11.
Clark estava acordando quando sentiu um beijo no seu rosto. Sorriu mas quando abriu os olhos, levou um susto. Era Lana. Clark deu um pulo da cama.
- Lana! O que faz aqui?
- Lembra quando nos encontrávamos no celeiro e ficávamos juntos, só nós dois? Sinto falta disso. – ela sorriu.
Clark cruzou os braços e a olhou seriamente.
- Nós éramos adolescentes. E eu não quero que voce invada mais o meu quarto. Não te dei liberdade pra isso.
- Clark! – ela exclamou, horrorizada.
- Eu já disse que podemos ser amigos. Mas só isso. Por favor, não force uma situação.
- Clark, eu sei que voce ficou chateado porque eu fui embora e retornei só agora, mas voce tem que entender...
- Lana, por favor, sai do meu quarto. – ele pediu, abrindo a porta.
- Foi Lex. – ela afirmou e ele a fitou. – Lex me obrigou a te abandonar. Eu jamais te deixaria por vontade própria. Ele ordenou e Tess Mercer executou o serviço. Era isso ou eles me matavam. Eu tive que ir embora para te proteger.
- Lana, eu não sou nenhum garotinho de cinco anos. Eu sei me defender muito bem, obrigado. Se Lex realmente estava te ameaçando, voce deveria ter me contado e não fugido! Voce já tinha feito algo semelhante antes, isso nem me surpreende mais.
- Clark, eu fiz por voce! Porque eu te amo!
- Quando eu precisar que eu alguém faça algo por mim, eu mesmo peço. – ele disse, friamente. Já estava saturado. – Agora, por favor, sai do meu quarto.
- Eu te amo, Clark, será que voce está tão cego que não vê isso?! Não é possível que a sua mágoa seja maior que o seu amor por mim!
- Eu não te amo! – ele gritou, irritado e ela começou a chorar. Clark suspirou. – Desculpe. Mas voce não vê que só está me aborrescendo? Eu te amei sim, Lana, muito, não nego, mas acabou. É hora de seguirmos em frente. Esqueça Lex, esqueça tudo isso. Siga com a sua vida e seja feliz.
- Só serei feliz no dia em que Lex morrer e voce estiver comigo. – ela declarou.
Clark a observou.
- Voce fala como se soubesse onde Lex está. Lex sumiu no Ártico. Ninguém mais teve notícia dele. Voce sabe onde ele está, Lana? Afinal, voce ainda é a esposa dele.
- Não. – ela mentiu. – E não quero ser esposa dele. Pensei em Lana Lang Kent. O que voce acha?
- Blergh, vou vomitar! – Lara gritou do corredor e Clark escondeu o sorriso. – Acho que comi algo estragado! – a adolescente abriu a porta. – Lang? Perdeu o caminho para casa? Daqui da fazenda, voce não irá para Oz, Dorothy. – ela ironizou.
Lana a fuzilou com o olhar mas Lara nem se abalou.
- Voce deveria ser um pouco mais educada. Não pode entrar assim no quarto das pessoas.
- Ué, voce entrou sem permissão, porque eu não posso? Quem é voce para me dar lição de moral? – Lara colocou a mão no quadril.
- Escuta aqui, fedelha! – Lana exclamou, irritada e lhe apontou o dedo.
- Recolhe esse dedo se não quiser ficar sem ele. – ameaçou Lara.
- Ok, ok. – Clark resolveu interferir. – Lana, voce já estava indo embora, não é? E Lara, queria conversar algo com voce.
- Tá bom, pai. – Lara concordou.
- Pai?! – Lana repetiu, chocada. – Ela é sua filha?! Como?!
- Do futuro,que-ri-da, ou voce acha que ele tem idade, nessa época, de ser meu pai? – Lara ironizou e deu uma batinha leve na cabeça da mestiça. – A luz está acesa mas não tem ninguém em casa.
- Voce deveria me respeitar, menina! Clark e eu nos amamos e eu sou sua mãe! – protestou Lana.
Lara deu uma gargalhada alta. Ela ria tanto que Clark estava se esforçando para não rir junto. Lara riu até sair lágrimas dos olhos.
- Ai, meu Deus, o stand up comedy está perdendo um talento! – ela exclamou. – Se voce fosse minha mãe, eu já teria me atirado num poço! Se liga, minha filha!
- Lara, por favor... – Clark a olhou, pedindo que ela maneirasse. Lara deu de ombros.
Lana passou a mão pelo cabelo.
