Perdas e Danos
Capítulo 13
Pellegrino ainda estava na casa de Jeffrey Morgan quando recebeu a ligação de Jared, lhe dizendo que estava indo embora da fazenda. Pelo tom de voz, percebeu que o moreno não estava bem e resolveu ir encontrá-lo na rodoviária.
Enquanto se sentaram no bar da rodoviária para tomar cervejas, Jared finalmente contou a ele sobre o seu passado com Jensen, todo o sofrimento e sobre a briga que tiveram no celeiro.
- Você devia ter me contado, quando tudo aconteceu. Talvez eu pudesse ter ajudado - Pellegrino ainda estava tentando entender aquilo tudo. Então Sonya tinha conseguido até mesmo estragar a felicidade do próprio filho?
- Eu não podia falar sobre isso, ninguém sabia sobre o Jensen ser gay, e eu não queria prejudicá-lo.
- Eu entendo - Pellegrino ficou pensativo por um momento. - Como a Sonya descobriu, então? Ela nunca me falou nada sobre isso - Estranhou.
- Eu não sei - Jared realmente não sabia. No bar, Jensen tinha dito apenas que sua mãe descobrira, não tinha entrado em detalhes.
- Será que ela viu…?
- Viu o quê? – Jared ficou curioso.
- Há alguns meses, meu computador estragou e eu precisei usar o antigo notebook do Jensen, e… - Mark pigarreou, se sentindo mal por ter que confessar aquilo. - Eu encontrei um vídeo… um vídeo seu, e… bastante íntimo.
- Vídeo? - Jared logo se lembrou do que ele e Jensen faziam diante da webcam. - Mas… Que filho da mãe! Como ele pode ter sido tão idiota e gravado aquilo? - Jared ficou indignado.
- Ele era um adolescente, Jared. Adolescentes sempre pensam com a cabeça de baixo primeiro - Pellegrino riu.
- Meu deus. Se a mãe do Jensen viu aquilo eu quero morrer - Jared escondeu o rosto entre as mãos, sentindo seu rosto corar. - Você viu? - Olhou de relance para Pellegrino.
- Eu olhei uma vez, por curiosidade - Mark admitiu. - Talvez mais de uma, eu confesso. Eu não me orgulho disso, mas foi por causa daquele vídeo que eu comecei a olhar pra você de outra maneira, e…
- Deus, você é um pervertido - Jared brincou, ainda envergonhado.
- Desculpe - Pellegrino deu de ombros, sorrindo. - Apesar de que, quem estava se masturbando diante da câmera não era eu - Provocou. - Mas não precisa se envergonhar, aquilo foi sexy.
- Droga - Jared não sabia onde enfiar a cara, tamanha a vergonha. - O Jensen podia pelo menos ter deletado antes de ir embora.
- Por falar nisso… Jensen deve estar me odiando depois de saber que transamos, não é? - Mark falou com uma ponta de tristeza.
- Eu não sei. Ele falou aquelas coisas na hora da raiva, talvez ele pense melhor depois.
- Você tem certeza que está fazendo a coisa certa? Indo embora, sem nem ao menos tentar resolver as coisas com ele?
- Eu lhe deixei uma carta. E depois, o Jensen está noivo, não tem mais nada pra ser resolvido, Mark - Jared suspirou.
- Esse noivado também está muito estranho, não está? Ele e a Danneel sempre foram melhores amigos e de repente estão noivos?
- Por que não? – Jared deu de ombros. Ainda doía pensar sobre aquele noivado, imaginar Jensen se casando e constituindo uma família da qual não faria parte; mas para alguém que dificilmente assumiria sua homossexualidade, aquilo era bastante viável.
- Eu não sei – Pellegrino passou a mão pelos cabelos, suspirando. - Vocês são complicados.
- A vida é complicada - Jared sorriu. - Meu ônibus já chegou, eu preciso ir - O moreno se levantou e pegou sua mala.
- Cuide-se garoto. E não deixe de dar notícias.
- Pode deixar.
- E Jared… Se as coisas ficarem difíceis e você precisar de dinheiro ou qualquer outra coisa, não hesite em me ligar - Pellegrino o abraçou rapidamente, se despedindo.
