12. UMA QUESTÃO DE ADAPTAÇÃO

Por três dias, ninguém viu Julie. Emma, Frank e Douglas estavam preocupados, mas apesar da garota não ter assistido às aulas de segunda, nenhum dos professores foi procurá-la, pois sabiam que ela queria ficar sozinha. Durante aqueles dias, ela havia se escondido na Casa dos Gritos, tentando entender o que havia acontecido.

Ela não leu a carta que Pedro entregou, pois só encontraria desculpas. Queria saber a verdade, porque Remo havia terminado tudo daquela forma cruel, e ao mesmo tempo, não queria saber de nada, não queria ver Remo, até que ela percebeu que não conseguiria as respostas para suas dúvidas nem esquecer Remo se continuasse ali, então, ela voltou para Hogwarts.

Emma e Frank estavam no salão principal quando Bartô se sentou ao lado deles e disse, despreocupadamente.

- Acabei de ver a Julie subindo para a torre, é melhor vocês irem falar com ela antes que o Doug deixe ela louca.

Frank e Emma se levantaram e foram imediatamente para a torre da Grifinória, onde logo descobriram onde Julie estava.

- Julie, eu só quero saber se você está bem! Por favor, abra a porta!

Atraídos pelos gritos de Douglas, Emma e Frank foram até a porta do dormitório feminino do sétimo ano.

- Ela não quer abrir a porta! – ele disse com desespero no olhar, implorando para que um dos dois fizesse alguma coisa.

- Deixa comigo, eu resolvo isso. – Emma disse, e afastando Douglas, se pôs em frente à porta – Julie Black, eu vou contar até três, se você não abrir a porta, eu vou...

Enquanto Emma falava, a porta se abriu, e a garota interrompeu a frase quando viu a irmã.

- Para quê vocês estão fazendo tanta confusão? Eu só estava trocando de roupa! – Julie disse com um sorriso divertido – Vocês já jantaram? Eu estou morrendo de fome...

Julie foi para a saída da sala comunal, ignorando os olhares impressionados da irmã, do amigo, e de Douglas.

- O que aconteceu com ela? – os três perguntaram ao mesmo tempo, e como nenhum deles souberam responder, eles seguiram Julie até o salão, tentando descobrir o que havia acontecido.

- Julie, porque você perdeu as aulas de hoje? – Frank perguntou.

- Porque eu quis. – ela respondeu, despreocupadamente.

- E onde você esteve durante o fim de semana? Beth e Lottie não viram você dormir no dormitório, eu perguntei para elas. – Douglas perguntou.

- Porque eu não dormi lá.

Emma afastou os dois rapazes, e parou em frente à irmã, com as mãos na cintura.

- Julie Black, essa história está muito mal explicada. Onde você esteve durante o fim de semana? Remo estava com você?

- Não, ele não estava comigo. Ele nem apareceu. – ela respondeu com a voz firme, depois de uns instantes de hesitação, e recomeçou a caminhar.

- Então onde o Remo estava? Nós também não vimos ele, não foi, Frankie? – a garota perguntou, voltando-se para o namorado, que concordou com um meneio.

- É, não vimos o Remo em Hogsmeade, pensamos que vocês estivessem juntos.

Julie parou de andar, deu meia volta e respondeu com ferocidade.

- Nós não estávamos juntos, e eu não sei onde ele está, não sou a sombra dele! Agora eu posso ir para o salão? Eu estou com fome.

Emma, Frank e Douglas não disseram uma palavra. Os três olhavam assustados e impressionados com Julie. Nunca tinham visto a garota com tanta raiva como naquele momento, e sem quererem piorar a situação, a deixaram ir.

Sem que ninguém fizesse perguntas a cada passo que ela dava, Julie logo chegou ao salão, mas ao invés de se sentar à mesa da Grifinória, foi falar com a professora Figg.

- Arabella... - Julie começou, mas se calou quando a professora olhou com severidade para ela.

- Nós tínhamos uma aula marcada no sábado, não é, Julie? Você esqueceu?

- Não, eu não esqueci, mas eu não estava em condições...

- Julie – a professora a interrompeu mais uma vez -, se você não for levar as aulas a sério, não sei se você conseguirá se tornar uma medibruxa.

- Mas eu levo a sério, Arabella! E eu queria falar justamente sobre as aulas. Não haveria a possibilidade de eu ter aulas todos os dias depois do jantar?

