Boa noite! Gostaria de deixar aqui registrado meu agradecimento quanto às reviews que tive na última semana, muito obrigada! Como hoje vieram mais perguntas que o normal deixarei para responder lá no final do capítulo. Acho que fica mais fácil assim, né?
Beijinhos e boa leitura!
Draco Malfoy encarava o vaso de flores, os lábios enrugados comprimidos em desgosto. Helga sentia como se a qualquer momento ele pudesse rosnar para ela e não seria surpresa se as pobres petúnias saíssem correndo. Já era a terceira ou quarta combinação que ela via naquele canto em particular e nenhum dos arranjos anteriores parecia ter muito sucesso, nem incomodá-lo como no caso atual. Primeiro foram os lírios, depois peônias e as rosas que costumam ter mais sucesso foram desprezadas tão arduamente que Helga teve a impressão de vê-las murchando mais rápido do que o convencional.
Um suspiro frustrado e Parks voltou os olhos para o livro que estava em mãos, temerosa em ter sido pega de surpresa enquanto deixava sua curiosidade denunciar seu interesse. Ouviu o som oco da bengala bater no piso de madeira se aproximar. Não fosse por ele o andar elegante de Draco Malfoy não seria denunciado.
– E então? – resmungou, obrigando a moça a encará-lo.
– O que?
– Não devia começar a me encher de perguntas?
– Ah... – ela olhou para os lados, como se a solução estivesse escrita em alguma parede. – Por que olha tanto para seus arranjos?
– Estou tentando me lembrar de uma coisa.
– Qual?
– Não lhe interessa. – Helga encostou-se no acento se perguntando o motivo de Malfoy induzi-la à dúvida se não responderia.
– Achei que sua memória fosse intacta, senhor "não sou velho". – ironizou revirando os olhos, de repente sentindo-se como Ellen.
– Não sou velho! – ele bradou muito alto e bateu com a bengala repetidas vezes no chão. Se ele soubesse como Helga odiava aquilo... Provavelmente o faria para sempre.
– Você é sempre assim tão teimoso?
Os olhos cinzentos se arregalaram um pouco e seus lábios se abriram, revelando sutilmente sua surpresa. Como um estalo que desperta alguém de um devaneio muito longo ou um pensamento muito profundo, puxando sem qualquer aviso a pessoa de volta ao mundo real, à rotina, à verdade. Principalmente à verdade.
– Tudo bem, senhor Malfoy? – Draco a encarou ainda pensativo. A moça não lhe parecia mais irritante e insuportavelmente parecida com Granger como achou na primeira vez. Interessante ponto de vista; se a primeira impressão era a que importava Parks deveria ser mesmo muito sortuda por mudar sua mente sem muito esforço.
– Tudo bem... – sussurrou ainda inquieto. Prontamente ela se levantou, acompanhando-o até sua alta poltrona de couro escuro, ajudando-o a se sentar. Já era costume dela e por mais que Draco odiasse ser tratado como quem precisa de amparo, ele sempre acabava perdoando aquela insolência, até porque o que se seguia depois disso era o que mais lhe dava sensação de conforto. Ver Helga sentada no chão, seus grandes olhos concentrados nele, ansiosos pela espera de alguma história ou comentário qualquer o fazia se lembrar de quando Scorpius fazia o mesmo. Ele não queria, mas estava se apegando à jornalista.
– Quer alguma coisa? – ele negou silencioso. – Quer que eu chame Guertrudes? – mais uma vez ele negou. – Por favor, eu quero chamar alguém... – a moça quase implorou e antes que reclamasse novamente ele ergueu a mão, um pedido mudo para que ela se acalmasse.
– Eu só... Me lembrei...
..
Os dedos finos entrelaçados em seus cabelos o faziam se lembrar de quando era pequeno e Narcissa o ninava dessa forma. Draco se esforçava para ficar acordado ou às vezes mentia que não conseguia dormir para que a mãe repetisse aquele gesto, embora agora ele tivesse certeza que ela sempre soube de suas artimanhas. Mães, sempre à frente de todos.
Parkinson não era Narcissa, mas parecia ter a mesma sensibilidade dela quanto à Draco. Aliás, mulheres em geral sempre aparentavam ter o que chamavam de sexto sentido e se isso não era verdade então talvez ele estivesse mesmo precisando de aulas para saber lidar com elas.
