TÍTULO: NOS BRAÇOS DE UM PIRATA

CAPÍTULO 13 (FINAL)

AUTORA: Lady K

BETA READER: TowandaBR

DISCLAIMER: Todos os personagens da série "Sir Arthur Conan Doyle's The Lost World" são propriedade de John Landis, Telescene, Coote/Hayes, DirecTV, New Line Television, Space, Action Adventure Network, Goodman/Rosen Productions, e Richmel Productions (não venham nos pentelhar).

GÊNERO: Aventura, romance, mistério, terror, intrigas, comédia, drama e umas cenas calientes (quem sabe?). Eu sei q ninguém liga p/ esses avisos, MAS, fiquem fora desta fic, crianças! Não nos responsabilizamos por qqr dano psicológico ou moral. lol.

COMMENTS:

Lady Jeh: Não se preocupe, no fim dará td certo e tds ficarão mto mto felizes e, claro, com babies :D

Marguerrite: Nem demorei tanto rs...

Tow: Quem disse que tinha homenagem pra vc? Não me lembro disso. Acho que algum hacker invadiu meu pc :o

Lady Anne: Curiosa rs...

NinaMakea: Vc está totalmente sanguinaria, assim como a Marguerrite! Vou mandar o Pepe para vcs o torturarem a seu gosto rs...

Acperry: Vai ter que viver, este é o último capítulo :P

Jéssica: Alguém tinha que ser o bode expiatório... e foi justo a Anita. Aliás a Verônica sempre se ferra nas minhas fics, mas eu não faço de propósito (ao menos não conscientemente rs...)

Mamma Corleone: Que saudadona de vc, minha preferoza linda!!!!!!!! Amo tu muitão, agora não sumo mais não, acabou a moleza :D

Quero saber onde estão Luanaaa, Amanda e Aline!!!!

Meninas, então este é o final, espero que gostem e deixem milhares de review. Nos próximos dia teremos DDT6 e outras novidades.

Bjos, amo todas muitão!


O silêncio durante o almoço era pesado. Esmeralda sabia que tinha as pálpebras ainda inchadas de tanto chorar. Roxton não podia deixar de ter notado. O olhar velado, embora alerta, inspecionara continuamente o rosto dela durante toda a refeição.

Só os dois estavam na cabine. Era a hora de contar a ele. As mãos se fecharam em volta da caneca vazia à sua frente.

Não havia um jeito fácil de falar. Tremendo, a moça ergueu o queixo, um leve desafio no gesto, e declarou:

"Vou ter um bebê."

Nenhum lampejo nos olhos verdes dele.

"É" - disse Roxton, como se estivesse confirmando a declaração dela.

"Você sabia?" - perguntou com incredulidade.

"Acha que não conheço cada centímetro de você?" - ergueu cinicamente um dos cantos da boca - "Acha que não notaria a mais leve alteração no seu corpo?"

O comunicado não trouxera nenhuma luz de satisfação aos seus olhos misteriosos. Não havia nem a alegria nem o orgulho que Anita sugeriu que iria haver quando ela lhe contasse.

"Ele não quer o bebê" - pensou. Esmeralda sentiu alguma coisa morrer no seu coração.

"O que você espera de mim?" - indagou Roxton, examinando-a atentamente, com ar de brandura.

"Quero que fique feliz por causa do bebê" - Esmeralda teve vontade de gritar. Ao invés disso, deu os ombros e falou: "Nada."

"Não quer que eu providencie para você fazer um aborto?"

"Um aborto!" - ela repetiu incrédula.

"Muitas mulheres, inclusive da alta sociedade, como você, costumam se livrar de bebês indesejáveis. É isso o que você quer?" - perguntou, com uma calma de enfurecer.

"Meu Deus" - pensou ela - "como ele pode sugerir uma coisa dessas?" - era o fruto dele que levava no ventre, o seu filho. Como podia acreditar que ela quisesse se livrar dele!

"Não." - a voz lhe saiu fria da garganta - "Não é isso o que quero" - declarou, levantando-se da mesa.

"Então, por que me contou?"

A pergunta de Roxton deteve os seus passos, quando Esmeralda se virou.

"Já lhe disse. Porque é o pai do bebê. Achei que devia saber."

Tremia incontrolavelmente, as lágrimas fazendo arder os seus olhos. Ouviu o barulho de um pé de cadeira se arrastando quando Roxton se levantou da mesa. Seu coração bateu desesperadamente.

