Os dias acabavam e davam prioridade às noites e vice-versa.
Dias cheios de sombras e tempestades davam lugar a dias cheios de luz e alegria e vice-versa.
Pessoas nasciam e outras morriam.
Tudo mudava no seu devido tempo.
O tempo foi passando e passando.
Uma rapariga alta e esbelta, aí com os seus vinte anos, encontrava-se numa rua sombria na Diagon-Al.
Uma leve brisa percorria os seus longos cabelos encaracolados e revoltos.
Ao fundo de uma viela, uma sombra fez essa rapariga, parar.
Percorreu essa viela e descobriu, embrulhado nuns trapos, um elfo doméstico, cheio de frio e meio adoentado.
- "Aah olá. Estás bem?"
O elfo doméstico moveu-se e abriu os seus longos olhos castanhos. Olhou fixamente para a rapariga e depois disse:
- "Garrow saber quem tu és. És aquela feiticeira, filha de muggles, que ajuda criaturas como eu, que não têm para onde ir ou que são maltratadas pelos seus amos. Oh mas Garrow, não ser maltratado pelo seu amo. Seu amo ser muito bom. Ou foi muito bom." – lágrimas grandes escorreram pelo rosto desfigurado do elfo. – "Meu amo, morreu. Estava ainda mais velho que o Garrow. E Garrow ficou sem ninguém. Ninguém quis saber de Garrow, nem mesmo o meu novo amo, filho do meu velho amo. Abandonou-me sem me dar liberdade, Hermione Granger."
Hermione abaixou-se e olhou fixamente para Garrow. Tirou uma meia da sua mala e estendeu-a a Garrow.
- "Mas agora eu estou aqui, Garrow. Não é preciso sofreres mais. Agora pergunto-te, estás disposto a ter a liberdade, que muitos elfos desejam, ou preferes ser criado de outra pessoa?"
O elfo sorriu, demonstrando os seus dentes aguçados e podres.
Pegou na meia e automaticamente ficou livre daquela escravidão (N.A: uma vez que o dono o tinha abandonado e automaticamente o elfo ficou "órfão" de dono. E assim sendo, qualquer pessoa poderia dar-lhe a liberdade).
- "Oh Garrow estar muito, mas muito feliz. Hermione Granger, ser muito…muito boa pessoa. Mas antes, de seguir com a minha vida, Garrow queria pedir mais um favor."
- "Ok Garrow, diz."
- "Poderia levar-me à casa do meu antigo amo, para me despedir do meu novo amo? Ele é um rapaz de poucas falas e não teve consideração por Garrow, mas teve um passado muito doloroso e sinto alguma pena dele. Poderia fazer esse favor ao Garrow, menina Hermione?"
- "Ok…mas estás disposto a ir ver a pessoa que te abandonou?"
- "Sim. Garrow saber que ele gostava muito do meu velho amo e só por causa disso, merece ser perdoado. Garrow iria mesmo ter com o ex-amo, mas sinto-me muito fraco, e não consigo fazer magia."
- "Muito bem Garrow. Então levanta-te e apoia-te no meu braço. Vou materializar-me para a casa do teu ex-amo. Onde fica?"
O elfo levantou-se lentamente e segurou o braço de Hermione, cuidadosamente. Sussurrou ao ouvido de Hermione o sítio, onde antigamente vivia, e Hermione, compreendia porque é que o elfo não teria forças suficientes para chegar ao sítio. Aquele lugar ficava muito longe de Diagon- Al e muito mais de Hogsmeade.
Depois de saber onde ficava a casa, Hermione materializou-se e fechou os olhos.
Sentia a pele enrugada do elfo no seu braço e quando abriu os olhos, encontrava-se em frente de uma casa muito bonita, no meio do mato.
Hermione ia jurar que já tinha estado por aqueles lados.
O sítio era muito silencioso, revelando que a única casa ali, seria aquela que estava à frente de Hermione.
- "Vou entrar, menina Hermione. O meu ex-amo deve estar lá para dentro, sozinho, o pobrezinho."
O elfo entrou e deixou Hermione sozinha no grande quintal, cheio de flores lilases, designadas amor-perfeito.
Hermione não conseguindo combater a curiosidade entrou dentro da casa.
Tudo estava muito sujo, como se não vivesse lá ninguém. Ninguém iria pensar que uma casa tão bonita, com um jardim tão bem cuidado, teria um interior tão sujo. Entrou numa sala antiquada e observou as fotografias que existiam ao longo da lareira.
Um homem alto com uma certa idade encontrava-se nas fotos. Ora com o Garrow, ao seu lado, ora com outro elfo escanzelado, ora com flores lilases e parecia muito feliz. Ao lado encontrava-se esse mesmo velhote, de braço dado com uma mulher, muito graciosa e um rapazinho ao lado, com cerca de 10 anos. Todos ostentavam grandes sorrisos, principalmente o velhote. Como se as coisas que mais amava, fosse os seus elfos, as flores e claro, a família.
Hermione tinha que questionar Garrow sobre o outro elfo. De certeza que também estaria abandonado.
Como ouvia, barulho no piso superior, saiu da sala e subiu lentamente as escadas de carvalho.
Entrou numa primeira divisão e encontrou-se num quarto pequeno. Esse pequeno quarto, à excepção da sala, não tinha nenhuma foto do velhinho. Aliás não tinha quaisquer fotos.
A cama encontrava-se por fazer e um anel em prata encontrava-se na mesinha de cabeceira, a cintilar.
Com a curiosidade ao rubro, Hermione pegou no anel e deixou cair, ao vislumbrar uma cobra desenhada no mesmo.
Aquele anel…ela já o tinha visto no dedo de alguém.
No dedo de Draco.
Subitamente, as palavras de Draco surgiram no pensamento de Hermione:
- "Este anel Granger, foi a minha mãe que ofereceu. Tem uma bonita cobra, não achas?"
- "Não…não acho. Esse anel parece o anel que era de Salazar Slytherin."
- "Pois…parece, mas não é. Quem me dera que fosse, mas não é. A minha mãe comprou-me, quando foi ao Egipto com o Lucius. Sempre gostei muito. Por isso, prefiro mil vezes ter dado um soco àquele puto do 1ºano do que ele ter ficado com algo que tanto gosto."
Draco sorriu.
- "Não…não pode ser. Devem haver muitos anéis iguais a este."
Hermione apanhou o anel e vislumbrou debaixo da cama pergaminhos já um pouco usados.
Mais uma vez, a curiosidade falou mais alto e quando deu por si, já estava a abrir os pergaminhos e a visualizar o mesmo desenho, em todos. Um lago cristalino, com a Lua a ser reflectida e uma árvore, com uma rapariga de longos cabelos sentada.
O desenho não estava grande coisa, mas Hermione viu-se naquele desenho. Aquela rapariga junto do lago parecia ela, quando permanecia no jardim de Hogwarts, junto do lago.
Arrumou os pergaminhos e dirigiu-se para a porta, quando viu uma coisa a brilhar no espelho. Preso por um pequeno prego, estava um colar com um pingente em forma de coração, a cintilar.
Hermione perdeu a fala e o seu coração começou acelerar.
Cuidadosamente abriu o coração e lá dentro encontrava-se a foto de Draco, a sorrir e a acenar. E detrás do coração, estava a gravação um pouco sumida, de: "Amo-te para além da eternidade Granger". Algo que Hermione, nunca tinha reparado, como deve ser, mas que se encontrava no coração desde o dia em que Draco o ofereceu.
Recuou assustada. Não podia ser. Aquele era o seu colar. Agora ela tinha a certeza, não podia haver mais do que um colar daqueles, no mundo.
O anel, os pergaminhos e agora o colar. Saiu disparada do quarto e ouviu umas vozes no fundo do corredor.
Ela reconheceu as vozes. Uma era a de Garrow, mas a outra era…era de Draco. Correu atrás daquela voz e abriu uma porta que dava para um terraço. Ao fundo, do terraço, com um regador vermelho na mão, estava um rapaz alto, com cerca de vinte anos, esbelto, com cabelos loiros pelos ombros e uma grande barba. Estava todo desarranjado e discutia com Garrow.
- "JÁ TE DISSE ELFO ESTÚPIDO. SAI DAQUI. NÃO TE QUERO AQUI. VAI-TE EMBORA."
- "Mas amo…o senhor não está bem. Está aqui, muito sozinho e não vive como deve ser, com esta sujidade toda. Garrow agora é livre, mas poder ajudar amo."
- "Se dizes que és livre, então não me chames amo. Não me chateies. Eu estou bem. Claro que estaria melhor se o meu pai estivesse vivo. Ok...Ok...ele não era o meu pai verdadeiro, mas ele ajudou-me e eu gostava muito dele. E se tu não tivesses ido para o mato procurar-me, talvez ele ainda estivesse vivo."
Uma raiva resplendecia nos olhos do rapaz que tinha retomado a sua rega de plantas lilases e negras.
- "Mas menino Scorpius, o senhor seu pai já estava muito doente, Garrow não ter culpa. Não me culpe, por algo que não tenho culpa."
- "Sai daqui… verme estúpido."
Hermione que estava a escutar tudo, acordou do seu transe, quando ouviu aquele rapaz, pronunciar aquele insulto, típico de Malfoy.
