Para começar, peço desculpas pela demora. Meu computador formatou, levando consigo a primeira versão desse capítulo, que estava horrível. Foi até bom. Demorei dias para pensar na segunda versão, e essa é a terceira. Espero que esteja bom. Último capítulo, né.

ATENÇÃO: Esta fanfiction contém spoilers do livro Percy Jackson e o Último Olimpiano. Se não quer saber parte do final sem querer, não te aconselho a ler. Para todos os outros, boa leitura.

Disclaimer: Percy Jackson e os Olimpianos não pertence à mim, e sim à Rick Riordan.

Sinopse: Rachel Elizabeth Dare finalmente conseguiu realizar-se em sua vida. Porém, o que pode acontecer se ela, de repente, perde sua razão de viver? | Nico/Rachel.

Minha razão de viver

Capítulo 13 - Homenagem

Situações de nervosismo. Todos já passaram por alguma. Por mais que você saiba que tem de fazer alguma coisa, seu cérebro não te ajuda a se mover. Nico permaneceu paralisado ali por alguns segundos, sem saber o que fazer. Tudo o que ele sabia é que precisava entrar Rachel - rápido. Ele não podia advinhar onde ela estava, porque ele não tinha esse tipo de poder... havia uma forma de achá-la, Nico sabia que havia, mas não conseguia lembrar qual. E aquilo estava deixando-o furioso.

Foi quando Nico achou que sua cabeça ia explodir que uma pequena nuvem surgiu no canto da sala. Ela foi se alargando, revelando uma Annabeth um tanto quanto preocupada. Ela fez uma careta ao ver a expressão de Nico.

- Me diga que a minha intuição feminina está errada...

Uma onda de alívio correu o corpo de Nico. Era essa a forma de encontrar Rachel! Ele só precisava de um dracma...

- Rachel sumiu. - Explicou, rápido, enquanto procurava as moedas. - Levou metade das roupas dela. Estou muito ocupado agora, procurando-a. Então, se você puder ajudar - ou melhor, se você puder não atrapalhar...

- Ela deve estar no aeroporto.

Nico parou de procurar para encarar Annabeth. - Como?

- Ela tinhas uns folders, uns panfletos sobre Liverpool. Achei que ela estava triste demais ontem, então dei uma olhada em sua bolsa. Nico, Rachel tinha um...

- Liverpool? Você acha que ela vai para Liverpool?

- Eu não sei! - Annabeth exclamou exasperada. - Você devia tentar uma mensagem de...

- Estou procurando um dracma, droga! - Nico gritou para ela. Annabeth encolheu os ombros.

- Eu e Percy vamos para lá agora. Você provavelmente vai chegar antes, então, boa sorte. - A loira disse o mais rápido que pôde, sabendo que Nico poderia cortá-la a qualquer momento. O filho de Hades apenas acenou com a cabeça antes de correr para o quarto, onde começou a verificar os bolsos das calças. Ele suspirou ao finalmente encontrar o dracma. Improvisou um arco-íris com a torneira do banheiro e jogou a moeda com força na água.

- Me mostre Rachel Dare.

Uma imagem turva surgiu diante do espelho, e a mesma foi se alargando até preenchê-lo quase por completo. Nico teve um deslumbre de um salão com teto alto, um pouco vazio pelo horário em que se encontravam. Ele ouviu um gemido assustado, e encontrou Rachel encarando-o do outro lado da mensagem.

- Céus, alguém pode ver isso! - Ela resmungou, nervosa. Nico não entendeu como ela podia se importar com a mensagem de íris numa hora dessas.

- Ninguém vai perceber. Névoa, esqueceu? - Nico retrucou. - Onde você está?

Rachel percebeu a irritação na voz de Nico. - Sem pânico, garoto morto. Não é nada grave.

Ele não pôde concordar. - Nada grave? Rachel, você levou as suas roupas!

- Eu não queria conversar com você assim, Nico. Mas estou pensando em ficar um tem...

- Onde você está? - Nico repetiu. Rachel olhou os lados, nervosa.

- Nico, por favor, fale mais baixo. - Murmurou. - Eu... estou com meus pais. Meu pai me ofereceu uma... casa, dele, para passar um tempo. Você não tem que se preocupar...

