XIII. Amo você

- Você está bem, Nicole?

Ela se virou e mal pode ver o rosto de Remo a sua frente, graças ao estado de choque.

- Eu... Eu... Preciso ir... – Nicole saiu correndo pelo corredor e deixou o prédio das Indústrias Black o mais rápido que pode.

"Tudo era mentira de Isabel... Sirius estava sendo sincero... E eu fui uma idiota! Eu deveria ter confiado mais no Sirius e muito menos em Isabel... Mas, também havia indícios que o incriminavam..." - Sua mente estava em um turbilhão – "E agora, o que devo fazer? Será que o amor que Sirius diz sentir será capaz de fazê-lo me perdoar..."

A campainha soou insistentemente, tirando Nicole das reflexões em que se encontrava submersa.

Ela caminhou até a porta e a abriu. Quase caiu ao ver Isabel em sua porta.
- O que você quer aqui?

- Não vai me convidar para entrar querida? – Isabel sorriu cinicamente – Onde foram parar os modos da doce Nicole?

- Vá embora. Eu não tenho nada para falar com você.

- Mas, eu tenho. – inesperadamente Isabel entrou no apartamento.

- O que você pensa que está fazendo? – Nicole perguntou irritada.

Isabel observou o local rapidamente e disse:
- Meu Deus! Que decadência... Há alguns dias você morava em uma mansão divina e agora está nesta espelunca.

- Por favor, Isabel, vá embora. Eu realmente não quero perder a cabeça e agir como alguém que não sou.

- Ah! Quanta decência. – Isabel gargalhou sem humor – Você não se cansa de ser assim, não ter atitude...? Presa sempre pelas aparências e convenções.

- Isso não e da sua conta. Vá embora Isabel. Desapareça da minha vida.

- Eu farei isso com prazer... – Isabel disse a olhando com intensidade – Quando você sair definitivamente da vida do Sirius. Ou seja, quando o divorcio for assinado... Eu soube que você deu entrada nos papeis.

- Isso não é da sua conta. Você...

- A propósito, eu sinto muito por sua perda. – Isabel a interrompeu com veneno – Mas, talvez tenha sido melhor que seu filho morresse, afinal o que esperava por ele não era nada bom, ele nasceria em meio a um processo de divorcio, ou em um casamento infeliz mantido por obrigação.

- Cale-se! Não ouse falar do que aconteceu com essa frieza toda. Meu filho teria a melhor vida possível, eu iria garantir isso, mantendo ele longe de você e de pessoas como você... – Nicole estava furiosa, tinha vontade de esganar Isabel, mas sabia que era esse o intuito.

- Então você o manteria longe do pai, porque o Sirius faz parte do meu tipo de gente. – Isabel disse sorrindo.

- Se fosse preciso, eu faria isso. – Nicole disse – Eu abomino esse modo de vida e só o que eu quero é manter distancia disso tudo.

- É, Sirius, não levou isso em conta quando lhe tirou do seu mundinho. Você até que se deu bem, eu devo admitir, mas você não suportaria os escândalos e as intrigas. Você se parece com Liliam Potter neste sentido, mas no caso dela, o marido, que a ama, cuidou para que ela fosse protegida desses pormenores. Pena que Sirius não se sentiu motivado a isso. Resta saber se o problema estava em você ou nele.

Nicole não teve forças para responder, estava mergulhada em um cansaço emocional, que a fazia pensar que logo iria explodir.
- Por favor, vá embora Isabel. Esse assunto já chegou ao fim.

- Engano seu, docinho. Esse assunto só acaba quando você se divorciar de Sirius. Antes disso não. – o tom de Isabel era de ameaça – Não sei o que você está esperando. Quer ter um herdeiro para garantir seu sustento para o resto da vida? Acho que sim... Deve ser por isso que sua gravidez não foi adiante, você percebeu que poderia perder Sirius e, ainda por cima, acabar na miséria com um bastardo.

Antes que pudesse se conter, Nicole deu um violento tapa no rosto de Isabel.
- Nunca mais... Nunca mais ouse tocar nesse assunto, porque se você fizer, eu não responderei por meus atos. – ela resolveu dar um basta – Você deve se manter longe de assuntos que não lhe digam respeito. Se irei ou não me divorciar de Sirius, é problema meu e dele. Você não tem absolutamente nada com isso, já que não influencia a sua posição na vida dele, afinal, se ele quiser estar com você, ele vai estar independente de estar casado ou solteiro. Você é fácil o suficiente para aceitar isso.

- Ao menos, eu tenho certeza de que sou amada. – Isabel devolveu com veneno.

- Eu não iria tão longe Isabel. Mulheres como você são desejadas, não amadas. – Nicole rebateu rapidamente. – E sabe... Eu, sinceramente, tenho pena de você, é um sentimento que supera a raiva, porque por mais que você trame e consiga a infelicidade dos outros e sua satisfação, não consegue nada que seja seu.

- Essa é a sua opinião. – era possível ver que Isabel tentava conter sua irritação – Mas, você sabe que é um equivoco, afinal o Sirius é meu.

- Não, não sou.

