Sakura POV
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Era uma rua deserta com casas grandes num estilo oriental moderno, o que significava basicamente que eram casas grandes que tentavam imitar as mansões feudais colocando elementos mais atuais em suas fachadas, algo sofisticado mas que remetia ao passado e às tradições japonesas, assim eram todas as casas naquela rua.
Obviamente era um bairro de gente com dinheiro.
Kakashi estreitava os olhos mirando as construções pelo vidro fumê do carro, resmungando sobre como todas as casas ali eram parecidas e da dificuldade de encontrar a casa certa. Definitivamente meu namorado não era o tipo que se perdia, mas era fato que todas as casas pareciam um tanto iguais, não fosse algum detalhe minúsculo ou mesmo o número.
— Como é o nome dela mesmo? — Perguntei quando ele pareceu ter finalmente identificado algo que lhe parecesse familiar.
— Mitarashi Anko — Ainda tinha um ar distraído, mas foi relaxando no banco quando teve certeza que havia encontrado a casa.
Muros altos, porta de madeira, garagem ocupada por dois carros e mais dois estacionados na frente. Meu palpite era que nós éramos os últimos a chegarem, mas a culpa é toda de Kakashi que ficou dando trela pro meu pai tagarelar quando foi me pegar em casa.
Ele foi estacionando e eu passei a mão pelos cabelos, colocando eles caídos para o lado. Tinha colocado uma camisa branca de botões de tecido leve e um blusão mais quente na cor caramelo por cima, me enfiei em uma saia com meias 5/8 pretas e uma bota de salto que lembrava um coturno.
— Meu bem, escute — Ele chamou ao desligar o carro. Virei pra ele me sentindo um pouco ansiosa — Só beba o que eu te der, ok?
— Acha que alguém pode colocar algo na minha bebida? — Arqueei uma sobrancelha divertida. Não fazia nenhum sentido aquele pedido a não ser que fossem sequestradores de órgãos.
— Você não sabe beber e eles são um bando de bêbados — Falou colocando a mão no meu rosto enquanto eu revirava os olhos — Quando te oferecerem algo você fala que eu vou pegar algo pra você, assim eu garanto que você não passa do ponto.
— Você não acha que está sendo muito controlador? — Eu abri a porta do carro, fazendo-o se adiantar também pra descer. — E você tá supondo algo pelo que Genma disse, você nunca me viu beber.
— Apenas estou sendo cuidadoso. — Ele deu a volta no carro e laçou minha cintura, me trazendo pra perto. — Adorei seu batom. — Disse já abaixando a máscara e encostando os lábios levemente nos meus, com cuidado pra não borrar tudo em vermelho.
Suspirei enquanto ainda estava com as mãos jogadas envolta do pescoço dele. Já estava quase arrependida de ter optado por um batom tão forte. Ele me beijou na testa uma última vez antes de deslizar a mão pela minha cintura e entrelaçar nossos dedos, me puxando até a porta imponente de madeira escura.
Tocamos a campainha e esperamos. Eu já não sabia se estava sentindo o frio da noite ou se era a minha barriga revirando por pura ansiedade. Kakashi havia me dito que se ele não me apresentasse logo pra o grupo, era provável que eles fossem bater na minha casa para me conhecerem. Pareciam um bando de curiosos.
A porta se abriu revelando um homem de cabelo castanho com um palito de dente entre os lábios. Genma sorriu pra nós dois nos puxando pra dentro. Além dos muros havia uma ampla área verde, com flores e arbustos bem podados, um caminho curto de pedras nos levava até a varanda sofisticada da casa.
Subimos os poucos degraus deixando nossos sapatos pra fora da casa e casacos pendurados num cabide, Genma nos contava que já estavam considerando ir atrás de nós dois enquanto andávamos por um corredor pequeno até darmos de cara com uma sala ampla um tanto vazia para o tanto de carros que haviam na porta.
— Finalmente! — Uma mulher de aparência não-tão-alta falou de uma poltrona branca num canto perto da enorme janela panorâmica que dava vista para um jardim de inverno.
Kakashi deslizou pra um lugar na ponta, e eu sentei no braço do sofá que era estranhamente confortável, escorando um braço no ombro dele enquanto ele apoiava um cotovelo nas minhas coxas cruzadas. Genma se sentou no chão, próximo a uma mulher de cabelos negros e curtos.
Me introduzindo aos poucos na sala, descobri que a moça de cabelos curtos se chamava Kato Shizune, professora de alguma matéria na área de biológicas, a outra era a anfitriã do lugar, que já parecia ter passado um pouco do ponto com a bebida, mas continuava consciente o suficiente pra ter qualquer tipo de conversa. Talvez a bebida lhe ajudasse nisso.
Em algum momento começaram a zoar com Genma e seu suposto ego enorme, que começou a protestar enquanto Anko retrucava com um desinteresse clássico. Meu namorado resolveu se levantar e ir pegar alguma coisa pra tomar. Escorreguei para o lugar que Kakashi tinha ocupado a um momento atrás, apoiei o cotovelo no braço do sofá e fiquei observando a dupla, mas ai percebo Shizune me olhando com curiosidade.
— Seu cabelo...
— É natural. — Ela arqueou uma sobrancelha e eu percebi que ela estava tentando decifrá-lo. Comecei a explicar minha teoria pessoal sobre a origem da mutação do meu cabelo estranhamente rosa. Pra mim era resultado de uma mescla de albinismo com algum gene para ruivos.
A mulher parecia estar realmente entretida com aquilo, continuou a conversa perguntando sobre quem mais em minha família tinha esse tom, e honestamente, todo mundo da parte do meu pai tinha cabelos rosas em tons variados, o meu era com certeza o mais vivo da família.
— Um teste genético definiria isso. — Ela disse bebericando um liquido âmbar num copo baixo enquanto considerava sobre a dominância do gene rosa, e então me avaliou por um momento estreitando os olhos e eu me perguntei o quanto ela já tinha bebido. Estávamos tão atrasados assim?
— Kakashi é albino. Digo, ele tem um grau de albinismo — Ela recomeçou e eu concordei com a cabeça, obviamente aquele cabelo prateado vinha disso — E é um albinismo dominante, passada pelo cromossomo Y, afetando todos os homens da família dele — Ela passou a mão pelo rosto pensativa — Fico imaginando se vocês tivessem um filho, qual seria a cor do cabelo dele.
Eu pisquei aturdida. Filho? Por sorte eu não estava tomando nada, senão teria engasgado no mesmo instante. Entretanto ela estava falando de maneira tão profissional que eu não tive como simplesmente escapar daquela não-pergunta. Coloquei minha cabeça pra funcionar da maneira mais impessoal possível, articulando uma possível combinação genética e evitando pensar que eu estava imaginando o meu filho.
— Provavelmente branco — Disse tentando fazer o sangue das bochechas sumirem — No caso de um homem, rosa muito claro no caso de uma mulher... imagino. — Passei a mão no nariz imitando um Naruto sem graça, ela ficou me encarando e concordando com a cabeça.
— Mas de olhos verdes, com certeza. — Ela falou por fim, finalmente satisfeita.