A expressão no rosto de Arabella Figg não mudou, mas ela soltou o garfo, e olhou atentamente para Julie.

- Ora, eu não esperava por isso.

- Se não puder me ajudar, eu entenderei. Posso estudar sozinha.

- Não disse que não a ajudaria, Julie. Às sete e meia está bom para você?

- Sim, Arabella.

- Esteja na minha sala daqui a dez minutos, então.

Julie concordou com a cabeça e se afastou.

- Bella, você não acha que exagerou? – a professora McGonagall perguntou depois que a garota se sentou – Ela deve estar precisando se distrair por tudo o que aconteceu nos últimos dias.

- Acredite, Minnie, o que Julie menos precisa agora é de distrações.

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Com aulas extras todos os dias e os estudos para os N.I.E.M.'s, Julie tinha pouco tempo livre, mas não demonstrava cansaço, e era isso que preocupava Emma. Quando a irmã estava namorando Remo, ela se divertia, mas desde o dia da visita a Hogsmeade, quando ele não apareceu, tudo ficou diferente. Julie passava o dia estudando, e sempre que Emma ou Frank a chamavam para sair, ou para se distrair, a garota dizia que tinha que estudar.

- Conseguiu? – Emma perguntou para o namorado quando ele voltou da biblioteca.

- Não, a Julie disse que estava ocupada estudando para Herbologia.

- Herbologia?! – a garota exclamou, espantada – Ela não precisa estudar para Herbologia, qualquer um consegue aprender isso!

- Hey! – Frank olhava ofendido para a namorada – Essa é a matéria que eu tenho melhores notas!

- Desculpe, amor... – ela segurou o queixo do rapaz e encostou os lábios nos dele – Mas eu estou realmente ocupada com a Julie... Ela não quer falar o que aconteceu com o Remo... Na verdade, ela nem quer falar dele... E está sempre com aqueles livros, sem ter um tempo para se distrair... Queria encontrar uma maneira de fazer ela viver um pouco! O que você sugere, Frankie? – o rapaz olhava para alguma coisa atrás da namorada, que percebendo a distração de Frank, o chamou novamente – Frank!

- Oh, desculpe, Emm... – Frank olhou um pouco aturdido para a namorada – Eu me distraí com a professora McGonagall.

- O que?! – Emma levantou-se do sofá em que estava sentada, olhando irritada para o rapaz.

- Hey, hey, hey, não é nada disso que você está pensando! É que a professora McGonagall acaba de colocar um aviso sobre o Baile de Inverno! – ele disse, puxando Emma de volta para o sofá.

- Está bem... – ela disse enquanto se sentava, mas logo levantou-se novamente – É isso! Já sei como fazer a Julie se divertir! – e em seguida, ela foi em direção à saída da sala comunal.

- Emm! – Frank gritou, sem entender nada – Emm, volta aqui! Droga, é melhor eu ir atrás dela para ela não fazer nenhuma besteira... – o rapaz murmurou, enquanto seguia a namorada.

Quando Frank alcançou Emma, a garota estava conversando com Julie na biblioteca.

- A professora McGonagall acabou de colocar o aviso sobre o baile.

- Eu já sabia. – Julie respondeu sem desviar o rosto do livro que lia – Arabella me contou.

- Emm, deixa a Julie, ela está ocupada. – Frank disse, se aproximando da namorada.

- Você pretende ir? – Emma continuou, ignorando Frank - Se quiser, posso te ajudar a encontrar um par. – ela disse com animação, se sentando numa cadeira.

- Emma, você não acha que está exagerando? – o rapaz segurou o braço de Emma, tentando levantá-la.

- Não precisa, Emma. – Julie disse despreocupadamente – Eu já tenho um par.

Frank soltou o braço de Emma, enquanto que a garota olhou pasma para a irmã.

- Você tem um par?! – os dois disseram ao mesmo tempo – Quem é ele?

Julie olhou para os dois sorrindo, divertindo-se com a surpresa que havia no olhar dos dois por uns instantes antes de responder.

- Hey, Julie, encontrei o livro.

Frank e Emma olharam em direção às estantes, de onde vinha a voz, e ficaram mais surpresos ainda ao verem Douglas Forster.

- Eu vou com o Doug.

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Julie terminou de arrumar o cabelo e sorriu para o reflexo no espelho, lembrando de como havia surpreendido a irmã e o amigo quando disse que iria com Douglas para o baile. Podia até ouvir o que Emma falou depois do choque.

