Capítulo 13 – Little secrets can be keep?
BPOV
Apressei o meu passo ao ouvir o sinal ecoar pelo corredor. Dois minutos mais tarde bati na porta da sala de aula e aguardei o Sr. Fletcher me conceder licença para entrar, seguindo para o meu lugar ao lado de Alice.
- Atrasada outra vez, Bella! – Ela sussurrou mal eu me sentei ao seu lado.
- Não ouvi o despertador tocar. – Sussurrei de volta e abri meu caderno para copiar as anotações que o professor escrevi no quadro-negro.
- Já é a terceira vez essa semana. Você deve parar de ir dormir tarde, Bella. – Ela me censurou. – Isso vai te fazer mal!
- Eu não tenho culpa, simplesmente tive insônia esses dias. – Repliquei mal humorada e um pouco alto, fazendo com que o professor se virasse para trás, mas nos calamos e ele voltou sua atenção para o quadro.
Ficamos a aula toda em silêncio. Olhava de relance para Alice e via que ela estava impaciente. Mal o sinal tocou ao fim da aula, o professor mal tinha saído da sala, Alice já tinha recolhido todo seu material e olhava para mim irritada.
- Agora vamos conversar. – Ela falou quando me levantei com meu material.
- Agora não dá, temos outra aula. – Tentei fugir do assunto e sai da sala.
- Tá vendo, Bella! – Alice veio atrás de mim pelo corredor. – Ainda por cima você anda tão mal humorada ultimamente. Isso é tudo reflexo dessas suas noites mal dormidas!
- Você acha que eu não estou dormindo por que eu não quero? – Retruquei, parando de andar e a encarei.
- Mas alguma coisa deve estar te preocupando, não? Para te tirar o sono dessa forma. – Ela insinuou com um olhar desconfiado.
- Claro que eu estou preocupada. As férias da páscoa estão se aproximando, um acumulado de provas e trabalhos, fora meu pai sempre me pressionando com as admissões para a faculdade! – Recorri a primeira desculpa que consegui lembrar, apesar de não ser de todo uma mentira.
Alice recuou um pouco, sua expressão mais branda.
- É, talvez eu tenha exagerado, não sei... Eu fiquei muito chateada com o seu comportamento esses dias, você sempre tão distante, tão estranha. Foi infantilidade da minha parte, desculpa. – Ela falou com uma voz manhosa muito típica dela quando estava arrependida. – Se você tivesse me falado, eu teria te ajudado de alguma forma.
- Tudo bem, Alice. Sem danos, sem culpa. – Brinquei para amenizar o clima e ela riu. – Obrigada por se preocupar, eu prometo que te falo se tiver com problemas de novo. Agora vamos.
- Vamos. – Ela respondeu e começou a andar.
Seguimos pelo corredor em silêncio. Alice parecia sim mais calma, mas se tratando dela eu tinha que tomar um cuidado redobrado nas minhas atitudes. Na verdade, o fato de que ela não havia descoberto ainda que eu estava com seu irmão significava que estávamos sendo discretos o suficiente para desviar a atenção dela para longe de nós. E também tinha Jasper, que poderia ser o fator maior de distração dela, para não ver o que se passava debaixo do seu próprio nariz.
Fiquei tão alheia em meus pensamentos que não percebi quando Alice tomou um caminho que não nos levaria à sala de aula.
- Aonde estamos indo, Alice? – Perguntei e me apressei para andar ao seu lado.
- Ah, que cabeça a minha. – Ela bateu com a mão na testa não diminuindo o ritmo de seus passos. – Edward me pediu que fosse até a secretaria antes do intervalo porque ele tinha algo importante para me dizer. Ainda temos tempo, você não se importa de ir lá comigo, não é?
A expressão dela era amena, não parecia desconfiada, mas estava ficando com receio de deixar algo relevante transparecer para aqueles olhos observadores demais.
- Na verdade, eu tenho algo que preciso falar com o Sr. Smith antes da aula de álgebra. – Eu disse parando de andar e pude vê-la voltar-se para mim com um olhar indagador, rezei para que não tivesse parado tão abruptamente assim. – Você sabe quantas dúvidas eu tenho nessa disciplina em especifico e depois daqueles exercícios da semana passada, elas aumentaram. – Eu fiz minha melhor expressão de sofredora e a encarei. – Aquele homem me detesta.