Kakashi voltava nessa hora, colocando um copo parecido com o de Shizune na minha mão, o líquido âmbar estava bem mais ralo ao passo que haviam duas pedras de gelo. Uísque não era bem a minha praia. Ele segurava um copo com uísque puro e sorriu pra mim, me incentivando a beber.
Tomei um pequeno gole sentindo água de coco pra todo lado, mal tinha álcool naquilo. Revirei os olhos pra ele.
— Shizune já está engravidando você? — Perguntou se acomodando no braço do sofá, completamente alheio à situação. Eu ainda sustentava o blush que adornava meu rosto, e felizmente não tive que responder, afinal Shizune imediatamente respondia, me poupando de uma possível gagueira.
— Há, muito engraçado, Hatake — Ela soltou se endireitando ao meu lado — Vocês são duas mutações ambulantes, é claro que eu tinha que considerar algumas hipóteses. — E deu os ombros, deixando claro que seu interesse era puramente cientifico.
— Ela é médica neonatal.
—... e geneticista. — Completou lançando um olhar de reprovação para Kakashi — Eu vi no facebook que você ainda não terminou o ensino médio, já sabe pra que faculdade vai?
É claro que todos haviam fuçado meu facebook em peso. Não que eu achasse que isso não iria acontecer, mas quando era dito assim – tão claramente – era impossível não ficar um pouco apreensiva sobre minhas próprias publicações, que se resumiam a muitos memes de Overwatch, comentários aleatórios sobre doramas e, obviamente, muita piada interna com amigos.
Uh.
— Ah, eu vou ficar aqui em Kyoto mesmo, meu pai e meu namorado moram aqui afinal... — Sorri pra ela — Só não sei o curso, mas provavelmente será medicina.
— Provavelmente? — Ela questionou como se tivesse ouvindo um insulto — Você tem as notas, não é? Ninguém escolhe medicina por probabilidade.
— Ela tem a opção de ir pra Literatura.
Shizune revirou os olhos juntamente comigo.
— A gente acabou namorando porque eu era péssima em literatura, e além disso é o único curso que eu definitivamente não posso fazer. — Kakashi ficava me olhando como se eu acabasse de enfiar uma faca nele — Amor, você é professor, eu sou sua namorada.. No mínimo isso fere umas trinta normas éticas. — Foi ai que ele maneou a cabeça parecendo estranhamente satisfeito.
A médica não evitou uma risadinha, maneando a cabeça juntamente com Kakashi, mas aparentemente cada um tinha seu próprio motivo pra isso.
— Faça medicina, prometo que faço ficar interessante. — Disse por fim, vendendo o peixe do curso — Você tem futuro, podemos encontrar uma pesquisa na área de genética, vamos fazer isso acontecer.
— Você precisa de uma assistente nova, não é?
Uma mulher de cabelos negros saia do corredor colocando um prato cheio de frios sob a mesa longa com aspecto rustico no centro da sala. Ela era fantástica em seu vestido vermelho caído com um decote nas costas, tinha brincos longos e parecia sair de alguma revista. O jeito que andava lhe dava um ar exótico e misterioso, ao passo que sua voz confiante poderia fazer tremer qualquer um.
— Orochimaru-sama pega todas as boas — Shizune suspirou — Preciso garantir que essa aqui vai ser minha.
— Viu, meu bem, você é tão boa que já estão brigando por você. — Kakashi cochichou com a boca contra a minha orelha, seu timbre baixo foi o percussor de um longo arrepio que atravessou meu corpo. — Não deixe Shizune te roubar de mim.
— Bobo — Sussurrei de volta apreciando o sorriso cínico que ele tinha no rosto.
— Então você é a Sakura-chan, hein — A mulher disse ocupando um lugar no largo sofá.
Atrás dela vinha um homem alto e musculoso com uma barba densa, sua boca escurecida denunciava o vício em tabaco. Ele sentou-se ao lado dela colocando um braço sobre os ombros da mulher, eram um casal.
Virei pra ela tomando mais um gole da bebida fraca que Kakashi havia me trazido e confirmei com a cabeça, sentindo uma certa intimidação por parte dela. Cruzei as pernas pro outro lado percebendo que Anko e Genma tinham se calado.
— Essa é a Yuhi Kurenai, da diretoria — Kakashi falou abertamente — E seu esposo, Sarutobi Asuma.
Ela sorriu como uma raposa, aquele animal definia bem ela. Já seu companheiro me cumprimentou erguendo o copo que tinha na mão, no qual eu retribui com um gesto semelhante.
—Nós somos namorados — Ela corrigiu — Não nos casamos.
— Mas moram juntos a anos... — Shinuze disse se esticando para alcançar os cubos de queijo no prato recém saído da cozinha, obviamente justificando o fato de que aparentemente todos eles consideravam os dois casados.
Asuma parecia estar se divertindo e eu fiquei imaginando se ela estava apenas corrigindo Kakashi ou aproveitando a situação pra mandar uma indireta pro homem. As duas possibilidades pareciam bastante palpáveis àquela altura.
— Mais fácil Sakura e Kakashi casarem que vocês dois — Genma comentou pegando amendoim ao lado dos queijos e levantando vagarosamente.
Já tinham me dado filhos e agora estavam me casando. Eles eram realmente muito intensos. Kakashi fazia a sua habitual cara de paisagem, como se estivessem falando de outra pessoa e ele não tivesse o menor interesse na conversa.
Eu queria tanto essa habilidade.
E apesar da pequena onda de constrangimento, não me passou despercebido o olhar de reprovação que a mulher em vermelho dirigiu para Genma.
— Eu estou louca pra saber, mas estava esperando a Kurenai se sentar pra perguntar.. — Anko disse se empertigando no sofá, e o jeito que ela girou o tronco denunciava que não estava muito sóbria, apesar de sua voz não vacilar em nenhum momento, todos viraram para ela com atenção — Como diabos vocês se conheceram mesmo?
De repente a sala começou a ser preenchida por um som baixo e grave, que se mantinha num nível adequado para que fosse ouvido sem prejudicar qualquer tipo de conversa.
Eu conheceria aquela música em qualquer lugar que fosse, dei o meu melhor olhar de aprovação para Genma, que tinha se levantado para por música no ambiente.
Armour de Tender escorregava leitosa pela sala até os ouvidos de todos, juntamente com a voz de Kakashi que resumia nossa história à "dei aulas particulares à ela".
— Não imagino você dando aulas particulares por nada neste mundo. — Asuma disse com humor.
Kakashi não respondeu, resignou-se como se estivesse relembrando algo do seu próprio agrado. Arqueei uma sobrancelha imaginando o que poderia ter feito Kakashi aceitar dar aulas pra mim, assim, atoa.
— Pra tudo se tem uma primeira vez. — Eu disse enquanto ele se levantava pra catar uma garrafa de uísque colocada no chão, mas não antes de me dar uma piscadela.
E então começou uma longa sabatina, com perguntas diversas sobre como diabos havíamos iniciado um romance sendo eu treze anos mais nova que Kakashi. Claro que eles não falaram isso abertamente, mas todos os questionamentos tinham esse teor, principalmente quando eles tão firmemente diziam que Kakashi jamais se interessaria por uma aluna, por alguém muito mais jovem, por alguém que não fosse o tipo dele.