- Mas... mas, Julie, pensei que você detestasse ele!

- Ele não é tão ruim assim... – Julie disse enquanto Douglas se sentava.

- Não entendo para que você precisa de um livro que fale sobre as vítimas do basilisco, afinal, elas estão mortas, não é? – Douglas terminou com uma risada que não foi acompanhada por ninguém – Mas aqui está o livro.

Julie balançou a cabeça, sem conseguir acreditar como havia conseguido chamar Douglas para ser o par dela no baile, mas ela tinha que seguir em frente. Não podia parar de viver por causa de Remo quando ele preferiu cortar o laço que os unia. Sabia que isso havia acontecido quando, na noite de lua cheia, não conseguiu sentir a presença do rapaz, como se fizesse parte de si mesma.

Foi doloroso no começo aceitar o que havia acontecido, por isso, quando conseguiu aceitar que estava tudo terminado entre ela e Remo, decidiu que não deveria continuar a sentir pena de si mesma. Deveria esquecer ele e viver, não importasse se o livro de Edward Brewster dissesse que o elo entre lobisomem e destinado era eterno, e era isso que estava fazendo quando aumentou o tempo de estudo extra e convidou Douglas para o baile.

A garota saiu do dormitório, foi a última a se arrumar, Beth e Lottie já haviam ido para a sala comunal minutos antes. Julie esperava que elas já estivessem no salão, mas para surpresa dela, as duas colegas de quarto estavam voltando.

- O que aconteceu?

- Não vai ter mais baile. – Beth disse, irritada – Nunca mais!

- Por quê? – Julie perguntou, seguindo-as – Quem disse isso?

- O professor Carwell morreu. – Charlotte disse, sentando-se em sua cama – Dumbledore cancelou o baile desse ano, e disse que não haveria mais bailes em Hogwarts, mas a professora Figg conseguiu ser pior do que ele.

- O que ela disse? – Julie perguntou com interesse.

- Que o Baile de Inverno era uma tradição do Torneio Tribuxo, e que o Natal é uma festa para ser comemorada em família. Será que ela não sabe que as férias de fim de ano só começam daqui a dois dias? Podemos perfeitamente ter a festa e ficarmos com nossos pais!

- Provavelmente ela não sabe mesmo. – Julie disse com mais alegria do que esperava. Não queria mesmo ir ao baile com Douglas, mas se não fosse, Emma encontraria um par para ela, como tentou fazer.

- Isso não é justo! – Charlotte concluiu, batendo a mão na cama.

- Ora, não precisam ficar tão nervosas. Acho que Arabella só está pensando nos nossos pais, ano passado aconteceu um ataque a Hogsmeade, quase invadiram a escola, talvez ela só esteja querendo ajudar.

- Muito ajuda quem não atrapalha, sabia? – Beth disse.

- Por que você não fala com ela? – Charlotte disse, empolgada – Vocês passam muito tempo juntas, você pode falar com ela!

- Não, eu não vou. Arabella preferiu assim, e se o professor Dumbledore disse que não haverá mais baile em Hogwarts, ele não vai mudar de idéia tão fácil. Eu não posso fazer nada.

Antes que uma das duas colegas fizesse mais alguma pergunta, Julie voltou para a sala comunal, onde encontrou Frank, Emma, Douglas e Bartô conversando. Ela se aproximou de Douglas e, colocando a mão no ombro do rapaz, falou.

- Eu sinto muito, Doug, eu sei o quanto você estava ansioso para o baile.

- Não tem problema, Julz. – o rapaz respondeu abaixando a cabeça, decepcionado.

Emma olhou aliviada para os dois. Não queria que o baile tivesse sido cancelado, mas pelo menos, a irmã não enganaria mais Douglas, fingindo que queria ficar com ele.

- Não precisa ficar assim. Vamos ter a festa de conclusão no final do ano, nós poderíamos ir juntos.

- Podemos?! – Douglas perguntou, incrédulo, e Emma abriu a boca e arregalou os olhos, também sem acreditar no que a irmã estava fazendo.

- Claro que sim, Doug! Vou aproveitar as férias de fim de ano e comprar um vestido para a festa.

- Não precisa, você está linda nesse. – Douglas gaguejou e corou enquanto falava.

