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(tirar os parênteses)
CAPÍTULO XVIII
Bella não conhecia bem a dimensão em que se encontrava, mas acreditava que era em alguma dimensão extra-sensorial. Desconfiava que estivesse dormindo o melhor sono que tivera nas últimas semanas, quando o torpor das primeiras semanas de gravidez dera lugar à insônia. Desfrutava daquele momento em uma cama macia, que delineava seu corpo com perfeição, e por isso muito familiar. Ela estava deitada em sua cama, e não em alguma confortável substituta do quarto de hóspedes. Ela estava aspirando aos seus lençóis. Embora guardasse muitas emoções, desoladoras por serem impossíveis de olvidar, ainda era tão natural estar ali quanto andar e respirar. Ou melhor, não ao todo. Para uma mulher desacostumada a mãos macias e conscienciosas sobre si, ter acalentos daquele tipo nunca seria rotina.
- Bella, meu anjinho... – alguém a chamava serenamente, quase tão audível quanto o bater de asas de uma borboleta. – Anjinho meu, linda filhinha...
Uma fada falava com ela, um componente inesperado naquele sonho povoado pelos seus odores unidos aos de Edward. Uma fada bondosa com toque diáfano, que mais acariciava seus ombros que propriamente trabalhava para despertá-la.
- Meu anjo. Bella, abra esses olhos para o dia. Você vai terminar se arrependendo se não acordar – ela acalentava-a mais que a empurrava. – Sou eu, a mamãe.
Sim, era Renée, e ela flagrou-se recriminando a si própria por não reconhecer a mãe, inclusive nos sonhos. Sua delicadeza era muito peculiar, mesmo que, para a esposa de Charles Swan, fosse imprópria. Renée Swan não se deixara contaminar pelo mundo em que vivia, padecendo muito por isso.
Sua mãe não costumava a acordá-la nos tempos em que viviam juntas em Birmingham. Não que necessitasse, em absoluto. A baronesa de Birmingham tão somente não era a espécie de pessoa que incomodaria o sono de alguém sem grandes motivos. Era inimaginável agir assim para alguém que instruía ao motorista para manter os faróis baixos durante a noite, por temer incomodar o descanso dos pássaros de Birmingham, que apareceriam cantarolantes poucas horas depois.
Esforçando-se, Bella remou contra a maré do langor, desbravando véus que pareciam intransponíveis e lançando-os ao chão. Abriu os olhos minimamente, ajustando-os à luz fraca que provinha das cortinas através de filetes.
- Bom dia, anjinho – Renée lançou-lhe um sorriso branco e perfeito. – Como você tem passado?
Bella piscou meia-dúzia de vezes, ainda confusa pelo excesso de informações. Onde estaria Edward? Não mais ao seu lado, conforme ela percebeu na primeira análise do espaço vazio da cama. Apenas a baronesa estava consigo. Engano seu, a baronesa e o pequeno filhote de gato preto no colo da mesma, que parecia confortável no chiffon do seu vestido.
- Você é um gatinho muito, muito bonito – Renée, valendo-se do tom reservado para animais e crianças, conversou com o miúdo que se esticava para receber mais daquele carinho. – A Bella tem cuidado bem de você? Aposto que sim, porque a Bella gosta muito de cuidar de serzinhos indefesos.
- Renée, ele não é um autista, é só um gato – a filha remendou-a com a voz grossa. – Coloque-o de volta no lugar ou a sua roupa vai encher de pelos.
- Não tem problema, tem, garotinho? – ela esnobou ao conselho peremptoriamente, continuando a dialogar com o gato. – Já deram um nome a você? Não? Precisamos arranjar um, para que Edward deixe de utilizar adjetivos tão pouco lisonjeiros para uma figurinha tão distinta.
Bella coçou os olhos e buscou mantê-los abertos.
- Você conversou com o senhor Masen? – ela questionou, procurando não trair sua ânsia de saber onde ele estava.
- Conversei – ela desviou-se do felino e lançou um olhar significativo à filha. – Você acha mesmo que é necessário o deixar na ignorância sobre detalhes tão fúteis ao seu respeito? Ele conversou comigo porque pensava que você representava um perigo a este animalzinho, e porque temia que se algo acontecesse a ele, você perdesse o senso de vez. Eu não sabia se ria ou se o desmentia – ela sorriu brandamente, mas os gestos de Renée Swan sempre eram um pouco nervosos. – Eu me vi na obrigação de contar a ele que você já foi uma excelente mamãe-gato por algumas horas, e que ele não precisava se preocupar com mais nada.
A moça bufou insatisfeita, porém decidiu que de nada valeria esbravejar. Tão lentamente quanto a oxigenação do seu cérebro, ela saiu da cama e encontrou, supreendentemente ao pé da mesma, suas pantufas. Ela estava certa que não se preocupara em calçá-las durante a madrugada, quando covardemente fora em busca de aconchego. Era um gesto protetor, contudo ela duvidava que alguém tão habituado a permitir que serviçais tomassem a dianteira que deveria ser sua como Renée teria aquele savoir-faire. Pensar que Bella acordaria com os pés gelados e que pantufas seriam bem-vindas era mais do feitio de Edward.
- Sem querer parecer indelicada, mas por que você está aqui? – Bella demandou, sem maiores preâmbulos.
- Passarei alguns dias com você – Renée, sem vexar-se, explicou. – Podemos continuar em Oxford, se for a sua preferência, mas sugiro irmos para o País de Gales. É uma viagem pequena e Ludlow é espetacular nessa época do ano...
- E Charlie não reclama que você esteja aqui? – sem grandes artifícios de delicadeza, Bella perguntou na porta da toalete.
A baronesa encolheu os ombros estreitos. Através da visão que o espelho da toalete possibilitava, Bella conferiu o vestido de coquetel cru que fazia um excelente complemento a sua pessoa. Renée era uma mulher de jóias, embora soubesse usá-las de acordo com a ocasião e hora do dia, e daquela vez não era diferente. Somente um colar de ouro com um pingente de rubi enfeitava seu delicado colo.
- Ele não está no país, deve passar a semana fora – ela trouxe o gato ao peito com a intimidade de quem crescera no meio da natureza dos Alpes suíços.
Bella aquiesceu, recordando-se do que lera a respeito da agenda de viagens do Ministro das Relações Exteriores. Saber que não havia nada de derrocada na ascensão de Charles Swan e que ele vivia com a consciência livre, enquanto apenas ela conhecia a verdade, não deixava de ser perturbador. Escorada na pia da toalete, ela permitiu-se sentir o ódio correndo por suas veias e a preenchendo com uma estranha vitalidade.
- Mas não foi para isso que lhe acordei quando dormia tão pacificamente, anjinho – como que pressentindo o que se operava com sua filha, Renée tentou extinguir aquele fogo gelado. – Acho que você gostará de trocar algumas palavras com Edward antes que ele vá. Quando subi, ele estava quase de partida.
Aquele chamado surtira o efeito desejado por Renée. Trouxera Bella de volta.
- Mas tão cedo? – ela murmurou espantada. E perdida.
- Sim, creio que ele tenha urgência em partir. Ele também não pretendia acordá-la de jeito algum, meu anjinho, e não concordaria se soubesse que eu lhe perturbei – ela comentou com docilidade. – Mas acredito que você detestaria perder a chance de trocar algumas palavras com ele. Meu coração de mãe diz isso.
