvi os sons e vi os brilhos. E quis saber do que era feito.
- De amor. Por isso ninguém fala disso na sonserina.
Impossível. Se fosse amor eu estaria perdida. Eu olhei para o Blaise do meu lado. Seus olhos estavam fechados e a barba por fazer. Um rosto sereno. Ele estava sentindo o amor.
- O que você sente?
Ele abriu os olhos e me olhou. Havia pena ali. Não como uma coisa ruim, talvez ele nem tivesse notado que estava sentindo pena de mim, mas estava lá. Ele tinha pena porque ele sabia que eu não ia ser grande. Que eu nunca ia sentir.
- Apavorado de sentir uma coisa tão... boa. Como se eu pudesse explodir a qualquer momento. Como se eu pudesse flutuar ouvindo a voz dela. Como se eu fosse morrer com um toque. Feliz, só de ver que ela ainda está respirando. Sorrindo sem motivo, como um idiota e me sentindo incrível mesmo assim. Eu me sinto capaz de tudo.
Olhei para frente de novo. Eu conseguia me sentir assim. Eu queria. E talvez um dia ele pudesse gostar de mim.
Eu o beijei de novo. Intimamente como um segredo.
- Por que você fez isso?
- Porque eu gosto de me sentir assim.
Eu não sabia porque estava levando-a ate la de novo. Eu so sentia como se a gente pertencesse aquele lugar. Ela quis saber como se fazia.
- De amor. Por isso ninguém fala disso na sonserina.
Impossível. Se fosse amor eu estaria perdida. Eu olhei para o Blaise do meu lado. Seus olhos estavam fechados e a barba por fazer. Um rosto sereno. Ele estava sentindo o amor.
- O que voce sente?
Abri os olho e isso me fez real. Pensei na minha Loony. Como eu me sentia?
- Apavorado de sentir uma coisa tão... boa. Como se eu pudesse explodir a qualquer momento. Como se eu pudesse flutuar ouvindo a voz dela. Como se eu fosse morrer com um toque. Feliz, só de ver que ela ainda está respirando. Sorrindo sem motivo, como um idiota e me sentindo incrível mesmo assim. Eu me sinto capaz de tudo.
E ela me beijou.
E eu senti uma coisa fluindo de mim para ela e para todas as coisas. Como uma descarga de energia. Eu precisava entender.
- Por que você fez isso?
- Porque eu gosto de me sentir assim.
- Então é por isso que voce não quer ir muito longe comigo? - falei assim que a porta bateu atrás de mim.
- Do que voce está falando, Draco?
Me postei com autoridade perto dela.
- Potter e voce no corredor hoje de manhã.
Eu revi a cena e quis chutar, bater e... matar. Com as minhas próprias mãos, com a minha varinha. Pela primeira vez eu quis dizer: "Avada Kedavra"
- Ele me pegou de surpresa.
- Era por isso que voce tava correspondendo?
- Eu... foi só um beijo, Malfoy.
Meu sangue estava todo na cabeça quando eu a empurrei contra a parede e coloquei minhas mãos com força contra seu pescoço.
- Um beijo, nunca é so um beijo.
E a soltei lembrando que tudo aquilo podia terminar ali.
- Eu não queria fazer isso. Eu lembro de ter dito que voce era minha. O que eu vou ter que fazer pra voce entender isso? Te marcar com ferro em brasa?!
Cheguei mais perto.
- Não brinque comigo Weasley. Eu não gosto de dividir.
Me virei e andei ate o outro lado da sala.
- Talvez fosse melhor se a gente terminasse – ela disse – Talvez eu deva dar ao Harry uma nova chance.
Virei de novo. Ela não estava entendendo.
- Aquele cara te traiu e agora estala os dedos e vai te ter de volta? Não tao fácil. Não se eu estiver por perto, ruiva. Eu amo voce. – eu me choquei com o que disse, mas foi muito rápido, rápido demais pra ela notar – Eu não vou repetir. E eu não me importo de partir aquele aborto no meio se ele deslizar.
Coloquei-a na parece com violência de novo e ela bateu a cabeça. Me encostei nela e disse:
- O que nos impede de fazer amor agora?
- Meu pai. Ele nos mataria.
A porta foi aberta com um empurrão e ele entrou ventando.