Teria o bebê, mas perderia Roxton? Não era uma troca justa.

Ele tocou-lhe o ombro.

"Não me toque!" - enfrentou-o rigidamente, recuando quando ele se aproximou - "Não chegue perto de mim! Já não fez o bastante? Por que não me deixa em paz?"

O aposento era pequeno. Dali a momentos ele a encurralava contra uma parede, agarrando-a pelos braços, recusando-se a soltá-la. Havia um ar de severidade inflexível na sua boca.

"Escute-me, Esmeralda" - ordenou o homem.

"Não quero escutar nada que você tenha a dizer!" - gritou.

"Vai ter que me escutar" - insistiu ele, com aspereza - "Há dias venho pensando na proposta da rainha e tudo o que aconteceu me fez passar a considerá-la. Ela me ofereceu o título de lorde, além de uma propriedade em Avebury e uma grande quantia em dinheiro que, somada ao que já tenho, nos permitirá levar uma vida bastante confortável. Quando chegarmos a Londres, procuraremos um padre para que nos case."

"Não suportaria a vergonha de ser casada com você!" - gritou pensando que a proposta de casamento seria válida apenas se ela abortasse a criança que esperava. Além disso, talvez, ele estivesse fazendo o pedido por pura culpa, pois ela sabia o quanto a vida no mar era importante para o pirata.

"Quero que a nossa união seja abençoada pela igreja, e que você tenha a proteção do meu nome."

"Não quero nem uma coisa nem outra! E não quero você!"

Roxton apertou Esmeralda contra o peito. Os dedos duros que se enterravam em seus braços ergueram-na na ponta dos pés. O calor que havia entre eles tornava a respiração difícil para a moça.

"Então, o que você quer? Quer que eu a deixe ir embora? É isso? Para voltar para junto do seu pai e ter o bebê lá com ele? Quer fazer isso e ouvi-lo ser chamado de bastardo?" - Roxton não deu a Esmeralda a oportunidade de dar uma única resposta - "Não a deixarei ir embora! Se era isso que esperava, pode tirar a idéia da cabeça. Jamais permitirei que você me deixe... nem a criança que foi concebida. Um padre nos casará, e o bebê, quando nascer, será batizado com o meu nome! Vai ser criado por nós dois juntos, com os irmãos e irmãs que possam nascer depois."

O coração dela parou de bater.

"Quer esse filho, John?" - suspirou Esmeralda.

"É a carne da nossa carne. Como poderia renegá-lo? Eu o quero."

"Não sei" - fechou os olhos, sacudindo, confusa, a cabeça - "Pensei... que quando lhe contei, você pareceu tão..."

"E você? Quer o nosso bebê?" - Roxton devolveu a pergunta a ela.

"Quero." - não havia nenhuma incerteza na sua voz - "Sim, quero o bebê." - reafirmou com mais ênfase, embora, a voz mal passasse de um sussurro - "Pensou que eu não quisesse o bebê?" - acusou-o, incrédula.

"Sim. Afinal você foi trazida para cá contra a vontade. E eu a quis desde a primeira vez em que meus olhos pousaram sobre você, como nunca me havia acontecido. Então, para fugir disso, eu a mantive longe de mim, fingindo não compreender o seu idioma, porque acreditava que isso criaria uma barreira entre nós. Depois tomei consciência de que não desejava conquistar apenas o seu corpo, mas também os seus pensamentos, o seu coração, a sua alma... Mas quando você fugiu, o medo de perdê-la foi grande demais e acabei forçando-a a ocupar a minha cama. Eu a tratei grosseiramente, castiguei-a, humilhei-a..." - suas mãos moveram-se para as costas de Esmeralda, acariciando-a de leve, enquanto a atraía possessivamente para junto de si - "Como poderia supor que quisesse um filho concebido comigo? Quando vi a vermelhidão dos seus olhos, soube que tinha chorado e imaginei que fosse pela descoberta."

"Somente porque pensei que você não ia querer nem ao bebê, nem a mim." - os seus dedos trêmulos traçaram o contorno da face e do maxilar dele - "Pensei que me quisesse apenas como amante, e daqui a alguns meses estarei tão gorda e feia que..."

