Capítulo 14/54
Booth saiu do elevador e caminhou pelo corredor atapetado. A papelada estava finalmente concluída. Tudo o que ele precisava era de um banho rápido, e vestir o smoking que o aguardava no quarto. Bones o deixara há algumas horas, a fim de pegar as roupas deles. Ele estava mais atrasado do que esperava, e ela deveria estar esperando-o.
Quando ele bateu na porta, esta se abriu um pouco. Surpreso por achá-la destrancada, ele entrou com cuidado.
"Bones?"
Nenhuma resposta. Ele tirou a arma, e olhou pelo quarto, rapidamente. Booth não esperava que ela alugasse uma suíte, e olhou ao redor, maravilhado. Era melhor mobiliado do que seu próprio apartamento. Andando na direção da porta do banheiro, ele chamou novamente.
"Bones. Está aí?"
Uma voz abafada veio de trás da porta fechada, do que ele presumiu ser o banheiro.
"Sairei em um minuto, Booth."
Ele relaxou e guardou a arma. "Sem pressa" ele respondeu, servindo-se de uma bebida. "Sabe que não trancou a porta?"
"Não queria que ficasse esperando no corredor, Booth."
"Não é a questão, Bones."
Booth se virou para a sala, e notou seu smoking pendurado na porta do quarto. Ele deu uma breve olhada, impressionado pela qualidade, quando ouviu a porta do banheiro abrir. Virando-se, Booth engasgou à visão.
Temperance usava um vestido cor de cereja, longo, brilhando com cristais. Sem mangas, com uma gola em V que enfatizava o busto.
"Estou bem?" ela perguntou, nervosa.
Booth ficou sem fala. O cabelo dela preso para o alto, com cachos suaves, com alguns fios pendurados, sedutoramente. Os olhos fumegantes enfatizados pelas cores vibrantes contornando o corpo dela.
De boca aberta, ele indicou a ela que se virasse. Ela se virou lentamente nos saltos que deixavam sua estatura elegante um pouco mais alta. A parte de trás do vestido descia pelas costas dela, presos por duas faixas que se cruzavam. Quando terminou de se virar, ela esperou, ansiosa, pela resposta dele.
Quando nenhuma resposta veio, ela disse alto. "Você odiou. Eu sabia que deveria ter escolhido o preto."
"NÃO!" ele disse, rapidamente. "Você está... nossa. Tão... nossa."
"Mesmo?" ela suspirou aliviada. "Obrigada."
Booth bebeu o resto do whisky do copo. "Eu deveria me aprontar também." Esta noite testaria de verdade os limites de sua força de vontade.
Quando Booth saiu do banheiro, usando somente uma toalha ao redor da cintura, sinceramente esperava que Temperance estivesse aguardando-o na sala. Sua respiração falhou quando ele a viu sentava ao pé da cama, brincando com o anel da mãe. "Está bem?"
"Só pensando."
"Sobre?"
"Uma sequência aleatória de eventos."
Ele pegou o smoking. "Pode explicar?"
"Não, realmente." Ela se virou para encará-lo. "Não precisamos ficar muito no evento, precisamos?"
"Não. Umas duas horas devem bastar. Por quê? Tem outro lugar para ir?"
"Sim?" ela sugeriu.
Booth a encarou, confuso, então, olhou pelo quarto deles. Quarto dela, ele mentalmente se corrigiu. Ela alugara esse quarto por causa das desculpas anteriores dele. Algum lugar bom o suficiente para ele se sentir confortável com o que planejavam fazer.
"Oh," ele percebeu, desviando o olhar do dela. "Aquilo."
"Odeia tanto a idéia?" ela perguntou, a voz trêmula. "O pensamento de ter relação sexual comigo é tão repulsivo para você?"
"Bones, eu..."
"Eu deveria te deixar se arrumar. Não queremos provocar a ira de Caroline." Ela fechou a porta atrás de si, de cabeça baixa. Lutou para não chorar. A maquiagem levara muito tempo para ficar pronta, para estragá-la agora.