Alice ainda me encarava com uma sobrancelha arqueada como se avaliasse se eu estava sendo sincera ou não. Eu odiava aquilo nela, odiava também ter que enganá-la assim, mas odiaria ainda mais estar em um mesmo lugar com ela e Edward, odiaria também encará-lo, a verdade é que eu andava o evitando nos últimos dias, minha insônia tinha uma única razão: ele.
- Aquele homem detesta todo mundo! – Alice revirou os olhos ao que eu sorri discretamente por tê-la convencido mais uma vez. – Não é só com você.
- Então, você entende o motivo pelo qual eu preciso ir e não posso te acompanhar? – Eu perguntei me certificando que não havia nenhuma dúvida da parte dela.
- É claro, Bella. – Alice disse sorrindo. – Me lembre que eu preciso te contar algo muito importante, deveria ter falado há mais tempo mas você estava tão distante. – Ao ouvir isso meu sorriso sumiu novamente e eu agarrei o livro de álgebra com mais força.
- Tão importante assim? – Perguntei procurando não demonstrar nervosismo. – Não poderia me falar agora? Sabe como sou curiosa.
- É preciso tempo, Bella. É uma conversa delicada.
- Sobre o que? – Indaguei enumerando na minha cabeça toda a lista de possíveis motivos que a fariam ter uma conversa séria comigo e torci para que fosse algo com Jasper.
- Depois eu te falo. – Ela disse olhando no relógio. – Os minutos estão passando, preciso ir.
Ela seguiu andando pelo corredor enquanto eu me virava e partia pelo caminho oposto, repassando em minha mente meu ultimo encontro com Edward.
Estava na minha última aula da semana, Filosofia, e não faltava muito tempo para o sinal tocar, mas parecia uma eternidade. Ultimamente estava quase impossível ficar no mesmo lugar que Edward com todos aqueles olhares ao redor prontos para flagrarem qualquer mínimo sinal de envolvimento nosso. Isso nunca havia mudado desde os boatos que rolaram no feriado de ação de graças. Naquele tempo eu não precisava me preocupar com esses rumores, mas agora cada movimento meu era meticulosamente precavido, a paranóia estava me consumindo, mal abria a boca para questionar alguma duvida. Edward também desempenhava uma máscara impecável. Seus olhos mal corriam pelo lugar aonde eu me sentava, pelo menos não menos do que para o restante de todas as alunas.
- Então, vocês terão que trazer o relatório dos capítulos 15 e 16 do livro para a próxima aula. – Edward disse e algumas meninas começaram a protestar.
- Mas, professor, os capítulos são enormes e temos muitos trabalhos para fazer neste fim de semana. – Rebecca protestou bem ao meu lado, o que fez com que Edward olhasse para mim também, ao que eu apenas desviei o olhar para minha mesa.
- Vocês têm cinco dias para fazerem esse relatório, Madisom.
- Edward acrescentou e não deu mais explicações. Só então percebi a maneira como o humor dele parecia um pouco seco.
Antes que mais alguém pudesse reclamar, o sinal tocou e Edward nos dispensou. Guardei meus matérias vagarosamente na mochila, concentrada neles, era meu hábito criado aquela semana em todas as aulas dele, sempre esperando que ele saísse primeiro da sala. Me assustei ao levantar a cabeça e ver que Edward ainda estava na sala.
Ele parecia cauteloso, seu olhar era ansioso sobre mim. Eu estava assustada, com medo de que alguém voltasse e tirasse alguma conclusão sobre aquele momento. Ele riu ao perceber meu medo e fiquei mais confusa ainda.
- Bella, eu posso falar com você? - Ele perguntou meio hesitante e deu um passo em minha direção.
Ele olhou sugestivamente para mim, se aproximando mais um passo.
- É importante? Por que eu estou ocupada agora, Edward, eu... - Tentei procurar alguma desculpa imediata, mas ele pareceu perceber.
- Certeza? – Ele indagou se aproximando, ao que eu me afastei, procurando manter uma carteira de distância entre nós, uma distância que eu julgava segura.
- Não é bom ficarmos muito perto. – Eu justifiquei segurando meus materiais como uma barreira de proteção. – Você sabe.
- Tudo bem. – Ele colocou as mãos no bolso do casaco que usava e deu um passo atrás. – A questão é que você tem se afastado e eu não sei o motivo. Eu fiz alguma coisa errada?
Eu sorri ao vê-lo com aquele olhar preocupado e mordi os lábios para não falar o quão maravilhoso ele ficava com aquela expressão, eu queria abraçá-lo e beijá-lo, mas não podia, não ali, não naquele momento, talvez uma semana atrás eu o fizesse, mas não hoje.