Nico bufou, irritado. - Como não? Você simplesmente some sem dizer aonde vai e... - Ele parou. Atrás de Rachel, Nico enxergou uma loja... Uma loja que ele conhecia bem. Era a loja de doces do aeroporto. Rachel fez uma careta, percebendo que Nico se desligara, e olhou para trás. Quando voltou a olhar na direção da mensagem de Íris, ela tinha se apagado.

Ela sabia o tempo todo que, se conseguisse entrar no avião, nem Nico nem Percy poderiam seguí-la, já que aquele era o território de Zeus. Eles passariam um bom tempo pensando antes de tentar fazer alguma coisa. E ela conseguiria chegar a um lugar onde ninguém poderia encontrá-la, ninguém estaria lá para gritar com ela ou lhe fazer perguntas. Ela poderia relaxar.

- Aonde você pensa que vai, senhorita Dare?

Uma descarga elétrica passou por Rachel ao perceber que a voz viera de muito, muito perto.

- Pelos deuses, di Angelo, você poderia ter me matado de susto. - Respondeu, olhando em volta. Não havia ninguém perto dela, e ela devia parecer uma maluca falando sozinha daquele jeito. - Pare de palhaçada e apareça!

- Você - Rachel sentiu a mão de Nico sobre seu braço, mas ainda não o via. - vem comigo.

Ela piscou e, no segundo seguinte, o salão aberto do aeroporto deu lugar a uma sala fechada com dois sofás e uma mesa com um computador, aparentemente vazia. Um clique ecoou pelo quarto, e Rachel virou a tempo de ver Nico trancando a porta por dentro. Ela fez uma careta involuntária, mas Nico sorriu satisfeito.

- Bem melhor. - Ele disse ao sentar-se. Rachel não precisou de um convite verbal para saber que devia sentar-se também. Ela optou pelo outro sofá.

- Você é maluco. - Disse ofendida. - Minhas malas ainda estão lá.

- Esqueça as malas, não pretendo deixar que você faça proveito delas. - Nico inclinou-se para frente, abandonando seu ar brincalhão e adquirindo uma expressão séria. - Por favor, Rachel, explique o que diabos está acontecendo.

Como de costume, Rachel começou a brincar com a ponta dos cabelos enquanto falava, nervosa. - Eu não pretendia falar assim com você, Nico. Não aqui.

O filho de Hades sacudiu a cabeça. - Posso te levar para onde você quiser, em questão de segundos.

Rachel fez uma cara feia para ele. - Eu quis dizer, não nessa situação. Para ser sincera, - Ela baixou os olhos. - eu queria passar um tempo sozinha, para pensar numa maneira de resolver meus próprios problemas. Foi por isso que resolvi viajar. Não estava pensando em passar muito tempo fora, talvez só uma semana ou duas.

- Que bom que chegamos nesse assunto. - Nico parecia mais calmo agora, mas não tão confiante. - Seus problemas. Eu sei que muitos deles precisam de ajuda psiquiátrica para serem resolvidos... - Rachel pôs a língua para fora, mas Nico ignorou, levantando-se e andando até o outro sofá, onde a ruiva ainda o encarava. - Mas o caso é que eu quero que eles sejam meus, também. Na verdade, - Nico ajoelhou-se ao lado do sofá, e Rachel arregalou os olhos para ele. - eu quero você. Não ligo se os problemas fizerem parte do pacote.

As mãos de Rachel começaram a tremer, e ela soltou a mecha de cabelos que estava segurando. Por alguns segundos, tudo que ela pôde fazer foi observar enquanto Nico levava uma das mãos até o bolso e... deuses.

- O que eu realmente quero dizer, - Ele explicou enquanto abria a caixa. - é que eu ficaria honrado em ter você como esposa.

Rachel sentiu-se uma idiota por só conseguir balbuciar: - V-você está falando sé-rio?

Nico caiu de sua pose, suspirando. - Não, Rachel. Isso tudo faz parte de uma pegadinha. Inclusive os anéis, são falsos. - Ele sacudiu a cabeça. - Por deuses, Dare. É lógico que estou falando sério!

Ela respirou fundo três vezes, mas ainda assim sentiu seus olhos começarem a arder. Nada bom. Nico ainda a encarava, sério. Rachel mordeu os lábios, aquilo tudo era confuso demais. O quê - o quê ela devia dizer...?

- Rachel? - Nico chamou, preocupado. Aquela demora toda não fazia parte dos seus planos. Nos filmes, ao receber o pedido de casamento, a mocinha costumava lançar-se nos braços do rapaz e beijá-lo infinitas vezes. Rachel parecia mais querer enfiar a cara na parede. - Você não... você não... você não quer...?

