Chapter 13
Counting Stars
Old, but I am not that old
Young, but I´m not that bold
I don´t think the world is sold
I´m just doing what we´re told
I feel something so right, doing the wrong thing
I feel something so wrong, doing the right thing
I couldn´t lie, couldn´t lie, couldn´t lie
Everything that kills me makes me feel alive
Lately I´ve been, I´ve been losing sleep
Dreaming about the things that we could be
But lately I´ve been, I´ve been praying hard
Sitting, no more counting dollars
We´ll be counting stars
Ginevra`s POV
Estávamos caminhando de braços dados pela propriedade.
Era lindo. Acima de nós, apenas o céu límpido forrado de estrelas – um céu como eu nunca tinha visto antes - como se o céu de Paris não fosse o mesmo céu que eu vira em Londres toda a minha vida.
À nossa esquerda se erguia La Tour Eiffel, como uma luminária, fornecendo luz ao nosso pequeno passeio. À nossa frente, a alguma distância, estava o jardim; e bem no meio desse, algumas dezenas de carvalhos. Era tudo tão perfeito. Eu não tinha ideia de como Draco fazia tudo aquilo.
Era para ser algo costumeiro e sem importância, mas era magnífico.
Ele estava um pouco melhor, hoje. A palidez havia diminuído, e seus olhos estavam mais brilhantes. Ele vinha alternando, devido à doença, dias em que ficava terrivelmente debilitado com dias em que parecia absolutamente saudável.
Convidei-o para um passeio, para que ele pudesse se exercitar um pouco, uma vez que ele havia passado os últimos três dias praticamente inteiros na cama. Ele escolheu passear pelo jardim.
Eu estava ficando preocupada. Draco sofria de uma teimosia crônica, e estava obstinado a não tomar seu remédio. Acho que ele queria se precaver, economizar os remédios para as crises das quais não sairia sozinho – ambos sabíamos que, quando acabasse este estoque, ele só teria mais um antes do remédio perder totalmente o efeito contra as células doentes. Talvez ele apenas quisesse provar que era forte, e que aguentaria. Eu não tinha certeza.
Os carvalhos estavam se aproximando.
-Acho que devemos voltar – sugeri.
-Eu estou bem – respondeu ele.
-Mas eu estou cansada – argumentei. Era noite, e já estávamos vestidos para dormir.
A pressão de sua mão em meu braço aumentou.
-Estamos chegando – admitiu.
Realmente, estávamos chegando. E a proximidade me fazia ver que algo estava fora de lugar ali. Draco tinha uma expressão pensativa.
-Qual o problema? – perguntei.
-Problema nenhum – respondeu ele com um sorriso, saindo de seu estado contemplativo.
-Certo. Em que está pensando, então? – voltei a perguntar.
-Não estava exatamente pensando – respondeu. – Estava procurando uma constelação.
-Qual delas? – sorri para ele.
-Signus.
-O cisne – verbalizei. Ele apenas assentiu.
Olhei para cima, procurando.
-Signus está bem ali – apontei.
-Onde? – perguntou ele, girando a cabeça em todas as direções.
-Ali – segurei–o pelos ombros e ergui delicadamente sua cabeça, até que seu olhar encontrasse a constelação.
-Não se parece com um cisne – contestou ele, fechando a expressão e fingindo aborrecimento.
-É claro que parece. As duas estrelas na ponta marcam o pescoço e a cabeça. As duas grandes formam o corpo e as quatro na transversal marcam, de duas em duas, a ponta das asas. Consegue ver?
-Acho que sim – respondeu, com humor. – Mas ainda não se parece com um cisne.
Eu ri. – E posso saber o porquê do súbito interesse por Signus?
-Claro que pode, Minha Senhora. O motivo é: eu nunca fui bom em Astrologia.
-Não seria Astronomia, Senhor Malfoy? – questionei.
-Nunca fui bom em Astronomia também.
-Certo.
Draco se colocou atrás de mim, com ambas as mãos em minha cintura. Um arrepio percorreu minha espinha. Aquele tipo de proximidade me deixava nervosa e um pouco constrangida, embora eu não me sentisse desconfortável em sua presença.
-E onde está Orion? – perguntou ele.
-Bem ali – apontei, depois de encontrar.
-E Orion deve se parecer com o que? – indagou.
-Orion se parece com um homem segurando um escudo, e uma clava acima da cabeça. Aquelas três estrelas em linha reta são as Três Marias. Formam o cinturão de Orion.
-E a Ursa Maior? – precisei me virar, o rosto ainda erguido para cima.
-Está ali.
-Essa é muito sem graça – anunciou.
-Você acha? – questionei.
-Claro. Parece um utensílio doméstico.
-Mas a Ursa maior é uma constelação importante. Todas as estrelas que fazem parte dela tem nome. As duas da ponta são Merak e Dubhe. Se traçar uma linha passando pelas duas, a ponta lhe indicará o norte.
-Ainda parece com algo que temos na cozinha.
-Tudo bem. Que tal aquela ali? – mostrei a ele outra constelação, à nossa extrema esquerda.
-Depende.
-Depende de que? – girei um pouco a cabeça, com ele ainda atrás de mim, para poder vê-lo. Ele me surpreendeu, me beijando de leve os lábios.
-Depende de que constelação estamos falando – respondeu.
-Estamos falando de Centauro – ensinei. – Aquele seria Quiron, professor de Hércules e outros heróis da mitologia.
-Centauros são muito tediosos – sentenciou. – Vivem falando através de enigmas!
-E eu costumava pensar que você gostasse de desafios – provoquei.
-E gosto. Mas um desafio só é atraente quando há a possibilidade de se ganhar alguma coisa – disse ele, tocando os fios do meu cabelo enquanto eu evitava olhar para ele. Eu estava rindo. -E o Cruzeiro do Sul? – questionou.
Demos alguns passos, procurando-o.
-Ali.
-Até que enfim – sentenciou.
-Até que enfim, o que? – interroguei.
-Até que enfim uma constelação que se parece com alguma coisa.
Nós rimos.
-Proponho um desafio, Senhor Malfoy – falei.
-Que desafio? – seu interesse era palpável. Draco não conseguia resistir a um desafio mesmo que não ganhasse nada com isso. E eu queria provar essa teoria.
-Desafio você a me dizer o nome de duas constelações. Minha escolha.
Ele me fez ficar de frente para ele, enquanto recuava alguns passos, me levando presa em um abraço firme.
-E o que eu ganho com isso? – perguntou ele.
-O que você quer? – retruquei.
-O que você está disposta a me dar? – insinuou. Ele tinha aquele charme natural e um modo de dizer às coisas que o fazia parecer sexy mesmo não estando em seu estado normal.
Pensei por um momento.
-Qualquer coisa – respondi. Havia muito pouco que ele poderia me pedir que eu não faria de bom grado. E, menos ainda, que ele pudesse querer que já não tivesse ou conseguisse sozinho. Os riscos eram mínimos.
