Notas iniciais do capítulo:

Música: Bad Moon Rising - Creedence Clearwater Revival


Ele não tinha a menor idéia do porquê estava indo até lá. Ele havia tomado uma decisão há muito tempo atrás, desde a última vez que os vira, que o que estava prestes a fazer agora não ia se repetir. Mas ela tentara falar com ele na noite anterior. Ela procurou por ele. Se ele não estivesse naquela festa idiota poderia ter se livrado da curiosidade que o corroia agora. Será que tinha algo a ver com o que fora publicado sobre a convenção? Era algo ruim, mas ele pedia com todas as suas forças que fosse exatamente o que ele estava imaginando. Mas se não fosse… Ele provavelmente cumpriria sua promessa de nunca mais voltar a vê-la.


Ela estava sentada no balcão da pequena cozinha, as pernas balançando levemente no ar, enquanto apenas observava aquele homem perfeito – usando somente uma calça de moletom escura – abrir e fechar os armários e a pequena geladeira, e encher o espaço livre ao lado dela com alguns pacotes de biscoito e bebidas.

Jensen parou de frente para ela, fazendo-a parar de balançar as pernas, que agora escorregavam lentamente para ele. Ele riu, seu sorriso iluminado e contagiante, antes de colocar as mãos na cintura dela e puxá-la para um beijo.

Gabs ainda não conseguia acreditar que tudo aquilo fosse real. Não seria a primeira vez que ela estaria sonhando com isso. Mas tudo ali, por mais insano que fosse, dava sinais de que realmente estava acontecendo. Como o perfume dele que estava por toda parte, a camiseta dele que ela estava usando, as mãos dele em contato com a pele dela,…

— Jensen! Você está aí?

Os dois interromperam o beijo, assustados, e olharam para a porta da suíte ao mesmo tempo, como se alguém fosse entrar a qualquer momento. E a cena não era nem um pouco normal. Gabs estava sentada no balcão da cozinha, vestindo apenas uma camiseta masculina, enquanto Jensen segurava sua cintura e suas pernas de um jeito provocante.

— Jensen! — a voz do outro lado da porta continuou a chamar.

Por mais que tivessem total consciência de que precisavam se separar e fazer alguma coisa, eles continuavam grudados um ao outro. Gabs tomou a iniciativa de afastá-lo um pouco, por mais difícil que fosse, e descer do balcão, as pernas um pouco trêmulas, talvez por nervosismo ou por outra coisa.

— Quem é? — sussurrou ela, lançando um olhar interrogativo para a porta.

— Acho que é o Jared. — respondeu Jensen, no mesmo tom de voz.

— É melhor eu me trancar no banheiro. Ou pular pela janela, sei lá. — murmurou ela, caminhando em passos cautelosos para sair dali.

— O quê? Não… — falou Jensen, segurando o braço dela, impedindo-a de se afastar. — Está tudo bem, o Jared sabe que… — foi então que ele percebeu o que estava prestes a dizer, e logo se arrependeu ao ver a expressão de choque no rosto pálido dela.

— Você contou pra ele? — se ela pudesse, com certeza teria gritado, mas sua voz era apenas um sussurro de indignação. Jensen imaginou que ela estava irritada. Mas a verdade é que o sangue que fervia agora no rosto dela, deixando-a completamente corada, não tinha absolutamente nada a ver com raiva.

— Eu… — Jensen tentou pensar em alguma coisa, mas era inútil. Então achou melhor falar logo e desculpar-se depois. — Eu contei. Eu precisava falar com alguém, eu precisava de ajuda. — ele murmurou, antes de se aproximar mais dela, levantando o rosto vermelho dela para encará-lo. — Sério, me desculpe por isso.

— Não, tudo bem. — ela falou, um pouco nervosa. — Eu vou… botar uma calça pelo menos…

— Você não está com raiva? — ele perguntou, surpreso.

