Capítulo XIV
The Only Guilty
Havia uma luz forte, que me impedia de enxergar, era quase como estar olhando para o sol fixamente. Droga! O que teria acontecido comigo? Será que eu havia sido atingida por algum feitiço? De fato não existia dor, mas eu não conseguia reconhecer o lugar onde eu estava. Pisquei algumas vezes, as coisas começaram entrar em foco ao mesmo tempo em que comecei a entender o que as pessoas a minha volta falavam.
-Ele perdeu muito sangue. Teve de carrega-la inconsciente até aqui. - Reconheci a voz de Madame Pomfrey.
- E Angel, como está? - Pude ouvir a voz de minha mãe.
- Mãe? - Chamei com voz rouca. Ouvi alguns passos apressados, mas permaneci de olhos fechados. Não houve resposta.
- Mãe? - Repeti assustada.
- Estou aqui querida. - Ela segurou minha mão calorosamente. - Abra os olhos. - Ela me encorajou. E eu o fiz, me deparei com o teto da ala hospitalar.
- Eu tive tanto medo. - Choraminguei.
- Não há o que temer agora... - Pude perceber que ela tentava evitar o choro enquanto acariciava meus cabelos. - Eles jamais vão voltar por as mãos em você. - Disse ela respirando fundo.
- Deixem a conversa para mais tarde. Como se sente, menina? - Pomfrey começou a me examinar.
- Bem. - Falei encarando a enfermeira.
- Então ela pode já pode ir, Pomfrey? - Perguntou minha mãe esperançosa.
- Sim, creio que ela possa ser liberada. A única coisa que me preocupa na senhorita, são essas dores de cabeça e desmaios. - Respondeu a enfermeira. - Se importam se eu deixa-las agora? Tenho que ir ver o professor Snape, ele ainda não reagiu. - Eu congelei ao ouvir tal coisa. Snape também estava ali? Como isso era possível? Eu o vi, estava bem, e de pé quando eu caí.
- O-Oque houve com ele?- Gaguejei.
- Foi apunhalado. Bellatrix Lestrange lhe cravou uma adaga envenenada no ombro. - Um arrepio percorreu minha espinha. Tudo isso era culpa minha. Se algo acontecesse a Snape seria responsabilidade minha. EU DEVIA MINHA VIDA A ELE.
- É muito grave? - Perguntei. Senti meu coração bater aceleradamente.
- Graças a Merlin a situação esta sobre controle. Ele apenas permanece inconsciente, devido a grande perda de sangue e ao veneno, ambos o deixaram fraco. - Com essa afirmação respirei mais aliviada.
- O que eu poderia fazer para ajudar?
Terceira Pessoa Narrando ON.
Mesmo com os inúmeros protestos de sua mãe, Angel, manteve sua decisão de ajudar na recuperação do Professor. A garota permaneceu ao lado de Snape pelo resto da noite, enquanto o mesmo continuava profundamente adormecido.
O Sol começava a dar seus primeiros sinais, estava amanhecendo. Angel retirou mais uma vez a toalha molhada da testa do professor, constatou que a febre estava enfim baixando. Agora restava apenas esperar Pomfrey com as novas instruções. Ela mergulhou a peça de algodão na bacia com água morna, retirando o excesso de líquido antes de deposita-la sob a cabeça do professor. Seu olhar fixou-se no ombro esquerdo de Snape, onde ela imaginava que agora havia uma cicatriz bem em baixo do tecido negro da camisa que ele vestia.
Não conseguia deixar de pensar que era por culpa dela que ele estava ali sem inconsciente.
Por sua irresponsabilidade os dois quase haviam morrido.
Angel deixou-se cair na poltrona ao lado da cama, começava a sentir cansaço. O Sol já começava a entrar pelas janelas da ala hospitalar, a garota já conseguia prever que dentro de uma hora ou menos, Minerva voltaria para leva-la. Pediu aos céus que Snape acordasse antes disso.
- E como está a febre? - Pomfrey apareceu bem ao seu lado.
- Baixando. - Respondeu Angel cansada. - Como está a menininha? - Perguntou lembrando-se da primeiranista que Pomfrey estava tratando em outra parte da enfermaria.
- Bem melhor, parou de vomitar a gosma verde. - Comentou a enfermeira - Com Severo inconsciente, fica difícil dizer o que esses bárbaros deram para a garota. - Angel sentiu-se ainda mais culpada. Também era culpa dela que a pobre menina ainda não tivesse melhorado. - Mas felizmente consegui controlar os efeitos da poção. - Pomfrey sorriu. Nesse mesmo instante Snape se mexeu. Angel saltou da poltrona onde estava, retirou a toalha molhada da testa do Professor. Ela verificou mais uma vez a temperatura, e, ficou feliz em constatar que não havia mais febre. Esperava que ele despertasse logo.