- Não. O problema é que tenho andado ocupada esses dias. – Eu disse ainda o mirando seriamente.
- Semana passada era o seu pai que te tirava de mim. – Ele disse passando as mãos nos fios de cabelo nervosamente e eu desejei que a minha mão pudesse estar ali. – E agora? Qual é a desculpa?
- Não é desculpa. – Eu disse suspirando. – Apenas penso que deveríamos ser mais cautelosos, qualquer um pode aparecer e ouvir essa conversa, principalmente a Alice. – Eu o encarei, mas ele continuava duvidando de minhas palavras. – Eu não o tenho evitado, só não deveríamos ficar tão dependentes um do outro.
- Eu não estou dependente de você. – Ele murmurou ao que eu sorri.
- Mas eu estou. – Eu disse me aproximando dele, me recriminando por dentro por dizer aquilo. – E não é bom para nossa relação isso, principalmente a relação que nós temos. Entende agora o motivo pelo qual eu estava distante?
- Acho que sim. – Ele disse me olhando nos olhos.
- Tenho que ir agora. A biblioteca me espera. – Olhei para porta de relance para ver se tinha alguém lá e como não havia ninguém arrisquei um rápido beijo em seus lábios. – Qualquer coisa me liga. – Disse saindo e o deixando ali com menos dúvidas na mente, isso era o que eu esperava.
Suspirei pesadamente ao relembrar tudo o que vinha acontecendo nesses dias. Eu me sentia estranha, sabia que estava negligenciando a nossa relação, mas não era só a ele que estava evitando, meu pai também entrava nessa lista assim como o professor Smith, a quem eu teria que recorrer para tirar alguma dúvida da matéria da aula passada. Ele era detestável, mas uma coisa que eu havia aprendido com Alice era: se você mente, minta direito, não deixe buracos a serem preenchidos.
Suspirei novamente e olhei meu livro de álgebra o folheando procurando alguma dúvida em algum exercício, mas meu pensamento não estava ali. Pensava que talvez eu sentia falta de estar com Edward, ele demonstrava se importar comigo como nenhuma outra pessoa nunca se importou, com exceção da minha mãe.
Balancei a cabeça procurando uma maneira de afastar aqueles pensamentos e coloquei o livro de álgebra novamente dentro da mochila pensando que teria que improvisar daquela vez. Passei as mãos em meus cabelos andando lentamente, tentando contar os passos para chegar à sala de aula, mania que tinha sempre que queria evitar alguma situação quando escutei meu celular tocar, mas aquele não era o toque de uma chamada e sim de uma mensagem.
Busquei o celular na minha bolsa, tarefa um pouco complicada as vezes e sorri ao conseguir achá-lo, mas meu sorriso se desvaneceu ao ler a mensagem.
Trabalho bem escutado até agora. Não esqueça de sua missão.
xxx
Andava pelo longo corredor do dormitório a passos lentos, como se me arrastasse mediante a grande quantidade de livros que carregava na minha mochila.
Após as aulas do período vespertino e uma hora de estudos na biblioteca agradeci por não ter tido nenhuma aula com Alice e não tê-la encontrado durante o almoço, mais uma pessoa que eu evitava ainda perturbada por aquela mensagem em meu celular.
Suspirei resignada ao encarar a porta do meu quarto pensando que poderia tomar um banho quente e demorado e me aconchegar debaixo do edredom, mas todos os meus planos foram cancelados quando eu abri a porta e vi Alice bem confortável em cima da minha cama, cantarolando uma música antiga enquanto passava esmalte nas unhas da mão.
- Bella, estava esperando que você chegasse. – Alice disse alegremente enquanto tampava o esmalte com atenção para não estragar as unhas recém pintadas. – Precisamos conversar.
- Agora? – Eu indaguei com uma expressão cansada colocando minha mochila em cima da escrivaninha e me sentando à sua frente na cama.
- É importante, muito sério! – Ela me olhou suplicante enquanto suas mãos estavam esticadas no alto bem agitadas. – Há dias venho tentando falar com você!
- Agora você está me assustando, Alice. – Tentei analisar a expressão dela, e aparentava a mesma euforia de sempre. Isso me aliviou um pouco. Só então me dei conta do quanto o medo de ser descoberta estava me deixando cega fazendo com que eu me esquecesse que ao meu redor aconteciam outras coisas que não envolvesse minha relação com Edward. Aquela hesitação toda por parte de Alice só poderia ter uma razão: Jasper.