Linha de raciocínio ridícula. Se ele queria mesmo esquecer Voldemort e ter sua cabeça longe de ideias de assassinatos precisava escolher outra pauta: mulheres eram muito complicadas e entendê-las não traria de volta a paz do mundo bruxo. Se Voldemort vencesse, não traria paz para nenhum canto remoto da Terra.
– Ainda dá tempo para desistir. – a voz de Pansy sussurrou quase ocultada pelo som do trem trilhando o trajeto fatídico.
– Nunca houve tempo.
– Draco...
– Não que eu não quisesse... – abrindo os olhos pode fitar os orbes castanhos lhe fitando com tristeza. – Eu fugiria sem olhar para trás, Pans, não levaria nada, nem um nuque furado... Mas o problema não sou eu indo embora e sim em quem fica.
Não bastasse Lucius ter sido levado à Azkaban, ele seria torturado pessoalmente por Voldemort caso Draco fugisse, e ainda havia Narcissa. Sua mãe nunca teve culpa de nada, apenas abaixando a cabeça e seguindo o esposo, logo atrás do filho, um mudo apoio independente do caminho que escolhessem seguir, sempre fiel e devota. Por que ir atrás de um desertor covarde se poderia descontar tudo em seus parentes que ficaram? Induzi-los a horas de uma dor excruciante fazendo com que desejassem a própria morte e é claro que quando esse pedido sofrido chegasse aos ouvidos impiedosos do Lorde das Trevas o próprio deixaria que eles vivessem; era essa sua melhor punição, o ciclo de sofrimento e recuperação dolorosos que cedo ou tarde os levaria à morte ou loucura, o que viesse antes.
– Poderia esconder seus pais... – sussurrou, aproximando o rosto ao de Draco. – Minha família tem uma casa de campo próximo à divisa de Espanha com Portugal, seria o último lugar no mundo que ele o procuraria...
– Se ele vencer me acharia com muita facilidade, até mesmo no inferno.
– Ele não vai vencer.
– É a verdade o que diz ou seu desejo? – se encararam por algum momento. Ele sabia que Pansy era a que menos desejava essa guerra e poderia fazer qualquer coisa para não ver nenhum inocente caindo diante de seus pés, a vida lhe escapando tão fácil quanto água sobre peneira. Ninguém diria isso de Pansy Parkinson, mas ela talvez fosse a pessoa que mais prezava pela vida de alguém em todo o mundo.
– Ele quer apenas o Potter... – murmurou à beira das lágrimas. – Se conseguisse, talvez quem sabe nos deixasse em paz...
– Paz? – esboçou um sorriso amargo. – Desde quando é tão ingênua, Pans?
– Você é sempre assim tão teimoso?
Ouviram um ruído no corredor do trem e Draco instintivamente sacou sua varinha. Se algum aprendiz de comensal tivesse o ouvido ele precisaria exterminar a pessoa antes que ela apresentasse algum problema futuro. Melhor prevenir do que remediar, correto?
Respirou fundo e olhou para Pansy, ela segurando sua varinha com a mão firme, embora o tremor fosse evidente. Engolindo em seco, ele concordou com um gesto de cabeça, como se tivesse captado a mensagem de encorajamento de Parkinson, uma coragem que nem mesmo ela tinha, mas que se pudesse daria de bom grado à Draco.
Segurou a maçaneta da porta e fechou os olhos. "Força, Draco, você consegue." Abriu os olhos e comprimiu os lábios. A porta estava aberta.
..
O vento leve bagunçava os cabelos loiros, jogando algumas mechas claríssimas na frente de seus olhos claros, inchados e avermelhados, tal como a ponta de seu nariz arrebitado, herança de Lucius. Estava chorando quase à beira de soluçar tamanha sua hesitação, medo, raiva. Quando aquele destino de merda havia sido traçado para ele e por que ele não conseguia voltar no tempo o suficiente para apagar aquele rumo tão errado e escrever algo melhor, menos fatal e traiçoeiro quanto ser designado – para não dizer obrigado – a matar uma pessoa?
– Você não é um assassino, Draco.
Ah, grande utilidade tinha Dumbledore dizendo isso agora, ele ali, varinha empunhada apontada em sua direção. Duas palavras e pronto, Voldemort teria a porcaria daquela varinha. Incrível como o ofidioglota poderia matar qualquer ser vivente como se pisasse em baratas imundas, mas precisava que ele, um mísero estudante matasse o diretor de Hogwarts para assim possuir a varinha do bruxo. Draco não era idiota, caso Voldemort pensasse isso dele; estava ciente de que matando Dumbledore a lealdade de sua varinha pertenceria ao herdeiro Malfoy e se o Lorde quisesse era apenas conjurar um Avada Kedavra e pronto, a varinha teria um terceiro e novo dono. Simples, rápido, fácil. Só não diria indolor por saber que seu atual mestre tinha prazer em observar e ouvir o sofrimento alheio.
