Senti os olhos de Edward me fuzilando, mas não tirei os olhos do meu bordado.
-Bella? - ele me chamou e eu olhei, me arrependi no mesmo instante. O olhar dele era triste - Por que fez aquilo?
-Desculpe Edward... Mas não posso perdoá-lo. - tentei me manter calma, mas senti as lagrimas chegando.
Edward esticou os braços e eu fui ate ele, me sentei na beira da cama e deite-me sobre o peito dele enquanto ele me envolvia em seus braços.
-Bella, você nunca foi de guardar rancor... Ele é seu pai, merece seu perdão. - ele afagou meus cabelos.
-Não posso Edward, não consigo... Tudo isso é culpa dele!Não consigo olhar para a cara dele sem reviver aquele ato imperdoável, e todas as vezes que olho para mim mão..É dele que tenho raiva.
Na hora que eu disse aquelas palavras eu me arrependi, eu sabia o quando Edward se sentia culpado pelos movimentos da minha mão.
-Desculpe... - sussurrou ele - Eu não devia ter permitido que você fizesse isso.
-Shh.. - coloquei a mão na boca dele - Esqueça o que eu disse, apenas entenda que não posso perdoar Charlie, não agora...
-Bella, ele é seu pai! - Edward estava serio agora - Você PRECISA perdoá-lo!
Senti as lágrimas transbordarem meus olhos, sacudi a cabeça negando.
-Bella.. - a voz dele estava triste, mas ela apenas apertou o abraço e eu escondi meu rosto no peito dele, as lagrimas logo molharam a camisola de Edward, mas ele não me tirou dali, me deixou chorar a vontade, ele apenas cariciou meus cabelos em silencio.
Depois de algum tempo as lagrimas foram diminuindo, ser era por estar mais calma ou por não ter mais lagrimas para chorar; eu não sabia dizer. Aos poucos fui levantando o rosto, Edward me deu um sorriso sereno.
-Esta mais calma? - perguntou ele limpando o resquício de lagrimas dos meus olhos.
-Estou.. - suspiro - Desculpe por isso.
-Não precisa pedir desculpas. - Edward deu o MEU sorriso torto perfeito e eu apenas retribui o sorriso. Então ele ficou serio.
-Levante-se!
Eu não entendi o que houve, mas obedeci prontamente, quando já estava de pé perguntei confusa:
-O que houve?
-Ângela está vindo! - Edward continuava serio e concentrado.
-Ângela? - fiquei mais confusa ainda - Mas ela acabou de sair daqui!
-Ela esta com muita raiva de você! - Edward alertou - O que você fez a ela?
Tentei pensar em algo que eu tivesse feito ou dito a Ângela que não a tivesse agradado, mas não consegui pensar em nada.
-Não faço idéia. - respondi sinceramente.
Foi então que a porta foi escancarada fazendo-me dar um pulo de susto, quando olhei, Ângela estava ali possessa de raiva, com um ódio doentio no olhar, que me fez tremer.
-Ângela? - Edward chamou parecendo confuso - Alguém problema?
Ela o ignorou e ficou me encarando por um longo tempo.
-Ang? - chamei um pouco receosa, nunca tinha visto Ângela tão nervosa; ela começou a se aproximar de mim tão ferozmente que me fez recuar, inconscientemente, alguns passos. Ela agarrou meu braço lesado, e isso me deixou confusa, olhei para Edward e ele nos encarava severamente, parecia compreender o que acontecia ali, diferente de mim.
Ângela começou a desenfaixar meu braço e então eu entendi, eu tentei detê-la, mas ela me segurou com forca e terminou de desenfaixar meu braço.
Aquilo me deixou nervosa e deixou Edward nitidamente tenso.
Tudo que aconteceu em seguida foi rápido demais para eu acompanhar em tempo real.
Ângela virou meu braço revelando os pontos nele contidos, no mesmo instante ela soltou meu braço recuando um passo e colocando a mão na boca, em sinal de espanto e a vi se aproximar de novo com uma raiva e um ódio nunca vistos nos olhos dela, senti o ar mover-se rapidamente e meu rosto virar involuntariamente, levou alguns segundos para eu começar a senti-lo arder e avermelhar, foi então que eu entendi, Ângela havia me dado um tapa na cara.