Evidentemente boa parte das alfinetadas sobre nosso relacionamento ser inadequado vinha de Kurenai, que eu imediatamente considerei como uma megera. Me perguntava como diabos Asuma, um cara tão bacana, tinha sequer se envolvido com ela.
Tudo bem, a mulher era fantástica, segura de si, tinha todas as curvas perfeitas e aqueles olhos vermelhos intensos e exóticos. Vermelho definitivamente era a cor dela, ficava linda naquele vestido longo com costas nuas, despojada com um ar distante. Ela era o tipo de mulher que deixaria qualquer um intimidado, não apenas por sua beleza estonteante mas também pela sua atitude.
Mas ela era uma megera.
Absolutamente todos eles estavam me fazendo sentir acolhida, conversavam entre si, tiravam piadas um com os outros – principalmente de Genma, que era o boto do grupo – e procuravam me enturmar sempre que possível, mas a megera não perdia a oportunidade de simplesmente jogar na minha cara, e possivelmente na de Kakashi, que esse era um relacionamento pra lá de inadequado.
Era Anko quem tinha uma longa tatuagem de cobra enrolada em seu braço, mas a venenosa com certeza era Kurenai.
Entretanto a noite foi passando, eu pude ver algumas facetas de Kakashi que eu não conhecia. O jeito que ele interagia com os amigos de maneira relaxada e descontraída, e claro, as vezes bastante alheia me fazia querer apenas sentar e assistir ele falar e beber a noite toda.
Ele não era do tipo tagarela – estes eram Anko e Genma – e por isso não falava mais que o necessário, e seu silencio não era algo pesado, na verdade todos pareciam completamente habituados à comunicação não-verbal de Kakashi, e pelos céus, ele parecia nunca se irritar, apesar das tentativas de Genma ou Shizune, o homem tinha sempre aquela expressão alheia, fingindo demência à algumas situações.
Principalmente quando a situação era uma inconveniente Kurenai.
Mas, hey, eu realmente estava me divertindo de uma maneira que eu não esperava. O grupo era diverso e cada um tinha uma personalidade bem marcante, e com certeza Genma e Shizune eram os meus favoritos ali, o primeiro ficava falando cada vez mais alto a medida que a bebida lhe fazia efeito, e tinha começado a dar em cima de Shizune, que apesar de ter praticamente secado uma garrafa de uísque, parecia completamente sóbria e até capaz de fazer um parto ali mesmo.
A bebida, é claro, começava a afetar todos eles a medida que a noite se prolongava. Asuma tinha o rosto levemente avermelhado, Anko conseguia rir das piadas mais idiotas possíveis, e anunciando que precisava tomar saquê do jeito certo – aquecido até a temperatura ideal como manda o hitohada – Kakashi me confirmava que ele já havia passado do ponto.
Levou uma legião consigo, os bêbados machos aparentemente tinham algo por seguir um ao outro, indo à cozinha para elaborar o saquê ideal, Anko se adiantou junto a eles para garantir que não quebrariam nada na sua cozinha – e tomar o saquê – e foi ai que Shizune simplesmente se levantou e seguiu com eles por medo dos bêbados se queimarem no processo.
Obviamente eu me levantei, totalmente sóbria, vendo meu copo sobre a mesa se derreter em desgosto. Saquei o celular do bolso dando pequenos passos em direção à cozinha na intenção de filmar tudo e rir da cara de Kakashi no dia seguinte.
— Hm, Sakura...
Antes que eu pudesse sumir no corredor, a voz de Kurenai se fez presente entoando meu nome num timbre firme, e havia alguma coisa ali no rosto dela quando me virei, como se ela estivesse tentando ser conciliativa de alguma forma.
— Sim...? — Respondi entrando no modo defensivo.
Ela deu dois tapinhas no sofá, ao lado dela, num convite à me sentar com ela. Tinha um sorriso calmo nos lábios e foi ali que eu lembrei que ela tinha sido a única, além de mim, que não havia bebido nada naquela noite.
Sentindo que estava indo em direção à algum tipo de armadilha, eu deslizei o telefone de volta ao bolso e fui, resignada, para o lado da mulher, desejando transparecer casualidade, apesar de ter algo gritando na minha cabeça que aquilo não podia ser coisa boa.
Pousei as mãos sobre as pernas ouvindo certo murmurinho vindo de longe pelo corredor, a música ainda soava à voz do vocalista preenchendo o silêncio que se fez enquanto ela se esticava para pegar a tábua de frios, que estava parcialmente devorada.
— Eu odeio gorgonzola, mas não consigo parar de comer.. — Falou colocando um pedaço na boca e fechando os olhos, eu não sabia se estava se deleitando com o sabor ou se era uma careta de desgosto. Talvez ela fosse masoquista.
— Prefiro provolone — Comentei quando ela abriu os olhos, depois de engolir o tal queijo ruim.
— Então temos mais uma coisa em comum — E foi pegando uma azeitona solitária. Sua fala parecia como se estivesse querendo dizer mais coisas além do que parecia, entretanto optou por manter a conversa rasa — Não bebeu a noite toda...
— Alguém tem que dirigir. — Falei dando os ombros, esperando que ela me questionasse sobre a posse de uma carteira de motorista, mas não foi isso que veio.
— No meu caso, estou grávida. — E encarou um pedaço de gorgonzola que tinha entre os dedos — Talvez seja por isso que não consigo deixar de comer isso, mesmo que eu odeie esse queijo — E o enfiou na boca.
— Oh! Parabéns! — Eu disse olhando para a barriga dela involuntariamente, não parecia tão grande — Kakashi não me disse.
— Ah, ele não sabe. — E deu os ombros, engolindo o queijo com uma careta — Nenhum deles sabem. Eu ia contar-lhes hoje mas... Bem, Kakashi resolveu revelar você, então achei que poderia esperar mais um pouco. — Ela me dirigiu um olhar avaliativo — Você não vai contar, não é?
— Oh, não — Respondi rapidamente, fazendo um movimento brusco com as mãos pra endossar minha negativa. A pergunta era, porque ela estava me contando isso, assim, de repente. — É algo seu, você conta quando quiser.
Ela deu uma pequena risada com uma expressão natural e até mesmo contente. Pegou a tábua que havia depositado ao lado dela e devolveu à mesa de centro. Ela passou as mãos nos cabelos, arrumando uns fios e parecia estar se preparando para alguma coisa. Acompanhei seus movimentos com os olhos, imaginando se eu poderia me juntar aos outros, já que o barulho estava ficando cada vez mais caótico.
— Devemos ver o que está acontecendo? — Perguntei quando o silêncio já estava durando um pouco além do normal.
— Não, Shizune está lá. Ela dá conta deles. — E fez um gesto com a mão indicando que eu não deveria me preocupar — Apesar de que eu acho que ela nunca lidou com Kakashi bêbado. Ele não é de passar do ponto.
— Hm, sim... — Eu não tinha certeza, nunca tinha bebido com ele. Na verdade, eu também não tinha certeza daquela conversa, ela não estava chegando a lugar nenhuma.
— De todo modo ele vem fazendo várias coisas que não são do seu feitio — E maneou a cabeça — Sakura, Kakashi é um homem solitário e bastante simples pra ser honesta. Ele parece esse homem misterioso e a máscara lhe dá todo esse charme especial, mas a verdade é que ele é bem pacato e tranquilo — Ela coçou a mandíbula pensativa — Um pouco melancólico também, mas, ora, se você pensar em tudo o que já lhe aconteceu, é até surpreendente que ele seja tão estável.