- "Draco?"
O rapaz, de nome Scorpius, olhou para aquela rapariga desconhecida e ficou sério.
Hermione olhou de alto a baixo e viu os seus olhos cinzas no meio daqueles cabelos loiros revoltos. Mas a seguir das palavras de Scorpius, Hermione duvidou se aquele seria realmente Draco.
- "Quem és tu?"
- "Não me conheces Draco?"
- "O meu nome não é Draco. Chamo-me Scorpius. Que fazes aqui? Quem é esta Garrow? Alguém do Ministério para me levar daqui? Para algum centro de malucos?"
- "Não…eu sou..."
- "Não quero saber. CALA-TE! SAEM DA MINHA CASA. RUAAAAAA!"
Garrow e Hermione recuaram e esta última olhou mais uma vez para Scorpius. Era muito parecido com Draco, mas não podia ser ele. De certeza que ele tinha encontrado o colar dela, algures.
Ia perguntar-lhe. Queria obter respostas, mas a fúria de Scorpius fez a recuar mais uma vez.
Draco estava morto e ela, após três anos da sua morte, não tinha aceite tal coisa.
Virou-se e abandonou o terraço.
- "Espere por mim, menina Hermione Granger." – pediu Garrow, correndo com algum custo atrás de Hermione e partindo com ela.
- "Hermione Granger?" – sussurrou Scorpius.
Dirigiu-se à beira do terraço e viu Hermione, no jardim, a posicionar-se para desmaterializar-se. Esta olhou mais uma vez para Scorpius e desapareceu.
Scorpius sentou-se no chão, apoiando a sua cabeça nos joelhos. Ficou vários minutos naquela posição, sem se movimentar.
Subitamente ergueu a cabeça e começou a bater na testa, fortemente. Várias lágrimas surgiram na sua face e Scorpius não as conseguia controlar.
- "Porque é que este nome me faz chorar? PORQUÊ? PORQUÊ? PORQUE É QUE NÃO ME LEMBRO DE NADA? Este nome é-me tão familiar. Oh meu pai…onde quer que estejas, ajuda-me. Sinto-me tão perdido."
Scorpius levantou-se e mandou um vaso com toda a força para o chão, espantando um esquilo que circulava pelo terraço. Virou-se e olhou para o horizonte, tentando encontrar o seu caminho.
Quando Hermione abriu os seus olhos, estava num beco na Diagon-Al.
Garrow, que ainda se encontrava junto dela, olhou-a com preocupação.
- "Estar bem Menina Granger?"
Hermione estava petrificada. Aquele não poderia ser Draco. Ele não iria esquecê-la em apenas três anos.
Mas o colar estava lá. Assim como aquele anel. Que explicação haveria para isso?
Ela iria voltar lá. Mas antes, teria que fazer perguntas a Garrow.
- "Diz-me Garrow, quem é este Scorpius? Quem era o teu antigo amo? O pai adoptivo de Scorpius? Conta-me tudo, por favor?"
- "Porque é que menina Granger, querer saber a vida de menino Scorpius? Conheço-o? Oh isso ser algo maravilhoso…"
- "Porquê?"
- "Porque menino Scorpius ter perdido toda a sua memória."
- "Como assim?"
Ambos se sentaram nuns degraus de uma velha estalagem e começaram a conversar.
- "Há uns anos atrás, o meu amo, Homer Pikkle, tinha ido ao riacho pescar e descobrir um rapaz muito mal tratado e num estado lastimável, a lutar pela vida, junto de um rochedo. Meu velho amo ser uma pessoa bondosa e levar menino para sua casa. Eu e outro elfo que desde a morte do meu velho amo, partira, cuidámos de menino. Ele estava muito mal, sabe? Era provável menino morrer. Mas meu antigo amo, não queria que isso acontecer. Por isso batalhar muito para o salvar. Lembro-me de menino estar inconsciente, como se estiver num sono profundo. Lembro-me de meu antigo amo, estar preocupado, porque nem sabia quem ele era. Não sabia se era mau ou bom. Acho que meu antigo amo tentou penetrar a mente do menino, mas não conseguiu, porque subitamente, menino perdera a memória. Passado muito tempo…cinco meses, acho eu, menino recuperou, mas sempre foi muito reservado. Fechava-se no quarto e quando saia, via-se olhos vermelhos de choro. Mas adorava meu antigo amo por ter sido tão bom para ele."
- "Mas como alguém perde a memória de um momento para o outro? Scorpius não dizia nada? Ele esteve sempre inconsciente?"
- "Garrow não saber. Estar sempre na floresta à procura de flores medicinais para menino. Amo antigo querer sempre que Garrow ficasse longe do quarto de menino. Só o outro elfo, o Piggy é que entrava naquele quarto."
- "Porque é que não podias entrar? O teu amo não confiava em ti? E onde está esse elfo?"
- "Antigo amo sempre confiou em Garrow. Ele não deixar Garrow entrar, porque sabia que Garrow, apesar de ser elfo, ter sentimentos e de ser muito sensível ao sofrimento dos outros. Não sei onde estar Piggy. Mas Garrow poder chamá-lo. Mas hoje não. Garrow estar muito fraco."
- "Ok Garrow. És livre. Faz como entenderes. Se queres descansar, tudo bem. Para onde vais? Algo em mente?"
- "Garrow estar a pensar trabalhar em Hogwarts, poder ser? Garrow querer reencontrar amigo de longa data, Dobby."
- "O Dobby, claro! A tua escolha é excelente. Hogwarts é o melhor sítio para se estar. Vou levar-te."
- "Obrigado Menina Granger. Mas antes, Garrow querer avisar, para menina Granger não ligar muito ao Piggy. Ele não ser da mesma opinião que Garrow e achar que menina Granger ser uma destruidora de elfos domésticos."
- "Entendo. Mas já estou habituada. Ainda são alguns, os elfos que não gostam do que faço e não querem ser libertados."
E depois destas palavras, levou Garrow para Hogwarts.
Fawkes sobrevoava o escritório de Dumbledore. A beleza do seu voo era tão fascinante, que Dumbledore sorria só de a ver.
- "Fawkes, qualquer dia ainda ficas tonta de tanto voar, às voltas. Ou então fico eu, de tanto olhar para ti."
Alguém bate à porta.
- "Entre, por favor."
Hermione, um pouco receosa, abriu a porta do escritório de Dumbledore e entrou.
- "Hermione Granger. Que alegria vê-la de novo. Não me diga, mais um elfo?"
- "Exacto Professor Dumbledore."
-" Já lhe disse para não me chamar professor. Já não sou seu professor."
- "É o hábito, professor." – Hermione esboçou um leve sorriso.
- "Durante este ano e meio, tenho me habituado à sua presença, mais uma vez, nesta escola. O seu trabalho, como protectora dos elfos, é excelente. E fico muito satisfeito, por ajudar muitos, a ficarem livres e a convencer outros a tentarem serem livres. E fico ainda mais satisfeito, por alguns quererem vir trabalhar para Hogwarts, mas Miss Granger, se isto continuar assim, digamos, que não vou ter mais espaço em Hogwarts, para colocar tanto elfo."
- "Oh sim, professor. Compreendo. Mas fique descansado que este será o último a vir para Hogwarts."
- "Vejo que Miss Granger está um pouco desanimada. Não a vejo a sorrir, como é habitual. Será que este velho professor poderá ajudá-la?"
- "De facto, professor, não estou muito bem. Eu tive um dia inexplicavelmente mau."
E depois de dizer isto, Hermione despejou todas as suas dúvidas. O que aconteceu, como aconteceu, a sua reacção, a sua dúvida, a conversa com Garrow. Tudo.
- "Como me disse que esse homem se chamava? "
- "Homer Pikkle."
- "Hummm…!" – Dumbledore ergueu-se da cadeira e foi ter com Fawkes que estava no seu poleiro. Acaricio-lhe as suas asas e olhou serenamente para Hermione.
- "Espero que Miss Granger não esteja com muitas esperanças. Mais vale acreditar no que não queremos no que queremos. Não tenha muitas esperanças. Pode ser simplesmente um rapaz parecido com Draco e que descobriu por aí ou comprou a alguém o seu colar. Pensa voltar àquela casa?"
- "Penso pois. Vou lá o mais depressa possível."
- "Então eu vou consigo. Se quiser levar, Mr. Potter, esteja à vontade. Mas antes, permite-me recomendar-lhe, fale antes com esse elfo, o Piggy. De certo que ele tem coisas importantes para revelar."
Hermione acenou afirmativamente com a cabeça e dirigiu-se para o exterior.
E a seguir, abandonou Hogwarts.
Quando deu por si, estava numa rua movimentada, no meio de Londres.
Caminhou, entre ruas e ruas e parou de fronte de um pequeno prédio de dois andares. Entrou, subiu o lance de escadas, cumprimentou uma senhora idosa, que estava a varrer a escada e parou diante de um apartamento. Tirou a chave e entrou.
Hermione optara por viver sozinha. Queria um espaço, só seu. Uma independência só dela.
Por vezes, recebia a visita dos seus amigos, que continuavam os mesmos.
Ron deixara a Toca e comprara uma moradia perto da loja de Fred e de George, onde vivia com Cho e com Hugh, o pequeno filho com apenas dois meses. O negócio na loja ia de vento e popa e Ron orgulhava-se de ter optado trabalhar com os irmãos gémeos.
