-Muito bem, Anthony — Disse Harry, rindo enquanto o filho executava uma dancinha estranha depois de ter agarrado a bola.

— Não está na hora de voltarmos para a casa?

Harry deu uma olhada para Hermione, que estava sentada em um banco próximo, observando o parque como se esperasse que um homem armado estivesse à espreita de cada um deles. Se houvesse algum, então os homens de Leo estariam espreitando logo atrás. Ele entendia o receio dela, pois também sentia o mesmo. Uma semana tinha se passado desde que ele e Leo tinham sido atacados, e nada mais tinha acontecido. Hermione discordava em parte, mas Harry e Leo achavam que o ataque não passava de uma reação mal planejada de seus inimigos, por terem sido expulsos de Colinsmoor e de todas as outras propriedade Potter. Certamente discordava que já estava na hora de apresentar Anthony ao mundo, mas Harry e Leo estavam seguindo adiante com seus planos mesmo assim.

— Ainda não — respondeu o pequeno gentilmente, apesar de aquela ser a décima vez, em duas horas de parque, que Hermione fazia a mesma pergunta. —Só mais um pouquinho.

Vendo que Leo agora estava brincando com Anthony e ensinando-o como chutar uma bola, Harry se sentou ao lado de Hermione.

— Assim que Lady Molly o vir, voltaremos para casa. Juro. Ela deve chegar logo, pois costuma passear com o seu cãozinho por aqui, nesta hora do dia.

Hermione queria gritar. Permanecer ali sentada em um banco, enquanto Harry mostrava para todos que Anthony estava vivo, além de permitir que Tom e Gina acabassem descobrindo também, estava enlouquecendo-a. Ela sabia que aquilo precisava ser feito. Assim como também sabia que Leo tinha colocado um pequeno exército ao redor do parque. Mas nada disso servia para atenuar seus temores. Tudo que conseguia pensar era que logo Tom ficaria sabendo que tinha mais um herdeiro para matar.

Ela olhou para Anthony chutando a bola. Apesar de ser pequeno, o menino mostrava que levava jeito para o jogo. O parque estava adorável pessoas passeando sozinhas, com um acompanhante ou um cachorro, ou com crianças. O sol brilhava ao alto e o calor que irradiava era agradável. Fosse outro dia qualquer, ela estaria apreciando aquele pedacinho muito parecido com o campo bem no meio do barulho da cidade. Mas a única coisa que conseguia pensar era que o tempo de Anthony continuar escondido em segurança na casa de Leo tinha chegado ao fim.

— O anúncio sobre Anthony sairá no jornal amanhã — ela disse. Harry tomou a sua mão e beijou-a.

— Hermione, eu também estou com medo, mas quanto mais pessoas saibam da verdade melhor. Isto acabará erguendo uma tempestade de comentários e interesse, que servirá como um forte escudo protetor para Anthony. Tom estará ciente de que se algo acontecer a Anthony, todos os olhos se voltarão para ele. E isto é a última coisa que ele quer.

— Eu sei — ela sussurrou e respirou fundo para se acalmar. — Sei de verdade. É que às vezes meus receios pela segurança de Anthony fazem com que eu me esqueça de tudo.

O que Hermione realmente desejava fazer era se atirar nos braços de Harry e tentar aplacar seus temores no calor e na força que ele emanava. Mas apesar da vida de casados que estavam levando na casa de Leo, em público eles tinham de se comportar com o máximo decoro. Até mesmo o simples beijo na sua mão poderia levantar comentários. Ela odiava a distancia que precisavam se impor todas as vezes que ultrapassavam os limites da casa de Leo.

O modo como constantemente era obrigada a lutar contra o desejo de tocá-lo não a deixava nem um pouco feliz. Ela estava se tornando cada vez mais dependente daquele homem, talvez até mesmo muito apegada. Na verdade, era um pouco doloroso não poder tocá-lo sempre que sentia vontade, recostar contra seu corpo se quisesse, ou mesmo poder se sentir completamente à vontade ao seu lado.

