CAPÍTULO DOZE

Edward estava sentado em sua sala do banco na manhã seguinte, pensando em Bella.

Assim como ele estava determinado a se casar com ela, Bella estava determinada a se casar somente por amor.

Amor, pensou Edward com ironia. Se ela apenas soubesse que tipo de inferno o amor podia criar. Ele estava no inferno desde que tinha lido o resultado da autópsia. Pensar nisso fez Edward lembrar-se da ideia que tivera no dia anterior de questionar Kim.

Talvez se soubesse a verdade, pudesse deixar o assunto Tanya no passado de uma vez por todas. Edward apertou um botão e se conectou com seu assistente.

Cinco minutos depois, tinha o que queria. O telefone de Kim. Aparentemente, ela ainda morava no apartamento em Kirribilli que havia morado com o marido. Sem dúvida, o imóvel fora parte de um acordo de divórcio lucrativo.

Ele ligou imediatamente, a experiência lhe dizendo que mulheres como Kim não trabalhavam. Em vez disso, iam a salões de beleza, a clubes, às compras em Double Bay e almoços em restaurantes sofisticados. Oh, e seduziam maridos de outras mulheres.

— Olá, Kim — disse Edward quando ela atendeu ao telefone no sétimo toque. Pelo tom de voz sonolenta, ainda não tinha saído da cama. — É Edward. Edward Cullen.

— Edward! Meu Deus. Estranho você me ligar. Ontem, tive a impressão de que você não ficou muito satisfeito em me ver.

— O que lhe deu essa ideia? — devolveu ele secamente.

— Sarcasmo, Edward?

— Não vou mentir, Kim. Não fiquei feliz em vê-la. Não gosto de você. Nunca gostei. Não depois que tentou me seduzir aquela noite.

— Você é muito pretensioso, Edward. Qualquer homem teria ficado lisonjeado. Mas você queria se guardar para o seu único amor verdadeiro. Sua linda Joanna. Se soubesse a verdade sobre sua querida esposa... — murmurou ela.

— Estou ligando para saber a verdade, Kim. Você e Tanya sempre foram muito íntimas. Após vê-la ontem, comecei a imaginar que você deve saber o nome do amante de Tanya, aquele que era o pai da criança que ela carregava quando morreu.

— Bem, bem, parece que eu me calei por nada. Você sabia o tempo todo.

— Não até depois da autópsia.

— Entendo.

— Este homem foi o primeiro amante de Joanna?

— Você quer saber a verdade completa?

A mão de Edward apertou o telefone.

— É por isso que estou lhe telefonando.

— Não. Esse não foi o primeiro caso dela.

Edward fechou os olhos por um longo momento.

— O que não significa que ela não o amava, Edward. Na verdade, amava-o, o máximo que Tanya era capaz de amar alguém. Costumava dizer que você era o melhor homem que ela já tivera. Suponho que por isso eu fiz aquilo naquela noite. Queria ver o que você tinha de tão especial. Tanya sabia que eu iria tentar levá-lo para a cama. Disse que eu não conseguiria, e estava certa.

Edward mal podia acreditar no que estava ouvindo. Com que tipo de mulher havia se casado?

Talvez com o tempo tivesse percebido a verdadeira natureza de Tanya. As dicas estiveram lá, supunha, como o tipo de amizades que ela possuía. Na época, todavia, Edward estivera cego pela beleza dela. E pela necessidade obsessiva que Joanna mostrava ter por ele na cama. Seu ego masculino fizera dele um tolo.

Pensando agora, contudo, devia ter visto que a ganância sexual de Tanya refletia a ganância de seu caráter, uma inabilidade de se sentir feliz a menos que obtivesse tudo que apreciava.

— O problema foi que você não estava perto o bastante — disse Kim quase de modo acusador. — Você trabalhava tanto. E viajava constantemente. Ela ficava solitária, e entediada. O emprego de Tanya não envolvia longas horas, como o seu. Ela costumava vangloriar-se de seus longos almoços, a maioria num quarto de hotel da cidade. Não posso contar o número de jovens aspirantes a escritor com quem Joanna teve casos.

Edward queria vomitar.