Harry e Ginny continuavam juntos e ambos viviam na Toca. Ginny não conseguia deixar os pais sozinhos naquele casarão e deixá-los só com Percy. Por isso optaram viver os dois lá, para grande alegria de Mrs e Mr. Weasley.
Luna e Neville também estavam bem profissionalmente, mas já não namoravam. Luna decidiu terminar tudo com Neville, dois anos antes, porque simplesmente já estava farta dos nomes carinhosos que Neville lhe dava. Mas ficaram grandes amigos.
Hermione pousou a sua mala no sofá cor de pêssego e tirou o seu casaco.
Dirigiu-se ao seu quarto e despiu-se.
O dia tinha sido muito cansativo e nada melhor para relaxar, do que um bom banho quente. Entrou na banheira e depressa bolhinhas de sabão surgiram.
Não conseguia para de pensar em Scorpius. Era tão parecido com Draco, mas ao mesmo tempo tão diferente. Draco adorava-a e não ia esquece-la tão facilmente. Ele era carinhoso e Scorpius tinha sido rude para ela.
Não podia… não podia ser Draco.
Bateram à porta.
Hermione verbalizou uma asneirola, por ter sido incomodada, naquele momento de relaxamento e saiu da banheira. Movimentou levemente a varinha e sem mais nem menos, o seu corpo ficou seco. Vestiu rapidamente uma camisa de dormir e saiu da casa de banho em direcção à porta.
Abriu.
À sua frente encontrava-se Ron, boquiaberto.
- "Ohhh por favor, Ronald Weasley. Não me digas, que nunca viste uma mulher de camisa de dormir?"
- "Não assim tão transparente."
Hermione olhou para si mesma. De facto aquela camisa era transparente demais. Mas não se importou muito. Achou graça, à cara de Ron, que subitamente tinha ficado vermelha.
- "Também nunca viste os atributos de uma mulher?"
- "Vi sim." – disse bruscamente Ron.
- "Aah bom. Já te ia perguntar como tinhas feito um filho à Cho. Entra."
- "Não podes mesmo vestir algo? A tua nudez é descarada."
- "Posso. Mas primeiro, eu estou na minha casa. Segundo, acabei agora de sair do banho à pressa, porque alguém me interrompeu. E terceiro, eu não estou nua. Estou só um pouco transparente, da cintura para cima. ACCIO ROUPÃO."
E depois de dizer isto, um roupão laranja, deslizou até Hermione, que o vestiu delicadamente.
- "Pronto. Estou melhor, assim? "
- "Ya. Estou a ver que não estás muito bem, hoje. Eu vim aqui para me ensinares a dar leite ao Hugh, mas se quiseres posso ficar aqui para desabafares. O que se passa?"
- "Nada. Tu não sabes dar leite ao teu próprio filho? É só pores no biberão e dares."
- "Mas a Cho disse que tenho que ver se está frio ou quente. E eu não percebi muito bem. Afinal o leite tem que estar frio ou quente? "
- "Oh Merlin. Morno. Nunca ouviste falar nesta palavra? Morno. E onde está o Hugh, afinal?"
- "Ficou com o Fred na loja. A Cho teve que ir trabalhar para o hospital. Acho que apareceu um rapazinho com cara de sapo e não sabiam o que fazer. Deve ser filho da Umbridge... hehehe. E eu fiquei com ele. Mas afinal o que tens? "
Cho trabalhava como enfermeira no Hospital de St. Mungus e era muitas as vezes, em que era chamada para urgências, no final do dia.
Hermione não conseguindo esconder mais, as suas dúvidas, sentou-se no sofá e contou tudo a Ron. Este a cada palavra de Hermione ficava ainda mais surpreso e confuso. Sentou-se, abruptamente, no sofá, e olhou seriamente para Hermione.
- "E achas que esse tal Scorpius…era o Malfoy?"
- "Não sei, Ron. Não faço ideia. Estou tão confusa. Eu não quero ficar com muitas esperanças, entendes? Mas algo me fascina naquele rapaz. Não sei. Os olhos dele são iguais aos do Draco. Não sei."
- "Será que são primos? Lá numa coisa…eles são parecidos. Têm ambos, nomes estranhos."
Ron fez um leve sorriso aparecer no rosto de Hermione.
Um pouco receoso, Ron aproximou-se mais da amiga e subitamente abraçou-se a ela.
- "Independentemente do que acontecer Hermione, eu estou aqui. E o Harry também, claro. O trio maravilha continua a bombar. E nunca nos vamos separar. Podes sempre contar connosco. Agora descansa."
Hermione ficou comovida com as palavras do amigo e deu-lhe um leve beijinho na bochecha corada de Ron. Ficaram algum tempo à conversa e Hermione observou todo o apoio dado pelo amigo.
- "Obrigado Ron."
Ron sorriu, levantou-se e saiu porta fora.
Hermione ficou sozinha naquele apartamento pacífico, pensando nos últimos acontecimentos.
- "O quê? Como assim, alguém como o Draco? Mas quem é esse? Scorpius? Bem…ex- devorador da morte, não foi! Não me lembro, de ver esse nome, nos registos que os aurors têm lá no gabinete." – revelava Harry, olhando seriamente para Ron.
Harry, à semelhança de Ron, encontrava-se ainda mais alto.
O seu cabelo negro estava cada vez mais desalinhado e a sua cicatriz brilhava no meio da sua testa. A única diferença entre o Harry Potter de dezessete anos e o Harry Potter de agora, com vinte anos, é que este era muito mais musculado e muito mais elegante.
Ginny surgiu por detrás de Harry, abraçando a sua cintura.
Estava muito esbelta e o seu longo cabelo ruivo, cintilava no ar fresco.
Encontravam-se, no grande e robusto jardim da Toca.
- "Imagino como deve estar a Hermione. Já deve estar a pensar que aquele era o Draco. Oh isto é muito mau, para ela. Ela vai começar a criar pequenas esperanças e vai tudo piorar, como antes."
- "Hey Ginny. Não digas isso, ok? Ela foi a própria a dizer que não queria ficar com muitas esperanças. Ela disse-me. Não comeces a agoirar."
- "Ah agora sou eu que estou a agoirar? Quem és tu, para dizer tal coisa, oh Ron –que- nem- sabe- mudar- a- fralda- ao- filho."
Harry sorriu ao presenciar a discussão daqueles irmãos, que mesmo sendo já adultos, continuavam às cacetadas, como se fossem puras crianças.
Mas depressa, esse sorriso de Harry desvaneceu ao lembrar-se do dilema de Hermione.
- "Quando é que disseste, que a Hermione ia falar com esse elfo doméstico? O Piggy?" – questionou, subitamente Harry, a Ron.
- "Penso que é amanhã. O Dumbledore fez questão de ir com ela. Eu também ia… mas não posso deixar a loja sozinha. Já a deixei hoje e amanhã há muito trabalho para fazer."
- "Ok Ron. Também tens a tua vida. Entendo. Mas eu posso ir. Aliás, faço questão de ir. Como auror posso querer proteger uma amiga, de algum mal, que possa ocorrer."
- "Sim, como se ela precisasse, com a presença de Dumbledore, ao seu lado." – disse, muito depressa, Ginny.
- "Mesmo assim, faço questão de ir."
- "Então, eu também vou. Não sou auror, mas sou Seeker."
- "Que comparação. Que eu saiba ninguém vai levar uma snitch."
- "PULLUS" – gritou Ginny, direccionando a sua varinha para Ron.
Este, subitamente, transformou-se numa galinha e começou a saltar, desenfreadamente.
- "O que se passa aqui? Ronald?" – questinou Mrs. Weasley, que aparecera cheia de massa no cabelo.
E Ginny e Harry deram as mãos e começaram a rir, com o panorama que presenciavam.
O dia amanheceu delicadamente.
Ainda os primeiros raios de sol, estavam a entrar pela janela do quarto de Hermione e já esta estava pronta para sair de casa.
Pegou na sua varinha, vestiu o seu blusão de ganga e saiu.
Ao entrar por uma rua sombria e vazia, Hermione girou e fechou os olhos.
Acabara de se materializar.
Ao abrir os olhos, Hogwarts encontrava-se à sua frente, resplandecente.
Dumbledore encontrava-se à sua frente, já fora dos portões de Hogwarts. Trazia o seu sobretudo esmeralda e um ar angelical.
Ao seu lado, encontrava-se nada mais, nada menos, do que Ginny e Harry e ao lado de ambos, Garrow.
- "Muito bom dia, Miss Granger. De certo, que não se vai importar de ser acompanhada, por um excelente auror…" – disse Dumbledore, olhando orgulhoso, para Harry – " …e por uma excelente…aah…talvez assistente de auror?"
- "Sou simplesmente uma seeker, amiga de Hermione e com curiosidade de desvendar este grande mistério." – disse Ginny, olhando para Hermione e sorrindo.
Esta contribuiu o sorriso aos amigos, agradecendo o facto de estarem presentes e de a quererem ajudar.
- "Muito bem, então vamos. Se me permitem, reservei uma pequena sala, no pub de Madame Rosmerta. Apetecia-me sair do recinto de Hogwarts e visitar uma vila alegre como Hogsmeade. Penso que foi uma excelente ideia, não acham?"