— Não, é claro que não! — respondeu ela, sendo sincera. — Eu só estou… envergonhada. — ela admitiu, com um meio sorriso tímido. — Porque… ele sabe sobre a gente. E eu estou aqui agora… E…

Jensen sorriu, antes de segurar o rosto corado dela e pressionar seus lábios de um jeito delicado e agradecido. Ele observou os olhos claros dela, um pouco confusos. As mãos de Gabs estavam no corpo dele, em reflexo. Ele desceu uma das mãos para segurar as delas e afastá-la.

— É. É melhor você colocar uma roupa. — concordou Jensen, com um leve sorriso safado, os olhos enciumados passando da porta da suíte para o corpo da garota, fazendo-a queimar de vergonha novamente.


Jared acomodou-se na poltrona próxima à porta, mas não parecia nem um pouco confortável. Ele olhou em volta e observou a sala vazia, antes de voltar sua atenção para Jensen, que saía da cozinha com três copos de suco, apenas confirmando uma teoria que rondava os pensamentos de Jared.

Jensen deu um dos copos a Jared, que agradeceu em silêncio e tratou de ocupar-se bebendo o suco, evitando falar qualquer coisa que o fizesse se arrepender mais tarde. Alguns segundos depois, saindo do quarto, uma garota apareceu. Os cabelos compridos estavam presos, ela estava usando uma camiseta cinza, grande demais para o seu tamanho, e uma calça jeans, e ela parecia extremamente nervosa, como se quisesse sair correndo dali a qualquer momento. Bem, ela não era a única.

— Jared, essa é a Gabriela. — disse Jensen, segurando a mão dela e trazendo-a para a sala. A apresentação era desnecessária, mas ele sentiu que precisava interromper o silêncio incômodo que estava se formando ali.

Jared lançou um sorriso na direção dela. Gabs sentiu muito mais do que um mero cumprimento no olhar dele, mas preferiu não se preocupar muito com isso.

— Então? — Jensen murmurou, encorajando o outro a dizer alguma palavra, nem que fosse só para explicar o motivo de ele estar ali.

— A Diana ficou muito feliz por você ter voltado e ter feito aquele painel hoje à tarde. — Jared falava em um inglês rápido. Gabs preferiu pensar que ele não sabia nada de português para poder incluí-la na conversa. Ou que ele estava nervoso demais para falar devagar, de um jeito que ela pudesse entender. Então ela resolveu apenas prestar atenção em suas palavras e fingir que não estava entendendo nada, para que ele se sentisse mais à vontade. — E a Danneel foi conversar com ela, e foi se desculpar. Ela explicou o que aconteceu entre vocês dois e pediu para que te dessem um pouco mais de espaço.

— Ela pediu isso? — perguntou Jensen, um pouco confuso e surpreso. Danneel realmente era uma pessoa muito contraditória. Mas Jensen sentiu-se agradecido, pela atitude dela.

— Sim. — falou Jared, seu tom de voz indicava que ele também estava surpreso. — E a Diana veio me falar sobre isso depois. Ela não quer te incomodar, de jeito nenhum, mas ela acha que se você sumir de novo, as pessoas vão ficar comentando e ninguém vai te deixar em paz, só vai ser pior.

— E o que ela sugeriu? — Jensen logo percebeu que se tratava de algum pedido. Queriam que ele continuasse fazendo o que veio para fazer. Ele realmente não se importava em ajudar, em fazer o seu trabalho. Ele discutiu com Danneel por causa disso, ele viera até ali por causa disso. E por mais que ele quisesse estar lá, fazendo parte da convenção, ficando com os fãs e aproveitando algo que ele gostaria de fazer, havia algo mais forte, que o impedia de se afastar. Ele segurou a mão de Gabs com mais força quando teve esse pensamento.

— O coquetel hoje à noite. — respondeu Jared, sendo logo interrompido por um suspiro de Jensen. — São só algumas horas, e você não precisa ficar a noite toda. Mas pense bem, Jensen, é o último evento da convenção. Sua última chance de concertar as coisas e sair bem daqui.