Pesada de aflição, Bella abriu a torneira com detalhes em ouro e ônix, lavou o rosto abundantemente com sabonete líquido, enxugou-o com a toalha felpuda e encarou-se no espelho por árduos trinta segundos. Dormira cinco horas de um bom sono, mas não fora o bastante para retirar dela o aspecto cansado. Ela estava uma desordem, mas se perdesse mais tempo para alinhar-se, não veria Edward. E saber daquilo a castigava com uma sensação de perda dolorosa demais para ser ignorada. Decidindo-se, a moça em gestos apressados escovou os dentes, e, depois de enxaguar a boca, colheu um prendedor de cabelos de cima da pia e organizou os fios escuros o melhor que poderia em um rabo de cavalo.
Ofegante, ela estudou-se no espelho. Se fosse possível estar pálida e corada ao mesmo tempo, assim Bella estaria naquele momento, com os olhos lassos e grandes refletindo a ansiedade, os lábios vermelhos e trêmulos em virtude das necessidades que não cabiam em si. Olhou brevemente para o gato, divida entre levá-lo e deixá-lo exatamente como estava, tão confortável naquele regaço macio. Por fim, decidiu que ele poderia permanecer um pouco com sua mãe. Ela não lhe faria mal.
Renée permitiu que ela partisse sem maiores explicações, embora seu íntimo ainda se contorcesse revoltado porque sua filhinha, seu orgulho, o melhor que havia dela, se atirasse em uma relação tão ilegítima e desonrosa como aquela. Então concluiu que a melhor maneira de apoiá-la seria deixando-a caminhar por si, e apenas assistiu com conformação Bella voltar da porta até a beira da cama, depois de recordar-se das pantufas.
Abraçando o que a vida lhe ofertava como apenas uma mulher nos seus moldes seria capaz, ela engoliu a amargura e cantou-se que não estava no direito de ditar o que seria melhor para sua filha.
Era bom estar de volta à Rússia. Mesmo que preferisse as vilas siberianas e seu bucolismo branco e gelado, respirar o ar de Moscou, por mais poluído que fosse, não era de todo mau. Sempre fora confortável estar na Rússia, em especial nas áreas desassistidas, porque poderia ser ele mesmo. Muitos homens de seu círculo, com toda a origem social humilde, preferiam o primeiro mundo porque apenas lá se encontrava a real suntuosidade, as lojas de grife que as amantes gostavam e os cassinos de primeira linha. Não era o caso de Eleazar Denali. Ele nunca deixara de ser um menino siberiano na essência, que comia pombos na brasa e utilizava a pele de roedores que ele mesmo caçava para se proteger do frio.
Relanceou a pessoa ao seu lado e encontrou sua pequena Jane, que observava atentamente aos transeuntes daquela rua escurecida e decadente, onde não havia nada de digno a se notar.
- O que você vê de tão interessante? – ele questionou, espalmando as mãos em suas pernas lisas de bebê.
Ela formou um biquinho nos lábios rosa tutti-frutti.
- Essas crianças pobres. Por que elas dormem nas ruas?
Eleazar refletiu por um momento brevíssimo, porque a barra de sua saia curta terminou por exportá-lo para pensamentos nada sociais.
- Elas dormem na rua porque o mundo é assim – falando libinosamente, ele aproximou sua boca cheia de dentes de ouro na orelha aveludada da menina. – Onde está minha margaridinha sem pêlos? Abra essas perninhas e mostre para o seu papushka...
A menina gargalhou estridentemente, capturando a atenção do homem da Máfia que dirigia o carro. Sem envergonhar-se por ter as mãos de Denali em partes íntimas de sua anatomia perante terceiros, ela fez um gesto obsceno com a língua, certa que o motorista poderia enxergá-lo pelo retrovisor interno.
- Oh papushka, assim você machuca a minha margaridinha – ela reclamou com o mesmo pesar que exalaria se alguém arrancasse a cabeça de uma de suas bonecas. – Não, papa, eu não vou conseguir sentir aquelas cócegas aí embaixo que você faz que eu sinta às vezes. Não depois de ver essas crianças dormindo na rua.
Ela continuava gargalhando com a sua diversão de criança, e o fez ainda mais no instante que percebeu o funcionário da máfia abaixar o retrovisor para ter uma boa visão do chefe invadindo as saias de sua espetaculosa menininha.
- O que você quer para dar ao papushka esta margaridinha mais tarde? Qualquer coisa, minha Jane.
A menina contorceu-se com os beliscões que recebia, pesando a relação custo-benefício. Embora estivesse estabelecida como favorita do grande chefe da Máfia Rússia há quase dois anos, não era comum que fizessem sexo pleno. Em todas as experiências, Jane, uma adolescente presa em corpo de criança, saíra muito ferida. Suas dimensões diminutas não comportavam os anseios viris de Denali, e porque não era seu passatempo favorito lesá-la, ele se contentava com brincadeiras menos invasivas com aquela sua pequena. Quando desejava real penetração, geralmente caçava crianças insignificantes na rua, presas que não se importaria em liquidar depois.
Porém, aqueles fedelhos na rua a estavam perturbando demais. Eles não deveriam ter sequer o direito de serem vistos. Um pouco de febre de inflamação e algumas dores no dia seguinte valeriam a pena.
- Eu quero que o meu papushka se livre deles. Que não sobre um, por menorzinho que seja, na rua.
- Você quer que o seu papashka mate-os? É isso que minha Jane quer para me deixar entrar nela?
Ela sorria redobradamente, esparramando-se no assento do carro como se fosse uma marionete sem desejos nas mãos do grande chefe da Máfia Russa.
- Não me importo com o que papa faça. Apenas não quero ver essas criaturas da próxima vez que eu passar pela rua. Estou com medo delas!
Eleazar assentiu e, ajeitando na calça seu desejo incontido por aquela criança, comandou ao subordinado que dirigia:
- Rapaz, não ouviu o que a mocinha aqui do meu lado pediu? Pare esse carro e dê um fim naqueles pivetes. Ela não quer voltar a vê-los nunca mais.
Atordoado, o funcionário ainda deliberou por alguns momentos se deveria argumentar. Ele estava acostumado a matar, mas a única infração cometida por aquelas crianças era desagradar aos olhos da menininha do chefe. Não era minimante aceitável para ele matar sem motivos, contudo terminou por retirar uma pistola automática 9 mm do porta-luvas e ir cumprir o desígnio. Antes morressem meninos e meninas com menos de dez anos que ele mesmo.
Olga estava novamente de volta ao trabalho, e daquela vez encontrava-se distraidamente sentada em frente ao quarto do chefe lendo a Elle parisiense. Perguntando-se que bicho mordera Leah, que com Lady Alice armara um esquema por aquelas revistas, ela folheava as páginas sem encontrar muita diversão nelas. Apenas o que a distraía eram as fotos das modelos de biquíni, mas desistira de estudá-las quando percebera que todas eram magras demais. Interrompeu seus lamentos por mulheres tão bonitas viverem em dietas de fome no momento em que a amante do chefe a ultrapassara como um furacão. Bella observou enojada a revista que ela atirara no chão, resolvendo que já era o momento de conversar seriamente com Alice sobre emprestar revistas de moda para suas guarda-costas. Será que ela não compreendia que tal coisa, para lésbicas, era praticamente um ensaio sensual? Abanando a cabeça de um lado para o outro, ouviu a voz possante de Edward muito antes de chegar a escada, que se distinguia dos sons de outra pessoa conhecida, provavelmente Emmett. Perdeu, assim, a seqüência dos pensamentos.