A ruiva tomou a caixinha das mãos de Nico, ofendida. - Não fale besteiras, Nico. - Ela havia recuperado sua voz. - É só que... céus, em que confusão eu fui me meter?

Nico sentou-se ao lado dela. - Diga-me você.

- Eu... - Rachel respirou fundo mais uma vez, tentando se controlar. Ela apertou a caixinha contra o próprio corpo. - É claro que quero casar com você, Nico, mas...

- Mas...? - Nico repetiu.

- Eu recebi uma proposta. - Começou. - Um representante da Academia de Artes Plásticas de Liverpool. Aparentemente, eles estavam procurando talentos em Nova York, e... Nico, ele me chamou para me juntar à academia. Apenas uns meses, como teste. - Rachel voltou a enrolar seus cabelos nos dedos. - Essa seria minha chance de me tornar famosa no exterior. Você sabe que eu não tenho reconhecimento nenhum atualmente, e as pinturas não vendem, e...

- E você teria que morar em Liverpool, certo? - Nico tentou ser compreensivo. - Por alguns meses?

- Sim. - Rachel sentia-se melhor por ter conseguido explicar essa parte. Nico assentiu.

- Rach, isso não é um problema. Pelo contrário, é ótimo! - Ele sorriu. Rachel sacudiu a cabeça.

- Nico, vamos ter que nos separar.

- Por alguns meses, você diz. Nós não temos que nos casar agora. - O rapaz parecia empolgado. - Nós podemos esperar, e quando você voltar aos Estados Unidos, nós nos casamos. Somos jovens e...

- Não podemos nos separar.

Nico parou de falar. Rachel parecia à beira de lágrimas. - O que?

- Não podemos nos separar agora, garoto dos mortos. - Ela tremeu, seus dedos brincando com o fecho da caixa.

- Por que? - Nico tentou não soar desesperado. Rachel baixou os olhos para as próprias mãos.

- Porque eu não posso levá-la comigo. - Murmurou mais para si do que para Nico. - E não quero deixar de ir. Essa é uma oportunidade única, Nico. Eu quero aproveitar.

Ele não respondeu nada, mas Rachel não podia cobrar dele respostas. Ela nem havia explicado a maior parte dos problemas.

- Eu... - Rachel apertou os dedos contra o anel de noivado. - Bebê. Eu vou ter um bebê.

Aquilo era uma covardia, mas Rachel não ligava. Não levantaria os olhos para encarar Nico; não agora. Ela esperou alguns segundos em silêncio, temendo a reação dele. Ela sabia que Nico ficaria feliz por ter um filho, mas não sabia como ele reagiria quanto ao impasse que estava diante dos dois. Quando já não esperava resposta, Rachel ouviu alguns murmúrios. Levantando o olhar, viu que Nico estava de cabeça baixa, falando baixinho consigo mesmo.

- Eu vou ser pai. Eu vou ser pai. Eu vou ser pai. - Ele a encarou de volta. - Isso é sério?

- Não, Nico. - Rachel usou o mesmo tom de voz sarcástico que Nico usara poucos minutos atrás. - Isso tudo é uma pegadinha. Inclusive a barriga, que é falsa.

Nico levou uma mão à cabeça. - Então você...

- Eu não posso ir para Liverpool. - A moça voltou ao tom triste. - Não posso levar nossa filha para longe de você.

- Filha? - Nico repetiu, tenso. - É uma menina?

Rachel assentiu, e desviou o olhar para o anel em suas mãos. - Eu não sei o que fazer, Nico. Eu quero tanto esse emprego. Ainda dependo completamente dos meus pais para me sustentar. Não quero isso. Mas eu não ganho nada sendo... Eu sou só uma zé-ninguém. Não quero recusar esse emprego.

- Você não vai. - Nico disse, forçando Rachel a encará-lo com uma das mãos.

- Eu sinto muito. - Ela fechou os olhos, fazendo com que as lágrimas finalmente saíssem. - Não devia ter... Somos tão novos. Não estamos prontos. Você está fazendo faculdade. Faculdade! Por Zeus, como é que vamos cuidar de uma criança?