— Mas realmente, Edward — continuou Kim — não devia se sentir mal amado. Ela estava sempre presente quando você precisava, a queria. E como falei, Tanya o amava de sua própria maneira. Por que se preocupar agora se ela dormiu com outros homens? Era apenas sexo, não amor. Acredite-me, ela não estava loucamente apaixonada pelo homem que a engravidou. Nem mesmo sabia quem era. Você estava viajando a negócios, e Tanya deu uma festa, que acabou se transformando em orgia. Ela normalmente usava proteção, mas naquela noite as coisas saíram de controle. Quando descobriu que estava grávida, ficou furiosa consigo mesma. De maneira alguma iria ter um bebê. Estava a caminho da clínica de aborto quando o acidente aconteceu.

Edward tinha de desligar o telefone antes que fizesse algo muito humilhante. Como chorar.

— Preciso ir agora, Kim.

— Sinto muito, Edward, mas você perguntou. Joanna não era uma má pessoa. Apenas muito carente. E amava você. Verdadeiramente.

— Sim, certo. Adeus, Kim.

Ele desligou, então permaneceu sentado ali, tentando dar sentido a aquilo tudo, tentando encontrar-se através da parede de amargura que cobrira sua alma por tanto tempo.

Mas não adiantou. Ele não estava mais lá.

Edward se levantou e andou até a janela de seu escritório, olhando a cidade abaixo, não vendo nada realmente. Que sentido fazia continuar quando o mundo era repleto de perversidade?

E então pensou em Bella.

Não havia nada de perverso sobre ela.

Se Edward a tivesse em sua vida, talvez pudesse se encontrar novamente. Seu ânimo aumentou ao imaginá-la esperando-o quando ele chegasse em casa do trabalho.

Não podia permitir que Bella fugisse. Era o que ela estava tentando fazer. Tinha medo dele, porque gostava demais de sua companhia. Gostava muito do sexo também. Se pelo menos Bella concordasse em se mudar para a sua cobertura, Edward poderia usar o sexo para cegá-la, para destruir-lhe as defesas e fazê-la precisar dele como ele precisava dela.

Precisava convencê-la a morar com ele. E logo.

Virando-se, Edward foi para sua mesa, pegou o telefone e ligou para Emmett.

— Emmett McCarty — Emmett atendeu prontamente.

— Emmett, é Edward. Preciso de um favor seu.

— Qualquer coisa, Edward. Você sabe disso.

— Quero que você aja como meu agente comprando uma floricultura.

— Uma floricultura? Este não parece o seu estilo usual. Ah... já entendi. Isto é para Bella, não?

— De certa forma.

— Onde é esta floricultura?

— Em Strathfield. Chama-se Uma Flor Por Dia. Está na imobiliária L. J. Hooker. Ofereça o preço total que estão pedindo, mas com condições atadas à venda.

— Que condições?

— Que o contrato seja assinado muito rapidamente. Nesta sexta-feira.

— Não é possível em tão pouco tempo, amigo. Não se quiser que a contabilidade seja checada apropriadamente antes.

— Não quero. Faça um depósito substancial hoje. Quero o lugar vago e a escritura passada na sexta-feira.

— O dono pode não aceitar isso.

— Se ela não aceitar, ofereça mais dinheiro. Apenas se certifique que ela não saiba seu nome ou o meu, Use o nome de minha companhia de investimento para a negociação.

Ela? A loja é de Bella?

— Não. Da madrasta dela.

— Não entendo.

— Bella administra a floricultura e mora no apartamento em cima da loja.

—Agora entendi — disse Emmett. — Meu Deus, Edward, não se parece com você. Está obcecado por esta garota.

Obcecado. Sim. Obcecado quase descrevia seus sentimentos no momento.

— Apenas faça o que eu lhe pedi, Emmett. E me ligue de volta quando o negócio estiver fechado.

Emmett suspirou.

— Tudo bem. Mas não me culpe se acabar sem uma floricultura e sem a garota também.

— Não acho que isso vai acontecer.