Gabs não deixou transparecer, ainda queria que pensassem que ela estava totalmente perdida ali, mas as últimas palavras de Jared a fizeram sentir uma sensação estranha. Depois dessa noite, eles estariam prontos para partir. E Jensen voltaria para casa. E Gabs voltaria para casa também. E seria como um daqueles romances de acampamentos de verão, que ela via em filmes bregas, em que a garota vivia uma incrível paixão durante as férias. Mas os filmes geralmente terminavam durante a parte em que o casal estava feliz e se beijava enquanto os créditos subiam na tela. Os filmes nunca mostravam a parte em que a garota teria que voltar para casa e nunca mais veria o seu amor novamente. E isso a assustou mais do que deveria. Porque agora ela se sentia completamente insegura, como se a qualquer momento ela fosse se partir em vários pedaços, de um jeito que ela não tinha a menor idéia de como concertar.


Ela não devia ter inventado uma desculpa qualquer e ter saído daquele jeito. Gabs percebeu o quão confuso Jensen ficara. Mas ela precisava sair dali. Ele pedira para que ela fosse ao coquetel. Se Gabs descobrisse o que estava acontecendo com ela, talvez contasse a ele. Porém, ela não estava tão certa se queria descobrir o que estava acontecendo.

Gabs decidiu voltar para o seu quarto, onde poderia tomar um banho demorado, e ficar ouvindo música alta. Ela abriu a porta e viu que estava sozinha. Provavelmente Jess ainda estava no salão, tirando fotos ou algo assim. Algo que ela deveria estar fazendo também. Esse pensamento a fez sorrir. Como as coisas puderam sair totalmente de rumo? Todos os planos que ela fizera, desde o dia em que decidira estar ali, sobre tirar fotos, pedir autógrafos, as coisas que queria dizer quando encontrasse com os seus ídolos, as coisas que iria fazer, das quais iria se orgulhar e rir muito depois quando estivesse contando aos seus amigos, tudo isso simplesmente se fora. Era impressionante como um sentimento conseguia bagunçar tanta coisa.

E logo, ela estava deitada na cama, depois do banho, os cabelos molhados na borda do colchão, pingando lentamente no chão, enquanto todas as últimas horas passavam pela sua mente. Ela se lembrou de quando gritara feito uma doida a primeira vez que vira Jensen, no hospital, pedindo para que ela se controlasse. E daquela estrada solitária, onde eles pararam para comer e falar sobre suas vidas, como se já se conhecessem há anos. E o hotel, o beijo na chuva, o primeiro beijo, que mudara absolutamente tudo. A pedra que ele tocara naquele maluco na rua. E depois um dos momentos mais incríveis da vida dela, na suíte do Sr. Ackles. Ela sorriu com cada um desses pensamentos, e antes de adormecer, desejou com todas as suas forças que esse dia jamais acabasse, para que ela pudesse continuar vivendo isso.


— Não que você precise disso, porque você já é perfeita,… mas eu vou te ajudar a ficar terrivelmente linda para essa festa. — disse Jess, animada, balançando o pequeno tecido preto diante dos olhos da amiga.

— Jess, eu não sei se isso é uma boa idéia. Talvez acabe sendo um pouco constrangedor e…

— Constrangedor vai ser se você ficar aqui, passando as últimas horas da convenção nesse quarto.

— Mas eu estou bem aqui…

— Gabs, por favor. Você tem que ir!

— Não, eu não posso. — interrompeu ela, nervosa. — É como você disse, Jess, são as últimas horas e… eu não sei se eu estou bem para ir até lá e ter que me despedir. — admitiu Gabs, sentindo uma sensação estranha no peito, que subiu por sua garganta e quis transbordar em seus olhos.

— Ah, amor… — Jess deixou o vestido na cama e foi até Gabs para abraçá-la. — E é exatamente por isso que você tem que ir. Porque, depois de amanhã, tudo o que você vai conseguir pensar é que ele foi embora, e você nem ao menos se despediu dele. Então, por favor, não faça isso com você mesma, Gabs.