-O que eu quiser? – perguntou, encostando o nariz provocativamente no meu.
-O que você quiser – respondi.
-Muito bem – aceitou ele. – Pode escolher.
Ele voltou a me virar de costas para ele, seu corpo ainda próximo o bastante para me causar um leve tremor.
Mas eu já tinha escolhido.
-Essa – apontei. – E aquela.
-Valendo? – me perguntou.
-Valendo – assenti.
Ele me fez virar para a primeira.
-Essa, Senhora Malfoy, é Leo. Tem esse nome porque lembra a forma de um leão. Bastante irritante tê-la escolhido, uma vez que o leão é o símbolo da casa de Gregory Griffindor em Hogwarts. A estrela brilhante no lado direito é "Régulus" ou "Corleonis", que quer dizer "coração de leão"; e tem esse nome porque fica onde seria o coração do leão recurvado.
Ele parou por alguns segundos, me olhando com uma superioridade fingida, e me fazendo girar em direção à segunda constelação.
-Aquela, por sua vez, é Hydra - continuou - e lembra uma serpente, símbolo da valorosa e extraordinária casa de Salazar Slytherin em Hogwarts. Na mitologia, uma Hydra tinha nove cabeças, mas essa tem apenas uma. A estrela mais brilhante, ao lado da Hydra, é "Alphard", que quer dizer "solitária". Mas também pode ser chamada de CorHydra.
-Seus conhecimentos de Astronomia são impressionantes – fingi assombro. - O que me leva a uma pergunta óbvia.
Draco sorriu, presunçosamente.
-E que pergunta seria essa? – questionou. Ele me puxou para mais perto, como se ainda houvesse algum espaço entre nós.
-Porque me ludibriar, me fazendo crer que não conhecia estrela alguma? – estreitei os olhos, como se o estivesse ameaçando.
Seus lábios tocaram os meus. Mas ele não me beijou.
-De que outra forma eu desviaria sua atenção? – ele retornou pergunta.
-Desviaria minha atenção de que?
-De sua surpresa.
Havia uma brisa morna e suave, que fazia com que os fios soltos do meu cabelo fizessem cócegas no meu pescoço. Estávamos onde costumavam ficar os bancos do jardim, e uma centena de velas se acenderam sozinhas, nos iluminando.
Ali, onde os carvalhos deveriam estar, havia um cenário inesperado.
Havia ipês amarelos e roxos no lugar dos carvalhos, formando uma espécie de redoma, embaixo da qual estava a nossa cama. As velas flutuavam no ar, presas unicamente por mágica, dançando em movimentos ondulares sob a brisa. O cheiro de primavera das flores, juntamente com o ar morno, me lembrava do cheiro da minha infância.
-Feliz Aniversário, Ginevra – Draco sorriu para mim.
-Aniversário? – comecei. –Não...
Faltavam três dias para o meu aniversário. Mas me lembrei que Draco ficara de cama três dias...
-Que dia é hoje? – perguntei.
-Treze de Outubro – ele me respondeu, parecendo se divertir com o fato de eu ter esquecido meu próprio aniversário. Eu estivera tão ocupada, que mal havia notado o tempo passando.
-Merlin – sorri, enquanto ele me abraçava. – Hoje é mesmo meu aniversário!
-Parabéns – ele me congratulou.
-Finalmente – ri.
-Finalmente... – quis saber.
-Posso ficar bêbada em lugares públicos e ser presa por comportamento inapropriado – zombei.
-Me avise se estiver realmente planejando ir para Azkaban – anunciou ele. – Pretendo reservar a melhor suíte para nós.
-Nós? – perguntei, perdendo um pouco do humor enquanto meu estômago se contorcia de maneira inesperada.
-Sou seu marido, agora. Não está planejando se divertir sem mim, está?
-De forma alguma.
Ele voltou a se aproximar, de uma forma que me deixava nervosa. No bom sentido, mas ainda assim nervosa. Não sei por que eu estava reagindo assim.
Parei para observar a vista. Era de tirar o fôlego.
O chão estava forrado de flores, o céu estava forrado de estrelas, e nossa cama estava cercada por centenas de velas acesas. A roupa de cama, de um tom champanhe, parecia reluzir levemente. Não havia sinal de chuva.
Nós teríamos uma noite inteira só para contar estrelas.
A criatividade e a inventividade de Draco sempre me surpreendiam.
Ele estava atrás de mim. Eu podia sentir sua respiração, tão próximo ele estava. Ao lado da cama, amarrado ao imenso tronco de um ipê, estava um laço vermelho feito com primor.
-Eu ganhei um ipê, de aniversário? – brinquei.
Me virei para ver sua expressão, e só então notei que Draco havia me distraído muito mais do que eu havia lhe dado crédito.
Uma centena de metros à frente, quando as árvores acabavam, a terra se inclinava perigosamente para baixo. Havia um rochedo, e eu podia ouvir o quebrar das ondas nas pedras. Me virei mais para a esquerda, tentando confirmar com os olhos o que meus ouvidos já haviam me garantido, e estanquei. A Torre Eiffel havia desaparecido.
Tudo o que eu podia ver era a água escura, refletindo o céu como um espelho. Eu podia dizer que uma construção grande e escura estava às nossas costas, mas longe demais para que eu divisasse os contornos. Havia nossa cama, e as flores.
Havia o mar abaixo, e o céu acima. E havíamos nós.
Draco se aproximou de mim, e segurou meu rosto entre as mãos.
-Feliz aniversário – repetiu, dessa vez com uma intensidade diferente.
-Draco? – chamei, quando seus lábios ficavam perigosamente perto dos meus.
-Sim.
-Onde estamos? – questionei.
Seus lábios se curvaram minimamente.
-Ainda não dei um nome. Mas estou pensando em chamar de "Ilha Ginevra" –respondeu.
-Vocêcomprou uma ilha? – soei um pouco indignada. Tentei dar um passo para trás, mas ele me impediu.
-Não.
-Então... – incentivei.
-Eu te dei uma ilha. É diferente.
-"Ilha Ginevra"? – resmunguei.
-É seu presente. Pode chamá-la de "Ginevralândia" se quiser.
– Esse nome é horrível! – acusei. - Você é insano... e sem limites.
Mas ele sorriu.
-Você sabia disso antes de se casar comigo, Senhora Malfoy.
Então ele envolveu meu lábio inferior com os seus, me impedindo de protestar.
Simmons´ POV
Eu sabia que não deveria ficar olhando para ela dessa forma.
Mas era impossível não olhar.
-Aparentemente – respondi – está tudo bem.
Sua mão pressionou o braço do marido, e ela sorriu para ele.
-Porque aparentemente? – ele me questionou.
Eu podia sentir a hostilidade vindo dele pelo outro lado da mesa.