Temperance afundou-se no sofá. Não deveria ser assim. Ela voara até aqui, sabendo que ele estava trabalhando, acreditando que teria uma ou duas horas para satisfazer as necessidades dela. Biologicamente, a participação dele levaria alguns minutos. E então, ele a beijara. No motel dele, antes de serem interrompidos. E, para ela, foi maravilhoso. Como se a última peça do quebra-cabeça se encaixasse. Ela sabia que sempre fora fisicamente atraída por ele. Mas agora parecia ser muito mais.
Ela se perguntou novamente o que o fazia se sentir desconfortável, no quarto de motel. O que a fizera correr. Rindo suavemente, ela se perguntou o que o possuíra para pará-la.
E então, ele a beijara novamente. Ela fechou os olhos, trazendo os dedos até os lábios.
O som da porta se abrindo chegou até ela. "Pronta par ir?" ele perguntou.
Respirando fundo, ela se levantou elegantemente. "Claro."
"Finalmente!" Caroline exclamou, quando o casal entrou no salão. A tensão entre eles não deixou de ser notada, quando Temperance andou diretamente até a mesa e se sentou. "Qual o problema dela?"
Booth cruzou os braços, em defesa. "Não pergunte, Caroline. Não vai gostar da resposta."
"Bem, então é melhor que vá até lá e resolva isso, antes que ela espante os doadores."
Booth começou a andar na direção de Temperance, quando a mão de Caroline o segurou pelo braço.
"Precisa de uma oferta de paz." Ela pegou duas taças de chamapagne da garçonete que estava passando. "Aqui."
Temperance olhou rapidamente para cima, quando Booth sentou-se na frente dela, empurrando a taça sobre a mesa
"Não posso fazer isso." Ele começou. "Preciso que sejamos completamente honestos um com o outro, e isso se resume a uma coisa. Isso... ter um bebê assim... é errado. Toda essa conversa sobre fertilidade e sobre as coisas continuarem a ser como são. Isso tem que parar."
"Concordo."
"Sei que uma vez que coloca uma coisa na cabeça, é difícil fazer com que volte atrás, e a última coisa que quero é te machucar, Bones. Você significa muito para mim, mais do que... espere... o que?"
"Concordo com o que está dizendo. Eu fui tola por sequer considerar isso como opção viável. Está causando uma ruptura entre nós, o que provavelmente prejudicará nossa parceria, e não posso arriscar. O que temos já é especial demais." Ela olhava para suas mãos, enquanto falava. Temperance Brennan geralmente achava muito difícil mentir.
Esta noite, ela se viu numa situação em que era difícil demais dizer a verdade. Que, pela primeira vez na vida, ela sabia como era sentir amor.
Booth sentou-se na cadeira ao lado dela. "Está mentindo," ele afirmou, erguendo o queixo dela com o dedo. "Olhe em meus olhos e diga isso."
Eles se olharam por muito tempo, até Booth vir, pelo canto dos olhos, vultos se aproximando.
"Posso apresentar-lhe a Dra. Temperance Brennan." Caroline disse, ao sujeito rico que a acompanhava.
Debaixo da mesa, Booth correu a mão sobre a dela, transmitindo tranquilidade, enquanto ela respondia as perguntas que eram feitas. Eventualmente, quando o tédio bateu em Booth, ele se desculpou e andou até a pista de dança.
"Parece que precisa de uma pausa," ele ofereceu, plantando a mão livre nas costas dela. A respiração dele se afiou, quando percebeu que tocava a pele dela. Girando-a pela pista de dança, ele continuou a conversa de antes.
"Está dizendo que está pronta para esquecer sobre ter um bebê? Por enquanto, pelo menos."
Ele viu os olhos dela brilharem entre certeza e confusão, antes de considerar o pedido dele.
"Não. Pensei nisso por muito tempo, Booth. Não posso desistir."
"Então, não posso te decepcionar," ele disse, gentilmente. "Mas precisa ver as coisas da minha perspectiva. Precisa aceitar que isso mudará as coisas. E que nos mudará."
Eles dançaram em silêncio por alguns minutos, permitindo a música tomar conta deles.
