Título: Ensina-me a Viver
Autora: Mary Spn
Beta: TaXXTi
Gênero: Padackles / AU
Sinopse: Ao conhecer um jovem de apenas dezoito anos, Jensen não podia imaginar o quanto ele mudaria a sua vida.
Avisos: Trata-se de Universo Alternativo, nesta história Jensen tem 26 anos, enquanto Jared tem 18, ou seja, 8 anos de diferença, ao invés de 4. Contém cenas de relações homossexuais entre homens.
Ensina-me a Viver
Capítulo 13
Quando Jared soube através de sua irmã, que Gerald estaria viajando por alguns dias, saiu mais cedo da faculdade e foi visitar sua mãe.
- Meu filhinho! – Sharon o abraçou, emocionada – Que bom que você finalmente apareceu!
- Que saudades, mãe! – Jared a abraçou apertado, e já tinha os olhos marejados.
- Você acertou de ter vindo hoje. Eu fiz bolo de chocolate, o seu favorito – Sharon foi até a geladeira e serviu um grande pedaço de bolo ao moreno.
- Você está querendo me engordar, não está? – Jared brincou, mas ficou com água na boca ao olhar para o pedaço de bolo.
- Você emagreceu, meu anjo... Está se alimentando direito? – Sharon colocou o prato sobre a mesa da cozinha, onde ambos se sentaram.
- Claro que estou, mãe. Não se preocupe. Mas e a senhora, como está?
- Abandonada aqui sozinha, mas estou bem.
- Não faz drama, mãe! – Jared falou entre uma garfada e outra do bolo.
- O Jeff está há seis meses sem voltar pra casa, e sua irmã aparece tanto quanto você. Só me sobra o seu pai com as manias dele e os cachorros que eu adotei pra cuidar.
- Que bom! Pode aproveitar o tempo para cuidar de si mesma. E aqueles cursos que a senhora sempre quis fazer e vivia reclamando porque não tinha tempo?
- É... Acho que eu vou ter que fazer isso – Sharon falou sem muito ânimo.
- Está tudo bem entre a senhora e o papai?
- Sim, tudo bem – Sharon sorriu - E o Chad, como está?
- Ele está bem. Conseguiu o emprego na clínica que ele tanto queria. E ele vai ficar ainda mais feliz se a senhora mandar um pedaço desse bolo pra ele – Jared brincou.
- Eu te dou o bolo, não precisa mentir que é para o Chad – Sharon riu, afinal a loucura de Jared por doces era algo que não mudava nunca.
- O Jeff me ligou na semana passada. Ele está bem empolgado com a formatura, não é? Acho que ele nem tira tempo pra namorar.
- Ele está se dedicando. E também está empolgado com as ideias do seu pai para a empresa de consultoria.
- Eu espero que dê tudo certo. Agora eu preciso ir.
- Mas pra onde você vai com tanta pressa? – Sharon reclamou ao ver que Jared já tinha se levantado para sair.
- Vou com o Chad comprar roupas pra ir a um casamento – Só de pensar naquele casamento já fazia Jared ficar de mau humor.
- Casamento de quem?
- Um amigo do Chad – Jared abraçou sua mãe e lhe deu um beijo estalado na bochecha – A senhora não está se esquecendo de nada? – Jared apontou para o bolo e disfarçou, fazendo Sharon rir.
- Você não tem jeito, meu filho!
- x -
Jensen tinha o convite de casamento de Mark nas mãos e isso trouxe à sua mente lembranças do seu casamento com Danneel. Ela vestida de noiva, linda e sorridente, a empolgação e os planos que tinham para o futuro...
Tudo tinha se desgastado tão rapidamente que Jensen não sabia dizer quando começou. Lembrou-se então daquele final de tarde, quando deixara Jared ir embora da sua vida... Entrou em seu apartamento e estava tão abalado que nem se deu conta da presença da esposa. Sentou-se no sofá da sala e deixou as lágrimas rolarem pelo seu rosto, lágrimas que logo se transformaram em soluços. Quando percebeu que Danneel estava encostada no balcão da sala, o observando, já era tarde demais.