- ... você não pode estar querendo fazer isso, chefe... muito perigoso... é realmente necessário, por quê...? – a pessoa tentava argumentar contra Edward, que respondia de maneira mais baixa e mais calma. – ... não vale a pena... há outros modos... é só uma criança... pessoas inocentes... vai deixar Bella sozinha por uma vingança sem futuro?
Conforme se aproximava, as palavras cuidadosas de Edward tornavam-se compreensíveis. Mesmo após tê-lo visto cometer atrocidades, a aristocrata não deixava de se chocar com o quão enregelante demonstrava ser por vezes:
- Ele matou a porra dos gatos daquele drogadinho para mostrar que poderia fazer o mesmo com a minha família, que nenhum de nós estávamos imune a ele, apesar de toda a vigilância que essa casa tem – a aura de confidência das suas declarações fez Bella brecar por um instante nos primeiros degraus da escada.
Ela gesticulou para que Olga silenciasse.
- Mas senhorita Swan...
- Fique quietinha! – Bella, sussurrando, designou com um ligeiro franzir de lábios.
Ela continuou a escutá-lo discursar.
- ...Swan se apropriou de um pedaço das recordações dela para feri-la, agora eu entendo tudo. É uma historinha de merda, mas ele sabia que machucava, e como a fazia se sentir um fracasso. E eu não vou esperar que ele resolva mexer com Alec também, porque o barão, a porra daquele comparsa de Denali, não se importa de terminar de jogar o nome dos filhos no chiqueiro. O que ele pensa é só na ganância, ganância e mais ganância! – conforme ele falava, perdia aos poucos o controle, e notar-lhe a aflição despertava em Bella um desconforto ainda maior. – Se Denali resolver desviar o foco dos gatos e trocá-lo para Alec, eu estou fodido...
As revelações acarretaram em Bella um mal-estar que a obrigou a se escorar no mogno do corrimão da escada. O mais pacientemente que poderia, Olga tentou agarrá-la pelos ombros e encaminhá-la novamente para cima, porém a moça a impediu com um movimento de mão. Ela estava bem. Não era surpresa alguma descobrir que o pai fora aliciado por Eleazar Denali – ou quem sabe o contrário? – para agredi-la. E também não era surpresa que ele lançasse-mão de um golpe cruel, uma reminiscência de infância que trazia a imagem de Alec à tona, para este objetivo. Ela já vira demais do modus operanti de Charles Swan para acreditar, por um segundo que fosse, que ele se apiedaria o bastante dos traumas alheios para deixar de usá-los em uma manobra política. E mais além, uma moral incutida em seu interior determinava que era no mínimo aceitável que seus homens não medissem limites para alcançar aos objetivos, mesmo que o preço deles exigido fosse oferecê-la em sacrifício.
- Vamos nessa, Emm, não quero mais discussão – Edward cortou qualquer argumento que o assessor poderia ter. – O nosso horário para o vôo comercial está justo demais para perdermos tempo nessa discussão sem futuro.
- Eu vou chamar alguém para apanhar nossas malas...
- Que tipo de viadinho você se tornou, Emmett McCarthy? – zombou com efeminação fingida. – Não consegue nem carregar uns pesos leves sem quebrar as unhas?
O ruído de malas sendo retiradas do chão por Edward fizeram Bella despertar para a realidade. Saber que ele se afastaria dela e iria para a Rússia, uma terra que ela não conhecia, mas que era, na sua visão, um pouco bárbara e muito aquém dos seus padrões de civilidade, deixava-a em pânico. Era tão desolador quanto estar no meio de uma nevasca e não ter um casaco quentinho para despachar o frio que tornava impossível estar ali. Porque ela não gostaria de estar em um mundo sem Edward Masen.
E, como que acordando de uma sessão de hipnose onde tirara conclusões obvias demais para serem dignas de nota, ela desceu o lance que restava de escadas, driblando o seu orgulho, deixando os temores para trás, no segundo pavimento da casa. Seu coração estava à boca quando alcançou o último degrau e os dois homens a contemplaram com dúvida.
- O que aconteceu com você...? – Edward questionou-a petrificado, analisando ao seu rosto vermelho com atenção e aos seus trajes com surpresa. Não era hábito de Bella sair do quarto com roupas de dormir.
Olga iniciou uma exaltada seqüência de frases em russo às quais a Bella estava ignorante, Emmett apenas parcialmente sabedor e Edward esnobava. A russa gesticulava virulentamente, atribuindo à mulher voluntariosa que o chefe tomara para si a culpa por estarem o perturbando naquele momento, e pedia perdão pelos pecados que não acreditava possuir.
- Cale a boca, eu não mandei você falar porra nenhuma! – ele cortou suas explicações inúteis com os dentes rilhados. Voltou-se para Bella com as feições viris suavizando-se instantaneamente. A forma como ela o retribuiu, com os olhos amendoados alargando-se em grandes anéis de chocolate, o jogo de cores que eles orquestravam sobre as pestanas escuras e a pele branca, sem manchas ou máculas, despertaram em Edward uma emoção que o levou a largar a mala pesada sobre o chão. Nem o barulho causado pelo impacto roubaria a sua atenção. Em dois segundos, ele estava atraído pela força gravitacional exercida por ela. – Saiam vocês todos daqui...
Sua voz, anteriormente tão ríspida, saía agora um pouco alquebrada. Olga e Emmett não perderam tempo em obedecê-lo, ansiosos que estavam de não forjar motivos que pudessem trazer a ira do chefe de volta.
Bella o observava com a respiração errante, os braços dispersos nas laterais do corpo, a boca entreaberta, com tantas palavras prontas para sair e nenhuma genuinamente digna de ser dita naquele momento. A pequena sala de entrada de visitantes estava erma e despossuída de outros ruídos.
Enquanto Edward pesava a conveniência e sua aptidão para comentar o quanto Bella estava bonita com aquele cabelo preso e rosto lavado, sem artifícios de cosméticos ou de cascatas de fios brilhantes demais para não roubarem a atenção do seu rosto, ele somente a viu correr em sua direção e fechar os poucos passos que os distanciavam. Com um baque surdo ela atirou-se em seu peito, fazendo-o perder por tempo indeterminado a capacidade da fala.
No momento que ele sentiu em Bella a quentura que apenas a cama e o sono proporcionavam, bem como os odores das cobertas que eles compartilharam, Edward enfrentou a realidade que não conseguiria jamais ser moderado com ela. Fechando os olhos para desfrutá-la melhor, aferrou-a mais ao peito, brindando à ânsia que o corroia de tomar, quando ainda era tempo, do máximo possível que ela poderia oferecer.
Sem perder qualquer detalhe dela, Edward apoiou-a na tarefa de escalar seu corpo grande como um animalzinho diminuto que subia em uma árvore frondosa, escorando-a pelas coxas. Não sabia exatamente o que ela pretendia, mas aceitou o que estivesse por vir, procurando se preocupar o mínimo possível com os passos seguintes.
Sendo recolhido por seus braços, que rodeavam seu pescoço, Edward soergueu as pernas de Bella de maneira que se enroscassem em sua cintura. Com o rosto dela escondido no vão do seu pescoço, ele ouviu os ruídos que o deixaram aflito.
- Hei, amor. O que é isso, você está chorando? – exigiu saber, cuidadoso.
