Capítulo 13 - A última esperança
A jaula começou a se mover.
Harry sentiu Draco ficar tenso em meio ao abraço e se virou, o puxando para mais perto. Eles haviam chamado atenção, e isso não era bom.
A jaula tocou o chão e os dois se colocaram de pé. Havia pelo menos três guardas em torno deles e, apesar da maior parte das pessoas do salão estarem indiferentes ao que estava acontecendo, um pequeno grupo observava atento aquela interação.
E ele estava tenso e preocupado e algo em sua mente lhe dizia que ele devia sorrir e fingir normalidade ou até começar a dançar ou se esfregar em alguém, mas os olhos de Harry não conseguiam deixar a figura de Ron, agora próxima demais.
Ele estava caído no chão entre ajoelhado e sentado, apoiado de qualquer forma contra o sofá em que o homem estivera até poucos segundos. O rosto sujo de sêmen estava corado, mas a pele de seu peito e braços era de um branco pálido doentio. Ele não os olhou, parecia indiferente a qualquer coisa que acontecesse a sua volta. Um rapaz sentou-se ao seu lado, passando os dedos entre os fios ruivos, o que fez Ron gemer baixinho, e ele se debruçou para beijá-lo, sorrindo com aquela demonstração de aceitação.
Ron estava muito drogado e potencialmente doente, e ninguém parecia se importar com isso ali.
Harry sentiu um aperto em sua mão e se voltou para Draco, vendo sua expressão de preocupação. Os guardas falaram com eles, não gritando como em geral falavam, mas com a mesma rispidez, como se exigissem uma explicação que não poderiam dar. E então o homem idoso, que estivera com Ron, se aproximou, apontando Harry, e parecia estar em algum tipo de negociação.
- Eu não gosto disso. - Draco disse, baixo, e Harry concordou com um aceno de cabeça, esperando em silêncio que qualquer atitude que definisse o destino dos dois fosse tomada por aqueles homens.
O guarda que conversava com o homem fez um aceno positivo, concordando com o que ele dizia, e outro guarda se aproximou dos dois, pegando-os pelos braços e aparatando. Eles estavam de volta a um dos quartos luxuosos como o que ficaram mais cedo. Os dois se olharam e Draco abraçou Harry, sentindo sua tensão de deixar seu melhor amigo para trás.
Mas não tiveram nem dois minutos a sós. A porta se abriu e o rapaz que estivera com Ron entrou, trazendo o ruivo arrastado por uma corrente presa à sua coleira. Um outro homem, tão parecido com o primeiro que Harry arriscaria dizer que eram irmãos, fechou a porta às suas costas. Ele pegou o ruivo pelos cabelos, forçando-o a ficar de pé indiferente ao seu gemido de dor, e o atirou contra Harry, que amparou o amigo contra o peito, olhando com raiva os dois rirem e fazerem gestos obscenos com a língua, em uma indicação mais do que clara que queriam ver os dois se beijando.
Harry ergueu o rosto de Ron com delicadeza, fitando sua face. Ele estava com febre, as pupilas dilatadas e o rosto sem expressão, completamente abandonado em seus braços. Ele mais sentiu do que ouviu Draco se agitar ao seu lado: ele sabia que precisava fazer isso. Se não quisesse colocar a perder a única chance que tinham de sair dali de alguma forma, ele precisava fazer isso.
Devagar, encostou seus lábios aos do ruivo, que abriu a boca como se aquilo fosse um comando mudo para reagir, e Harry consumou o beijo devagar, sem conseguir respirar, a consciência de quem estava beijando o sufocando, fazendo com que abraçasse Ron mais forte contra seu peito para se impedir de chorar. E então os dedos longos do amigo estavam em seus ombros, em seu pescoço, e Harry tinha certeza de que ele não sabia quem ele era, e aquilo o estava matando.
O moreno rompeu o beijo e ergueu o olhar, em uma esperança muda de que os dois clientes se dessem por satisfeitos com isso, mas eles estavam ocupados demais beijando e tocando o corpo de Draco, que o olhava aflito, como em um pedido mudo de socorro, enquanto correspondia aos carinhos que lhe faziam.
Harry sentiu os lábios de Ron contra se pescoço e fechou os olhos com força. Ele precisava fazer aquilo. Pela sobrevivência dos três agora. Ninguém ficaria para trás.
Ele se recostou à parede do quarto, buscando amparo para poder sustentar seu peso e o de Ron, que se apoiava nele. Virou o corpo do amigo, apoiando suas costas em seu peito, e começou a beijar seu pescoço e ombros, sentindo sua respiração se alterar e ele se mover levemente em seus braços, atritando o quadril contra o dele. Fechando os olhos com força, correu as mãos pelo tórax e o ventre de Ron, entrando em sua calça, começando a estimulá-lo.