- Sabe, Jensen... Eu já tinha cogitado tanta coisa, tantos motivos para este seu afastamento, mas... Sinceramente? Eu não esperava por isso. Ele tem o quê? Dezoito anos?
Jensen secou as lágrimas e levantou a cabeça, olhando finalmente para Danneel, que tinha o rosto banhado em lágrimas.
- Dan, eu...
- Eu vi vocês discutindo lá fora. Não adianta você querer dizer que não é o que eu estou pensando. Um garoto, Jensen? Como você pôde? – A ruiva falava com a voz embargada, fazendo Jensen se sentir um lixo – Eu sei que o nosso casamento já estava desandando, mas... Eu esperava mais de você. Se pelo menos você tivesse a decência de me dizer o que estava acontecendo! – Danneel forçou um sorriso – Eu pensei que você tivesse pelo menos ainda algum respeito por mim.
- Não foi nada premeditado, Dan... As coisas foram acontecendo, e... De repente eu já não sabia mais o que fazer. Me desculpe por isso, Dan. Acabou! O que eu tinha com ele acabou e eu sei que você está magoada, mas...
- Mas o que, Jensen? Você acha que existe alguma chance de nós voltarmos ao que era antes? Mesmo que eu te perdoasse, você já não me ama mais. Nem eu sei se ainda te amo...
- Dan...
- Eu irei viajar amanhã, tenho um trabalho fora da cidade. Vai levar uma semana, mas talvez eu fique mais tempo por lá. Nós conversaremos quando eu voltar.
- Está bem – Jensen se sentia a pior das criaturas.
- Esta noite... Você dorme no quarto de hóspedes.
Quando Danneel retornou de sua viagem, tiveram uma conversa sincera e decidiram que continuariam vivendo juntos, mas dormiam em quartos separados e não tinham mais nenhuma intimidade. Este relacionamento, se é que podia ser chamado assim, ainda durou por quase um ano, quando Danneel conheceu alguém e resolveu que era hora de seguir em frente.
Quase todos ao seu redor tinham seguido em frente, e o pior de tudo, Jared também. Pegou o convite mais uma vez e suspirou, lembrando que Chad também era convidado de Mark. E que muito provavelmente ele não iria sozinho à festa de casamento.
Por um lado, sentia-se ansioso para reencontrar Jared, por mais que as poucas palavras que trocaram fossem amargas, ainda assim era muito bom poder olhar para ele, ver seu sorriso, ouvir sua voz, escutar suas risadas. Mas também era doloroso demais vê-lo junto de Chad. Não sabia se conseguiria suportar esta tortura mais uma vez.
Nunca sentira-se tão sozinho e tão carente como se sentia agora, e neste momento não conseguiu pensar em outra coisa, a não ser no colo de sua mãe.
Pretendia visitá-la apenas quando ela retornasse para casa, pois achou que seu pai havia exagerado ao interná-la em uma clínica. Mas como sua mãe não se opôs, tinha que respeitar a vontade deles. Pegou seu casaco, as chaves do carro e seguiu para a clínica. Não conhecia o lugar e ficou aliviado ao ver que seu pai tinha feito mesmo uma boa escolha. O local era aconchegante e sua mãe estava instalada com todas as mordomias e sendo tratada com cuidado e carinho pelos enfermeiros.
- Oh, mas isso só pode ser um milagre! – Donna brincou assim que o filho entrou pela porta - Meu filho vindo me visitar!– Seu sorriso era genuíno.
- Não exagera, mãe! – Jensen a abraçou apertado, matando as saudades – Acho que esse lugar fez bem à senhora. Fazia tempo que eu não via esse sorriso.
- Ela ficou assim depois que foi passear com um garotão pelo jardim – A enfermeira que veio medir sua pressão comentou, brincando.
- Ei, que história é essa? – Jensen fez cara de indignado e se sentou no sofá, ao lado da mãe – O meu pai sabe que a senhora anda paquerando aqui na clínica? – O loiro brincou, fazendo as duas mulheres rirem.