Talvez fosse por isso que estivesse com tanto medo de matar o velhote.
– Severus, por favor... – e antes que pudesse entender o que ele queria dizer, Snape seu tutor e amigo de longa data de sua família bradou, os olhos negros duros, porém hesitantes, em um só fôlego.
– Avada Kedavra!
O coração de Draco vacilou alguns compassos e a queda de Dumbledore do alto daquela torre pareceu estar em câmera lenta. Snape fechou os olhos com força, o ataque conjurado contra o diretor parecendo ter acertado ele próprio, a incredulidade no rosto pálido não podendo traduzir o emaranhado de reações que se formavam em sua mente. Uma lágrima solitária transbordou dos olhos cristalinos, como se o máximo que pudesse suportar fosse desabafado naquele gesto. Não era missão dele...
– Por quê? – ouviu a pergunta sair em um sussurro falhado. De repente se lembrou de Snape quase implorando para que Draco se abrisse, dando sua palavra total e cheia de determinação que poderia ajudá-lo.
– Porque você não é um assassino.
As palavras de Snape o acertaram como nenhum golpe no mundo mágico e não mágico acertaria. Saberia mais tarde que aquela foi uma ação necessária para que o disfarce dele fosse verdadeiro o suficiente para Voldemort continuar lhe dando seu voto de confiança, um plano de quase vinte anos de sua vida dedicado a corrigir um erro passado o qual Draco nem mesmo em seus sonhos mais loucos criaria ou acreditaria ser possível. Mais do que isso: Snape lhe privou de uma vida toda de culpa e remorso esmagando suas memórias e tirando suas noites de sono, embora suas ações seguintes tivessem tomado a vaga dessa primeira ação. De uma forma ou de outra, essa era uma gratidão que ele tinha certeza levar por toda sua vida.
..
Helga tinha os olhos úmidos, a vontade de chorar querendo ser exteriorizada pelas suas lágrimas.
– Matar Dumbledore? Você teria...? – coragem? Audácia? Vontade? Não sabia como completar aquela frase.
– Não sei nem o que vou comer na janta, menina, acha mesmo que eu saberia o que fazer àquela época?
Em um impulso impensado Helga se lançou sobre Draco, seus braços envolvendo seu pescoço como se ela fosse uma criança pequena a procura de consolo. Helga ainda sentia-se culpada pelo caso da porta desmanchando no pé de Donald, isso que apenas ela foi a única danifica, quem dirá apontar sua varinha para alguém e usá-la como arma de extermínio. Matar alguém nem mesmo em ameaça: a jornalista podia sentir todo seu corpo arrepiar com a ideia de que pudesse ser capaz de matar alguém. Desde quando a vida se tornou tão frágil?
– Está vendo por que não queria lhe contar essas coisas? Agora terá pesadelos... – tentou zombar, mas o fato é que estava um tanto chocado com a reação de Helga. Quando revelou isso à Scorpius o filho não falou com ele por um mês inteiro. "Você tinha uma escolha!" ele se lembra de ter ouvido o rapaz gritar, "Você é o maior covarde que eu já conheci!". Embora tenham feito as pazes depois, saber que aquela moça estava apiedada de si o deixava mais emocionado que quisesse admitir.
Às vezes sonhava com as palavras do filho e de repente acordava pensando que sim, teve escolhas, outras se irritava com suas próprias lembranças e saía falando para as paredes que teoricamente tudo era certo, tudo era fácil e todos eram nobres e corajosos que dariam suas vidas sem pestanejar mesmo por pessoas que desprezaram por toda vida. Se as outras pessoas estivessem cara a cara com a morte suas convicções seriam abaladas severamente, ainda mais se ela lhe sorrisse de forma maníaca, como Voldemort, a forma viva do caos e sofrimento.
– Sabe de uma coisa? A senhorita está me constrangendo...
– Desculpe... – Se desvencilhou dele e esfregou os olhos por detrás das grandes lentes. – Posso perguntar uma coisa?
Draco iria rebater dizendo que ela havia acabado de fazer uma, mas a recente admissão de sua simpatia pela jovem não permitiu nenhuma ironia. Com um gesto silencioso ele concordou.