- Ei, ei, pare de falar bobagens. - Nico murmurou, abraçando-a. Rachel afundou o rosto contra sua camisa. - Eu estou fazendo faculdade, e daí? Eu paro ela. Nós somos jovens, e daí? Você é a mulher mais madura que eu conheço. E nós vamos cuidar muito bem dessa criança, viu? Juntos.

A ruiva deu soquinhos no peito de Nico. - Não, não, não! Eu não quero que você largue a faculdade. Eu prefiro ser sustentada por meus pais; uso meu dinheiro para sustentar seus estudos. De jeito nenhum você vai sair desse curso. Eu lutei tanto para te convencer a entrar!

- Acalme-se, Rachel. Eu fico na faculdade, se é o que você quer.

Isso pareceu deixar Rachel mais relaxada, mas ela ainda parecia preocupada. - O que vamos fazer?

Nico parou por um segundo, pensando. - Primeiro de tudo, - Disse, sorrindo. - nós vamos nos casar. - Rachel assentiu. - Depois, vamos nos mudar para a Inglaterra.

- Mas... Nico, sua faculdade. - Rachel lembrou, nervosa. Nico fez um gesto impaciente.

- Tenho uma solução bem prática. - Ele falou, e Rachel esperou que prosseguisse. - Viagem nas sombras.

Os olhos de Rachel se arregalaram. - Você não pode estar falando sério.

- Eu estou. O fuso horário vai nos proteger de ter de chamar uma babá. Enquanto você trabalha, eu cuido do bebê. Quando eu estiver na faculdade, você cuida dela. Não vai ser difícil.

Ele havia pulado a parte: o fuso horário vai confundir nossos relógios biológicos, e eu vou estar sempre cansado por ter que viajar nas sombras tantas vezes por semana. Mas o jeito que Nico sorria - entusiasmado com o futuro que estava traçando - fez com que Rachel sorrisse também. Eles iam conseguir. Eram só alguns meses. Os primeiros meses.

- Está certo, di Angelo. - Rachel sorriu largamente para ele. - Você está certo.

- Ótimo, porque precisamos de um vestido de noiva para você. - Nico se levantou, pegando a mão de Rachel. - Temos que nos apressar.

- O que, você quer casar agora? - Ela riu, enquanto colocava o anel no dedo.

- Não, eu quero casar amanhã. - Ele retrucou, e Rachel olhou-o assustada.

- Você não pode estar falando sério. - Repetiu, nervosa. - Amanhã é...

- O casamento de Percy e Annabeth? - Nico sorriu. - Podemos aproveitar os convidados, o bufê... Só precisamos pedir uns minutinhos depois da cerimônia para casarmos também.

- Você está louco se acha que Annabeth vai me deixar roubar seu dia especial. - Rachel disse com convicção. - Não temos esse direito. Mas nós... Podemos comemorar nosso casamento, também. Anunciamos aos outros que nos casamos, e pronto. E podemos aproveitar a festa como todo mundo.

Nico não pareceu satisfeito com aquilo. - Você merece um dia especial só para si, também.

O carinho na voz dele fez Rachel rir ainda mais. - Meu dia especial está chegando. - Ela massageou a barriga como gesto. Os olhos de Nico brilharam.

- Posso...? - Perguntou, esticando a mão na direção do ventre dela. Rachel assentiu.

- Você provavelmente não vai sentir nada. - Explicou, quando Nico abaixou-se para tocá-la. - É só o quinto mês.

- O que? - Nico perguntou, acariciando a barriga dela. - Nada é a última coisa que estou sentindo agora.

Rachel sorriu para ele. Foi só então que ela percebeu. - Nico, onde nós estamos?

O rapaz voltou a ficar ereto. - Em uma sala de atendimento do aeroporto. Aliás, nós já devíamos ter saído. Alguém pode aparecer aqui a qualquer momento.

Com um movimento de cabeça, Rachel concordou. - Vamos buscar minhas malas.

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Aquele era o evento tão esperado por todos no Olimpo. O dia em que o filho de Poseidon e a filha de Atena se casariam. Ambos os deuses pareciam frustados com a ideia, mas aprenderam a aceitá-la com o tempo, já que Percy e Annabeth namoraram por anos a fio. Naquela manhã, enquanto Annabeth arrumava-se com ajuda de algumas filhas de Afrodite, Rachel entrou no quarto com um grande sorriso estampado no rosto. Annabeth virou-se para olhá-la.

