Reação de Coragem
Conceitos básicos e necessários:
Doenças auto-imunes: O nosso corpo tem uma defesa natural que sabe o que é do nosso corpo (órgãos e todo o resto que temos dentro da gente) e o que não é e pode nos fazer mal. A doença auto-imune ocorre quando o nosso sistema de proteção começa a atacar o próprio corpo como se fosse uma coisa ruim. Em cada doença ele ataca de uma forma diferente.
Lúpus:O Lupus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença crônica de causa desconhecida, onde acontecem alterações fundamentais no sistema imunológico da pessoa, atingindo predominantemente mulheres. Uma pessoa que tem LES, desenvolve anticorpos que reagem contra as suas células normais, podendo consequentemente afetar a pele, as articulações, rins e outros órgãos. Ou seja, a pessoa se torna "alérgica" a ela mesma, o que caracteriza o LES como uma doença auto-imune. (retirado do site: lupusonline)
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Capítulo 12: Me diga onde dói.
"Não existe a perfeição, mas sim o perfeito aperfeiçoamento." – Emma Costet Mascheville.
Bella POV.
- Me diga onde dói, tudo bem? – pedi ao meu paciente de dez anos, enquanto apalpava seu estômago.
- Ai! – gemeu quando toquei em um certo ponto.
- Está tudo bem, David. Vou parar agora. – sorri gentil para o menino.
- O que ele tem? – perguntou a mãe muito preocupada.
- Nós precisamos fazer mais testes, mas tudo indica ser uma apendicite. Não se preocupe, ele ficará bem. – anotei algo no prontuário. – Logo o Dr. McCarty virá aqui para esclarecer tudo para a senhora, está bem?
- Obrigada.
- Claro. – sorri e me retirei.
- E então? Como ela está? – Jasper me abordou no corredor assim que eu deixei o quarto do paciente.
- Furiosa. – disse simplesmente e segui o meu caminho com ele me seguindo.
- Mas você já tentou falar com ela e dizer que eu não tenho culpa?
- Jazz, ela quer comer o seu fígado por ter deixado a sua mãe dizer todas aquelas coisas para ela. – respondi.
- Mas já passou uma semana, Bella!
- Exatamente! – parei de andar e me virei para ele. – Você já deveria ter pedido desculpas.
- Mas...
- Sem "mas", Jasper Hale! – interrompi. – Você pisou feio na bola e acredite: a Alice não está muito a fim de te perdoar.
- E o que eu faço então? – suspirou pesadamente.
- Liga para ela e muda de casa. – Edward chegou, colocando o braço em volta do ombro do nosso amigo.
- Mudar de casa? – sua voz saiu manhosa.
- Não faça essa cara de bebê chorão! – reclamei. – Edward tem razão: você tem que sair do poder da sua mãe e a melhor forma é saindo daquela casa.
- Você vomita no meu novo banheiro de visitas também? – pediu. Mostrei a língua para ele enquanto Edward ria.
- Um dia eu ainda embebedo vocês dois e os deixo pelados e amarrados na porta da emergência do hospital. Aposto que nunca mais irão gozar da minha cara por causa do banheiro de vistas da Srª. Hale.
- Você não teria coragem. – instigou Edward sorrindo maroto.
- Será? – repliquei do mesmo jeito.
- Arrumem um quarto! – Resmungou Jazz e nós três caímos na risada.
- Pupilos! – nos viramos em direção de Emmett que se aproximava da gente sorridente. – Hoje é a primeira avaliação de vocês!
- Isso é motivo para tanta alegria? – indagou Jasper.
- Não. É que a noite foi boa com a patroa ontem...- deu de ombros.
- Por favor, sem detalhes. – pedi.
- Tudo bem, Monk. – riu. – No final do dia eu entrego as avaliações de vocês.
- Não tem como adiantar o resultado? – perguntou Edward.
- Não. – sorriu satisfeito. – Só no final do dia! – e saiu.
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Por mais que o dia passasse normal e aos pouco tudo fosse se ajeitando o nome da minha possível meia irmã não saía da minha cabeça. Rachel Martin...
Não tive coragem de ligar ou tentar qualquer contato com ela ainda. Não sei, mas nunca pensei que pudesse ter algum parente por parte de mãe. Ainda mais uma irmã mais velha.
