"Eu trago-te nas mãos o esquecimento

Das horas más que tens vivido, Amor!

E para as tuas chagas o unguento

Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...

Trago no nome as letras duma flor...

Foi dos meus olhos garços que um pintor

Tirou a luz para pintar o vento....

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,

O manto dos crepúsculos da tarde,

O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!

- Eu sou Aquela de quem tens saudades,

A princesa do conto : "Era uma vez..." "

(Conto de Fadas - Florbela Espanca)


Capítulo XIII – Decisões

Acordou pouco depois de o dia amanhecer, ficou deitado sem se mover apenas lembrando de tudo o que acontecera na noite anterior e em como aquilo mudaria a sua vida ali em diante. Não se arrependera do que havia ocorrido, quisera aquilo. Estava apenas levemente preocupado em ocultar sua breve escapada de modo que ninguém o descobrisse.

Olhou para a morena que ainda dormia ao seu lado, ela era bonita. Tinha um belo corpo tal como era o de Gina, um rosto bonito e sem marcas, tudo mais que agradaria um homem. Sempre tivera mulheres lindas e com Mandy não seria diferente, embora a jovem não conseguisse despertar sensações como uma certa ruiva despertava... Não pensaria mais nisso, a morena era tudo que precisava. Sedutora, provocante, quente. Livre de problemas, no momento a mulher ideal. Sorriu. Deslizou a mão pela curva de sua cintura e apertou delicadamente sentido-a despertar.

- Bom dia! – cumprimentou a morena dando um selinho nele.

- Bom dia! Dormiu bem? – perguntou, já ciente do que ouviria como resposta.

- Muito, uma das melhores noites que já tive – sorriu feliz.

- Fico feliz de ouvir isso – sorriu de lado, orgulhoso de seu desempenho.

- Então não está arrependido?

- Não, eu quis tudo o que aconteceu entre a gente – explicou apertando a cintura dela de novo.

A morena sorriu. E o beijou profundamente arranhando-o levemente na nuca.

- Eu preciso ir, tenho que ir trabalhar – interrompeu o beijo e explicou.

- E a gente vai se ver de novo? – perguntou um tanto aflita.

- Quem sabe, não é?

- Que tal amanhã à tarde aqui no meu apartamento?

Draco deu um sorrisinho típico de canto de boca, não a respondendo.

Levantou-se da cama e se vestiu, pegou suas coisas e logo deixou a casa. Precisava ir para a casa e fingir que dormira lá, ele não podia dar bandeira, Gina não era nenhuma idiota. E se ele queria manter o segredo sobre aquele encontro, tinha que ser cuidadoso demais e não podia deixá-la perceber que dormira fora de casa. Entrou no seu carro e dirigiu até a Mansão, entrou sem fazer barulho e foi para o quarto de hóspedes onde ele dissera para o elfo que estava dormindo e deitou-se ali como se estivesse dormindo, era cedo ainda para as crianças ou Gina estarem acordadas. Resolveu dormir mais um pouco.

(- D & G -)

Não conseguira ter uma noite muito boa de sono, ficou remoendo a briga com Draco durante um bom tempo até que caiu no sono. Acordou algumas horas depois e não conseguiu segurar a vontade de chorar. Chorou como não chorava desde que soubera que sua menininha estava doente e depois quando ela teve o ataque e achou que a perderia. Mas era diferente, era diferente o sentimento que estava dentro do seu peito e a única maneira de extravasar era chorando. Chorou até que não tinha mais lágrimas, estava se sentindo tão impotente ao ver que rumo o seu casamento estava tomando. Ela sabia que às vezes falava as coisas sem pensar e que era muito esquentada, embora soubesse que ela só estava tentando fazer o certo, só que Draco não colaborava.

Levantou e resolveu tomar um banho para relaxar. Trocou de roupa e pegou o livro que estava lendo aquele mês e desceu para a sala. Resolveu ir para o escritório ler, era mais tranqüilo. Ainda estava cedo para acordar seus filhos ou ir tomar café. Sentou-se numa das confortáveis poltronas ali e ficou lendo durante uns bons minutos, até que olhou para a mesa e vislumbrou a caixa da jóia da noite anterior. Ficou tentada a abri-la e ver o que tinha ali. Era uma caixa grande, própria para um colar, de veludo azul marinho. Voltou a ler o livro, observando de tempos em tempos a caixa. Deu-se por vencida e foi até a caixa ver o que ele tinha comprado.

