Disclaimer: Os personagens pertencem a Stephenie Meyer, eu só brinco com eles. Respeitem minha brincadeira e não roubem! :)

O título vem da música dos Beatles de mesmo nome.

Tem um extra pra quem comentar... Veja lá embaixo!


Capítulo 13: And I Love Her

- Eu não acredito que você foi numa roda gigante! - a menina Bree exclamou, levantando da cama de tanta excitação. Bella olhou para a foto em sua mão, e riu.

- Fui, ué. E também numa montanha-russa que tinha lá, mas foi difícil fotografar.

Aquele fim de semana em San Diego tinha sido tão incrível, que se não fossem as fotos que Bella tinha acabado de revelar, ela jamais acreditaria que foi verdade.

- Eu sempre quis ir. Isso é não é justo! - sua irmã choramingou com um bico. - Você sempre faz as coisas mais legais.

- Oh pobrezinha da bebê Bree, não pode fazer nada. - ela zombou, puxando Bree para sentar novamente na cama ao seu lado. - Calma, menina. Quando eu era da sua idade eu quase não fazia nada legal. Você vai ter muito tempo pra fazer tudo.

- Vocês sempre dizem isso. E esse tempo que não passa. - falou, voltando a olhar foto por foto, no restante do bolo.

- Acredite em mim. Quando você tiver que fazer todas as coisas chatas que eu faço, vai desejar poder voltar aos dez anos.

- Duvido... Nossa, que foto linda. - ela mudou o assunto ao ver uma imagem de um por do sol, com Bella e Edward em primeiro plano. - Bom, tirando esse casal feio aqui da frente se agarrando em plena praia.

- Chata! - gargalhou Bella, vendo a mãe parar na porta do quarto, tendo chegado do trabalho. - Oi, mãe.

- Oi, meninas. Tudo bem?

- Uhum. Bella tá me mostrando as fotos da viagem. - Bree falou animada, e levantou-se para ir até a mãe carregando a foto do por do sol. - Olha que linda!

Porém Renee não compartilhou do mesmo entusiasmo. Deu uma olhada na imagem e sorriu um pouco amarelado. Bella percebeu na hora, é claro, mas não quis falar nada. Ela sabia que a mãe tinha dias bons e ruins - e hoje devia ser um deles.

- Lindo mesmo, filha. - falou Renee para satisfazer a mais nova.

- Vem ver, mãe. Ela tá me contando as histórias. Muito sortuda, ela conheceu um monte de artista lá do festival!

- Bree, depois eu vejo o resto, ok? - falou, impedindo que fosse puxada para a cama de Bella. - Vou deitar um pouco, minha cabeça tá explodindo.

- Ok... - a menina tentou não mostrar sua decepção.

- Vai lá, mãe. Vou esquentar o jantar pra gente. - Bella interveio. Elas trocaram um olhar e Renee saiu, deixando as duas meninas um pouco tristes. Ambas sabiam que algo estava errado, mas essas variações de humor da mãe não eram coisas que se falavam ali. Elas preferiam deixar Renee lidar com os problemas sozinha, e esperavam que no dia seguinte ela estaria melhor.

Cinco semanas haviam se passado desde a viagem, e mesmo tendo voltado à sua rotina, Bella ainda sentia uma certa leveza em seu espírito, apesar dos problemas corriqueiros. Estava quase certa de que o motivo era porque o segundo mês de namoro estava sendo incrível, melhor do que ela podia esperar.

Ela não conseguia se cansar de Edward. Cada descoberta que fazia sobre ele, ou cada coisinha nova que compartilhavam juntos era guardada com preciosidade em seu coração. Ela já não conseguia mais tirá-lo de sua mente. Mesmo que o verão tenha trazido a época mais movimentada para ambos, e mesmo que o rapaz tivesse viajado três vezes nesse mês, Bella nunca parava de pensar nele. Já era algo natural.

Para sua felicidade, o sentimento era recíproco, como ela podia sentir. A diferença era que Edward agia mais em seu afeto do que ela, telefonando ou trocando mensagens sempre que sentia vontade - por mais bobas que fossem as coisas que ele gostaria de conversar. E funcionava bem assim entre eles. As intermináveis horas dentro de um ônibus ficavam muito mais curtas quando ele podia ouvir a voz de sua morena.

Aquela mesma voz que um dia, no final de agosto, levou Edward a constatar algo valioso. Ele estava voltando de um show ali mesmo em Seattle, no carro de Alec, quando o caladão Ben berrou um palavrão ao seu lado.