O ruivo gemeu alto, chamando a atenção dos dois rapazes. Sua entrega era desnorteante e Harry quase implorava para que ele o fizesse parar, para que ele percebesse o que estava acontecendo e mostrasse tanto desconforto quanto ele estava sentindo. Se ele soubesse, se ele tivesse a mínima consciência do que estava fazendo, talvez ele não se sentisse tão culpado por estar masturbando seu melhor amigo para o deleite de outros homens.
- Ron. - ele encostou os lábios no ouvido do ruivo, falando o mais baixo possível – Sou eu, Harry. Por favor, olha para mim.
O ruivo estremeceu entre seus braços e, com certa dificuldade, se colocou de pé, entrelaçando o pescoço de Harry com os braços.
- Me ajuda. - o sussurro o atingiu e Harry o abraçou com força. Ron sabia que era ele, sabia o que estava acontecendo, ele só não podia reagir.
Seus dedos tocaram devagar o rosto do moreno e o puxou para beijá-lo, ao que Harry correspondeu, sentindo uma lágrima correr pelo seu rosto.
O beijo foi rompido quando alguém puxou com força seus cabelos e então outra pessoa o estava beijando. Uma mão descia entre seu corpo e o de Ron até conseguir estimular aos dois ao mesmo tempo. Ron gemia baixo contra seu pescoço enquanto o homem que o beijava fazia pequenos movimentos às suas costas.
Draco estava de joelhos no chão, já nu, chupando o outro homem. Ele sorriu e falou alguma coisa para o irmão, que parou de beijar Harry, se afastando e levando Ron abraçado com ele. O homem conduziu o ruivo a sentar-se sobre o colo do irmão, de frente para Draco, e o homem o penetrou sem qualquer preparação, fazendo-o gritar e se mover segundo a força das mãos em sua cintura. As mesmas mãos que puxaram Draco pelos fios loiros, indicando que queria que ele tomasse o ruivo entre seus lábios, o que ele fez, hesitando por um momento e então fechando os olhos. Harry podia ver que ele tremia e suas mãos apertavam as pernas de Ron com força demais, como se tentando se controlar.
O outro homem voltou a beijar Harry, tocando cada parte de seu corpo como se quisesse devorá-lo com as mãos, o beijo se aprofundando com a mesma ânsia com que atritava seus quadris, e Harry ofegou quando mãos fortes demais apoiaram suas coxas, o erguendo contra a parede para então o homem penetrá-lo de forma abrupta. Ele jogou a cabeça contra a parede, se evitando de gritar, seus dedos arranhando os ombros do homem conforme ele investia contra ele cada vez mais rápido, gemendo e tremendo contra seu corpo.
Ele soltou Harry subitamente e o moreno pensou que suas pernas não conseguiriam sustentá-lo, mas o homem o amparou, para em seguida empurrá-lo em direção à cama, onde agora o outro homem tinha Draco se movendo rápido sobre seu quadril, Ron sentado sobre seu peito beijava o loiro enquanto o homem chupava o ruivo.
O homem virou Harry de bruços e voltou a tomá-lo de forma rude. O moreno fechou os dedos contra os lençóis, tentando somente respirar, dando um aceno curto de cabeça indicando um controle que não tinha quando Draco o encarou e Ron seguiu seu olhar.
Aquilo precisava acabar. Nenhum deles suportava mais.
o0o
- NÃO! - Harry gritou, tentando se atirar contra o guarda que desaparatava do quarto depois de deixar ele e Draco ali.
Só ele e Draco. Ron não.
- Calma, Harry. - Draco o abraçou quando ele caiu no chão, abraçando o próprio corpo – Harry, você está se perdendo. Nós não podemos nos desesperar!
- Nós estamos SEPARADOS! Nós não vamos ver o Ron NUNCA MAIS! - ele chorava, tremendo, sua voz descontrolada.
- Você vai voltar a ver o Weasley, Harry. Se não aqui, nesse lugar maldito, assim que nós sairmos. Nós sabemos onde ele está, nós não vamos deixá-lo, está ouvindo? Mas nós precisamos sair daqui primeiro, Harry. - sua voz era quase implorante – Então tente se manter calmo, ok? Nós estamos muito perto, Harry.