-Suas respostas ao tratamento são adequadas, Senhor Malfoy. Tudo dentro do esperado. Mas ainda há alguns exames que preciso que faça. Antes que eu possa dar uma resposta definitiva.
-Mais exames? – protestou ele.
Eu entendia sua aflição. O que vinha pela frente não seria nada agradável.
-Receio que sim.
Levantei da mesa, e comecei a recolher os materiais que necessitaria para a coleta de líquidos e amostras do exame. Ouvi sua voz, calma e gentil, e muito baixa.
-Você vai ficar bem – assegurou ela.
-Infelizmente, Senhora Malfoy – me virei para ela, encarando seus olhos castanhos – terei que pedir que se retire.
Ela assentiu uma vez, e se levantou. O vestido dourado fazia com que ela adquirisse uma aura de contos de fada. Ela parecia encantada.
Havia alguma coisa nela...
-Quero que Ginevra fique – ordenou ele.
-Draco – interrompeu ela – está tudo bem.
-Não. Quero saber porquê não pode ficar aqui – e ele me lançou um olhar de afronta, me desafiando a dizer que ela dispersava minha atenção. Que eu me sentia atraído por sua esposa.
-Porque, Senhor Malfoy – eu não confessaria que me sentia atraído por ela – vamos coletar material de alto contágio. Isso ofereceria risco para a saúde de sua esposa.
Ele iria protestar novamente, mas uma leve batida na porta nos interrompeu.
-Doutor Simmons – era Claire, enfermeira chefe. – Preciso que a Senhora Malfoy assine os Termos de Responsabilidade para que eu possa liberar o medicamento. Acha que poderia dispensá-la?
-Claro – respondi.
-Eu volto logo – disse ela, soltando-se da mão do marido, à qual afagou discretamente.
-Por aqui, Senhora Malfoy – disse Claire, guiando-a para fora da sala.
Quando a porta se fechou, Draco Malfoy se sentiu livre para despejar sobre mim seu olhar mais frio, ameaçador e hostil.
Mas não disse nada. Na verdade, não emitiu som algum enquanto eu coletava o líquido gorduroso e amarelado de seu cóccix, apesar de a perfuração ser grande e delicada e de ser um procedimento bastante doloroso. Ou enquanto fazia os exames de raio-x. Ou enquanto injetava medicamentos experimentais em suas veias.
Etiquetei as amostras para enviar ao laboratório, sentindo seu olhar em minha nuca todo o tempo.
-Acabou? – questionou ele.
-Sim, Senhor Malfoy – respondi. – Devo ter os resultados no fim da semana que vem.
-Ótimo.
-Pedirei à uma das recepcionistas que lhe enviem uma coruja, avisando-o.
-Que seja – retornou ele, com desprezo.
Ele já tinha se levantado, e vestido a camisa. Caminhava para a porta, prestes a sair, quando o detive.
-Senhor Malfoy – chamei-o. Ele se voltou para mim, mas não disse nada. – Talvez queira levar isso.
Estendi o envelope, com todos os exames dentro.
-O que é? – perguntou, desconfiado.
-São os exames da Senhora Malfoy.
Seus olhos instantaneamente adquiriram um brilho diferente.
-Quais exames? – quis saber.
-Os exames pré-nupciais. E também os testes de fertilidade.
Ele abriu o envelope e passou os olhos pelos papéis. Sua expressão não denunciava nada; embora eu imaginasse que ele não sabia que sua esposa havia me solicitado tais exames, pelo nível de sigilo que eles pareciam exigir todo o tempo.
Ele levantou uma sobrancelha para mim, seu rosto sem trair nem mesmo minimamente o que ele poderia estar pensando.
- Qual seu parecer? – perguntou, com menos hostilidade do que apresentava alguns minutos antes.
-A saúde de sua esposa não foi comprometida pelas doações de sangue, e todos os exames indicam que ela está muito bem.
-E os testes de fertilidade? – questionou ele.
-Os resultados são bons. Eu diria que o Senhor e sua esposa tem oitenta e cinco por cento de chances de terem uma gravidez sem riscos, com uma criança saudável.
Nem mesmo assim seu rosto demonstrou emoção alguma.
-Porque não cem por cento?
-Eu não poderia dar cem por cento para ninguém, Senhor Malfoy. Há sempre um fator desconhecido que pode gerar uma gravidez de risco, ou uma criança com algum distúrbio ou função incomum, como um "aborto". Mesmo que as condições sejam perfeitas, ainda assim não posso garantir cem por cento. Mas oitenta e cinco são chances muito boas.
-Porque não noventa e cinco, então? – questionou.
Eu sabia que ele tinha motivos para querer saber. Ele tinha razão. Mas eu não queria falar; não queria, porque eu sabia que não haveria como fazê-lo desistir da ideia. Era a vida dele.
-Sua esposa é muito jovem, Senhor Malfoy – concluí.
-E... – instigou ele.
Suspirei. – O corpo feminino termina de se desenvolver por volta dos vinte e um anos. Isso quer dizer que o corpo de sua esposa ainda não passou por toda a fase de desenvolvimento, e que ainda não está inteiramente pronto para a concepção.
-Mas acabou de dizer que ela está saudável – me acusou ele.
-E está. Mas isso não quer dizer que, com uma gravidez precoce, as funções se desestabilizem e gerem algum fator de risco.
-De quais riscos estamos falando? – eu tinha capturado plenamente sua atenção.
-Não há como prever. Mas o corpo pode não aceitar o feto, causando um aborto espontâneo, por exemplo. Pode acabar colocando a vida de sua esposa e de uma criança em risco, Senhor Malfoy.
-Está me dizendo, então, que eu deveria deixar de tentar? Que Ginevra corre risco de vida caso conceba um filho meu? – seu tom de voz não aumentou sequer minimamente, mas ele parecia prestes a avançar sobre mim.
-Estou apenas deixando-o consciente de um risco possível. Mas, espero, não provável.
Draco Malfoy se levantou e abriu a porta sem olhar para mim.
-Tenha uma boa tarde, Doutor Simmons – disse.
-Igualmente – me forcei a responder.
Draco´s POV
Havia um turbilhão em minha cabeça.
Eu não conseguia assimilar completamente as várias emoções que me envolviam quando eu estava com Ginevra.
Depois de três dias miseráveis, nos quais eu mal me mantinha acordado, eu finalmente me sentia melhor. Mas havia um efeito colateral em me sentir melhor.
Eu me sentia dolorosamente consciente do quanto eu queria tocá-la.
Ia além do desejo pelo seu corpo bem desenhado. Ia muito além. Nos três dias em que a dor e a febre me consumiram, seu toque era a única coisa que queimava mais do que o líquido viscoso em minhas veias.
Enquanto me remexia sobre os lençóis, com a pele queimando e a garganta seca, tentando com todas as minhas forças não demonstrar a dor e o medo que sentia, era o seu toque que me trazia de volta a razão e o bom senso. Era sua mão na minha testa limpando o suor do meu rosto, ou injetando lentamente a droga em meu pescoço, que me fazia ficar forte. Aguentar o melhor que eu podia.