Segunda-feira era sempre um dia de pouco movimento na floricultura. Bella não recebera nenhum cliente o dia inteiro. Estava sentada atrás de sua mesa de trabalho por volta das 3h da tarde, tentando elaborar um currículo quando o sino da porta tocou.

Bella levantou-se no exato momento que sua madrasta entrou.

Sue sempre fora uma mulher atraente. Mas parecia muito mais jovem do que seus 47 anos depois da morte do pai de Bella, cortesia de uma plástica facial realizada antes que o marido esfriasse no túmulo, paga com o dinheiro do seguro de vida dele. Leah também fizera algumas plásticas... diminuindo o nariz e aumentando os seios.

Bella sempre tivera ciência de que Leah invejava seus seios. E seus namorados. Pensando agora, não era surpreendente que Leah tivesse roubado Jacob. Embora Bella suspeitasse que não eram os novos seios grandes de Leah que Jacob queria tanto, mas sim o dinheiro de Leah. Sue nunca fora capaz de negar nada à filha. Ela já estava falando em um grande casamento sofisticado.

Bella podia apenas esperar que, um dia, algum caçador de fortuna conquistasse e trapaceasse Sue, como ela fizera com o pai de Bella. A mulher nunca o amara. Bella podia ver isso muito bem agora.

Olhou para sua madrasta com desgosto, vendo-a se aproximar com um sorriso falso no rosto falso.

— Olá, Bella — disse ela alegremente. — Tenho notícias maravilhosas.

— Verdade? — Ela não podia imaginar quais.

— A floricultura já foi vendida, e eu nem precisei abaixar o preço que estava pedindo.

O coração de Bella disparou de tristeza.

— Mas... mas... ninguém veio aqui nem mesmo conhecer o lugar. Ou inspecionar os livros de contabilidade.

— O comprador provavelmente não está interessado na floricultura em si. Ouso dizer que deve querer apenas a propriedade. Também quer uma negociação rápida. A escritura será passada nesta sexta-feira. Infelizmente, você tem de sair daqui até lá. Uma condição para fechar o negócio é de que o lugar esteja vago.

Bella sentiu como se tivesse sido golpeada no estômago. Pensara que levaria séculos para vender a loja. Meses e meses.

— Mas não precisa se preocupar, querida — continuou Sue em tom doce e pseudoconciliatório. — Fiz um cheque para você de dez mil dólares. Aqui está, — E ela pôs a folha de cheque sobre a mesa cuja extremidade Bella agora agarrava. — Isso deve ser mais do que suficiente para você viver até que encontre outro lugar e outro emprego. O que não será problema, tenho certeza, já que você é uma excelente florista.

Bella pegou o cheque, olhou para o valor antes de erguer os olhos para sua madrasta.

— Acha que isso é suficiente para compensar todo o trabalho que pus aqui? — exclamou ela. — Tenho trabalhado seis dias por semana desde que papai morreu. Tenho recebido um salário patético e feito a contabilidade também. Mereço metade do negócio, Sue. Sabe disso.

Sue inclinou a cabeça num gesto prepotente.

— Não sei nada disso. Você tem sido adequadamente paga. Afinal de contas, mora no apartamento de graça. Sem mencionar o uso ilimitado da caminhonete de entrega. Flores de graça também.

Flores de graça! Aquilo foi a gota d'água.

— Se você não me der o que me deve, Sue, vou levá-la à justiça.

Sue riu.

— Faça isso e vai acabar sem nada. Ou endividada, uma vez que vai pagar advogados e os custos de um processo. Fui casada com seu pai por oito anos, querida. Os juízes são muito compassivos em relação às viúvas, não beneficiando filhas que têm meios de ganhar a própria vida. Pelo amor de Deus, Bella, não seja tão tola!

— Não sou tola. Você é tola, se acha que vou deixá-la vender a loja de meu pai sem me dar nada. Você é uma vadia gananciosa. Nunca amou meu pai. Apenas se casou com ele por interesse.