Era um lindo cordão de ouro branco cravejado com diamantes formando o símbolo do infinito. Ficou espantada com tamanha beleza, ele tinha tanto bom gosto. Pegou o cordão e colocou no pescoço, ficara belíssimo. Pensou em usá-lo, mas ai se lembrou de como Draco havia sido estúpido e resolveu tirá-lo, quando o colocava de volta na caixa viu suas iniciais na parte de trás e respirou fundo antes de fechar a caixa e deixar onde estava. Não mostraria fraqueza. Pegou o seu livro de volta e recomeçou a sua leitura.

Ficou lendo por mais algum tempo até que sentiu sua barriga roncar e deixou o livro ali na biblioteca e subiu para acordar as crianças.

Entrou no quarto de Lauren, sentou em sua cama e a chamou para que acordasse. A menina logo despertou dando beijos na face da mãe logo depois se dirigindo para o banheiro, disse que iria acordar Christopher enquanto isso. Foi até o quarto do filho e já o viu de pé e arrumado para tomar café, deu um beijo nele de bom dia e seguiram juntos para o quarto da ruivinha que já estava saindo. Os três desceram para tomar café e Gina chamou um elfo perguntando se Draco os acompanharia e ele disse que o Mestre Malfoy já saíra para trabalhar.

Começaram a tomar café com a calma rotineira, mas Christopher parecia incomodado com uma certa ausência.

- Mãe, cadê o papai?

- O papai já foi para o trabalho.

- Ele nunca toma café com a gente – comentou o loirinho aborrecido remexendo os ovos com bacon no prato.

- Ele não pôde, mas ele vem para o jantar – prometeu.

- Mesmo? – perguntou esperançoso.

- Mesmo – assegurou sorrindo.

Só esperava que Draco realmente viesse para jantar, mas ele viria, nem que ela tivesse que ir buscá-lo pelos cabelos.

( - D & G - )

Malfoy acordou algum tempo depois e ordenou que os elfos trouxessem o café no quarto. Resolveu que o melhor era sair antes dos filhos acordarem, ai iria cedo para o escritório e poderia voltar para jantar com eles, coisa que não fazia tinha um bom tempo, por alguns instantes lembrou-se das acusações de Gina, mas preferiu não pensar nisso. Tomou banho e saiu algum tempo depois, aparatou diretamente no escritório.

Ficou lá fazendo o de sempre, Blaise vinha de vez em quando pedir que ele assinasse algo. Quando deu hora do almoço Gina apareceu na lareira para conversar com ele.

- Draco, estou interrompendo?

- Não, pode falar.

- Eu e as crianças gostaríamos que você viesse jantar conosco hoje e eu não quero saber de desculpas.

- Pode ficar tranqüila, ruiva, eu já estava planejando ir jantar com vocês. As dezenove e trinta eu estarei em casa.

- Ótimo então, até mais tarde – despediu-se encerrando a conversa.

Ela não parecia estar tão irritada consigo, o que era uma grande melhora. Voltou ao trabalho e conseguiu terminar tudo que estava pendente até as dezenove horas, pegou a sua pasta, fechou o escritório e aparatou em casa antes do horário previsto. Foi até a biblioteca e encontro o livro que a ruiva estava lendo junto com o cordão que dera a ela, pegou-os e os levou para o quarto deixando na mesa de cabeceira. Desceu e procurou os filhos e a esposa, os três estavam na sala de vídeo vendo a televisão trouxa.

Entrou sem fazer barulho como se quisesse registrar aquela cena e se sentou no sofá beijando a bochecha rosada de Lauren que o abraçou em seguida. Foi até o filho e o beijou e depois a esposa dando um selinho nela, não sabia se ela estaria disposta a aceitar outra demonstração de carinho da parte dele. Preferiu não arriscar. Terminaram de assistir o desenho exatamente quando o elfo veio anunciando que o jantar estava à mesa.

- Papai, tô tão feliz que veio jantar com a gente – exclamou a ruivinha sorridente de mãos dadas com o pai.

- Eu também, princesa.