- Puta merda! - todos olharam para ele, e até Alec deu uma freada que quase os levou a bater com suas cabeças no teto do carro.

- O que houve? - Edward perguntou exasperado, sem conseguir entender porquê o cara ao seu lado não desgrudava os olhos arregalados de seu iPhone.

- Não acredito! - Ben deu uma risada besta, sacudindo a cabeça. Finalmente virou-se e entregou o celular a Edward. - Você tem que ver isso, cara.

Ele não entendeu nada, mas mesmo assim pegou o iPhone. A tela mostrava a página de um tweet.

"(a)MileyCyrus: Fui bombardeada com esse video hj. Ainda bem que abri! WOW. A garota é incrível, vejam o q ela fez com The Climb"

O vídeo no Youtube já estava ali embaixo do tweet, apenas esperando que Edward desse o play. Porém seu coração começara a bater tão rápido quando reconheceu o rosto feminino na imagem congelada, que ele não conseguiu ter qualquer reação.

- O que... Que isso significa? - ele não era muito acostumado com essas novas redes sociais, porém tinha o pressentimento de que algo grande estava acontecendo.

- Significa que ela viu e compartilhou o vídeo que eu fiz da Bella, em San Diego. A bendita Miley Cyrus tuitou sobre ela! Tem noção disso?

- N-não muito...

- Você segue a Miley Cyrus no twitter, Ben? - Alec, que dirigia, zombou ao ouvi-los, mas foi ignorado.

- Quase onze milhões de seguidores viram esse link. Onze milhões, e olha só quantos retuites! - Ben constatou animado. - Os acessos no vídeo cresceram ridiculamente desde ontem.

- Mas que sortuda do cacete! - comentou Alec, enquanto Edward respirava fundo para ir à página do video.

Ele nem precisou prestar atenção ao som, pois era mesmo sua namorada ali. Então avaliou o resto. As visualizações contabilizavam 90 mil, e novos comentários não paravam de chegar. Pessoas dizendo serem fãs da cantora original e mesmo assim amando a versão da desconhecida que Miley tinha indicado, até pessoas que odiavam a estrela teen, mas não conseguiam parar de ouvir à voz daquela garota.

O que mais o impressionou, entretanto, foi a quantidade de gente querendo saber mais sobre a tal "Bella", como dizia na descrição. Eles estavam doidos para ouvir outras canções e havia dezenas de perguntas direcionadas ao criador do vídeo - "onde podemos encontrá-la?" era a mais frequente.

- Eles... Eles a amam. - Edward comentou, ainda um pouco atordoado. Uma coisa era poder ter o talento de Bella a sua frente, só para seus olhos, mas outra era compartilhar isso com o mundo. Era incrível saber que todos viam nela a mesma coisa que ele via. A mesma luz. Sorriu, satisfeito consigo mesmo: ele estava certo desde o início.

- Claro. - o rapaz ao lado respondeu. - Não sei como isso aconteceu, mas... Meu amigo, acho que a sua namorada agora é famosa na internet.

- A gente tem que fazer algo a respeito, Edward. - Alec comentou.

- A gente? - perguntou ele, confuso.

- Ok... Você... Ela, tanto faz. Bella precisa agarrar essa oportunidade. É agora ou nunca.

- Mas... Ela nem deve saber que esse video está rodando a internet. Se ela descobre que Bem colocou sem autorização...

- Se ela descobre, vai pirar de felicidade. Isso está dando uma puta visibilidade a ela. - Ben comentou.

A mente de Edward viajou um pouco. Será que essa era a chance de sua namorada? O quanto ele já não tinha a incentivado e encorajado a mostrar seu talento ao mundo? Depois de cantar para o público no aniversário dele, era claro que ela se sentia muito bem no palco. Eles não tiveram tempo de conversar a respeito, mas talvez agora ela já estivesse pronta.

Um impulso de uma ideia surgiu, de repente, deixando-o animado e ao mesmo tempo receoso. Certamente seu colega Ben viu o brilho que seus olhos receberam, e então perguntou.

- Edward... Está pensando no que eu tô pensando?

- Não sei? - perguntou com cautela.

- No nosso próximo show no High Dive... Nós podemos incluir Bella em algumas músicas do set.

Seu coração bateu mais rápido. A possibilidade de dividir um palco com ela, ali tão perto de seu alcance... Seria um pequeno sonho realizado.