Os cinco continuaram conversando mais um pouco na sala comunal, até que, aos poucos, todos voltaram para os dormitórios, frustrados com o cancelamento desse e de qualquer outro baile. O clima de frustração durou até o dia seguinte, quando os alunos que passariam os feriados do Natal e Ano-novo em casa deixaram o castelo.

Em uma das cabines, Julie conversava com Emma, enquanto Frank saía para comprar algo para eles comerem.

- Será que o Sirius vai passar o Natal em casa? – Julie perguntou, pensativa.

- Parece que sim, mamãe mandou uma carta dizendo que papai conseguiu que o Seb tivesse uma folga no Natal.

- E o Tiago? Será que ele também conseguiu uma folga? A Lily ainda não me respondeu se vai ou não passar o Natal com a gente.

- Ah, ela tem que ir! A irmã dela não deve querer vê-la nem pintada de ouro, depois que ela fugiu com o Tiago. Não sei por que, eles se amam, e o que eles fizeram foi tão romântico...

- O que foi romântico? – Frank perguntou, parado na porta, segurando dois copos de suco e um pacote com chocolates no bolso.

- O que a Lílian e o Tiago fizeram, de fugir para se casarem... – Emma disse, sonhadora.

- Eu acho que eles foram um pouco precipitados. – Frank disse enquanto se sentava.

- Eu também acho. – Julie concordou com o amigo.

- Nossa, se eu não estivesse vendo, nunca acreditaria que vocês concordaram em alguma coisa.

Julie e Frank olharam irritados para Emma, mas em seguida, riram, reconhecendo que dificilmente concordavam em alguma coisa.

O trem chegou à estação de King's Cross ao final da tarde. Na estação, a mãe das duas garotas esperava os três, pois Frank passaria o Natal com os Black.

- E o Sirius, mãe? – Emma perguntou – Conseguiu passar o Natal em casa?

Stella olhou com pesar para a filha.

- Ah, querida, seu pai não conseguiu. – ela se aproximou da filha e falou mais baixo – O treinamento é rigoroso.

Julie e Emma trocaram olhares tristes.

- Queria tanto que Sirius passasse o Natal em casa... – Julie disse com tristeza.

Stella passou a mão na cabeça da filha e disse, consolando-a.

- Não se preocupe, quando o treinamento terminar, daremos uma festa de boas-vindas para Seb. – Stella, então, volta-se para Frank – Frank, meu bem, sua mãe mandou uma coruja dizendo que chegará hoje à noite. Vocês já estão com seus malões? – os três estudantes concordaram – Bem, então vamos, o trem para Liverpool parte em seis minutos.

Os quatro saíram rapidamente da estação bruxa, a tempo de pegar o trem para Liverpool, onde foram para o porto e um navio os levou até a Irlanda.

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Rigel, as duas filhas, Frank e a mãe estavam sentados na sala, conversando, quando Stella entrou.

- O jantar está pronto. – ela sorriu para o marido – Meu amor, pode ir pegar um vinho, por favor?

- Claro, querida. – ele respondeu, piscando para a esposa, enquanto os outros iam para a mesa.

Julie observava a família enquanto comia. Stella contava para a senhora Longbottom a receita do peru, e Emma e Frank tentavam adivinhar o presente que um havia comprado para o outro. Não sabia como conseguia sentir-se infeliz com tanta felicidade, mas pensar no que Remo deveria estar fazendo certamente não ajudaria a sentir-se melhor. Tentando esquecer Remo, ela viu que o pai não havia voltado ainda.

- Mãe, o pai não voltou, será que aconteceu alguma coisa?

Julie olhou para a mãe, mas quem respondeu foi uma voz atrás dela.

- Oh, ele ainda está na adega, disse que queria o vinho certo, mas eu sou mais prático, peguei o mais empoeirado e vim.

Julie falou enquanto se levantava da cadeira.

- Sirius! – ela abraçou o irmão.

- Eu não acredito que você veio! – Emma disse, abraçando Sirius depois que Julie se afastou.

- Tivemos folga do treinamento para o Natal, mas amanhã teremos que voltar. Lílian e Tiago foram até a casa da mãe dele e devem chegar a qualquer momento.

- Que bom que eles vêm! Faz tanto tempo que eu não vejo a Lílian! – Julie disse enquanto os três iam para a mesa.

Assim que eles se sentaram, as garotas começaram a fazer inúmeras perguntas sobre o treinamento. A conversa só foi interrompida quando Tiago, Lílian e Theresa chegaram pela lareira.

