- Eu aceito.

Aquelas eram palavras que não saiam de sua cabeça, desde o momento em que doutor Charles disse que tinha uma vaga no Med, para logo ela as proferir, Sarah se pegou pensando no que implicaria voltar para o Med. Implicaria em reencontrar Connor, enfrentar os sentimentos que vinha tentando ignorar. Ela tinha certeza que no momento que o reencontrasse estaria exposta e vulnerável, porque, Deus ela amava demais aquele homem para tentar negar e ela sabia que no momento que estivessem cara a cara ele veria toda paixão devotada a ele, assim como ela veria a mágoa e decepção em seu rosto, tinha certeza de que ele estava magoado e ela não poderia suportar pensar que a culpa era toda sua.

Estava parada perante as portas do Hospital tentando criar coragem para entrar e possivelmente o encontrar. Respirou fundo e entrou. Dá m meio sorriso a Maggie que a recebeu com o seu entusiasmo de sempre.

- Reese. - contornou o balcão e foi de encontro a Sarah de braços abertos - Meu Deus garota, eu achei que não a veria mais.

Aceitando o abraço e retornando-o, Sarah se permitiu sorrir, a familiaridade, a sensação de estar em um local de onde nunca deveria ter saído, aquele também era seu lar, e aquela sua família.

- Eu também senti sua falta Maggs. - elas deram risada ao se afastarem.

- Oh, sim é claro que eu senti sua falta. - e puxando Sarah para próximo do balcão ela chamou outras enfermeiras.

Tudo passou tão rápido, entre o momento em que todas cumprimentavam-na e indagavam por sobre onde ela andava, ela dizendo que iria ter um dia de experiência com doutor Charles na Psiquiatria até ela o ver, saindo do corredor lateral esquerdo, concentrado em uma conversa com, pelo que ela pode notar devido ao uniforme idêntico ao que ela usou por meses, uma estagiária. Rapidamente ela se enfiou mais por entre as enfermeiras, escondendo-se, não estava pronta para encara-lo ainda. Soltou o ar que nem havia percebido ter prendido quando ele passou despercebido de sua presença. Por um momento seus olhos não deixaram de segui-lo, as mão se fechando em um punho ao ver quando a garota tocou o braço dele insinuando-se, abriu-os imediatamente ao momento em que ele afastou-se da garota bruscamente, um sorriso de satisfação no rosto, ele ainda pertencia a ela, não importava o quão magoado estivera. Egoísmo? Talvez! Ela não se importava, nem tudo estava perdido e ela se sentiu esperançosa.

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Oh! Ele sentiu, no momento que adentrou a recepção, sentiu o perfume dela. Sentiu-se um tolo ao imaginar que fosse ela, mas ele sabia, muitas poderiam usar o mesmo perfume. Dando mais alguns passos ele olhou rapidamente para o tumulto de enfermeiras próximo ao balcão e percebendo que era apenas mais um momento de fofoca seguiu seu caminho com Miah, uma das estagiárias, em seu encalço tirando-lhe a paciência, ela o estava provocando, tendo sido preciso que ele a advertisse já quanto a sua conduta o que parece não ter surgido efeito algum já que a garota continuava atrás dele, sempre prestativa, mas não escondendo sua real intenção. Sentiu uma mão pousar delicadamente em seu braço, desconfortável com o toque, afastou-se tão rápido que chegou a ser brusco. Aquela garota o estava tirando do sério, estava flertando com ele descaradamente, uma postura que ele não tolerava. Parando subitamente e a adverte.

- Senhorita, acho que não entendeu meu aviso da primeira vez - cruzou os braços - vou dizer só mais uma vez e não tenho a intenção de falar uma terceira vez, nós estamos aqui para trabalhar e você está ultrapassando a linha que delimita o nosso contato, eu sou seu supervisor, estamos entendidos? - de olhos arregalados ela balançou a cabeça.

- Si...sim sen... doutor Rhodes. - e saiu apressada, enquanto Rhodes continuou olhando o caminho feito por ela.

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Estava sendo um dia razoável para Sarah, neste momento estava acompanhando o caso de uma garota que tentara se suicidar, doutor Charles tentava descobrir os motivos que levaram a garota a tal ato. Até então Sarah descobrira que a mesma é popular e tem diversos seguidores e amigos nas redes sociais, não havendo motivos para suicídio. Seguindo até o quarto da garota após doutor Charles a convencer, encontra com Natalie no caminho.

