Capítulo 13

Os dias se passaram, o frio do inverno deu lugar às primícias da primavera. As pessoas continuavam com suas vidas, algumas mais animadas agora, pelo calor. Catherine não se encontrara mais com Josh desde que fora até a casa dele. Ela o questionara sobre seus planos, sobre o que fazia. Ele não respondeu a nenhuma de suas perguntas. Apenas garantiu que não sabia quem era ela no começo, que apenas a ajudou e que foi se apaixonando por ela. Mas ambos concordaram que ficariam numa situação realmente difícil se continuassem a se ver. Por isso ela se despediu, concordando em nunca mais vê-lo, pelo bem dos dois. No laboratório, as coisas continuavam. A investigação ainda estava em andamento. Ela trabalhava em outros casos, mas podia perceber que às vezes quando entrava na sala de convivência os amigos disfarçavam, mudavam de assunto, saíam. Ela sabia o motivo. Estavam falando sobre o caso de Josh. E ela não podia culpá-los por agirem assim. Grissom havia dado ordens claras para que ela não soubesse de absolutamente nada sobre isso. Mas algo nos dois últimos dias a estava deixando pior. Algo que a estava torturando por dentro, algo que a deixou desesperada. E ela não conseguia esconder como se sentia.

Sara foi até o vestiário pegar o casaco no fim do turno e encontrou Catherine sentada no banco, de frente para o seu armário. A cabeça baixa, uma expressão preocupada no rosto. Ela sabia que tinha algo errado com a mulher de cabelos da cor do sol à sua frente. Ela não se parecia em nada com a mulher teimosa, esperta, de olhos vivos e inteligentes que ela conhecera (e com quem não se dera muito bem, à princípio).

_Cath, está acontecendo alguma coisa? Você tinha melhorado, mas agora está calada de novo, quieta no seu canto. Você está bem?

_Estou sim! – ela tentou forçar um sorriso, levantando o olhar para a amiga. – Só estou com um pouco de dor de cabeça, só isso.

_Uma dor de cabeça que já dura alguns dias? – Sara parecia cética, não acreditava nem um pouco que fosse só isso. – Olha, pode confiar em mim. Mas se não quiser falar, tudo bem! Eu entendo.

_Você tem razão. Está acontecendo alguma coisa.

Catherine cedera. Sara não sabia se era bom ou ruim. De qualque forma, ela havia começado isso e não podia ir embora agora. Ela sentou-se ao lado dela, sem saber direito o que fazer. Sara não era muito boa com pessoas vivas, ela sabia disso. Mas ultimamente ela havia criado um certo laço com Catherine. Estranhamente, depois que a colega a pegou aos beijos com Nick ela tinha descoberto que podiam ser amigas. Talvez não melhores amigoas, mas ainda era alguém com quem ela gostava de conversar e alguém que guardava um segredo dela. E agora Catherine estava prestes a lhe revelar algo também. E ela pressentia que não era algo muito simples, pelo tom e expressão da loira.

_É o Josh de novo? Você foi vê-lo, não foi? - ela perguntou, incentivando Catherine a continuar.

Ela fez que sim com a cabeça.

_Há umas três semanas. Eu fui falar com ele, decidida a esclarecer as coisas, saber exatamente o que ele tinha feito e dizer que eu nunca o defenderia da polícia se ele fosse acusado ou preso. Nós discutimos, brigamos... Ele me provocou, me beijou... E eu retribuí.

_E vocês... ? – ela perguntou, levantando uma sobrancelha. Não precisava terminar a frase, Catherine sabia o que ela tinha perguntado.

_Sim. – confirmou com a cabeça. – Eu passei a noite com ele. E depois conversamos de novo e concordamos em nunca mais nos ver. Mas o problema não é esse. Semana passada eu fui ao médico fazer alguns exames de rotina e há dois dias voltei ao consultório para pegar os resultados. Eu estou grávida.

Sara não pôde esconder a surpresa e o espanto em seu rosto.

_Você está grávida? Do Josh? Como foi que isso aconteceu?

_Não quer que eu conte os detalhes, não é?

_Mas vocês não se preveniam, não temiam que isso pudesse acontecer?

_Normalmente sim, mas naquela noite... Eu não fui até lá com esse propósito, apenas queria confrontá-lo e... As coisas simplesmente aconteceram e eu me deixei levar sem pensar em nada.

_Meu Deus! A mãe, uma CSI em crise apaixonada por um bandido; o pai, um mafioso a lá James Bond que é responsável pela morte de pelo menos quatro pessoas. Coitada dessa criança! – ela olhava para algum ponto à sua frente, ainda tentando absorver a informação recente.

_Sara! Não é engraçado!

_E por acaso estou rindo? É a verdade. Você já contou para o Josh? – ela voltou a encará-la.