O jantar foi servido pouco depois e, enquanto comiam, todos conversavam e sorriam animados com a celebração. Foi assim por toda a noite, até Tiago, Lílian e Theresa irem embora, e os outros foram dormir.

- Ainda bem que Natal é só uma vez por ano. – Stella disse num suspiro – Eu mal consigo ficar de pé.

- Mas foi uma festa maravilhosa, Stella. – a mãe de Frank disse, na frente do quarto de hóspedes – Boa noite.

- Boa noite. – a outra respondeu, entrando no quarto com o marido.

- Eu também estou indo dormir, você vem, Julie? – Emma perguntou para a irmã depois de se despedir de Frank, mas Sirius respondeu antes que a garota o fizesse.

- Daqui a pouco ela vai, Emm, eu queria conversar um pouco com ela. Tudo bem, Julie?

- Pode deixar, Emma, eu vou daqui a pouco. – ela sorriu para a irmã, que entrou no quarto, e voltou-se para Sirius – O que foi?

Ele olhou sério para a irmã, e um pouco abatido.

- Eu falei com o Remo antes de ir para o treinamento, Julie, ele me disse que não queria magoar você, por isso...

Julie olhou irritada para o irmão, e respondeu com nervosismo.

- Olha, Sirius, eu não tenho mais nada a ver com o Remo, então não me diga nada sobre isso, está bem?

Sirius não disse nada, surpreso com a reação dela. Pelo que Remo contou a ele quando o encontrou em Hogwarts, esperava que ela quisesse saber tudo sobre o que fez Remo ir embora.

- Se era só isso que você queria falar, boa noite, Sirius.

Sirius, com um gesto de cabeça, disse que não queria falar mais nada, e a irmã entrou no quarto.

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Dias depois, eles voltaram para Hogwarts, e não eram somente os alunos que traziam novidades. Com a morte do professor Carwell, quem passou a dar aula foi o professor reserva, Henry Fuller, que também passou a ser o diretor da Sonserina. O professor Fuller, ao contrário do seu antecessor, não se preocupava somente com as poções. O que ele realmente queria era que todos os alunos entendessem o que ele ensinava. Não demorou muito tempo para que os sonserinos sentissem falta do antigo professor.

Com o fim das férias, todos os alunos do sétimo ano que não haviam começado a estudar para os N.I.E.M.'s passaram a estudar com afinco na biblioteca. Julie, apesar de estar estudando desde o começo do semestre passado, também passava na biblioteca todo o tempo livre possível, por causa da conversa que teve com Arabella Figg quando voltou para Hogwarts.

- Querida, vamos para o meu quarto, precisamos conversar.

Julie seguiu a professora, intrigada com o tom de urgência.

- Papoula acabou de me dizer que haverá exames para enfermeira auxiliar no St. Mungus no final de junho para alunos formados, e você tem grandes chances de conseguir uma vaga, dependendo dos resultados dos seus N.I.E.M.'s

Julie sorriu, e abraçou a professora.

- Muito obrigada, Arabella.

- Não me agradeça agora. – ela respondeu, séria – Agradeça quando você passar.

Sem querer decepcionar Arabella Figg, Julie diminuiu as horas de sono para ter mais tempo para estudar, mas dessa vez ela não estudava sozinha. Frank quase sempre estudava com a amiga, deixando Emma irritada. Com a chegada de fevereiro, e um passeio a Hogsmeade marcado para o começo do mês, porém, ela pensava que conseguiria fazer a irmã e o namorado se distraírem.

- Eu estava pensando – ela começou, falando para a irmã e o irmão na sala comunal da Grifinória – em passar primeiro na Dedosdemel amanhã, o que vocês acham?

- Dedosdemel? – Frank perguntou, curioso.

Emma colocou as mãos na cintura e fitou o namorado com irritação.

- É, amanhã, no passeio a Hogsmeade que eu avisei a vocês dois duas semanas atrás!

Frank tinha uma expressão apreensiva no rosto.

- Me desculpe, Emm, nós esquecemos... – o rapaz respondeu encabulado.

- Fale isso por você. – Julie resmungou, sem desviar a atenção do livro que lia – Eu sabia, mas eu não vou, tenho muita coisa para estudar.