Comecei a rir, mais tranquilizada e Alice me olhou um pouco aborrecida.
- Do que você está rindo? – Ela me perguntou de cara feia.
- Não é nada, só me lembrei de algo engraçado. – Falei me recompondo. – Vai, me conta logo que eu estou curiosa.
Alice me olhou ainda mal humorada por uns segundos, mas depois se animou logo.
- Antes de tudo eu preciso que você me responda uma pergunta. – Ela disse me encarando ao que eu me mantive em silêncio aguardando a pergunta. – Você ainda é virgem?
- O que isso tem haver Alice? – Eu indaguei sorrindo não entendendo onde ela queria chegar com aquilo, mas ao olhar para os olhos brilhantes dela compreendi. – Não me diga que você e o Jasper...
- Você não vai me julgar por isso, não é? – Ela me perguntou séria quando meu sorriso se desvaneceu.
- Não, não vou. – Eu disse surpresa por saber daquilo, era algo que eu não esperava. – Mas nós conversamos sobre isso, me lembro que não faz muito tempo, e você me disse que queria esperar até que estivesse pronta.
Era um típico dia chuvoso de fevereiro. Estávamos em meu quarta folheando algumas revistas de moda, eu tentava distrair Alice, pois ela ainda estava triste com a morte do reverendo John, que havia sido há poucos dias.
- E você e Jasper, como estão? – Eu perguntei enquanto tentava começar algum assunto que não a entristecesse e o único que eu poderia pensar no momento era Jasper, seu novo namorado.
- Bem, eu acho. – Ela disse enquanto folheava uma revista deitada na cama de bruços com os cotovelos apoiados no lençol. – Ele é diferente de todos os outros garotos com quem fiquei ou com quem eu namorei.
- Talvez seja porque ele não é um garoto. – Eu disse revirando os olhos.
- Mas não nesse sentido Bella. – Ela disse me encarando. – O que eu sinto por ele, eu nunca senti por mais ninguém. Não só por ele ser mais velho, mas porque ele me faz bem, me faz mais feliz.
- Que bom que você se sente assim. – Eu disse olhando para uma reportagem na revista que estava em minhas mãos desviando sua atenção para que ela não perguntasse nada sobre mim.
- Você sentiu isso pelo Peter? – Eu a conhecia bem demais apesar do pouco tempo de convivência para saber que ela me perguntaria algo parecido.
- Provavelmente não. Eu gostava dele, estava acostumada com ele, o conheço desde a minha infância, tinha afeição por ele, porém não tinha nada carnal, se é que você me entende. – Eu a olhei e ela estava sorrindo mediante ao meu comentário.
- Isso é frustrante, não é? Havia um garoto que eu ficava que era assim também. Não durou uma semana. – Ela disse sorrindo ao que eu gargalhei.
- E você e o Jasper? Como são na parte física?
Alice hesitou por alguns segundos, enquanto desviava seu olhar do meu folheando a revista novamente.
- Os beijos são muito bons isso eu não posso negar. – Ela disse enquanto balançava seus pés no ar ainda folheando a revista. – Porém, eu tenho medo quando a coisa fica mais séria.
- Por quê? – Eu indaguei não entendendo o ponto de vista dela.
- Ah, ele é mais velho, mais experiente, eu ainda sou virgem! – Ela exclamou um pouco exaltada. – O que ele vai pensar?
- Por que você está pensando nisso?
- Não é que eu queira transar com o Jasper, estamos namorando há apenas algumas semanas. – Ela disse colocando uma mão no queixo. – No entanto, vai chegar um momento que eu vou querer isso.
- Bom, eu definitivamente não posso te ajudar. – Eu disse desviando meu olhar para a revista que ainda estava em minhas mãos.
- Não me diga que você e o Peter com todo esse tempo de namoro nunca... – Ela começou se sentando na cama surpresa.
- Eu tenho minhas convicções e essa é uma delas.
- O quê? Se manter virgem até o casamento? – Ela indagou incrédula.
- Exatamente.
- Duvido que quando você arrumar um namorado como Jasper, essa sua convicção se desmoronará.
- E eu esperaria até que estivesse pronta. – Ela disse olhando as unhas dela enquanto eu ainda a encarava de boca aberta. – E eu estava.
- Como? Você não me contou isso.
- Você saberia se estivesse um pouco menos alienada do mundo. – Alice disse irritada tentando cruzar os braços para demonstrar isso, mas ao perceber que suas unhas ainda não estavam secas ela não completou o gesto.