Ouvi Edward rosnar, provavelmente pensando se deveria ou não matar Ângela por aquilo.
.você.FEZ? - ele grunhiu para ela, mas foi ignorando.
Edward ameaçou se levantar mas eu fiz sinal para que parasse, ele me obedeceu, mas continuou nos observando, com certeza na próxima não se preocuparia com as conseqüências de deteria Ângela, por bem ou por mal.
Aos poucos virei o rosto para encarar Ângela, ela continuava com uma raiva inexplicável, e o dedo indicador estava apontado para mim.
-NUNCA MAIS FAÇA ISSO DE NOVO!NUNCA! - o ódio dela borbulhava, e fazia o sangue dela intensificar-se no rosto, mas não em sinal de vergonha, mas sim fúria.
-Ang..Eu.. - tentei organizar meus pensamentos mas não consegui.
-NÃO ACREDITO QUE VOCÊ IA FAZER ISSO! - Ela gritou e as lagrimas começaram a escorrer pelos olhos dela - ENTÃO ERA ISSO?VOCÊ IA MESMO SE MATAR! - Me senti horrível, Ângela estava muito alterada, pela primeira vez eu percebi a dor que isso causaria a todos a minha volta, mesmo sendo mentira que eu tentara me matar, mas ainda assim, magoou e magoaria todos a minha volta, eu abaixei a cabeça e ela continuou a gritar - VOCÊ NÃO SE IMPORTOU NEM UM POUQUINHO COM QUEM VOCÊ DEIXARIA AQUI?HÃ? - Ângela não conseguia se acalmar, e Edward, não interferia, pois provavelmente sentia a mesma dor que ela, mesmo sabendo da verdade, ou talvez, simplesmente por SABER a verdade.
-NÃO ACREDITO QUE VOCÊ TERIA CORAGEM, BELLA!E RENNE?E CHARLIE?E EU?E JESSICA, OU MIKE OU BEN?VOCÊ NÃO PENSOU EM NENHUM DE NÓS?
As lagrimas começaram a escorrer pelo meu rosto, o remorso inundou meu ser, e Edward percebeu isso.
-Se acalme Ângela.. - ele pediu.
-NÃO VOU ME ACALMAR!
-Ângela.. - Edward chamou com a voz hipnotizante dele fazendo Ângela olhá-lo - Eu entendo como se sente, também me sinto assim.. - a voz de Edward era mansa e aveludada - Mas agora não adianta brigar com ela. Bella já se sente mal o suficiente, e nada do que dissermos vai mudar tudo isso, agora o que precisamos é garantir que isso não aconteça de novo.
Ângela ficou imóvel por um bom tempo e eu achei que ela fosse começar a gritar, espernear, me bater ou até mesmo bater em Edward, mas não. Ela abaixou a cabeça e deixou seu choro silencioso continuar.
Edward e eu a olhamos apreensivos, até que Ângela finalmente me encarou.
Seu olhar era triste e decepcionado, ela veio até mim e me abraçou. Pude ver que Edward ficou tão surpreso quanto eu, mas eu retribui o abraço.
-Desculpe Bella... Desculpe por ter perdido a cabeça - senti as lagrimas de Ângela molharem meus ombros e depois meu vestido, mas não liguei continuei ali.
-Não se preocupe Ang!Sabe que eu não consigo ficar com raiva de ti! - tentei manter minha voz suave e tranqüila.
-Desculpe mesmo Bella! Mas quando Charlie me ligou, pedindo que a ajudasse e me contando que você tentou se matar! - a voz dela falhou na ultima palavra.
-Charlie não tinha que lhe dizer nada! - eu fiquei séria, olhei de relance para Edward, e pelo suspiro dele, eu sabia que ele entendeu que meu desprezo por Charlie só cresceu com aquilo.
