Fevereiro 1995

- Eu já disse, ele só falou isso.

- Ele não pode ter falado apenas isso, Harry! Você deve ter esquecido.

Não era a primeira vez que discutiam sobre isso. Desde que Cedrico, na hora do almoço, havia dito a Harry que levasse o ovo, que consiguira na primeira tarefa, até o banheiro dos monitores, onde estavam agora, Liz havia reclamado da falta de informação.

- O que vai fazer, Lizzie?

Elizabeth ligou a água da banheira, tirou os sapatos e sentou na beirada, molhando os pés.

- Esperar confortável até você ter uma idéia brilhante. - resmungou, de costas para ele.

Desde o baile, Liz evitava olhar diretamente para Harry. Já estava desobedencendo sua mãe, que havia dito para não ficarem muito tempo sozinhos.

- Tive uma idéia. - disse Harry.

Liz, que não esperava idéia alguma, virou-se para Harry. O problema é que ela estava sentada em uma parte lisa, e escorregou para dentro da água.

- É bom sua idéia seja ótima. - pediu Liz, saindo da enorme banheira e ficando em pé, de frente para ele.

Harry deixou o ovo dourado cair no chão com um estrépido forte. Liz estava completamente enxarcada e a camiseta branca do uniforme nada escondia.

Percebendo o desejo nos olhos dele, Elizabeth sentiu tudo o que sentira na noite do baile, somado ao fato de estarem completamente sozinhos.

Ele se aproximou, hesitante.

- Lizzie, o que acontece comigo? Não consigo olhar para você sem...

- Encantamento. - respondeu.

- O quê? - Harry pareceu despertar.

- Você sabe... alguns casais são ligados pelo encantamento. Acredito que seja hereditário.

- E o que isso quer dizer?

- Quer dizer que eu não consigo aguentar de tanta vontade de beijar você.

Liz beijou Harry, aproximando seu corpo molhado do dele, sentindo as mãos dele explorando seu corpo, suas costas, por baixo da camisa.

"Ele vai querer matar o Harry."

Um calor insuportável tomava conta de todo seu corpo, fechou os olhos, sentindo as caricias dele, mas ao mesmo tempo, algo a lembrava de que estavam errados.

"Evite ficar sozinha com ele. Eu falo sério."

Abriu os olhos só para abrir a camisa dele, o que pareceu supreende-lo. De uma forma bastante positiva.

"Eu fiquei grávida de Nick e James aos 17 anos, não quero o mesmo pra você."

As mãos dele estavam no fecho da saia de Liz, quando ela se afastou, quase caindo na água mais uma vez.

- Não... estamos indo rápido demais.

Harry não disse nada, mas parecia concordar.

- Eu vou indo. - disse, constrangida - Por que não coloca isso na água?

Ela jogou o ovo para ele e saiu de lá, com o uniforme molhado. Caminhou um pouco pelo castelo antes de perceber.


- Vão jogar algo seu no Lago? - questionou Liz - Diga adeus a sua vassoura.

Eles estavam na biblioteca tentando descobrir como Harry passaria uma hora debaixo da água na manhã seguinte.

- Sabe que não está ajudando, não sabe? - perguntou Rony.

Antes de Elizabeth dar uma resposta bem ríspida para Ronald, mas o professor Moody a interrompeu.

- Dellacourt, para a sala do diretor.

A garota revirou os olhos, beijou o rosto de Harry e levantou-se.

- Boa sorte, meninos.


Respirou. Estava frio e... molhado. Uma garota loira se debatia ao seu lado, não sabia nadar. Passou o braço dela pelo seu ombro e nadou. Rony as ajudou a levantar, Luna lhe entregou uma toalha, mas Harry não estava lá.

Ficou preocupada, tentou disfarçar. Seu pai olhava, sorriu.

Harry saiu da água e ficou em segundo lugar. Se aproximou para beijar Liz. Se afastou e sorriu. Ele não sorriu de volta.

Elizabeth passou a tarde com sua mãe, no castelo. Estava evitando Harry, ele parecia chateado.

- Vai passar o dia aqui, trancada? Estão todos comemorando. - disse Florence.

Ela estava deitada, não se sentia muito bem. Sophie não demoraria para nascer.

- Estou com frio. - reclamou, enrolando-se no cobertor.

- Vocês brigaram, Liz? - questionou Florence, desconfiada.

- Não! - respondeu - Claro que não. Por que brigariamos?

Florence suspirou. Ela havia conhecido James o suficiente para saber o porque de Liz brigar com o filho dele. Se achavam Severo Snape teimoso, é porque não haviam realmente conhecido os Potter.

Fechou os olhos, colocando a mão sobre o ventre.

- Você está bem, mãe?

- Não, realmente. - Florence respirou fundo, novamente.

- O que você está sentindo? - preocupou-se Liz.

- Estou entrando em trabalho de parto, querida. - a menina ficou pálida. - Mas não se preocupe, ainda temos tempo... ai... até eu sentir contrações mais fortes. - Elizabeth levantou da cama, mas estava enrolada no cobertor e caiu de cara no chão.

- Estou legal. - disse, antes que sua mãe pudesse perguntar - Vou buscar Pomfrey e o papai.