- Então é por isso que você não quer ir muito longe comigo? - ele falou assim que a porta bateu atrás dele.
- Do que você está falando, Draco?
Ele parou na minha frente e eu tive que levantar o rosto para vê-lo.
- Potter – ele cuspiu o nome – e você no corredor hoje de manhã.
Um rápido flash veio a minha cabeça, mas eu não lembrava de tudo. Algo com esquecer coisas que podem traumatizar muito
- Ele me pegou de surpresa.
Tinha pego. E era a minha melhor justificativa.
- Era por isso que você tava correspondendo?
- Eu... – quis? - foi só um beijo, Malfoy.
Ele me empurrou contra a parede e começou a me sufocar. Provavelmente tinha perdido a noção do perigo, porque ninguém faria isso comigo e sairia impune.
- Um beijo, nunca é só um beijo.
Ele me soltou quando eu estava perto de pegar minha varinha. O Malfoy gostava de ceninhas.
- Eu não queria fazer isso. Eu lembro de ter dito que você era minha. O que eu vou ter que fazer pra você entender isso? Te marcar com ferro em brasa?!
Ele veia mais perto. Não era louco. Se ele encostasse em mim de novo eu quebraria ele inteiro usando um só feitiço.
- Não brinque comigo Weasley. Eu não gosto de dividir.
Como qualquer outro garoto mimado. Que tem medo de perder.
- Talvez fosse melhor se a gente terminasse. Talvez eu deva dar ao Harry uma nova chance.
Ele me olhou ensandecido e eu comecei a pensar se não teria passado dos limites.
- Aquele cara te traiu e agora estala os dedos e vai te ter de volta? – lembrei da traição do Harry e segurei com força a varinha dentro das vestes - Não tão fácil. Não se eu estiver por perto, ruiva. Eu amo você. – não consegui conter o espanto. Ele havia mesmo dito "eu te amo"? - Eu não vou repetir. – ele havia - E eu não me importo de partir aquele aborto no meio se ele deslizar.
Soltei a varinha em choque antes de ser jogada novamente contra a parede. Minha cabeça encontrou com força a superfície dura quando eu o olhei esquecida das ameaças, do sentido, do que estávamos fazendo. O perfume dele estava em todo lugar agora. Cheiro de homem, como o Harry não cheirava.
- O que nos impede de fazer amor agora?
Pensei em toda a minha família. Nada do que eles dissessem ou fizessem me impediria de fazer amor com o Malfoy ali, naquele instante. Exceto, talvez...
- Meu pai. Ele nos mataria.
- Melhor começar a rezar, Potter.
N.A.: (1) ironia: a ruiva é uma Weasley
Minha nova opinião sobre academias: é, rapazes, vão pra academia. Como eu mudei? Pede pra um deles tirar a camisa.
O ciúme aí do final foi idéia da Dani. E Eu to devendo uma ao Potter.
E Á-há, nós vamos ter uma NC! A Dani topou fazer. Então vocês têm que saber que vai ficar linda, tipo, quem nunca leu uma historia da Dani Sly é só ler "Libertação" na qual ela se superou completamente. Se ela fizer aqui um décimo do que ela fez com Libertação, vai ultrapassar incrível.
Próximo capitulo: NC, mortes, lições.
Hey, o que vocês acharam do meu casal novo?
Musicas: Stupid shit das Girlicious, My love do Justin Timberlake, You could be happy do Snow Patrol, Pode agradecer do Jay Vaquer, Low do Flo-rida, Lost without you de Robin Ticke, The kill do 30 seconds to Mars, Xverso de Tiziano, Give it to me de Nelly feat. Timbaland e Timberlake, Overprotected de Britney Spears, What goes around...comes back around de Justin Timberlake, Disease do Matchbox 20, Against all odds do The Postal Service, Unstopable do The Calling, Secret do Maroon 5, Palpite de Adriana Calcanhoto, Before he cheats de Carrie Underwood, Proibida pra mim de Zeca Baleiro, Black ballon do Goo goo Dolls, The ghost of you do My Chemical Romance, Why don't you and I de Santana feat. Chad Kroeger, How deep is your love do The Bird and The Bee e Gente do Paulo Ricardo.
Ninny Malfoy