E, mesmo com a dor, mesmo com a febre, eu queria tocá-la. Queria beijar seus lábios. Queria envolve-la, e assistir enquanto ela penteava o cabelo.
Agora, que estava melhor e podia fazer tudo isso, eu a desejava com tanta intensidade que temia assustá-la.
Porque, com certeza, me assustava.
Eu não era romântico. Nunca pensei que, um dia, acordaria e encontraria a pessoa perfeita, e que viveríamos felizes para sempre. Sempre soube controlar meus impulsos. Mas havia algo nela que me surpreendia. Que me excitava. Que não permitia que me afastasse dela.
Admiração, talvez?
Eu não a amava. Não, eu não acredito que a ame. Talvez, algum dia, com a convivência, mas ainda não havia amor. Nos conhecíamos a muito pouco tempo. Mas eu me sentia confuso em relação a ela.
Eu a desejava. Ela era linda e sedutora, e desejá-la era natural a qualquer homem. Eu a queria por perto. Ela estava se tornando minha amiga - uma amiga que, convenientemente, me satisfazia também na cama – mas cuja presença me deixava mais leve e contente. Eu a admirava, por concentrar todas as habilidades e características que eu tinha procurado numa mulher ideal, e que jamais pensei que encontraria de verdade. Mas, ainda assim, tinha alguma outra coisa que eu não sabia bem o que era...
Segurei seu lábio inferior entre os meus, sugando levemente. Observei-a abrindo os olhos castanhos devagar, os cílios longos e curvilíneos, sua pele clara e macia, suas bochechas nas palmas de minhas mãos.
Talvez um dia eu a amasse.
Se eu fosse, em algum futuro, distante ou próximo, me apaixonar ou amar alguém, como meus pais se amavam, não seria nenhuma outra pessoa que não ela. E, para minha surpresa, percebi que essa possibilidade não me assustava, como teria acontecido antes; porque Ginevra me complementava de tal maneira que o amor, se meu amor, fosse dedicado a ela, não seria uma fraqueza. Não iria me quebrar e destruir, como eu imaginava que o amor fazia com as pessoas.
Vi tudo isso em seus olhos.
Ela sorriu para mim.
-Porque, mesmo, eu preciso de uma ilha? – ironizou.
-Bem...ser casada com o herdeiro Malfoy tem que ter suas vantagens – disse. Envolvi sua cintura e a puxei para mais perto de mim, apreciando secretamente como seu corpo se encaixava perfeitamente ao meu. Como se tivesse sido projetado para permanecer assim, avançando onde o meu recuava; recuando onde o meu avançava.
-Preciso rever o contrato. Ninguém me avisou que haveria vantagens... – riu ela.
-Além disso – falei, sentindo seu hálito suave em meu rosto. – esse é o propósito dos presentes, não? Serem desnecessários! Se você precisasse de uma ilha, então não seria um presente. Eu estaria satisfazendo uma necessidade sua.
-Uma necessidade bem cara – sua voz estava se tornando rouca, e isso me deixava mais excitado.
-Nada é caro para você – respondi.
Eu gostava de ficar assim. Ter seu rosto entre minhas mãos, os fios soltos de seu cabelo esvoaçando à nossa volta, arrepiando minha pele quando tocavam acidentalmente em mim.
Eu estava nervoso.
Ansioso e inseguro, na verdade. Eu a desejava. E, ao mesmo tempo, tinha medo de não conseguir saciar esse mesmo desejo. Tinha medo de que meu corpo estivesse fraco demais; tão fraco quanto meu sangue.
Voltei a envolver seus lábios, com mais gentileza do que anteriormente. Seus olhos se fecharam imediatamente, os cílios longos quase tocando sua bochecha; mas mantive os meus bem abertos, me maravilhando com sua presença ali.
Ela se deixou ser beijada demoradamente. Enquanto sentia o sabor dos seus lábios, a sua pele entre meus dedos, a sua respiração na minha boca – como se fosse minha própria respiração – eu podia esquecer que estava doente.
Passei minhas mãos pelos seus braços, descendo, até sua cintura. Depois, com delicadeza, desfiz o laço de seu penhoar. A seda deslizou por sua pele, arrastada pelo vento.
Toquei a pele dos seus ombros, sua clavícula e seu pescoço. Senti o toque frio do colar que ela usava – o colar que eu lhe dera.
Seus olhos se abriram, e inspecionaram os meus.
Desamarrei meu robe, e deixei-o em um movimento único. A brisa cálida me envolveu, assim como envolvia também a ela. Eu estava sem camisa, o peito exposto, mas isso não pareceu incomodá-la. Minha forma decadente não parecia desagradá-la. Ela colocou a mão em meu peito, do lado esquerdo.
Enquanto sentia minha pulsação, passei o dedo sobre a linha de metal em seu pescoço.
-Draco... – chamou.
Eu gostava da maneira como ela dizia meu nome. Sorri ligeiramente.
-Sim - respondi, percebendo que ela não era a única cuja voz estava rouca.
-Eu não acho que seu coração seja negro – sentenciou.
Eu não esperava essa declaração.
Meu corpo pulsava de desejo por ela. Passei a mão pelos seus cabelos, pela sua coluna... tentando encontrar em seu corpo as respostas para questões que eu ainda não compreendia.
-E se for? – questionei. Rouco, dessa vez, de apreensão.
-Não é – assegurou-me ela. Parecia certa do que dizia.
-Mas, e se for – perguntei, a ansiedade dobrando minha pulsação.
-Sem trevas... – ela começou. Esperei, ansiosamente, que ela completasse o pensamento. – Não há luz.
-O que isso quer dizer? – questionei.
-Quer dizer que vamos encontrar alguma luz.
-E se, ao invés disso – comentei, sentindo o toque suave da seda de seu decote nas pontas dos meus dedos – seu coração se tornar negro como o meu?
Coloquei a mão direita, muito levemente, sobre seu seio esquerdo. Sua pulsação também estava alterada. Ela baixou levemente os olhos, enquanto considerava.
Minha mão envolvia perfeitamente seu seio.
Permanecemos, ambos, sentindo a pulsação um do outro, enquanto ela deliberava. Uma pequena ruga apareceu, graciosamente, entre suas sobrancelhas.
-Então – voltou a erguer os olhos, me encarando com convicção. – Viveremos nas trevas.
Durante alguns minutos, permaneci em meio ao caos de meus sentimentos. A conversa que eu tivera com Doutor Simmons, três dias antes, não deixava minha cabeça. Minha ânsia de viver poderia por em risco a vida e a saúde de Ginevra, embora eu não acreditasse muito nisso. Eu poderia, se sobrevivesse, infectá-la com a escuridão que, algumas vezes, eu sentia emanar de mim. Mas, ainda assim, ela tinha essa coisa que me puxava para ela.