- Ele era adorável – Donna falou quando a enfermeira saiu do quarto – Até mesmo o seu pai simpatizou com ele. Queria que você o tivesse conhecido. Com certeza iria gostar dele também.
- O que a senhora quer dizer com isso? – Jensen a encarou, desconfiado.
- Nada. Eu não quis dizer nada – Donna sorriu e passou a mão pelo rosto do filho, fazendo um carinho – Deite-se aqui – A mulher fez sinal para que o loiro se deitasse com a cabeça em seu colo.
- Eu senti falta do seu colo, mãe – O loiro se aconchegou no sofá, sentindo as mãos carinhosas de sua mãe lhe fazendo cafuné.
- E eu senti falta de você. Você sabe que o meu colo está sempre disponível.
- Eu sei, é que...
- Também sinto falta de quando você ainda era um menino, chegava da escola e deitava a cabeça no meu colo e me contava tudo o que acontecia. Eu sempre sabia o que você estava sentindo, e agora... Você está cada vez mais distante, meu filho.
- A senhora tem razão. Eu também sinto falta daquela época, mas é que o tempo passou, tanta coisa aconteceu, e... Eu não sei se a senhora ainda teria orgulho de mim se soubesse de muitas coisas que eu fiz.
- Eu vou sempre me orgulhar de você, meu anjo... Você é um homem bom, tem um coração enorme, eu não acredito que tenha feito algo de que eu não me orgulhasse.
- Eu não fiz por mal, mas eu... Eu já fui muito egoísta, e... E fiz coisas que magoaram... Magoaram pessoas que eu amo. E eu nem posso dizer que me arrependo, por que... Porque eu não sei, não sei se hoje eu faria diferente. Esse lance de relacionamentos, amor... Acho que isso não é pra mim – Jensen tinha os olhos marejados enquanto falava.
- Claro que é pra você, meu filho! Como você pode pensar algo assim, se é capaz de amar tanto pra ficar sofrendo desse jeito?
- Quem disse que eu estou sofrendo? – Jensen tentou disfarçar.
- Você não ficou desse jeito nem quando se separou da sua mulher. Pensa que pode enganar a sua mãe? – Donna lhe deu um beijo na testa.
- Preciso ir, mãe. Tem pacientes me esperando no hospital – Jensen se levantou rapidamente.
- Claro. Como sempre... Fugindo do assunto – Donna o repreendeu, brincando.
- Sabe de uma coisa? Eu sou uma péssima visita. A senhora está internada com depressão e ainda assim fica querendo resolver os meus problemas.
- Eu já estou bem, Jensen. Não se preocupe comigo. E cuide-se, meu menino!
- x -
A cerimônia religiosa havia sido simples, mas marcante. Mark estava visivelmente emocionado, e sua esposa, Jessica, estava deslumbrante.
Ou era uma terrível coincidência, ou o destino estava mesmo querendo lhe sacanear... Foi o que Jared pensou quando percebeu que ele e Chad haviam sido colocados na mesma mesa que Jensen.
O loiro pensou o mesmo e teve que se segurar para manter o controle enquanto presenciava Jared e Chad segurando a mão um do outro o tempo todo e trocando carícias sutis.
Tudo correu tranquilamente até a hora do jantar, pois além de Jensen, Jared e Chad, a mesa também era ocupada por Tom, Misha e Vicky.
Tom observava Jensen quase com comiseração, pensando no quão difícil deveria estar sendo esta situação para o amigo. Após o jantar, tentou por diversas vezes levar Jensen para fora dali, mas o loiro era teimoso e insistiu em ficar.
Por sorte, Misha e Vicky tornaram a conversa descontraída, e o clima ficou menos tenso na mesa. Ela e Jared conversavam e riam como se fossem velhos amigos, enquanto Jensen observava o moreno, percebendo o quanto sentira falta daquelas risadas.