- "Com certeza, professor Dumbledore." – concordou, Harry.
E todos seguiram Dumbledore, até ao pub de Madame Rosmerta.
Ao chegarem ao pub, Madame Rosmerta já se encontrava à entrada, esperando pelos ilustres convidados. Guiou-os ao andar superior, deixando-os sozinhos numa pequena sala, com um doce perfume a lavanda.
Dumbledore sentou-se num pequeno sofá e olhava para Hermione, como quem espera uma ordem. Harry e Ginny colocaram-se atrás de Hermione, encostados à parede.
Por sua vez, Hermione colocou-se de frente para Garrow e disse, calmamente:
- "Garrow, estás com forças suficientes para chamar o Piggy?"
- "Estou sim, menina Granger. Se menina quer falar com Piggy, Garrow, tem todo o prazer em chamá-lo."
E depois de dizer isto, Garrow cerrou os dentes, fechou os olhos e com um estalar de dedos, um elfo um pouco, corcunda e ainda mais velho e sujo que Garrow, surgiu ao seu lado.
Encontrava-se ainda mais miserável que Garrow, quando Hermione o encontrou naquela ruela em Diagon- Al. Parecia mesmo um porco mal-formado.
Piggy olhou para todos, com um olhar rancoroso e cheio de orgulho. Subitamente, começou a bater com os enormes e defeituosos pés no chão e começou a lançar olhares de profundo ódio a Garrow. Só lhe faltava mesmo cuspir na cara do pobrezinho.
Vendo que Piggy estava um pouco mais calmo, Hermione baixou-se, ficando frente a frente àquele elfo desmazelado.
- "Olá. És o Piggy, certo?"
- "Não…sou o Harry Potter." – disse Piggy, olhando com nojo, para Hermione.
- "Ora, ora… um elfo com sentido de humor. Fiz bem em vir." – disse, sorrindo, Dumbledore, olhando para Piggy e cruzando os braços.
Este olhou para Dumbledore com um misto de surpresa e de desprezo. Os seus grandes olhos negros cruzaram-se com os de Dumbledore e por fim olhou para Hermione.
- "Sim. Sou o Piggy. Espero poder ser útil em algo, menina filha de pais muggles e que destrói as vidas dos elfos."
- "Hey…elfo esquisitóide, o que queres dizer com isso de filha de pais muggles? És contra isso? Não me digas que o teu falecido dono era daqueles feiticeiros que se acham superiores por serem de sangue puro. Idiotas" – dizia Ginny, olhando para Piggy e com vontade de o estrangular.
- "O meu amo não era idiota nenhum, ruiva estúpida."
- "Pronto…Pronto… acalmem-se. Nada de chamar nomes uns aos outros."
- "Senhor cicatriz não mandar em Piggy."- disse Piggy, cruzando os seus longos braços escanzelados.
- "Ok… eu desisto. Este elfo está a pedi-las. Olha. oh mostrengo, se disseres mais alguma coisa em gozação, eu juro, que transformo-te em balão e arrebento-te com um palito." – dizia Ginny, caminhando de encontro ao elfo, mas subitamente Hermione levantou-se e bloqueou-a.
- "Calma Gi. Calma. Eu já estou habituada a isto. Nem todos os elfos gostam de mim. Nem todos são simpáticos. Ele só está a provocar-nos porque é mesmo isso que quer. Entendes?"
Ginny assentiu com a cabeça e recuou. Hermione, mais uma vez, abaixou-se e colocou-se em frente de Piggy. Depois de suspirar, perguntou:
- "Piggy...tu e o Garrow, eram ambos elfos de Homer Pikkle, certo? Sabias tudo, o que acontecia naquela casa. Sabias, não sabias?"
- "Menina não ter nada a ver com isso."
- "Por favor Piggy…é muito importante. Eu preciso de saber algumas coisas."
- "Piggy não dizer nada. Piggy não insultar a memória de amo. Piggy jurar a amo que nunca iria contar os segredos daquela família. E Piggy não dizer nada."
- "Piggy… eu compreendo. Mas, este caso é muito importante. O que sabes sobre o Scorpius?"
Os olhos de Piggy abriram-se num ápice e este olhou seriamente para Hermione. Algo nos olhos dele, fazia Hermione oscilar por dentro. Como se os olhos dele fossem o reflexo da dor e sofrimento que Scorpius tivera passado.
Piggy virou-se de costas para Hermione e sibilou entre dentes:
- "Sangue de lama impertinente. Para além de destruir vida a elfos, também querer meter o bedelho onde não ser chamada."
- "Eu ouvi isso... seu monstro… LEVICORPUS"
- "PROTEGO MAXIMA…Ginny Weasley! Ninguém aqui vai atacar quem quer que seja. Espero que se controle." – disse Dumbledore seriamente e colocando-se de frente para Piggy, que se encontrava agachado e a tremer de medo.
- "Muito bem, professor. Eu controlo-me. Se este elfo respeitar as pessoas e chamá-las pelo seu verdadeiro nome. E não me venha dizer, que ele não sabe o nome dela, porque todos os elfos conhecem Hermione Granger."
- "Hermione Granger?" – sibilou Piggy
- "Na verdade menina Ginny, Piggy desconhecer de facto, nome de Hermione, uma vez que ele sempre desprezara menina Granger. Dizer que não querer saber nome de destruidora de vidas de elfos. Muitas vezes Garrow levar cacetadas quando eu falar de como Hermione Granger ser bondosa." – explicou, um pouco a medo, Garrow.
- "Piggy levanta-te. Não tens que ter medo. Ginny Weasley apenas se exaltou. O que seria de esperar, visto você ser um elfo um pouco petulante."
- "Obrigado Professor Dumbledore, por proteger este humilde elfo. É bom saber que ainda ajuda um elfo de Homer Pikkle."
- "Penso que se pode retirar Piggy. Pelo menos por hoje, uma vez que hoje estão todos um pouco, tensos. E fica avisado que me deve uma. Por isso, talvez da próxima vez, nos dirá mais alguma coisa útil."
- "Com certeza." – e fazendo uma pequena vénia a Dumbledore, Piggy desapareceu.
- "Professor, mas ficámos sem saber nada. Porque o dispensou?"
- "Hermione Granger, penso que a menina terá que ter um pouco mais de paciência. Este elfo é um pouco rude e arrancar algo dele leva o seu tempo."
- "O professor fala como se o conhecesse." – afirmou Harry olhando de lado para Dumbledore.
- "Sim. Na verdade conheço. E não é só este elfo. Mas sim o Homer. Era um homem muito reservado. Foi meu colega, quando eu estudava em Hogwarts. Mas é melhor não falarmos disto. Por enquanto. Tenho umas coisas a resolver."
E sem dizer mais nada, Dumbledore fez uma pequena vénia a todos os presentes e saiu.
- "Por vezes não percebo o professor Dumbledore. Eu não aguento muito mais tempo, esta incógnita na minha cabeça. Eu quero saber a verdade. Garrow de certeza que não sabes mais nada?"
- "Tudo o que Garrow saber… Garrow já revelar. Juro a menina Granger."
Hermione assentiu com a cabeça, mas revelando o seu descontentamento. Ela queria saber quem, de facto, era Scorpius. O que lhe tinha acontecido. Como é que ele chegou às mãos de Homer e como era tratado.
Aquele elfo era a única resposta existente, mas tudo tornava-se mais difícil, quando aquele mesmo elfo tentava a todo o custo esconder o que sabia.
- "Hermione tens que ter mais paciência. Tentamos noutro dia. Além disso, deves ter muito trabalho para fazer hoje, certo? No ministério? Não te esqueças daqueles relatórios sobre os lobisomens que tens que entregar."
- "Eu sei disso. Mas não sei se vou ter cabeça para isso. Aquele Scorpius não me sai da mente. Será que ele é o Draco?"
- "Hey…Mione. Tu disseste que não ias alimentar falsas esperanças. Sim? Outro dia, resolvemos este enigma. Ok?"
Hermione assentiu com a cabeça e pegou na sua mala. Dirigiu-se à porta, mas sem antes dizer aos amigos:
- "Hoje é dia de jantarem na minha casa. Vemo-nos mais logo, Harry e Gi."
E depois destas palavras, Hermione saiu rumo ao trabalho que a esperava.
O dia foi extremamente longo para Hermione. Aqueles relatórios que tinha que entregar, estavam com algumas falhas e teve que corrigir tudo. Ler 8100 páginas e ver se havia lacunas era uma tarefa cansativa.
Depois de corrigir tudo e de entregar, ainda teve que preencher os formulários de elfos (formulários onde especificava a que família o elfo servia, o motivo porque ela deu a libertação, a história do elfo e a sua caracterização) que tinham sido libertados naquela semana.
- "Quinze elfos libertados da escravatura, numa semana, já é bom. É pena aquela elfo não querer mesmo ser libertada. Senão seriam dezasseis." – pensava alto Hermione.
Mas o seu pensamento foi interrompido, quando estava a preencher o formulário de Garrow.