— Fiz a minha parte na barganha. Seu pai queria uma esposa sexy e bonita. Bem, ele me teve. Não foi fácil ir para a cama com um homem que não me atraía, mas eu fui. Mereço cada centavo que consegui dele, e pretendo manter cada centavo, portanto, não me ameace, Bella Swan. Sou muito mais forte do que você. Se me levar à Corte, terei Leah para testemunhar e contar ao juiz quanto do dinheiro do seu pai você gastou em roupas, namorados e drogas. Quer jogar sujo, garota, então me aguarde!

Bella arfou. Meu Deus, Sue era mais do que uma vadia mercenária. Era um demônio.

Sue fez uma careta.

— Sugiro que você pegue este dinheiro e corra, porque é tudo que vai conseguir!

Bella encarou a mulher diretamente e rasgou o cheque em pedacinhos.

— Você acha? Vou recuperar a floricultura do meu pai — declarou ela com determinação.

Inteirinha, E nem mesmo precisarei levá-la ao tribunal. Apenas espere e verá.

— Em seus sonhos, garota. Leah sempre disse que você era sonhadora. Saia deste lugar até sexta-feira de manhã, ou eu a expulsarei. — Virando-se, Sue saiu sem olhar para trás.

Quando Bella sentiu lágrimas nos olhos, forçou-se a reprimi-las. Não ia chorar. Não desta vez. Desta vez faria o que a sra. Cullen dizia que uma mulher tinha de fazer às vezes. Agir como um homem!

Pegando sua agenda de endereços, ela memorizou o número que tinha anotado na letra E naquela manha, e que Edward lhe dera no dia anterior.

— Ligue-me a qualquer hora — dissera ele.

Sua mão tremia um pouco quando pegou o telefone e digitou.

— Edward —- começou assim que ele atendeu. — É Bella. Eu... preciso ver você. — Ora, mas não era nesse tom que um homem falaria. — Agora — acrescentou ela. — Preciso vê-lo imediatamente.

Muito melhor.

— Meu Deus, Bella, o que aconteceu, querida?

Oh... ele não deveria tê-la chamado de querida.

— Eu... eu...

— Sim?

Ela tentou novamente.

— É o seguinte, Edward...

— Sim?

Não adiantava. Ela caiu aos prantos.

Edward agarrou o volante de sua BMW enquanto dirigia para Strathfield, e para Bella. Praguejou quando teve de parar em outro farol fechado. Mas não era o trânsito que o estressava mais, e sim o desgosto que sentia por si mesmo. O que lhe dera para achar que podia brincar com a vida de uma pessoa, como tinha brincado com a de Bella?

Não havia desculpa. Comprar a floricultura para deixá-la sem saída, exceto correr para ele, era comportamento de um verdadeiro canalha. Quando ela chorara ao telefone, contando-lhe sobre o confronto com a madrasta, Edward quisera cortar o próprio pescoço.

O sofrimento de Bella havia sido palpável, mesmo ao telefone.

Edward não podia acreditar o quanto fora insensível fazendo uma coisa daquelas. Ao mesmo tempo, não podia negar que uma parte sua sentia satisfação. Ela recorrera a ele.

Imediatamente. Sem hesitação.

Por mais cruel que sua estratégia tivesse sido, funcionara.

Pelo resto do trajeto para Strathfield, Edward tentou se convencer de que o fim justificava os meios. Ele seria bom para ela. Muito bom. Edward a ajudaria a se mudar, a encontrar um novo emprego. Poderia até mesmo lhe comprar outra floricultura, se ela lhe permitisse. Uma melhor. A vida de Bella seria melhor ao seu lado.

Ela havia parado de chorar no momento em que ele chegou, evidenciando um rosto composto enquanto ele se aproximava rapidamente.

— Estou feliz que você veio — disse ela, numa voz estranhamente calma para alguém que estivera soluçando meio hora atrás.

Edward diminuiu o ritmo dos passos.

— Eu pretendia falar sobre isso com você ao telefone — continuou ela, ainda no mesmo tom frio. — Mas não deu certo dessa forma. Nós, sonhadoras, precisamos dissipar as nuvens de nossas cabeças e entrar no mundo real.

Agora ela parecia amarga. E terrivelmente dura!

— De qualquer forma, tenho uma proposta para você.

Edward parou.

— Uma proposta?

— Sim. Você ainda quer se casar comigo?