Depois da valsa dos noivos, Misha e Vicky foram dançar, Chad também foi dançar com Sophia, sua velha amiga e Tom entendeu o sutil recado de Jensen, chutando sua canela por debaixo da mesa, para que saísse e o deixasse a sós na mesa com Jared.
- Eu preciso... É... eu acabei de lembrar que... Eu vou ao banheiro – Tom falou, se enrolando todo, e saiu da mesa.
Jared ficou observando o moreno sair a balançou a cabeça, indignado.
- Muito discreto o seu amigo – O moreno sorriu torto.
- O Tom não tem jeito, mesmo – Jensen deu risadas.
- Você já comeu ele? – Jared perguntou por pura curiosidade.
- Algumas vezes... Na adolescência. É tão óbvio assim? – Jensen estranhou a pergunta.
- Ele é muito bonito. Eu imaginei que você não deixaria passar...
- Você se engana comigo, Jared.
- É mesmo? – O moreno sorriu com ironia.
- É, depois do que eu fiz com você, seria pedir demais que você acreditasse que existe algo de bom em mim, não é? Eu entendo.
- Ótimo.
- O Chad parece ser bem íntimo da Sophia – Jensen olhava para a pista de dança, onde os dois dançavam juntos.
- Eles são amigos de infância. E acredite, nem todo mundo come os amigos, Jensen.
- Cuidado pra não afrouxar a coleira demais, senão ele acaba fugindo – Jensen provocou.
- Eu não preciso apertar a coleira, ele sempre volta – Jared sorriu com sarcasmo.
- É... – Jensen sorriu – Provavelmente ele volta. Mas e você? O que ainda está fazendo com ele, Jared? Qualquer um que olhe há quilômetros de distância consegue ver que você não está feliz.
- O que você sabe sobre mim, Jensen, pra saber se eu estou ou não feliz? Ou melhor, o que é felicidade pra você? Ficar se encontrando entre quatro paredes, com medo que alguém descubra? Você acha mesmo que eu fui feliz naquela época?
- Não completamente, mas nós tivemos nossos momentos... Ou você vai querer me dizer que não foi feliz naquele final de semana na praia, onde eu te fiz meu pela primeira vez? - Jensen falava baixinho e percebeu que Jared corou nesta parte – Ou naquela noite em que você quase me estuprou dentro do carro? – Jensen sorriu satisfeito, vendo que o moreno sequer conseguia encará-lo – O que foi? Perdeu a língua afiada, Jared? – Jensen provocou mais ainda, quando viu que o outro ficara calado.
- Hey! – Chad abraçou Jared por trás e selou seus lábios quando o moreno virou a cabeça para olhar para ele – Essa garota me deu uma canseira! – O loiro sentou ao lado do namorado, ofegante.
- Você é que está enferrujado, Chad! – Jared brincou, agradecendo mentalmente por Chad ter voltado naquele momento.
- Enferrujado nada. Eu ainda aguento muita coisa essa noite, você quer apostar? – Chad encarava o moreno com um sorriso malicioso.
- Eu acho é que você já bebeu demais – Jared comentou, se sentindo constrangido na frente de Jensen.
- Não precisa ficar envergonhado, Jared – Jensen estava se divertindo com a situação – Façam de conta que eu não estou aqui – O loiro bebeu um pouco do seu uísque e passou a língua pelos lábios, o que não passou despercebido por Jared.
- O Jared, envergonhado? – Chad deu risadas – Isso por que ele não sabe do que você é capaz entre quatro paredes, meu amor – Jared sentiu vontade de socar a cara do namorado naquela hora. Realmente, Chad havia bebido demais.
- É... Eu nem posso imaginar – Jensen comentou, sorrindo satisfeito, sem desviar o olhar de Jared, que corou ainda mais – Sabe de uma coisa? Isso me lembrou da sua última bebedeira, Chad.
- Oh, não Jensen! Você nunca vai me deixar em paz por causa daquilo, não é? – Chad reclamou.
- O que aconteceu na sua última bebedeira? – Jared perguntou para Chad, mas seu olhar fuzilava Jensen.