- Desculpe por isso. – Eu disse suspirando. – Então, foi tudo o que você esperava?
- Eu não fiquei criando muitas expectativas sobre isso. Talvez algumas. – Ela admitiu sorrindo quando a olhei como se dissesse que ela tinha sim criado expectativas sobre isso. - Eu sabia que não seria como nos filmes com velas e flores, mesmo assim foi muito bom. Jasper me levou até a casa dele no dia do aniversário do Edward, depois que saímos da boate e as coisas foram acontecendo meio que inesperadamente, nós estávamos conversando, então começamos a nos beijar e... – Ela gesticulava enquanto falava, provavelmente se lembrando de tudo.
- Por favor, me poupe dos detalhes, certo? – Eu disse abruptamente fechando os olhos por um instante. – O importante é que você gostou.
- Mas eu tenho que te contar que meu medo não tinha fundamento nenhum, a primeira vez é um pouco estranha, mas na segunda você já sabe o que fazer.
- Ta bom, não quero saber quantas vezes foram, tudo bem?
- Certo. – Alice disse recolhendo seu material de manicure. – É sexta-feira a noite e meu celular já deve estar com muitas chamadas não atendidas de Jasper, então estou indo. Você deveria arrumar alguém para você, assim poderíamos conversar sobre isso. – Ela disse alegremente ao que eu ignorei pegando um livro na cabeceira e o abrindo como se demonstrasse que eu iria ficar lendo naquela noite.
- Usem camisinha. – Eu disse rindo ao vê-la saindo pela porta e não pude escutar o que ela disse em seguida porque a porta já tinha sido fechada.
xxx
Estremeci ao sentir o vento gelado soprando na saída do cinema. Não tinha percebido a queda na temperatura, mesmo dentro da sala climatizada, onde Edward me envolveu em seu braço o tempo todo, aproveitando nosso momento a sós fora da escola, como um casal normal. O filme não importou tanto, não enquanto eu me concentrava nos lábios de Edward.
Ele segurou em minha mão e me puxou para mais perto, me enlaçando pela cintura mais uma vez. Caminhamos até o carro dele, do outro lado da rua, ele em silêncio e eu terminando de tomar meu copo de coca-cola.
A verdade era que desde quando recebi sua mensagem me convidando para ir ao cinema, poucos minutos após a saída de Alice do meu quarto, e quando o encontrei na porta desse cinema, não tínhamos conversando muito. Apenas o básico, como namorados que se encontram para matar as saudades um do outro. Talvez fosse isso que ele esperasse de mim, apenas esse reencontro e um pouco da atenção que eu havia negligenciado dele.
- Já quer ir embora? – Eu o ouvi perguntar enquanto ele se recostava no carro e eu sugava o canudinho do meu copo.
- Por quê? - Eu perguntei enquanto ele me puxava pela mão para mais perto dele.
- Eu só achei que pudéssemos ir a outro lugar. – Ele disse fingindo um tom como se não se importasse. – Você há de convir que me deve um pouco do seu tempo.
- Tudo bem. – Eu disse sorrindo o olhando. – Para onde você quer ir?
- Não sei. – Ele disse envolvendo minha cintura com as duas mãos. – Eu pensei que você pudesse me dizer. – Ele me beijou no pescoço e eu estremeci.
- Não é tão fácil assim. – Eu ponderei pensando que no colégio não poderíamos fazer nada, e eu já estava cansada do terraço, sempre tinha o medo iminente de alguém aparecer, na minha casa, apesar de meu pai não estar, ainda havia os empregados que sempre poderiam comentar algo. Pensei mais um pouco e tive uma ideia, abri minha bolsa murmurando para que a chave estivesse lá, quando finalmente a achei. – Tive uma ideia. – O encarei sorrindo abertamente mostrando uma chave ao que ele me olhou confuso. – Entra no carro e segue minhas instruções.
Edward sorriu ainda surpreso com a minha atitude, impulsos como esses eram raros na minha personalidade.
- Para onde estamos indo? – Ele perguntou enquanto ligava o carro e eu me acomodava no banco do passageiro.
- Digamos que um lugar que eu poderia ter pensado antes, nos pouparia de muito sufoco. – Eu ainda estava sorrindo enquanto pensava que aquele lugar sempre estivera lá, a nossa disposição e eu nunca havia ligado uma coisa com a outra. Há anos eu não ia até lá. – Vire a esquerda.