Ela viveria nas trevas comigo. Ginevra não era o tipo de bruxa que fazia promessas irrefletidamente. Ela jamais prometeria algo que não tivesse certeza de que poderia cumprir. Ela sabia o que estava fazendo.
E, ainda assim, o fazia. Com simplicidade.
Acho que era isso. A simplicidade com que ela via o mundo, a simplicidade com que ela admitia que havia trevas; e que poderia ser contaminada por elas – era isso o que me mantinha convertido à ela.
A simplicidade de aceitação de que havia trevas e luz, e que poderíamos viver com ambos dentro de nós.
Ela arfou quando a pressionei contra mim. Não havia espaço entre nós, mas eu a queria mais perto.
Sua coluna estava curvada sob meu braço. Sua camisola roçando em meu peito. Eu a queria tanto que parecia arder em minhas veias. Eu já não tinha dúvidas de que conseguiria levar isso até o final.
Em um movimento rápido, passei o braço sobressalente sob seus joelhos e a ergui. Ela não gritou, mas inspirou, surpresa, pela boca, em um protesto quase silencioso. Seus olhos me alertaram sobre o excesso que eu estava cometendo, preocupados. Mas era para isso que eu me submetia a esse tratamento infernal.
Para poder cometer excessos nos momentos que me sobravam.
Coloquei seu corpo quente sobre a cama, sentindo o colchão se moldar ao nosso peso dobrado enquanto me posicionava sobre ela. Eu já não queria controlar meus instintos. Não podia manter minhas mãos, ou meus lábios, longe dela. Meus dedos se enterraram em sua carne, enquanto eu curvava sua perna para poder ter maior contato com seu corpo. Enquanto seu corpo se encaixava ao meu como se fossemos duas peças do mesmo quebra-cabeças. Seus suspiros foram abafados pelos meus lábios.
Beijei sua mandíbula, seu pescoço, sua clavícula, e o adorável espaço entre seus seios. Meus músculos se retesaram com a tensão, mas não lhes dei importância. Meus lábios se ocuparam com a pele de seu colo, enquanto minhas mãos se livravam do tecido fino de sua camisola. Parei, por um segundo, para observar sua pele uniforme sob a luz das estrelas.
Ajoelhado sobre a cama, vendo seus cabelos se esparramarem em meus travesseiros, decidi que essa era uma visão mais bonita do que o céu noturno. Eu não precisava contar estrelas, quando poderia contar as pequenas sardas em seu colo.
Ela, por sua vez, me pareceu tão segura quanto da primeira vez. Não se constrangeu enquanto eu analisava seu corpo com cobiça evidente, tampouco tentou evitar que eu a cobiçasse.
Estendeu o braço, e tocou meu rosto, como eu fazia com ela.
-Draco – chamou. Fechei os olhos.
Sorri, novamente, ao som do meu nome.
-Sim – respondi.
Me apoiei sobre os cotovelos, enquanto reduzia novamente a distância entre nossos corpos. Senti a pele quente de sua barriga sobre meu polegar, acariciando-a em círculos. Olhar nos seus olhos, de perto como eu fazia, me dava a falsa sensação de que eu podia ler sua alma.
Falsa porque, claramente, era ela muito melhor nisso do que eu.
-Você sabe... – começou.
Diante de sua hesitação, assumi que ela estava preocupada que essa noite extinguiria minhas forças. Discutir isso era algo que me faria sentir mais fraco e irritado do que eu já me sentia. De forma que a impedi, beijando-a.
-Não quero falar sobre isso – pedi, quando deixei seus lábios.
Ela sorriu.
-Como sabe do que estou falando? – questionou.
-Do que está falando? – retruquei.
-Eu ia lhe perguntar se está esquecendo que ganhou uma aposta – respondeu. Embora meus lábios estivessem tão próximos dos dela, que dificultava a minha compreensão.
-Eu nunca esqueço uma aposta – respondi, em seus lábios.
Sob meus dedos, seu corpo ganhava forma como se eu o estivesse moldando.
-E eu nunca deixo de pagar uma aposta – exalou ela, dentro da minha boca. Era como se eu pudesse beijar cada uma de suas palavras. – Desconfio que saiba o que vai pedir.
-Sim. Sei exatamente o que eu quero – devolvi.
-E o que você quer? – perguntou, satisfazendo meus instintos mais infantis quando sua voz falhou no final.
-Eu quero você – respondi, roubando seus lábios só para mim.
Ela sorriu, com os lábios que eu tentava roubar.
-Do meu ponto de vista – sussurrou – você já me tem.
-Não – respondi, pressionando a pele de sua coxa com força desnecessária.
– Não? – Voltou a perguntar.
-Eu quero você. Quero que me dê um filho.
Era a primeira vez que eu pedia, em voz alta.
Seja o que for que ela viu em meus olhos, fez com que ela assentisse lentamente. Observei, enquanto ela engolia em seco.
Então, a penetrei.
Ginevra´s POV
A claridade da manhã me acordou.
Draco ressonava calmamente.
Ele estava completamente enroscado em mim, como se quisesse evitar que eu fugisse. Suas pernas estavam entrelaçadas às minhas, seu corpo tão próximo ao meu que eu podia sentir suas costelas em minhas costas; e o braço direito me envolvia o tronco, os dedos entrelaçados aos meus dedos.
Esperei que ele acordasse. Ou tentei.
A verdade é que essa era uma manhã magnífica, e eu queria ver o que havia ao nosso redor. Eu podia ver a luz do sol refletindo na água à distância, uma água tão verde que me cegava. Eu queria me levantar e caminhar, explorar o território. Mas não podia fazer isso sem acordar Draco.
Sua respiração calma deixava a pele da minha nuca mais sensível.
Devo ter esperado durante dez ou quinze minutos. A proximidade não era ruim, mas aquele tempo todo acordada sem poder me mover me pareceu uma eternidade. Tentei soltar os dedos, lentamente, dos seus, e senti sua risada em meu cabelo.
-Parece que temos alguém impaciente esta manhã – riu ele.
Me senti trapaceada.
-Há quanto tempo está acordado? – perguntei, sem me virar.
-Quarenta minutos – respondeu.
-Humpf – emiti. Ele voltou a rir.
Senti seus lábios quentes em meu pescoço, descendo pelo ombro. Minha pele se arrepiou.
-Parece que temos alguém de muito bom humor essa manhã – zombei.
Ele riu, apenas uma expiração contra a pele das minhas costas.
-Acordar ao lado da mulher mais linda da Grã-Bretanha faz isso – disse ele, virando meu corpo rapidamente para cima, enquanto se colocava acima de mim. – Além disso, essa é uma manhã muito bonita.
Sorri para ele, enquanto notava, com timidez, que meu corpo começava a corresponder a cada pequeno toque dele. Meu estômago se agitou.