"Maldição, estou apaixonada pelo tratante." Hermione ficou tão chocada com a revelação que quase caiu do banco. Chocada ao se dar conta de que estivera se enganando o tempo todo, chamando seu sentimento de uma paixão passageira, lutando com todas as forças para ignorar o que estava diante dos seus olhos. Por que a verdade resolveu lhe dar uma bofetada justamente agora? Ela não fazia idéia. Pelo jeito sua mente tinha se cansado do joguinho. O fato de seu dom não ter lhe alertado sobre onde ela estava entrando quando o beijou pela primeira vez era outro mistério sem resposta.

— Você viu algo novamente?

O tom de voz aguda já conhecida arrancou Hermione de seus pensamentos e ela ergueu os olhos para Lady Molly. Não tinha nem notado que Harry tinha se levantado para cumprimentar a senhora. Rapidamente, Hermione ficou em pé e fez uma cortesia para a baronesa.

— Não, milady — respondeu. — Eu só estava pensando.

— Ah, então não foi uma visão. Somente uma revelação. — Antes que Hermione pudesse perguntar o que a mulher tinha insinuado com aquilo, Lady Molly se virou e fitou Anthony, que corria para vir falar com eles. — Hum! Onde você o manteve escondido? — Lady Molly interpelou Harry. — Um filho ilegítimo, é? Bem, sua mãe nunca concordará em esconder aquele garoto como se fosse um segredo sujo. Ela vai lhe dar uma bela bronca, e é o que você merece.

— Ele não é um filho ilegítimo, Milady — Harry respondeu enquanto erguia Anthony nos braços.

— Ele é meu filho com Lady Potter. Legítimo. Todas as autoridades necessárias já revisaram os documentos que comprovam a legitimidade que eu atesto. Este é Anthony James Potter, meu herdeiro e meu milagre. O anúncio será publicado no jornal, amanhã.

— Quem está enterrado no mausoléu da família, então?

— O filho de outra pessoa.

Lady Molly analisou Anthony durante um momento e depois, num gesto surpreendentemente delicado, acariciou a bochecha do garoto com a ponta dos dedos.

— É um belo menino.

—Tenho cabelos bonitos — disse Anthony e sorriu quando Lady Molly riu.

—Tem mesmo, garoto. Claro que tem. — Ela olhou para Harry novamente. — Quer que o mundo saiba? Que história pretende contar? A verdade ou apenas parte dela?

Harry colocou Anthony no chão e o menino saiu correndo de volta para Leo.

— Contei a verdade para as autoridades, apesar de não ter muitas provas. Será apenas a minha palavra. Apesar de ela ser aceitável, preciso de mais para que as devidas medidas de punição sejam tomadas. Todos agem com muita cautela quando a pequena nobreza está envolvida.

— O que é irritante. Tem muita gente solta por aí que merecia ir para a forca ou ser jogada na prisão.

Decidido de que não havia necessidade de fazer nenhum comentário sobre aquela opinião, Harry continuou:

— O mundo também saberá que o meu filho foi roubado de mim e que só consegui recuperá-lo por causa dos cuidados e da gentileza dos Granger.

— Muito bem. — Ela olhou na direção de Anthony, que estava chutando a bola. — Mantenha-o próximo. Mantenha todos os herdeiros juntos. Quanto maior o número de pessoas juntas, mais seguro. — Lady Molly começou a se afastar, seu cachorrinho gordo ofegava e arfava à medida que se esforçava para acompanhar o ritmo das longas passadas da dona. — E mantenha o corte de cabelo do menino. Está muito lindo.

Hermione riu. Os olhares de Leo e Harry se voltaram para ela logo após o rápido desaparecimento de Lady Molly, como se ela tivesse proferido a maior das blasfêmias. Hermione não tinha dúvida de que Lady Molly sabia exatamente qual seria a reação dos homens para suas palavras de despedida.

— Você acha que Lady Molly sabe de alguma coisa? — Hermione perguntou a Harry no caminho de volta para casa. — Ela continua falando como se soubesse de algo. Talvez ela tenha sangue dos Granger.