Ele piscou.

— É claro — respondeu imediatamente.

— Compre esta floricultura para mim, e me caso com você.

Comprar-lhe a floricultura. Bem, ele já possuía aquela loja.

— A escritura ainda não foi passada — continuou Bella. — Tudo que você precisa fazer é contatar o corretor de imóveis e aumentar a oferta. Minha madrasta vai dispensar o outro comprador sem pestanejar.

Edward não podia acreditar que as coisas tinham dado tão certo.

Ainda assim...

— Você disse que não se casaria por nenhuma razão que não fosse amor — murmurou ele.

Os olhos de Bella se suavizaram, lembrando-a da garota amorosa e sensual com quem ele passara o fim de semana. Mas então, de súbito, a expressão endureceu novamente.

— Não discuta comigo, Edward. Vai fazer isso por mim, ou não?

— Farei isso hoje.

Ela deu um suspiro trêmulo e de alívio.

— Ótimo. Mais uma coisa.

— Sim?

— Leve-me para algum lugar. Eu... preciso sair daqui por um tempo.

Ele viu então, a fragilidade por trás da máscara superficial de dureza. Bella estava vulnerável como uma taça de cristal. Um pequeno tremor e quebraria. Levá-la para sair era uma boa ideia. Edward também gostaria de um intervalo.

— Para onde você gostaria de ir? — perguntou gentilmente.

— Tanto faz — replicou ela, uma expressão desesperada nos olhos. — Para qualquer lugar, o mais longe daqui possível.

— Você tem um passaporte atualizado?

— É claro que não — respondeu ela com uma risada amarga. — Você está olhando para alguém que nunca viaja. Para uma sonhadora tola.

— Não acho que você seja tola — contradisse Richard, aproximando-se devagar. — E não acho que há nada de errado em ser sonhadora, contanto que tenha bons sonhos.

— Sonhei em possuir a floricultura de meu pai — murmurou ela, com um pequeno soluço.

— Eu sei, querida. — Ele a envolveu nos braços. — Eu sei.

— Oh, Edward. — Bella enterrou o rosto no peito dele, as mãos segurando as lapelas de seu paletó. — Ela foi tão cruel. Tão horrível! Não entendo pessoas assim.

— Não pense mais nela, Bella. Tire-a de sua cabeça e de sua vida. Pessoas como sua madrasta são venenosas. E não se preocupe. A floricultura será sua no fim do dia. Eu prometo.

— E eu serei toda sua — retornou ela num sussurro e começou a chorar de novo.

Edward apertou-a em seus braços, dizendo a si mesmo que estava fazendo a coisa certa. Mas sabia que não estava. Bella uma vez comentara como deveria ser corrupto ser capaz de comprar tudo que você quisesse. Parecia que isso era verdade. Ele quisera Bella como sua noiva. E estava prestes a comprá-la, mesmo sabendo que aquilo era errado.

— Sinto muito, mas terei de amá-la e deixá-la, Bella — disse ele, afastando-se um pouco.

— Preciso ir à imobiliária antes que eles fechem pelo dia. Sugiro que você se ocupe o máximo possível. Disse que uma garota vem ajudá-la à vezes?

— Sim, Victoria. Ela vem de quarta a sábado.

— Ela poderia cuidar da floricultura se você viajasse amanhã?

— Tenho certeza que sim. Você disse amanhã?

— Sim, vou ver se consigo passagens na balsa Spirit of Tasmania. Sei que parte de Sidney para a Tasmânia toda terça à tarde.

— Tasmânia! — Os olhos castanhos adoráveis se iluminaram. — Oh, eu sempre quis ir para lá. Vi um programa na televisão sobre esta viagem. Você pode pôr seu carro na balsa e tem cabines e tudo mais. Será como um minicruzeiro.

— Fico feliz que você goste dessa ideia. — Edward foi momentaneamente abalado por uma crise de consciência. — Tem certeza absoluta que quer fazer isso, Bella? A floricultura, o casamento, e tudo?

Bella ergueu o queixo, e havia um brilho intenso nos olhos.

— Absoluta.

— Então, que assim seja — disse ele.