-Com fome? – perguntei.
Seus olhos se acenderam.
-Sim – respondeu.
-Me pergunto o que encontraremos para comer no castelo – indiquei com os olhos a grande construção de pedras acinzentadas atrás dele.
Draco sorriu. Seu humor parecia radiante, hoje.
-Me acompanhe, por favor – disse, saindo de cima de mim. Meu estômago pareceu afundar.
Draco se levantou e colocou a calça de seu pijama em um movimento só. Depois, com uma mão, me ajudou a levantar. Ficar de pé, completamente nua sob seu olhar, me deixava um pouco constrangida. Mas eu me impedia de recuar e me cobrir a cada vez. Eu sabia que isso o ofenderia.
Draco me estendeu meu penhoar, e me virei de costas para ele. Enquanto ele subia a seda pelos meus braços, suas mãos roçaram todo o cumprimento das minhas costas. Era proposital, e eu sabia disso.
Eu queria que ele me tocasse. Cada vez mais.
Eu tinha acordado comigo mesma, de maneira informal e inconsciente, que Draco e eu apenas perpetuaríamos o nome Malfoy. Que teríamos o herdeiro que salvaria sua vida. Desejar que ele me quisesse dessa forma parecia errado.
Deliciosamente errado.
Usando apenas o penhoar, amarrado em minha cintura, eu me sentia estranhamente vulnerável e exposta. A brisa fresca moldava a seda ao meu corpo, e era possível ver cada pequeno detalhe como se eu estivesse ainda nua. Além disso, grande parte das minhas pernas ficavam de fora enquanto eu caminhava, descalça, na grama; e, sem nada por baixo, o penhoar oferecia uma visão muito acentuada do meu colo, interrompida apenas próximo ao meu umbigo.
Draco me puxava pela mão, sem se importar em usar apenas sua calça de pijama. Não era tão revelador quanto o tecido que me cobria, mas tampouco era adequado.
O sol era morno, e o dia claro e fresco.
À nossa frente, se erguia um castelo imponente de aparência bastante medieval. Mas, em contrapartida, nada depressivo. As grandes pedras cinzentas, de aspecto rústico, perdiam um pouco de sua melancolia diante das trepadeiras verdes e outras flores indistintas que cobriam grande parte das paredes externas.
Draco e eu paramos em frente às grandes portas duplas.
-Draco, é lindo! – exclamei.
-Seu palacete de verão, Minha Senhora – anunciou, todo cerimonioso, fazendo uma leve mesura e indicando que eu deveria ir à frente.
-Draco... – me constrangi. – Não estamos adequadamente vestidos.
-Somos Malfoys. Estamos sempre adequadamente vestidos – replicou ele. Mas seu olhar recaiu sobre meu decote.
Sorri, o mesmo sorriso torto que ele muitas vezes me direcionava. Para que ele provasse um pouco de seu próprio veneno.
-Quero dizer que estou preocupada que possamos encontrar alguém – expliquei.
-Pensei que me conhecesse um pouco melhor, Ginevra – disse ele, abrindo a porta com um olhar sedutor. – Jamais permitiria que outro homem tivesse uma visão tão privilegiadamente minha.
Ele se aproximou de mim, acariciando a seda.
-Tem certeza de que não há ninguém aqui para nos ver? – perguntei.
-Só existem duas pessoas pelas próximas quinhentas e sessenta milhas – respondeu ele, aproximando os lábios dos meus – e, convenientemente, as duas estão bem aqui.
Sorri, enquanto ele me beijava.
O lugar era lindo. Fresco e seco, nada do frio úmido de Londres. Tinha três andares, e do último andar podíamos ver milhas e mais milhas de água verde como turmalina, e a areia branca da praia – e mais nada.
Apesar da maravilha do local, Draco não me enganou. O lugar estava sendo reformado, e haviam centenas de tijolos, areia, pedras e outros matérias nos fundos; do lado oposto ao qual passamos a noite. Mas aquela não era uma reforma convencional.
O palacete estava sendo transformado em um local altamente protegido.
Situado a centenas de metros acima da praia, o castelo ficava sobre um penhasco particularmente acidentado e recoberto de pedras pontudas. No lado oeste, algo muito parecido com um fosso estava sendo cavado, profundo o bastante para ser escuro e eu não poder ver o fundo.
De que Draco tinha tanto medo?
Mas o dia agradável, e o humor cálido e bem disposto de Draco dissiparam estas preocupações de minha mente.
-Eu nunca havia visto um mar tão verde – murmurei.
-Ainda há muito para vermos – Draco sorriu, acariciando minha mão presa à sua.
-Onde, no mapa mundi, estamos? – perguntei, enquanto atravessávamos os quartos ainda desocupados do castelo.
Ele ergueu uma sobrancelha para mim, diante de minhas perguntas tão específicas.
– Muito perto da Grécia – respondeu. – Em território, geopoliticamente aceito como grego.
E eu era específica demais.
Voltamos a sair pela porta da frente. Mas eu queria ver o mar. Queria sentir a areia, e a água molhando meus pés. Ele percebeu meu desejo antes que eu tivesse a chance de verbalizá-lo.
-Quer ir até lá? – perguntou
-Eu adoraria – sorri para ele.
Ele soltou sua mão da minha. Encarei-o, confusa.
Não havia como atravessar até a praia à pé. Estávamos metros e metros acima, e não havia ponte ou outra passagem qualquer à vista.
-Eu não... – comecei. Mas ele me interrompeu.
-Porque não aparata lá? – piscou ele para mim.
Levei um segundo para me lembrar. Oficialmente, eu agora tinha dezessete e já podia aparatar. Mas, oficialmente, eu não tinha aparatado antes.
-Não pense sobre onde está, ou onde quer chegar. Pense que está lá. Foque em um ponto específico – disse ele, sua voz bem próxima ao meu ouvido. – E, quando estiver pronta, gire o corpo...
O calor de seu corpo desapareceu juntamente com sua voz. Pisquei os olhos a tempo de vê-lo se materializando bem próximo à água. Ele ergueu o braço esquerdo, acenando para mim.
Ergui o braço direito, sinalizando que o havia visto, e que iria tentar.
Foquei vinha visão no espaço exatamente à frente de Draco. Imaginei seu sorriso quando eu conseguisse me materializar à sua frente, e a maneira com que ele diria "sabia que conseguiria" ou qualquer coisa similar. Eu me sentia pronta, prestes a aparatar.
Então, algo captou minha atenção. Um punhado de grandes pedras brancas, formando um tipo de piscina natural dentro do mar, isolando aquela porção de água das ondas. Desviei os olhos por meio segundo, mas foi o suficiente para arruinar tudo.
Soube que havia errado quando senti a água me envolver até quase o pescoço.
Procurei Draco com os olhos. Ele também estava me procurando. E sorriu ao me encontrar.