— Você poderia verificar sua linhagem, mas o fato é que Lady Molly vem de uma família de longa tradição militar — ele respondeu. — Acho que ela teria sido um excelente oficial se tivesse nascido homem. Acredito que ela tenha simplesmente percebido o plano contra nós e com seu talento nato deduziu quem são os inimigos.

— Tradição militar — Hermione murmurou e depois assentiu. — Isso explica muito.

— Explica também porque ela diz tudo que lhe vem à mente?

— Sim, e especialmente porque ninguém parece disposto a discutir com ela nestes momentos.

— Gina tentou uma vez. — Harry sorriu quando Leo riu e balançou a cabeça, sem poder acreditar. — Felizmente o confronto ocorreu depois que eu já tinha começado a enxergar a verdade sobre ela, ou eu poderia ter tentado defendê-la e me tornado um inimigo da Lady.

Hermione refletiu por um momento.

— Não acho que isso teria acontecido. Teria sido uma demonstração de lealdade de sua parte, e Lady Molly admira lealdade. Acredito que Lady Molly teria simplesmente dito para você abrir os olhos e em seguida se afastado.

— Ela provavelmente teria feito exatamente isso.

— Conseguimos executar tudo que você queria por hoje? — ela perguntou assim que eles entraram em casa, onde Dilys esperava por Anthony e rapidamente levou o garoto para se lavar antes do chá.

— As notícias sobre o trágico desaparecimento do meu filho e do miraculoso retorno para o seio da família irá se espalhar rapidamente, de boca em boca. Duvido que até o jantar quase todo mundo já não esteja sabendo.

— Oh, Leo? — Hermione chamou pelo primo, que estava seguindo para o escritório. Leo se virou e respondeu com um sorriso distante, mostrando que sua mente já estava centrada em outras coisas.

— Tem algo que eu possa fazer por você, prima?

— Você disse para Harry que tinha homens que poderiam atestar que Gina não era, bem, pura quando se casou com ele e que isso poderia ajudá-lo a conseguira anulação do seu casamento. Correto? — Ela sabia que sim, pois Harry tinha lhe contado isso, mas falou mais para refrescar a memória de Leo do que para questionar o que tinha sido dito.

— Sim. Isso seria um pouco embaraçoso para Harry, mas pode funcionar.

— Acho que pode ser mais do que embaraçoso. Acho que se o casamento for anulado, então Anthony passará à posição de filho ilegítimo. Posso estar errada, mas creio que seja melhor verificar isso.

Harry soltou uma blasfêmia e passou os dedos pelos cabelos, quase desfazendo a pequena trança.

— Não é preciso nem verificar. Você tem razão. Não posso anular meu casamento sem que Anthony passe para a posição de ilegítimo. Afinal, se for declarado que meu casamento não é mais válido, e que nunca foi, então a legitimidade de Anthony também deixará de ser válida.

— Como eu não pensei nisso? — murmurou Leo.

— Provavelmente você nunca conheceu alguém que já fez isso ou que tenha considerado a possibilidade. Por acaso conheci alguns homens presos a casamentos fracassados. Eles diziam que continuariam presos, pois é quase impossível conseguir o divórcio, e o resultado é um escândalo que poucos conseguem superar. Para completar, a anulação torna seus filhos ilegítimos. Não posso pedir por uma anulação.

—Como você sabia disso? — Leo perguntou para Hermione.

— Na noite passada, na casa dos Hinkley, ouvi algo sobre isso no banheiro das mulheres.

— Ah, claro, no lugar onde todas as informações mais importantes são descobertas.

— Não mostre tanto desprezo. — Hermione seguiu rumo à escadaria. — Você ficaria surpreso se pudesse ouvir o que é dito naqueles locais. Uma boa espiã poderia descobrir coisas muito interessantes.

Harry observou o modo como Leo olhou pensativo para a prima até ela sair de vista.

— Creio que ela pode estar certa sobre isso, também. Quanto à anulação, desconfio que qualquer advogado possa nos informar rapidamente sobre os riscos para Anthony.

— Não gosto de não saber das coisas. Especialmente de coisas que são tão sabidas por todos que chegam a ser comentadas até mesmo nos banheiros femininos. Você poderia vir ao meu escritório dentro de duas horas?