- Nada! É palhaçada do Ackles – Chad tentou fugir do assunto.
- Então... Naquela noite o Chad bebeu um pouco além da conta e começou a choramingar, reclamado que o namorado dele não topava certas coisas... Ele estava magoado, chegou a me dar pena... – Jensen tentou falar sério, mas não aguentou e começou a rir.
- É mesmo? – Jared encarou Chad, muito sério desta vez – E o que o namorado dele não topou pra fazer ele ficar magoado?
- Eu vou matar você, Ackles! – Chad olhou incrédulo para Jensen, se adiantasse alguma coisa, imploraria para que ele não dissesse mais nada.
- Ele disse que o namorado... Bom, você sabe, que ele não queria ficar por baixo. Se é que você me entende...
- Claro – Jared forçou um sorriso e mordeu o lábio inferior. Agora não queria socar só a cara de Chad, mas a de Jensen também. Ou melhor, queria que houvesse um buraco ali para que pudesse se esconder e não ter que olhar para a cara de nenhum dos dois.
- Jay, espera... Não foi bem assim – Chad se levantou e correu atrás do namorado, que havia deixado a mesa sem dizer mais nada.
- Não foi bem assim? – Jared parou quando estavam um pouco mais afastados das outras pessoas – Você fica expondo a nossa intimidade pros outros e vem me dizer que não foi bem assim? – Jared estava mesmo zangado – Eu pensei que a gente estivesse bem com isso, que você tivesse superado!
- Eu só... É que... Foi justamente naquela noite em que nós dois havíamos brigado por causa disso, e eu acabei bebendo demais, e... Me desculpe, Jay! Eu estava com raiva e não estava pensando quando falei aquilo. Eu jamais teria falado sobre a nossa intimidade com o Ackles. Você me conhece, você sabe disso.
- É... Eu sei – Jared respirou fundo e percebeu que estava exagerando um pouco, que provavelmente Chad não tinha feito mesmo por mal – Tudo bem. Eu só preciso ficar um pouco sozinho, ok?
- Certo – Chad respeitou a vontade de Jared, sabia que quando algo o incomodava, ele preferia ficar sozinho para pensar – Eu vou estar lá com a Sophia e o pessoal dela. Me procure depois, ok?
Jared fez que sim com a cabeça e foi para fora, precisava respirar. Tinha ficado com tanta raiva que acabou descontando em Chad. Raiva por ver Jensen com um maldito sorriso vitorioso no rosto.
Caminhou até o estacionamento e encostou-se em um carro qualquer. Maior do que a raiva que sentia de Jensen era a que sentia por si próprio. Depois de tantos anos, depois de tudo o que havia passado e sofrido por causa daquele homem, por que ainda se importava com o que ele pensava a seu respeito? Por que o seu coração ainda acelerava quando estavam próximos, e por que a voz dele era ainda mais gostosa de ouvir do que a música que tocava no salão?
- Foi uma brincadeira estúpida, eu sei – A voz inconfundível de Jensen atrás de si, finalmente tirou Jared dos seus devaneios – Mas não era a minha intenção deixar você tão magoado – O loiro se encostou no carro seguinte, ficando de frente para Jared.
- E qual era a sua intenção? Fazer com que eu e o Chad brigássemos? – A voz do moreno era ácida.
- Vocês brigaram?
- Não. Talvez eu já tenha feito coisas piores quando estava bêbado – Jared não quis dar o braço a torcer.
- Eu nunca tive a oportunidade de presenciar isso. Uma pena...
- Uma pena? – Jared forçou uma risada – Por quê? Você iria se aproveitar de mim se eu estivesse bêbado?
- Não. Eu jamais me aproveitaria de você quando bêbado. Mesmo porque isso não seria necessário.
- Não? – Jared gargalhou desta vez – Pois saiba que o seu poder de persuasão já não funciona mais comigo, Ackles.