- Por Zeus, eu também estou assim? - Perguntou, quando viu o estado de felicidade de Rachel.

- Logo estará. - Respondeu rindo. - Sua hora está chegando.

Annabeth olhou-se no espelho. Ela estava pronta. Em alguns minutos, subiria ao altar. Tudo estava pronto do jeito que havia planejado. E só agora, quando a preocupação em arrumar tudo saíra de seus ombros, Annabeth percebeu o quanto estava feliz. Ela tinha o mesmo sorriso bobo que Rachel. E logo, Annabeth Chase não seria mais apenas Annabeth Chase.

Ela seria Annabeth Jackson.

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Quando Percy inclinou-se para beijar a noiva, uma salva de palmas encheu a praia de vida. O casal se separou e Annabeth, impressionada, assistiu enquanto vários golfinhos saltavam de um lado para o outro no mar próximo a eles. Ela não havia planejado aquilo.

- Não olhe para mim. - Percy sussurrou quando viu a expressão dela. - Eles quem quiseram fazer isso.

Annabeth deu um tapinha no braço dele. - É lindo, seu bobão. - Murmurou, distraída com o show.

Todos no salão haviam desviado suas atenções para os golfinhos, e Nico fez um sinal para Percy, que assentiu.

- Hã... - Nico começou, baixinho. - Pessoal? - Chamou. Pouco a pouco, as pessoas viraram suas atenções para ele. - Eu e Rachel queríamos anunciar uma coisa.

Murmúrios sobre "aí vem o próximo casamento" começaram a se espalhar, mas Nico não fez uma pausa muito grande. - Nós dois nos casamos hoje de manhã. Queríamos algo um pouco mais familiar, mas achamos que seria uma boa ideia anunciar hoje.

Os convidados ainda estavam um pouco surpresos, mas aos poucos começaram a bater palmas e parabenizar os dois. Nico e Rachel distribuíram sorrisos e cumprimentos para os presentes, e logo todos estavam entretidos com a festa de casamento, que seria naquela mesma praia. Mesmo que aquela festa não fosse para eles, Nico e Rachel sentiam como se fossem os donos de tudo.

Como se fossem os donos do mundo.

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- Dois casamentos em um dia só. - Murmurou a morena, sentando-se em uma cadeira próxima. - Basta para mim.

- Rachel parece muito feliz. - Jeanette comentou, sombria. - Eu também estaria, no lugar dela.

Lilian fez um sinal impaciente para a meia-irmã. - Você tem que esquecer essa sua queda pelo Nico.

O rapaz ao lado de Lilian limpou a garganta ruidosamente. - Será que todas as filhas de Apolo tem que passar por uma queda por Nico di Angelo?

- Ciúmes... - Lilian cantarolou. - No final, nós três sabíamos que ele escolheria Rachel.

Giovana, que até então estava quieta, reclamou. - Nós três, vírgula. Eu nunca tive uma queda por ele. Eu só... achava ele parecido com o Nick.

- Por quem você tinha uma queda. - Completou Lilian. - Ande, isso já passou. Eu já esqueci, você também, é a vez da Jeanette.

- Mas... - Giovana começou, baixo. Os outros voltaram as atenções para ela. - Vocês não acham estranho, eles terem se casado agora? Quero dizer, logo quando eu...

- A profecia pode não ter nada a ver com eles, Giovana. - Daniel explicou. - Profecias levam anos para se concretizar.

A italiana sacudiu a cabeça. - Vocês achavam que não era sobre eles, porque a profecia falava sobre o final de verão, e achávamos que os dois nunca estariam casados até lá.

- Isso não quer dizer... - Lilian parou. - É impossível, você sabe. Faltam menos de cinco meses para o verão acabar. A menos que eles tenham um bebê muito prematuro...

- ...ou que Rachel já esteja grávida. - Completou Giovana. - Você não achou estranho que eles tenham se casado tão... de repente?

Daniel prestava o máximo de atenção no que a loira dizia. - Como era mesmo...?

Giovana já havia decorado os versos, de tanto que pediam-lhe que entoasse-os. Ela respirou fundo antes de proclamar, baixinho para que nenhum outro convidado ouvisse.

No fim do verão que se seguirá,

À união assistida pelo mar,

Da filha de Delfos que vê o futuro

E do sangue divino de um dos Grandes

Nacerá frágil filha do escuro

Que há de ter o trono sob suas mãos

Para aos mortos conceder rendição.