- Reese! Oi. - Natalie sorria, um sorriso que não chegava aos olhos.

- Doutora. Maninger, digo, Nat. - ela se corrigiu quando Natalie fez careta por seu formalismo.

- Fiquei tão feliz quando soube que estava de volta, parabéns, e seja bem vinda novamente.

- Obrigada, mas aconteceu algo? Está tão abatida.

Desmanchando o sorriso ela resolve contar o que a aflige.

- Uma das minhas pacientes, a bebê Alicia, não consigo um diagnóstico e quanto mais o tempo passa a esperança de sobrevivência é menor.

- Eu sinto muito, imagino como é difícil, principalmente ter que lidar com os pais.

- Esse é o ponto, estou em um dilema moral. - nervosa, Natalie se recosta na parede, levando Sarah a fazer o mesmo - Connor tem um paciente com Hipoplásia do esquerdo, está correndo contra o tempo na esperança de achar um doador compatível, ele acha que Alicia pode ser compatível e pediu que fizesse o teste. - enquanto faz seu relato seu semblante torna-se ainda mais triste - Eu sei que pode ser uma chance para Tim Sarah, - da uma pausa para respirar - mas fazer esse teste implica em dizer aos pais de Alicia que estou desistindo, que ela não tem mais chances e também não posso fazer sem sua autorização, é antiético.

Atenta a tudo a que Natalie fala, Sarah só se deixa vacilar quando esta menciona Connor, voltando a si antes que a colega perceba e adotando o ar profissional pensa em uma maneira de aconselhar Natalie.

- Talvez não seja má ideia - ela diz fazendo Natalie dar um passo para trás - eu sei que não é isso que você queria ouvir, mas você mesma disse que é um caso complicado, que não tem noção de um diagnóstico e que a chance de sobrevivência é mínima, e do bebê Tim também, ela pode vir a óbito, os pais estarão mais desestruturados e a chance deles permitirem fazer um teste para um possível transplante é muito pequena e... - ela pega as mãos de Natalie - Tim pode não ter todo esse tempo, não será uma, serão duas mortes, você consegue lidar com isso Nat? - olha diretamente aos olhos de Natalie.

- Eu... Eu realmente não sei Sarah.

- Encontrar um doador compatível para um bebê é extremamente complicado, e se essa for a chance de Tim - ela toca o ombro de Natalie - falo agora como um ser humano e não uma médica, talvez Alicia seja a salvação de Tim, ou talvez não, mas você só vai descobrir se tentar.

- Tem razão, vou falar com os pais de Alicia. - endireita os ombros enquanto fala - Obrigada Sarah, está se saindo uma ótima conselheira - aponta para a mesma - você tem talento garota. - rir fraco enquanto fala, fazendo Sarah rir também.

- Obrigada, boa sorte e espero realmente que Alicia e - frisa - Tim se recuperem. - e saem em direções opostas.

Ainda naquele dia ela descobriu o que levou a garota à tentativa de suicídio, esta encontrou manchas na pele e procurou por um diagnóstico na internet, achando ser Vitiligo e que isso a deixaria feia ela tentou o suicídio. Mas Sarah descobriu que era apenas uma micose causada por bactérias. Solucionar este caso a levou a aceitar a proposta de doutor Charles de fazer residência em Psiquiatria, ela estava percebendo que tanto quanto é importante cuidar do corpo, cuidar da alma também ela ainda teria muito o que aprender e quem sabe curar a própria alma.

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Em pé, próximo ao sofá da sala de repouso do hospital, Connor fazia ligações a fim de conseguir o mais rápido possível um doador para Tim, o tempo estava se esgotando, quando encerra uma das ligações Natalie entra.

- Novidades? - se arrepende no momento em que percebe o semblante irritado dele - Foi uma pergunta idiota, ignore. - ele apenas assente.

- E Alicia como está? - se joga no sofá, frustrado por não ter conseguido nada, deixando o celular na mesa de centro.

- Estável, ela é forte, por sorte descobri a tempo de haver danos maiores, acredito que em breve será liberada. - após saber que Alicia e Tim são compatíveis e imaginando que a bebê não teria chances ela foi falar com os pais, quando a mãe cita que sempre leva os filhos ao parque, indagando-a Natalie descobre que a bebê é deixada de bruços na grama o que a leva considerar ser uma intoxicação e após novos exames ela tem seu diagnóstico confirmado.

- Que bom, pelo menos sabemos que uma vida foi salva hoje.