Harry mal tinha terminado de concordar com um aceno de cabeça quando Leo já tinha se virado e continuava seu caminho rumo ao escritório. Foi difícil resistir à tentação de seguir o homem e perguntar o que tanto estava pesando em sua mente, mas Harry desconfiava que Leo não fosse lhe contar nada, a menos que isso estivesse diretamente relacionado aos seus problemas. O homem era um espião muito bom para a Inglaterra. Era também um ótimo amigo de Harry e Sirius, por isso ele decidiu deixá-lo em paz com o seu trabalho e não incomodá-lo com perguntas sobre coisas que supostamente não eram da sua alçada.

Em vez disso, pensou, e sorriu, resolveu ir importunar Hermione. Com a notícia sobre o aparecimento de Anthony a vida ia se tornar muito agitada. E muito perigosa, Harry pensou, perdendo um pouco do bom humor.

Por um momento a confiança no plano que ele e Leo tinham arquitetado oscilou terrivelmente. Será que tinha colocado seu filho em perigo? Arriscado ainda mais a vida do garoto? Ele colocou aquela dúvida de lado de imediato. Não havia outra opção. Seria muito mais fácil se livrar de Anthony se ele continuasse em segredo do que se todo mundo soubesse da sua existência. O que tinha dito a Hermione — sobre as vantagens de espalhar a notícia e do grande interesse que ela iria despertar, e que isso iria dificultar para Tom e Gina tentarem qualquer coisa contra a vida do menino sem atraírem as suspeitas para eles mesmos — era absolutamente verdade. Pelo menos este era o plano, e era um plano muito bom, disse para si mesmo com convicção ao entrar no quarto de Hermione.

Ele sorriu quando percebeu que Hermione já estava só de combinação e tinha soltado os cabelos. Apesar de ela ter olhado desconfiada, ele fechou e trancou a porta. Eles tinham passados horas na companhia um do outro sem ao menos poderem se tocar senão de um modo furtivo e distinto. Ele tinha se arriscado a levantar rumores quando simplesmente tomou-lhe a mão por um momento e beijou-a. Harry percebeu que agora ansiava por compensar o distanciamento forçado.

— Harry, estamos em pleno dia — ela disse enquanto ele se aproximava com um brilho peculiar nos olhos.

— A paixão não tem hora — ele respondeu, puxando-a para seus braços.

— Que conveniente para você.

— É mesmo, não acha? — Ele riu e carregou-a para a cama. "A nossa cama."

Harry descobriu que apreciava as palavras, que elas caíram bem na sua boca. Pela primeira vez ele entendeu um pouco do que seus pais compartilharam. Na época da adolescência, ele notou que os pais costumavam dormir juntos o tempo todo. A descoberta de que seus pais compartilhavam um quarto, como se não houvesse cômodos o bastante em Colinsmoor para todos, foi motivo de embaraço. Ele chegou até a temer que seus amigos descobrissem. Então já adulto, quando Gina requisitou com firmeza um quarto só para ela, teve de aceitar, assumindo que seus pais talvez fossem um pouco excêntricos.

Agora ele compreendia os dois. Compartilhar uma cama com a esposa assegurava uma proximidade contínua, não apenas uma proveniente da paixão compartilhada. Eles conversavam, e talvez aquele fosse o único momento de privacidade no dia, quando podiam compartilhar lembranças, novidades ou até mesmo segredos. Poder se aproximar da esposa todas as manhãs só fortalecia ainda mais os laços que os uniam. Desta vez, ele pensou enquanto carregava Hermione para a cama, seu casamento ia ser real, forte, uma união em que ele e a esposa iriam compartilhar uma vida de verdade.

— Você ficou tão sério de repente — Hermione disse quando ele a colocou sobre a cama e se deitou ao seu lado, puxando-a para seus braços. — Mudou de ideia?

— De forma alguma. — Ele provou o que disse, beijando-a com todo o desejo que já fervilhava pelo corpo. — Eu só estava pensando sobre os hábitos de dormir dos casais.