Mark pediu mais uma cerveja e ainda ficou alguns minutos por ali, pensando sobre o que conversaram. Sabia que Jensen deveria estar muito puto, mas depois de tudo, não podia simplesmente ir embora sem falar com ele.
Voltou para a fazenda e procurou pelo seu ex-enteado. Samantha o informou que Jensen tinha ido caminhar pela fazenda e Mark o encontrou próximo à cerca do potreiro, olhando os cavalos.
Jensen só queria ficar sozinho com seus pensamentos, tentando decidir o que faria da sua vida.
- Hey – Mark se aproximou, encostando-se na cerca, a uma distância segura. Não sabia qual seria a reação de Jensen.
- Pensei que você tivesse ido embora – Respondeu seco, sem olhar para o seu ex-padrasto.
- Eu voltei pra falar com você – Pellegrino arriscou se aproximar um pouco mais.
- O que você quer aqui? Oh, a fazenda é sua, não é? Eu irei mesmo embora, assim não preciso mais olhar pra sua cara - Jensen falou com raiva.
- Por que tanto ódio? Posso saber? – Perguntou com a voz calma.
- Você não sabe mesmo? Não precisa bancar o santo pra cima de mim, Mark. Ou vai me dizer que você não trouxe o Jared pra cá somente com a intenção de… - Jensen fechou os olhos e apertou os punhos, segurando a vontade de socar a cara daquele homem que chegou a considerar quase como um pai.
- O que foi que ele te contou?
- Não precisou contar. Eu vi vocês lá no carro. Uma despedida tão... calorosa. Cheguei a ficar emocionado - Falou com a voz carregada de ironia.
- Jensen, eu não sabia sobre vocês - Mark falou sem alterar a voz. - Até fiquei sabendo há alguns meses que tiveram algo no passado, mas não sabia a dimensão disso. Eu queria ter podido ajudar.
- Queria? – Jensen riu, sarcástico.
- Eu percebi que Jared mudou muito depois que você foi embora, mas adolescentes são assim mesmo, não é? Ninguém me disse o que estava acontecendo. Você foi embora sem me dizer nada e sua mãe me falou que você estava indo porque queria ficar com o pai. Claro que eu estranhei, já que você e o seu pai nunca foram chegados, mas achei melhor não interferir. Devia ter interferido, mas isso não vem mais ao caso agora.
Jensen não disse nada, apenas permaneceu ali, olhando para o horizonte, então Pellegrino continuou.
- Embora eu não te deva satisfações, é bom que você saiba que não foi com segundas intenções que eu acolhi o Jared e o trouxe para cá. Ele era só um menino e eu fiz aquilo porque realmente me senti na obrigação de ajudá-lo, e nunca me arrependi por isso. Não foi nada intencional, as coisas simplesmente… aconteceram. Quando nós transamos a primeira vez foi há alguns meses; eu já estava separado da sua mãe e Jared estava sozinho. Ninguém traiu ninguém aqui, em nenhuma das vezes. E na verdade eu não vejo nada de errado no que fizemos. Éramos dois homens adultos, e todo mundo faz sexo… Ou será que você passou esses últimos quatro anos em um mosteiro? - Mark ironizou. - Não, claro que não. Talvez a sua mãe até possa acreditar, ou prefira acreditar nesse seu noivado com a Danneel, mas eu não sou nenhum idiota, Jensen.
- Você devia ter sido um pai pra ele – Jensen por fim falou, ainda com raiva.
- Ora, e por que eu deveria ser como um pai? Por tê-lo tirado das ruas e o trazido pra cá? Eu fiz isso com a intenção de ajuda-lo, de cuidar dele, mas eu não nasci pra ser pai, Jensen. Talvez por isso eu nunca tenha tido filhos – Mark ficou pensativo por um momento. - Eu sequer consegui ser um pai pra você, apesar de convivermos por tantos anos. Talvez tivesse conseguido se a sua mãe permitisse, mas cada vez que eu interferia em alguma coisa, se não era você, era ela me dizendo que eu não era o seu pai e não deveria me meter. Assim ficava difícil, não? Eu sempre me senti como um estranho nessa relação de vocês - Pellegrino desabafou.