"Não... Nunca" - a mão cobriu-lhe os lábios - "Sempre será linda, minha 'leoa'." - a voz era baixa e rouca, o veludo verde dos seus olhos fitando profundamente os dela - "Lembra-se daquela vez em que tentou fugir, em meio ao temporal, e depois sentou-se diante do fogo, para se aquecer? Fiquei olhando para você, ali, enrolada no cobertor com que a envolvi. A luz do fogo iluminava os seus cabelos, e imaginei-a sentada ali, a barriga quase distendida, esperando um bebê. Naquele momento senti um desejo como nunca senti antes. Pensei em satisfazê-lo, possuindo-a. Mas possuí-la uma vez era como beber a água do mar. Fui um tolo... o modo como agi com você... perdoe-me!... Eu te amo, Esmeralda, como jamais amei outra mulher."

Ela sentiu que o seu coração ia explodir de alegria. Há muito esperava ouvir essas palavras, e havia perdido a esperança de que ele fosse sentir por ela o amor que agora confessava.

"Eu te amo!" - murmurou baixinho, como um juramento.

Roxton sorriu. Depois a beijou apaixonadamente. Embalou-a nos braços.

"Logo o bebê vai fazer crescer a sua barriga." - espalmando os dedos sobre o ventre dela. "Quando isso acontecer, olharei para você e sentirei a mesma onda de desejo, querida. Nunca vou parar de querê-la ou de amá-la."

"John, vai mesmo largar tudo? Sei o quanto aprecia sua vida no mar e..."

"Shhh... Não tenho o direito de lhe impor esta vida, nem ao nosso filho. Um navio não é o lugar para se constituir uma família. Antes, pensava que largaria isto com pesar e, agora, me dou conta de que o faço com prazer."

Os braços de Esmeralda enroscaram o pescoço de Roxton, enquanto ela sorria, radiante com tanta felicidade - "Obrigada, John, obrigada! Eu não poderia estar mais feliz!"

Seus lábios roçaram a cabeleira negra dela, beijando-a - "Você está me dando mais do que um dia desejei, lady Roxton. Muito mais!"


Depois de alguns dias, o capitão partiu para Londres com Esmeralda. Lá, John Roxton recebeu seu título de nobreza e uma medalha de honra ao mérito, além de uma quantia considerável em dinheiro. Ele, e a agora esposa, passaram a residir na tranqüila propriedade de Avebury onde, meses depois, nascia seu primeiro filho. O primeiro de muitos.

Alejandro Luiz, mais conhecido como Gibraltar, comprou uma pequena propriedade na mesma região de seu antigo capitão, onde passou a criar alguns animais e, com o tempo, foi aumentando a produção. Dessa forma, Anita visitava a amiga Esmeralda com freqüência e, algum tempo depois, quando ela e o marido já estavam instalados na nova casa, veio a descobrir que também estava grávida.

Na verdade, ambos os casais foram abençoados com uma numerosa prole, já que o tempo não diminuiu em nada o fogo ardente da paixão dos amantes.

E assim, deram início a uma nova vida, a uma nova aventura muito diferente da pirataria, mas não menos emocionante ou desafiadora.


"Continua com o cisco no olho, professor?" - Roxton perguntou ao ver Summerlee limpar os olhos com um lenço.

Ele apenas sorriu constrangido - "É, acho que sim. E dos grandes."

"Wow! Foi uma grande história, Roxton!" - Malone bateu no ombro do caçador.

"De fato, foi uma noite muito agradável." - comentou Challenger pouco antes de puxar o relógio do bolso - "E nos manteve totalmente distraídos! Vejam, já passa das duas da manhã."

"Ainda bem que as mulheres só voltarão depois de amanhã..." - bocejou Malone - "Ou melhor, amanhã." - emendou depois de se lembrar que já havia passado da meia noite.

Somente agora os homens se davam conta do cansaço e dos efeitos da bebida sobre eles e, lentamente, foram se levantando e indo para seus quartos, sem se dar ao trabalho de arrumar a bagunça que fizeram na cozinha, na mesa de jantar e na sala.

"Boa noite!" - todos foram dizendo ao se retirarem.


Pela manhã, bem cedo, Verônica e Marguerite deixaram a aldeia para retornar à casa da árvore. Pretendiam ficar um pouco mais, é verdade, para passar um tempo na companhia de Assai, além de trazerem alguns pedidos de Challenger para o laboratório. Mas como a amiga havia partido antes mesmo que elas chegassem para participar de um ritual com o marido, não viram sentido em ficar com os Zangas se já haviam feito o que precisavam fazer.