Eu ia falando as instruções enquanto ele dirigia concentrado na rua, olhei de relance para o relógio no painel do carro e vi que já passava das onze horas da noite.
- Preocupada com o horário? – Ele indagou reparando para onde eu olhava.
- Não. – Eu disse simplesmente e o vi mudar a marcha. – Vire à direita. Já estamos chegando.
Olhei a fachada do prédio e abri o portão com o controle remoto que ficava embutido na chave. A melhor coisa naquele prédio é que o elevador era acionado pelas chaves dos moradores e não teríamos que passar pela portaria.
Saímos do carro assim que Edward estacionou na vaga correspondente ao apartamento 500, sendo um apartamento por andar só havia números arredondados por ali, Edward segurou na minha mão enquanto eu o guiava em direção ao elevador colocando a chave ali para ativá-lo.
- Onde exatamente estamos indo? – Edward perguntou entrando no elevador comigo enquanto eu apertava o botão para o quinto andar.
- Minha mãe deixou um apartamento nesse prédio para mim. Ela vivia aqui antes de se casar com meu pai. – Eu comecei a explicar a situação. – Mas eu não estava me lembrando dele até hoje à noite, há muito tempo não venho aqui, apesar de pagar alguém para limpá-lo uma vez por semana.
Edward arregalou os olhos por uns instantes, certamente surpreso pelo fato de termos um apartamento inteiramente a nossa disposição. Era realmente uma grande falha minha não ter me lembrado antes. Depois, o meu sorriso favorito surgiu em seu rosto, seus olhos brilhando e não resistir a dar um beijo nele.
Nos beijamos por alguns instantes levemente e ouvimos a porta do elevador se abrir em direção ao hall de entrada que acendeu a luz através de um sensor assim que demos o primeiro passo para fora do elevador.
Eu pude ver que tudo estava do mesmo jeito e meus olhos marejaram ao me lembrar que, muitas vezes, eu e minha mãe nos refugiamos ali enquanto meu pai viajava para algum lugar distante.
- Mamãe, por que a gente não mora aqui pra sempre. – Perguntei e comi mais um pedaço de bolo de chocolate. Era meu bolo favorito, feito por minha mãe.
Estávamos sentadas no chão da sala, sobre um tapete branco e felpudo. Minha mãe estava recostada no sofá e eu estava sentada entre suas pernas, com meu prato sobre meu colo.
- Por que você gostaria de morar aqui, meu amor? – Ela perguntou sorrindo, e passou a mão pelo meu cabelo, o afagando da franja aos cachos que caiam sobre minhas costas.
- Porque viver aqui é muito legal. Eu posso brincar depois que chego da escola, a senhora sempre faz bolo de chocolate, nunca é a Lourdes que cozinha e a gente sempre dorme juntas. – Falei tentando pensar na lista de tudo o que eu mais gostava naquela casa.
- Mas isso nós podemos fazer em casa, querida. – Ouvi a voz da minha mãe de soar risonha.
- É, mas aqui o papai nunca briga com a gente e a senhora parece muito mais feliz. – Eu disse e coloquei o prato em cima da mesa de centro, me virando para olhar para minha mãe que parara de afagar meu cabelo.
Ela ficou uns instantes em silêncio, depois sorriu para mim e me abraçou.
- Eu sou feliz em qualquer lugar que eu esteja com você, meu anjo. – Ela falou e beijou o topo de minha cabeça.
- Bella? – Pisquei ao ouvir a voz de Edward me chamar, não evitando que uma lágrima escapasse pelo meu olho direito. – Está chorando ? – Eu o fitei e pude notar preocupação em seu olhar, tentei levar a mão para limpar mais lágrimas que eu não pude conter mediante à lembrança da minha mãe, mas ele me impediu entrelaçando minha mão a sua e amparando minhas lágrimas com sua outra mão livre. – O que houve?
- Esse lugar tem muitas recordações da minha mãe. – Eu disse me desvencilhando dele e um porta-retrato no console da lareira que havia na sala. Pude perceber que ele me seguia cada passo meu enquanto eu tocava o rosto da minha mãe na foto.
- Más recordações? – Ele indagou pegando o porta-retrato em suas mãos, ao que eu segurei meu pingente de estrela fortemente fechando os olhos por alguns instantes.
- Não. Apenas recordações. – Eu sorri fracamente ao olhá-lo enquanto ele devolvia o porta-retrato ao lugar.
- Você se parece com ela. – Ele disse sorrindo enquanto eu enxugava e eu enxugava o vestígio das ultimas lágrimas tentando pensar em outro assunto para evitar que eu chorasse novamente.