— Ah, então você está querendo tirar uma soneca. Bem, acho que estou mesmo me sentindo um pouco cansada.

— Você pode dar uma dormidinha, mas depois.

Logo Hermione se perdeu na paixão envolvente. Se esqueceu até mesmo de que estavam em pleno dia e que os raios de sol penetravam intensos no quarto. Os beijos e as carícias de Harry varreram toda a sua capacidade de pensar e a transformaram em uma criatura cega de desejo. Ela recebeu com um gritinho de boas-vindas a penetração. Logo depois o ritmo se tornou intenso e furioso, ambos loucos de vontade de atingir o ápice sublime. Ela chamou pelo nome dele quando uma onda varreu seu corpo com tanta intensidade que a fez arquear nos braços fortes que a envolviam. Harry rapidamente se juntou a ela, tão confiante que ela chegou a bater a cabeça na cabeceira entalhada da cama. Quando ele soltou o corpo sobre o seu com um gemido, ela fechou os olhos e se deleitou com o peso por alguns segundos.

Conforme sua mente foi se libertando do frenesi da paixão, Hermione abriu os olhos e ofegou. Raios dê sol penetravam através da janela e incidiam diretamente sobre a cama. Ela empurrou Harry de cima do seu corpo e puxou a colcha para se cobrir. Quando olhou para ele, para o modo como estava largado de costas, descaradamente nu, ela puxou parte da colcha sobre as partes íntimas dele. Como eram belas as tais partes! Mesmo com o membro deitado sobre um tapete de pelos ainda úmidos do ato sexual, ainda assim ela o cobriu. Era muito tentador, e ela não tinha intenção de passar o resto da tarde na cama.

Harry deu uma olhada para a colcha solta sobre seu corpo e depois olhou para Hermione. Ela se agarrava à beirada da colcha como se uma multidão pudesse passar a qualquer momento e dar uma espiada na janela. Seu rosto estava todo ruborizado. Talvez tivesse sido muito cedo para fazer amor à luz do dia. Hermione ainda tinha seus pudores. Em seguida, ele se virou para o lado e lhe deu um beijinho no rosto. Logo toda aquela vergonha iria passar, mas ele decidiu que gostou do jeito tímido. A timidez nunca tinha interferido no sexo ou contido a força do desejo que ela emanava.

— Obrigado — ele agradeceu. — Estou me sentindo muito melhor agora.

Hermione franziu a testa.

— Você não estava se sentindo bem? — Apesar de ter ficado preocupada, Hermione se sentiu profundamente lisonjeada que fazer amor com ela pudesse fazê-lo se sentir melhor, independentemente do que estava incomodando-o. Uma voz no fundo da sua mente sussurrou que talvez todos os homens se sentissem assim depois de fazer amor com uma mulher, mas ela resolveu ignorar isso.

— Eu estava em dúvida sobre meus planos. — Ele a abraçou pela cintura e a puxou para perto do peito. —Temo pela segurança de Anthony. Não posso aceitar que Tom e Gina ainda estejam andando livremente, que a minha palavra não foi o suficiente para mandá-lo para julgamento, só porque fazem parte da pequena nobreza. O pessoal de Leo poderia agarrar Tom se quisesse e interrogá-lo, mas eles não desejam manchar com traição o nome dos Potter. É frustrante.

— Muito. — Ela deu um beijo suave no peito musculoso e recostou o rosto aconchegado, ouvindo satisfeita o som forte das batidas do coração dele.

— O evento de amanhã na casa da minha mãe deve contribuir para terminar de espalhar a notícia sobre a existência de Anthony. — Ele sorriu quando Hermione soltou um gemido. —Tem algo mais que eu deva levar em consideração.

Ela ergueu um pouco a cabeça para poder olhar para ele.

— Você soou tão sério. O que foi?

— O divórcio.

Hermione franziu a testa. Divórcio era algo raro, difícil de conseguir. O escândalo que causava às vezes podia fazer com que os envolvidos fossem banidos da sociedade. As fofocas em torno do descobrimento de um herdeiro de Colinsmoor logo não passariam de rumores irritantes comparados aos comentários que o divórcio iria levantar.