Ela sabia que a amiga tinha razão. E por mais que Gabs tentasse agir da forma correta, que seria ficar ali e tentar superar o quanto antes possível para que a dor fosse menor, todos os seus pensamentos gritavam para que ela se levantasse e fosse encontrar o homem que fizera o coração dela parar e bater mais rápido ao mesmo tempo.


I see the bad moon rising

I see trouble on the way

A música era alta e envolvente, e algumas pessoas circulavam entre as mesas, dançando ou apenas conversando. Os mais reservados ficavam sentados, bebendo alguma coisa. E mais adiante, um tumultuado de fãs estava rondando algumas pessoas, provavelmente os atores que resolveram se juntar à festa. Além das pequenas mesas redondas forradas com toalhas escuras, outra mesa maior em um canto estava repleta de bebidas e alguns aperitivos. A iluminação estava baixa, porém suficiente para enxergar, era adequada para a festa. Ninguém imaginava que o coquetel se tornaria uma festa assim, mas os organizadores da convenção resolveram surpreender os fãs e preparam um verdadeiro evento inesquecível, com música ao vivo no fundo do salão, luzes coloridas, e tudo que eles tinham direito. A banda contratada tocava algumas músicas que os fãs reconheciam da série, algumas mais lentas, às vezes um rock animado, e outras que levavam todos a cantarem juntos com os copos erguidos.

I see earthquakes and lightnin

I see bad times today

Jensen conseguiu se afastar da multidão por alguns segundos e ficou em um canto mais escuro do salão, esperando que ninguém fosse incomodá-lo ali. Ele observou a movimentação da festa por alguns segundos antes que alguém parasse ao seu lado, em silêncio, os olhos azuis voltados para o mesmo ponto em que os olhos de Jensen estavam.

— Está se divertindo? — perguntou ele, antes de virar-se para encarar o amigo que estava ao seu lado.

— Claro! Eu adoro essas festas, você não? — respondeu Misha, com um leve sorriso.

— Você sabe que não. — disse Jensen, com uma leve risada. Mas ele não parecia muito feliz. A verdade é que ele não queria estar ali. Ele queria estar em outro lugar. Com outra pessoa.

Misha concordou, antes de voltar sua atenção para o ponto onde Jensen perdera seu olhar a alguns segundos atrás. A ruiva dançava animadamente ao lado de sua amiga, e era constantemente interrompida por algumas garotas que tomavam seu tempo para tirar fotos, o que Danneel fazia de muita boa vontade. Ela estava incrivelmente sexy no vestido dourado cintilante e decotado, justo em seu corpo, e curto o suficiente para deixar suas lindas pernas à mostra.

— Hey, aquele não é o…?

Riley Smith.

Antes mesmo que Misha terminasse a pergunta, Jensen voltou sua atenção para o loiro que estava no meio do salão, indo a passos lentos na direção de Danneel.

Por que diabos ele estava ali?

Jensen não achou que se sentiria assim quando reencontrasse com o seu ex-amigo. Ele imaginou que poderia se sentir culpado, ou talvez até esperançoso por retomar a amizade. Mas o que passava por sua cabeça agora eram idéias totalmente diferentes.

Riley provavelmente ficara sabendo da briga entre ele e Danneel e viera para tentar conversar com a ruiva. Mas como ele podia ser tão…? Eles haviam discutido há menos de 24 horas, e aquele intrometido já estava ali, rondando a sua mulher.

Não.

Ex-mulher.

Eles não haviam resolvido o assunto com todos os detalhes. Mas parecia ser definitivo. O casamento estaria terminado quando eles voltassem para o Texas.

Então por que ele estava com tanta raiva do loiro que conversava animadamente com Danneel agora?

Don't go around tonight

Well, it's bound to take your life

There's a bad moon on the rise

Jensen largou a sua bebida nas mãos de Misha e andou até o centro do salão. Ele não tinha idéia do que estava fazendo, mas por alguma razão, ele estava indo na direção de Danneel e Riley.