— A coisa com Rin?
Kurenai girou a cabeça rapidamente e seus olhos miraram os meus. Não escondeu a estranheza no olhar quando pronunciei aquele nome. Tomou um segundo para se recompor e organizar os pensamentos.
— Então ele te contou. — Eu confirmei com a cabeça diante da afirmação dela. — Oh, inferno — Ela balançou a mão — Eu realmente gostaria de beber agora.
— Posso te pegar um suco. — E sorri de canto, ela entendeu a piada.
— Eu era a melhor amiga de Rin. — Revelou depois de um momento — E acompanhei o lado dela da história toda. Quando ela se foi, Kakashi se sentiu muito culpado. Ele já não era o tipo de pessoa que se abria, e depois disso ele simplesmente não falou com ninguém sobre isso, só foi pra fora do país se curar na tão fria Inglaterra. Acho que combinava com seu humor — E deu os ombros, perdendo o olhar em algum canto da sala.
Saber que ela era a melhor amiga de Rin explicava toda a situação, pelo menos a situação prévia. Ela ser resistente à um relacionamento entre mim e Kakashi provavelmente era resultado dessa amizade, talvez se sentisse no dever de odiar qualquer namorada que Kakashi pudesse ter para fazer jus à memória de sua amiga.
Eu provavelmente faria o mesmo por Ino.
— O ponto, Sakura, é que eu não vi Kakashi saindo com uma mulher por mais de uma noite desde Rin. — E fez questão de olhar para mim quando terminou a frase.
Sim, eu sabia que todo aquele evento havia deixado profundas cicatrizes em Kakashi, só nunca parei para pensar em como aquilo tinha afetado ele a longo prazo. Me curvei um pouco para frente, equilibrando os cotovelos nas pernas e apoiando a cabeça nas mãos. Ele tinha me contado tudo e havia sido um momento sensível e intenso, algo que o conectou a mim de diversas maneiras.
Ele me deixou entrar, e eu entrei.
— Quando Genma disse que ele estava saindo com alguém todos ficamos agitados, o comportamento anterior dele parecia corroborar para isso. Queríamos saber quem era a mulher que havia arrebatado Hatake Kakashi, e imagine a minha surpresa quando vejo que essa mulher nem tinha terminado o ensino médio ainda.
... Ouch.
Agora eu estava entendendo tudo. Não era ela me odiando em memória de Rin. Era ela cuidando de Kakashi em memória de Rin.
— Eu vou der direta. Quatorze anos é uma diferença palpável. Eu sei que você é uma boa moça, que está com ele porque está apaixonada provavelmente, mas Kakashi é um homem. — E me encarou com olhos sérios — Um homem cheio de traumas e problemas, e eu odiaria ver esse homem se quebrar novamente por causa de uma adolescente que achou que poderia amá-lo mas mudou de ideia por qualquer motivo.
— Você é uma boa amiga, Kurenai — Eu disse abraçando a mim mesma suavemente ao passo que ela me lançou uma expressão intrigada — E eu espero que você acredite em mim quando eu digo: é pra valer. Eu não estaria aqui, aguentando suas indiretas a noite toda se ele não fosse importante pra mim.
Ela sorriu de canto, maneando a cabeça com suavidade. Eu acompanhei seu sorriso com outro, e de repente eu senti um sentimento de cumplicidade se estabelecendo naquele momento.
— Não vou pedir desculpas por isso.
— Eu não espero o que faça.
Nós rimos.
Eu já havia tomado consciência de que eu representava algo grande pra Kakashi, que ele não me contaria tudo aquilo apenas porque queria compartilhar algo. Era a forma dele de dizer que estava sério sobre tudo, que não me via como uma adolescente boba e queria que eu o visse como ele de fato é.
Fechei os olhos com um sorriso no rosto.
— Eu realmente gosto dele, Kurenai. Não posso te dizer o que vai acontecer, mas posso dizer que eu quero estar com ele e eu vou ficar, até quando ele quiser que eu fique.
— Vou confiar em você. Na verdade, eu já confio. Kakashi está feliz, vocês estão fazendo funcionar e isso é o que importa. Eu só queria... deixar algumas coisas claras.
— E eu agradeço por isso.
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Já eram quase quatro da manhã quando Hatake Kakashi decidiu ir embora, isso foi logo após Anko gritar com todos eles quando quebraram um conjunto de copos cerimoniais que ela tinha guardado a não sei quanto tempo. Todos correram da casa, Shizune foi a primeira a partir com Genma ao seu enlace implorando uma carona, trôpego e com a dicção afetada.
Kurenai me ofereceu uma carona, mas pareceu um pouco chocada quando eu disse que não precisava, já que iria dormir na casa de Kakashi de qualquer modo. Ficou muito evidente que ela achava que nós nunca havíamos passado a noite juntos, e, oh, talvez fosse uma dúvida que todos eles tinham.
Fiz um teimoso mascarado me entregar as chaves do carro. Ele me olhava desconfiado, mas no final optou por me deixar dirigir seu carro, ocupando o banco do carona e se afivelando prudentemente com o cinto de segurança. O trajeto foi simples, e apesar de a prática da direção ser pouca, as ruas vazias me traziam mais confiança no processo, de modo que estávamos em casa rapidamente.
Tudo bem que eu tive alguns problemas pra estacionar naquela vaga minúscula do prédio, mas quem liga, não é?
Kakashi era um bom bêbado, apesar de eu ter que ficar puxando ele sempre, o homem conseguia andar sozinho e mesmo parecendo estar falando em câmera lenta, ele ainda conseguia articular as palavras de uma maneira que só ele poderia fazer.
O sentei no sofá e me livrei dos sapatos dele rapidamente enquanto ele me dava dicas de como estacionar. Aproveitei o seu momento de instrutor automotivo para me livrar dos meus próprios sapatos e suéter, correndo na cozinha pra trazer água e um par de Engov* pra ele, assim ele não teria tanta dificuldade com a ressaca no outro dia, eu supus.
— Mas eu não to doente.
— Confia em mim, Kakashi. — Eu disse empurrando os comprimidos pra ele — Toma, vai.
Ele me encarou com seu melhor olhar de bêbado desconfiado e então colocou os dois comprimidos na boca, bebendo o copo d'água de uma vez só. Sorri satisfeita, recolhendo o copo e, em seguida, o içando para levá-lo à cama.
— Mas eu não to com sono.
— Eu só vou tirar sua roupa e a gente fica deitado. Não precisa dormir.
Os olhos dele caíram sobre mim com uma sobrancelha arqueada. Um sorriso típico brotou na sua face e ele parou de pé no corredor, me impedindo de continuar andando. Inclinando o corpo pra trás, ele soltou um longo assobio ao mirar a minha bunda. Eu dei uma risada.
— Você tá me levando pra cama sem nem uma cantada antes? Você é uma pervertida.
— Pode apostar.
Maneou a cabeça de maneira divertida, não vacilou em nenhum momento para entrar no quarto e se livrar da própria camisa, jogando-a sobre uma pilha de papeis em cima da mesa. Eu suspirei, me aproximando para abrir as calças dele, quando de repente sinto as mãos dele na minha bunda, firmemente.