— Você teve motivos suficientes para pedir o divórcio. Mas não será fácil. Pode ser difícil também conseguir uma autorização para se casar novamente.

— Vou verificar isso. Não posso continuar casado com Gina, e quero me casar com você. A outra alternativa que tenho para conquistar minha liberdade seria com a morte de Gina. Mas apesar de ela fazer com que meu sangue corra frio nas veias e eu acreditar que ela seja merecedora da maior das punições, não consigo desejar sua morte.

— Claro que não. Não importa o quanto ela tenha tratado mal você e Anthony e tudo de errado que fez, ela foi a sua esposa. Vocês trocaram juras diante do altar. Foi ela quem escolheu não honrar o juramento. Você vai encontrar um meio. Só precisa ter paciência.

Ele segurou o queixo de Hermione e beijou-a.

— Está ficando muito difícil ter paciência. Não gosto de guardar segredo sobre você. Quero que esta situação se resolva logo.

— Também não gosto, mas não temos opção.

— Por mais triste que seja não temos. — Ele deu uma olhada no relógio sobre a cornija e então se espreguiçou. — Preciso ir. Leo quer se encontrar comigo dentro de uma hora e tenho alguns documentos que preciso examinar. — Beijou-a novamente e se levantou da cama.

Hermione permaneceu encolhida sob a colcha, observando ele se vestir. O homem não tinha um pingo de vergonha, ela pensou, quase sorrindo. Era ao mesmo tempo agradável e estranho compartilhar um quarto com um homem, vê-lo se vestir e se barbear e fazer todas as coisas que os homens fazem. Isto a fazia se sentir próxima dele.

É claro que agora ela precisava e queria muito mais do que esta compatibilidade que eles pareciam ter em comum. Ela queria ser amada por Harry. A ideia quase a fez rir. Ele estava tão acima do seu alcance, um homem rico e com um título era tudo que muitas mulheres queriam. Ela tinha sua paixão e confiança, e sabia que ele gostava dela. De algum modo ia ter de aprender a se satisfazer com isso. Assim como iria ter de aprender a não sofrer com o fato de que o homem que ela amava não retribuía seu amor.

Harry quase sorriu quando entrou no escritório de Leo. O homem tinha papéis e livros espalhados por todos os lados. Leo era um homem inteligente, possivelmente o homem mais inteligente que ele já tinha conhecido, mas estava claro que não entendia nada sobre organização. Harry caminhou até a escrivaninha, com todo cuidado removeu uma imensa pilha de livros de uma cadeira de frente para Leo, e depois se sentou.

— Aqui estou ao seu dispor, sir — ele falou de modo arrastado.

— Que engraçadinho. — Leo passou os dedos entre os cabelos, que há muito tinham escapado da trança apertada.

A fisionomia de Leo fez com que Harry ficasse sério no mesmo instante.

— Qual o problema? Não que já não tenhamos o bastante.

— Nada de novo. Só estou cansando destes joguinhos com Tom. Sei que o homem traiu o país, sabemos que ele matou pessoas, e que ele planeja matar todos os herdeiros do seu condado para ficar com o título. Mas precisamos de provas do que dizem. Até mesmo os homens que interroguei, que também têm certeza de que Tom é culpado de todas as acusações, hesitaram.

— Isso é porque meu tio vem de uma família nobre, descende de um nome que há muito tem sido leal e útil à Coroa. E tem aquele pequeno detalhe a traição que estamos tentando manter em segredo. O mesmo acontece com Gina. Ela não passava da filha de um soldado quando a conheci, mas o soldado vinha de uma família muito importante. Ele era o filho mais novo de um filho mais novo. Assim como temos de enfrentar o fato de que Tom e Gina conseguiram recrutar uma porção de aliados importantes. Vamos conseguir apanhá-los, e será logo.

— Hermione viu isso?

— Não. Só estou contando com a possibilidade. Eles estão perdendo seus ases uns após outros. Logo irão cair. Agora que recuperei a sobriedade e expulsei os dois das minhas propriedades, estaremos livres para procurar pela prova irrefutável que estamos buscando.