Assim, no meio do dia, ambas já estavam de volta à casa da árvore onde, estranhamente, reinava o mais completo silêncio.

Sem se preocupar em não fazer barulho, as duas vinham conversando e ninguém estava na parte baixa da casa quando abriram o portão da cerca elétrica e entraram no elevador.

"Quem disse que eu não fui simpática?" - Verônica fingia estar brava.

"Ah, Verônica! O rapaz praticamente se declarou e você..." - Marguerite parou de falar quando o elevador parou no andar de cima da casa. Ficou simplesmente de boca aberta e, após alguns segundos em que se certificou de que não estava tendo uma alucinação, olhou para Verônica. A loira tinha a mesma expressão.

Sobre a mesa, havia tigelas e pratinhos com restos de carne e petiscos, além de várias canecas. Botas e meias se espalhavam pela sala. A pia e o fogão também estavam cheios, além de o cozinheiro parecer ter derramado o que cozinhou por diversas vezes.

Marguerite cheirou uma das canecas.

"Cerveja?!" - fez uma careta ao sentir o odor da bebida já choca.

"Ned? Challenger? Professor Summerlee? Roxton?" - Verônica chamou. Silêncio. "Acha que aconteceu alguma coisa?"

Enojada, a herdeira cruzou os braços depois de largar a caneca - "Claro que aconteceu. Eles tiveram uma boa noitada enquanto estávamos fora."

"Isso explica por que estavam loucos para se livrarem de nós" - a loira se aproximou de Marguerite e também cruzou os braços.

Ambas gritaram ao mesmo tempo, cada uma chamando um deles.

"Lorde John Roxton!"

"Edward Malone!"


O jornalista dormia calmamente, de barriga para baixo, com o braço e a cabeça pendendo na cama, apoiado sobre o grande travesseiro. Com a boca aberta e o roncando forte.

Verônica balançou a cabeça.

"Ned!" – sussurrou baixo em seu ouvido. Nenhuma reação - "Ned!" - levantou a voz - "Malone!" – ela gritou alto. O jornalista acordou sobressaltado, quase caindo da cama - "Anita! Anita, eu não... Verônica? O que está fazendo aqui?"

Irritada ela deu um tapa no ombro do rapaz - "Anita? Era o que esperava? A tal Anita? Pode me explicar o que está acontecendo? O que houve aqui? E quem é essa?"

Ned sentou na cama de uma vez e somente então percebeu o quanto sua cabeça doía - "Ai..."

"Ned Malone, você ainda não respondeu!"

Sua cabeça pulsava tanto que demorou um pouco para organizar e articular suas idéias. Anita. Bebidas. Roxton. Casa da árvore. Verônica. Agora sim. Mas ainda era difícil dizer alguma coisa.

"Fale baixo, por favor. Bem baixinho."

Cada vez mais irritada, Verônica saiu do quarto.

"Verônica, me deixe explicar!" – ainda tonto, ele foi atrás dela.


Marguerite ficou verdadeiramente surpresa ao constatar que apesar do horário, Roxton dormia tranquilamente. Aquilo era muito incomum, mas confirmava suas suspeitas de que ele e os outros fizeram uma festinha enquanto ela e Verônica estiveram fora.

Sentou-se na cama, sem fazer barulho, examinando suas feições. Desde o princípio, gostava de fazer isso. No começo, pensava ela, era o único momento em que ele lhe lembrava um cavalheiro, quando não a estava provocando e contrariando-a. Depois, quando seu interesse por ele aumentou, era seu momento de olhá-lo sem se preocupar com o que os outros diriam. Agora, havia se tornado um costume do qual ela jamais se cansaria.

Sua mão estava prestes a tocar-lhe os cabelos quando ele murmurou alguma coisa. Ela sorriu. Surpreendeu-se ao ver que uma mínima coisa que ele fizesse lhe parecia tão charmosa. Mas não foi isso que pensou ao perceber o que ele dizia.

"Esmeralda... minha leoa..."

Em questão de segundos, sua mente já analisava a informação. Nenhum deles conheceu alguma Esmeralda nesses anos no platô, ou ela com certeza se lembraria. Impulsivamente, a herdeira se levantou indignada. Seu olhar foi atraído para a jarra com água que ficava ao lado da cama. Ela ainda aguardou.

"Hummmm!!!" – o caçador sorria – "Esmeralda... não fuja, minha leoazinha..."