— Hey!
— Olá!
Sua voz tentava soar grave e sedutora, mas o slow motion deixava as coisas um pouco cômicas, eu dei uma risada sem me importar com o apalpamento repentino. Era bom que se distraísse, facilitava o processo.
Primeiro me livrei do cinto dele, e depois abaixei rapidamente, junto das calças dele. Sem que eu precisasse falar, ele fazia um movimento rápido com os pés se livrando completamente do jeans, e ficando apenas com sua samba canção vermelha.
Sorri satisfeita do meu trabalho ali, era fácil cuidar de um Kakashi bêbado – mais fácil que a Ino bêbada.
— Ok, agora você pode deitar.
Ele me encarou por um momento, um sorriso fácil brotando em seu rosto. Deu um passo pra perto de mim e eu arqueei a sobrancelha. Falou meu nome daquele jeito que tentava ser sensual mas falhava, eu soltei uma curta risada quando as mãos dele se apoiaram nos meus ombros. Ele manteve os olhos em mim e eu mordi o lábio na tentativa de não rir.
— Você não tá esquecendo de algo? — Perguntou deslizando as mãos pelos meus braços até nossas mãos se encontrarem.
— Tô?
— Tá... — Ele me puxou tão delicadamente quanto seu estado bêbado permitia e encostou seu lábios nos meus, movendo-os suavemente. Minha vontade de rir ia sendo dissipada a medida que aquele beijo aprofundava, com nossos lábios se partindo para deixar nossas línguas iniciarem uma dança lenta e intensa.
As mãos dele soltaram as minhas, que se apoiaram em suas costas confortavelmente enquanto ele depositava uma em minha cintura, me mantendo firme contra ele, e a outra na curva de meu pescoço, com seu polegar acariciando a minha bochecha.
Ele se afastou milímetros, eu podia sentir seu hálito intoxicado no meu rosto antes que ele começasse a me beijar o canto da boca, descendo pelo meu maxilar, sua mão conduzia meu rosto de forma que ele pudesse ter acesso fácil ao meu pescoço, traçando beijos úmidos que me causavam todo tipo de arrepio.
— Uh, Kakashi — Suspirei tentando afastá-lo antes que as coisas ficassem mais intensas. Ele estava bêbado e não parecia certo, mas a verdade é que eu também não estava muito certa de que eu queria de fato parar por ai.
— Mhm..? — Disse com a boca ainda na pele exposta do meu pescoço, tateando minha bunda ao seu bel prazer. Seus dedos pressionavam a minha coxa e nádegas com firmeza enquanto que sua outra mão se mantinha nas minhas costas, me mantendo firme em seu enlace. — Eu quero você, Sakura.
Oh, deus.
A frase soou, de repente, como um fósforo jogado num braseiro. Senti o corpo vacilar sobre o desejo dele, querendo satisfazê-lo de todas as formas.
Inclinei-me levemente pra trás, puxando seu rosto pra frente, vendo seus olhos nublados passearem pelo meu rosto e se manterem focados em minha boca. Eu sorri em satisfação antes de mergulhar num longo beijo, movendo nossos lábios de forma frenética e quente.
Senti a mão dele puxar minha coxa pra cima, e num instante eu estava o abraçando com as pernas. Ele me colocou em cima da mesa de apoio e seus dedos necessitados agarram-me a gola da camisa, com um movimento brusco, os botões estouravam para todos os lados e meu fronte estava exposto.
Suas mãos subitamente estavam por toda a parte, eu o sentia me explorando, se fazendo presente em cada pedaço de pele recém revelada. Exigindo mais de mim, seus beijos ficavam cada vez mais desesperados. Joguei minhas mãos envolta do seus ombros quando sua boca deixou a minha para sugar com avidez meu seio.
— Ah, isso... isso...
Mantendo uma mão nas minhas costas, e com outra na minha coxa, ele me estimulava sugando e mordiscando meu mamilo enquanto eu lutava para não soltar longos gemidos. Minha respiração descompassada revelava o prazer que me invadia enquanto eu o puxava cada vez mais pra mim.
Sem nenhum aviso, o homem me puxou da mesa e me girou. Espalmei as mãos no móvel enquanto ele segurava o meu quadril, afastando minhas pernas com as deles.
— Fique assim.
Era uma posição ridícula. Estava inclinada sobre uma mesa com o rosto encostado sob sua superfície, minha bunda empinada e as pernas abertas, dando total e completo acesso à Kakashi.
Eu me sentia completamente vulnerável, sem poder vê-lo ou tocá-lo, sem ter controle sobre aquela situação.
Tentei regular minha respiração enquanto o ouvia voltar pra mim, a embalagem da camisinha caindo no chão e sua mão finalmente acariciando minhas coxas, subindo lentamente pela minha meia até chegar na pele exposta por baixo da saia.
— Adoro essas meias, Sakura. — Falou concentrado naquele carinho, compenetrado na visão da minha bunda.
— O quanto, Kakashi? — Tentei evitar um suspiro enquanto ele sentia o quão úmida eu estava, com um dedo sinuoso se arrastando lentamente entre minhas pernas.
— Ah, eu vou te mostrar...
Ele colocou uma mão espalmada na base das minhas costas e foi deslizando até o meu pescoço, então ele agarrou meus cabelos e os puxou, debruçando o corpo sobre mim, sua boca cobria a minha tropegamente, sugando meu lábio inferior, mordiscando-o ao passo que sua ereção se fazia presente entre as minhas pernas, tocando em mim sem me adentrar.
Deixei escapar um gemido quando ele deslizou uma das mãos pelo meu ventre, minha bunda colada em seu quadril, sua ereção entre minhas pernas e seus dedos maravilhosos traçando círculos suaves no meu clitóris.
— Sakura... — Sussurrou contra minha pele, mordendo na curva de meu pescoço, chupando e mordiscando.
Eu sentia as pernas vacilarem, meu corpo vibrava. Eu era toda dele. Eu conseguia sentir meus mamilos enrijecidos contra a madeira da mesa, cada pedaço meu implorando para que ele se fizessem presente em mim. Sua pele quente me cobrindo, seu cheiro intenso se espalhando por todos os lugares, seus dedos...
Ah, seus dedos...
Me desfazendo sobre seus movimentos precisos, eu gemia alto e em bom som, tentando agarrar qualquer pedaço dele para me manter firme e falhando. Mesmo que eu tentasse virar meu rosto, apenas conseguia ter uma visão de seu braço rígido me segurando. Eu arranhava a madeira desesperada para tê-lo dentro de mim enquanto as sensações me invadiam como torrentes impetuosa.
Fechei os olhos com força enquanto arquejava estremecida pela necessidade de tê-lo em mim.
— Kakashi... Por fav-
Não cheguei a terminar, sua ereção me penetrava de maneira abrupta. Minha bunda se chocava contra o seu quadril ao comando de suas mãos, que ditavam o ritmo enlouquecido daquele movimento. Minha voz em prazer se misturava com os ruídos roucos, minhas pernas bambeavam mas ele me mantinha firme.