- Não mesmo? – Jensen sorriu de lado – Nós podemos fazer um teste qualquer dia desses – Jensen já não estava mais se divertindo, pois apesar do sarcasmo, o que via no rosto de Jared nada mais era além de dor.
- Você se diverte com isso? – Jared já não conseguia mais encará-lo, engoliu o nó na garganta e tudo o que mais queria era que Jensen fosse embora dali.
- Não. Nem um pouco. Mas eu sinto falta do que nós tínhamos – O loiro se aproximou e tentou tocar o rosto de Jared, mas este fugiu do contato.
- Você pode ter sexo em qualquer lugar, Jensen. Com quem quiser. Não precisa fazer isso. Por que não me deixa em paz?
- Sexo? Eu queria que fosse apenas sexo...
- O que nós tínhamos, teve um significado diferente para você do que pra mim. Hoje, quando eu olho pra trás e me lembro daqueles momentos que você citou, só consigo enxergar o quão ingênuo e idiota eu fui! – Jared falou com a voz embargada.
- Nem tudo foi mentira... O meu pior erro foi não ter aberto o jogo com você, não ter dito que eu era casado, mas... Era complicado demais, eu tive muito medo de te perder, e... Acabei perdendo da pior maneira.
- Na verdade você nunca se importou, Jensen. Você foi tão egoísta que depois de tudo, sequer me ligou uma única vez pra saber como eu estava.
- Eu não te procurei por que... Pensei que você fosse ficar melhor sem mim.
- E eu fiquei! Eu estava ótimo até encontrar você naquele maldito bar!
- Isso quer dizer que... Eu ainda mexo com você?
- Sim. Você me faz sentir raiva! Somente raiva!
- A vida é mesmo cheia de surpresas, não é? Logo você ser o namorado do Chad... O namorado que não quis...
- Cala essa boca, Jensen! – Jared o interrompeu.
- Eu fico pensando qual seria o verdadeiro motivo pra isso. Por que... você sabe, não adianta dizer pra mim que é porque você não gosta – Jensen se aproximou, feito um gato sorrateiro - Eu me lembro direitinho de ter você gemendo embaixo de mim e pedindo por mais... – O loiro falou próximo ao ouvido de Jared, fazendo o outro se arrepiar.
- Por isso que eu nunca mais quis que alguém me... Me tocasse daquele jeito. Pra não me lembrar de você – Jared tentou empurrar Jensen para longe, mas o loiro segurou seus braços e o imobilizou contra o carro.
- Olha pra mim e diga que você não sentiu falta, Jared... Que você não sente uma vontade insana de me sentir dentro de você mais uma vez... – Jensen sussurrava no ouvido do moreno, que se debatia, tentando se soltar.
- Eu não... – Jared não conseguiu completar o que iria dizer, pois teve seus lábios invadidos pela boca do loiro, que ainda o segurava com força, e o prensava contra o carro, se esfregando sutilmente.
De início Jared não correspondeu ao beijo, apenas parou de se debater, sentindo os lábios de Jensen contra os seus e a língua atrevida dele explorando sua boca, ao mesmo tempo em que o loiro roçava sua ereção no seu quadril, o fazendo ficar duro em questão de segundos. Mas logo o moreno não resistiu e se entregou àquele beijo, provando do gosto de Jensen mais uma vez, sentindo seu cheiro, e neste instante voltou a se sentir um garotinho apaixonado e indefeso, e tudo o que precisava era ser amado por Jensen.
Quando Jensen sentiu Jared parar de resistir e corresponder ao beijo, soltou seus braços e o agarrou pela cintura, colando ainda mais seus corpos.
Senti-lo assim, completamente entregue e ouvir seus gemidos abafados pelo beijo, fazia seu corpo estremecer de tanto desejo. As mãos do loiro puxaram a camisa de Jared de dentro da calça e deslizaram pela pele quente e macia da sua cintura e costas.
Sentiu o moreno fazer o mesmo consigo e percebeu sua respiração ofegante, enquanto tratava de beijar e chupar a pele do seu pescoço.