- Nada disso faz mais diferença agora - Jensen fungou e passou as mãos pelo rosto, secando as lágrimas. Já não era mais raiva o que sentia… apenas tristeza. E constatar que Mark tinha razão só o fazia se sentir ainda pior. Não tinha mais para quem direcionar sua raiva, a não ser para si mesmo.
- Jensen, eu não sei o que você pretende fazer da sua vida, e nem é problema meu, mas... Você ainda é tão jovem, e já carrega peso demais nesses ombros. Sinal que algo está bem errado, não está?
- Eu posso lidar com isso - Jensen respondeu com a voz embargada.
- Sei que você não está querendo conselhos, mas tem algo que eu quero muito te dizer. Se você ama o Jared de verdade e acha que podem ter uma segunda chance, vá atrás dele. Eu tenho certeza que ele já te perdoou. Ou se o seu sonho é continuar em NY, trabalhar com o seu pai e se tornar promotor, se isso vai te fazer feliz, faça. Mas apenas siga em frente e pare de se atormentar com o passado. Todo mundo comete erros, Jensen, você foi apenas humano. Jared é um homem, já. É independente, não tem mais por que você ficar se crucificando por tê-lo abandonado. Viva a sua vida, seja um pouco egoísta e pense em si mesmo. Você se mudou para Nova York e simplesmente passou a agir mecanicamente, parou de viver.
- O que você sabe sobre mim? – Jensen ainda se manteve na defensiva. Era difícil ouvir aquilo tudo, ainda mais porque sabia que Mark estava certo.
- Embora eu estivesse longe, eu soube sobre a depressão, os remédios pra dormir que você ainda toma, a falta de empolgação ou de um rumo em sua vida… Na época eu não sabia o porquê, mas agora tudo faz sentido. Por mais que você fosse um garoto mimado quando mais novo, você era teimoso, corria atrás, brigava pelo que queria. E agora? Sua vida se resumiu a fazer o que os outros esperam que você faça, e nada mais. Você tem só 23 anos, Jensen, não desista de si mesmo e corra atrás daquilo que te faz feliz, não importa o que seja. Agora se você ainda quiser socar a minha cara, vá em frente – Pellegrino abriu os braços.
- Não faz mais sentido – Jensen olhou para o seu padrasto pela primeira vez. Eu só precisava de alguém pra descontar a raiva que eu sinto de mim mesmo.
- Então tente transformar essa raiva em força de vontade, e lute. Eu sei que é fácil falar, mas eu também sei que você é capaz.
- Eu vou tentar - Jensen disse mais para si mesmo do que para que alguém ouvisse.
- Eu sei que vai. Só não tome nenhuma decisão de cabeça quente. Fique por aqui o tempo que quiser, pense, tome o seu tempo. Eu estou indo embora, mas você tem o meu celular, se precisar conversar ou qualquer coisa, sabe que pode me ligar - Pellegrino tocou seu ombro, num gesto carinhoso.
Depois que Mark foi embora, Jensen ainda ficou ali, olhando os cavalos por algum tempo. Seu padrasto só tinha falado algo que ele mesmo já havia constatado. Por mais que estivesse com raiva dele, por causa do seu envolvimento com Jared, não podia lhe tirar a razão. E tinha que admitir que, de certa maneira, ouvir tudo aquilo de outra pessoa, fez com que se sentisse mais confiante.
Tinha aceitado tudo, como uma maneira de punir a si mesmo pelo que fizera com Jared, mas Pellegrino tinha razão. Não podia carregar aquela dor e aquela culpa para sempre, precisava de um rumo para sua vida, e sabia exatamente por onde começar.
Caminhou de volta para a casa a passos rápidos, decidido.
- Hey Sam - Encontrou a mulher na cozinha e foi logo falando. - Eu sei que você está chateada comigo e sei que eu mereço isso, mas por favor… Eu preciso muito falar com o Jared, preciso que você me diga onde ele está.