- Clark, se essa menina não é nossa filha, então é de quem? Clark, o meu sonho era casar com voce e podermos ter uma vida juntos... Não acredito que voce jogou tudo isso pela janela!
Lara fechou os olhos e fingiu roncar alto.
- Dormi aqui! – ela olhou para a irritada Lana. – Pelo amor de Deus, sra. Luthor, cada palavra sua, me dá vontade de te dar um tiro! Voce é maluca mesmo! Olha, Lex Luthor é um bicho ruim, mas nem ele merece isso, socorro, Superman! – Lara revirou os olhos.
Lana olhou com rancor para Clark.
- Não acredito que voce jogou nossa felicidade fora assim... E voce, menina, sua mãe deve ser uma ogra para ter uma filha tão sem modos!
- Opa! – Lara se eriçou e segurou Lana pelo pescoço. – Lava sua boca com sabão pra falar da minha mãe, hein?! Eu te quebro ao meio, galinha de despacho!
- Lara, solte a Lana, por favor! Por favor! – Clark pediu e Lara soltou Lana, que caiu no chão. – E voce, Lana, não admito que ofenda a mãe de ninguém! Agora, vá embora! Voce não vê que está sobrando?
- Voce não tinha nem que estar aqui, lesma! – Lara a fitou.
Lana se ergueu, olhou com raiva para os dois e respirou fundo.
- Isso não fica assim.
Lana saiu do quarto pisando duro. Lara ainda gritou.
- Não fica mesmo! Se mete comigo de novo que eu te quebro a fuça! Tampinha abusada! Chingling!
- Lara! – Clark chamou atenção da filha. – Voce tem o gênio da sua mãe. – ele riu.
- Tal mãe, tal filha. – Lara piscou, sapeca. – Se eu fosse voce, mandava detetizar a casa para tirar as pulgas que a outra deixou aqui. – ela fez uma careta.
- Porque voce odeia Lana?
- Eu não odeio, só acho ela uma insuportável. – disse Lara, sincera. – E aí? O que voce quer me perguntar?
- Como eu estou no futuro? Eu serei esse heroi que a Lois esperava que eu fosse?
- Eu sei que voce tem uns grilos com isso... – disse Lara, compreensiva. Os dois foram descendo a escada para ir à cozinha. – A gente conversava muito sobre a sua descoberta de poderes, porque só eu tenho e o Chris não, então...
- Chris? Quem é Chris? – Clark quis saber.
- Afe. Eu e minha boca grande. Vem na fabricação das Lanes. – ela deu de ombros e sentou num banquinho. – Me faz um daqueles big sandubas que só voce sabe fazer e eu te conto quase tudo!
- Quase tudo? – ele começou a preparar o sanduíche.
- Claro, pai, voce não pode saber de tudo, já disse! Só o que eu já falei já me fez levar uma tremenda bronca do Rook. Só porque é mais velh líder da Legião, um saco. – ela rolou os olhos.
- Lara, ainda acho que voce é muito novinha para ser heroína...
- Ai, pai...
- Pelo menos me diga que voce tira boas notas na escola. – ele perguntou, preocupado.
- Bom... – ela mordeu o lábio. – Voce quer a verdade nua e crua ou só enfeitada?
- Lara! – Clark a fitou. – Filha, estudar é muito importante, assim voce poderá decidir o que quer ser na vida! Ter uma carreira!
- Eu já decidi e já tenho uma carreira, sou heroína! – ela exclamou e Clark a olhou, sério. – Ai, é que tem umas matérias super chatas, pai, eu não sou cdf feito o Chris, ok?
- Mesmo que as matérias sejam difíceis, voce precisa estudar bem. Com certeza, mesmo no futuro, eu não te negaria ajuda nisso. E quem é Chris?
- Meu irmão mais novo e super gênio. – ela botou a língua para fora.
Clark ficou surpreso e depois sorriu.
- Então Lois e eu temos dois filhos?
- Chris é todo certinho, mamãe disse que lembra voce, só que ao contrário de voce, ele é mais inteligente. – Lara contou e epois percebeu a gafe ao ver a expressão de Clark. – Não que voce seja burro, porque não é, voce resolve um monte de confusão e muitas vezes sozinho! E olha que o tio Bruce é o rei dos planos, mas voce quando tem que se virar sozinho, se sai muito bem! E já ganhou até prêmios como jornalista! – ela sorriu. – Lane & Kent, o dinâmico duo do Planeta Diário!
- Parece muito bom. – ele sorriu para si mesmo.