Seus corpos se esfregavam, buscando algum alívio, mas o desejo que sentiam era quase doentio... Era insano... Jensen abriu o cinto, botão e zíper da calça de Jared com pressa e segurou seu membro duro, passando a massageá-lo com vontade, arrancando mais gemidos do moreno.
O loiro então se ajoelhou e colocou o membro de Jared em sua boca, gemendo como se fosse o doce mais saboroso que já havia experimentado. O moreno só conseguiu agarrar seus cabelos curtos e gemer ainda mais, vendo e sentindo aquela boca pornográfica chupá-lo com tanto empenho.
Mas não era suficiente... Nada era suficiente enquanto não estivesse novamente dentro do corpo quente e apertado de Jared.
Jensen voltou a ficar de pé, ouvindo Jared reclamar de alguma coisa e pegou sua carteira, tirando dela um preservativo e um sachê de gel lubrificante.
Sem perder tempo, virou Jared contra o capô do carro e o fez inclinar-se, puxando as calças e cueca do moreno até os joelhos.
O loiro colocou rapidamente a camisinha em seu membro, abriu o pacotinho de gel e espalhou em seus dedos, e enquanto beijava e mordia o pescoço e nuca de Jared, inseriu um dedo em sua entrada, sentindo o outro se contrair com a invasão.
- Tão apertado... – Jensen sussurrou com a voz rouca, sem parar os beijos pelo pescoço do moreno – Se abre pra mim, Jared... Vamos lá, você quer isso tanto quanto eu.
Aos poucos Jensen sentiu o moreno ir relaxando, e inseriu mais um dedo, ouvindo gemidos de dor desta vez, mas mesmo assim não parou. Continuou com as carícias até sentir que os gemidos já não eram mais de dor, então retirou seus dedos e posicionou seu pênis, ouvindo novos gemidos de dor quando forçou a entrada.
Quando já estava com seu membro enterrado pela metade, Jensen parou, segurou Jared com firmeza pela cintura e então levou sua mão direita até o membro do moreno, passando a massageá-lo devagar. Empurrou-se mais um pouco e logo estava totalmente dentro dele, finalmente sentindo-se completo.
Jared sabia que era loucura o que estava fazendo, mas não queria pensar. Precisava sentir Jensen dentro de si mais uma vez, assim como precisava do ar para respirar.
Sentiu dor, mas nenhuma dor era comparada a dor que sentia em seu peito, então relaxou e permitiu que Jensen o preenchesse por completo.
Logo o loiro começou a se movimentar e Jared sentiu-se queimando por dentro, mas não demorou muito para que aquela dor sumisse e desse lugar a um prazer estonteante, que só havia sentido com Jensen.
Cada vez que o loiro se afastava e voltava a meter com força, era um novo espasmo de prazer que sentia, e o fazia querer gritar. Só não se permitia isso porque sabia que estavam em um estacionamento público e poderiam se flagrados a qualquer momento.
Jensen saia quase que completamente de dentro de Jared, então se empurrava com força, indo bem fundo, estocando cada vez mais forte e mais rápido, sentindo tudo o que havia se negado por tanto tempo. Porque não era apenas sexo, não era apenas o seu corpo que estava ali, clamando por prazer. Era sua alma, era o seu coração querendo sentir-se vivo novamente, querendo sentir-se amado como já fora algum dia.
O loiro sentia-se entorpecido, incendiado pelo corpo embaixo do seu, que lhe proporcionava tanto prazer quanto dor... Dor por saber que quando tudo acabasse, provavelmente o perderia para sempre.
Mas naquele momento nada mais importava... Era Jared quem estava ali, gemendo o seu nome... Era o seu Jared. E este pensamento só o fez estocar ainda com mais vontade, pois já estava sentindo o êxtase se aproximar. Se empenhou ainda mais, manipulando o membro do moreno no ritmo das suas estocadas, e logo sentiu o mais novo contrair seu corpo e se derramar em sua mão, gemendo tão gostoso que Jensen pensou que jamais esqueceria aquele momento. Alguns segundos bastaram para que Jensen também gozasse dentro do moreno, gemendo o nome do outro como se aquilo pudesse fazer o momento durar para sempre.