Edward era outro que estava perdido em seus problemas nos últimos dias e isso só fazia me angustiar. Eu sei que a única maneira dele ficar mais feliz é indo visitar seus pais, porém não parece que ele tenha coragem para fazer isso.
Talvez eu devesse seguir o conselho da Ângela e levá-lo até lá. Se eu o acompanhasse, poderia ser mais fácil para ele.
- Bella? – a sua voz me despertou.
- Oi. – sorri.
- Você parecia longe.
- É. Normal. – dei de ombros e voltei a encarar o prontuário na minha frente. – Você me acompanha nesse? É aquele tal de Doug que é tarado e tudo mais.
- Vamos lá. – riu.
- Olá, Doug. – disse assim que entrei no quarto.
- Srª. Swan! – cumprimentou animado, mas o sorriso diminuiu ao ver Edward. – Quem é esse?
Tranquei o riso.
- Edward Cullen. Ele veio me ajudar. – falei, colocando as luvas.
- Você não pode fazer sozinha? – insistiu.
- Não. – sorri abertamente. – Estique o braço, precisamos de um pouco de sangue aqui.
- Ao menos chame então aquela enfermeira. – se inclinou e sussurrou no meu ouvido na esperança de Edward não escutar. – Eu não gosto dele.
- Eu gosto. – respondi no mesmo tom. Notei Edward sorrindo de leve. – Agora vamos! Dê o braço!
Ele assim o fez.
Edward começou a me ajudar e Doug fez caras de quem comeu e não gostou.
- Ai! – reclamou assim que dei a picada da agulha.
Terminei de tirar o sangue e entreguei a Edward.
- Logo os exames estarão prontos, Doug. Agora por que você não descansa um pouco? – disse anotando no prontuário e o colocando de volta no lugar. – Mais tarde alguém virá vê-lo.
- Peça para aquela outra moça vir... A outra estudante.
- Vá tomar um banho de água gelada. – disse rindo e saindo do quarto junto com Edward.
- Ele é incrível! – começou. – Nunca desiste!
- Ele é um tarado. – ri.
- É, também. – riu. – Já ligou para a tal meia-irmã?
- Não. – dei de ombros. – Nem sei se vou ligar. Sei lá.
- É uma decisão difícil.
- É... – o encarei. – E você? Vai ir visitar os seus pais?
- Decisão difícil. – repetiu.
Definitivamente eu tinha que fazer algo.
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O plantão estava na metade quando recebemos uma adolescente de 16 anos que queria conversar com uma médica ou enfermeira. Óbvio que sobrou para a estudante aqui.
Qual foi a minha surpresa quando cheguei na sala de espera e Edward conversava com ela.
- Olá... – chamei sem querer interromper.
- Ah! Sarah, essa é Bella Swan que eu disse que viria conversar com você. – ele me apresentou. Sorri para a garota.
- Então? No que posso ajudá-la? – indaguei me sentando na cadeira do outro lado dela, a deixando entre mim e Edward.
- Bem... Eu queria alguns... – começou a ficar vermelha.
- Preservativos. – completei gentilmente. Ela apenas assentiu. – Alguma dúvida sobre o assunto? – era claro que Sarah não queria falar com uma mulher apenas para pedir preservativos.
- Bem... – deu uma olhada rápida para Edward que pareceu notar.
- Quer que eu saia para você ficar mais à vontade? – perguntou com o seu tom sempre educado.
- Não, não precisa... – respirou fundo. – Bem, é normal doer? Digo... Na primeira vez... – olhou para as mãos.
- É sim. – respondi. – Mas se continuar te incomodando deve procurar um médico...
- Não! – se apressou em dizer. – Só foi uma vez... - ela parecia preocupada com algo.
- Sarah... - chamei e ela me olhou. – Vocês se preveniram, certo?
- Sim, claro. – suspirou. – É que... Bem... Eu não sei se eu vou gostar dele para o resto da minha vida, sabe? Digo... Será que é certo eu me entregar dessa forma se posso não amá-lo para sempre?
- Essa insegurança é normal. – sorri me lembrando de quando eu fazia o papel da adolescente inexperiente. – Eu mesma passei por isso, mas o importante é o que você sente agora por ele.
- E você continuou gostando do cara?
Ri de leve.