- E é. – confirmou Lara. – Voces ganharam vários prêmios... O Chris quer ser repórter também, mas como ele é um mega hiper blaster power ultra big gênio, pode ser que ele invente a cura de alguma doença ou crie uma nova espécie, sei lá, tem uns professores que vivem puxando o saco dele. – ela contou, com pouco caso e Clark achou graça do ciúme. – Eu que sou a burra da família.
- Voce não é burra, filha. – ele serviu o sanduíche para Lara.
- Voce sempre me diz isso para me consolar. – ela deu de ombros. – Pelo menos eu tenho poderes e ele não tem! Rá! – ela abocanhou um pedaço do lanche. – Que delícia! Eu sempre disse que se voce não fosse o Superman, deveria ser cozinheiro chef! Aliás, pai, porque os homens são chamados de chef e as mulheres que cozinham só de cozinheiras? Que status idiota! Não que a mamãe cozinhe, coitada, às vezes ela tenta, mas sabe como é, Lois Lane só sabe fazer brigadeiro e café. Eu lembro quando ela fez o peru no último natal, quer dizer, tentou né, porque ela não quis que voce ou eu ajudasse com os poderes, daí que o peru tostou todinho! O vovô Sam riu tanto! Ele contou que a vovó Ella era assim também! Ah, sabia que o meu nome do meio é Ella? Lara Ella Lane Kent. Pomposo, né?
Clark aproveitou a pausa que Lara fez na tagarelice, concentrada em comer. A adolescente era uma cópia de Lois. Mas assim como Lois, Clark não ficava irritado com tanta falação, ele achava engraçado e encantador. No caso de Lara, e agora sabendo sobre Chris, acreditava que eram pequenos milagres. Clark acreditara por anos que seu destino era ficar sozinho, que ninguém suportaria o fardo de ficar ao lado dele, que ele seria sempre O Último Filho de Krypton, mas Lara era a prova via que a vida sorrira para ele.
- Já está com aquele olhar pensativo de novo... – comentou Lara. – Voce sempre fica assim quando a gente se reúne na sala e fica conversando. Isso até o Chris bancar o super gênio e eu socar a cara feia dele.
- Mas seu irmão não tem poderes. – disse Clark, preocupado. – Lara, voce nunca bateu no seu irmão, né?
- Hum... – ela continuou comendo o sanduíche.
- Lara... – Clark a olhou fixamente.
- Ah pai, eu naõ tenho culpa se aquele super cabeção genial é tão grande e pesado que às vezes afunda da neve! – ela justificou. – Com minha ajudinha, é claro. – ela piscou.
- Lara, não podemos abusar dos nossos poderes e...
- Porque podemos correr o risco de machucar pessoas que não podem se defender. – ela repetiu um discurso que conhecia de cor. – Já sei, pai. Eu não fiz mais isso. Mamãe ameaçou torcer minha orelha até ela mudar de lugar. Afe.
- Voce tem ciúme do seu irmão, né? Acha que ele é mais protegido? – ele sondou.
- Ele é! Só porque não tem poderes! É culpa minha? É culpa minha se eu peguei ele pelos braços, voei bem alto e atirei ele na piscina?
- Lara! – Clark exclamou escandalizado.
- Eu tinha doze anos e ele me chamou de siriema! Foi culpa dele!
- Ai, meu Deus... – Clark colocou a mão na cabeça. Já imaginva o quanto Lois e ele tinham trabalho com as brigas dos filhos noo futuro. – Me diga que pelomenos são amigos.
- Claro que somos. O Chris é chato mas é legal. E quando eu preciso de conselhos e voce, nem mamãe estão por perto, ele me dá conselhos legais. Ele sabe como falar as coisas. Não é como eu que falo tudo que vem à cabeça. Ele é um bom garoto. – ela reconheceu e sorriu. – Mas eu te proíbo de falar isso pra ele, pai! – ela sacudiu o dedo.
- Eu não conto. – Clark prometeu, achando acertadamente que Chris já sabia que a irmã o admirava.
- Mamãe disse que Chris se parece muito com voce. No jeito de ser. – ela contou. – Aliás, eu fui vê-la no hospital.
- Como ela está? – perguntou Clark. – Eu também pretendo ir vê-la em Gotham.
- Ainda adormecida. Estava pálida, mas... mamãe é forte. Não vai ser aquele bicho feio que vai derrubá-la assim. – disse Lara, confiante.