— Jensen! — Riley exclamou, com uma fingida surpresa, dando leves tapinhas no ombro do loiro antes de voltar sua atenção para Danneel e ignorar o outro completamente.

— Danny, você tem um minuto. Eu… — falou Jensen, apontando para algum canto do salão.

Ele não sabia o que queria conversar com ela, mas fingiu que estava deixando o assunto subentendido. Danneel piscou algumas vezes, um pouco confusa, antes de exibir um amplo sorriso e pedir licença à Riley. Ela seguiu Jensen até uma mesa vazia mais afastada da multidão e cruzou os braços, querendo parecer impaciente, enquanto esperava que Jensen dissesse alguma coisa.

— Então…?

— O que ele está fazendo aqui? — perguntou Jensen, tentando não parecer tão irritado.

— Riley? Ele veio me ver. — disse ela, como se a resposta fosse óbvia.

— Aqui? Hoje?

— Jensen, o que você quer? — perguntou Danneel, cansada. — Eu não vejo problema algum em ele estar aqui. E você deveria estar bem com isso também. Afinal,… — ela não terminou a frase, deixou que Jensen encontrasse a resposta em sua própria mente.

— É. Eu sei. Me desculpe, Danny, eu só…

— Ficou com ciúmes? — riu ela, divertida com a situação.

— Fiquei preocupado. — cortou Jensen, irritado. — Ele aparece assim, do nada, fingindo que nada aconteceu…

— Ah, sim. Talvez ele esteja planejando arruinar nossas vidas. — murmurou Danneel, fingindo estar com medo. — Oh, não, espere! Elas já estão arruinadas! Obrigada por se preocupar, Jensen. — disse ela, com um leve sorriso, antes de dar as costas a ele e voltar para o meio do salão.

I hear hurricanes blowing

I know the end is coming soon

— A sua namorada está bonita.

Jensen virou-se surpreso, e encontrou Riley ao seu lado, com um leve sorriso no rosto, enquanto olhava para a alguém na multidão. Irritado, Jensen apenas voltou a olhar para Danneel, que agora estava dançando com uma amiga.

— Não a Danneel. — falou Riley, com uma leve risada. — A outra.

Jensen gelou ao perceber do que ele estava falando.

Seus olhos voltaram-se para a mesma pessoa que Riley estava observando.

Ela usava um vestido preto curto, de saia levemente rodada e corpo com detalhes de espartilho; e sandálias fechadas também escuras. Seus cabelos estavam em um coque propositalmente desajeitado, com alguns fios soltos em seu rosto e em seu pescoço.

Gabs estava linda.

Jensen nunca vira ela além dos jeans e camisetas. Ele gostava desse estilo simples e confortável, gostava mais ainda quando a vira usando uma camiseta sua, o que na opinião de Jensen, era uma das peças de roupas mais sexy que uma mulher poderia vestir. Mas ele não negava que um estilo de festa, com vestidos justos, saltos e maquiagens mudava uma mulher. E Gabs estava indubitavelmente incrível essa noite.

Ela conversava animadamente com uma menina de cabelos escuros e mais dois rapazes. Eles pareciam ter a mesma idade que ela. O mais alto, de cabelos escuros, estava ao seu lado, segurando sua mão, puxando-a para dançar. Gabs apenas ria, tímida.

Aquela cena causara um choque um tanto estranho, algo que Jensen não estava muito certo do que era. Mas além disso e da beleza arrebatadora dela, havia algo mais ecoando nos pensamentos de Jensen.

Como Riley sabia sobre Gabs?

I fear rivers over flowing

I hear the voice of rage and ruin

— Como é? — Jensen tentou parecer confuso com o que o outro dissera, mas tudo em sua voz, e no olhar que ele lançara para Gabs há alguns segundos atrás, indicava que ele sabia exatamente do que Riley estava falando.