Comecei a caminhar em sua direção, e vi que ele também se aproximava. Acho que ele deve ter perdido a paciência, porque aparatou imediatamente ao meu lado. A água estava pouco abaixo dos meus seios.
-Muito bom para uma primeira vez – disse ele, rindo.
Me aproximei até estar colada a ele, e girei os olhos diante de seu otimismo. Ele passou as mãos pela minha cintura, me prendendo a ele.
-Melhor que isso, só se eu tivesse aparatado à cinco mil pés da superfície – constatei.
-Mas você conseguiu – disse ele – e não se machucou.
-Ufa – emiti, com sarcasmo.
Caminhamos juntos e em silêncio até a borda. Aquela era, como eu havia imaginado, uma espécie de piscina natural. Não havia ondas ali.
Há poucos centímetros do fim da piscina, acho que tropecei. Meu corpo girou no ar, e eu caí de costas na areia, arrastando Draco comigo. Mas eu havia caído suavemente demais, e o sorriso de Draco era demasiadamente condescendente para que eu levasse essa queda à sério.
-Ops – disse ele.
Meus lábios foram atacados com fúria.
Toda a suavidade e o carinho da noite passada deram lugar à uma coisa mais forte e mais urgente. Senti a areia se deslocando embaixo de mim, enquanto Draco me pressionava com força. Enrosquei meus pés em suas pernas, impedindo-o de recuar, enquanto o trazia ainda mais para junto de mim.
Segurei seus cabelos em minhas mãos, com força, procurando uma forma de sua boca se encaixar ainda mais à minha, nossas línguas se encontrando e se procurando com força. Ele apertou meu quadril com os dedos, me machucando. Senti que eu teria um hematoma ali, e gemi.
Isso pareceu incentivá-lo mais.
O ouvi murmurar meu nome mais de uma vez, banhada pelo mar verde da Grécia e sob o sob brilhante de uma manhã sem nuvens.
Chegamos à Paris tarde demais para tomar café, e cedo demais para o almoço, de forma que providenciei junto aos Elfos um brunch.
Enquanto Draco tomava banho e se livrava do sal, eu me troquei. Coloquei um vestido leve de algodão branco, me admirando no espelho. Meus olhos estavam mais brilhantes e minhas formas mais arredondadas. Esperei que Draco se vestisse para que descêssemos juntos.
Ambos comemos mais do estávamos acostumados. Eu teria que tomar cuidado, ou acabaria engordando, mas me sentia faminta.
Passamos o resto do dia na biblioteca, Draco lendo o Profeta Diário enquanto eu revezava entre fazer as malas e ler um romance antigo.
Estava na hora de voltarmos para o mundo real.
N/A: Depois de um mês sem saber o que o termo "final de semana" queria dizer, eu estava pronta para postar esse capítulo no domingo.
Mas houve um incêndio, e o que pareceu uma queda de energia. Só depois é que eu descobri que o incêndio provocado por uma usina havia saído do controle e destruído toda a fiação de energia, deixando minha cidade e mais três na região sem celular, internet e luz durante um tempão. Infelizmente, moro em uma dessas cidadezinhas em que, se acaba a luz, levam uma semana para poder concertar. Queria morar no Japão.
Eles conseguem construir as muralhas em uma semana.
Mas, enfim, aqui estou eu. Não sou muito afeita a postar os capítulos durante a semana (talvez porque eu só consiga tempo para escrever e postar nos finds), mas achei maldade demais esperar até sábado. Eu gostei, particularmente, desse capítulo. Achei que ficou leve e um pouco engraçado, como eu queria, e é bastante difícil eu ficar satisfeita assim com algo que eu mesma tenha feito.
Então...o que acharam?
Antes de mais nada, vamos às reviews lindíssimas que eu recebi:
Madame Nutso: Ou Danii! Hahahaha Sua review é tudo que uma autora aspirante poderia querer receber na vida! Não há pontos de exclamação suficientes no meu teclado para expressar o quanto eu fico feliz cada vez que recebo uma review sua! Eu fico, literalmente, quicando na frente do pc.
Muito obrigada pelos comentários e pelos elogios. É extremamente difícil para mim manter o mesmo tom de narrativa de capítulo para capítulo, porque as vezes eu escrevo outros textos com tons narrativos diversos (como mais cômico, por exemplo) e tenho medo de contaminar a fic com um tom que não seja o que eu comecei. E sim, apesar do leve tom de tranquilidade e graça, a fic é um pouco sombria. Ginny e Draco estão apenas começando suas vidas. Muita água suja ainda vai rolar!
Eu uso os POVs alternados para que possamos ter um pouco da visão dos dois, e dos outros que os cercam (quando necessário) para que possamos ver as nuances e as transformações pelas quais as personagens estão passando. Não acredito que um casamento "forçado" resultaria em amor dois dias depois. E é isso que eu quero provar! E não se preocupe – Madeleine não é um risco. E ela não é páreo para a Ginny também (ninguém é páreo para a Ginny, convenhamos!).
Desculpe se exagero, mas ainda estou um pouco em choque com sua review maravilhosa! Ela me faz querer escrever mais, e melhor!
Ser professora é uma profissão full-time que me consome muito. As vezes, estou na balada, ou no supermercado, ou na sala de espera do dentista e dou de cara com um aluno meu me dizendo: " e aí, prof, corrigiu minha prova? Quanto eu tirei?". Eu simplesmente não consigo desligar o bastante para poder escrever. Chego em casa destruída, e vou direto para cama. Por isso demoro tanto para postar, mesmo em momentos críticos! Mas fico hiper satisfeita de saber que tem gente que acompanha o que eu faço mesmo com minhas super demoras e os erros ortográficos que eu só encontro depois.
Essa reply está imensa, mas só porque eu fico super empolgada com sua review! Bjos, e vou me esforçar para postar logo. I swear!
RavenaL: Siiiim. Sua citação traduz exatamente minha forma de pensar em relação à fic. Sei que demorei milhaaaares de anos para postar, e isso é uma coisa que me deprime! Mas não gosto de apressar (muito) as coisas, e postar capítulos que eu sei que são insatisfatórios ou que aceleram demais os acontecimentos a ponto de eles perderem sua "magia", ou os personagens perderem suas personalidades!
Quando comecei essa fic, ainda não tinha lido os dois últimos livros. Então, quando finalmente os li, travei. Não conseguia mais escrever, porque o que eu tinha em mente não condizia mais com a história e os personagens. Depois de um tempo em hiatus, no qual eu considerei realmente desistir, achei que a ideia ainda era boa e resolvi voltar a investir. Mas eu não tinha como continuar a história – porque o que eu havia visualizado já não condizia com o que aconteceu em Deathly Hollows. Então reescrevi.