- Sim, eu também pensei nisso. - confirmou ele, apenas para ter a realidade esmagando sua cabeça segundos depois. - Só que é uma ideia absurda. Ela não vai topar nunca. Tenho certeza que aceitou cantar no karaokê só porque estávamos longe de casa, dúvido que aceite cantar em Seattle, no próprio local de trabalho.

- Se eu ligar para Rosalie agora confirmando, Bella não vai poder dar pra trás. Ainda mais que Rose paga bem...

- Isso é tudo muito incrível, mas... Me deixe ao menos falar com ela antes.

- Edward, não seja otário. Ela vai te enrolar se você for tentar convencê-la. Essa garota precisa perder o medo do palco por bem ou por mal. Vamos lá. Eu ligo ou você?

Mesmo com uma sensação ingrata no peito, como se estivesse traindo os desejos de Bella, Edward concordou com a cabeça, rezando para estar fazendo a coisa certa.

- O que vocês acham, pessoal? - ele perguntou para o resto da banda, que concordaram sem esforço.

- A guria é muito boa, e linda. Pelo que eu vi naquele dia... parece que ela nasceu pra isso. - Alec, o porta-voz, se pronunciou. - Vai ser ótimo.

Edward lembrou-se da reação dela ao sair correndo da casa de Alec. Mas também visualizou os momentos felizes que ele e Bella poderiam viver através da música. Ele queria tanto, mas tanto que tudo desse certo na vida dela. Aquela garota tinha o arrebatado pra valer, e seu instinto de ver a felicidade dela falava mais alto que a lógica. Ele sabia que esse empurrão, apesar de perigoso, poderia acabar sendo uma benção. Decidido, ele esticou a mão pedindo o celular.

- Só espero que não esteja me metendo numa encrenca. - suspirou antes de discar para sua amiga Rosalie e confirmar o show com a mais nova convidada especial.

x-x-x

Assim que chegou em casa, a primeira coisa que ele fez foi pegar seu carro e buscar Bella. Rose tinha adorado a ideia, apesar de ter concordado com um pé atrás. Ela também não sabia muito bem como supriria a ausência de sua melhor bartender naquela noite, mas Edward mandou que desse um jeito.

Sua excitação não podia ser contida, e Bella percebia isso na atmosfera pequena no carro. Vendo o sorriso dele, ela precisou perguntar.

- Por que está sorrindo tanto, posso saber?

- Tenho novidades.

- Jura? Vai, me conta.

- Melhor não... Vamos esperar chegar na minha casa.

- Estamos quase lá. - falou, vendo a esquina se aproximar. Ela apertou a coxa dele para enfatizar. - Anda, fala logo. Odeio suspense.

- Eu preciso que você esteja sentada.

- Eu estou sentada. - protestou, indignada. Mas ele nada respondeu. O silêncio a deixou ansiosa, fazendo seu aperto na perna de Edward intensificar.

- Ai! - ele reclamou, estacionando em frente ao prédio. Virou-se para ver o bico irritado no rosto de Bella, e sua resolução amoleceu. - Está bem... Vou contar. Mas não se precipite antes de compreender tudo, ok?

- Ok...

Mesmo com medo da reação dela, Edward decidiu dizer de uma vez o principal. Só assim ela não fugiria da conversa. Respirou fundo, e foi em frente.

- Você tem um show mês que vem. No High Dive.

Bella pausou, pensando que não havia entendido direito.

- C-como? - perguntou.

- Eu consegui marcar com Rose, até acertamos o cachê, está tudo fechado... Você vai cantar com a gente. - ele explicou, olhando atentamente a expressão de Bella, à espera de sua resposta.

No entanto, ela ficou estática. Estoicamente em silêncio, com sua boca aberta por longos excruciantes segundos. O coração dele disparou, assim como o dela.

O rosto da morena empalideceu.

Edward tinha dito mesmo isso? Sim... Sim, ele tinha. O pânico subiu à cabeça dela, junto com uma raiva contida. Como ele podia fazer uma coisa dessas assim, sem nem consultá-la antes? Ela já tentava bolar desculpas para Rose, para poder escapar dessa confusão, mas antes precisava ter uma boa conversa com Edward.

Ou melhor, discussão.

- Você o quê?! - Bella falou, enfim, tão friamente que chegou a assustar o namorado.

A irritação nos olhos dela era imensa, e ele imediatamente se arrependeu de ter começado a contar daquela forma. Merda, ele tinha feito tudo errado. Agora ela iria fugir.

- Bella, calma.

- Eu estou calma!