- Definitivamente não.
- Foi muito ruim, né? – riu também.
- Bem, digamos que com o tempo fica melhor. – pisquei para ela que riu, acompanhada por Edward.
- Então... Você não mantém mais contato com o seu primeiro? – continuou receosa.
- Não. Foi um namoradinho de quando eu tinha 16 anos, mas na época ficamos juntos por um tempo sim. Acho que até um pouco antes de eu ir para a faculdade...
- Ah, então durou...
- Podemos dizer que sim. – peguei sua mão. – Não se preocupe com o futuro. Se você esta feliz agora com ele e se sente segura para fazer isso, é só ter responsabilidade que tudo vai dar certo.
- E agora? – perguntou de repente.
- Agora o quê? – pedi confusa.
- Você tem algum namorado?
Edward tossiu. Eu estaquei sem saber o que responder.
- Ah meu Deus! – Sarah disse. – Vocês são namorados! – apontou para nós dois.
Nos olhamos sem saber se concordávamos ou não com a menina.
- É. Somos. – respondi por nós dois tentando não demonstrar a insegurança de que talvez ele não pensasse assim.
- Sabe, olhando assim vocês são um lindo casal e parecem se amar muito. – sorriu, se levantando. – Significa que eu tenho chance, certo Bella? Posso te chamar assim, não?
Apenas assenti.
- Eu vou indo. – pegou sua bolsa. – Muito obrigada pela ajuda de vocês! Irei pegar os preservativos. Tchau. – saiu nos deixando sozinhos.
Edward sentou na cadeira onde a paciente estava, ficando bem próximo de mim.
- Namorados, hein? – disse me encarando intensamente.
- Bella! Edward! As avaliações!! – fui salva pelo Emmett que nos chamava do balcão da recepção.
- As avaliações. – repeti e fui em direção ao nosso residente antes que Edward falasse mais alguma coisa.
- Bem, aqui estão. – entregou para cada um de nós uma folha de papel. Comecei a ler a minha.
Dizia que eu aprendia com facilidade, que me relacionava bem com os pacientes e que aceitava ordens de superiores sem reclamar, a não ser se eu achasse necessário ir contra.
- Obrigada. – agradeci e vi que Edward e Jasper também tinham sido bem elogiados.
- Vocês são os melhores estudantes de medicina que eu já ensinei! Espero que vocês continuem assim!
Edward POV.
Todos nós nos demos bem nas avaliações e isso foi como tirar um peso das minhas costas. Pelo menos na avaliação eu fiz alguma coisa certa...
Ainda não tive coragem de ligar ou ir visitar os meus pais. Para mim, eu fiz tudo errado e eles só devem me odiar agora.
- Hey você! – a voz que eu tanto amava me chamou. – Pronto para ir?
- Sim. – fechei o meu armário, colocando a alça da minha pasta no meu ombro e segurando o jaleco branco em outra.
- Estamos de folga esse final de semana. – Bella falou assim que entramos no volvo.
- Sinto que alguém tem planos... – acusei divertido, colocando o cinto e me preparando para dar a partida.
- Na verdade... Tenho.
- E quais seriam? – levantei meu olhar para ela.
- Esse. – disse, abrindo a bolsa e tirando de lá duas passagens aéreas.
Levantei uma sobrancelha e peguei-as, abrindo em seguida.
Toronto, Canadá.
Estaquei. Bella havia feito isso mesmo?
- Se você não quiser ir, podemos devolver as passagens... – declarou com a voz hesitante.
- Mas... São duas passagens. – constatei.
- Claro! Se você quiser ir ver seus pais eu irei junto! – respondeu rapidamente. – Quero dizer, se você quiser... - terminou embaraçada.
Olhei novamente para as passagens em minhas mãos e voltei a encarar o seu rosto.
- O que estamos esperando? O vôo é daqui à uma hora segundo as passagens! – balancei-as no ar e liguei o carro.
- Você vai mesmo ir? – perguntou quando já estávamos quase chegando ao meu apartamento.
- Vou. – minha voz vacilou. Senti a sua mão segurar a minha que segurava o câmbio. – Obrigado. – agradeci, fazendo carinho nela.
- Nós conseguiremos.
- Nós. – murmurei para mim mesmo. – Sim, nós conseguiremos.