O moreno respirou fundo, concordando com a cabeça, e Draco o puxou contra o próprio peito. Ele não tinha certeza das próprias palavras, mas era a última esperança que tinham. As coisas já estavam ruins o suficiente sem que eles se perdessem no próprio desespero. Ele beijou Harry de leve, sentindo sua respiração se acalmar, apoiando sua testa contra a dele e correndo seus dedos entre os fios negros, o silêncio confortando.
Os dois se sobressaltaram quando um fogo verde surgiu na lareira que eles nem repararam que estava ali. Um homem alto, jovem, com uma expressão séria, encarou os dois abraçados no chão de forma rija e Harry suspirou, escondendo o rosto contra o ombro de Draco. Ele não tinha mais forças.
O loiro puxou seu rosto e o beijou novamente, dessa vez com mais desejo, suas mãos deixando os seus cabelos e correndo pelas costas do moreno, que foi se deitando sobre ele de forma insinuante. Era o máximo que Draco conseguiria fazer. Ele também estava esgotado.
Mas então as mãos do estranho passeavam pelos corpos que se tocavam, despindo, tocando, testando reações. E ele os fez levantar e ir para a cama, e tudo se restringia a sexo e a sua capacidade de fingir o quanto aquilo os satisfazia, o quanto eles desejavam estar ali, com aquele estranho, presos naquele quarto.
Ignorando o quanto aquilo sugava de suas vidas. De quem eles eram.
E quando o estranho se ergueu, satisfeito, e se trancou no banheiro, os dois voltaram a se abraçar, cansados, esperando pelo próximo que viria, surgindo do nada para tocá-los mais uma vez.
- Espere. - Harry se sentou de maneira súbita – Ele não aparatou.
- Do que você está falando? - Draco perguntou, confuso e sonolento.
- Ele veio de Floo, Draco! - Harry se ergueu da cama com mais energia do que o loiro pensava ainda ser possível possuir e começou a andar pelo quarto, prestando atenção aos objetos luxuosos dispostos ao redor.
E quando ele sorriu ao abrir um potinho de mármore que estava em cima da mesa de cabeceira, Draco entendeu: eles tinham pó de Floo, eles tinham uma lareira, eles tinham uma forma de sair dali!
- Mas é o suficiente somente para uma viagem curta, Harry. - ele se levantou, examinando o potinho nas mãos do moreno, e o encarou sério – E somente para uma pessoa. Nós nem sabemos onde estamos.
- E se você for e chamar ajuda? Eu fico aqui e encontro Ron e... - Harry foi calado por um beijo leve em seus lábios.
- Eu não saberia para onde ir. Se tentarmos ir para a Inglaterra, podemos cair em qualquer outro lugar, o pó não é o suficiente para uma viagem internacional. Essa coleira pode me matar pelo contato intenso com magia. Quem ficar nesse quarto vai sofrer as consequências, Harry, e eu não quero nem pensar no que fariam.
Harry negou com a cabeça. Draco sabia que ele compreendia que o que dizia era verdade, mas aceitar ter a possibilidade de uma saída nas mãos e não aproveitar era realmente difícil.
- Eu já sei. - Harry disse, decidido – Pode não ser o suficiente para uma pessoa, mas pode transportar um bilhete até a Inglaterra. Podemos pedir ajuda.
Ele rasgou um pedaço do lençol com os dentes, o apoiando sobre a mesa, e então raspou o braço na quina do móvel, abrindo um pequeno arranhão. Usando as unhas, cutucou a ferida, correndo o sangue pelo tecido em um bilhete curto, direcionado ao Ministro da Magia, contando resumidamente o que havia acontecido com os dois desde que entraram naquele bar.
- Fale da coleira. Eles talvez consigam rastrear o componente que impede a magia. - Draco disse, baixo, e Harry concordou com a cabeça, escrevendo mais rápido, seus olhos buscando tensos a porta do banheiro fechada.
Harry Potter assinou com o próprio sangue e enrolou o pedaço de pano, amarrando-o com um fio solto do lençol. Jogou todo o pó na lareira e disse o mais pausadamente possível, em voz baixa: Ministério da Magia, Inglaterra. E o bilhete desapareceu. Os dois se olharam, tensos, e correram de volta para a cama quando ouviram a porta do banheiro se destrancar.
O homem, limpo e bem vestido novamente, sorriu para os dois, indo até a cama e os beijando uma última vez. Então vestiu a capa e foi até a cômoda, apanhando o pequeno pote e se dirigindo à lareira. Quando ele ergueu a tampa, o silêncio no quarto era tão profundo que o fato de que nenhum dos ocupantes do quarto respirava era óbvio.
