Ownership

Eu sempre tive Draco. Mesmo quando ele me virava as costas, e mesmo quando ele não me contava as coisas, Draco era meu. Ele era meu de formas que os outros não conseguiam entender: não era seu corpo, era sua alma. Não importava que ele tivesse outras mulheres em seus braços, eu era a única mulher que sabia quem ele era, bem no fundo. Eu tinha Draco, como ninguém mais poderia ter, a não ser Narcissa. Ele nunca se apaixonaria por outra mulher, pois ele nunca se abriria o suficiente para isso.

Então, quando ele começou a encontrar a garota Weasley em corredores vazios, eu não dei atenção. Ela era bonita e despertava o desejo, e Deus sabe que até mesmo isso me era um alívio ao ver os olhos mortos dele em nosso salão comunal. Draco deveria brilhar, o centro das atenções, mas agora era um fracassado desgarrado no meio de nós. Um pária. Se a garota Weasley conseguia acender alguma coisa do fogo de sua alma, eu estava era grata. Nunca seria mais do que atração, e logo acabaria.

Quando o tempo passou e ele continuava a vê-la, eu o confrontei sobre o assunto, e ele garantiu que era apenas um jogo - um jogo que ele iria ganhar. Eu sabia o quanto significaria para ele ter a mulher de Potter em suas mãos, e não podia negar a ele esse prazer - um prazer que eu já tinha ao ouvir suas justificativas. Elas eram mais um sinal de que apenas eu o tinha, e apenas de mim ele aceitaria questionamentos. Só muito tempo depois eu percebi que não podia lhe negar nada.

Blaise me alertou, mas eu também não dei grandes atenções a ele. Eu queria me manter segura no conhecimento de que só eu poderia ter Draco, e estava segura demais para lembrar que ninguém ganha jogo nenhum se não arriscar, e que para vencer é preciso entrar com tudo. Não acho que nem mesmo Draco soubesse que ele estava apostando seu coração.

Eu era uma menina tola, certa de que ele sempre voltaria, e por essa exata confiança, ele quem passou a me ter. Eu esperava-o, paciente, enquanto ele trocava beijos e carícias com a ruiva, e aceitava suas desculpas de que não era nada além de sexo. Mal sabia eu, aos dezessete, que sexo é muito mais que prazer mesmo quando escondido na capa da luxúria. Ele se entregava a ela, pouco a pouco, e era ela quem o tinha.

Acho que só entendi realmente isso quando vi Weasley e Potter juntos no julgamento dos Malfoy. Ela mal parecia notar Draco, embora fosse claro que o sol se levantava para ele onde os pés dela passavam; e provavelmente mal conseguia vê-lo porque Potter lhe ofuscava completamente. Eu poderia rir da ironia da situação - eu, tolamente aguardando um homem que amava outra, que por sua vez tinha uma adoração tola por um menino-herói. Foi só quando Potter a olhou de volta, da mesma forma, que eu entendi que Draco e eu estávamos perdidos. Ele tinha querido tê-la, e agora ela o tinha, o que ficava claro em seus olhos ensombreados; que provavelmente eram iguais aos meus ao vê-lo olhá-la daquela forma. E, para nós, não restaria nada que não fosse o sofrimento de não ser a primeira escolha.

Então, com o que restava de meu orgulho, eu me levantei e parti, deixando para trás meu Draco e também seu poder sobre mim. A Espanha apagaria minhas feridas, mas as dele continuaram abertas, sangrando a cada aceno de cabeça que trocava com os Potter.