As duas se viraram alarmadas e viram Sirius parado a porta do apartamento, que Nicole não havia fechado com esperança de que Isabel saísse logo.

- Eu não sou seu, Isabel. Você não significa nada para mim.

Isabel olhou de Sirius para Nicole com o rosto lívido de raiva, mas logo se controlou, revelando uma face fria e um sorriso cínico.
- Você não vai acreditar nesta mentira, Nicole. Ou você é tão obtusa assim?

- Já está na hora de você ir embora, Isabel. – Sirius tinha a voz fria – Será que você não consegue perceber quando perdeu uma batalha?

- Será que eu perdi mesmo, Sirius? – Isabel se aproximou dele – Eu tenho minhas duvidas. Mas, se isso aconteceu, eu tenho certeza de que não perdi sozinha.
Após dizer isso, ela saiu do apartamento.

Sirius fechou a porta e voltou-se para Nicole:
- Remo me disse que você deixou o escritório transtornada. – Sirius se aproximou dela – Eu fiquei preocupado e tentei te ligar, mas o seu celular estava desligado. Então decidi vir e, considerando em companhia de quem você estava, acredito que fiz bem. O que houve Nicole?

- Eu tive um pequeno mal estar, Sirius. Não foi nada sério.

Ele a observou atentamente.
- Eu quero a verdade, Nicole. Você me parece péssima e com certeza esteve chorando. - Sirius se aproximou mais dela – Me diga o que a incomoda, do que você precisa.

- No momento, eu só preciso de paz, Sirius. – Nicole desabafou com lágrimas rolando por seu rosto – Eu já não sei mais o que pensar ou o que fazer. Está tudo tão confuso... tudo tão errado.

- Eu sei... – a voz de Sirius era amável e ele a abraçou - E sei que em grande parte a culpa foi minha.

- Foi minha também, principalmente minha. – Nicole abraçou-se a Sirius e deixou que as lágrimas rolassem – Fui eu que acreditei em Isabel... Fui uma estúpida! Eu deveria ter acreditado em você, mas... – ela não conseguiu encontrar as palavras para continuar, se afastou um pouco par olhar nos olhos dele – Eu só posso te pedir que me perdoe.

A expressão de Sirius era impossível de se ler. Ele a fitou por um tempo, que para ela pareceu incontável.
- O que fez você acreditar em mim? O que mudou sua opinião?

Nicole sabia que esse poderia ser o fim, mas ainda assim optou por contar a verdade:
- Eu ouvi a discussão que você teve com Isabel. Eu cheguei um pouco mais cedo e você estava reunido com ela. Vocês não estavam falando baixo e eu ouvi o suficiente para entender que foi tudo armação dela.

- Eu havia lhe dito tudo isso antes, mas você precisou ouvir dos lábios de Isabel para acreditar. Você tem noção de como isso mostra que há algo errado? – a voz de Sirius não demonstrava emoção e ele se afastou dela.

- Tenho claro que tenho. – Nicole se retraiu, não havia como se defender. Isabel havia semeado a discórdia e ela regado, ao invés de lutar para defender seu casamento. – Eu deveria ter acreditado em você, mas...

- Como poderia saber?! – Sirius completou a frase dela com uma voz fria – Afinal, você desde o primeiro dia de casados teve receio em relação a minha sinceridade. Eu imaginei que já tivéssemos superados isso, mas parece que para você, eu não passo de um cafajeste.

- Não é assim, Sirius... – Nicole se apressou em responder – Eu apenas me senti insegura quando Isabel apareceu. Você a amou com loucura e faria qualquer coisa para estar com ela, já nosso casamento foi uma conveniência, como eu poderia lutar contra isso. Sem falar no fato de que ela é deslumbrante e experiente, enquanto eu sou uma pessoa comum.

- Não comece com essa historia novamente, Nicole. – Sirius disse enérgico – A verdade é que você se esconde atrás disso, porque tem medo de lutar por aquilo que deseja e não gostar do resultado final.

Nicole apenas o observou, talvez Sirius estivesse certo, afinal ela só revidava quando não podia mais suportar, o que acontecia depois de ter agüentado calada por muito tempo.

- Eu realmente desejo abrir seus olhos para a realidade e suas possibilidades, mas não há maneira de fazer isso, a decisão deve ser sua. – ele se dirigiu a porta – Espero que você não se arrependa de suas escolhas.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Sirius saiu do apartamento, fechando a porta atrás de si, mas afinal o que haveria para dizer?
Nicole sentia-se absurdamente confusa, precisava pensar, precisava absorver e esclarecer as informações em sua mente e, mais do que tudo, precisava decidir.

º º º

Maely abriu a porta um pouco hesitante, mas logo que a reconheceu abriu um sorriso.
- Senhora, é muito bom vê-la. – ela deu espaço para que Nicole entrasse na casa.

- Como vai, Maely?

- Eu estou bem. – Maely fechou a porta - E a senhora?

- Melhorando. – Nicole disse enigmática. – Sirius está?

- Sim. No escritório trabalhando e disse que não deseja ser incomodado.