Marguerite não esperou que houvesse uma terceira vez, e despejou todo o líquido da jarra em cima de Roxton.

"Mas o que..." – tossiu. "Cof! Cof! Cof! Marguerite? Está maluca? O que está acontecendo?"

A morena cruzou os braços e, por sua expressão, John teve a certeza de que estava encrencado – "Teria ela ficado brava pela desordem na casa?" - pensava. Se ao menos ela tivesse voltado conforme o combinado, ele e os outros teriam tempo de colocar tudo em ordem.

"Quer me dizer quem é essa Esmeralda? Eu não acredito que você... na casa da árvore... e que os outros... argh!" - a mulher saiu batendo o pé, seguida por Roxton, que só começou a entender o que acontecia quando chegou à sala e ouviu Verônica cobrar explicações de Malone sobre uma tal de Anita.

Ao ouvirem a discussão Challenger e Summerlee, foram ver que balbúrdia era aquela, parando nas escadas.

"Quem é Anita?" - Verônica insistia, mas antes que Ned respondesse, ela continuava falando.

"Quem é Esmeralda?" - Marguerite fazia o mesmo com Roxton, sem lhe deixar explicar nada.

"Verônica, Marguerite... esse comportamento não me parece nada civilizado. Vocês estão fazendo tempestade em copo d'água, eu penso que..."

"Não se meta, professor!" - elas disseram ao mesmo tempo para Challenger. Estavam furiosas.

Summerlee tocou o ombro do amigo, certo de que elas não estavam sendo racionais naquele momento, muito pelo contrário... Sentaram-se à mesa, assistindo a cena que, no fundo, não deixava de ser divertida. E talvez elas até rissem também ao perceberem, mais tarde, aquele absurdo.

Roxton não se conteve e, já que não lhe era dado o direito de resposta, começou a rir. Malone compreendeu o que o amigo estava pensando, e também fez o mesmo.

Mas isso só aumentou a raiva das mulheres.

"Vocês estão achando isso muito engraçado, não é mesmo?" - elas perguntavam.

"E não deixa de ser. Vocês estão com ciúmes por causa de uma história de família." - Roxton respondeu divertindo-se.

"Ei, quem disse que estamos com ciúmes?" - Marguerite ficou indignada.

"Que história de família?"

"É o que tentávamos contar, mas vocês não nos deixaram falar." – o jornalista sentou-se à mesa - "Challenger conseguiu fabricar um pouco de cerveja e nós, aproveitando que vocês iam passar um tempo fora, fizemos uma celebração de cavalheiros."

"E conversamos sobre nossas vidas antes de Londres e eu acabei contando sobre o meu ancestral, Lorde Roxton, o qual se casou com a linda Esmeralda..." - John contou a parte que lhe dizia respeito. Malone continuou.

"E o capitão tinha seu imediato de confiança, que se casou com a bela Anita."

As duas se entreolharam.

"Foi só isso?"

"Como eu ia dizendo, vocês fizeram tempestade em copo d'água." - Challenger concluiu com um sorriso.

"O que vocês esperavam? Que estivéssemos saindo com outras mulheres?... Aqui no platô?" – o caçador e o jornalista gargalhavam. Summerlee e George olharam os dois amigos tentando alertá-los do perigo que corriam. As mulheres não estavam nada felizes com o último comentário.

"E agora que está tudo esclarecido, a bela dama não aceitaria dar uma volta pelo navio com este capitão?" - Roxton perguntou galante a Marguerite.

"E você, marujo?" – Malone usou o mesmo tom com a loira – "Gostaria de conhecer minha cabine?"

"O capitão, neste momento, tem um grande compromisso: arrumar a bagunça!" - Marguerite foi a primeira a falar - "Mais tarde, então, poderá talvez visitar-me! Para me servir com chá e torradas, é claro."

Malone começou a rir quando sentiu o pano de prato em seu peito jogado por Verônica - "Assim como o seu imediato! Trabalhe... marujo!"

As duas deixaram a sala antes que não resistissem a rir na frente deles.

"Xiiiii!!! É melhor sairmos também, meu velho." – Challenger chamou Arthur.

"Boa idéia." – o botânico seguiu o cientista.

"Há algum jeito de escaparmos, capitão Roxton?" – Malone perguntou.

"É isso ou sermos feitos em pedacinhos e atirados aos tubarões, Gibraltar!" - o caçador deu um tapinha nas costas de Ned, imitando uma voz de pirata.

FIM