- Aceita algo para beber? – Perguntei ao que ele meneou negativamente a cabeça observando o espaço ao seu redor. – Eu vou até a cozinha pegar água, fique à vontade para explorar o quanto quiser.
Eu sorri enquanto o observava por as mãos nos bolsos do casaco preto que usava, olhando um quadro pendurado na parede. Segui até a cozinha, passando pela sala de jantar e ao abrir a geladeira a encontrei vazia. Suspirei pensando na pequena quantidade de vezes que havia ido até aquele apartamento desde a morte da minha mãe.
Me recostei na pia pensando que meu pai não mudara muito desde então, eu também não mudara, apenas havia me tornado o alvo de sua raiva no lugar de minha mãe.
Eu me sentia como uma marionete em suas mãos, me surpreendia que ele ainda não havia mencionado que eu iria para Oxford no próximo semestre, assim como ele e todos os membros de sua família. Como eu sabia? A carta de aceite de Oxford havia chegado pelo correio ontem, assim como a de Cambridge e de Yale, mas eu sabia que ele me forçaria a escolher a primeira opção.
- Uma vez na vida eu queria fazer algo por vontade própria. – Eu murmurei enquanto saia da cozinha à procura de Edward, não o encontrei na sala e deduzi que ele tivesse ido pelo corredor dos quartos.
Olhei a estrela roxa com o meu nome na porta daquele que costumava ser meu quarto ali, a porta estava entre aberta e pude ver que Edward observava atentamente o mural de fotos na parede.
Caminhei até ele e o enlacei pela cintura, o sentido colocar os braços ao meu redor ainda olhando as fotos.
- Sente falta dela? – Ele indagou ao que eu evitei mirar as fotos para não chorar novamente.
- Muita. – Eu murmurei me desvencilhando dele e observando a pequena caixinha de músicas em cima da penteadeira, à cada objeto eu me lembrava dela. – Quando eu disse à ela que me sentia mais em um lar aqui do que na mansão em que morávamos com o papai, ela mandou fazer esse quarto para mim. – Me sentei na cama que mantinha o edredom roxo que eu tanto adorava e Edward se sentou ao meu lado. – Não me lembro a quantidade de vezes que ela enfrentou meu pai para me trazer aqui. Depois que ela morreu, fugi de casa uma vez e vim até aqui, justificava para mim mesma que era saudade, mas acho que queria mesmo senti-la mais uma vez perto de mim. Meu pai descobriu onde eu estava no dia seguinte e me proibiu de vir até aqui.
- Como possui a chave se ele a proibiu? – Edward perguntou parecendo interessado em me ouvir.
- Três anos atrás eu concordei em fazer algo que ele queria em troca da chave deste apartamento. – Suspirei pensando nas condições que eu havia aceitado. – Ele cumpriu sua parte, assim como eu.
- Você concordou com o que?
- Acho melhor mudarmos de assunto. – Eu disse segurando sua mão. – Não lhe trouxe aqui para contar histórias de minha infância.
- Desculpe. É que quase nunca fala sobre você. – Ele se justificou evitando me encarei. – Às vezes eu sinto como se não lhe conhecesse.
- Você me conhece. – Eu disse segurando-o pelo rosto para que eu pudesse olhá-lo nos olhos. – Mais do que eu me conheço. Pode ter certeza disso. – Eu o beijei rapidamente.
- Então, por que eu não sei o motivo pelo qual me evitou essa semana? – Foi a minha vez de desviar o olhar e encarar qualquer outro ponto fixo no meu quarto que não fosse ele. Não adiantaria eu negar, eu sabia.
- Nem eu mesma sei. – Eu o encarei e pude ver um vinco em sua testa. – Acho que o fato de... lhe dizer as três palavrinhas me assustou um pouco. Eu nunca havia dito aquilo para ninguém do sexo oposto, nem mesmo para o meu pai. – Optei por dizer uma meia verdade.
Deve ter sido difícil pra você. – Ele disse suavizando a expressão. – Ainda mais quando eu não disse o mesmo.
- Não se preocupe com isso. – Eu disse abruptamente. – Só diga quando estiver preparado. Por enquanto, basta saber que você está por aqui e eu estou com saudades.
Ele sorriu enquanto buscando seus lábios para iniciar um beijo voraz. Eu realmente sentia falta de beijá-lo, assim como de todas as sensações que ele me trazia enquanto estávamos juntos. Minhas mãos passearam pelo seu cabelo enquanto as mãos dele encontravam minha cintura.