-Claro que deveria! - Ângela também ficou seria e levantou o rosto, para encarar-me nos olhos - Bella por tudo que é mais sagrado, eu adoro você!Você é minha melhor amiga!Se você esta tendo esse tipo de pensamento, eu quero saber para tirar essa idéia ridícula da sua cabeça!
-Ang, - tentei explicar - aquilo foi um surto!Eu pensei que Edward... - não terminei a frase e engoli em seco.
-Mas Edward esta vivo! Imagina se essa sua tentativa maluca tivesse dado certo! Ele, assim como todos que gostam de você, sofreriam muito! - Ângela olhou para Edward - Não estou certa, Edward?
-Totalmente... - Edward respondeu - Bella, Ângela tem razão! Não importa o que aconteça, você NUNCA MAIS deve ter esse pensamento, nem tentar algo desse tipo! - ele me olhou com autoridade e isso me fez tremer.
-Desculpem... - foi tudo que consigo responder.
Ângela me abraçou novamente.
-Me promete que a próxima vez que uma idéia ridícula como essa passar pela sua cabeça, você vai me ligar? Promete, Bella?
Fitei Ângela e depois Edward.
-Eu também quero ouvir você prometer, Bella! - Edward avisou.
Suspirei, e assenti com a cabeça.
-Eu prometo!
-E promete nunca mais me matar de preocupação assim? - Ângela insistiu.
Novamente olhei para Edward e ele comentou:
-Ela esta tirando as palavras da minha boca! - ainda sério eu o vi dar um sorriso de canto se encostando novamente na cama.
-Prometo gente, tudo bem, tudo bem, eu nunca mais farei nada disso! - eu falei derrotada.
Isso fez Ângela e Edward sorrirem.
-Ótimo! - Ang estava feliz de novo então ela pegou me braço lesado e o avaliou por um longo tempo - É verdade então?
Engoli em seco, temendo o que ela estava tentando perguntar.
-É verdade o que, Ang? - mesmo receosa eu perguntei.
-O que Charlie disse... - Ela continuava fitando meu braço - Os movimentos da sua mão não respondem.
Aquilo me machucou, eu realmente não gostava de lembrar disso, pelo canto do olho vi Edward fechar os olhos sofrendo também, ele se sentia totalmente culpado por forçar para responder.
-É, é verdade sim.
Ângela ficou dura, e aflita, ela engoliu em seco e indagou novamente.
-E eles não vão voltar?
Neguei com a cabeça e puxei meu braço de volta.
-Não, não agora pelo menos, - tentei sorrir - mas Carlisle tem esperanças de que com um tratamento intensificado os movimentos voltem. Portanto, eu tenho esperança!
Ângela sorriu em resposta e me abraçou.
-Estarei ao teu lado, para o que der e vier, Bella!Conte comigo para tudo!
Sorri em resposta e ela continuou.
-E nunca mais me esconda algo assim! - ela usou um tom autoritário e assenti com a cabeça.
-Sim senhora! - com a minha atitude todos, até mesmo Edward, riram, e clima se amenizou.
-Bom, é melhor eu ir agora. - Ang sorriu.
-Tudo bem. - foi tudo que respondi.
-Se cuidem! Amanhã eu venho visitá-los de novo - ela sorriu para mim e para Edward e saiu.
Dei um suspiro de alivio, finalmente tudo aquilo acabou. Foi ai que comecei a sentir minha bochecha doer.
-Ai. - coloquei a mão sobre a bochecha.
Edward suspirou e esticou os braços.
-Venha, deixa-me ver como ficou. - ele pediu e eu me sentei na beirada da cama dele, com muito cuidado ele virou meu rosto e analisou minha bochecha - Ângela bateu com força.
-É. Percebi - choraminguei agora eu realmente estava sentindo dor.
-Isso vai ficar marcado por alguns dias - Edward falou meio receoso.
Gemi com a idéia.
-Essa não - balancei a cabeça e Edward me abraçou.
-Esta tudo bem, agora me deixe re-enfaixar seu braço - com cuidado ele pegou meu braço e começou a enfaixá-lo.