O rosto de Angel McGonagall foi á primeira coisa que Snape viu ao acordar.
- Você! - Disse Snape alarmado. Não sabia dizer onde estava e se perguntava o porquê da garota estar ali. O choque de vê-lo abrir os olhos no exato momento em que tocava seu rosto, fez com que Angel recuasse rapidamente. Ele havia salvado sua vida, mas continuava sendo o velho Snape.
- Desculpe. - Murmurou Angel. - Eu acho que já está na minha hora. - Disse antes de sair apressada. Snape sentiu-se estranho ao vê-la partir.
- Deixe-me ver como você está. - Disse Pomfrey chamando sua atenção.
- Estou bem. - Falou Snape impedindo-a de examina-lo mais atentamente.
- Você teve sorte. – A enfermeira afastou-se. - Na verdade, os dois tiveram. Se não fosse por você, Angel McGonagall poderia estar morta. - Comentou Pomfrey juntando a bacia e a toalha que encontravam-se ao lado da cama.
- O que ela fazia aqui? - Perguntou Snape levantando-se.
- Ela queria ter certeza de que você acordaria. - Disse encarando-o por alguns segundos. - Angel nem ao menos deu-me tempo de agradece-la pela ajuda... - Pomfrey suspirou, parecendo cansada. - Este lugar estava uma loucura esta noite. Trate de dar um jeito nesses seus alunos sem civilização! Deram uma poção desconhecida para uma aluna do primeiro ano da Lufa-Lufa, tive muito trabalho para, faze-la parar de vomitar, isso sem falar no jogador de quadribol da sua casa que quebrou o braço durante o treino.
- Tudo bem. - Disse Snape vestindo o sobretudo negro, perdido em pensamentos e um deles era que Angel McGonagall não lhe parecia tão desagradável agora.
Angel fora dormir quando o restante do castelo despertava para mais um dia. Mas ainda assim a ausência da garota não impediu que as notícias sobre a noite anterior se espalhassem com a velocidade de uma firebolt. Ao entardecer, já havia pelo menos cinco versões diferentes sobre o ocorrido em Hogsmeade.
- Algum dia vou descobrir quem espalha os boatos com tanta rapidez. - Comentou Victória enquanto se dirigiam ao salão principal sob os olhares atentos dos colegas.
- Agora eu sou a megera que quase matou o morcegão das masmorras. - Disse Angel aborrecida. - Eles realmente acham que não consigo ouvi-los sussurrar uns para os outros o quanto sou irresponsável, e, o quanto minha mãe deve ter vergonha de mim. - Ela bocejou.
- Ainda não sei porquê você decidiu descer hoje. - Victória a encarou.
- Em algum momento eu teria que enfrenta-los. - Respondeu Angel.
Ao entrarem no salão principal, a situação não mudou. Todos os olhares estavam cravados nelas, ou melhor, em Angel McGonagall. Havia aqueles que sorriam para ela, pensavam no quanto ela tinha tido sorte. Mas também havia aqueles que a encaravam como se ela os tivesse ofendido.
- Não ligue para eles. - Victória tentou encoraja-la enquanto se dirigiam a mesa de sua casa. Mas a verdade era que Angel não se importava com o que pudessem pensar dela. Já existiam problemas demais para ficar se importando com a opinião alheia.
Durante o jantar, Angel achou estranho, a forma como alguns Corvinais se agruparam em volta dela, era quase como se quisessem protege-la dos demais. Pela primeira vez naquela noite Angel sentiu-se confortável. Havia contado com o apoio de Harry e os demais amigos da Grifinória, assim como os Lufanos.
Mas o pior ainda estava por vir com o termino do jantar.
- Se eu fosse você teria vergonha de estar aqui. - Gritou Pansy Parkinson em meio ao bolo de alunos sonserinos que tentavam ir para o dormitório. Automaticamente Angel parou de andar. - Chang lhe rouba o namorado e você quase mata nosso diretor. - Angel virou-se rapidamente, estava prestes a revidar, mas Victória a impediu.
- Entendo que você tenha uma profunda admiração por nós, mas acho deveria cuidar da sua vida de vez em quando. - Respondeu Victória tomando a frente. - Só para variar sabe... - Acrescentou sorrindo.
- Não vale a pena. - Disse Draco puxando Victória em direção a saída. - Leve-a para o dormitório, eu dou um jeito na Pansy. - Sussurrou Malfoy.
- Vai defender a elas, Draco? - Perguntou Parkinson em tom de deboche.
- O que faço ou deixo de fazer não é da sua conta Pansy. - Respondeu o garoto rispidamente.
- Vamos Draco! - Pansy riu. - Todos concordamos que essa ai deveria voltar para o buraco de onde a Professora McGonagall a tirou.