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"Senhores passageiros com destino a Toronto, Canadá, embarque no portão três."
Eu estava nervoso, muito nervoso. Minha mão suava segurando a de Bella que se mantinha firmemente agarrada à minha.
- Somos nós. – alertou.
Apenas assenti e seguimos em direção ao portão. Parecia que Bella que me levava, porque os meus pensamentos vagavam longe dali e minhas pernas seguiam praticamente sozinhas.
- Boa viagem. – desejou a aeromoça quando embarcamos.
Nos sentamos nas nossas poltronas.
- Como está? – pediu Bella preocupada.
- Nervoso. – tentei rir, mas não deu certo.
- Normal. – deu de ombros tentando tornar isso indiferente.
- Bella. – chamei.
- Sim? – virou-se para mim.
- Você promete que vai ficar do meu lado o tempo todo?
- Você vai enjoar da minha cara, Cullen. – riu descontraída e acariciou a minha mão. Só então fui ver que ainda estávamos de mãos dadas.
O avião decolou e Chicago foi ficando cada vez menor embaixo de nós enquanto os meus medos aumentavam cada vez mais dentro de mim.
Suspirei incomodado.
- Me diz onde é que dói aí dentro. – colocou a mão sob o meu coração. – Talvez eu possa ajudar.
- Eu fiz tantas coisas erradas... - suspirei mais uma vez.
- Pare com isso. – disse com a voz firme e doce ao mesmo tempo.
- De suspirar?
- Não! De se culpar! – soltou as nossas mãos e virou o tronco todo para o meu lado. – Você é humano e nunca se esqueça disso.
- Quer dizer que você não me acha culpado? – o meu tom de voz saiu mais irônico do que eu pensei que sairia.
- Não. Eu não sou o tipo de pessoa que fica dizendo para as pessoas apenas o que elas querem ouvir. – seus olhos me analisavam profundamente. – Eu nunca vou dizer que foi certo você ter se afastado de seus pais quando eles precisavam de você, mas também não vou te culpar. Eu já errei e já me afastei do mundo inteiro. Eu já fiz muitos sofrerem, inclusive você. – tomou minhas mãos novamente. – Você errou, Edward, mas agora você se arrependeu e isso é tão difícil hoje em dia. É tão difícil voltar atrás e não cair na tentação de fazer tudo errado novamente. É tão difícil, meu amor... – a sua mão livre acariciou o meu rosto. – Mas se eu consegui você também consegue e de uma forma muito mais bonita. Sabe por quê? Por que você tem o coração mais lindo e puro que eu já vi e isso nada nem ninguém pode tirar de você. – terminou com a voz pesada e meus olhos estavam mareados.
- Eu não sei se eu consigo. Eu não sei se eu consigo ser um filho perfeito como eles merecem. – confessei.
- Não existe perfeição, apenas tentamos ser melhores do que somos e é isso que nos torna perfeitos. – disse.
- Será que eu posso te agradecer de novo? – perguntei sorrindo.
- Acho que um beijo vinha melhor. – riu.
Sem hesitar, me aproximei e a beijei com carinho e devoção.
Nos separamos, encostando nossas testas.
- Eu te amo. – declarou.
- Eu te amo. – e voltei a beijá-la.
Bella POV.
A viagem foi longa e curta ao mesmo tempo. Longa mesmo não sendo tantas horas, porém levando em consideração que saímos de um plantão uma hora antes de entrar no avião ela ficava enorme. Curta para todas as inseguranças presentes no coração de Edward.
Pegamos um táxi e reservamos um quarto de hotel por telefone. Edward não quis largar as poucas malas que tínhamos e se acomodar antes de visitar os pais, porque ele tinha medo de desistir de ir.
Peguei a mochila que levava e Edward pegou a sua pequena mala do porta-malas do táxi e fomos para a porta de uma linda casa que, segundo o endereço que o namorado da mãe de Edward deu para ele, era a nova casa de Esme Cullen.
- Pronto? – perguntei.
- Não sei.
- Quer que eu aperte a campainha? – sugeri.
- Seria uma boa. – concordou.
Apertei e não demorou muito para se ouvir passos vindo em direção a porta.
Senti Edward enlaçar a minha cintura e fiz o mesmo com a dele.
- Olá. – cumprimentou um belo homem sorridente.