Sentaram-se a mesa e jantaram calmamente, Christopher comia contente enquanto contava as últimas novidade sobre os seus treinos de quadribol e Lauren sobre os seus desenhos. Gina não falou nada durante o jantar, no entanto estava contente que Draco finalmente cumprira uma promessa e que os filhos estavam matando a saudades dele, embora ainda não o tenha perdoado por tudo o que fizera.

Terminaram o jantar e Malfoy fez questão de colocar os filhos na cama, a ruiva foi tomar um banho e quando terminou Draco já estava dormindo serenamente com o cabelo caindo no rosto. Ficou observando-o dormir, e lembrou-se de como parecia um anjo e o quanto gostava de vê-lo daquele modo deste os tempos de namoro. Quase que sem perceber foi até ele e tirou delicadamente o cabelo do rosto dele e beijou sua face dizendo "eu te amo" e deitou-se para dormir logo depois.

Draco acordou cedo, foi trabalhar, ficou no escritório agendando compromissos e marcando reuniões, trabalhou até meio dia e sentiu fome e então se lembrou de ligar para uma pessoa e combinaram um almoço. Saiu do escritório e foi ao seu restaurante chinês favorito encomendando dois pratos do dia. Entrou no seu carro e dirigiu até o local combinado.

Pegou o elevador e parou em frente a porta desejada com o almoço numa sacola, tocou a campainha sendo recebido pela bela morena, que usava uma blusa justa preta com um decote bem exuberante combinando com uma saia pouco acima do joelho. Mostrou a sacola do almoço como passe de entrada para o apartamento, colocou em cima da mesa e Mandy comentou:

- Eu sabia que você voltaria. - sorriu convencidamente.

O loiro não respondeu.

- Aconteceu algo?

- É, aconteceu – disse sério, deu dois passos para frente e agarrou a morena pela cintura dando um longo e ardente beijo.

Mandy arranhou a nuca de Malfoy o trazendo para mais perto sem interromper o beijo. Ele precipitou uma das mãos por de baixo da blusa dela apertando todo e qualquer pedaço de pele que encontrava. A morena gemeu, e ele aproveitou para arrancar a blusa dela fora. Ela passou a morder o pescoço dele deixando marcas visíveis, começou a arranhar suas costas por cima da camisa. Draco levou uma das mãos até o traseiro dela e apertou, desceu com a outra mão até a saia e a levantou aproveitando para apertar a coxa. Logo depois, subiu uma das mãos e apertou o seio por cima do soutien, lhe provocando mais suspiros.

Medley levou as mãos ao soutien e o tirou sorrindo convidativa para o loiro, se aproximou dele novamente e tirou a camisa que ele vestia jogando no chão. Encostou o seu corpo no dele e levou a sua mão até o membro já visível por cima da calça e apertou, ouvindo-o gemer. Desabotoou a calça precipitando a mão por dentro da cueca segurando o seu troféu. Apertou novamente, começou um movimento para cima e para baixo enquanto ouvia-o soltar mais um gemido e começar a apertar os seus seios com as duas mãos.

Desceu a cueca que ele usava tendo total acesso ao seu membro, passou a fazer movimentos mais rápidos. Ele desceu a boca até os seios dela chupando um a um e ouviu-a arfar. A morena apertou o seu membro rígido e ele percebeu que já estava no limite. A levantou pelas pernas levando-a consigo para a cama.

Aquela cena se repetiu ao longo de alguns meses, por mais que Draco nunca planejasse. Em seus horários vagos, quando se via entediado no escritório, lembrava-se da satisfação simples e acessível da cama de Mandy, e este acabava por ser o seu destino no fim do dia.

( - D & G - )

Quatro meses depois:

Ally estava no banho quando sentiu uma tontura que a forçou a se apoiar na parede. Respirou fundo perguntando-se o que estava havendo consigo, o que poderia estar provocando aquela sensação estranha e turvando a sua visão. Seria melhor chamar o Blaise? Decidiu por não fazê-lo, não queria sobressaltá-lo e, além disso, ela tinha certeza de que ia passar, fosse o que fosse. Demorou uns minutos até se sentir melhor, terminou seu banho e enfim trocou de roupa para ir ao trabalho.

Arrumou-se e quando estava para sair o marido veio ao seu encontro com um prato com panquecas com mel e suco, e perguntando:

- Não vai comer nada, amor?