— Bem, meus homens ainda não encontraram nada, mas ainda é cedo. Você acha que Tom é esperto o bastante a ponto de ter destruído todas as evidências dos crimes?

— Acho até que ele tentaria, mas o modo como ele gosta de chantagear as pessoas para trabalharem em seu beneficio certamente requer provas concretas para que ele possa agir. Nem todos acabariam fazendo o que ele quer só por causa de uma ameaça sem provas. Esta é outra ferramenta que estamos roubando dele. Quanto mais as fofocas e os rumores mancharem sua reputação, menos poder ele terá de destruir pessoas.

Leo recostou na cadeira e esticou as pernas.

— É verdade. Mas não é sobre isso que realmente desejo conversar.

Harry concordou com um aceno de cabeça.

— Deseja falar sobre Hermione.

— Na verdade, desejo falar sobre como livrá-lo de Gina. Pelo jeito o único meio de conseguir isso, tirando as convenientes escapadelas que ela deu, é por meio do divórcio. Se achamos que conseguir apanhar Tom pelos seus pecados seja algo muito difícil, conseguir um divórcio será como um passeio no parque.

— Eu sei. Mas ainda temos tempo para arrumar uma solução para isso.

— Deveríamos... A menos que, bem... Você tem tomado precauções quando está com Hermione?

— O que você quer dizer? Estou tomando todo o cuidado para não levantar nenhum rumor sobre nosso relacionamento, acha que eu deveria me mudar daqui? Voltar para minha casa?

Leo balançou a cabeça.

— Não. E quanto aos rumores e às fofocas, sempre correram alguns sobre Hermione e eu. Ela é minha prima e me intitulei seu guardião, mas nossa diferença de idade não é muito grande. O fato de sermos primos não se configura como um parentesco próximo o bastante para dar a ela uma imagem de respeitabilidade. Eu estava me referindo mais a, bem, você estar tomando cuidado para não engravidá-la.

Harry encarou Leo.

— Bem, não, pois estamos prestes a nos casar. Apesar de todas as dificuldades de entregar meus inimigos para a justiça, estou certo de que isso não deva demorar muito. Como eu disse, as possibilidades estão a nosso favor. Não hesitarei em me casar com Hermione assim que estiver livre de Gina. Mesmo que isso não aconteça dentro de alguns meses, não há por que se preocupar. As chances de Hermione engravidar tão rápido são mínimas.

— Na verdade, as chances são grandes. — Leo limpou a garganta. — Os Granger e os Vaughn podem até não conseguir segurar seus casamentos, mas eles são muito férteis.

— São muito férteis?

— Como coelhos.

— Maldição!


(N/A): Oii gente, aqui estou eu mais uma vez, até que não demorou tanto esse capítulo, terminei correndo ele para vocês!

Muito obrigada a todos que estão lendo e principalmente para quem está comentando, obrigada por todo o apoio.

Witchysha: Heii querida, ahhhh mas esse casamento não vai demorar para acontecer, apesar, de que na vida real basicamente eles já estão casados, falta spo os finalmente "aceito"! Que é uma das melhores partes em qualquer história!

Enfim, em relação a faculdade, posso fazer uma pergunta? Como você soube que era realmente isso que você queria? Porque eu sinceramente não fazia ideia do que fazer com minha vida - se dependesse de mim, passaria o resto da vida vagabudiando e adaptando fanfic, mas... tenho esse desejo louco de viajar o mundo e para isso preciso de dinheiro-, mas pelo menos, sou incrivelmente inclinada para a área de humanas, principalmente publicidade e propaganda - estava olhando as cadeiras e achei elas fantásticas apesar de saber que aqui no Brasil essa área não é muito valorizada, mas fico morrendo de medo de ou não passar ou passar e não ser aquilo que eu espero, são tantas dúvidas que fico completamente apavorada mas, vou seguir o seu conselho, e dar o meu melhor e aceitar o que vier depois, pelo menos posso dizer que eu tentei, concorda? Pelo menos tenho o fanfic para desobilar um pouco... E por falar em fanfic, espero que tenha gostado do capítulo, bjoos querida!