- Olá. – cumprimentou Edward, eu sorri para o homem.
- Meu Deus! – exclamou. – Edward... – ele pareceu reconhecer.
- Você deve ser Carlisle. – estendeu a mão livre para o homem. – Muito prazer.
- Seja bem vindo. – fez um sinal para que entrássemos. – Esme está na biblioteca lendo. – só então ele pareceu notar a minha presença. – Você é... – começou gentil.
- Isabella Swan. – antes que pudesse me apresentar Edward o fez. – Minha... – parou e deu um sorrisinho. – namorada.
Sorri também.
- Prazer. – disse.
- Vocês podem deixar as suas coisas no quarto de hóspedes e...
- Nós já temos um hotel. – Edward o interrompeu.
- Como acharem melhor. – ele apontou para o sofá da sala e deixamos as nossas coisas ali. – A biblioteca fica logo ali. – e foi indo em direção ao corredor.
Nos olhamos e seguimos ele.
Quando a porta foi aberta e nos deparamos com uma bela mulher – que não parecia nem um pouco louca – lendo um livro extremamente compenetrada, eu pensei em deixar Edward sozinho com sua mãe, contudo a sua mão na minha me fez lembrar da minha promessa e se ele quisesse que eu saísse, ele pediria.
Como se soubesse da nossa visita, a mãe de Edward levantou o olhar das páginas do livro e nos encarou docemente. O seu sorriso sincero me fez automaticamente responder da mesma forma. Algo nela me fazia sentir como se estivesse em uma família de verdade.
- Edward! – levantou-se, fechando o livro e o colocando na mesinha ao lado. – Como é bom ver você! – e se aproximou com os braços abertos, prontos para envolver o filho em um abraço. Edward recuou instintivamente e olhou para baixo. Naquele momento eu vi o tamanho que era a culpa que ele carregava dentro de si.
Com a mão que estava entrelaçada na dele, empurrei-o de leve para sua mãe que sorriu mais uma vez para mim. Sorri mais uma vez de volta.
- Quanto tempo! – dizia saudosa, agarrada fortemente em Edward que não soltou a minha mão – Como você está bonito, meu filho!
Soltei um risinho baixo com seu comentário. Mal sua mãe sabia quantos corações ele arrasava por aí.
- Ele arrasa muitos corações, não é mesmo? – comentou como se tivesse lido meus pensamentos.
- A Senhora não imagina o quanto. – respondi divertida.
- Senhora está no céu! – largou o filho e veio me abraçar. – Me chame apenas de Esme, está bem?
- Bella. – disse sorrindo para ela novamente. Ela era encantadora.
- Então? Namorada? – perguntou marota para Edward. – Se bem que vocês parecem mais do que isso... Não sei... Noivos? – ele abriu a boca para falar. – Oh! Já casaram?
Ri mais uma vez. Mal sabemos se somos namorados mesmo e ela já nos casou.
- Namorados, mãe. – corrigiu Edward um pouco sem graça.
- Logo marido e mulher pelo jeito. – piscou e começou a sair da biblioteca. Seguimos ela confusos. – Vocês já colocaram suas coisas no quarto de hóspedes?
- Eles vão ficar em um hotel, Esme. – Carlisle contou depois de tanto tempo apenas nos observando.
- Ah. – pareceu surpresa. – Tudo bem. – sorriu de novo.
Edward POV.
Eu sentado no sofá da nova casa da minha mãe com o seu mais novo marido.
Em uma mão um copo de água e na outra a mão de Bella que eu não sei como não reclamou ainda.
Suava frio e meu coração batia forte demais.
A minha mãe me aceitou feliz e gentil, embora eu ainda espere o momento que ela irá gritar comigo e me acusar de tê-la largado em uma clínica qualquer.
- Pare com isso. – sussurrou Bella em meu ouvido sabendo que eu me culpava mais uma vez.
- Você quer ver seu pai? – indagou Esme. Parei por um momento. Eu queria?
- É... – comecei. – Como ele está?
- Bem na medida em que a doença permite. – disse. – Ora! Vocês são praticamente médicos! É claro que sabem o quanto é difícil uma pessoa com Alzheimer.
- Sim. Sabemos. – minha voz saiu fraca demais.