- E por que você precisa falar com ele? Posso saber? - Sonya entrou na cozinha de repente, fazendo Jensen se sobressaltar.
- Isso é entre eu e ele, nada que diga respeito à senhora - Jensen respondeu sem alterar a voz.
- Você não tem nada pra falar com aquele… ingrato. Ele não passa de um aproveitador, é bom mesmo que tenha finalmente ido embora.
- Aproveitador? Ingrato? - Jensen deu risadas. - E ele deveria ser grato à senhora pelo que, mãe? Por ter tratado ele feito lixo o tempo todo, ou por tê-lo acusado de roubo e o humilhado na frente de todo mundo?
- Se não fosse por mim, ele nunca teria saído das ruas. Ele morou durante cinco anos aqui, por caridade.
- Se não fosse pelo Pellegrino, a senhora quer dizer. E caridade? Sério? – Jensen balançou a cabeça, indignado. – Jared trabalhou nessa fazenda feito um empregado qualquer. Está na faculdade porque batalhou e conseguiu uma bolsa. O que a senhora chama de caridade, exatamente?
- Eu não entendo é por que você o está defendendo com tanto afinco. Pelo amor de deus, Jensen, você está noivo. Eu pensei que já tivesse superado isso.
- Noivo? – Jensen riu, nervoso. – Esse noivado foi só uma mentira, uma farsa, pra que a senhora parasse de pegar no meu pé e de infernizar a minha vida.
- O quê? - Sonya mal podia acreditar no que estava ouvindo.
- A minha vida toda é uma mentira. Tudo o que eu tenho feito nos últimos quatro anos é mentir. Porque eu sempre fui um covarde. E eu carrego tanta culpa em meus ombros que eu mal consigo me olhar no espelho, mãe. Tudo começou quando a senhora me obrigou a ir pra Nova York de uma hora pra outra. Eu não só magoei a pessoa que eu mais amava, mas também destruí a minha própria vida. E tudo porque a senhora e o meu pai não suportam a ideia de ter um filho gay.
- Eu fiz aquilo pelo seu bem, Jensen. Eu sabia que aquele garoto imun..., que o Jared estava corrompendo você.
- Me corrompendo? E o que a senhora acha que eu fiz esse tempo todo em NY? Acha que eu deixei de ser gay porque estava longe do Jared? Eu saía com homens o tempo todo, às escondidas. Jared foi o primeiro, mas se não tivesse sido ele, teria sido com qualquer outro. Eu tive sorte de ter conhecido alguém que me amou verdadeiramente, uma pena que eu não tenha conseguido retribuir da mesma maneira.
- Jensen, não fale bobagens. Você pode superar isso, basta voltar pra Nova York e…
- Não, mãe. Eu não vou mais deixar a senhora me dizer o que fazer. Não desta vez.
- Mas meu filho, eu…
- Eu vou procurar o Jared sim, ainda que eu saiba que joguei fora todas as chances que eu tive de reconquistar o amor dele. Embora eu saiba que não o mereça. Vou procurá-lo porque ele merece saber toda a verdade, ele merece uma explicação, ainda que não venha a mudar o passado, ou a apagar as mágoas e todo o mal que eu causei. E depois eu vou voltar pra Nova York sim, mas pra consertar os meus erros, e pra encontrar um novo rumo pra minha vida.
- Jensen - Sonya mal conseguia falar, as lágrimas lavavam o seu rosto.
- Eu não serei mais o fantoche de vocês, mãe. Nem você, nem o meu pai mais decidirão a minha vida. E se me quiserem como filho, terão que me aceitar do jeito que eu sou, porque eu não irei mais esconder nada de ninguém.
Jensen parou de falar e olhou para Samantha, que tinha lágrimas nos olhos, emocionada e orgulhosa, por vê-lo finalmente se libertando.
- Você pode me dar o endereço dele, Sam? Por favor?
- Claro - Samantha pegou um bloco na gaveta do armário e anotou o endereço do motel onde Jared ficaria.