— É, deve ser estranho de ouvir. — murmurou Riley, pensativo. — Mas você é um homem de sorte, Jensen. Conquistou as mulheres mais bonitas daqui. Já era de se esperar. Você sempre consegue o quer… — disse ele, a voz seca, lançando uma indireta que Jensen entendera muito bem. — Mas não se pode ter tudo. E é uma pena que você e a Danny não estejam mais juntos. Porque quando souberem que você está namorando uma criança, bem… você vai perder as duas. É, talvez eu tenha me enganado. Você não é tão sortudo assim. — riu ele, voltando-se agora para Jensen, que o encarava em silêncio.

Jensen estava terrivelmente calmo por fora. Mas a verdade é que ele queria fazer Riley engolir cada palavra que ele dissera. Aquilo não podia estar acontecendo. Era um pesadelo! Como Riley soubera sobre ele e Gabs afinal?

— A única criança que eu vejo aqui é você, Riley. — respondeu Jensen, a voz controlada, antes de desviar os olhos, torcendo para que o outro fosse embora e o deixasse em paz.

— O que foi? Eu mexi com algo que não deveria?

— Sem dúvida, sim. — cortou Jensen.

— Isso significa que você já tem sentimentos pela garota? — perguntou Riley, rindo alto agora. — A Danny já sabe que você está querendo adotar essa menina?

— Riley. — Jensen fechou os olhos e contou até dez mentalmente. Mas para seu azar, o loiro ainda estava ali, com aquele sorriso convencido no rosto.

— Ah, Jensen, qual é… Não fique tão irritado. Você sabia que isso não ia dar em nada. Olha só pra ela! — disse Riley, apontando o copo em suas mãos na direção de Gabs. — É assim que tem que ser. Uma garota normal, conversando com garotos normais, e não com alguém que tem idade para ser o pai dela, ou que bagunçaria a vida dela completamente.

Jensen não queria escutar aquilo. Não queria admitir para si mesmo que o que aquele imbecil estava dizendo era verdade. Que o melhor para Gabs seria isso que Jensen estava vendo: ela dançando com um garoto normal, sem preocupações, sem medos.

— O que você quer, Riley? — perguntou Jensen, não mais preocupado em controlar seu desagrado. Ele chegou a duas conclusões: ou Riley estava ali para perturbá-lo, ou queria alguma coisa para manter-se calado.

— Eu já consegui o que eu queria, Jensen. A Danneel está livre.

É, ele estava ali para perturbá-lo.

— Ótimo, fico feliz pela sua conquista. — disse Jensen, sarcástico. — Agora você já pode ir embora.

— E perder a diversão? — riu Riley, voltando sua atenção para Gabs. — Não.

— Riley, eu estou falando sério. Vai embora. — pediu Jensen, irritado.

Ele não agüentava ver Riley falando com Danneel. Não agüentava vê-lo olhar para Gabs daquele jeito. Não agüentava nenhuma das palavras que saiam de sua boca. E tudo seria mais fácil se ele não estivesse ali, Jensen estaria bem mais tranqüilo se, por algum motivo, Riley parasse de respirar.

— Diz aí, Jensen… Seus amiguinhos já sabem que você gosta de pegar essas suas fãs adolescentes?

Era o suficiente.

Don't go around tonight

Well, it's bound to take your life

There's a bad moon on the rise

— Ou você… — Riley não conseguira terminar a frase.

Ele caíra por cima de uma das mesas e depois fora ao chão, derrubado por um soco que Jensen lhe dera.

— Eu disse pra você ir embora. — murmurou Jensen, no silêncio que se formara instantaneamente. A música continuara, mas todos no salão pararam para ver o que estava acontecendo. — Você não tem direito de falar dela com essa sua boca… — mas antes que Jensen terminasse a ameaça, Riley já estava de pé, e logo devolvera o soco, derrubando o outro por cima de uma mesa também. O som de cacos de vidro de copos e garrafas se juntou à música e aos gritos das pessoas que chamavam por ajuda.

No chão mesmo, Jensen conseguira acertar o loiro. Não tão forte como da primeira vez, mas fizera o outro cair também. Eles se encararam por alguns segundos, como se estivessem completamente sozinhos ali, apenas com aquela música, e duas vozes familiares distantes. Então Riley avançara, mas Jensen conseguira desviar a tempo, antes de voltar e desferir outro soco, que o loiro defendera antes de acertar Jensen.