- O que aconteceu é que... Eu não podia deixar passar a oportunidade. Ontem, na viagem de volta, Ben me mostrou um video... Bella, você nem faz ideia, a própria Miley Cyrus divulgou o seu video! - ele falava rapidamente, para que ela captasse tudo. Mas era impossível.

- Que video? Do que está falando? Que piada é essa? - perguntou completamente confusa.

- Estou falando do seu vídeo tocando na noite de karaokê no meu aniversário. O Ben gravou e colocou no YouTube. Os caras adoraram aquela noite, Bella. Todo mundo adorou! A garota divulgou na internet, e você não tem ideia de quanta gente já assistiu, quanta gente ficou interessada em você. - ele sorriu, entusiasmado. - Então Ben deu a sugestão pra que você fosse a nossa cantora convidada. E nós aceitamos...

Bella sentiu-se traída. Edward sabia o que ela pensava sobre cantar profissionalmente, será que ela não tinha deixado claro o suficiente?

- E por que você aceitou sem falar comigo?

- Porque... Eu pensei que era isso que você queria? - ele disse com cuidado, sem saber realmente como explicar que ele não queria que ela perdesse essa grande chance.

- De onde você tirou essa ideia? Porra, Edward! Agora como vou dizer pra Rosalie, pra todo mundo que eu amarelei?

- Mas... Você já cantou pro público. Você adorou, eles adoraram você. Eu pensei que já estivesse pronta pra encarar isso... Vai ser legal, eu prometo.

- Não! Você entendeu tudo errado. Mas que merda! - Bella virou-se, tirou o cinto e abriu a porta, saindo do carro com pressa.

- Bella, volta aqui! - ele chamou, indo atrás. Uma vizinha saía pela portaria e eles pegaram a porta aberta. Mas ela continuou correndo escada acima. - Como eu entendi errado? Me explica!

Eles só pararam ao chegar em frente a porta dele. Ela ficou ali, sem conseguir encará-lo, os olhos grudados no chão.

- A gente só estava brincando naquele dia! Só estávamos nos divertindo, está bem? - Bella esbravejou. - Como pessoas da nossa idade fazem. Pessoas normais, que saem pra beber, ficam um pouco mais soltas e acabam pagando micos num karaokê do bar da esquina. Foi só isso que aconteceu.

- Não houve mico nenhum. Você escolheu estar lá em cima daquele palco e foi um sucesso!

- Eu estava bêbada, ok?!

Edward a conhecia o suficiente para saber que ela estava mentindo. Para ele e para si mesma. A forma como sua cabeça estava baixa, e como a voz tremia, eram indícios de que nem ela acreditava de verdade no que dizia. Tudo não passava de um mecanismo de defesa. E ele não iria deixá-la se afundar nessa.

- Não. Não! - ele gritou um pouco mais do que o adequado, e ouviu uma porta do vizinho se abrindo. Antes de contribuir mais para o showzinho, resolveu destrancar sua porta, puxando Bella para dentro do seu apartamento.

- Me solta. - pediu ela, sendo atendida na mesma hora. Mas ele não iria desistir.

- Bella, eu não vou aceitar o que está tentando fazer. Eu estive lá quando você cantou, todos estivemos. O próprio Alec disse, você nasceu pra fazer isso, é perfeita pra cantar com a gente...

- E daí? Tanta gente nasceu pra fazer tanta coisa e mesmo assim não vai pra frente!

- E daí que me dói te ver trabalhando de madrugada, tendo que se virar com gorjetas pra pagar as contas, enquanto você tem tanto talento aí sendo desperdiçado... Bella, eu respeito muito seu trabalho no bar, mas eu não consigo mais assistir você vivendo uma vida que não vai te levar a lugar algum. Não é possível que você se sinta feliz assim.

Ela resfolegou, boquiaberta, como se tivesse levado um tapa no rosto, e o olhou sem acreditar no que ouviu.

- E quem é você pra me dizer se a minha vida vai a algum lugar ou não? Você não faz planos, Edward. Você vive à deriva, vai onde a vida te levar! E é muito fácil pra você dizer isso, porque você tem tudo. É livre, mora sozinho, tem um carro, tem contatos e emprego na hora que quiser, tem pais que apoiam seu estilo de vida. Mas adivinha só? Eu não tenho nada disso!

- Eu não vou cair nessa. - ele sacudiu a cabeça, andando de um lado a outro. - Você está me agredindo só pra não encarar esse assunto de frente, mas eu não vou deixar você entrar nessa armadilha.