Jensen desabou em cima do corpo do outro, sem forças, sentindo suas pernas tremerem pelo orgasmo. A respiração de ambos estava ofegante e Jensen se amaldiçoou por não terem tirado sequer o terno um do outro, pois queria sentir a pele suada das costas do moreno junto ao seu peito agora.
A respiração de Jared foi se acalmando aos poucos, mas Jensen percebeu que o corpo do moreno tremia embaixo do seu. Saiu de dentro dele com cuidado e livrou-se rapidamente da camisinha, puxando as próprias calças para cima.
Estranhou quando viu que Jared permaneceu inclinado sobre o capô do carro, mas quando voltou a se aproximar, seu coração quebrou em pedacinhos ao perceber que o outro estava chorando.
Conhecia muito bem aquele choro, aqueles soluços que eram de dor, de arrependimento...
- Jared, eu... – Jensen não conseguiu dizer mais nada, sentia-se arrasado.
Queria abraçá-lo, queria confortá-lo, mas sequer conseguia se mover. Sentiu as próprias lágrimas embaçarem seus olhos e por fim se deu conta de que precisavam sair dali.
Agindo no automático, Jensen puxou as calças de Jared para cima e o virou de frente, fechando o botão e o zíper da calça dele, porque o moreno parecia incapaz de fazer qualquer coisa.
- Jared, por favor... – Jensen o puxou para os seus braços e o mais novo chorou em seu ombro, desconsolado.
- O que... O que foi que eu fiz, Jensen? – Jared falou entre os soluços – Eu... Eu não podia... Não podia ter feito isso com o Chad... Eu não...
- Calma... Vai ficar tudo bem, Jared. Não foi culpa sua, vai ficar tudo bem – Jensen sentia como se uma faca perfurasse o seu peito naquele momento.
Os dois continuaram abraçados, sem coragem de se afastarem, pois aquilo tornaria tudo ainda mais real.
Jensen tocou o rosto de Jared com carinho e secou suas lágrimas, quando sentiu o mais novo se acalmando aos poucos.
- Você quer voltar lá para dentro? – Jensen perguntou enquanto ajeitava a camisa e a gravata do moreno, para que ele parecesse mais apresentável.
- Não, eu... Eu vou embora, eu... – Jared se afastou e foi andando, sem nem saber para onde ia.
- Você... Tem certeza? Quero dizer, o Chad...
- Eu não posso olhar pra ele depois disso – A expressão de Jared era de pura dor – Eu... Eu preciso ir pra casa.
- Eu vou levar você, o meu carro está logo ali.
- Não! Eu não posso... Eu não quero... – Jared já estava entrando em desespero novamente.
- Está tudo bem... Eu só vou levar você pra casa, você não pode sair por aí desse jeito. Por favor, Jared... Deixa eu te levar – Jensen insistiu, falando suavemente.
Jared acabou concordando e seguiu Jensen até o seu carro. A viagem foi feita em completo silêncio, Jared tinha a cabeça encostada no vidro do passageiro e Jensen só ouvia ele fungar de vez em quando.
Quando o loiro estacionou em frente ao prédio em que Jared morava, sentiu-se na obrigação de dizer alguma coisa, mas as palavras sequer conseguiam sair.
Engoliu o nó na garganta quando percebeu que Jared sequer conseguia olhá-lo nos olhos.
- Você vai ficar bem? – Jensen por fim conseguiu perguntar.
Jared forçou um sorriso – Eu... Eu vou sobreviver.
- Se precisar de alguma coisa, eu...
- Eu não preciso de mais nada seu, Jensen – Jared o interrompeu – Ou melhor, eu não quero te ver nunca mais – O moreno saiu do carro e entrou no prédio, sem olhar para trás.
Jensen nunca pensou que ouviria aquelas palavras novamente. E menos ainda, que depois de tantos anos, elas poderiam machucar ainda mais.
Continua...