Tudo veio à sua mente. Tudo incluindo Draco ou Scorpius. Ela tinha que saber a verdade. Tinha que esclarecer aquele mistério todo. Tinha que saber toda a história de Scorpius. Como é que alguém consegue perder a memória, mesmo estando inconsciente e tão rapidamente. Havia ali muitos enigmas e Hermione sentia-se no dever de resolvê-los.
Pousou a pena e olhava para a pequena janela em frente da sua mesa.
Estava uma tarde bonita. O sol brilhava lá ao fundo, largando os seus últimos raios, antes de se pôr por completo.
Subitamente Hermione sentiu uma vontade enorme de ir àquela casa. A casa de Scorpius. Queria vislumbrar a sua silhueta mais uma vez. Queria olhar mais uma vez para ele. Algo a ligava a ele. Seria ele o Draco de outrora? Talvez encarnado nele ou simplesmente era o Draco? Hermione desviou aqueles pensamentos e focou-se no seu trabalho.
Iria a casa de Scorpius, mas só quando acabasse o que tinha para fazer.
Era já noite, quando Hermione saiu do Ministério da Magia. Despediu-se dos seus colegas, picou o ponto e saiu.
A noite estava fria. Nem parecia que horas antes, aquele sol magnífico acalorava as ruas.
Caminhou para o beco, onde todos os dias, se materializava. Já estava pronta para dizer, Little Road of Nowhere (N.A: o nome da rua onde morava), quando se lembrou da vontade enorme que tinha de ver Scorpius.
Seria uma loucura, vê-lo àquela hora, mas o desejo falava muito mais alto.
Fechou os olhos, pronunciou as palavras certas e rodopiou no mesmo sítio.
Abriu os olhos.
E lá estava ela, a casa de Scorpius. No meio daquele mato. No meio daquela escuridão. No meio daquele silêncio.
Caminhou um pouco mais e colocou-se atrás de um longo carvalho.
Tudo estava calmo. Possivelmente Scorpius já estaria a dormir. E Hermione não o poderia ver.
Estava pronta para ir embora, quando ouviu passos no terraço. Escondeu-se, mais uma vez atrás do carvalho e cuidadosamente olhou para cima. Iluminado por um pequeno candeeiro a óleo, estava Scorpius. Olhava para a lua e Hermione via os seus olhos cinzas a brilharem.
O coração de Hermione começou a saltitar. Aquele era Draco. Só podia.
Tinha o mesmo perfil de Draco, o mesmo olhar, a mesma forma de estar.
Aquele momento era tão parecido com os momentos que ela e Draco passavam em Hogwarts, a olhar para a lua. Naquele silêncio, que só era quebrado pelos seres do lago de Hogwarts.
Pequenas lágrimas começaram a escorregar na face de Hermione.
Ela tinha tantas saudades de Draco. E nem acreditava que já há três anos que não sentia, os seus lábios tocarem nos dela.
Olhou mais uma vez para Scorpius. Este ainda "namorava" a lua e os olhos cinzas, ainda cintilavam. Mas agora, Hermione percebia. Aquele brilho não era o reflexo da lua, mas sim, lágrimas que saíam dos seus belos olhos.
Hermione começou a chorar ainda mais. Queria tanto ir ter com Scorpius e abraçá-lo. Sentia esse desejo invadir-lhe o seu corpo. Queria-o mais que tudo na vida. Mas e se aquele não fosse Draco?
Hermione não aguentava mais. O seu sofrimento, a angústia, voltaram ainda mais fortes do que outrora. As suas lágrimas agora eram grossas e não acabavam. O seu sofrimento era tanto.
Subitamente soltou um gemido de angústia.
Ao notar que tinha quebrado o silêncio e revelado a sua posição, escondeu-se ainda mais, com o coração a acelerar.
Espreitou para o terraço da casa, mas não encontrou Scorpius. Aflita, olhou para todos os lados. Não havia sinal dele. Como não queria ser descoberta, Hermione fechou os olhos e materializou-se.
- "Quem está aí? Quem está aí? Acuse-se" – Scorpius caminhava no meio das árvores, à procura de alguém.
O candeeiro a óleo, não iluminava muito, mas graças a ele, Scorpius ainda conseguiu visualizar uma silhueta esbelta de cabelos longos, a desaparecer.
A silhueta dos seus sonhos.
Hermione abriu a porta de casa e entrou. Mandou a sua mala e casaco para o chão e mandou-se para cima do sofá.
Começou a chorar compulsivamente. Não acreditava que estava a sofrer de novo. Aquela dor era tão forte. Era forte demais.
Ela ainda amava Draco. E aquele Scorpius era muito parecido com ele.
Chorou e chorou, até não ter mais forças.
[In this world you tried
Not leaving me alone behind.
There's no other way.
I prayed to the gods let him stay
The memories ease the pain inside,
Now I know why.
[All of my memories keep you near.
In silent moments imagine keep you here.
All of my memories keep you near.
You silent whispers, silent tears.
[Together in all these memories
I see your smile.
All the memories I hold dear.
Draco, you know I will love you
Until the end of time
All of my memories...
Acabou por adormecer tendo como última imagem, o sorriso de Draco, junto do lago.
- "ALOHOMORA"
- "Ginny, achas correcto o que acabaste de fazer? Estás a invadir uma propriedade."
- "Oh por favor Harry. Eu estou apenas a entrar na casa da minha amiga, porque éramos para jantar todos juntos e ela não nos abriu a porta. Já esperei muito e ela entrou agora em casa. Eu vi. Estou preocupada."
- "Ok.. Entra, então."
Ginny e Harry entraram cuidadosamente na casa de Hermione e fecharam a porta. Olharam para o Hall e viram as coisas no chão.
Encaminharam-se para a sala de estar e descobriram uma Hermione adormecida e com o rosto inchado de tanto chorar.
- "Oh Harry… vês? Passou-se algo. Ela está mal. Vou acordá-la. Quero saber o que se passa."
- "Não" – sussurrou Harry, impedindo Ginny de avançar – "Uma vez ouvi, uma pessoa sábia dizer, que nos nossos sonhos, entrámos num mundo só nosso e que ninguém tem o direito de nos tirar de lá. Deixa-a dormir. Amanhã saberemos de tudo."
- "Ok… mas pelo menos leva-a para o quarto dela. Eu depois dispo-a." – murmurou Ginny.
- "Está bem." – e pegando cuidadosamente Hermione ao colo, Harry levou-a para o quarto.
Depois de a deixar na cama, saiu, deixando a amiga ao cuidado de Ginny.
Minutos depois, Ginny apareceu cabisbaixa e sentou-se ao lado de Harry no sofá.
- "Ela está a sofrer Harry. Ela só pronuncia o nome do Malfoy. E o nome desse tal Scorpius. Ela está abalada."
Harry beijou a testa da namorada e transmitiu-lhe algum conforto, apesar de também ele estar preocupado com Hermione.
- "Eu sei que ela está a sofrer, amor. Eu sei."
Hermione acordou. A sua cabeça estava pesada e só lhe apetecia dormir de novo. Sentou-se na cama e encostou-se à madeira da cama. Ao abrir, como deve ser, os olhos, vislumbrou no seu puff, uma silhueta alta, de pernas cruzadas e a olhar para ela.
- "FLIPENDO" – disse a silhueta e as cortinas foram afastadas para o lado, possibilitando a entrada da luz do sol.
Agora com tudo nítido, Hermione olhou para a silhueta e o seu olhar parou nos olhos verdes dele.
- "Bom dia Hermione. Tudo bem?"
- "Harry? Que fazes aqui? Como entraste?"
- "Bom dia também para ti." – Harry sorriu – "Entrei pela porta de entrada. Através do alohomora. Foi a Ginny que abriu a porta. Juro. Estávamos preocupados contigo, porque disseste para nós virmos jantar cá a casa e não estavas cá."
- "Eish… o jantar. Ontem era dia de jantarem na minha casa e eu esqueci. Ainda por cima tinha referido o dito cujo, no pub da Rosmerta. Desculpa. A sério. Desculpem. Mas onde está a Ginny?"
- "A Ginny foi comprar algo para o pequeno-almoço. Como não jantámos juntos, resolvemos tomar o pequeno-almoço, juntos. Que tal?"
- "Ok. Mas mais uma vez, desculpa por me esquecer do jantar. Tive uns assuntos a tratar." – revelou Hermione, baixando a sua cabeça e contemplando o lençol azul, da sua cama.
- "Eu é que peço desculpas. Entrei na tua casa, sem permissão. Mas eu e a Ginny, estávamos preocupados. Não sabíamos o que te tinha acontecido. Estávamos num pub, aqui perto e vimos através da janela o teu regresso a casa. O que se passou, afinal?"
Hermione "brincava" com os seus dedos e continuava com a cabeça baixa. Ainda se sentia confusa. A rastejar naquela escuridão. Ela não sabia o que sentia. Sentia saudades de Draco. Sentia medo. Sentia angústia e queria desvendar aquele mistério todo, o mais depressa possível.
Olhou para Harry. Sentiu os olhos verdes a olharem fixamente para ela e à espera de uma resposta franca.
Ficaram minutos sem dizerem uma única palavra, apenas a olharem-se.
Subitamente Harry levantou-se e Hermione fez o mesmo.
A dor que sentia era forte demais. Tinha que desabafar. Tinha que falar sobre o assunto com alguém.