Porém ela continuou, de braços cruzados parada na sala dele, raivosa e magoada, desabafando tudo que a sufocava.

- Você não tem ideia do que é viver com uma mãe depressiva que não aceita quem você é, que não apoia aquilo que você mais ama na vida! Não tem ideia do que é ter que largar tudo pra ajudar a sustentar uma casa aos 17 anos... – ela respirou. - Eu conquistei muito pouco, mas eu conquistei algo. E eu não posso simplesmente largar esse pouco agora pra me dedicar em uma coisa tão incerta. Não posso ser egoísta desse jeito com a minha família, você não entende isso?

- Bella, eu entendo o seu medo do desconhecido. É uma coisa incerta, de fato. Mas eu não estou aqui te forçando a seguir uma carreira, nem a abandonar seu trabalho no bar. - falou ele, frustrado. - Olha, me desculpa por ter marcado um show sem te consultar, de verdade. Mas estou só tentando dar uma chance pra que você se exponha, mostre seu trabalho, veja se gostam de você e se você gosta disso. É só um show, pelo amor de Deus, não é um contrato com uma gravadora!

- Não é só um show. Você não sabe como isso pode me afetar psicologicamente, como pode afetar minha relação com a minha família...

- A relação com a sua mãe, você quer dizer. - ele respondeu secamente.

- Que seja. Ela jamais aprovaria isso, e eu não posso simplesmente criar um conflito com ela por causa de um capricho meu... Não consigo.

- Um capricho? Bella, pare de complicar o que pode e deve ser simples. Você não ama a música? Não ama aquilo que faz parte da sua alma, como você mesma disse? Então por que relutar tanto?

Com um baque, uma série de lembranças atravessou a cabeça dela naquela hora. As apresentações no Conservatório de Música, os treinos com Edward, os momentos em família em que seu violão alegrava a casa, todas as vezes que precisava aliviar sua dor e compor era seu único alento. Era uma conexão forte demais para ignorar.

- Eu amo. Muito. Mas o amor não é o bastante. - ela suspirou, cansada demais. - A vida é muito mais complicada do que isso. E eu tenho que dar conta da vida real.

Ele viu Bella sentando no sofá, e a seguiu. Seu rosto parecia tão desolado, que mesmo estando com raiva pela teimosia dela, ele quis abraçá-la. Calada, sem responder, ela continuamente sacudia a cabeça. Parecia prestes a chorar.

Edward limpou a garganta e suspirou, tentando se acalmar e odiando estar brigando com ela.

- Você estava indo tão bem e, de repente, deu três passos pra trás. - falou ele com a voz baixa. - Eu não consigo entender. É só por causa da sua mãe, por medo de que ela não aprove? Se for isso, não se preocupe, ela nem precisa ficar sabendo... Do quê você tem tanto medo, afinal? Se abra comigo, por favor.

Ela engoliu em seco. Tentou se concentrar e reorganizar os pensamentos. Suas mãos tremiam por conta da adrenalina da discussão. Ela odiava isso tudo, queria se enfiar num buraco e não ter que lidar com essas questões. Mas parecia que, nos últimos tempos, cada vez mais esse fantasma vinha pegar em seu pé, e ela se via frente a frente com a decisão novamente: deveria ou não seguir seu sonho de trabalhar com a música?

Bella suspirou duas vezes, e enfim falou.

- Toda vez que eu sequer toco meu violão, a minha mãe vem com lições de moral e sermões dizendo que eu não posso ficar perdendo tempo com essas coisas que não dão futuro. Dizendo que eu preciso me focar e trabalhar pra não desestabilizar nossa família, que preciso ter pé no chão. E eu aceito isso, porque ela está certa. Meu pai nos deixou cheias de dívidas, e parece que tudo é uma bola de neve, a cada ano piora...

- Você nunca me contou essas coisas. Poxa, a gente pode dar um jeito nisso, eu posso arranjar uma grana...

- Não, Edward. Eu agradeço, mas esse fardo é só meu e da minha mãe. Não gosto e nem acho justo dividir com ninguém de fora.

- Odeio que você pense assim. Mas vou te respeitar... – ele suspirou e ajoelhou-se diante dela, pegando sua mão. Precisava tentar uma última vez. – Bella. Considere só esse show, por favor. Se resolva com a sua mãe depois, mas não jogue fora essa oportunidade. Eu garanto que pode te trazer coisas boas, nem que seja um retorno financeiro bacana, que pode te ajudar mais esse mês... O cachê é muito bom.