- Não, estou sem fome e atrasada.

- Você não pode ficar sem comer – argumentou.

- Eu como qualquer coisa pelo caminho, eu prometo. Preciso mesmo ir. – disse dando um selinho nele e saindo pela porta da mansão.

Entrou no seu carro e girou a chave quando viu tudo turvo de novo, respirou fundo, algo não estava nada bem, precisava ir ao médico urgentemente. Ligou para sua secretária e pediu que ela agendasse uma consulta com o seu médico o mais rápido possível, conseguiu uma vaga para o fim da outra semana. Resolveu chamar Gina e Milla para irem consigo, não valia a pena preocupar o seu marido a toa. Ligou para Milla pedindo por companhia, a morena confirmou presença na mesma hora. Ligou para Gina e fez o convite, a ruiva disse que não poderia ir, pois era o mesmo dia da consulta rotineira de Lauren e ela tinha que levá-la.

Agora era só esperar até lá, não poderia ser nada demais, ou poderia?

( - D & G - )

Blaise estava se preocupando com a esposa nos últimos tempos, ela estava mais pálida e não parecia se alimentar direito. Terminou de comer as suas panquecas e se arrumou para ir à empresa. Chegou lá pouco tempo depois encontrando Draco em seu escritório. Estranhou. Ultimamente ele vinha chegando cedo demais. Isso para não mencionar que ele sempre saía tarde e às vezes sumia pelas tardes. Isso estava muito estranho. Sem dúvidas alguma coisa estava acontecendo e era algo muito sério. Precisava descobrir.

Passou a manhã inteira pensando em como faria aquilo, já que teria que seguir o amigo se necessário. Pediu que sua secretária avisasse quando Malfoy estivesse de saída e assim ela o fez. Ele esperou que o loiro saísse e o seguiu. Viu-o entrando no carro e ele pegou um táxi e mandou que o seguisse, acompanhou o amigo entrar na garagem de um luxuoso apartamento, anotou o endereço. Ficou por mais de uma hora ali quando viu que já estava escurecendo, o que quer que o amigo fosse fazer ali iria demorar mais. Voltou para a empresa, pagou o táxi e pegou o seu carro indo para a casa.

Draco estava aprontando, tinha certeza disso. Precisava descobrir mais. Na manhã seguinte ligou para um detetive bruxo particular para que verificasse quem morava naquele apartamento e com quem ele estava se encontrando. Quase no fim da semana o detetive voltou com algumas informações interessantes. O detetive contou a ele que Malfoy estava se encontrando uma mulher de nome Mandy Medley e que eles estavam se encontrando com alguma freqüência, não era preciso ser detetive para adivinhar o que estava havendo.

Draco estava muito encrencado.

Pagou o detetive que era de confiança e manteria as informações em sigilo, decidiu que precisava conversar com o amigo. Entrou na sala dele sem fazer questão de bater.

- Draco, precisamos conversar. – disse sério.

- Blaise, se você fez alguma besteira é só me dizer que eu...

- Não tem nada haver comigo e sim com você – disse cortando-o e aproximando-se da mesa em que o amigo estava.

- Se é assim, fale o que deseja.

- Eu sei o que você está fazendo com a Gina.

- Do que você está falando?

- Não adianta negar, Draco. Eu vi vocês dois juntos – era melhor do que dizer que o tinha espionado.

- Eu continuo sem saber do que você está falando – contudo sua expressão denotava uma leve preocupação.

- Eu estou falando de você, meu caro amigo, estar traindo a sua mulher, a mãe dos seus filhos, com uma cliente da empresa, a Mandy Medley – disse sussurrando a última parte.

- Você não sabe o que diz, deve ter tomado algo muito forte de manhã, eu achei que depois do seu casamento você tivesse parado com isso.

- Deixe de ser hipócrita – gritou Blaise batendo com o punho na cara mesa de madeira onde o amigo estava sentado – Eu vim aqui com a melhor das intenções, vim aqui para tentar te ajudar a perceber o que você está fazendo com a sua vida e com as pessoas que deveriam importar para você, mas se você prefere continuar se enganando desse jeito, ÓTIMO, está fazendo tudo muito bem – disse descontrolado, saindo escritório afora e batendo a porta com violência.