- "Oh Harry…" – mas da sua boca não saiu mais nada. Apenas chorou, como nunca tinha chorado, há três anos.
Harry abraçou a amiga e deu-lhe algum conforto. Era tudo o que ela precisava, naquele momento.
Hermione apertava fortemente Harry. Harry queria dar-lhe algum conforto, ela sabia disso e agradecia, mas não era um amigo que ela queria abraçar.
Ela queria abraçar Draco. Ou Scorpius. Ou lá como ele se chamava.
Sentia o desejo de beijar, tocar, abraçar, amar, aquele rapaz desgastado pela vida e infeliz. E esse desejo queimava-a por dentro. Fazia-a sofrer, como nunca.
- "Hermione, o que se passa contigo? O que aconteceu?"
Hermione afastou-se lentamente de Harry e sentou-se no puff, que outrora, Harry utilizou.
- "Ontem fui a casa do Scorpius. Mas … ele não me viu." – acrescentou Hermione, vendo o olhar assustado de Harry – "Ele não me viu. Logo não houve discussão, como da última vez. Eu precisava, Harry. Eu precisava de o ver mais uma vez. Algo me liga a Scorpius. Existe uma conexão entre nós. Eu sinto."
- "Hermione, tu disseste. Tu disseste ao Ron, que não ias alimentar falsas esperanças."
- "Eu sei disso. Eu sei. Mas … eu precisava, compreendes? Mas acho que fiz mal. Eu fiquei pior do que já estava. Ele parecia tanto o Draco. Ele estava a olhar da mesma maneira para a lua, que o Draco. E estava a chorar. E eu via aquilo tudo, sem poder dar-lhe conforto, porque simplesmente não sei quem ele é."
- "Sei que o que sentes é muito doloroso. Sei que queres descobrir a verdade, o mais depressa possível. Mas tens que ter calma. Lembra-te do que o Dumbledore disse. Primeiro questionas o Piggy e só depois segues para o Scorpius."
- "Já acreditei mais, no facto do Piggy revelar algo, do que agora. Duvido que ele diga algo."
- "Tens que acreditar nas palavras do Dumbledore. Se ele diz que vais conseguir arrancar algo ao Piggy, com o tempo, é porque vais. Ele sabe o que diz."
Harry piscou o olho a Hermione e deu-lhe palmadinhas no ombro.
- "E agora vamos pôr a mesa. Tu ficas encarregue dos talheres e guardanapos e eu dos pratos e copos, ok?
Hermione sorriu e ambos saíram do quarto abraçados e a caminho da cozinha.
Ginny chegou logo de seguida, carregada de pão quentinho, geleias, bolos de caldeirão, sumo de abóbora, café e até Feijões de Todos os Sabores da Bertie Bott.
Todos tomaram calmamente o pequeno-almoço e Hermione, à medida que contava o que tinha ocorrido na noite anterior, comia um feijão com sabor a batatas fritas.
Ginny ficou estupefacta com tal revelação e achou insensato o que Hermione fizera.
- "Ele é um pouco rude. Podia te ter descoberto. Podia te agredir, Hermione. Eu e o Harry estávamos tão preocupados contigo." – disse Ginny, acabando com o seu bolo de caldeirão.
- "Desculpem. Não foi por mal. Mas, como sabes, eu tinha que ir lá, mais uma vez."
- "Ok amiga. Eu entendo. E agora, que tal irmos ter com o Ron? Ele deve estar em casa, acho que ao fim de semana não trabalha."
- "Ginny… Harry… não me levem a mal, mas não me apetece. A sério. Prefiro ficar aqui em casa, a ler uns relatórios."
- "Nem pensar, Hermione. Nós não vamos deixar-te aqui sozinha e ainda por cima a trabalhar. Vá! Veste-te e vamos."
- "Ok… venceram. Seus feiticeiros chatos." – protestou Hermione, dirigindo-se ao quarto e fechando a porta atrás de si.
- "Bem… mas antes de bazar, vou arrumar isto. TARGEO…SKURGE"
Ginny colocou os seus braços em volta do pescoço do namorado e beijou-o fortemente.
- "WOW… para quê, este beijo tão provocante, Gi?"
- "Oh… porque fiquei orgulhosa de ti. Sabes arrumar a cozinha, tanto do modo dos muggles, como do nosso modo. Que rico namorado que arranjei."
Harry sorriu.
- "Porque esse sorriso tão convencido?"
- "Porque eu sei que sou do melhor. Não é preciso dizeres."
-" Convencido." – bradou Ginny, sorrindo e dando leves cacetadas no peito de Harry.
- "Mas sabes que posso ser muito mais do que…bem…posso…ser mais que um namorado convencido?"
- "Pois podes…podes ser um namorado convencido e chato. O que também és."
- "Não…não é isso..É algo mais."
- "Como assim?"
- "Helloooo! Ginny? O Harry está a pedir-te em casamento. É tão óbvio!" – Hermione encontrava-se encostada à parede, com um grande sorriso na cara.
- "Pois… obrigado por esclareceres as coisas à Ginny." – agradeceu Harry, mas com um olhar, do tipo: preferia-que-fosse-ela-a-descobrir-querida-amiga-sabichona.
- "Desculpa Harry. Entusiasmei-me. Um pedido de casamento na minha casa e entre os meus melhores amigos, é tão gratificante. Que lindo!"
- "Ok Hermione. Não faz mal. A casa é tua. Eu deveria ter escolhido outro sítio para fazer o pedido. Se calhar algo mais romântico. Não sei. Isso também conta, para a aceitação do pedido. Mas eu não entendo nada destas coisas e fico nervoso…e…"
- "Sabem, eu ainda estou aqui." – disse Ginny irritada, fazendo com que ambos olhassem para ela e parassem de falar – "Harry, sabes, não importa o lugar, o modo ou quem está presente. Estás a pedir-me em casamento e eu aceito. Sim, quero ser Mrs. Potter. E estou a aceitar, porque amo-te e não porque o modo como me pediste em casamento foi divinal. Até podias pedir-me em casamento num cemitério, porque eu iria aceitar na mesma. Eu amo-te e é isso que importa. O resto é secundário."
Harry parecia uma criança. Deixou escapar um grito de vitória. Um misto de: "Oh Yeah Babe", com um riso.
Depois pegou ao colo Ginny e rodopiou vezes sem conta, até ficaram completamente tontos. Depois beijo-a e foi a correr abraçar e pegar ao colo, Hermione.
- "Sou o homem mais feliz do mundo."
- "Pois...e eu vou ser a rapariga mais maldisposta do mundo, se não me pores no chão, Harry" – implorou Hermione, com medo de "despejar" o pequeno-almoço em cima do amigo.
- " Casar? Que bom! Muitos parabéns Harry e Ginny. Fico muito feliz por vocês."- dizia Cho, quando estes lhe davam a boa nova na sua enorme casa.
Cho tinha mudado imenso. A maternidade fez uma nova Cho nascer. Estava mais esbelta que nunca, tinha o cabelo negro e curto e usava uns óculos de meia-lua, que mudavam de cor, conforme a cor do seu vestuário. Naquele momento eram vermelhos, uma vez que Cho trajava um vestido de alças vermelho.
- "Sentem-se amigos. Eu estava aqui a dar de comer ao Hugh. Mas acabou por adormecer. Não é lindo? O Hugh? É o meu tesouro."- e Cho tocou, delicadamente, num bebé que se encontrava a repousar, numa alcofa azul.
Hugh realmente era um bebé adorável. Era muito calminho e era poucas, as vezes, que chorava. Tinha herdado os cabelos negros da mãe, mas os olhos azuis eram, sem dúvida, iguais aos do pai.
- "Hermione, querida, estás um pouco em baixo, o que se passa? Queres algo? Chá? Café? Sumo? Cerveja de manteiga?"
- "Não, obrigada Cho. O Ron? Não está?"
- "Não. Ele teve um assunto a tratar na loja. O Fred e o George foram para a Irlanda em negócios. E o Ron ficou sozinho. Pelo menos, durante este fim-de-semana. Tem que ser empregado e patrão, ao mesmo tempo. Mas, vai ter com ele à loja. De certeza que ele vai ter um tempo, para beber um café."
- "Acho que vou mesmo fazer isso. E ao menos assim, vou passear, um pouco."
- "Eu e o Harry ficamos aqui, mais um pouco. Depois vamos à Toca contar a novidade aos meus pais e Percy e depois vamos ter contigo e com o Ron."
- "Ok...então até logo." – Hermione despediu-se dos amigos e do pequeno Hugh e partiu.
Ao chegar a Londres, encontrou a loja dos Weasley atulhada de adolescentes. Faziam fila até ao exterior.
Ainda bem que aquela loja localizava-se numa pequena vila, tipo Diagon'Al e Hogsmeade. Fora feita de propósito para comerciantes de renome, como os Weasley. Seria, muito confuso, para os muggles, verem tanto adolescente com bombas que faziam as pessoas rodopiar e estojos que maquilhavam as meninas sozinhos.
Hermione achou melhor esperar, um pouco. Naquele momento, Ron estaria cheio de trabalho e ela não o queria perturbar. Por essa razão, sentou-se num banco e esperou.
Enquanto o tempo passava, uma figura desmazelada coberta por um avental velho, que fazia de capuz, apareceu-lhe à frente.