Bella abanou a cabeça de um lado para o outro, tentando negar sua fraqueza, mas ele não seria enganado. Espremeu-a contra si, ao menos o máximo que poderia sem esmagá-la. Vulnerável e procurando esconder de Edward suas lágrimas, a moça afundou mais o nariz no colarinho da camisa esportiva do amante, deixando-o sem alternativas. Suspirando, ele decidiu que, por mais preocupado com o horário do vôo comercial que estivesse, não poderia deixá-la naquele estado. Calmamente, para não amedrontá-la, ele guiou com ela no colo através dos corredores que levariam até a sala do piano.
Abriu com o pé a porta e fechou-a com as costas, nunca sem deixar de sustentá-la. Edward espiou brevemente os tímidos raios solares de final de verão que irradiavam luz nos cabelos castanhos de Bella.
- Você está me esmagando – ele fingiu mágoa. Contudo, perceber que ele tomara nota de sua aflição a levaram a fortificar mais a pressão das mãos em seu colarinho.
No sofá vitoriano que existia na sala de música, Edward apoiou o joelho e deitou Bella diligentemente. Contrariando a própria vontade, livrou-se das amarras que eram seus braços e buscou encará-la. Ela não retribuiu na mesma moeda, mesmo que não conseguisse mais ocultar o queixo trêmulo e as lágrimas que lhe desciam copiosas.
- Você está se sentindo bem? É o enjôo matinal novamente? – ela negou veementemente com a cabeça. – Então você está sentindo dor? – ele escorregou a mão para a barriga dela. – É aqui?
- Não! – ela refutou a assertiva com desespero. Edward segurou sem rosto e havia determinação no ato.
- O que você quer, pelo amor de Deus?
Bella abriu a boca para falar, sem qualquer argumento conveniente daquela vez. Ela gostaria muito de falar, porém nada parecia digno de ser sonorizado. Sem se dar conta, ela engolia as lágrimas traidoras e estudava a forma como a atenção de Edward escorria com facilidade entre seus olhos e seus lábios. E aquilo a fazia produzir novas torrentes, porque sofria antecipadamente apenas em pensar no quanto sentiria falta dos modos indiscretos dele.
Sem intimidar-se, Edward explorou a pele de sua barriga com uma curiosidade inocente. Havia muito pouco de diferente por enquanto, mas um ato tão pequeno quanto aquele o fazia mais próximo da mulher a quem estivera tão distante ultimamente.
- Onde é que dói? – ele questionou mais rouco do que pretendia, e, acanhado, pigarreou. – O que eu posso fazer para parar de doer? O que te faz falta?
Sem muitas alternativas, porque se permanecer era desconcertante, e se sair era impensável, Bella sentiu o rastro da mão possante de Edward espalmando seu alto ventre, e depois cair para áreas mais baixas. Envergonhada por causa da vulnerabilidade óbvia nos pelos eriçados, ela fechou os olhos com força, permitindo que as últimas lágrimas escorressem no sofá forrado por brocado.
Por mais espremido no horário para um vôo comercial que estivesse, Edward não pretendia abreviar o momento ou cortar etapas. Estudando-a atentamente, ele compreendeu, tornando palavras completamente inúteis, qual era a verdadeira necessidade de Bella naquele momento. Não existia médicos ou remédios naquela equação, em fato nem Emmett e os homens da Máfia que o esperavam pacientemente do lado de fora importavam. Conforme ele descia as mãos pelo abdome macio, sorriu pequeno diante da maneira como o corpo daquela criatura que todas as células do corpo viril reivindicavam como sua se preparava para abrigá-lo, no antigo misto de aceitação e glorificação que apenas as mulheres plenas provavam.
Embora Bella nada falasse além dos suspiros sublimes que superlotavam a sala, Edward consensualmente afastou suas pernas com o joelho e escondeu o rosto em sua clavícula.
- É sempre o que você quer mesmo – ele exalou com derrota. – Sempre foi assim, desde o primeiro dia. Você veio para mim porque quis, foi embora na hora que bem entendeu, depois voltou porque assim humilharia ao seu pai de merda. Você não quer o que eu coloquei aqui dentro, mas é uma situação temporária, porque depois você poderá arbitrar novamente. Mas o que vamos fazer, trepar? – ele questionou ironicamente e com um quê de desgosto, percebendo-a retesar em seguida. – Não precisa voltar a fechar as pernas, eu não posso engravidá-la novamente. Ao menos não por enquanto.
- Senhor Masen, não precisa ser tão... – Bella não completou a frase, pois o choque não a permitiria ir tão longe. Embora estivesse habituada, mesmo que não vacinada contra os efeitos colaterais, às artimanhas de Edward para fazê-la relaxar quando algo saía de errado para ela, nunca se tornaria rotina a invasão não consentida aos recantos mais íntimos. Aquela exploração era tão espontânea, que ela quase acreditava que estivesse na obrigação de aceitá-la.
Ela gostaria de gritar, mesmo que não estivesse certa que seria de protesto, porém a mão dominadora tapou sua boca antes que qualquer ruído acima do tolerável lhe escapasse. Primeiro ela alargou os olhos, aflita com o gesto brusco, mas não demorou muito para que fosse dragada de uma vez por todas pela sensação que os dedos exigentes lhe ofereciam. Há meses que ele não a tocava tão intimamente, mesmo que tenham existido algumas tréguas neste tempo. Porém, em todas as vezes, Edward sem nenhum pudor ou melancolia tratara de aliviar a si mesmo, e ela se portara mais como uma hospedeira passiva de sua volúpia que parte contemplada. Naquele momento, era diferente. A maneira como ele se prostrava para ela, distendendo sua pélvis para encaixar-se nela, a liberdade como ele rejeitava sua recatada roupa íntima para simplesmente enfronhar-se em seus recantos, faziam-na saber que o protagonista naquela oportunidade não era mais ele.
E deixando a cabeça tombar, Bella contraiu-se e relaxou em seus dedos. Puxou o ar pelo nariz quando o sentiu afundar-se mais, um som ruidoso, que seria pior ainda se a boca dela estivesse livre. Após Edward efetuar o primeiro movimento de copula simulada com a mão, sua amante o observou com uma grande interrogação tatuada no rosto. Mesmo que o mais aceitável fosse que ele estivesse exultante por vê-la cedendo, a vitória nas feições do mafioso não era mais latente que a contemplação carnal. Sua expressão era extasiada, maravilhada e quiçá doentia, e presenciá-la, se era lisonjeador, também era apavorante. Por meio segundo, ela realizou que estava debaixo de um perigoso elemento do submundo, que, com a mesma mão que pressionava sua boca, poderia facilmente partir seu pescoço. Contudo, tais pensamentos esvaíram-se tão logo um polegar de Edward passou a tesar seu clitóris, e, conseqüentemente, seu discernimento.
A moça não se importava que Edward estivesse, mais uma vez, com total poder sobre sua vida. Ela desconfiava que a forma como ele a olhava, com um brilho feroz, que jamais mitigaria a crueldade do seu semblante, não fosse a maneira mais saudável para um homem enxergar sua amada. Porém, ela nunca tentara transformar Edward na opção correta, nem em sua vã imaginação. Rendida sem nunca tentar rebelar-se, Bella apertou a almofada com as mãos nervosas, procurando encorajamento para enfrentar de peito aberto o que se apresentava naquele momento: dedos intercalados que a desbravavam sem piedade, os olhos esmeralda que a enfrentavam com um frenesi desvairado, o cheiro da loção pós-barba, que se há algumas semanas a deixava enjoada, agora despertavam o lado mais irracional dela. E tudo o que ela podia fazer, então, era contemplar Edward, Edward e sua paixão arrebatadora que a faziam se sentir pequena, Edward e o desejo que a deixava fraca diante da perspectiva de sucumbir, e forte porque, orquestrada por ele, ela nunca fora tão mulher.