Jensen agradeceu e se despediu de Samantha, depois conversou com Danneel, que resolveu ir junto com ele, pois não teria clima para ficar na fazenda depois de Sonya descobrir que o noivado deles era uma mentira.
Sonya ainda ficou ali na cozinha, chorando, até finalmente decidir fazer suas malas e voltar para Dallas. O falso noivado, a decisão de Jensen, tudo tinha sido demais para que pudesse lidar.
- x -
Jensen dirigiu até Austin e se hospedou com Danneel em um hotel. Já era noite e achou melhor procurar por Jared na manhã seguinte. Apesar de todo o apoio da amiga, sentia-se angustiado, pensando no que diria quando estivesse frente a frente com ele.
Na segunda-feira, foi logo cedo até o motel, pois não queria correr o risco de não encontrá-lo por lá.
- Jensen? - Jared ficou surpreso ao abrir a porta do quarto e encontrar o loiro.
- Será que eu posso entrar por um instante? - Jensen pediu e Jared abriu mais a porta, deixando que ele entrasse. Jared se sentou na beirada da cama e apontou para que Jensen se sentasse na poltrona que havia diante dela. Estava ansioso, não sabia o que esperar daquela visita.
- Eu sei. Provavelmente eu não devia ter vindo aqui - O loiro foi logo falando. - Eu li a sua carta e… Você foi honesto comigo, eu serei honesto com você também - Suspirou, passando as mãos pelo rosto. - Eu poderia colocar a culpa na minha mãe, dizer que eu não tive escolha... Mas é mentira. Eu tive uma escolha. Mas você tem razão, eu fiquei com tanto medo, ao mesmo tempo em que eu não queria que você voltasse pras ruas, eu também não tive coragem de largar tudo, a vida confortável que eu tinha, pra enfrentar a minha mãe e ir atrás de você. Então eu fiz o que ela queria, fiz com que ela prometesse que deixaria você em paz e fui embora, querendo acreditar que era o melhor que eu podia fazer. Eu não sei dizer quantas vezes eu peguei o telefone, pensando em ligar pra você. Não pra dizer a verdade, porque eu sabia que se você soubesse que a minha mãe estava te usando pra me ameaçar, você iria embora. E eu não poderia viver sabendo que você voltaria pras ruas. Mas eu podia ter tido a decência de ligar e terminar tudo.
- Por que não ligou? – Jared precisava saber.
- Eu não liguei, porque… por mais que eu soubesse que não era certo, no fundo, eu queria que você ficasse me esperando. Porque eu queria acreditar que algum dia, quando eu me tornasse independente, eu voltaria pra cá e você estaria aqui. Eu não estava pronto pra abrir mão de você e eu tinha medo que seu eu terminasse tudo, você iria me esquecer e seguir em frente. A verdade é que eu não passo de um egoísta, Jared. Se você não tinha motivos pra me odiar, agora você tem.
- Eu sinto muito.
- Pelo quê?
- Que você tenha sido obrigado a ir embora por minha causa. Eu sei que não deve ter sido fácil, e jamais teria me envolvido com você, se soubesse que iria te prejudicar desse jeito.
- Não diga isso, Jared. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Sempre será. E eu sinto muito pelas coisas que eu disse ontem. Eu estava com raiva, e... Você tem razão, eu não sei lidar com os ciúmes. Eu fiquei enlouquecido ao ver você com o Mark, e… Eu sei que não tenho nenhum direito de te julgar, e que você tem o direito de ficar com quem você quiser, mas… Eu me deixei levar pela raiva e pelos ciúmes. Eu só faço bobagens, uma atrás da outra - Jensen se levantou e andou pelo quarto, passando as mãos pelos cabelos curtos, nervoso. - A minha vida tem sido uma mentira, e eu nem sei dizer por que eu faço essas coisas, eu simplesmente… faço. Acho que o Pellegrino tem razão, eu desisti de viver, desisti de lutar pela minha felicidade.
- Você não devia se culpar tanto.
- O noivado com a Danneel também é uma mentira, Jared. Ela é minha melhor amiga, nós nunca tivemos nada além disso. Eu inventei essa história porque já não aguentava os meus pais me cobrando isso o tempo inteiro.