- Acho que isso não será possível, já que eu pretendo incomodá-lo. – disse Nicole com um leve sorriso.

- Se a senhora tem certeza.

Nicole assentiu e seguiu em direção ao escritório.

Era a hora da verdade, havia decidido ir atrás do que queria e precisava. Amava Sirius e queria estar com ele e iria lutar por isso, e no fim mesmo que não desse certo teria certeza de que se esforçara.

A porta do escritório estava entreaberta e ela resolveu não bater, ao invés disso entrou sorrateiramente.
Sirius estava de costas para a porta, tão concentrado em seu trabalho que não percebeu sua presença.
Nicole se aproximou das costas dele silenciosamente e, reunindo toda a coragem que pode, começou a massagear seus ombros. Sentiu seu corpo enrijecer imediatamente.

- Dia difícil? – ela perguntou em voz baixa.

Tão logo reconheceu a voz, Sirius relaxou.
- Impossível... – ele fechou os olhos, aproveitando as sensações.

- O dia foi realmente difícil? Ou você fez com que ele ficasse?

- Um pouco dos dois...

Nicole continuou se concentrando na massagem e aproveitando a sensação de proximidade com Sirius, sendo inundada pelo seu cheiro.

- O que faz aqui, Nicole? – Sirius perguntou ainda com os olhos fechados.

- Estou fazendo uma massagem em meu marido tenso. O que mais seria? – Nicole respondeu suavemente – Você esta mesmo muito tenso... – Sirius soltou um gemido baixo – Desculpe. Usei força demais?

- Não. Está perfeito. – Sirius disse entre os dentes, jogando a cabeça para trás, recostando-a sobre os seios dela.

Nicole continuou a massagem em silencio, pelo que conhecia de Sirius, muitas vezes interromper quando ele relaxava era pior do que ameaçá-lo com uma arma.

- Você escolheu um ótimo momento para aparecer, eu estava precisando disso... – ele se afastou dela e se levantou para depois se voltar para ela – Mas, talvez você possa me ajudar em outra coisa.

- Em que Sirius?

- Nós precisamos resolver essa situação Nicole. Não se pode viver assim. – Sirius se afastou e fitou os olhos dela. – Eu amo você, você é a pessoa mais importante para mim e eu não quero vê-la magoada. Imaginei que você apenas precisaria de tempo, mas agora não sei o que pensar e detestaria imaginar que eu estou lhe fazendo mal...

- Você não me faz mal! – aquela declaração dele havia aquecido seu coração e reiterado a certeza de sua decisão.

- Não é o que parece Nicole, não é o que eu vejo.

- Me perdoe, Sirius. Eu estava confusa, não só agora, mas há muito tempo. – ela resolveu que a sinceridade era sua única arma e era o momento de arriscar tudo – Eu passei a minha vida sob o paradigma da minha mãe, temendo me tornar como ela e por isso organizei minha vida para que isso não acontecesse. Acabei não vivendo, ao invés disso, eu assistia a vida de Emanuelle, sabendo que nunca poderia ter igual. Ela também não cansava de me lembrar disso todo dia. – Nicole deu um sorriso triste – Quando Yam se declarou para mim, foi como um conto de fadas. Ele dizia que eu era a mulher perfeita para ele e eu me sentia bem... na verdade eu me sentia maravilhosa. Finalmente alguém havia me olhado e visto alguém especial. Eu apenas não imaginava que a mulher perfeita não fosse suficiente para Yam.

- Ele é um completo imbecil, cara. - Sirius se aproximou dela enquanto ouvia bastante atento.

- Eu me foquei em meus planos para o casamento e me envolvi mais e mais no conto de fadas, por isso que perdi o rumo quando fui desperta para a realidade. Acabei não notando o presente que havia ganho. – ela acariciou a face de Sirius suavemente, vendo-o fechar os olhos durante o processo – Quis odiar você, quando soube que era o responsável por meu despertar. Disse coisas horríveis a você no calor do momento e me arrependi amargamente quando pensei melhor. Ainda assim não pude me livrar de minha vulnerabilidade por ver nossas diferenças e pensar que para você eu apenas representava uma conveniência.

- Nunca foi assim. – Sirius disse, segurando-lhe a mão – Eu sabia que você não me amava e pensei que somente deste modo você aceitaria casar comigo. Até porque você não acreditaria se eu te falasse que te amo mais que minha própria vida naquela época.

- Provavelmente, não. – Nicole riu e o beijou suavemente – Mas, eu adorei ouvir isso agora. E quem sabe se eu for uma boa menina consiga ouvir novamente.

- Acredito que essa seja uma recompensa válida. – Sirius disse puxando-a para si de modo que seus corpos se moldassem – Mas, mesmo que eu não diga, esse sempre será meu sentimento, porque eu te amo hoje e sempre. Você é a minha vida.

- E você a minha. Meu amor por você é imenso.

Os dois sorriram antes de se beijarem de modo apaixonado. E este seria o primeiro de muitos beijos com amor.

FIM
(Finalmente)

O final ficou meio doce demais, mas eu precisava terminar esta para poder viver em paz e a facul está me sugando, junto com outras coisas.