O orgasmo viria para a aristocrata tão fácil quanto nenhum outro. Em menos de dois minutos, seu corpo se renderia às pequenas fagulhas que, por serem múltiplas, culminariam em uma explosão de proporções de cunho catastrófico, se não tão gloriosa. Bella mordeu a mão que a aprisionava como mordaça, mas Edward não reclamou da dor. Para evitar os gritos femininos que seriam constrangedores demais em uma casa cheia, ele cercou os limites para não esganá-la, com o simples intuito de mantê-la calada. Soltou sua boca apenas quando percebeu sua respiração errante, mas não muito barulhenta, decidindo também que era chegado o momento de distrair-se. Ele era um adulto com boas capacidades físicas, e não trabalharia para refrear o animal indômito que poderia ser olhar demais para os lábios macios e intumescidos de Bella, ou muito menos para seus olhos úmidos contornados pelas pestanas longas, muito mais convenientes a uma boneca parisiense erótica demais para o seu próprio bem.
Procurando desencontrar-se, fugindo de si para achar-se, Edward repousou a cabeça no vale dos seios da prisioneira que o mantinha dominado. Sua respiração estava quase tão errática quanto a dela, e ele – oh! – não tinha os mesmos pretextos para apaziguar-se. Bella estava imóvel, suscetível a qualquer sorte que lhe fosse imposta, mas não deveria ser daquele modo.
Envergonhado por ainda conseguir fantasiar com as melhores maneiras de desajeitadamente, após tempos de distanciamento, tomar a mulher que fizera de tantos modos sua sobre o insignificante sofá da sala de música, o mafioso retirou os dedos de dentro dela. Estavam viscosos, como seria esperado após a violência do arrebatamento que eles proporcionaram.
Bella lustrou a garganta.
- Não há como o senhor esperar um pouco mais para a viagem? – ela perguntou incerta, em voz baixa.
Edward farejou seus seios por cima do pijama, meneando a cabeça em sinal negativo.
- Dói em mim – ele confessou com rouquidão.
Detestava reivindicar de estar com Bella no momento em que ela começava a andar em sua direção, contudo as obrigações eram mais importantes então. Se deitar as mãos em Eleazar Denali ainda era missão impossível, ele deveria ao menos conferir motivos ao ex-sogro para temer o simples pensamento dirigido a Bella. O âmago revoltado do mafioso exigia aquilo.
E, porque se sentia terrivelmente cruel por negar algo a ela, Edward subiu a mão para lhe acarinhar o pescoço. Emergiu a cabeça dos seios delicados e tentou buscar-lhe a boca, porém a arredia moça terminou por ocultá-la, mortalmente caprichosa porque algo pretendido lhe fora negado. Ela teria esperneado e exigido que ele a soltasse, isto se o mafioso não se aferrasse ao seu corpo com obstinação, para não deixá-la ir embora por ora.
Irritada e com os movimentos limitados, Bella buscou o bíceps de Edward para tentar inutilmente enfraquecê-lo. Divertindo-se pela fúria que até o gatinho sobrevivente da ninhada de Maria encenaria melhor, Edward desceu a boca até o pescoço dela, para a área em que os dedos untados do líquido do prazer feminino sujara, e chupou seus rastros com avidez. Ela não demorou muito tempo a compreender o que ele estava fazendo, e a surpresa pelo inusitado da situação a fez retesar.
Ele sugava os despojos do prazer de sua amante com avidez, e mesmo constrangida, ela contorceu o pescoço para receber melhor ao agrado. Lambendo-a, beijando-a e mordendo-a em um único ato, ela não sabia como um ato tão grosseiro mal conseguia tocá-la. Bella podia senti-lo ali, fazendo exatamente o que ela imaginava, porque a sugestão da barba recém-feita fustigando-a não permitiria que ela fosse enganada, e se haveria algo que reconheceria de Edward pelo que lhe restava de vida, além do odor de testosterona, eram os lábios. Ela os sentira em todas as partes do corpo, em diferentes lugares e nas mais inusitadas ocasiões.
- Agora eu preciso ir. Pense para onde vamos fugir depois que eu voltar – ele afagou com o nariz o mesmo pescoço que antes bulira.
Embora ainda estivesse aérea pelas sensações que ele lhe brindara, seu orgulho ainda era maior.
- Eu... eu... eu... estou voltando com as aulas...
- Três dias. Três dias da sua vida é o que quero. Apenas eu e você. Na porra de alguma parte perdida do mundo – o mafioso pontuou, levantando-se do sofá à contragosto, por sinal.
- Não é assim tão simples... – Bella murmurou.
- É muito simples, especialmente para um futuro divorciado como eu. Mesmo que você ache "divorciados muito deselegantes", eles podem raptar uma mulher bonita.
Edward era tão relaxado ao atestar aquilo, que Bella não pôde evitar aceitar a mão que lhe era estendida. Depois de pôr o pijama em ordem sob o olhar atento dele, permitiu que fosse puxada para cima e amparasse nos braços férreos. Foi beijada no topo da cabeça e, quanto ele levantou seu rosto para analisá-lo, deixou translúcidas dúvidas impossíveis de serem articuladas.
- Você...
- Eu não vou escapar, senhor Masen.
Ele abanou a cabeça de um lado para o outro, insatisfeito que houvesse tanto a ser dito, mas que, no fim, o que mais ansiava rogar era exatamente que ela não fosse embora. E naquele estado de espírito, caminhou de mãos atadas a Bella para além da sala, decepcionado com si próprio por fazer-se tão vulnerável nas mãos de uma mulher. Trouxe-a para perto com um toque no cóccix e despediu-se dela na porta de casa com um diligente beijo na bochecha, que seria mais caloroso se ela não houvesse voltado o rosto na direção contrária. Porém, aos olhos dos homens de negro que serviam à Máfia Russa, estava mais do que claro: o chefe tinha muitos motivos para apressar a volta para casa daquela vez.
Embora conhecesse um bom punhado do mundo, Charles Swan não poderia ser considerado um cosmopolita. Rejeitando dilemas morais, ele acreditava que a linha que dividia o mundo entre mundo rico e mundo pobre era muito mais que imaginária, porque representava, antes, a boa e a má cultura. A compreensão do barão do mundo como um todo não o fazia relativizar, tampouco tentar compreender, que existiam culturas múltiplas, que não se excluíam. E porque acreditava que a sua era superior às demais, ele preferia perder o seu tempo livre nas visitas aos países do Oriente Médio dentro de um quarto de hotel, sozinho com os seus livros. Ou melhor, não completamente sozinho. Se ele saísse daquela varanda, onde podia ver a noite do Cairo completamente iluminada pelas luzes artificiais, e entrasse no apartamento do hotel cinco estrelas, encontraria uma das funcionárias de sua comitiva oficial seminua na imensa cama, esfregando-se nos lençóis enquanto assistia a um filme erótico. Pensando nela, Charlie somente se lamentava a degradação da atual juventude.