E quando eu senti superaquecer numa onda gelatinosa que se espalhava, Kakashi pressionava meu quadril contra o dele, segurando firme e soltando um gemido de prazer. Meu orgasmo se misturava com o dele em ondas sonoras que preenchia todo o lugar.
Tomamos um momento antes que ele se debruçasse mais uma vez em cima de mim e me ajudasse a erguer o corpo. Saindo de dentro de mim, ele me girou para depositar uma série de beijos pequenos pelo meu rosto enquanto eu me sentia exausta. Deixei o corpo esmaecer em seus braços enquanto ele continuava a me dar beijos e mais beijos.
Me inclinei para olhar o homem que me segurava e me deparar com pálpebras pesadas e um sorriso torto naquele rosto pervertido e sonolento. Revirei os olhos pra ele lembrando plenamente que, é, ele estava bêbado.
Segurei o rosto dele entre as mãos, lhe depositei um beijo calmo e o levei pra cama.
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Já havia passado da hora do almoço quando eu acordei. Kakashi estava deitado ao meu lado, cheirando a sabonete enquanto assistia um programa culinário em volume moderado. Não restava duvidas que tinha acordado antes de mim e tomado um banho, e talvez mais uma aspirina para lidar com a ressaca, já que parecia estar completamente curado a não ser pelos bocejos por baixo da máscara.
Ele me puxou pra si aspirando o perfume do meu shampoo, porque eu o tinha lavado antes de dormir. Ficamos conversando e aproveitando o domingo calmo sem sair da cama, regando um ao outro com beijos e carinhos. Kakashi não deixou de me agradecer por cuidar para que sua ressaca não fosse severa, logo depois começou a coagir-me para que eu dormisse lá aquela noite também.
O homem era impossível e estava usando todos os seus recursos para me convencer que seria a melhor opção para nós dois, desde argumentos como "gastamos o sábado com aqueles bêbados, mereço mais um dia" até "eu posso te trancar aqui dentro e esconder a chave".
O engraçado é que eu iria aceitar de todo jeito, mas vê-lo argumentando era bonitinho, principalmente depois que eu vi um anúncio de desconto no Ichiraku Ramen e minha barriga roncou. Pulei da cama declarando que iria conseguir Ramen barato pra gente e ele me bloqueou, alegando que só me deixaria sair da cama caso eu deixasse claro que passaria a noite.
Não pude evitar dar uma boa risada antes de enche-lo de beijos, perguntando que sabor de ramem ele iria querer antes de ir pegar nossa refeição.
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Mesmo não sendo engenheira ou coisas afins, eu precisava mesmo fazer uma crítica muito válida sobre o tamanho dos carros modernos em comparação com as vagas de estacionamento disponíveis no centro. Era um absurdo. Kakashi tinha um carro enorme e as vagas pareciam estreitas demais para que eu colocasse o veículo dentro sem nenhuma preocupação.
Alegando que eu iria voltar mais rápido caso fosse de carro, Kakashi me deu as chaves e voltou pra cama preguiçosamente. Eu achei até uma boa ideia porque o carro dele é ótimo de dirigir, mas fazer baliza era um absurdo. Se ele soubesse quanto tempo eu gastei estacionando, então com certeza ele teria me mandado a pé.
Se bem que ele também disse algo sobre praticar.
De toda forma, finalmente tendo colocado o carro em seu devido lugar – perfeitamente estacionado – eu pulei pra fora dele notando que algumas pessoas envolta me olhavam. Suspirei, todos expectadores das minhas inúmeras tentativas de estacionar corretamente, mas bem, tinha sido um sucesso, então eu estava orgulhosa.
Entrei no Ichiraku e ocupei o primeiro banquinho que vi, fiz meu pedido: Miso Lamen com Naruto e Miso Lamen com berinjela, o favorito de Kakashi.
Foi ai, enquanto esperava, que notei um buchicho no canto do estabelecimento. Virei na direção do ruído e dei de cara com duas cabeças loiras e dois pares de olhos azuis em diferentes tons conversando – pra não dizer brigando – sobre o quão bom era o ramem do Ichiraku.
Fiquei encarando por um longo momento, com o cotovelo apoiado na bancada de forma displicente. A interação de Ino e Naruto era simplesmente a coisa mais engraçada que eu já tinha visto em anos, principalmente porque nenhum dos dois havia me notado, e dessa forma discutiam com um nível de animosidade absurdo sobre o porquê de ramem (não) ser uma refeição adequada para qualquer hora do dia.
Assobiei quando a conversa começou a me entediar. Ambos viraram seus olhares pra mim, os azuis celestes de Naruto se acenderam com um sorriso, os turquesa de Ino me indagaram.
— Sakura-chan!
— O que você tá fazendo aqui? — Ela tombou a cabeça sobre o ombro — e sozinha..?
— Vim comprar a mais nutritiva refeição pra mim e pra um Kakashi de ressaca — Sorri de canto enquanto Naruto vibrava com minha declaração.
Ino bufou irritada e jurou morte a minha pessoa antes de mandar Naruto calar a boca, e é claro que ela também notou a chave do carro pendurada na minha cintura, por isso começou a questionar minhas habilidades como motorista e também a sanidade de Kakashi, alegando que eu era um perigo à população de Kyoto.
Por sorte, Naruto veio em minha defesa, pondo em pauta que eu precisava ter mais confiança no volante se quisesse vê-lo em Tóquio. O papo logo mudou pras provas, descobri que a escola de Ino já havia terminado o ano letivo e que agora estavam tendo um intensivo pré-vestibular antes da cerimônia de encerramento.
Nossa escola também estava nessa, mas ainda teríamos que ralar um pouco mais pra finalizar o ano. Os vestibulares seriam no final do mês, e pouco tempo depois teríamos nossa cerimonia de graduação. Eu mal podia esperar pra me ver livre do uniforme escolar.
— E Sasuke? — Perguntei enquanto pagava pelo pedido que acabava de chegar bem emalado em sacos de papel.
— Uh... — Naruto gemeu em desgosto, Ino me olhou como se soubesse de algo. — Nem me fale daquele bastardo.
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De alguma maneira que eu nunca havia imaginado, Sasuke estava demonstrando um grande talento para ser o babaca do ano. Eu não poderia nunca ter sequer pensado que ele tinha tanto talento pra piorar as coisas ao seu redor de uma forma tão simples. Sim, Sasuke era teimoso, mas a situação estava se encaminhando prum nível absurdo.
Tracei meu caminho de volta pensando sobre ele, sobre como as coisas haviam chegado àquele ponto tão rapidamente. Era minha culpa? Se eu tivesse simplesmente aceitado seus sentimentos e ficado ao lado dele as coisas seriam diferentes?
Se eu jamais tivesse ficado com Kakashi, Sasuke ainda seria Sasuke a essa altura?
Encaixei o carro na vaga indicada por uma placa singela escrita Apt. 509 – Sr. Hatake. O motor descansou quando tirei a chave da ignição, o silêncio e escuridão se fez presente no subsolo, as pequenas luzes instaladas nas laterais se mantinham acesas, e assim que eu saísse do carro, as luzes automáticas ficariam todas iluminadas, mas enquanto eu estivesse ali dentro, a escuridão era minha companhia.
Suspirei sentindo o cheiro da marmita exalar no carro. O ramem ainda estava quente e pronto para ser saboreado, mas eu já não tinha mais fome.