Jared não disse nada, ao mesmo tempo em que estava aliviado ao ouvir aquilo, também não sabia o que esperar daquela revelação.
- Eu nunca tive coragem pra assumir o que eu sou – Jensen continuou. - Mas nunca é tarde, não é? Eu cansei disso tudo, cansei das mentiras, cansei de fazer o que os outros esperam que eu faça - Suspirou. - Eu não devia estar aqui te enchendo com os meus problemas, mas é que... Eu só sei que eu precisava te dizer isso tudo, eu precisava te pedir perdão, pra poder tentar reparar os meus erros e recomeçar a minha vida.
- Não tem nada pra eu perdoar, Jensen. Nós éramos só dois garotos, e acho que você causou mais danos à sua própria vida do que à minha. Talvez você só precise perdoar a si mesmo - Jared falou com sinceridade; apesar da mágoa que sentira por muitos anos, tudo o que desejava era que Jensen fosse feliz.
- Eu realmente estou tentando. Sabe, Jared, cada vez que eu me encontrava no meio daquele mundo cheio de mentiras e hipocrisia em que eu vivia, eu me lembrava de você e isso fazia o meu coração acalmar. Porque você tinha sido a única coisa verdadeira na minha vida. Tinha sido tudo tão puro, tão… - Jensen engoliu o nó na garganta. - Eu preciso ir, eu… a Danneel está me esperando, e…
- O que você pretende fazer agora? - Jared tinha os olhos marejados. Doía demais ver Jensen sofrendo daquela maneira, e não poder fazer nada para ajudar.
- Eu vou pegar o primeiro voo pra Nova York e tentar consertar os meus erros, dar um rumo pra minha vida - Jensen caminhou até a porta e a abriu, parando diante dela, com a mão na maçaneta. - Esses anos todos eu sonhei com nosso reencontro, e… No fundo, eu sempre tentei manter a esperança de que nós dois pudéssemos ter uma segunda chance - Jensen sorriu, triste. - Mas eu não seria hopócrita a ponto de pedir pra você esperar por mim mais uma vez.
A porta de fechou e Jared finalmente deixou as lágrimas caírem. Sua vontade era de correr atrás de Jensen e implorar que ficasse, seu coração gritava por isso, mas sabia que o melhor a fazer por ele agora, era deixá-lo ir...
Continua...
N/A: Meus leitores lindos, só avisando que este é o penúltimo capítulo, ok? O capítulo final já está em andamento, só preciso de mais um pouquinho de inspiração... rsrs. Beijos!
Resposta às reviews sem login:
jackWincest: Que bom que a fanfic está te prendendo. Lemon? O que é isso? Rsrs. Abraços!
TheLadyCraft: E eu chorei escrevendo a carta... U_U. Foi um pecado deixar Jared acreditando que Jensen e Danneel estão mesmo noivos, né? Tadinho. Que bom que gostou da cena do celeiro, eu também curti escrever... rsrs. Obrigada por comentar. Bjos!
Maria aparecida: É muito sofrimento, né? Às vezes eu acho que essas autoras são meio sádicas, sei lá... rsrs. Realmente o que faltou foi uma conversa franca, quem sabe agora eles possam seguir em frente, juntos ou não. Acho que eles precisavam se libertar dos erros do passado, principalmente o Jensen. Obrigada por comentar. Abraços
Luluzinha: Nada de doses homeopáticas, é tudo ou nada... rsrs. Jensen sempre ciumento, né? Mas tadinho, deve ter sido um choque pra ele. Ver Jared com Mark ativou o seu lado possessiva vingativa... kkkk. A carta despedaçou meu coração também. Aquela que chora litros enquanto escreve... Obrigada por comentar. Beijos!
Lana: Você descreveu bem a cena do celeiro: cheia de amor e dor. Parece que eles só conseguem se machucar cada vez mais, mas vamos ver no que isso vai dar, não é? Obrigada por comentar. Abraços!
Helena Candido: Triste mesmo, mas que bom que gostou. Está difícil de eles se acertarem, né? Rsrs. Obrigada por comentar. Beijos!