- O que está acontecendo com vocês dois?! – Emma não chegou a gritar, mas seu tom de voz elevado atraiu a atenção de quem estava por perto – Vocês só estudam, todo o dia, até de noite, não podem se divertir nem um minuto?

- Não é isso, Emm. – Julie começou – Os N.I.E.M.'s vão ser muito importantes para eu conseguir passar para o St. Mungus!

- E eu quero entrar no treinamento de Auror, e os exames contam para passar no exame! – ele murmurou, tentando se desculpar - Agora eu estou entendendo porque a Lílian sempre ficava irritada com Tiago quando ele ia para Hogsmeade ano passado.

Apesar das explicações dos dois, Emma não estava satisfeita.

- Você nunca gostou muito de estudar, Frank, e Julie, é como se eu nem conhecesse você, desde que o Remo não apareceu em Hogsmeade, você se tornou uma pessoa totalmente diferente!

Julie, pela primeira vez, olhou com surpresa para a irmã, que, contrariada com a atitude dos dois, continuou.

– Mas, querem saber? – ela continuou, se esforçando para não chorar – Eu não ligo mais. Cansei de tentar trazer vocês de volta para o mundo real. Se preferem estudar, eu não vou impedir.

Emma foi para o dormitório feminino com passos furiosos. Frank se levantou, com a intenção de segui-la, mas Julie o impediu e falou como se estivesse engasgando com alguma coisa.

- Deixa que eu falo com ela.

A garota foi até o dormitório feminino do sexto ano, e bateu na porta.

- Emm, posso falar com você?

- Vá embora! – o grito de Emma saiu abafado por causa do travesseiro que cobria parcialmente o seu rosto, por isso, Julie entrou.

Emma estava deitada de bruços, e Julie se sentou próximo ao pé dela.

- Emma, eu sinto muito por tudo o que está acontecendo.

Emma virou-se para a irmã, notando, com surpresa, que ela estava falando como antes, com carinho, e não com o tom de voz apático que usava ultimamente.

- Eu sei que eu tenho agido diferente, como se eu não fosse a mesma, mas eu não consigo, Emm! Se eu voltar a ser como antes, eu sei que não conseguirei ter forças para esquecer o que Remo fez comigo, eu não vou parar de pensar em como eu o perdi, em que ponto eu errei... – Julie encarava Emma fixamente nos olhos, sabendo que se desviasse do olhar da irmã, choraria todas as tristezas que estava guardando – Por isso eu tenho me concentrado nos estudos, para não ter que pensar em tudo isso... Me desculpa se eu deixei você preocupada, mas eu estou melhor assim.

Emma se aproximou da irmã querendo abraçá-la, mas Julie saiu do quarto antes disso. A garota não a seguiu. Entendeu que a irmã devia ter relutado antes de falar o que realmente estava sentindo justamente por estar tentando ignorar isso.

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Apesar da conversa com Emma, Julie e Frank continuaram estudando o máximo que podiam, e durante a semana dos exames, eles mal pararam para comer.

Emma tentou ser paciente, mas discutiu com o namorado e a irmã algumas vezes, e mesmo sem ter feito nenhuma prova, ela foi um dos alunos mais aliviados com o fim dos exames.

Os resultados foram entregues no último dia de aula, e assim que recebeu os seus, Julie foi falar com a professora Figg.

- Olhe, Arabella! – ela disse, entregando o pergaminho para a professora, mas dizendo o resultado antes que ela lesse – Tirei a nota máxima em Poções! E minha nota mais baixa foi 86 em História da Magia!

- É ótimo, Julie! – ela sorriu para a aluna – Eu vou fazer uma cópia e mandarei juntamente com seus outros documentos para o St. Mungus. Dois dias depois da formação haverá uma prova de conhecimentos médicos, mas não quero que você se preocupe com essa prova até que chegue a hora. Estudamos isso o ano inteiro, e agora você deve se distrair com a festa de daqui a pouco.

- Sim, Bella. – Julie concordou com um sorriso de satisfação, saindo assim que a professora devolveu os resultados.

Assim que Julie saiu da sala da professora Figg ela foi para o salão principal, onde Frank estava conversando animadamente com Emma.

- Eu consegui, Julie! Tirei 94 em Poções! É a nota mínima em Poções que o Ministério aceita para fazer o exame de capacidade, mas minha nota 100 em Herbologia e Defesa Contra As Artes das Trevas me deixam com grandes chances de passar!