Ela sacudiu a cabeça sem parar, sentindo o nó na garganta. Lembrou-se que já tinham tido essa conversa, essa mesma discussão no cemitério, sob a chuva. Por que ele não consegue aceitar e entender? Por que ele não desiste de mim logo?

- Não posso, Edward. Não consigo. - ela falou baixinho e quase chorando. - Eu também nem sei se teria coragem... Me apresentar com profissionais... Na minha cidade, no meu trabalho, é muita pressão. Além de tudo, eu tenho pavor de não conseguir, de ser um fracasso. Isso me destruiria. Tenho um caso sério de medo do palco.

Sua namorada estava sendo dramática ao extremo, e ele simplesmente não poderia deixar isso acontecer. Pegou mais firme em suas mãos.

- Acredite em mim, é impossível você fracassar. Eu já vi muita gente batalhando pra entrar nesse ramo, mas a maioria não tinha nem um terço do seu talento. Você tem... alguma coisa. Você é especial... Nós vamos ensaiar bastante até você perder esse medo do palco... Bella, aceite a minha ajuda. Se eu posso te ajudar a encontrar seu espaço, então me deixe te ajudar, por favor. Você precisa disso.

Ela se levantou, cansada de tentar se explicar.

- Eu não preciso deajuda. Não preciso da sua pena, nem que você seja bonzinho só porque estamos juntos, ok? - falou, limpando as lágrimas.

Aquilo o fez sentir-se ultrajado. Magoado por Bella estar agindo de uma forma tão petulante e de cabeça pequena.

- Não distorça minhas palavras. Estou falando só a verdade, que eu posso te ajudar a encontrar um caminho que te deixe realizada. Você acha que estou fazendo isso por pena? Eu não preciso ser bonzinho, e nem você precisa da minha pena. Caramba, eu pensei que você confiasse e acreditasse em mim! Quantas vezes falamos sobre isso?

Bella não sabia mais o que estava acontecendo ali. Então andou na pequena sala do apartamento, inquieta, gesticulando com os braços ao exclamar.

- Eu sei lá, Edward! Já vi e ouvi muita coisa nessa vida! Eu sei muito bem que nada vem numa linda caixinha de veludo pra mim, nada vem de uma maneira tão fácil assim. Uma cantora famosa divulgou meu vídeo na internet? Que desculpa mais esfarrapada só pra me fazer aceitar um convite!

Edward grunhiu de frustração, seu cabelo sofrendo os abusos de sua irritação ao serem puxados pela raiz.

- Não foi uma desculpa, é apenas a verdade! E você está sendo absurda! - sibilou com irritação. - Mas que merda, por que tem que ser tão teimosa? Por que não pode engolir a teimosia e seguir um conselho? Não custa nada.

Bella saiu marchando pela casa e entrou na cozinha à procura de algum alívio – uma garrafa de vodka ou coisa parecida, embora soubesse que o namorado não guardava álcool em casa.

Edward não perdeu tempo, e já estava em seus calcanhares, perseguindo-lhe irritantemente no pequeno apartamento.

- Porque eu não quero e não posso, e já aprendi a lidar com essa realidade há muito tempo. E ponto final! - ela praticamente berrou.

- Duvido que você mesma acredite que essa realidade não possa ser mudada de jeito nenhum. - falou o rapaz, logo atrás dela. - Você está tentando convencer a mim ou a você? Hein? Pois é isso que parece!

Ao ouvir aquilo, a última linha de paciência de Bella rompeu-se. Seu sangue martelava em suas orelhas e o coração no peito. Ela sacudiu a cabeça.

- Por que você se importa tanto, afinal? - gritou, batendo as portas dos armários. - Esse assunto é problema meu! Que merda, Edward! Chega, chega!

As palavras bateram com força no rosto dele, quase o ferindo. Mas ele não iria dar o braço a torcer. Não assim.

Foi naquele momento que o que estava borbulhando na superfície, apenas esperando uma oportunidade para sair, escapou. Aquilo que esteve na ponta de sua língua pelas últimas duas semanas, no mínimo.

Ele vociferou a primeira e única resposta verdadeira que poderia dar.

- Eu me importo tanto porque eu te amo, porra!

Ambos se calaram.

O silêncio tão cru, e a tensão que sufocava os dois se estenderam por muito tempo. Ele viu Bella parar seus movimentos eufóricos em busca de algo na cozinha e congelar no lugar, de costas para ele. Seu peito estava tão acelerado, que ele quase perdera o fôlego.

Bella virou-se de súbito.