Estafado que, mesmo na visão panorâmica, o Cairo não tivesse nada além das reminiscências de civilizações passadas para apresentar, ele terminou por entrar no quarto. Vestia um robe de chambre cor canela e levava os cabelos castanhos penteados impecavelmente, de igual elegância à barba aparada. Encontrando a despojada Jessica Stanley pouco coberta pela camisola vermelha, muito vidrada na exótica película em que um único homem entrava e saía de sete mulheres diferentes e três mulas, Charlie apenas ruminou o arrependimento por tê-la levado na viagem.
- Quando nós vamos jantar? – ela perguntou, sem retirar os olhos caídos da patética cena que tanto lhe despertava a curiosidade.
- Peça para você, senhorita Stanley – ele esnobou-a, retirando o celular de cima da cômoda. – Não pretendo jantar agora, ainda tenho muito que fazer antes de dormir. E não, nenhuma das minhas atividades inclui a senhorita.
Dando-lhe as costas e ignorando seus protestos amuados, porque não era mais tolerante com mulheres rejeitadas do que era com o mundo ao seu entorno, Charlie Swan entrou na sala de refeições que fazia as vezes de escritório. Tomou o celular e conectou-se com Londres.
- Eu quero a interdição sobre Isabella o quanto antes – exigiu ao advogado. – Você não deve ter dificuldade para impetrar a ação, não com todos os elementos que temos. Minha filha é emocionalmente inválida desde o nascimento, e o seu estado piorou desde que meu filho mais jovem partiu deste mundo. Que outra explicação melhor temos para elucidar o porquê Isabella abandonou seu lar e seus pais para se tornar concubina de um criminoso cruel? – sentado na poltrona decorada à exuberância marroquina, Charlie demonstrava uma frieza e calma tal, que não deixava de chocar ao jurista do outro lado da linha. – Quero que ela retorne ao seio familiar o quanto antes, para que sua filha nasça no meio de gente decente e não tenha maus exemplos.
Engolindo protestos contra a lerdeza mental do advogado, que tentava argumentar que tal ação não era mais usual desde a emancipação da mulher no século passado, Charlie continuou a elucidar:
- Você já pediu um parecer médico a respeito de Isabella, o juiz há de conceder. Compre o especialista nomeado para o caso, se for preciso, e não será difícil se ele abordar a difícil relação de Isabella com irmãos incompetentes e filhotes de gato afogados – o barão resvalou em uma risadinha vil.
Após encerrar a ligação, Charlie pestanejou acerca dos últimos acontecimentos, enquanto rolava com o aparelho na mão. A vida nunca fora fácil para ele. Aquela entidade superior que chamavam de "Deus" o fizera nascer como segundo filho em uma família nobre, o que seria cobiçável para um homem medíocre, com tendências para os vícios, mulheres, whisky e rugby. Alguém como Alexander, que por infelicidade, fora o primeiro, um primogênito com mentalidade de segundo filho. Ele merecera o muito bem aplicado trágico destino, o barão acreditava, mesmo que não encarasse a si mesmo como cruel. Gostava de Alexander. Mas o mundo era dominado pelos fortes, pessoas como ele, Eleazar Denali, Edward Masen, Isabella Marie e certamente a criança que viria desses dois últimos.
Uma criança com um sangue nobre enfraquecido, de fato, mas ainda assim com boa genética. E muito, mas muito rica, como sequer ele, oriundo de uma família secular, fora, ou tampouco seus filhos. E ele precisava ser um bom avô, correto?
Afirmando ao seu íntimo que era justíssimo como agia, procurou na memória do smarphone android um outro número de celular. Enquanto aguardava ser atendido, preparava-se para tornar o seu inglês, naturalmente pedante, o mais claro possível. Arrependia-se também por na juventude, quando a aptidão para aprender novas línguas é maleável como mel romeno no pão quente, não ter feito questão de aprender russo.
Se havia algo que não poderiam jamais acusar Isabella Swan, era que não procurava superar-se. Era bem verdade que não conseguira passar mais de dois dias com Renée na residência campestre de Ludlow, porém se mantivera sob controle, participara de eventos da sociedade local, visitara uma instituição que auxiliava meninos órfãos e também dispensara algum tempo para dialogar com a mãe. Não se aventuravam para além de assuntos neutros, e Renée também era conscienciosa o suficiente para não abordar planos mais duradouros que os meses indispensáveis à gestação.
Estudando clinicamente a paciente que mais lhe trouxera dinheiro em décadas de profissão, a Sra. Weber questionou até que degrau da escada Bella poderia alcançar. Acariciando calmamente o gato negro que fora companhia indispensável nas últimas sessões, ela parecia quase serena, mas a psicanalista não se deixaria enganar. A herdeira do baronato de Birmingham detinha um incrível controle inclusive sobre situações adversas. Como um jogador de pocker, ela blefava, brincava com as emoções do interlocutor e lançava as cartas. Ou melhor, Bella ditava as cartas que eram esparramadas na mesa. Mulheres como ela foram condicionadas a demonstrar muito pouco do que sentiam, e Martha Weber, espremendo os olhos por trás dos óculos estampados com as cores do arco-íris, ainda desconhecia a profundidade exata do seu interior. Tudo o que a psicanalista lhe conferiria sem titubear era a ambição desmedida e um estranho tipo de fidelidade.
Fidelidade a memória infame de Alec Swan. Fidelidade a Edward Masen. Fidelidade fora do comum inclusive a Charles Swan.
- Qual foi a primeira vez que você desafiou ao seu pai? – a Sra. Weber perguntou.
Bella observou-a de soslaio por uma fração de segundo, mantendo os dedos ornamentados por jóias de valor, por sinal convenientes na medida para a hora do dia, sobre os pelos aveludados do felino manso. Embora se esforçasse para atingir às expectativas daqueles que a rodeavam naquelas horas de psicanálise, era difícil desligar-se das outras questões que a absorviam. Por exemplo, a relutância de Edward em atender às suas ligações a empurrava muito mais além que o deslindamento de seu desarranjo familiar.
- Minha vida com Charlie não era das mais tranqüilas – ela assumiu, rememorando das exigências da infância e da insensibilidade paterna agudizada na adolescência. – Se for analisar a fundo, nunca vivemos em harmonia.
Martha Weber empertigou-se para frente, procurando enxergar aquela mulher elegante para além das roupas exclusivas de estilistas e todo o fausto que emanava de alguém que fora amparada por lençóis dourados tão logo veio ao mundo.
- Qual foi a sua primeira manifestação concreta contra a suposta harmonia que cercava a relação de pai e filha que vocês encenavam? – a psicanalista lancetou tão certeira, que Bella foi obrigada a retribuir-lhe o olhar interessado. – Até que você resolvesse abandonar a casa paterna e ir morar junto ao homem que não convinha ao seu pai, muito aconteceu.
Bella lançou-lhe farpas de estranhamento. Martha Weber nunca esmorecia na ansiedade de arrancar confissões constrangedoras dela, as quais acreditava ser capaz de extrair como um tumor maligno. E quando sua arrogante paciente fixou o olhar em um ponto além, atingindo tempos distantes como uma eternidade, ela compreendeu que Edward Masen estaria muito satisfeito com seu trabalho, e que talvez a pós-graduação do terceiro neto estivesse mesmo garantida, no final das contas.
FLASHBACK ON
Cinco anos antes...