Entrou no seu escritório e deitou no sofá que tinha ali, precisava se acalmar antes que voltasse lá e esmurrasse o amigo até vê-lo admitindo a culpa. Ficou algum tempo pensando no que ele poderia fazer, não podia deixar o amigo se afundar daquele jeito e ficar apenas assistindo. Se Draco não o ouvia, deveria ter alguém que ele ouvisse. Ficou pensando por um tempo até que achou a solução perfeita. Conectou a Rede Flú e marcou um encontro para o dia seguinte, esperando que tudo desse certo.

( - D & G - )

Após Blaise sair de seu escritório, Draco não pôde deixar de pensar em tudo o que estava acontecendo, coisas que ele não tinha planejado e simplesmente vinham acontecendo. Não que ele pensasse muito sobre o que fazia. Mandy o satisfazia enquanto Gina estava tão distante de si. Ele sabia que o amigo tinha ido lá com a melhor das intenções, mas ele não achava que estava fazendo algo errado. Ele não tinha culpa, afinal, a esposa não fazia nada para se aproximar.

Ao menos estava certo de que não tinha nenhum vinculo com a Mandy a não ser apreciar o prazer físico que ela lhe proporcionava.

( - D & G - )

Blaise chegou ao local marcado na hora certa, tocou a campainha e foi recebido por um elfo doméstico. Entrou e ficou esperando na sala. Narcissa Malfoy apareceu imponente pelas escadas, ele levantou para acompanhá-la até a sala onde poderiam ter uma conversa em particular.

- Como está, Sra. Malfoy?

- Eu vou bem, Blaise e você?

- Estou bem. Obrigado por ter aceitado me encontrar em cima da hora – comentou fechando a porta da sala e sentando-se em frente à loira.

- Sem problemas, afinal você disse que envolvia meu filho e que era urgente – disse pegando uma xícara de chá e oferecendo ao moreno e em seguida bebericando a sua.

- Sem dúvidas. Eu não sei exatamente como começar a te contar isso.

- Apenas fale. Não deve ser tão difícil – incentivou.

- Eu andei percebendo que Draco estava agindo muito estranhamente no trabalho, chegava cedo, sumia algumas tardes e ia embora muito cedo. Eu achei que estava acontecendo algo e numa tarde eu o segui e o vi entrando num apartamento. Então contratei um detetive bruxo para investigá-lo e descobri que ele está traindo a Gina com uma cliente do escritório de nome Mandy Medley. Eu trouxe as provas que o detetive me arrumou – disse mostrando as anotações e fotos.

Narcissa tinha parado de beber o chá e colocou a taça na bandeja, pegou as provas e viu uma a uma, ficando perplexa, ao ver o seu filho, o seu lindo filhinho que ela criara com tanto amor e carinho fazendo aquilo com a sua nora. O que em nome de Merlin passava na cabeça daquele desmiolado? Ah, ele iria ouvir o que ela tinha a dizer, com certeza.

- Blaise, você conversou com ele?

- Eu tentei, mas ele simplesmente me ignorou como se nem soubesse sobre o que eu estava falando. Então, decidi que já que ele não me ouviu quem sabe a senhora não o traga a razão.

- Muito nobre de sua parte, rapaz. Eu realmente agradeço por você gostar tanto do meu filho, e eu sei o quão teimoso ele pode ser e como ele odeia admitir que esteja errado, contudo eu vou conversar com ele, o mais breve possível.

- Agradeço pela sua colaboração, Sra. Malfoy e gostaria de pedir que não falasse nada com o Draco sobre o detetive e nem com a Gina, ela não merece ter essa desilusão. Eu vou indo – disse se levantando e indo cumprimentar a loira.

- Pode deixar, Blaise. Eu serei discreta. Obrigada pela visita – disse a Malfoy chamando um elfo para acompanhá-lo até a porta.

Definitivamente o que Zabine lhe contara não tinha chegado perto do que supusera que ouviria dele. A atitude de Draco a deixara chocada, jamais esperaria aquilo do seu filho, e sua conversa com ele seria longa o bastante para que percebesse o que estava fazendo com a própria família.

Será que a sua nora desconfiava de algo? Porque se ele estava dormindo com outra pessoa, ela certamente estava sentindo falta de algo. Esperava que ainda desse tempo de evitar catástrofes.