- Que bom que decidiu compartilhar conosco sua opinião senhorita Parkinson, ainda que insignificante. - Snape se materializou bem atrás da garota. - Eu ficaria feliz em ouvir a quem esse "todos" se aplica, ficaria encantado em informar que todos estão em detenção. - Parkinson estremeceu.
- Mas Professor... - Ela tentou se explicar.
- Não perca seu tempo. - Snape a interrompeu rispidamente. - Duas semanas de detenção com o Senhor Filch. - Pansy bufou e saiu pisando firme.
Com a presença de Snape o pequeno tumulto de alunos que havia se formado ao redor se desfez rapidamente.
- Pomfrey pediu para agradece-la pela ajuda. - Disse Snape, dirigindo-se a Angel. - Mandou-lhe isso. - Ele estendeu o frasco com um líquido violeta. - Para que consiga dormir e repor suas forças.
- Tudo bem. - Disse Angel pegando o frasco sem encara-lo. "Pansy estava correta, ela quase havia matado Snape" pensou. - Boa noite. - Disse ela afastando agilmente, levando Victória consigo. Snape continuou parado, assim como Draco, enquanto as duas garotas desapareciam em meio á multidão.
- O que você está ganhando com isso? - Disse Draco de forma desafiadora. - Pomfrey não mandou aquela poção.
- Não tenho ideia do que você possa estar falando. - Respondeu Snape dando as costas ao garoto.
Mas antes que ele pudesse seguir, Draco continuou:
- Eu sei quem ela é, e nenhum de nós precisa da sua ajuda ou proteção.
Terceira Pessoa Narrando OFF.
- Você não deve ligar para o que os imbecis como Pansy dizem. - Vic me confortou quando desabei sobre minha cama. Estava exausta de todos os olhares e comentários. Era horrível ser o centro das atenções.
- Ela não vale nem metade do que você é. - Suspirei em resposta.
- Você tem um valor inestimável para muitos de nós. Deveria ter visto o quanto todos estavam preocupados com o seu desaparecimento. - Eu a encarei e tentei sorrir, mas o mínimo que devo ter conseguido foi fazer uma cara de quem sente dor. - Irei contar uma coisa, mas não zombe de mim.
- Ok. - Respondi assentindo.
- Á algumas semanas, a Professora Trelawney, falou de uma forma toda estranha, como se estivesse fazendo uma previsão. - Vic fez uma breve pausa antes de continuar. - Ela se dirigiu a mim e falou que minha irmã corria grande perigo. - Eu a encarei, confusa.
- Espera... - Comecei, mas ela não me permitiu terminar.
- Eu sei o que você está pensando, eu pensei a mesma coisa. Eu disse a ela rindo que não tinha uma irmã. - Ela sorriu. - Cheguei ao ponto de pensar que talvez minha mãe pudesse estar grávida e eu não soubesse, mas ai eu considerei que se tratava de Trelawney, aquela mesma que previu a morte do Harry milhões de vezes. - Eu ri com o comentário. - Mas eu mudei de opinião, ela estava certa, e, eu percebi isso semanas depois... Quando vi você entrar no castelo sendo carregada por Snape e Madame Rosmerta, completamente desacordada. - Eu apertei suas mãos entre as minhas. Era a primeira vez que ela falava sobre aquela noite, e era a primeira vez que alguém tocava no assunto e não me deixava desconfortável. - Eu vi minha irmã á beira da morte. Juro que pensei que você estava morrendo, que tinha feito alguma loucura. - Ela respirou fundo. Senti que estava prestes a chorar. - Percebe o quanto você é importante para nós? - Eu mesma estava prestes a chorar.
- O que seria de mim sem você, minha irmã? - Deitei em seu ombro.
- Você não seria nada minha cara. Nada. - Ela deu uma palmadinha em meu ombro. - E agora chega de sentimentalismo, você precisa dormir. - Então lembrei o quanto eu ainda estava exausta. - Beba a poção. - Ela tratou de destampar o pequeno frasco.
- Tudo bem. - Respondi me ajeitando na cama. Rezei para que não tivesse um gosto terrível. Levei o frasco aos lábios e fiquei surpresa ao sentir o gosto adocicado. Aparentemente minhas preces haviam sido atendidas.
A sonolência logo começou a se manifestar. Agora Vic ajeitava meu travesseiro e meus cobertores sobre mim. Tive a impressão de que sussurrei "boa noite" antes de cair no sono.
N/A's
Mais um capítulo atrasado, mas postado! \O
Espero que vocês gostem, assim como nós gostamos desse capítulo (para mim ele é bem especial, e sentimental). Postaremos o próximo antes do Natal, ele já está pronto, faltam apenas alguns ajustes...
Não esqueçam de comentar, ficaremos felizes de saber o que vocês acharam desta continuação.
Beijos & Beijos!
Até a próxima!
Vic e Angel!