- Você o quê? - perguntou ela numa voz baixa defensiva. O olhar de fúria começou a dar lugar a um mais suave.

- Eu te amo. - ele repetiu, seguro do que dizia. - É por isso que eu me importo tanto com a sua felicidade e só quero seu bem. Eu te amo e quero te ver feliz, Bella. Entenda isso.

O mundo girou em torno deles – e era em câmera lenta, Bella tinha certeza.

Ela não sabia como reagir. Afinal, nunca tinha passado por isso. Seu coração pulava com várias emoções distintas, e por inexperiência, dúvida era uma delas. Edward a amava? De verdade? Aquele homem incrível, aquela pessoa iluminada gostava tanto dela a ponto de dizer aquilo? Ela sempre achou que merecia achar um parceiro como ele, pois pensava ser uma boa pessoa. Mas sempre foi cética quanto a idealização de romances e príncipes encantados, e tinha certeza que nunca o encontraria. Alguém como ele não aparecia o tempo todo. Era difícil acreditar. Era um sonho.

- Desde quando? - foi a primeira coisa que lhe veio à mente e saiu de sua boca. A garota estava genuinamente curiosa, mas desejou não ter soado grossa ou insensível.

Edward comprimiu os olhos, rindo secamente e sem humor.

- Bem, não era essa resposta que eu esperava ouvir, mas tudo bem...

- Não, espere. - ela deu um passo e pegou a mão dele quando ameaçou sair da cozinha. - Eu só... Desculpe. Isso me pegou de surpresa.

- Tudo bem. Agora você já sabe. - ele deu de ombros, tentando parecer casual e despachado, mas internamente repetia o mantra "por favor, diga que me ama. Por favor, me ame de volta. Por favor, que eu não tenha estragado tudo hoje". A insegurança tentava o envolver por inteiro.

Bella varreu os olhos pelo cômodo antes de encontrar os de Edward novamente. Ela queria expressar o sentimento que nutria por ele. Ambos mereciam isso. Mas será que era amor? Ela nunca sequer havia sentido algo parecido.

Fechou os olhos para suspirar profundamente e, naquele breve instante, sua mente concatenou uma cena: Edward lhe esperava em uma casa, rodeado por dois pequeninos, num ambiente repleto de luz, risadas, música e amor. Aquela família perfeita de comercial de margarina, e lá estavam eles.

Bella sabia que seu subconsciente exclamava o que ela tinha desejo de tornar uma realidade. Era o seu instinto, e ela sabia que estava certo desde o primeiro dia. Os laços que sentia por ele eram fortes demais para passar batido. Iam além de tudo o que ela já conhecera.

- Eu... Eu acho que amo você também. - disse, afinal, timidamente.

Em suspense, viu o verde do olhar de Edward brilhar por um momento.

- Você acha?

Merda. Por que ela não conseguia se expressar direito?

- N-não, quero dizer, é porque eu não sei exatamente o que é. Eu nunca me senti assim por ninguém. Mas isso agora entre nós é muito forte, e eu já não vejo meu futuro sem você. Então... só pode ser amor. Certo? - ela balbuciou, como uma criança aprendendo a fazer contas de cabeça.

Edward sorriu enquanto via a constatação dos fatos acontecer diante a ele, dentro daquela linda cabecinha brilhante que ele tanto adorava.

- Certo... - o rosto dele reluzia de alegria, embora contido.

Bella, então, despiu-se da armadura de durona e o abraçou, desmanchando-se em seus braços, agarrando forte e sendo agarrada de volta. Aos poucos, foi concluindo que não fazia sentido brigar por algo que ele estava fazendo apenas para o seu bem, para que ela tivesse um pouco de felicidade, nem que fosse por uma noite.

Ela sentiu que deveria baixar a bola e deixar de ser tão orgulhosa e aceitar sua ajuda, ao menos uma vez. Seria difícil, mas ela prometeu a si mesma que tentaria aceitar que existiam pessoas no mundo que realmente queriam o seu bem. Que existiam pessoas que a apoiavam e queriam vê-la brilhar. E ela tinha a sorte de que uma dessas pessoas era seu namorado.

- Vem cá. - Bella disse, ao se afastar, pegando em sua mão para sentar novamente no sofá. - Tenho que te falar duas coisas.

- Sim?

- A primeira é que eu fiquei muito assustada, e estou realmente muito puta por você ter marcado um show pra mim sem eu saber. Eu não quero nunca mais que isso se repita, sobre qualquer assunto. - falou, convicta. - Eu gosto e preciso ter minha independência, eu prezo pelo meu poder de decisão sobre as coisas. Mesmo que você ache que está fazendo a coisa certa, me consulte antes.