Um silêncio constrangedor se instalou no grupo. Por fim, Daniel abriu a boca. - Não parece ser algo perigoso. Quer dizer, é um pouco fúnebre, essa coisa de escuro e mortos. Mas eu não acho que a criança vá correr perigo.

- Não parece perigoso, - Repetiu Jeanette. - mas os deuses podem... reagir de forma exagerada. Quero dizer, a profecia fala sobre um trono. Não acho que nenhum deles vá ficar feliz em perder seu trono para uma garotinha.

Lilian não pareceu convencida. - Por favor, não vamos falar sobre isso com eles agora. Os coitados estão tão felizes...

Os outros assentiram. Por mais que o assunto fosse importante, ninguém tinha o direito de estragar a felicidade dos outros. Ao longe, Nico e Rachel estavam rindo de alguma coisa, sem saber que havia tanta gente falando sobre eles.

E que os deuses já os estavam vigiando.

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O corredor do prédio de Rachel se encheu subitamente de risos, quando ela e Nico surgiram diante da porta do apartamento. Ela abriu a porta, trêmula, e correu a tirar os sapatos e jogar sua bolsa de lado, deitando-se no sofá.

- Céus, - Começou, quando Nico chegou também à sala. - nunca pensei que uma festa na praia pudesse ser tão divertida.

- E tão cansativa. - Nico também tirou os sapatos e se sentou, com menos urgência que Rachel. - Acho que vou dormir que nem um morto amanhã.

- Nico, - Rachel virou de bruços para encará-lo. - você sempre dorme que nem um morto.

Os dois riram por algum tempo, apesar da piada não fazer graça. Rachel virou-se novamente, e Nico se pegou encarando a barriga dela por tempo demais. Era estranho saber que já não estavam sozinhos em casa.

- Você já pensou em um nome para dar para ela? - Ele perguntou, sorrindo. Rachel corou.

- Pensar, pensei. Só não sei se... - Ela desviou o olhar para o teto. - Se você vai gostar.

- Experimente. - Nico disse, e Rachel voltou a olhá-lo.

- Bem... que tal Bianca? - Ela observou por alguns segundos a reação dele. - A menos, é claro, que você ache estranho. Eu estava pensando mais como uma homenagem...

- Bianca é perfeito. - Nico sorriu.

Rachel fechou os olhos, aconchegando-se no sofá. Por muito tempo, ela havia vivido como o Oráculo de Delfos. Aquela era sua única motivação, a única razão pela qual permanecia viva. Por mais que amasse a vida que levava antes, Rachel não sentia falta dela. Não sentia falta do oráculo. Nico havia lhe dado o melhor presente possível - os dois melhores presentes possíveis. Ela tinha uma família de verdade. Aquilo era mais do que uma razão de existência. Era uma razão de felicidade.

Nico permaneceu quieto com seus pensamentos. Em menos de um mês, eles se mudariam para a Inglaterra. E em mais alguns meses, Bianca nasceria. Quem sabe eles não conseguissem voltar aos Estados Unidos antes que ela fizesse um ano de idade? Ou talvez eles acabassem gostando da Inglaterra. Não havia um futuro pronto para os dois, mas Nico não temia nada que estivesse por vir.

Quando voltou a prestar atenção ao redor, Nico percebeu que Rachel havia adormecido. Esforçando-se para não acordá-la, ele carregou-a até a cama. Nico inclinou-se sobre a esposa e lhe deu um beijo na testa.

- Boa noite, Rach. - Disse, e beijou também sua barriga. - Boa noite, Bianca.

Rachel riu em seus sonhos, talvez por conta das cócegas que o beijo fizera nela. Nico deitou-se ao seu lado, cansado, e deixou-se dormir também.

-x-x-x-x-Fim-x-x-x-x-

Estou muito feliz de ter acabado a história. Sim, esse é o fim. Não pretendo fazer mais nenhum tipo de continuação. É verdade que o final ficou um tanto quanto clichê (casamento e gravidez?) mas acho que não está tão ruim.

Obrigada à todos que acompanharam a fic durante tanto tempo. Àqueles que estiveram lendo desde os primórdios, os que pegaram ela pela metade, e os que caíram de páraquedas no final. Não vou fazer listinha de nomes aqui, mas quero mesmo agradecer aos leitores. Sem eles, eu nunca teria escrito o final.

E é isso. :)