Pais permanentemente ocupados – e demasiadamente públicos – como o barão de Birmingham era, não costumavam surgir todos os dias em St. George School. Ou melhor, eram raros os poderosos e nobilíssimos pais que apareciam na escola feminina favorita da nobreza britânica em ocasiões diferentes que a inscrição das filhas no primeiro ano escolar e a formatura das mesmas, sete anos depois. Porém, Charles Swan foi um pouco além disso. E em uma das vezes em que fora buscar Bella pelo braço no colégio interno, poucos dias antes do término de todos os afazeres escolares, exigiu que ela interrompesse o processo de recolher seus pertences e o obedecesse.
E porque Bella não se enquadrava na categoria dos rebeldes gratuitos, ela satisfez à exigência do pai. Ela foi exatamente como estava, pois conhecia que o tempo, para o barão, era fugidio e valia negociatas no Parlamento, portanto não era o caso de se dar o trabalho de retirar o uniforme.
Na sala da diretora, uma senhora respeitável que já passara dos setenta anos e levava um sobrenome tão antigo quanto de suas pupilas, Charlie voltou-se logo que ouviu a porta ser aberta.
- Isabella Marie – ele saudou. – Estou recebendo os cumprimentos da senhora Southampton. Ela está muito satisfeita com o seu desempenho nos exames, assim como eu – levantou-se e foi em sua direção. – Recebi hoje a feliz notícia que Cambridge estaria honrada em recebê-la depois do verão. Estou hoje aqui para irmos conversar com o chanceler da universidade e acertarmos todos os detalhes. Trouxe seu irmão para que ele tenha algumas lições.
Do outro lado da sala estava Alec, também em seu uniforme de colégio, relaxadamente sentado em uma das poltronas da diretoria, situação que, normalmente, fazia tremer qualquer aluna de St. George. Nenhuma delas gostaria de ser convidada para sentar ali, diante da severa diretora, porém Alec não parecia se importar muito com isso. Piscou indolentemente para a irmã, encorajando-a.
Eles não tardaram a despedirem-se e a entrar no carro conduzido por motorista, uma vez que Charlie não pretendia se atrasar. No caminho, Alec segurou a mão da irmã no banco traseiro e sussurrou:
- Cambridge, hum? Por que eu acho que você não está feliz?
Bella, que não responderia, continuou a analisar as paisagens da estrada. Tentava não olhar muito para o irmão, porque seus olhos vermelhos a preocupavam e constrangiam.
Charles Swan, um ex-aluno e professor emérito de Christ's College, seria para sempre bem-vindo por um chanceler da renomada universidade inglesa. Bella assistiu-o ser pajeado por todos que ali estavam e ser apontado e distinguido nos halls do prédio da chancelaria, enfeitado por mobílias clássicas e impessoais. Ela ignorou os ruídos baixos que ali imperavam, e aceitou apenas a mão de Alec cobrindo a sua. Sentados na sala de espera, onde aguardavam o chanceler chamá-los, a jovem de dezoito anos observou os modos afáveis de Charlie, que se acercava dos antigos pares acadêmicos e dominava o ambiente em que sobejava.
Ela concluiu, não desprovida de admiração, que a atratividade do pai não provinha apenas do dom da oratória. Havia também um carisma pessoal inimaginável para uma pessoa tão arrogante e pernóstica. E, na mesma proporção que seu íntimo enchia-se de orgulho de Charlie, conseguia também alvejá-lo com um ressentimento na mesma proporção. Isabella Swan, em detrimento da pouca idade, podia escrever imensos tratados a respeito do ódio.
- Você, olhe para mim – Alec, sentado ao lado dela, puxou-lhe o rosto em sua direção. – O que está aprontando?
- Meu queixo vai ter marcas amanhã – ela chiou, protestando contra os dedos ásperos que se fechavam em sua tez suave.
- Temos marcas em outros lugares muito mais permanentes – ele revidou. – Não estou entendendo o circo do papai xerife. Você foi aceita em Cambridge, vai seguir os passos dele, ele me disse. Era para você estar feliz, não era isso que você queria?
As dúvidas de Alec não escondiam uma raiz de irreverência. Estava acostumada às indiretas do irmão à sua falta de coragem em insuflar-se contra o pai, mas não deixavam de magoá-la.
- Eu estou feliz – ela garantiu com uma frieza apavorante, mas nos olhos castanhos, idênticos aos dele, Alec leu sinceridade. – Oh meu querido, não tenho palavras para dizer o quanto estou feliz.
Como que queimado, o rapaz abandonou seu queixo, mas não quebrou o laço que os unia através do olhar.
- Quem mais falta para foder com você...? – ele perguntou sibilante, mas a secretaria do chanceler, que emergia de dentro da sala para conduzi-los para dentro, interrompeu o quão mais havia para ser dito.
Vestindo o esperado sorriso conveniente a uma doce jovem de ares virginais como ela, Bella estendeu a mão para o chanceler de Cambridge, e, ao apreciar sua suavidade, aquele senhor octogenário julgou impossível não acolhê-la e beijá-la. Mesmo enquanto cumprimentava o jovem irmão dela, o chanceler não conseguiu desvincular-se da encantadora presença da pequena ninfa de cabelos escuros e olhos redondos. Charlie não sentiu a menor necessidade de clamar a atenção para a sua presença, embora o mais honrável visitante fosse, na verdade, ele.
Por minutos a fio, Bella solicitamente ouviu o chanceler discursar a respeito da maravilha que era estudar em Cambridge, como funcionavam as rotinas estudantis, os métodos de avaliação dos alunos, os antigos graduandos famosos da instituição, sem esquecer, logicamente, do barão de Birmingham, que os encantava com sua presença. O barão trocou amenidades e tributos mútuos com o respeitável senhor, discorreu a honra que fora servir a Cambridge com seus conhecimentos, e o orgulho que sentia pela filha, sua primogênita, seguir os seus passos.
Muito tempo depois, quando a família Swan preparava-se para sair, o chanceler dirigiu-se a Bella:
- E você, caríssima milady Swan? Como se sente vindo se juntar ao corpo de uma universidade com tantos membros ilustres?
Perfilando toda a feminilidade que lhe convinha, a moça juntou as mãos no colo em um gesto humilde, e, simultaneamente, que mostrava que espécie de mulher ela se tornaria um dia.
- Eu me sentiria honradíssima, não tenho dúvidas, se aceitasse ao convite de Christ's College e viesse para Cambridge – agraciou aos presentes com um sorriso eficiente, nem excessivamente diáfano nem profano. – Também me sentiria honrada se não precisasse declinar do convite de Harvard e Yale, tão gentilmente concedidos nas últimas semanas. Porém, é preciso fazer uma única opção, porque não sou onipresente para estudar em vários lugares ao mesmo tempo. E a minha opção é Oxford.
Surpresa inaugurou-se no ambiente. O chanceler a analisou com atordoamento, a pele clara de bretão tingindo-se de tons vermelhos. Oxford possuía uma rivalidade centenária com Cambridge, de maneira que não existia uma afronta maior para qualquer uma das universidades que ser trocada pela outra. Bella, por outra perspectiva, não parecia balouçar diante do olhar do pai que lhe queimava a bochecha. Ao contrário, em seu semblante havia ainda um sorriso indiferente, para não dizer jocoso.
O cômodo permaneceu silencioso por muito tempo, até o momento em que Alec, o garoto polidamente mantido apartado do assunto, sacudiu-se por pequenos espasmos. Os tremores, primeiro discretos, transformaram-se paulatinamente em grandes síncopes espalhafatosas, que em pouco tempo se convertiam em gargalhadas estrondosas. Alec não mais se refreava. Pôs as mãos no abdome e extravasou o quão engraçado o assunto lhe parecia, pois, como pensava Charlie, o tolo sempre ria sozinho.