Hermione assustou-se e levantou-se bruscamente.
- "Não ter medo menina Granger. Ser só elfo Piggy, ao seu dispor." – e acabando de dizer isto Piggy retirou o avental que o cobria.
- "Piggy? Andaste a beber? Cerveja de manteiga, presumo."
- "Piggy estar aqui para falar de Scorpius. Menina Granger perguntar e elfo responder."
- "Porque é que mudaste de ideias, tão depressa?"
- "Menina querer saber de Scorpius ou não?"
- "Sim… sim… é tudo o que quero. Conta-me tudo sobre Scorpius. Tudo sobre a história dele."
Hermione não acreditava que Piggy estava ali à sua frente, disposto a contar tudo o que sabia. Estava um pouco estranho, mas isso não importava. Ele iria contar tudo.
- "Vou contar tudo o que saber. Tente não interromper Piggy, muitas vezes." – pediu Piggy, olhando para Hermione, como se algo o ordenasse a fazer – "O meu amo, Homer, em tempos, teve uma família. Tinha mulher que amava muito e um filho… chamado Scorpius. Piggy servir aquela família muito feliz, pois amos serem boas pessoas. Na altura Piggy era o único elfo que servia família. Garrow ainda não servir amo. Éramos todos muito felizes…até aquele trágico dia. O meu amo tinha ficado em casa, a tratar de flores, que eram as flores da mulher e que simbolizavam o amor forte que os unia, enquanto, a mulher e filho tinham ido à Diagon-Al. Menino iria comprar livros, pois iria pela primeira vez para Hogwarts."
- "Como assim, iria? Não chegou a ir, porquê?"
- "Porque nesse dia, o senhor das trevas, tinha decidido atacar o maior número possível de muggles e meios sangue. Entre esse número, estavam a ama e menino. Ambos morreram nas mãos de Lord Voldemort."
Hermione soltou um grito e Piggy gemeu. Cheia de tristeza, Hermione disse:
- "Mas o que isso tem a ver com Scorpius? Este Scorpius, que vi?"
- "Tem tudo. Piggy explicar. O meu amo ficou desolado. Tinha perdido as pessoas que mais amava no mundo. A sua mulher e o seu único filho. Amo não saber o que fazer e isolou-se do mundo. Nunca mais saiu daquela casa e daquela floresta. Só Piggy saia para fazer compras. Depois Garrow apareceu e começou a servir amo. O meu amo gostar imenso do trabalho de Garrow e gostar muito dele, assim como Piggy. Mas nunca chegou a contar, o que lhe tinha ocorrido no passado. Há três anos atrás, o meu amo foi ao riacho pescar, quando encontrou um pobre rapaz, a lutar contra a morte. Tinha as vestes rasgadas, ferimentos horríveis e estava inconsciente. O meu amo com pena levou-o para casa e tomar conta dele. Lembro-me de menino ter febres altas, infecções nas feridas, mas mesmo assim, lutava contra a morte. Tentava a todo o custo sobreviver. Durante cinco meses, menino ficou inconsciente. Meu amo, como não sabia quem ele era, penetrou a mente de menino. Oh amo ser muito bom em Legilimens. Mas depois, descobrir coisas."
- "Que coisas?" – o coração de Hermione acelerava a cada revelação. A cada caminho para a verdade.
- "Descobriu que menino se chamar Draco Malfoy. Saber que pai ser mau. Querer matar filho. Saber que menino teve que lutar com pai. Saber que menino, nunca teve amigos, a não ser a mãe e menina Granger. Oh… Draco Malfoy amava muito menina, também. Amo descobrir isso. Era você, quem mais aparecia nas memórias de menino."
Hermione soltou um gemido aterrador e começou a chorar silenciosamente.
- "Penso que amo tentou entrar na sua mente, menina Granger, mas menina ser feiticeira astuta e afastá-lo com feitiço poderoso. Protego…"
-"…Totalus." – completou Hermione.
Agora tudo fazia sentido. Homer Pikkle tinha entrado na sua mente, anos atrás em Hogwarts, quando esta estava a dormir. Perguntou-lhe o nome e de certo queria saber mais sobre ela e Draco.
- "Meu amo só conseguiu saber o seu nome e que menina estudava em Hogwarts. Mais nada. Foi então, que amo pensou. Já há cinco meses que cuidava de menino Draco e uma ligação nasceu entre eles. Meu amo via em Draco, o filho que perdera. E por essa razão, apagou a memória de menino."
- "O QUÊ? Ele usou o feitiço Obliviate para apagar a memória de Draco? Para apagar a vida que Draco, estava a construir?" – Hermione sentiu raiva daquele Homer e se ele, não tivesse morto, Hermione iria ajustar contas com ele.
- "Meu amo sabia que se menino recuperar os sentidos iria partir. Iria embora e amo ficar sozinho de novo. Por isso, apagou memória de menino e assumiu-o como filho. Quando menino acordou, este não sabia quem era. Amo explicar que ele se chamava Scorpius e ser filho de uns amigos de amo que morreram em acidente. Menino ficou grato por amo ter tratado dele e de o perfilhar. Piggy era o único que sabia a verdade. Amo nunca contou o que fizera a Garrow, pois sabia que este ser um elfo com princípios e iria tentar encontrar a família de menino ou iria contar a verdade a alguém. Por isso, amo apenas contar que menino tinha perdido memória e que ficaria connosco. Vivemos felizes. Menino gostar de amo. Mas amo, morreu, há uns meses atrás. E menino ficou descontrolado e baniu-nos de casa."
A raiva de Hermione dissipara à medida que Piggy explicava as coisas. Homer apenas queria alguém para lhe fazer companhia. Apenas queria uma família e queria dar todo o seu amor a alguém. Ele salvou a vida de Draco. Podia não ter agido correctamente, mas sempre quis o melhor para Draco e ajudou-o. Salvou-o.
- "Oh Piggy. Obrigado por teres optado revelar tudo. Obrigado."
E sem pensar em mais nada, Hermione partiu.
- "Hermione? Hermione!"
- "Ron? A Hermione está aí dentro?" – perguntou Harry, que tinha acabado de chegar ao local, com Ginny ao lado.
- "Não. Vim aqui para colar este panfleto de promoções e vi-a a falar com aquele elfo e agora foi-se embora. Quem é aquele elfo?"
Harry e Ginny seguiram os olhos de Ron e vislumbraram um elfo a entrar numa ruela.
- "Aquele é o Piggy. O tal monstrinho, que nós falámos. E acho que já sei onde ela foi. Harry? Sabes a morada da casa de Scorpius? A Hermione contou-te alguma vez?"
- "Disse vagamente. Mas não me lembro."
- "Mas lembro-me eu. Vamos ter com ela. Pode precisar de ajuda. Vou só fechar a loja. A Hermione está em primeiro. Quero lá saber do negócio. E ele também não está muito mal." – Ron fechou a porta e colocou ao pescoço a velha chave prateada – " Pronto… vamos."
E os três partiram, rumo a casa de Scorpius.
Hermione correu até aquela casa. Mais uma vez, tudo estava em silêncio.
Foi para o jardim, mas não havia sinais de Draco. Entrou pela porta das traseiras e procurou-o na cozinha.
Mas não o encontrou.
- "Draco? Draco?" – Hermione, parou de andar e bateu na testa – "Sou mesmo estúpida. O Draco perdeu a memória. Ele sabe lá quem é o Draco. Scorpius? Scorpius? Onde estás?"
Mas Scorpius/ Draco não respondia.
Hermione subiu a correr as escadas e entrou no quarto de Draco. Tudo estava vazio. Tudo mesmo. Inclusive o roupeiro e gavetas. O anel, o colar, os desenhos e todas as coisas de Draco tinham desaparecido.
Draco saíra daquela casa. Tinha partido.
Já com a certeza, que seria difícil encontrar Draco, Hermione começou a chorar e a soluçar.
- "Hermione?"
- "Ron?"
- "O que se passa Hermione? Onde está o Scorpius? O que aconteceu?" – perguntou Ron, preocupado.
- "Queres dizer Draco."
- "Como assim Draco? O Draco morreu…" – Ginny tinha aparecido ao lado de Ron, assim como Harry.
- "Não Gi. Aquele é mesmo o Draco. O Piggy veio ter comigo e contou-me tudo."
E com muito esforço, devido à sua dor de não ter encontrado Draco, Hermione relatou aos amigos, tudo o que Piggy contara. Tudo, sem esquecer nenhum pormenor.
- "Então… o Scorpius é mesmo o Draco?" – perguntou Harry, desconfiado.
- "Sim. É. Porque razão, aquele elfo iria mentir? Por favor, Harry. Não é hora de desconfianças. Eu preciso de localizar o Draco. É o Draco, pessoal. O Draco está vivo." – e algo aconteceu. Algo que já há muito tempo não acontecia com tanta naturalidade. Hermione estava a sorrir. Estava a sentir felicidade.
Draco estava vivo. Podia não ter memória, mas estava vivo e isso é que interessava.
- "E que tal falares com o Dumbledore? Ele é sábio. Vai poder ajudar-te a encontrar o Draco."
- "Sim, o Ron tem razão, Mione. Tenta falar com o Dumbledore." – sugeriu, também, Ginny.