Hope you got your things together

Hope you are quite prepared to die

Jensen conseguira se apoiar em uma mesa e levantara-se. Com o rosto ainda virado, ele cuspira um pouco de sangue no chão e subira uma das mãos até a boca para tirar o resto do sangue de seu rosto. Riley conseguira se levantar também, e por mais que estivesse machucado, aquele sorrisinho irritante não saíra de seu rosto.

Antes que qualquer um deles retomasse a briga, algo os impedira. Misha se colocara entre eles, segurando Riley, e Jared estava logo atrás de Jensen, forçando-o a permanecer ali.

— Jared, me solta! — gritou Jensen, não controlando mais a raiva que estava sentindo por aquele idiota convencido que só fora até ali para infernizar a vida dele.

— Não, Jensen! Pára com isso, não vale a pena…

Mas antes que Jared terminasse de convencer o amigo, Riley gritara alguma coisa antes de acertar o rosto de Misha, fazendo-o cair nos pés de Jensen. Jared não fez mais questão de segurá-lo, pois já estava até considerando em ajudar Jensen agora. Não demorou muito e Misha já estava de pé, um pequeno corte no lábio inferior, e um sorriso no rosto.

— Eu não disse pra você que eu adoro essas festas… — murmurou Misha, sorrindo para Jensen, antes de devolver o soco, fazendo Riley cair para trás, esbarrando em algumas pessoas e fazendo uma verdadeira bagunça no salão.

Looks like we're in for nasty weather

One eye is taken for an eye

Os gritos agora eram mais intensos. E ao que parecia, a maioria das pessoas ali estava animada com a briga. Quando Misha derrubara o loiro com um soco, algumas garotas gritaram em incentivo, fazendo-o rir antes de curvar-se em uma pequena reverência. Jared riu também, antes de puxar Misha para fora do tumulto, salvando o amigo dele mesmo.

— Jensen!

No meio de toda aquela confusão, da música alta e dos gritos, Jensen conseguira destacar uma única voz. Ele observou os olhos claros e assustados da garota que o encarava. Ela estava entre a multidão, perdida e completamente confusa. Todos estavam. Ninguém sabia o motivo de tudo aquilo. Jensen sorriu na direção dela. O motivo estava bem ali.

— Hey, Jensen, não é a sua menininha? — riu Riley, provocando-o, vindo em passos cambaleantes até o espaço destruído do salão, onde eles estavam.

— Você não cansou de apanhar, não? — gritou Misha, enquanto tentava se livrar de Jared.

— Fica na sua, anjinho. — falou Riley, com um meio sorriso debochado, antes de ser pego de surpresa por outro soco de Jensen.

— Quanto mais você fala, pior é! — gritou uma garota, no meio da multidão.

— Você deveria ouvir os fãs, eles dão críticas muito construtivas. — disse Jensen, devolvendo o sorriso.

Logo o espaço estava tomado por seguranças que tentavam conter as pessoas e cessarem a briga que estava tendo no salão. Eles foram contratados para proteger os atores convidados, então Jensen, Misha e Jared ficaram apenas observando Riley ser levado à força para fora do salão, escoltado por pelo menos quatro homens.

— Eu sempre soube que quando vocês se encontrassem aconteceria algo assim. — comentou Jared, lançando um olhar repreendedor para Jensen.

— Mas acho que os motivos mudaram. — completou Misha, com um leve sorriso, antes de lançar um rápido olhar na direção de uma garota no meio da multidão, usando um vestido curto preto, os olhos verdes confusos voltados para eles.

— Tem alguém que ainda não saiba o que eu fiz nesse fim de semana? — perguntou Jensen, enquanto limpava o sangue de seu rosto e observava os olhos de Gabs também.

Don't go around tonight

Well, it's bound to take your life

There's a bad moon on the rise