O homem se abaixou, tocando o chão da lareira, e esfregou os dedos percebendo a presença de cinzas recentes. Seus olhos se voltaram para os dois na cama de forma feroz. Ele falou algo em uma língua incompreensível, e sua voz era extremamente fria. Eles estavam perdidos.
Ao comando de um gesto da varinha do homem, um guarda aparatou no quarto. Foram poucas as palavras utilizadas para explicar a situação antes que um segundo guarda surgisse e oferecesse um novo pote contendo Floo para o estranho. E, assim que ele desapareceu do quarto, os dois guardas pegaram Harry e Draco e aparataram com os dois dali.
Eles foram deixados em um cubículo sem portas e sem janelas, todo de concreto rústico. A única indicação de que não haviam sido sepultados vivos ou algo do tipo era uma luz fraca e constante, do mesmo tipo que iluminava a cela em que ficavam, que permitia discernirem os contornos do lugar.
Draco o abraçou, pedindo conforto, e nenhum dos dois pareciam precisar de desculpas ou algo assim. Em silêncio, eles assumiram para o outro e para si mesmos os riscos do que fizeram, e aquilo valia a pena. Era uma esperança a mais. Se sentaram em um dos cantos do lugar claustrofóbico, juntos, os braços envolvendo o corpo do outro enquanto o frio começava a incomodar, o silêncio servindo como consolo e os olhos fechados para que o desespero não os dominasse.
Não havia como saber quanto tempo ficaram ali, mas então uma das paredes pareceu se diluir e a luz aumentou de repente, os forçando a piscar muitas vezes até conseguirem ver alguma coisa. Do lado de fora, havia vários guardas e o movimento de pessoas os lembrou, com um arrepio, de quando chegaram à Gaiola, aquele hall de seleção em que tiveram que lutar para ficar juntos.
De forma automática, Harry envolveu os dedos de Draco com os seus, os dois se levantando juntos e avançando, ladeados por guardas. Havia uma mesa, onde um homem com ar oficial conversava com um senhor. Draco apertou a mão de Harry com mais força ao reconhecer o mesmo homem que estava com Ron na noite anterior.
Os guardas os fizeram parar e pareciam esperar que a discussão do oficial com o velho terminasse para que pudessem apresentar o caso dos dois. Harry observou aquelas pessoas, sentindo-se enojado, também reconheceu o homem e tudo o que pode desejar era que Ron estivesse bem e pudessem se reencontrar novamente.
Mas então algo no fundo da sala chamou sua atenção. Ele forçou um pouco o olhar e se arrepiou em seguida ao identificar uma maca flutuando em um canto, com um corpo totalmente coberto em cima. Alguém havia morrido naquele lugar. Ele apertou a mão de Draco de forma um pouco mais protetora, focando no pensamento de que nada ia acontecer, que eles sairiam vivos dali, eles conseguiriam.
Porém, seus olhos não se desviavam da maca, a cena daquele corpo abandonado era chocante demais. Era como morrer sozinho, longe de tudo, esquecido por todos. E ele sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto em uma prece muda por aquela pessoa. Aquela pessoa sobre a qual a única coisa que ele sabia é que havia vivido um inferno antes de morrer. Aquela pessoa sem nome, mas que ele nunca se esqueceria que era alta, que a pele da mão que aparecia sutilmente debaixo do lençol era branca, que os cabelos que despontavam em poucos fios aparentes eram ruivos.
- Oh, meu deus. - a percepção tomou conta de seu corpo, lentamente, e Draco o sentiu estremecer ao seu lado, pousando a mão sobre seu ombro, assustado.
- Harry, o que foi? - perguntou, baixo, em tom urgente.
Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, porém, o moreno se desvencilhou dele e do guarda ao seu lado, correndo até a maca e puxando o lençol, se deparando com o corpo de Ronald Weasley, pálido, obviamente morto.
- HARRY! - Draco gritou, tentando correr até ele, mas um guarda o segurou com força.
- VOCÊ O MATOU! - Harry gritava, voltando-se para o homem idoso ao lado – VOCÊ O MATOU!
O homem disse algo baixo em uma língua estranha e Harry avançou contra ele, as lágrimas correndo pelo rosto contorcido de raiva, os gritos de acusação perdidos entre os gritos de Draco e os gritos dos guardas que o seguravam, evitando que ele tocasse no homem. Ele se debatia, gritando como se estivessem tirando sua própria vida, a dor evidente em sua voz e a revolta percorrendo seu corpo que tentava chutar o homem que prendia seus braços, sem se preocupar que ele fosse muito maior que ele.