- Não fale como se já não houvesse esperanças Connor. - toca de leve o ombro dele - Vai aparecer um doador, não devemos... - para quando a porta é aberta por Sarah que entra logo em seguida.

- Ãh, desculpa, não quis interromper. - abaixa a cabeça quando percebe que Connor a observa.

- Não se preocupe Sarah, só estávamos falando sobre nossos pequenos pacientes. - afasta-se de Connor indo em direção cafeteira.

Aproveitando o distanciamento de Natalie, Sarah levanta a cabeça, acompanhando a colega com olhar.

- Fiquei sabendo que Alicia está melhor.

- Sim, não é fantástico. - ela fala alegre, ficando séria logo que Sarah olha na direção de Connor, alertando-a - Eu sinto muito Connor, sei que era a esperança de Tim.

- Sem problema. - leva as mãos ao rosto, visivelmente cansado, baixando-as e permanecendo de olhos fechados.

Sarah aproveita para observa-lo. O cansaço estampado em seu rosto, ombros tensos, sua vontade era ir até ele e absorver toda a tristeza para si, de alguma forma confortá-lo, cuidar dele como tantas vezes ela quis fazer quando ele demonstrava estar no limite.

- Bom, já está na minha hora e pretendo visitar Alicia antes de ir, boa noite doutores. - Natalie a faz voltar à realidade ao se despedir.

- Boa noite. - falam os dois juntos.

Com Connor permanecendo de olhos fechados Sarah se aproxima, murmurando ela senta-se no braço do sofá.

- Acho que eu sou a última pessoa a quem você deseja ver nesse momento e com toda razão - abrindo os olhos ele inclina a cabeça para encara-la - mas saiba que eu estou aqui, a disposição, se precisar - abaixa a cabeça para que ele não perceba sua tristeza - vamos esquecer por um momento, o... O que se passou fora daqui - olhando novamente pra ele, ela suspira resignada - só me deixe te ajudar.

Ela tinha razão, ele não queria vê-la ou ouvi-la até o momento em que ela passou por aquela porta surpreendendo-o, não imaginava encontra-la tão cedo e muito menos no hospital. Vê-la o desarmou de toda aquela mágoa, do momento em que ela adentrou a sala ao momento em que iniciou sua conversa com Natalie ele só pensava em correr até ela e abraça-la, sentir seu cheiro, seu toque, acalmar a angustia, o aperto em seu coração por aquele bebê indefeso. Sem muito pensar ele a agarrou subitamente, os braços ao redor de sua cintura, a cabeça apoiada em suas pernas, às lágrimas querendo cair novamente. Sentindo as pequenas mãos massageando suavemente sua cabeça, ele relaxou, não sentia necessidade de palavras, apenas do toque dela, dos carinhos que lhe proporcionavam conforto.

Ficaram assim por um longo tempo, Sarah queria falar mais, no entanto permaneceu calada, sabia que era o momento dele, que ele precisava do silêncio naquele momento, então ela se limitou a afagar-lhe os cabelos.

Quando Connor estava prestes a falar algo é interrompido por Will, que entra falando ao telefone, parando no meio de uma frase ao notar os dois. Sem falar mais nada, ele desliga o celular ainda os encarando.

- Tá tudo bem por aqui? - alheio ao que se passava ele preocupou-se com o estado de Connor - Connor?

Nervosa Sarah levanta-se rapidamente, tenta afastar-se sendo impedida por Connor que segura sua mão, o toque proporcionando-lhe um calor que a fez arrepiar - Doutor Rhodes está precisando de um amigo neste momento doutor Halstead. - libertando a mão da de Connor ela vai em direção a Will - Talvez o senhor seja quem ele precisa. - e sai apressada.

- Ok! O que foi isso? - Will pergunta a ninguém, intrigado com a reação de Sarah. Lembrando-se de Connor ele dirige-se ao colega - Que tal uma bebida? Posso não ser o melhor com as palavras, mas sou um ótimo ouvinte.

Levantado ele vai até a porta - Agradeço, mas foi um longo dia.

Com urgência ele sai, precisava encontrar Sarah, estava atordoado com o que se passara, mais uma vez ela fugiu e ele precisava falar-lhe, entender suas atitudes e mais que isso, ele precisava ouvir a voz dela novamente, sentir a presença dela, seu coração acelerado quando ele a tocava. Ele precisava dela. Chegando a saída, buscando-a com os olhos, desanimou ao não encontra-la.

- Não terminamos ainda Sarah.