Mas Ginny, Harry e Draco, apesar de eu tentar mantê-los fiéis o mais possível, tem personalidades alteradas na fic, seja pelas circunstâncias, seja porque estão descobrindo a si mesmos. Não teria lógica se eles se transformassem completamente do dia para a noite, sem uma justificativa coerente. Por isso, às vezes, me perco e preciso retomar. E isso leva tempo – o que eu não tenho.
Mas receber apoio tem uma magia inexplicável. Quando postei os dois capítulos, não esperava que ainda houvesse alguém para ler. Achei que todos já tinham desistido. Saber que vc não desistiu de esperar, apesar da minha lentidão, meio que me obriga a continuar, ao mesmo tempo que me estimula. Então, obrigada. Obrigada, mesmo! Capítulos mais emocionantes (no meu pov) estão por vir! E dessa vez, mais rápido, espero. Kisses.
Annie B. Malfoy: Muito obrigada pela sua review! Confesso que vivo uma história conflituosa com essa fic! Ao mesmo tempo que quero chegar logo aos capítulos que sei que virão só bem a frente, e que quero muito escrever, não quero termina-la. Sinto que vou ficar oca e órfã quando terminar. Mas acho que ainda vai demorar um bocado (pela velocidade com que consigo postar)! Então, não se preocupe. Vou tentar ser uma boa garota e postar um novo capítulo até o finde que vem! Bjoss e obrigada!
Renata K: Não prometi que não demorava...por que eu demorei! Mas, dessa vez, foi menos maldade minha do que minha vida conturbada mesmo. Quando fiquei toooooodo aquele tempo sem postar, eu não tinha a intenção de deixar ninguém esperando naquela parte [era crueldade que até o Tio Voldie não seria capaz!]. Eu já tinha metade do capítulo pronta quando havia postado o anterior. Mas não sei o que acontece com a minha vida! Sempre que eu consigo me programar para fazer algo decente (como postar um capítulo em tempo recorde!) acontece alguma coisa sobrenatural e me impede! Mas já estou trabalhando no próximo. Se nada acontecer nesse final de semana (cruzando os dedos), vamos ter capítulo novo no próximo. Muito obrigada pela sua review. Beijinhuss – e guarde as unhas! Kkkk
As Liz: não sofre nãããão! Kkkk
Também fico triste que o Draco esteja doente, mas as coisas vão melhorar para ele. Para ele e para a Ginny. Beijos, e muito obrigada por sempre deixar reviews lindas que alegram meu dia!
FefsMalfoy: Que bom que vc amou! Quando posto um capítulo, sempre acho que está bom. Mas daí, alguns dias depois, se volto a ler, acho que ficou péssimo, e quero me esconder embaixo da cama! Aí, quando recebo uma review linda como a sua, pedindo mais att eu penso: "deve ter ficado bom mesmo!". E corro para começar a escrever o próximo. Bipolar, eu sei, mas essa sou eu! Kkkkk Bjos e muito o brigada pela review!
Isa Potter: Oiii sua linda!
Me contorci de alegria quando li sua review! (de verdade). Eu é que tenho de agradecer – OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA! – por não ter desistido de esperar e me mandar para o inferno com passagem só de ida e sem reembolso. É claro que a família dela ainda vai voltar à cena, e eu também estou ansiosa para escrever essa parte. Tem dias em que sinto meu cérebro fervilhando de ideias, e fico super irritada por não poder sentar e escrever! Mas a vida é assim e não adianta reclamar [embora eu continue tentando, quem sabe um dia funcione!]. Posso demorar – e sei que isso é um saco – mas desistir jamais! Enquanto vc estiver aí para me mandar uma reviewzinha, nem que seja só um olá, eu vou estar aqui, sacrificando um sábado a noite ou deixando mais um punhado de provas acumulando para corrigir enquanto eu escrevo. Beijos e muito obrigada pelo apoio!
Stellinha 15: sou brasileira e preguiçosa, mas não desisto nunca!
Obrigada por aguardar tão ansiosamente o capítulo. Sei que demorei bastante. Na verdade, não esperava encontrar alguém que ainda estivesse querendo ler a fic. Saber que vc estava sempre atualizando e esperando eu postar me deu uma sensação quentinha aqui no peito! Então muito, MUITO obrigada! Eu só desistiria se ninguém quisesse ler o que eu escrevo.
Mary Weasley Malfoy: Te peguei! Hahaha
Nessa brincadeira, acho que me peguei também! Mas, em nenhum momento, me esqueci da fic; e sempre me cobrava por ser uma FDP por não atualizar. Às vezes, achava que não tinha ninguém para ler. Mas então eu pensava: "e se tiver?". E me chutava por deixar alguém esperando. Enfim, muito obrigada por esperar, e mais obrigada ainda pela sua review. Me faz querer continuar e continuar... Beijo beijo!
Nat King: Pára sua lindaaaa!
Todo confete e toda purpurina do mundo para vc! [todos os pontos de exclamação também!]
Alguns dias, quando estava muito corrido e eu tinha três trilhões de coisas para fazer, naquele minuto que eu queria chorar e chutar com força a bunda de alguém ao mesmo tempo, eu roubava alguns minutinhos e relia suas reviews! Tem dias em que me sinto insuportável e insignificante! Mas, aí eu leio uma review ou uma PM da linda da Nat King, me dizendo que sonhou com o enredo de To Hell ou que gostou do capítulo, e abro o maior sorriso colgate do mundo, achando que eu sou a JK Howling e que posso me sentar e tomar meu firewhisky que tudo vai ficar bem!
Deu para perceber que eu tbm não sou lá muito normal, né?
Mas, enfim. Não dá para explicar a força que uma reviewzinha, por mais simples e sintética que seja, tem sobre mim. Uma review linda como as suas então...me sinto inflando que nem um balão. Tem dias – como hoje, por exemplo – que eu deixo a louça suja na pia e as provas na pilha imensa de provas para corrigir e me sento na frente do computador para escrever com aquela sensação de que era assim que as coisas deveriam ser (menos a louça suja). Meu sonho mais absurdo (naquele em que eu ganho um Nobel de Literatura, por exemplo) é poder acordar e saber que eu não preciso fazer mais nada que não seja escrever. Porque é isso que me faz feliz![ Inclusive, muitíssimo obrigada pelas dicas das editoras. Me ajudou muito.] Mas, escrever, sem ter a menor ideia do que as pessoas pensam é assustador e desencoraja um pouco.
Por isso, mesmo quando decidi que tentaria escrever meu livro, nunca pensei em desistir das fics. Porque eu preciso – realmente preciso – das suas reviews me dizendo o que está bom e o que ainda precisa melhorar. Então é isso. Muito obrigada mesmo. Vou esperar quicando de ansiedade a sua review! Bj-bj.
Mil e novencentas desculpas se eu esqueci de alguém. E, mais desculpas ainda, se eu deixei de mencionar alguma coisa. Mas estou ansiosa para postar logo o capítulo.
Bj-bj da sua autora ainda sem-torre,
Angel.