( - D & G - )

Aparatou na sede das empresas Malfoy, todos a conheciam por ali, chegou ao escritório do filho e foi anunciada por sua secretária, entrou logo depois indo cumprimentar o filho.

- Mamãe, que surpresa agradável, está tudo bem? A que devo a honra?

- Está tudo perfeito, eu vim conversar sobre você e a Gina – explicou sentando-se.

- É algo grave? – perguntou levemente preocupado sentando ao lado dela.

- É sim, o Blaise me procurou há alguns dias e me relatou alguns fatos interessantes.

- Aquele fofoqueiro, filho da mãe, o que quer que ele tenha lhe dito eu asseguro que é mentira – disse rápido explicando-se.

- Draco, você vai ficar quieto e me ouvir. – pegou o rosto do filho com as duas mãos – Eu estou vendo nos seus olhos que o que ele me disse é verdade, ele só estava preocupado com você e decidiu que o melhor a se fazer era me procurar, e sabe ele tinha razão. Eu só gostaria de entender o porquê de você estar fazendo isso com a Gina e as crianças.

- Mãe, eu não posso conversar sobre esse tipo de coisa com você – disse constrangido.

- Claro que pode, não há problema em falar de sexo com a sua mãe, até parece que eu nunca fiz isso com o seu pai, como acha que você nasceu?!

- Tudo bem, mãe. - Draco suspirou - Não foi algo que eu tenha planejado, as coisas em casa com Gina não vão nada bem, a gente briga quase sempre e acabou que eu passei a noite com a Mandy uma vez – disse.

- Draco, você acha que eu nasci ontem? Eu quero saber a história toda – ordenou lançando um olhar severo ao filho.

O loiro soltou um longo suspiro antes de prosseguir.

- Ela me fazia sentir melhor, e era tão simples dormir com ela e fingir que tudo estava bem em casa que se tornou constante. Eu e Gina acabamos nos afastando e nenhum dos dois fez algo para que as coisas voltassem a ser como agora, e eu me habituei a ter a Mandy.

Narcissa fez uma cara indecifrável e logo depois disse:

- Você acha certo fazer isso com a sua família? Esse é o tipo de exemplo que você quer dar para os seus filhos? Vale a pena magoar todas as pessoas que você ama por uma aventura?

- Mas mãe, a Gina não...

- E porque você não tomou a atitude de melhorar as coisas ao invés de ficar esperando que ela a fizesse? Sabe Draco, você me decepcionou. Eu esperava muito mais de você, e principalmente, que você tivesse crescido, no entanto acho que me enganei – disse lançando-o um olhar cortante e se levantou.

- Mãe, não é isso que...

- Eu só quero que você pense no que está fazendo e se realmente vale a pena. Agora eu vou indo, já deu a minha hora, até logo meu filho – despediu-se dando um beijo em sua testa e saindo logo em seguida deixando um Malfoy muito pensativo para trás.

De todas as coisas que sua mãe poderia ter lhe dito, ela como sempre soubera escolher a pior. Saber que a decepcionara fez com que caísse em si e visse tudo o que estava fazendo. A sua mãe deveria ter alguma razão em tudo o que falara. E o que era aquele sentimento apertando-o no peito agora, culpa? Não sabia como lidar com aquilo ou o que fazer de agora em diante. Estava na hora de priorizar o que era mais importante para si. Como fora deixar aquilo acontecer? O que houve com ele? O que afinal ele queria? Gina ou Mandy? Precisava decidir o mais rápido possível, antes que enlouquecesse.

Antes era tão certo o que sentia por Gina, nunca havia sentido por mulher nenhuma, o que sentia por ela. E de repente tudo havia mudado, não existia mais aquele sentimento. Ou existia? A única coisa que tinha certeza era que apenas ao lado de Mandy se sentia vivo, era como se todos os seus problemas se esvaíssem. Não havia responsabilidades, obrigações... Era só prazer. Não um prazer puro, ou plenitude, mas algo simples e fácil, de um jeito bem sonserino. Não imaginaria que seu caso com a morena fosse pra frente, mas quando deu por si estava envolvido. Ainda que não houvesse sentimento, ele gostava de sua companhia. Só esperava não tomar a decisão errada.