"Por que é tão importante que trate isso como uma sedução?" ela perguntou.
"O que?"
"Por que tem que ser tão... perfeito? O resultado final não é afetado por circunstâncias externas."
"Simplesmente tem que ser, Bones."
"Só estou tentando entender sua motivação, Booth. É necessário que o humor seja ajustado para uma inclinação romântica? Com certeza, já teve encontros sexuais casuais antes."
"Bones! Não há nada casual aqui." Ele a puxou mais perto, a cabeça dela descansando no ombro dele.
"Explique para mim, por favor, por que acha isso tão difícil. Já me disse que me acha fisicamente atraente. Nos damos bem." Ela respirou o cheiro dele. "Está cheiroso."
"Como?" ele perguntou, divertido, cheirando o cabelo dela.
"Bem, você cheira." Talvez ela bebera champagne demais. "As pessoas já pensam que dormimos juntos. Fazem isso o tempo todo."
"Incluindo seu pai," ele murmurou.
"Mesmo?" Ela se afastou, e viu-o sorrindo para ela.
O rosto dela queimava de constrangimento. "Ele exigiu saber por que não estávamos dormindo juntos. Me perguntou se eu era gay."
Temperance explodiu em risadas, fazendo Booth rir histericamente, e nenhum dos dois notou um solteiro bonito que apareceu ao lado deles.
"Posso interromper?" Era um dos homens que fazia perguntas a Temperance, à mesa.
"Claro." Booth respondeu, constrangido, antes de sair para o bar, para pegar bebida para eles. Caroline o pegou de passagem.
"O que está acontecendo aqui? E não pense que pode mentir para mim, Seeley Booth. Sou uma Promotora Federal. Saberei se não estiver dizendo a verdade."
"Vamos dizer que estamos atualmente definindo nosso relacionamento."
"Então, há uma paixão séria acontecendo." ela disse, sorrindo torto.
"Não é o que eu disse, Caroline."
"Pode especificar? Apostei vinte dólares nisso."
"Há uma aposta?" Booth perguntou, incrédulo. "Onde?"
"Não ouviu isso de mim. É no FBI. Mas está aberta a todos. Tem idéia de quantas pessoas trabalham lá?"
"O que estou dizendo? Claro que há uma aposta. Sempre há uma aposta," ele grunhiu, seco.
"Agora." Caroline colocou as mãos nos quadris. "O que está fazendo aqui? Deveria estar dançando com aquela moça bonita."
"Tem razão." Ele andou de volta à pista de dança. "Se importa se eu interromper?"
"Bem, na verdade..." o outro homem começou, mas Temperance falou.
"Por favor, interrompa," ela disse, os olhos implorando.
De imediato, Booth a puxou de volta aos seus braços. "Melhor?" ele perguntou.
"Muito," ela sorriu de volta. "O homem era inacreditavelmente entediante."
"Está sugerindo que sou melhor companhia do que um médico rico?" Booth brincou.
"Espere! Ele é um médico?" Ela virou a cabeça para procurar o homem com quem dançava. Quando se virou de volta, Booth parecia humilhado. Preocupada, ela cruzou os dedos pela nuca dele. "Hey," ela disse, suavemente. "Só estava me certificando que ele estava longe antes de eu começar a castigá-lo por me deixar com homens estranhos." os olhos dela procurando algum tipo de verdade nos dele.
"Bones..."
"Isso realmente mudaria o modo como nos sentimos? Mudaria qualquer coisa? De verdade?"
"Não." Ele engoliu o caroço imaginário que estava preso na sua garganta. Nada mudaria o que ele sentia por ela. De repente, ela não estava mais dançando.
Ao invés, ela o puxava pela pista, na direção da saída. Um tremor correu o corpo dele, quando ele pensou no que estava prestes a acontecer. Eles andaram pelo hall do prédio, de mãos dadas, até chegarem ao elevador. Ela apertou o botão. E então, Booth percebeu que deixara a pouca força de vontade restante no salão de festas.
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NT: Devo continuar a traduzir? :p