_Não. Conforme combinamos, não nos vimos mais depois que aconteceu. Eu não sei o que vou fazer. Minha filha tem treze anos, não é mais hora de ser mãe! E uma gravidez na minha idade tem certos riscos, precisa de certos cuidados extras. Eu não sei o que fazer. Simplesmente não sei.

Ela começou a chorar baixinho e Sara segurou sua mão.

_Vai ficar tudo bem. Pode contar comigo para o que precisar. Não precisa contar nada aos outros, pelo menos por enquanto, até resolver sua situação com o Josh definitivamente. Se quiser, eu posso acompanhá-la ao médico quando for fazer os exames para saber se está tudo bem.

_Obrigada. Obrigada mesmo.

_Não tem o que agradecer. Você apoiou à mim e ao Nick, é o mínimo que posso fazer por você. Sei que no começo nós tivemos algumas diferenças a acertar e que nem sempre pensamos igual, mas não quer dizer que não podemos ser amigas.

_E como estão você e o Nick? – ela mudou de assunto, esboçando um sorriso.

_Estamos bem. Sempre com medo que alguém descubra, principalmente que o Ecklie descubra. Ele vai jantar lá em casa hoje. Sabe, nunca pensei que eu pudesse gostar tanto dele, mas agora simplesmente não consigo me imaginar sem ele. É estranho, não é?

Enquanto falava, Sara começou a sorrir abertamente. Catherine sabia o que era. A doce sensação de se descobrir apaixonada e achar que o resto do mundo não sabe como é. Era bom ouvir algo além de seus próprios problemas, principalmente algo agradável.

_Vocês tem sorte de terem um ao outro. Sei que vão ser muito felizes e que vão arrumar um jeito de contornar a situação do laboratório.

_Já estivemos pensando nisso. Eu recebi algumas propostas da universidade de Las Vegas há um tempo, estive pensando em aceitar.

_E deixar o laboratório?

_ Talvez. Ainda não sei. Mas em algum momento teremos que contar para e depois disso não poderemos mais trabalhar juntos e a universidade me parece uma boa opção.

O celular de Sara tocou. Ela olhou para a tela por alguns segundos e então olhou para a outra CSI.

_Eu preciso ir. Mas se precisar de alguma coisa,você sabe que pode contar comigo.

_Obrigada. Tenha uma boa noite.

_Você também.

E então Sara saiu do vestiário, deixando Catherine presa em seus pensamentos, de volta com seus próprios fantasmas e sem nenhuma opção à vista.

No fim do turno, já quase de manhã, Sara e Nick foram tomar café juntos, numa lanchonete. Ele dissera que tinha uma coisa para falar com ela, mas não adiantara o assunto. Eles foram para uma mesa reservada, mais ao fundo. Sara olhou em volta, observando a decoração de madeira e mármore. Do lado de fora da grande janela de vidro que cercava todo o estabelecimento via-se o estacionamento, onde os primeiros raios de sol começavam a brilhar.

Eles fizeram o pedido para uma garçonete com cabelos fartos e ruivos presos numa espessa trança e um sorriso sem graça. Ela saiu para preparar o pedido e os deixou conversando. Nick tinha uma coisa para ela, mas não sabia ao certo se seria o momento certo. Levou a mão ao bolso e apalpou de leve a pequena caixa.

_Você está alguma coisa? – Sara perguntou, notando a expressão preocupada no rosto dele, o olhar perdido.

_Não, está tudo bem. – ele olhou para ela, sorrindo. – Eu só estava pensando se... bom, não é importante!

_Tem algo que você quer me contar?

_Não, não é nada. É que eu estava pensando em todos esses casos... as pessoas estão se casando cada vez mais tarde, passando mais tempo á procura daquela pessoa especial. Mas como é que a gente sabe que já encontrou ?

_Não sei, acho que você só... sabe. – Sara tentou responder. – Não existe uma fórmula mágica. Casamento é isso, é aprender a compartilhar, a fazer coisas que você não gosta tanto... eu não sei. Na verdade nunca me imaginei me casando, vestida de noiva e essas coisas todas.

_Sei.. ele concordou num suspiro e com uma nota de desapontamento na voz.

Em seguida, a garçonete chegou com os pedidos. Eles comeram e depois cada um deles foi para sua casa. Nick se despediu dela com um beijo na bochecha e seguiu seu caminho pensando se era a escolha certa. Ainda havia tempo para desistir. Depois de tudo o que ela dissera, já não tinha tanta certeza se seria a melhor coisa a fazer. Era um passo grande demais e havia tantas chances de dar certo quanto de dar errado. Mas havia aquela vontade dentro dele, aquela sensação que dizia que ele tinha que tentar. Colocou a mão no bolso novamente, sentindo o objeto que ele queria dar a Sara. Agora já não tinha certeza se seria o melhor a se fazer. Talvez devesse esperar mais um pouco pelo momento certo. Mas ele saberia quando chegasse o momento certo ?