Ela j se via caindo para dentro daquele buraco escuro nem tendo tempo de gritar quando algo segurou seu pulso e a puxou para tr s, havia se assustado e viu que era a m o de algu m segurando-a, virou-se para tr s rapidamente para ver que era Ralph.
Ralph? Disse o nome do rapaz com o cora o batendo r pido, quase havia ca do dentro de um buraco escuro, c us estava agradecida por v -lo ali, levou a m o ao peito acalmando a respira o, encarava-o agora que o susto passava e talvez ela viesse a dizer alguma coisa, mas ele falou primeiro parecendo preocupado.
Se machucou senhorita Liddell? Me perdoe por t -la puxado dessa forma mas voc poderia ter se ferido se ca sse. As palavras saiam com a mesma preocupa o, Alice ficou olhando-o antes de responder.
Ah...n o...por Deus n o se desculpe, voc evitou que ca sse, poderia ter sido bem ruim se o senhor n o tivesse me puxado...fico-lhe grata...muito mesmo. Agradecia de forma s ria e amig vel. Mas porque est aqui? Ela perguntou depois de algum tempo, j havia passado aquele susto e estava bem.
Ahn, bem sua tia me disse que seria bom fazer companhia a senhorita. Ele parecia meio constrangido ao falar passando a m o no cabelo e olhando para o lado enquanto dizia, ela teria rido se isso n o fosse chamar aten o.
Tudo bem, eu entendo.
Mas est bem mesmo? Insistiu em perguntar mais uma vez com a mesma preocupa o.
Sim, estou bem voc impediu que ca sse...e acho que seria uma queda e tanto... Disse olhando para o buraco.
Ah, sim, um buraco perigoso. Dizia ainda meio embara ado, quando o som novamente de terra passou por baixo de seus p s e a terra continuou a descer e antes que Alice percebesse o rapaz a puxou novamente para longe do buraco que se alargava como se quisesse puxar o que estava a volta para dentro dele.
Eu n o iria cair desta vez Ralph. Ela disse mesmo vendo que a terra descia com facilidade nas bordas da cavidade que se formava.
Isso est muito perigoso senhorita Liddell, e me desculpe novamente, melhor n o ficar perto o solo parece muito inst vel.
Tudo bem n o se preocupe. Disse mais uma vez. Apenas penso se deva haver grandes tuneis abaixo dessa entrada para que a terra fique desse jeito...
Ela parecia mais interessada nisso do que em estar ou n o bem, mas o rapaz n o se importou, e estavam falando h pouco tempo, mas quando deu por si j estava entardecendo.
Vamos voltar. Ela falou de repente indicando que iria embora, sairia dali rapidamente, mas ficou olhando para o buraco alguns segundos, sua entrada agora havia sido totalmente bloqueada pela terra que cedeu depois do primeiro desabamento, sem saber o porque isso a desapontou, mas resolveu ignorar esse fato, girou nos calcanhares e quase sem esper -lo voltou a passos r pidos, com medo de levar uma bronca por ter ficado zanzando por ai, para sua surpresa e alivio quando voltou ainda estavam l conversando e rindo, gostaria que nem tivessem dado por sua falta, mas se haviam mandado o rapaz no seu encal o isso n o era prov vel, quando sol j descia no horizonte que foram embora, despediram-se e certamente Alice percebeu os olhares que o pai de Ralph trocava com seus tios, certamente estavam tramando, e ela j sabia o que, mas ficou quieta, no caminho o tempo parecia come ar a ficar nublado indicando uma chuva breve, com o vento agitando as arvores na estrada enquanto seguiam para casa.
Em casa Alice j se encontrava em seu quarto quando o vento forte l fora agitava as arvores de um lado a outro zunindo e esparramando folhas por todo lado, Alice estava deitada em sua cama com um livro em m os, um sorriso pequeno no canto dos l bios, estava se lembrando do que havia acontecido no parque.
Realmente, ele se preocupa demais. Falou sozinha e riu lembrando da cara de espanto do rapaz quando ela quase caiu no buraco. Muito cavalheiro Mr. Burker.
Ela fechava o livro deitando de lado na cama, olhando para fora, e sem que percebesse adormeceu, quando acordou viu que estava come ando a anoitecer e embora o c u estivesse cheio de nuvens carregadas chuva insistia em n o cair, ela levantou sentando-se na beira da cama, sabia que est noite teriam visitas no jantar, umas amigas fofoqueiras de sua tia, Alice fez um carranca.