E a menina saiu correndo.

Elizabeth saiu voando pelas portas pricipais do castelo, em direção ao lago, mas ela já podia ver a delegação de professores se aproximando. Snape conversava com Dumbledore, o semblante preocupado. Ela parou de correr, para não chamar a atenção e caminhou nervosamente até onde ele estava, caminhando ao lado da Prof. McGonagall, mas se dirigindo à Snape.

- Prof. Snape, eu... preciso de sua ajuda. - ela estava falsamente calma.

- Sim, Srta. Dellacourt. - ele respirou fundo, mostrando impaciência, tentando disfarçar o nervosismo. "Algo aconteceu com Florence." Seguiu mais rapidamente, à frente de todos, indicando à menina que fosse com ele, e ao alcançarem as portas do castelo, Snape não se conteve. - O que aconteceu?

- Mamãe entrou em trabalho de parto. Vou chamar Pomfrey.

- Sim, querida, vá.

Snape correu para o terceiro andar, enquanto sua filha pegou um atalho para o quinto.

Snape entrou no quarto, Florence já estava deitada, respirando cachorrinho e suava.

- Como você está, Flor? - ele pegou alguns vidros no armário e os largou sobre a mesa de cabeceira, beijando-a nos lábios.

- Bem... as contrações aumentaram há pouco..... onde está Pomfrey?

- Liz foi chamá-la. - ele abriu um dos vidros, virando um pouco em um copo. - Beba isto. É pra você relaxar um pouco. - ela bebeu.

A medibruxa chegou, toalhas foram conjuradas.

- Avise as crianças, Severus. - falou Florence, arfando.

- Eu já volto. - disse Snape.

E Snape saiu. Voltando vinte minutos depois, ficando ao lado da esposa. Sophie não demorou mais que duas horas para nascer. Emocionando ambos os pais quando chorou e se aconchegou no seio da mãe, cessando o berreiro.

- Ela está ótima, Florence. Como todos os outros! - sorriu Pomfrey.

- Obrigada, Poppy, mais uma vez. - murmurou ela, cansada.

- E quero que me chamem na próxima vez. - falou Pomfrey para Snape.

- Com certeza, Madame Pomfrey. - respondeu ele. - Obrigado.

E a medibruxa saiu.

Elizabeth ficou o tempo todo ao lado da mãe. Calma, mostrando bastante atenção principalmente no que Pomfrey fazia. Com a saida da medibruxa, seu pai, mil vezes mais calmo do que no dia anterior, sentou ao lado das duas, pegando Sophie do colo de Florence.

- Ela é tão bonita. - comentou Liz.

- Parece tanto com você, quando era bebê. - Severo passou a recém-nascida para Elizabeth.

Mas foi no momento em que Nicholas, com o irmão mais novo no colo, e James saíram da lareira, chamando por Florence.

- Mãe! Como você está? - perguntou Nick, passando Christopher para o colo do pai.

- E Sophie? - continuou James.

- Bem, as duas. - respondeu Snape.

Sophie começou a se mexer e chorar baixinho, incomodada com o barulho.

- Quietos. - sussurou Liz - Ela quer dormir.

No dia seguinte, Florence e a filha foram para casa. Depois de Dumbledore vir vê-las e trazer muitos presentes, paparicando a afilhada recém-nascida.


Na tarde seguinte, durante um tempo vago de aula, Liz e Harry foram conversar perto ao Lago Negro.

- Eu sou tia. Não é o máximo? - questionou, sentado ao lado dele.

- É. Deve ser. - ele jogou uma pedra na água.

Ficaram em silêncio.

- Quando é a última tarefa, Harry.

- Junho.

- Ual. Vai demorar.

- Sim.

- Vai ficar assim comigo até lá?

- Você é muito complicada. - reclamou.

- Eu? Por quê?

- Aceitou ser minha namorada, mas fica me evitando o tempo todo.

Pensou que ele falava sobre o ocorrido no banheiro dos monitores.

- Acha que estou te evitanto só porque não deixei que você tirasse minha saia? Eu tenho cara de Lilá? Temos catorze anos, Harry. É meio... cedo.

- Não estou falando disso!

Elizabeth corou.

- Ah, então está falando sobre o quê?

- Você sabe. Sem demonstrações de afeto público.

- Para quê? Podemos ter afeto o suficiente sozinhos. Não precisamos ficar mostrando pra todo mundo. - disse, incerta.

- Eu só queria saber o motivo.

- Não vou ser a namorada de Harry Potter. Porque eu não estou com você por causa da droga do seu sobrenome. - mentiu - Então, ou ficamos juntos desse jeito, ou não ficamos juntos.

Levantou, deixando o rapaz sozinho. Era uma boa desculpa, teve que admitir.


Florence: Capítulo pequeno, mas quase independente. Uma copiadinha no nascimento da Sophie, mas bastante modificado. Beijos!

Nascimento da Sophie é quase igual ao capítulo Sophie de Só o Amor Salva. Mas eu tenho autorização para isso ;)

Espero que tenham gostado! E eu sei que tem gente lendo, então comentem. Não podem se esconder para sempre.

Beijão :)