( - D & G - )

Tomara a sua decisão, agora não tinha mais volta. Saiu do escritório, parou numa floricultura e comprou um buquê de rosas vermelhas. Dirigiu até a mansão e entrou com as flores encontrando Gina com Lauren na sala lendo um livro. A ruivinha pulou do colo da mãe para abraçar o pai dando um beijo molhado nele e perguntou com os olhinhos brilhando se referindo as rosas:

- São para mim, papai?

- Essa daqui é – disse tirando uma rosa do buquê e dando para a filha que abriu um enorme sorriso e deu outro beijo nele.

Malfoy andou até a mulher que apenas levantara os olhos do livro para olhar a cena e entregou o buquê a ela dizendo:

- Essas são para a minha linda esposa.

A ruiva fez uma cara estranha para logo depois abrir um sorriso, fechar o livro e pegar o buquê.

- Obrigada.

- Não faço mais do que a minha obrigação – sorriu.

Lauren foi até eles e perguntou:

- Mamãe, papai, eu posso por as flores na água? Deixa? Deixa?

- Claro, meu amor! – disse a mãe entregando o buquê a pequena – Mas peça para Yank te ajudar.

A menina nem respondeu e saiu com o buquê na mão em direção a cozinha.

Draco se aproximou de Gina e fez carinho em seu rosto para em seguida roubar-lhe os lábios em um longo beijo. Ele aprofundou o beijo não deixando por um minuto de fazer carinho no seu rosto enquanto ela o apertava na nuca demonstrando o quanto sentira falta daquilo. Ficaram ali por uns minutos apenas desfrutando daquela maravilhosa sensação. O loiro interrompeu o beijo e colou a sua testa na dela ainda fazendo carinho em seu rosto e disse:

- Não quero mais brigar, okay? Desculpe-me por ter sido tão cabeça-dura.

Ela apenas concordou incapaz de dizer algo e se aninhou em seu peito enquanto ele afagava os seus cabelos. Ficam ali por um longo tempo apenas sentindo a presença um do outro quando ele perguntou:

- Onde tá o Chris?

- Tá no Ron e na Mione, ele foi lá brincar com os primos – explicou – Sexta é a consulta da Lauren, você vai comigo?

- Ah, é verdade. Tinha me esquecido. Desculpe amor, mas nem vai dar, tenho uma reunião que não posso adiar. Eu vou à próxima, prometo.

- Tudo bem então - sorriu - A Lauren tá demorando na cozinha.

- Você quer que eu vá chamá-la? – sugeriu.

- Não, fica aqui comigo – disse afundando o rosto em seu peito.

A menininha apareceu na sala minutos depois olhando atentamente os pais, fez um biquinho e disse:

- Eu também quero colo!

- Vem aqui princesa – disse o loiro indicando o lugar ao seu lado.

Ela pulou para o sofá e se atirou no local indicado pelo pai imitando a posição da mãe.

Malfoy ficou ali com uma em cada braço, admirando as semelhanças e diferenças de cada uma. E não pôde deixar de sorrir. Elas eram tão lindas. Deu beijo no topo da cabeça de cada uma. E ficou fazendo carinho no cabelo delas. Não sabia como havia conseguido passar tanto tempo longe das suas pequenas. Aquele cheiro que o cabelo de Gina emanava... Como sentira falta disso!

Gina ficou encostada nele com um sorriso nos lábios, estava feliz por essa mudança da parte dele, quem sabe agora as coisas não poderiam melhorar para eles.

( - D & G - )

Ally ainda estava sentada na cadeira o consultório do seu médico, um tanto atordoada pelo que acabara e ouvir.

- Sra. Zabine, o que você tem é muito simples. A senhora está grávida, meus parabéns – sorriu a cumprimentando.

Milla veio abraçá-la sorridente e a loira a cumprimentou estática, isso passava longe do que estava esperando. Não que não quisesse um filho com o Blaise, mas não esperava por isso agora. Recuperou-se do choque e agradeceu ao médico, que marcou uma consulta de acompanhamento da gravidez e disse que ela iria sentir tonturas e enjôos nos primeiros meses, e saiu de lá com a amiga. Só após atravessarem a rua que a loira foi capaz de comentar:

- Milla, eu nem acredito que isso está acontecendo, estou tão feliz – disse emocionada abraçando a amiga.