Tendo que receber visitas incomoda, ainda mais que os visitantes podem ser t o irritantes s vezes. Afirmava categoricamente a si mesma.
Muito inc moda, verdade. Uma voz chegou at ela suavemente, assustada, Alice quase deu um pulo na cama.
Quem est ai? Disse quase em um sussurro, encarando a dire o que supostamente havia vindo. Estou tendo outro sonho? Balan ou a cabe a, estava bem acordada, disso tinha certeza.
Se eu tivesse em mundo s meu, isso n o seria anormal, mas aqui, isso propriamente seria um absurdo.
Nada seria o que , porque tudo seria o que n o . A voz apareceu novamente, mas agora ela n o se assustou.
Eu devo estar ouvindo vozes acordada agora. Consolou-se, levantando e indo at a janela, quando viu um vulto branco passar logo abaixo no gramado pensou por alguns instante que pudesse ser a gata correndo da tempestade que estava se formando.
Apresse-se. Sussurrou a voz novamente, e pensando melhor, n o era Cicy com certeza, pois agora a via dormindo profundamente no banquinho de sua penteadeira, o que seria ent o? Aquilo ati ou sua curiosidade, afastou-se da janela saindo do quarto, desceu as escadas rapidamente chegando varanda, seus lhos correram por todo o jardim a procura do que seria aquilo, n o viu nada, o vento agitava seus cabelos e o vestido, colocou as m os para tr s e come ou a andar pelo jardim indo para os fundos. N o acredito que pensei que fosse aquela gata pregui osa! Falou de nariz empinado, olhando para cima, n o prestando aten o trope ou em algo que nem vira no meio da grama um pouco mais alta naquela parte. Mas que coisa! Praguejou ainda ca da, apoiou as m os no ch o, mas antes de se levantar assustou-se com um vulto branco que passara rapidamente a sua frente, prontamente se p s de p procurando o que era, quando avistou a silhueta de um animal branco movendo-se rapidamente por entre a relva que se tornava mais alta adiante.
Animal maldito, ent o era voc ... Disse a si mesma enquanto olhava a dire o em que havia ido, estava no meio da grama alta, se afastando, e ela sem saber o porque foi atr s, as rvores do jardim deixam tudo escuro quase como a noite, ent o na pouca luz ela s podia ver as longas orelhas brancas do coelho, ele estava indo a se afastar, at quando sa ram das sombras das arvores Alice pode ver a apar ncia do coelho e teve de cobrir a boca para n o gritar, engoliu o grito, com uma sensa o horr vel ao que vira. O pelo branco do coelho estava manchado de sangue e sujeira, algumas partes de sua pele haviam sido arrancadas e sua orelha direita havia estava dobrada, torta de uma forma nenhum pouco natural, era horr vel, mas ela percebeu que este vestia um casaco tamb m, este estava rasgado e sujo da mesma forma que ele, e que um dia deveria ter sido azul, ficou intrigada, imaginando que tipo de pessoa colocaria roupas em um coelho, e que poderia ter sido essa mesma pessoa a feri-lo dessa forma, Dinah muito menos Cicy nunca deixaram, ela sentiu tristeza ao ver seu estado, queria alcan -lo, talvez se pudesse pega-lo, se conseguisse, poderia cuidar dele, logo adiante ele parou levantando-se sobre as patas traseiras, era sua chance, correu mais r pido, para parar logo depois, o qual n o foi o surpresa dela ao v -lo tirar um rel gio dourado do bolso e apontar para o mesmo.
Apresse-se, siga-me! A voz parecia irritada, Alice ficou chocada, o animal havia falado? Estamos atrasados! Falou de novo, era isso mesmo, ele havia falado? E agora dizia que ela estava atrasada? Ficou est tica por algum tempo antes de perceber que ele voltava a correr novamente.
Eu acho que n o ouvi nem vi isso, mas essa nova. Falava um tanto assustada.