Ron estava morto, e esse era o único pensamento em sua mente até que um feitiço estuporante o atingiu.
o0o
Harry acordou jogado em um chão. Ele não tinha certeza se estava acordado ou não. Sua mente parecia envolta em um tipo de névoa. Ele olhou à volta e era como se não conseguisse coordenar seus pensamentos para chegar a uma conclusão sobre o que estava vendo.
- Draco. - chamou, e sua voz não era mais alta que um sussurro.
Ele estava rouco, sua garganta doeu de tão seca, seus lábios pinicavam, rachados. Sentia gosto de sangue em sua boca. Ele rolou o corpo, sentindo como se cada parte dele gritasse de dor, o que o fez ofegar, e tentou se levantar, mas não podia mexer suas mãos. Apoiou o corpo contra a parede e piscou os olhos, vendo um lugar escuro girar a sua volta.
- Draco. - chamou de novo, sua voz minimamente mais alta. Percebeu que não tinha resposta.
Havia vozes muito próximas, mas no lugar onde ele estava não parecia ter ninguém. Ele tentou somente respirar e se lembrar do que aconteceu.
Ele sabia o que aconteceu. Ele quase podia sentir na pele o que aconteceu. Mas não conseguia pensar no que aconteceu porque sua mente parecia anestesiada, e ele tinha a impressão de que deveria sentir alguma coisa. Tudo flutuava à sua volta, mas nada o tocava. Ele não tinha percepção.
Sentiu um movimento perto dele e alguém segurou seu braço, o colocando de pé em um movimento rude e bruto. Ele cambaleou, percebendo que suas pernas também doíam e não pareciam querer sustentá-lo, e então a pessoa que o mantinha de pé arrancou o capuz de sua cabeça.
Não era um lugar escuro. Era um capuz. E sua mente não conseguira discernir a diferença.
Havia várias pessoas jogadas no chão, encapuzadas e algemadas, e o homem que carregava Harry o arrastou dali antes que ele conseguisse registrar qualquer outra coisa.
E então havia muita luz. Luz demais. E ele sabia que havia pessoas ali, muitas pessoas, e todas elas olhavam para ele, e ele percebeu que estava nu. O homem que o mantinha de pé o virou de costas para a imensa plateia e depois voltou a virá-lo de frente. Havia um outro homem próximo e Harry percebeu que as pessoas na plateia erguiam a mão e falavam algo, mas ele não conseguia mais pensar. A luz fazia seus olhos doerem e ele queria morrer.
O guarda o carregou para o outro lado do palco e um homem se aproximou. Harry caiu no chão aos seus pés, gemendo de dor, e o homem se abaixou ao seu lado, examinando seu rosto. Em seguida encaixou algo em seu pescoço e o puxou mais junto de seu corpo.
Harry perdeu a consciência durante a aparatação.
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NA: Respirem.
Eu nem sei o que comentar nesse capítulo. Sei que vai ter um monte de gente desesperada e é de se desesperar: ele abre uma nova etapa da fic. E ainda não a última. Por isso não vou comentar do plot em si, mas vou trazer para vocês uma curiosidade da fase de produção dessa fic: ela me exauriu de escrever NCs.
O sexo nela é uma coisa muito importante e não é só uma questão de YAY, PESSOAS SE PEGANDO! Ele tem significado, e a maior parte é não consensual ou violento. O sexo nessa fic é tenso e intenso. Quando eu cheguei nesse capítulo, em que eu tive que escrever essa NC envolvendo CINCO pessoas ao mesmo tempo, eu comecei a sentir pesar a complexidade disso e a me sentir cansada. Vai ter sexo nessa fic até o último capítulo, e, quando eu cheguei na última NC, eu quase não consegui escrever, porque parecia que esse tipo de cena estava rodando em falso para mim. Eu cansei. Sexo também cansa, crianças, e essa fic foi a primeira que me deixou exausta. HAUAHUAHUAHUAHUA
Além disso, tem um outro assunto que eu queria tratar com vocês: as reviews.
Eu ainda não consegui parar para responder as reviews, e acho que não vou conseguir tão cedo. Eu vou fazer o seguinte: responderei às que vocês me enviarem a partir de agora, ok? Eu li todas e lembro que algumas tinham perguntas, se alguém quiser muito uma resposta, pode me escrever com um "oi, olha eu aqui, responde minha review que eu quero saber o/" que eu respondo. Desculpem por isso, pessoas. Não é desatenção, adoro o que vocês me escrevem, é só que passei por uns períodos tensos na vida e realmente não consegui retribuir esse gesto tão legal de vocês. Desculpem.
Enfim, é isso. Espero que estejam gostando da fic. Postei Moonlit hoje também, ainda que atrasada.
Beijos e até semana que vem!