Edward pendeu a cabeça, um pouco envergonhado. Ele sabia, desde o início, que isso não ia prestar. Mas acabou fazendo mesmo assim, por pura ingenuidade e por achar que ela não resistiria tanto.

- Você está completamente certa. Eu errei, peço desculpas. Mas, de qualquer modo, eu não ia te obrigar... Eu só insisti porque acredito que tem tudo pra dar certo. Quero que faça o que tiver vontade. Se não quiser ir mesmo, a gente desmarca e arranja outra cantora.

- Certo... - Bella assentiu sua compreensão. - Bom, e a segunda coisa é que... Me desculpe pelas minhas grosserias. Esse é um assunto delicado pra mim, e eu fico cansada de ter que me explicar toda vez que ele surge. Me deixa à flor da pele.

- Não tem problema, eu entendo. Apesar de não concordar... - ele murmurou e a olhou com intensidade. - Eu só queria te pedir, pela última vez... Ao menos considere. Me prometa que vai pensar com carinho em tudo que eu te disse? Pensará na minha proposta de fazermos você dar certo, nem que seja só um primeiro passo?

Bella soltou a respiração.

- Eu não vou prometer que minha resposta será positiva, mas prometo que vou pensar, em consideração a você. Eu sei que suas intenções são as melhores e que você só quer o meu bem.

- Sim, meu amor. - ele falou e Bella sorriu, ainda se acostumando com as expressões amorosas.

- Não acredito que você falou nosso primeiro eu te amo no meio de uma briga. Isso é tão clichê... - ela zombou.

- Não foi o melhor momento, mas eu não consegui não dizer. Simplesmente saiu. Quase me arrependi. - retrucou ele, visivelmente embaraçado.

- Não precisa se arrepender... Eu te amo. - ela disse com mais força dessa vez, as palavras enfim tomando forma e se instalando em sua boca.

- Tem certeza? Eu não quero te pressionar mais a nada, se quiser mais um tempo pra pensar se está certa disso mesmo, tudo bem...

- Edward.

- Quê?

- Cala a boca. E me beija.

Sacudindo a cabeça, Edward sorriu e a puxou para que ela sentasse em seu colo.

- Eu também te amo. - sussurrou, enfim, e se inclinou, tomando os lábios dela docemente. O beijo terminou naturalmente após uns minutos e eles se abraçaram, por um longo tempo.

- Eu odeio brigar com você. - Edward sussurrou em seu ouvido, passando as mãos nas costas dela.

- Eu também. - Bella respondeu, não querendo desgrudar do abraço.

- Já notou que as duas únicas vezes que discutimos foi pelo mesmo assunto?

- Já... E é sempre por minha culpa. Sou uma mula empacada e teimosa...

- Shh. Você não é nada disso. Bem, um pouco teimosa, talvez, mas agora eu te entendo. Você só tem medo.

- É...

- Me deixa te ajudar a se livrar desse medo, Bella. Eu tô aqui, eu quero te apoiar.

- Eu sei. Eu sei, e eu te amo por isso. - ela fungou o nariz, não mais pelas lágrimas, mas agora para sentir o cheirinho gostoso do pescoço dele. Deixou um beijo ali e pediu, - Tenha paciência, por favor.

- Vou tentar. Mas tenho pressa de te fazer feliz.

- Você já me faz. Todo dia.

Mas ele gostaria de fazê-la feliz agora.

Ele a levou para o quarto e, sem pressa, se amaram até a noite quase virar dia. Quando estavam esgotados e satisfeitos, Bella sentiu o peso do dia e deixou as lágrimas de emoção caírem. Eles se abraçaram por muitos minutos no quarto silencioso.

Enquanto seus olhos estiveram fechados naquele abraço, Edward desejou intensamente que pudesse livrar Bella de todos os receios que havia em seu coração, pedindo forças para conseguir ajudá-la em seu caminho que tinha tudo para ser fantástico.

E lá no fundo, ele tinha a certeza de que iriam conseguir. Sim, pois eles estavam nessa juntos.


N/A: Vou enviar um EXTRA do lemon amorzinho, o sexo de reconciliação. Quem quiser, é só comentar, com seu login nesse site ou deixando email em forma de frase (por underline exemplo arroba gmail ponto com).

O que acharam? Louca pra saber!

Beijos!