- Eu estou muito contente por você, a Gina vai amar a notícia. Já pensou em como vai contar para o Blaise?

- Ainda não, mas tenho certeza que ele vai gostar!– comentou animada.

- Claro que vai! Ainda bem que não era nada de grave, não é?

- Acho que eu vou contar a novidade para o Blaise agora. Amiga, muito obrigada por ter vindo comigo – abraçou a amiga, e por cima do seu ombro viu uma inesperada e chocante dentro de um carro, a três metros de onde estavam – O que é aquilo?!

- O que houve? – perguntou a morena preocupada.

- Olha aquilo! – mostrou a amiga para onde estava olhando.

- Mas aquele não é o Draco? E o que ele está fazendo beijando alguém que não é a Gina? – perguntou ainda mais abismada.

- Eu não faço a menor idéia, só sei que vou descobrir agora! – comentou andando em passos duros em direção ao veículo.

- Não, não! Ally volta aqui! – comentou correndo até a amiga e a impedindo de cometer aquela loucura – Você tem certeza absoluta de que é ele?

- Onde mais alguém teria aquele cabelo quase branco? Eu tenho certeza absoluta que é ele! Aquele safado, cachorro, a Gina não merecia isso – comentou aborrecida – mas ele vai ver, eu vou contar tudo para ela!

- Ally, calma!

- A Gina está no hospital, eu vou atrás dela agora! Ela precisa ver isso com os próprios olhos – disse aparatando sendo seguida por Milla.

Chegaram ao hospital e foram em direção à sala em que Lauren sempre era atendida, entraram sem nem bater. Três cabeças espantadas olharam para as duas visitantes. Allison foi até a amiga e disse:

- Você precisa vir comigo agora!

- O que houve? – perguntou a ruiva, já aflita.

- Depois eu explico, mas você tem que vir comigo – disse puxando a amiga pela mão com uma cara urgente.

- E quem vai ficar com a Lauren?

- Eu fico – disse Milla indo abraçar a ruivinha.

- Anda, vamos! – disse a loira levando-a para fora da sala e aparatando na rua do consultório.

- O que você quer tanto que eu... – Gina não chegou a terminar a frase. Estava vendo o seu marido no carro beijando outra mulher.

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xxxxxxxxxxxxxxxxxx Fim do Décimo Terceiro Capítulo xxxxxxxxxxxxxxxxx


N/A: Olá! Sim, eu estou viva e não, não desisti das fanfics e nem pretendo. Eu sei que realmente demorei, me desculpem por isso. Espero que gostem desse cap, e não me matem, é tudo culpa do Draco, é sim. Ainda tem muita coisa pra acontecer, o outro cap já está sendo escrito e não deverá demorar a ser postado. Obrigada a quem continua acompanhando e mandando review. As reviews foram respondidas por replay, quem for comentar anonimamente deixa o email pra eu responder.

E 'A Outra' será atualizada antes do Natal também.

Feliz Natal e Feliz Ano Novo para todos.

Beijos, Lou Malfoy.

N/B: Homem que trai o pipi caí! Vamos lá, todas juntas, como se fosse um mantra. Quem sabe no próximo capítulo o bofe do Malfoy não broxa? Porque fala sério! Que filho da Prússia, né não?! Olha, eu tenho vontade de pegar o órgão reprodutor dele e fritar na frente dele... Homem safado! Odeio isso! Ok, que eu também amo escrever traições... Mas ler é tão ruim. Galerinha, vamos mandar muitas reviews pra tonta da Lou, para que ela escreva a parte do barraco. Porque é agora que a vacosa da Mandy perde os cabelos. Quem mandou mexer com o marido da ruiva. Sinceramente, espero que ele sofra muito. Vamos lá, povo. Mande reviews! Amo vocês! Beijos da be(s)ta, Rafinha (sem o M. Potter, cansei!) .

N/B: Eita que agora pegou no tranco! Muito choro e vela, cabeça da Mandy voando pra um lado, pipiu do Draco voando pra o outro... hauhsuhaah... e nós sádicas autoras e betas nos divertindo as custas dos problemas conjugais allheios ^^

Beijooos! Ah e nem preciso falar nada porque aposto que ninguém vai perder o próximo capítulo! Mandem Reviews!

Bjokas, Ly.