Parece que est ficando cada vez pior. N o v , n o v , n o v ! Isso s coisa de sua cabe a n o se deixe levar. Isso provavelmente o que os m dicos diriam! Mas o que eu estaria querendo em n o segui-lo, no fim das contas sou louca mesmo que n o quisesse...embora as vezes esconda isso eu tenho que fazer jus a minha loucura as vezes, e tamb m s para tirar conclus es, uma olhada s n o faz mal... Ela foi atr s dele, primeiro andando, depois apressou o passo quando ele se embrenhou em meio as folhagens do jardim, ela o seguiu e quando percebeu j estava correndo, tentando seguir o animal, o coelho passou ligeiro por debaixo de uma cerca ela fez o mesmo, claro que n o com a mesma habilidade nem da mesma forma, havia um campo seguido de um bosque depois dos limites da casa, mas ela n o estava prestando aten o onde ia e passou a parte mais fechada do bosque quase perdendo o coelho de vista a chuva come ou a cair fina e devagar enquanto o coelho surgia novamente em uma esp cie de clareira cercada a frente, e abaixo de uma dessas cercas havia um buraco, talvez uma toca, s que grande e ele entrou l . Ela parou quando chegou entrada era bem menor que sua altura precisou ajoelhar-se e abaixando um pouco o corpo e olhou para dentro tudo estava escuro logicamente.
N o acredito que estou fazendo isso, acabei de correr atr s de um animal ferido, um coelho falante e de casaco, acho que minha pouca sanidade est falhando de vez. Dizia, mas deu de ombros e n o hesitou em engatinhar para poder passar pela entrada, percebendo que medida que andava mais para dentro a toca inclinava para baixo enquanto se alargava e ficava mais alta, at uma hora em que podia ficar quase totalmente em p l dentro, o vulto do coelho corria logo adiante, resolveu ficar em p , ra zes pendiam do teto de terra parecendo cortinas, voltou a correr atr s dele novamente, um buraco muito comprido ao que parecia, pois corria por ele livremente, Alice pensava que se estivesse indo a enlouquecer novamente ela poderia ao menos se comprometer a ela, sua pr pria loucura, estava come ando a ficar mais escuro a cada passo que dava, tamb m porque j devia ser quase noite l fora, embora houvesse passado menos de um minuto, quando percebeu j estava tudo escuro frente e sem que pudesse ver ou perceber aquele t nel ent o se aprofundava repentinamente. E o ch o sumiu sob seus p s de forma t o inesperada que Alice n o teve sequer um momento para pensar antes de se encontrar caindo no vazio escuro, um buraco no meio do caminho, ela gritou de surpresa quando come ou a cair agitando os bra os como se assim pudesse evitar a queda, e quando pode se agarrou as ra zes nas paredes, seu corpo bateu contra a parede de terra do t nel, estava pendurada, seus p s n o pareciam alcan ar algum ch o, quando olhou para baixo s havia breu, sentiu medo quase p nico as m os j do am com o peso do corpo quando tentou subir, apoiando os p s nas paredes, n o conseguia, suas m os escorregaram quase machucando e ela caiu, s conseguiu proteger o rosto com os bra os esperando o momento do choque de seu corpo contra o solo, ela esperou, mas para sua surpresa isso n o aconteceu, e come ou a estranhar que n o parasse de cair, que realmente o buraco parecia ser bastante fundo, n o era normal, n o parecia real. Afastou as m os abrindo os olhos, estava caindo de costas e mesmo assim acima n o podia ver nada nem sequer um vest gio de onde caiu, com dificuldade devido velocidade que caia conseguiu girar o corpo, embora ainda estivesse escuro aos poucos come ava a se acostumar com a pouca luz, tentou olhar para baixo e saber para onde estava indo, estava escuro demais para ver alguma coisa, ent o olhou para os lados assim podendo ver as coisas a volta, ao seu redor desejando saber o que iria acontecer a seguir, ela j tivera alucina es antes, mas nunca completamente acordada. Essa vai ser uma noite longa, eu sei... Pensava no momento, talvez fosse um sonho mesmo.
Quando tinha sete anos havia ca do de uma arvore do quintal de sua casa, estava subindo para pegar Dinah que estava sob um galho escondida entre os ramos, ainda se lembrava da sensa o de medo que teve quando estava caindo, o frio no estomago como se houvesse um buraco nele, at podia sentir a dor que estava por vir, e o tempo parecia ter parado por um momento, depois do impacto.
Havia machucado o bra o quando caiu e seu pai a levou para o hospital, e durante todo o caminho tentou acalm -la dizendo que tudo ficaria bem. Era uma das lembran as que tinha de seus pais antes de morrerem, at mesmo estas mem rias estavam associadas com a dor.