Mesmo que tentasse empurrá-la para a instituição de ensino que tradicionalmente formara os Swan, o barão aceitaria que sua filha escolhesse qualquer outra universidade ao redor do mundo. Qualquer outra, a exceção de Oxford, a lendária inimiga, e Bella como poucos sabia daquilo.
Embora ela se mantivesse impassível, possuía noção da imensidão do passo que ousava. Nunca tão abertamente desafiara a autoridade paterna. E, após aquela primeira vez, mais do que ser uma filha rebelde, ela voltaria sua vida para remar na direção contrária navegada por ele.
FLASHBACK OFF
De volta para o consultório da psicanalista, Bella relembrou da própria sensação de avisar ao chanceler de Cambridge, diante de Charlie, que preferia Oxford. Fora épica. E enquanto pensava naquele ato de resistência da sua adolescência, ela ouviu os protestos do gatinho, que quase era enforcado pelas mãos férreas que se fechavam ao seu entorno. Assombrada, murmurou pedidos de desculpas torpes e felicitou-se quanto o animal esparramou-se mais em seu colo, uma clara demonstração da inclinação dos seres irracionais ao perdão.
- Mas até você tomar uma atitude dessas, Isabella, muitas situações aconteceram antes – a Sra. Weber dardejou-a com outra verdade avassaladora. – Não é comum que uma menina tão jovenzinha quanto você era ter uma necessidade tão grande de afrontar ao pai. Não é natural.
Bella confrontou-a com expressão de poucos amigos.
- Talvez a senhora esteja querendo saber demais.
A psicanalista respirou fundo e contou até dez. Ninguém a enganara dizendo que o seu trabalho com Isabella Swan seria simples.
- Você está aqui para ser ajudada, o que será impossível se você não se ajudar antes – Martha Weber salientou, e mesmo que o tom didático irritasse mais Bella que a convencesse, ela engoliu os protestos.
Como que por desejo próprio, seus olhos se voltaram para a direção da janela do consultório. Diferentemente da primeira vez em que estivera ali, os pássaros não cantavam lá fora. O dia não estava bonito, mas sim de um acinzentado tipicamente inglês.
- Foi quando Alec tentou suicídio. Pela primeira vez – ela disse em meia-voz, evitando vislumbrar a psicanalista e, consequentemente, encontrar o eco das reprovações que ela dirigia a si própria.
Martha Weber lutou arduamente para que nenhum músculo a delatasse. Ao que lhe constava, a baronesa Renée era a única suicida da família. E à parte do que Bella, com todo o seu espírito ambicioso e voraz, poderia ter feito, a psicanalista se apiedou dela. Ela carregara, por muitos anos, uma carga pesada demais para qualquer indivíduo suportar sozinho, especialmente quando este indivíduo ainda era um adulto inacabado.
- Você quer falar a respeito disso? – a profissional perguntou, ajeitando os óculos de arco-íris.
- Eu tinha dezesseis anos e pensava que estava grávida.
Analisando a maneira com que Bella dera de ombros, Martha adivinhou que não conseguiria ir além naquela sessão, e não poderia ter outras expectativas por enquanto. Nos dez minutos seguintes, engendrara com a moça uma conversa neutra a respeito dos filmes que estavam em exibição, para se surpreender mais uma vez ao descobrir que ela nunca mais estivera em uma sala de cinema desde a infância. Bella, com sua criação e hábitos inusuais, sem dúvidas enfrentava sérios problemas de sociabilidade com as pessoais comuns. Quando a especialista acompanhou a herdeira de Birmingham até a porta e despediu-se dela com um aceno, ainda estava mergulhada em um sem-número de conjecturas e explicações fantásticas que, na última análise, não serviam de elo para o círculo.
Horas mais, observando as gêmeas tirarem fotos com em meio as frésias do jardim no cair da tarde, Bella ainda sentia a ardência das feridas expostas naquele dia. Da janela do escritório, sorriu para Kate, que chamava a sua atenção para as prímulas plantadas por elas duas há alguns meses. Como estímulo, a moça exibiu seu polegar para cima e um elogio com o movimento dos lábios, disfarçando que a amabilidade das meninas não funcionava para distraí-la. Sua atenção estava completamente voltada não nas gêmeas, mas no irmão das mesmas.
Desde que Edward partira para a Rússia, três dias atrás, Bella não conseguira qualquer contato, o que a levava a pensar que ele, propositalmente, procurava voluntariamente a distância. O que ela teria feito de errado? Depois da primeira noite que eles passavam juntos em meses, depois das sensações extremas que ele a arrebatara sem dó, sem maiores considerações, não era justo que ele simplesmente desaparecesse. Era inevitável que ela provasse do gosto amargo da rejeição. E pensar que apenas recebera, sem adulá-lo um mínimo, permitindo que um homem afoito e potente partisse para longe sem o menor agrado, também não a tranqüilizava.
Imaginar o que ele estaria fazendo ou sofrendo era o seu calvário. E era impossível não acreditar que ela não tivesse culpa.
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(tirar os parênteses)
Sim, o livro está, por enquanto, disponível para pré-venda apenas no site da Editora Lio. E não, não sei se vai chegar até as livrarias físicas. Agradeço demais a quem adquiri-lo. O trabalho está primoroso. Adicionamos cenas extras, a editora arcou com a melhor revisão e com uma capista que fez um ótimo trabalho! Quem tiver dúvidas, é só entrar em contato com o pessoal da editora pelo site, eles são bem atenciosos.
Agora ao capítulo! Eu sempre o termino em uma parte má. hehe. O próximo capítulo se passará em grande parte na Russia, sim, isto é spoiler!
E minha nossa, vcs não sabem o quanto ele saiu suado. Minhas aulas na faculdade voltaram, estou trabalhando demais, estive envolvida também nos últimos detalhes para o lançamento do livro. Não respondi nem a metade das reviews carinhosas, mas li todas, e continuo lendo sempre! As reviews continuam valendo bônus, e peço, por favor, para VOCÊS NÃO SE ESQUECEREM DE DEIXAR O EMAIL PARA RECEBER O BÔNUS! No último capítulo vários dos comentantes não deixaram. Deixem segundo o exemplo: bordeldajane(arroba)yahoo(ponto)com(ponto)br
Obrigada aos comentantes: sara bezt, Bia Braz (sua linda!), nath-sw (sua fofa! hehe), Tatiane Evans (sua meiga, ex-BBB), Kerima Carvalho (some, mas sempre reaparece), gaabip (sempre aqui!), Marcyafreire (faz vaquinha para comprar o livro, já que a grana está curta!), angel blue cullen (sempre aqui também, obrigaaada!), Bianca Ps (obrigada por estar aqui!), Marilina (está aqui e em todos os cantos! hehehe), polly souto (obrigada pela presença mais uma vez!), Tali (presença cativa também, obrigada!), Tatianne Beward (uma das leitoras mais antigas aqui do Fanfiction!), Tatyperry (sempre muito carinhosa!), Glaucia S (que não cansa de ler a historinha de amor meloso criada pela Jane! hehehe), Janaina (obrigada pela paciência!), Jujubs (Never Gonna Leave This Bed é de matar mesmo! hehe), monicaalexr (obrigada!), Lary Pessi (leitora meio histérica, a gente vê por aqui!). Beijos carinhosos em todas :*
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