- "Ok. Vou agora para Hogwarts. Dumbledore vai, com certeza, ajudar-me."
Hermione desceu as escadas e saiu daquela casa, acompanhada pelos amigos.
Já fora do recinto da casa de Homer, Hermione parou ao sentir uma mão no seu ombro.
A mão de Harry.
- "Hermione, vamos encontrar o Malfoy. Nem que tenha que percorrer o mundo todo e contactar todos os meus colegas aurors. Vou ajudar-te e desta vez, vais encontrar a felicidade."
- "Ya. Eu também vou ajudar-te. Vamos voltar aos tempos de Hogwarts e fazer tudo juntos. Para o bem de cada um." – disse Ron, colocando, também, a sua mão no outro ombro de Hermione.
- "E vais ver Hermione. Ainda nos vamos casar as duas, no mesmo dia. Nem que tenha que adiar o meu casamento." – revelou Ginny, fazendo Hermione sorrir.
- "Hey…que casamento? Que história é essa?" – perguntou Ron, confuso.
- "O Harry pediu-me em casamento, esta manhã." – revelou Ginny, na maior das naturalidades.
- "O Harry? HARRY POTTER!" – gritou Ron, fazendo Harry recuar.
Harry sabia que Ron iria explodir, pois não lhe tinha contado o que tencionava fazer. Estava a espera de ouvir um sermão de Ron, mas em vez disso:
- "PARABÉNS, meu! Estava a ver que nunca mais pedias a minha mana em casamento. Meu cunhado pá. Que fixe. Parabéns. " – e Ron abraçou Harry, deixando este último, incrédulo.
Depois de Ron abraçar Harry e Ginny, todos partiram rumo a Hogwarts.
Ao chegarem a Hogwarts, Ron, Hermione, Ginny e Harry subiram a enorme escadaria. Ao chegarem à gárgula, que dava acesso ao gabinete de Dumbledore, os Weasley e Harry pararam.
- "Acho que deverias subir, sozinha. Nós ficamos cá em baixo à tua espera. Pelo menos, será mais fácil, explicares as cenas.
Hermione concordou e dizendo a senha, a gárgula movimentou-se, deixando-a subir.
Bateu à porta.
- "Entre" – disse Dumbledore.
Hermione abriu a porta e viu um Dumbledore sorridente a preencher uns papéis.
- "Olá Miss Granger. Já estava à sua espera…"
- "Olá professor. Hoje não trago nenhum elfo."
- "Oh sim…Miss. Granger. Eu sei disso."
Hermione não sabia, porque razão Dumbledore estava à sua espera, mas prosseguiu:
- "Professor.. o elfo Piggy, veio ter comigo. Ele…"
- "Sim…eu sei. Ele foi ter consigo e disse-lhe toda a verdade. Que na realidade Scorpius é Draco Malfoy.
Hermione interrogava-se de como Dumbledore sabia de tudo. Ficou incrédula.
- "Neste momento, deve-se estar a interrogar de como eu sei disso tudo. Simples: Piggy conhece-me. Fui um grande amigo de Homer. Andámos juntos em Hogwarts, como já tinha referido. E por respeito à amizade que eu tinha com Homer, Piggy não iria recusar uma conversa comigo. Acompanhada por uma bebida. Uma cerveja de manteiga. Digamos que aquilo não era só uma cerveja de manteiga. Talvez um batido de cerveja com Veritaserum e depois, para finalizar, um toque de maldição imperius." – Dumbledore pousou a pena e olhou para Hermione, que estava boquiaberta – "Sei que Miss Granger é contra estas coisas. Mas foi por uma boa causa. Piggy contou-me tudo e depois ordenei-lhe, graças à maldição, que fosse ter consigo e dissesse o mesmo a si. Creio, que fiz o que estava certo."
- "Oh professor. Muito obrigado. Graças à sua intervenção, pude descobrir que Draco está vivo. Nem sabe o quanto eu estou…"
- "… Feliz? Sim, eu sei Miss Granger. E também sei o que você sofreu ao longo destes três anos. Sei que, apesar de ter seguido em frente com a sua vida, que todos os dias pensava em Draco Malfoy e na dor que ele deixou em si. Na dor que a perda dele provocou. Miss Granger necessita e repito: Necessita…" – Dumbledore desviou o olhar para o vácuo e prosseguiu – "… de ser feliz. Você já fez muito por esta escola e pensei que, este humilde velho pudesse também, ajudá-la."
Dumbledore levantou-se e deslocou-se para junto de Hermione, ficando à sua frente.
- "Penso que agora, tem a oportunidade de ser feliz."
- "Estou muito grata pelo que fez, professor Dumbledore. Mas…ainda falta muito, para poder dizer que estou realmente feliz. O Draco, como sabe, perdeu a memória. Não sabe quem eu sou e agora… e agora… ele desapareceu."
Hermione olhou para Dumbledore à espera de ver a decepção no seu rosto, mas tudo o que descobriu foi um pequeno sorriso.
- "Acredite ou não, Miss Granger, lembrei-me agora que tenho que ir visitar o Hagrid. Com licença… tenho que ir."
- "Professor? Professor Dumbledore? Eu preciso da sua ajuda, mais uma vez. Foi por isso que vim. Eu não consigo encontrar Draco sozinha. Vai levar muito tempo."
Dumbledore parou em frente à porta e virando lentamente a cabeça para o lado, disse:
- "Miss Granger, sei que a menina é capaz de percorrer léguas só para encontrar Mr. Malfoy, mas, por vezes, o caminho para a felicidade é muito mais curto. Muito mais do que pudesse imaginar."
E dito isto, Dumbledore saiu, deixando Hermione sozinha com uma Fawkes imóvel no poleiro.
Hermione não acreditava que Dumbledore a tinha deixado ali, sem ajuda.
Ela precisava de encontrar Draco e Dumbledore o que fez foi dizer coisas sem sentido.
Olhou para a janela e reparou que a neve caía com uma delicadeza enorme.
Da janela, via-se ao longe o lago e Hermione lembrou-se de Draco.
Dos encontros com ele.
Do beijo.
Da prenda: o colar.
Da declaração de amor.
Subitamente, algo a fez afastar aquelas lembranças e roubou-lhe a atenção. Algo cintilava no ar, perto do parapeito da janela. Algo que deslizava lentamente.
Hermione aproximou-se e pôde apreciar melhor aquele brilho. Brilho esse que provinha de um colar, com um pingente em forma de coração. Um brilho que provinha do seu colar.
Hermione ficou surpresa.
O que o seu colar fazia ali?
De repente o colar começou a deslizar para perto de si e só parou quando se envolveu no seu pescoço.
Hermione sentiu a frieza do colar na sua pele e tocou-lhe. O seu colar estava de novo, no sítio onde nunca deveria ter saído.
- "È tão gratificante, saber que o colar está no teu pescoço. E saber, que nunca me esqueceste."
Hermione gelou.
Aquela voz.
Virou-se e olhou para o canto, envolto em escuridão, da sala de Dumbledore.
Encostado à parede, com os braços cruzados e com um pé na parede, encontrava-se um rapaz alto, envolto num manto negro.
Ola' Pessoal! tdu bem?
Espero bem q sim.
Aiiiii eu sei..demorei se'culos e se'culos a actualizar a fic. mas tem sido tao dificil, ter um tempinho para clarear as ideias e fzr um capitulo decente. Aulas, Conduxao, codigo, aulas...enfim...tem sido uma confusao d caraças msm!
Mas pronto...la' consegui vir aqi e actualizar a fic. espero q este capitulo tenha sido algo decente. nao tenho tido umas ideias muito boas, mas como tinha pressa d actualizar, coloqei o q tinha escrito e agr rezo pa q voces curtem.
Qeria esclarecer umas coisinhas, eu sei q sou uma grande xata, mas mais vale explicar, do q nao explicar.
Este cap. foi um nadinha diferente e pke? Pke aqi a menina catia, inventou umas certas personagens: os elfos Piggy e Garrow, Homer e familia, Avril ... (que so' vai ser referida no proximo capitulo). Apeteceu me fazer tal coisa. Espero q nao tenha feito mal.E outra coisa... eu tb inventei algo. qer dzr penso q inventei. Pelo menos axo q JK nao s refere a isto, em nenhum livro. e' assim: como perceberam a Hermione cresceu e trabalha n ministe'rio d magia, n departamento dx criaturas. Mas em paralelo, tb trabalha num projecto, apoiado pelo ministe'rio. ond ajuda os elfos q estao abandonados etc.! Eu sei q os elfos so' ficam livres, qdo os donos lhe dão algum tipo d vestuario. mas pronto aldrabei um pco essa qestao e decidi fzr c q ...os outros feiticeiros ( destinads a isso, como a Hermione) pudessem libertar os elfos, qdo estes eram abandonados ou qdu us donos morriam etc.!
Espero q tenham curtido u cap. e acreditem q n proximo capitulo, as coisas vao estar xplicadas! xD
Deixem mtos reviews..nem q seja pa dzr...q Nhanhaaaa
Bjinhuz a todos e um mto obrigado pls reviews anteriores( no proximo cap. agradecerei individualmente xD)
Fiqem bem
ps: as frases em ingles, sao d musica "memories" dos Within Temptation. Mto fixe