- Fico mais tranquilo sabendo que Lois está bem no futuro. Eu quase pensei... – ele suspirou. – Pensei que fosse perdê-la.
- Que isso, pai, Lois & Clark é para sempre, voce não sabia? – Lara brincou e deu uma piscadela. – Ah. E sobre aquele saco de ossos da Lang. Fica atento. Ela é obcecada por voce. E sempre será uma Luthor.
- Lex está mesmo vivo, não é? – indagou Clark, preocupado.
- Voce irá ver. – Lara disse em tom misterioso. – Entenda, eu não posso contar tudo sobre o futuro. A minha presença aqui já está o alterando e eu não sei o que vou encontrar quando retornar.
- Voce tem que ir embora, né? – ele falou, um pouco triste.
- A gente se vê num futuro próximo, pai, fica frio. – ela sorriu e o abraçou.
- Última pergunta. Quantos anos tem o Chris?
- Quatorze e com a cabeça crescendo cada vez mais. Parece aquele ratinho do desenho do Pink e o Cérebro! – ela zombou e riu.
- Lara, voce é fogo. – Clark sorriu.
- Ah, tem gente que acha ele bonito. – ela deu de ombros. Tirou uma foto do bolso e mostrou para Clark. – Tá aqui o cabeção.
Clark sorriu ao ver a foto de Chris. Era uma foto de família, Clark, Lois, Lara e Chris em um dia de neve, com um boneco de neve atrás deles e aos pés de Clark havia um cão branco. Eram uma família. Clark se sentiu feliz por isso.
- O nome do cachorro é Krypto. Acho que não demora muito para ele aparecer. – contou Lara. – Eu gostei do Shelby. Mamãe conta histórias engraçadas sobre ele.
- Eu não poderia estar mais feliz. – Clark confessou e Lara sorriu.
Projeto Fênix. Em algum lugar de Smallville.
Tess caminhou pelo corredor até uma porta se abrir. Dentro do lugar branco e acéptico, havia uma câmara onde havia um homem deitado. Lex Luhtor. Tess olhou para um dos cientistas.
- E então?
- Acreditamos que enfim teremos sucesso na pesquisa.
- Acho bom mesmo. Pelo preço que pagamos, já deveriam ter mil Lex aqui nessa sala.
- Os clones apresentaram problemas genéticos e... – tentou justificar o cientista.
- Não preciso ouvir esse discurso de novo. – Tess o interrompeu. – Podem prosseguir com o procedimento.
- Sim, srta. Mercer.
O cientista injetou algo em um tubo que levava soro para o corpo de Lex. Todo o seu corpo fora regenerado geneticamente graças aos clones produzidos por aquela divisão oculta da LuthorCorp. O líquido entrou no corpo desacordado de Lex. Por um momento, Tess acreditou que o projeto havia falhado novamente mas então, aos poucos, dedos das mãos e dos pés do homem começaram a se mexer. Não demorou muito para que Lex abrisse os olhos. Ele virou a cabeça e seu olhar frio fitou Tess. Ela sorriu.
- Bem-vindo de volta, Lex Luthor.
Gotham City
Bruce conversava com o médico que cuidava de Lois quando Clark apareceu com um ramo de flores. Ele foi falar com o novo amigo.
- Como Lois está? – perguntou, preocupado.
- Segundo o Dr. Monroe, está progredindo melhor do que esperavam. – contou Bruce.
- Lois é uma lutadora. – Clark sorriu. – Posso vê-la?
O Dr. Monroe concordou e Clark entrou no quarto. Ele colocou o ramo de flores em um vaso de vidro que tinha em cima de uma mesinha. Olhou para Lois e segurou sua mão com delicadeza.
- Sentimos falta de voce, Lois... Eu sinto. Muito. Queria que voce pudesse acordar logo. Tem muitas coisas que eu quero te dizer.
Lois inspirou fundo e suas pálpebras começaram a se mexer lentamente. Aos poucos, ela foi voltando a si, diante da expectativa de Clark e também de Bruce, que se aproximou. Lois piscou duas vezes até abrir os olhos. Seus olhos verdes fitaram os dois homens no quarto.
- Ei, Lois. – Clark sorriu. – Que bom que voce voltou.
- Se sente bem, Lois? – perguntou Bruce.
Lois olhou para sua mão que Clark estava segurando. Ela soltou a mão com rapidez, para estranheza de Clark.
- Lois?
- Me...me desculpe... mas... quem são voces? – ela indagou.
Bruce e Clark ficaram boquiabertos.