- Eu também senti saudades. – Ele disse enquanto beijava meu rosto e afastava suas mãos da minha cintura em direção ao zíper do meu casacão e só então percebi que ele havia retirado o seu casaco e usava sua camisa apenas. – Acho que está calor por aqui. – Ele murmurou enquanto voltava a me beijar e retirava meu casaco com facilidade, me deitando sobre os travesseiros da cama e desviando seus lábios para o meu pescoço, enquanto procurava não colocar todo o peso do seu corpo em cima do meu.
Ele me encarou por alguns instantes e eu sorri ao ver como o cabelo desalinhado o deixava mais lindo ainda, ao que ele sorriu também voltando a me beijar. Sua mão direita traçou uma linha da minha nuca até a cintura repousando na barra da minha blusa, enquanto minhas mãos se encontravam imóveis em suas costas sem saber direito o que fazer.
Pude sentir ele levantar um pouco minha blusa e instintivamente segurei sua mão o impedindo de tal gesto, finalmente me dando conta do que estava prestes a acontecer por ali.
Ele retirou seu corpo de cima de mim, se deitando do meu lado com o olhar surpreso, me obrigando a ficar próxima a ele, já que a cama era de solteiro. O silêncio era constrangedor enquanto nos olhávamos e quando eu iria falar algo, ele o fez primeiro.
- Qual o problema? – Ele indagou enquanto sua mão ia até o meu cabelo e o acariciava.
- Não acho que seja o lugar, nem o momento adequando para isso. – Me limitei a dizer meia verdade novamente fugindo de seu olhar.
- Você não quer? – Ele parecia preocupado realmente.
- Não é que eu não queira. Só acho que devíamos conversar sobre isso primeiro. Não podemos agir por impulso e nos arrepender depois.
- Eu não me arrependeria.
- Claro que não. – Eu disse ironicamente, tom que ele notou.
- Não me arrependeria porque é com você que eu quero estar. – Ela disse parecendo estar com raiva enquanto cessava a caricia no meu cabelo. – Já deveria me conhecer o suficiente para saber que eu não estou nessa relação só para transar com você.
- É errado. – Eu murmurei.
- Errado? Por quê? Por que eu sou seu professor? Ou por que Deus não permite que isso aconteça antes do casamento? – Ele disse e eu me lembrei de ter dito aquilo em uma de suas aulas.
- É errado porque você é meu professor, irmão da Alice, minha melhor amiga que não sabe que estamos juntos. É errado porque eu me sinto culpada de mentir para todos. – Eu expliquei tentando evitar as lágrimas. – É errado porque eu gosto de você tanto a ponto de querer algo que eu nunca quis com ninguém.
- Você nunca... ? – Ele começou a perguntar surpreso e eu pude deduzir a pergunta dele.
- Não. – Eu suspirei para me acalmar. – É eu tenho medo porque eu quero fazer isso com você. – Ele me abraçou e eu coloquei a cabeça em seu ombro.
- Não faremos nada do que você não queira. – Ele disse voltando a acariciar os meus cabelos, como se me passasse segurança com aquele gesto. – Faremos do seu jeito.
- Podemos dormir juntos hoje? – Eu perguntei após um bocejo. – Só dormir.
- Claro. – Ele sorriu. – Quanto mais tempo eu passar com você melhor. Só preciso ligar para Alice e avisar que passarei a noite fora.
- Tudo bem. – Eu disse enquanto ele se levantava com o celular na mão. – Eu deveria ligar para ela também. – Eu murmurei me levantando da cama.
Pude ouvi-lo falando com Alice no corredor enquanto ia até o banheiro sem acreditar que aquela conversa pudesse ter sido real. Suspirei feliz ao pensar que finalmente me sentia em casa novamente, apesar de tudo.
Continua...
N/A (July): Pessoal... esse cap tava pronto já tem um tempinho, mas eu não tava muito animada de vir aqui, por um motivo tenso: review.
As reviews aqui estão quase escassas, assim, não ta valendo muito a pena. Claro que as que a gente recebe são fantásticas e super valiosas, mas gostaríamos de maior manifestação, a fic está em uma fase muito boa, em nossa opinião.
Tentem comentar, se lerem, só pra nos dar motivação maior para postar aqui.
E obrigada Carol Venâncio e Sam Dutra pelas reviews e por nos entender!
Beeeeijos e bom NM para quem for!