- Ah, Frank, isso é tão bom! – a garota respondeu, abraçando o amigo – Eu também tirei notas muito boas, Arabella ficou muito satisfeita! E vocês não fazem idéia do quanto estou mais calma. – ela disse num suspiro depois de se sentar.

- Ainda bem que eles entregaram as notas antes. – Emma disse enquanto pegava um pão com geléia – Vocês teriam ficado muito ansiosos na festa de hoje.

- Umhum – Frank concordou com a cabeça, ao mesmo tempo em que mastigava.

Eles continuaram conversando até ouvirem o sinal de início das aulas.

- Para que temos que assistir aula se já recebemos os N.I.E.M.'s, de qualquer forma? – Frank perguntou.

- Não sei, talvez seja um pouco de tortura de fim de ano. Pelo menos é só meio período. – Julie disse, e depois voltou-se para a irmã, que ia assistir aula de Herbologia enquanto eles teriam que passar a manhã na entediante aula do professor Binns – Mais tarde eu ajudo você com o penteado, certo?

- Certo, eu vou para o quarto do sétimo ano depois da aula de Poções.

Eles, então, se separaram.

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Como havia prometido para Douglas, Julie foi com ele à festa dos alunos que estavam se formando, e se divertiu mais do que esperava. Douglas não era tão idiota quanto ela pensava, ele somente travava quando se aproximava dela, mas a garota conseguiu deixar o rapaz menos nervoso em poucos minutos.

O único momento triste foi quando ela conversou com Arabella Figg.

- Então decidiu seguir o meu conselho... – a professora sorriu para Julie, indicando uma cadeira para ela se sentar.

- Os seus conselhos sempre foram os certos para mim. – a garota respondeu depois de sentar-se – Está gostando da festa, Bella?

- Sim, Julie. – ela ficou calada por uns segundos antes de continuar – Essa é minha festa de despedida. Eu também estou deixando Hogwarts, me ofereci para ensinar os Ocultos.

- Os alunos vão sentir muito a sua falta. E eu duvido que o próximo professor seja pelo menos a metade do que você é.

- Vai ser difícil para mim deixar Hogwarts. Esses dois anos foram muito especiais para mim. – a professora olhou com perspicácia para Julie – E você, querida? Vai sentir falta daqui?

- Não. – Julie respondeu sem hesitar.

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No dia seguinte, Julie deixou Hogwarts, e como aluna formada, sabia que nunca mais voltaria para a escola, e não sentiria falta da escola. Hogwarts fazia ela se lembrar de momentos que Julie preferia esquecer, e longe do castelo seria muito mais fácil.

Mas era difícil para Julie pensar em Hogwarts quando ela esperava o resultado do exame que fez para ser enfermeira-auxiliar no St. Mungus.

- Calma, Julie! – Stella dizia para a filha, que não conseguia ficar sem andar de um lado para o outro.

- Nós não precisamos de um buraco na sala ainda. – Rigel disse, piscando o olho para Julie.

- Eu sei, mas eu não consigo ficar quieta! Hoje eu recebo o resultado, aliás, era para eu ter recebido! Vocês têm certeza de que não chegou nenhuma coruja para mim? – ela perguntou com ansiedade.

- Não, amor! Não recebemos nenhuma coruja para você. – Stella respondeu.

- Coruja? Engraçado, eu acho que eu sonhei com uma essa madrugada... – Emma disse enquanto entrava na sala – A coruja ficou voando sobre a cama da Julie piando, tentando fazer ela acordar, mas depois desistiu, jogou um papel no quarto e foi embora.

Julie encarou a irmã com a certeza de que ela não havia sonhado, e correu para o quarto.

- Porque ela foi embora assim, foi só um sonho... – ela disse depois de um bocejo.

Rigel e Stella trocaram olhares antes da mulher falar.

- Querida, acho que não foi exatamente um sonho.

Os três imediatamente subiram para o quarto das duas garotas.

- Ah, como eu sou tonta, claro que não era um sonho! – Emma disse enquanto ia para o quarto – Oh, tomara que ela tenha passado!

Rigel, Stella e Emma pararam quando chegaram na porta do quarto. Julie segurava um pergaminho na mão direita, sem demonstrar nenhuma reação.

- E então, querida? – Stella perguntou. – Conseguiu?

Julie voltou o rosto para os pais e a irmã, somente percebendo que eles estavam lá depois que a mãe falou, e respondeu.