Pulei pra fora do veículo segurando nosso almoço, como esperado as luzes se fizeram presentes e meus passos ecoavam no lugar ocupado por inúmeros carros. Chamei o elevador e me escorei na parede. Sasuke estava ferrando com todos.
Naruto finalmente havia conhecido a noiva dele, e pra sua surpresa era uma moça um ano mais velha que todos nós, de lindos cabelos ruivos e que havia sido transferida de faculdade porque foi descoberta por um bam-bam-bam da biologia molecular da Universidade de Kyoto. A menina, nossa senpai, estava estudando pra ser médica, e era uma Uchiha em sexto grau.
Na verdade, ela sequer carregava o nome Uchiha.
A menina era Uzumaki Karin, prima de Naruto.
Karin era filha de um primo de Kushina e sua mãe era uma Uchiha, então ela havia herdado o nome Uzumaki, já que geralmente se batiza os filhos com o sobrenome do pai, apesar de que no caso de Naruto, o nome da mãe prevaleceu.
Ele me contou que a moça havia ido morar na casa de Sasuke, porque assim que Madara soube da transferência dela, achou conveniente fazer essa união o mais rápido possível, e até que o futuro líder da família a estava tratando bem dentro de suas limitações, só que depois do nosso pequeno desentendimento, Sasuke começou a desprezar a menina, e depois humilhá-la.
O caso foi tão grande que o primo de Kushina pediu para que ela a aceitasse em sua casa enquanto a moça encontrava algum lugar pra ficar, porque Sasuke estava fazendo da vida dela um inferno, e aparentemente, Madara estava cagando pra isso, só queria saber da data do casamento.
Entrei no elevador apertando o botão do quinto andar. Vi meu reflexo no espelho, cabelo preso num longo rabo de cavalo e a camisa acinzentada de mangas longas de Kakashi caindo por cima dos shorts. Olhos sérios, expressão irritada. Bem, pensar em Sasuke sendo esse tipo de pessoa me deixava assim.
O elevador fez uma breve pausa no térreo, e abrindo suas portas metálicas, Uchiha Sasuke arregalava os olhos em surpresa ao ver Haruno Sakura subindo também.
Durou um segundo, ele me olhou com surpresa e logo em seguida voltou à sua expressão neutra. Deu um passo à frente e nos encaramos novamente. Eu tinha raiva e não escondi isso, mas ele não se abalou. Deu-me as costas e apertou o botão do último andar, junto com o de fechar as portas.
Eu podia ver suas costas largas escondidas pelo tecido da camisa branca que usava, o cabelo estava maior e desgrenhado, como se estivesse se importando menos com sua aparência. Já não havia mais sinais da agressão de Naruto, seu rosto estava pálido como sempre, no entanto os olhos negros que sempre se mostraram convidativos para mim, agora se mantinham na direção da porta, ignorando meu olhar furioso através do espelho.
O elevador apitou o primeiro andar e continuou subindo.
Mordi com força sentindo minha mandíbula contrair em resposta, meu punho segurou firme a sacola que guardava meu ramen, e meus olhos se apertaram em fúria.
Não diga nada! Não fale nada, Sakura!
Eu repetia pra mim enquanto o elevador se arrastava pelo segundo andar. Sasuke continuava com a mesma expressão, me torturando com sua frieza.
Não. Fale. Nada.
Era culpa minha? Era realmente minha culpa tudo aquilo? Se eu o tivesse escolhido desde o começo, será que as coisas estariam assim? E se eu estivesse sendo a egoísta da história, pensando apenas em mim e no que eu quero sem ver que Sasuke precisa de mim, mais do que minha amizade, talvez ele precisasse do amor que eu tanto reprimi.
Terceiro andar.
Você não tem que falar nada.
— Essa é a pior coisa que você pode fazer por mim, Sakura.
A voz dele soou severa e irritada. Nem havia percebido que meu olhar tinha se perdido em algum lugar distante daquele cubículo em que nos encontrávamos. Seu timbre voraz acordava-me dos meus pensamentos e levavam meus olhos verdes a se encontrarem com os negros dele através de seu reflexo no espelho.
— O que?
Perguntei quase que automaticamente e recebendo um ruído irritadiço em resposta. Balancei a cabeça com resignação quando percebi que ele não tinha intensão em responder. Abracei o próprio torso tentando afastar os pensamentos sobre Sasuke, sentindo que a irritação estava sendo substituída por algum outro sentimento.
Culpa, talvez?
Eu não podia afirmar com certeza, mas depois de tudo o que passamos juntos, de todo o tempo que compartilhamos e momentos importantes em que seguramos um a mão do outro, parecia completamente errado abandoná-lo.
— Ter pena de mim — Ele disse, finalmente virando-se pra mim. Seus olhos eram como icebergs, a superfície daquele olhar não era o suficiente para demonstrar a profundidade do caos que se passava nele.
— Sasuke...
— Não.
Deixei os braços caírem ao lado do corpo, soltei a sacola de ramém no chão móvel, passamos pelo quarto andar. Cliquei no botão de parada de emergência por impulso. Sasuke suspirou balançando em negativa, me perguntando o que diabos eu achava que estava fazendo.
Bem, nem mesmo eu sabia.
— Me deixa te ajudar — As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse considerar o que elas significavam — Odeio te ver assim, odeio que você me afaste.
— Você escolheu isso, Sakura. — Cuspiu as palavras de maneira quase impessoal, mas através da superfície gélida de sua expressão, seu tom de voz revelava o rancor enraizado. — Você escolheu.
— Sasuke, eu não escolhi deixar de ser sua amiga, não escolhi não te dar apoio.
— Você ainda não entendeu? — Ele disse me olhando incrédulo, colocou as mãos em meus ombros e me olhou no fundo dos olhos — Eu não quero ser seu amigo, nunca quis. — E as palavras foram penetrando em mim como agulhas finas e dolorosas — Eu quero ser seu. Quero que você seja minha. — E seu olhar se demorou no meu com necessidade e desespero — É isso que eu quero.
E diante de palavras sinceras nós ficamos ali, parados, conectados por um olhar. O vazio que se apossou de meu corpo era atípico, como se nenhuma emoção ou pensamento ousasse se manifestar diante daquela declaração incisiva e austera. Eu senti minha boca abrir e fechar algumas vezes, meu lábio tremulo, meu corpo começava a responder.
Pânico.
— Sasuk—
Ele passava seus braços ao meu redor, me puxando para sim num abraço. O cheiro dele ainda era o mesmo, o cheiro de Sasuke continuava exatamente igual ao que eu me lembrava. Suas mãos nas minhas costas ainda eram as mesmas de sempre, firmes. A curva de seu pescoço, na qual deitei a cabeça várias vezes, permanecia idêntica. Até mesmo seu rosto virando lentamente, buscando o meu, era um velho conhecido nas minhas memórias.
Sasuke ainda era o mesmo. Sasuke ainda era aquele garoto que me deixava ansiosa por estar assim, tão perto dele. Ainda era o mesmo Sasuke.
Então porque quando sua boca ficou a milímetros da minha eu não pude corresponder? Porque minhas pernas ainda estavam no chão tão firmes quanto nunca? Porque seu feitiço não conseguia mais me atingir?