- Ele está no último quarto do corredor. Pouco sai de lá... Apenas quando o levamos para dar uma volta. Peter criou o seu mundo lá dentro.
Um curto silêncio incomodo tomou conta da gente.
- Eu quero vê-lo. – afirmei e fiquei satisfeito com a firmeza em minha voz.
Bella se pôs de pé junto comigo e, mesmo querendo que ela estivesse comigo, eu sabia que com meu pai eu teria que lidar sozinho. São muitos anos de brigas e arrependimentos somados a uma doença que não me garante nem se ele vai lembrar de mim.
- Eu vou sozinho. – falei para ela que assentiu, beijando minha mão antes de largá-la.
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Quando me separei de Bella e parei em frente à porta do quarto de meu pai, toda a minha insegurança voltou e a dor agonizante no meu peito gritava novamente: "CULPADO".
Respirei fundo e tentei colocar os pensamentos no lugar. Me lembrei da conversa com Bella no avião?
"Não existe perfeição, apenas tentamos ser melhores e é isso que nos torna perfeitos."
Ninguém é perfeito. Todo mundo erra e não só eu. Todo mundo erra... Todo mundo.
Girei a maçaneta e coloquei parte do meu corpo para dentro do cômodo. Tudo estava em um silêncio profundo. Entrei completamente e vi meu pai sentado em uma cadeira de balanço junto à janela olhando fixamente para o lado de fora. Só a luz de final de dia iluminava o lugar.
Por um momento pensei em chamá-lo, mas faltou coragem.
Aproximei-me e sentei na cama, ao lado da cadeira de balanço. Ao lado dele.
Peter pareceu não notar a minha presença e manteve a atenção na paisagem através da janela. Resolvi olhar na mesma direção e também fiquei preso na visão de uma borboleta azul pousada no parapeito. Era a criatura que tanto encantava o meu pai.
- Ela é linda, não é? – o som de sua voz fez com que um aperto se formasse em minha garganta e meu coração se tornasse minúsculo dentro de mim. Identifiquei isso como sendo saudade. – Gosta de azul? – pediu ainda absorto no ser vivo em sua frente.
- Gosto. Muito. – todos sabiam que azul era a minha cor favorita.
Seu rosto se voltou para mim e me perguntei se sabia quem eu era. Talvez não pela doença, mas pelo tempo que estive ausente.
- Eu tenho um filho que gosta muito de azul. – declarou inocentemente. Sorri para ele que voltou a admirar a borboleta. – Você iria gostar de conhecê-lo.
- Eu tenho certeza que sim. – concordei e também voltei a admirar a borboleta azul que, como se sentisse os nosso olhares, voou para longe batendo suas asas livremente.
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Oi!
Antes de mais nada eu peço desculpas pela demora dos capítulos, mas eu estou terminando o segundo ano do ensino médio e começando a estudar para o vestibular final do ano que vem. Então o tempo anda curto, porém daqui duas semanas eu entro de férias e terei bem mais tempo para postar mais rápido até porque loguinho a história vai ficar boaaaa! *----* uahauahauahua
Respondendo Reviews:
Lize: Oi! Muito obrigada pelos elogios, querida! Espero que continue gostando da fic! Mil beijos!
Yara: Seja bem vinda!! Espero que continue gostando da fic!! Atualizei,desculpe a demora =/ Beijoss!
Duda: Oi flor! Amei a tua review!! Muito obrigada mesmo! Desculpe a demora em postar =/ Mil beijos!!
Sunshine: Logo,logo saberá o que essa meia-irmã veio fazer na vida da Bella! ^^ Beijossss!
Yy: Aiiii desculpa por demorar em postar,mas ta chegando as férias e daí eu posto com mais freqüência. Beijosss!
Daddy's obsessive little girl: Agora eu estou conseguindo tentar viver sem ER uahauahauahua Muito obrigada por acompanhar, viu? Você é uma das minhas melhores leitoras! ;) Mil beijos!
Mais uma vez mil desculpas pela demora! Me faz muito mal demorar também,acreditem.
Bem, os próximos capítulos serão focados no Edward e os pais, mas logo a Ângela irá aparecer para falarmos um pouco mais sobre lupus, ok?
Ah! E a meia-irmã da Bella? NÃO CONTOOOOO! Uahauahua *hiper malvada*
Beijos, gente!
Isa