– Como aguentou? Quero dizer, essa pressão, sensação de que estava sendo cobrado e avaliado o tempo todo?
Malfoy deu uma risada rouca e terminou por dar de ombros. Nem mesmo ele fazia ideia de como havia conseguido isso e perdera as contas de quantas vezes se isolou em algum canto de uma floresta, gritando de ódio e socando o chão embaixo de seus pés, descontando a frustração de não ter saída.
– Estou com câimbra. – só então Parks se deu conta que ainda estava sentada sobre a perna dobrada do senhor. Ela e sua falta de noção. – E estou com sono, você não?
Ela ouviu o ecoar dos trovões lá fora e esboçou uma careta. Enquanto acompanhada, chuva era apenas água caindo do céu, sozinha era a anunciação do inferno na Terra. Como explicar seu medo irracional de raios e trovões?
– Talvez um pouco... – murmurou, disfarçando seu incômodo.
– Ótimo, então não preciso convidá-la a se retirar, não é? – levantou-se em um impulso só, dispensando a bengala por um momento.
– Bem, boa noite então senhor mal-humorado. – mais um aceno de despedida e ela desaparatou.
..
Thomas ouviu o estalo dentro da casa de Helga e abriu sua porta, saindo discretamente para o corredor. E esgueirou pela parede e colou sua orelha na porta, podendo ouvir a moça praguejar baixinho os trovões. Ele sabia que ela odiava tempos chuvosos. Sabia também que ela não gostava de sapos de chocolate e preferia doces de coco, que tinha a mania de estalar os nós dos dedos e vivia empurrando a armação pesada de seus óculos para cima, evitando que eles caíssem. Thomas sabia tudo quanto podia, de ouvir Ludmila comentando, ou apenas de observar, acerta de Helga. Talvez devesse dar ouvidos ao que Colt lhe disse uma única vez há sete anos e confessar à Parks seus sentimentos, mas sua mão sempre parava no meio do caminho e ele nunca chegou a concluir nenhuma batida.
Melhor assim. Helga jamais seria de seu meio e ele não podia condenar o nome Silfo ainda mais.
Deu meia volta e entrou em seu apartamento, a jornalista não fazendo ideia do que acabara de acontecer.
Ceeeerto, agora vamos às respostas haha
tina granger: Não vai ser tão breeeve assim que Silfo vai conseguir barrar seus próprios preconceitos e assumir o que sente pela Helga, que por sua vez não vai dar o braço a torcer sem uma justificativa boa o bastante... Fique no aguardo, vai que o seu desejo se realiza? haha Beijão!
Renata: MULHER, VEM CÁ E ME DÁ UM ABRAÇO *abraça* Obrigadaa pelo elogio e pelo voto de confiança! Eu realmente espero, do fundo do meu coraçãozinho que a FIC atenda às suas expectativas e que você permaneça aqui por mais tempo haha Fico muito feliz que goste da Helga! Ela é só uma destrambelhada que merece atenção, vai... haha Obrigada novamente pelo apoio! *beijos de glitter*
Anaisa: ai, é tãããão bom te ver por aqui! Que bom que está de férias (eu também estou \o/) e pode passar por aqui, deixando meu dia mais feliz com sua review! Não precisa se desculpar, sei como é complicado conciliar estudo e lazer, mas sinta-se sempre bem-vinda! Pelo que notou o envolvimento DracoxGinny é bem lento, mas espero que mais para frente venha a compensar... Essa é uma long(loooong) fic e ainda há muita história pela frente... Agradeço o apoio e por gostar tanto assim da Helga! \8D/ Beijos e até breve!
acgsampaio: é bom te ver de volta! Como está? Melhorou desde a última vez que nos falamos? hm... Estou de olho viu? e-e Obrigada novamente por estar sempre marcando presença por aqui! Sabe como me faz muito feliz com seus comentários e apoio! Quanto à Silfo, bem, a Copa está prestes a começar e é necessário treino intenso haha Vamos ver quando ele dará as caras de novo ;) Beijão!
Agradecimentos também à Liana Mccartney que favoritou e seguiu tanto euzinha quanto "Segredos"! Obrigada por esse presente! Se quiser vir comentar aqui e dizer o que tem achado da fic eu ficaria muito feliz! *-*
Então é isso pessoas, espero que gostem desse capítulo! Aguardo o retorno de vocês! Beijos no coração s2**