Pra onde tinha ido todo aquele sentimento?
Ele segurou aquela posição por um longo momento, esperando que eu fosse até ele. Seus olhos semi-serrados, sua respiração soprava em mim e eu podia sentir seu hálito de pasta de dentes, eu podia sentir suas mãos nas minhas costas e, sobre as minhas, seu peito reto.
Seus ombros não eram tão largos, sua voz não era tão grave, seus lábios eram finos e eu não precisava me esforçar pra alcançar sua boca.
Aquele era Sasuke.
Escorreguei meu rosto, deitando a cabeça na curva de seu pescoço, tentando relaxar naquele abraço que, de repente, parecia hostil. Minhas mãos desceram pelo seu peito e o contornaram sua cintura ao passo que ele afundava seu rosto no meu pescoço, aspirando meu cheiro com pesar e dor. Subiu as mãos puxando a gola da minha blusa, depositando um beijo ali..
— O que aconteceria se eu marcasse você também?
Pisquei, afastando meu rosto para encará-lo com a expressão sombria.
— O que...?
Ele tocou no meu pescoço em um ponto atrás dele, olhei por cima do ombro pro espelho, dando espaço para ver o local indicado e descobrindo uma marca de beijo ali.
Um chupão.
— Você cheira a ele. — Falou quando percebeu meu olhar surpreso através do reflexo — Parece que não tenho mais nenhum efeito sobre você. — Ele riu se afastando — Ainda me pergunto quando foi que perdi você.
— Você não me perdeu — Respondi rapidamente, segurando a mão dele — Eu ainda to aqui, Sasuke! Eu ainda quero estar com você, sou sua. — Disse atropelando as palavras — Só não posso ser do jeito que você quer.
Ele puxou o braço com força e apertou o botão pra o elevador continuar seu caminho. Não disse uma palavra até atingirmos o quinto andar. As portas se abriram e ele virou pra mim, colocando um pé na soleira do elevador para que ele ficasse ali parado.
— É o seu andar, não é?
E sorriu pra mim com o sarcasmo se fazendo presente na sua voz. Eu sentia que podia chorar a qualquer momento, peguei meu ramém e dei alguns passos, ficando ao lado dele.
— Por favor, Sasuke...
— Se você não vai ficar comigo do jeito que eu quero, Sakura, então é melhor não ficar no meu caminho. — Falou finalmente, se livrando de toda a delicadeza ou tentativa de aproximação. Era uma fala crua e autêntica de Uchiha Sasuke. — Não vou virar seu amiguinho enquanto você dorme com outro cara. Já não basta ter feito isso com Naruto.
Eu balancei a cabeça em negativa. Novamente o assunto de Naruto vinha à tona e eu percebia como aquilo tinha sido um divisor de águas pra ele. De alguma forma, Sasuke achava que eu era pura e inocente, a espera dele finalmente vir ao meu encontro. Talvez achasse que houvesse um código entre ele e Naruto, eu não sabia.
E também não me arrependia.
— Eu entendo que você se sinta assim sobre mim e sobre Naruto também, mas Karin não tem nada a ver com isso. — Falei de uma vez, tentando manter a voz neutra — Ela tá nesse barco com você, Sasuke, então não maltrate ela.
— Não fale de algo que não te diz respeito.
— Falo sim, porque as vezes alguém precisa te lembrar que o mundo não gira em torno de você, aceite que Karin é tão vitima nessa história quanto você.
Nós olhamos por um momento, Sasuke não me respondeu. Medimos forças e eu sabia que estava perdendo essa batalha.
— Eu sinto muito, Sasuke — Falei por fim, levantando uma mão e deslizando sobre seu rosto — Eu realmente sinto.
E não esperei por uma resposta, sai do elevador com passos firmes sentindo as lágrimas escorrerem pelas minhas bochechas enquanto eu cruzava o curto corredor que me levava ao apartamento 509. Todo aquele momento soou como uma despedida definitiva, como se eu nunca mais fosse conseguir retomar aquela relação.
Sasuke estava comigo desde sempre. Segurou minha mão em diversos momentos, me protegeu quando era necessário, me incentivou e me ajudou a ser quem sou hoje. Deixá-lo pra trás era como perder uma perna ou um braço, algo que eu não podia imaginar.
Abri a porta e larguei o ramém em qualquer lugar, colei minhas costas contra a porta e deixei os soluços escaparem no meu choro irremediável. Valia a pena trocar anos de um relacionamento sólido por um romance iniciado no verão? Era egoísmo meu querer manter os dois? Sasuke era assim, tão descartável pra mim?
Abracei os joelhos enfiando a cara no meio deles, sentia o ar me faltar.
Porque Sasuke tinha que tornar as coisas tão difíceis, porque ele tinha que largar o peso de tudo nas minhas mãos como se eu fosse a única que pudesse mover as peças desse tabuleiro? Como eu poderia ser responsável por ele? Quando ele perdeu o efeito sobre mim?
— Meu bem...
Eu senti mãos me puxarem para si, o timbre rouco e macio de sua voz me chamava com cuidado, cautelosamente suas mãos me traziam cada vez mais pra perto de seu torso, me aninhando no chão de sua sala. Agarrei-me nele como se minha vida dependesse disso, seu cheiro molhado flutuava a minha volta e meu choro escorria pelo seu peito nú.
— Shh, vai passar, meu bem...
Ele balançava pra frente e para trás, como quem acalenta um bebê choroso. Me segurava firme com suas mãos grandes, o calor de sua pele agraciava minhas mãos. Meu choro diminuía a medida que ele sussurrava no meu ouvido que estava comigo, que não ia a lugar nenhum.
Chamava meu nome adornando-o numa nuvem de algodão, beijava-me o topo da cabeça quando percebia meu choro sessando, enxugava gentilmente uma lágrima que riscava minha bochecha com as costas da mão.
— Ei.. Tá tudo bem, Sakura. — Ele disse puxando meu rosto pra cima, seus olhos estava suaves e tinha um sorriso calmo por baixo do tecido negro. Ver seu rosto me acalmava, sua voz preenchia meu interior com carinho — Vai ficar tudo bem.
— Eu encontrei Sasuke no elevador — A voz embargada do choro escapava, e as sobrancelhas do homem a minha frente se uniam levemente, mostrando o primeiro sinal de preocupação — Ele não fala mais comigo, disse que eu escolhi assim. — Kakashi não disse nada, continuou olhando pra mim, esperando que eu continuasse — Não vai ficar tudo bem.
Ele me abraçou novamente, me deixando afundar em seu peito largo. Kakashi era mais alto que eu, tinha ombros largos, e eu tinha que ficar na ponta dos pés pra alcança-lo. Seu peito subia e descia conforme sua respiração e suas mãos acariciavam meus cabelos.
— Você está arrependia? — Ele perguntou por fim com a voz calma reverberando por todo ambiente, eu sentia seu peito vibrar pelo som que pronunciava.
Arrependida?
Se eu tivesse mesmo ficado com Sasuke, se eu tivesse deixado ele me beijar naquele elevador, Sasuke voltaria a ser o Sasuke que eu conhecia?
Perder Kakashi valeria a pena?
Fechei os olhos com força.
Perder Kakashi valeria a pena?
Abri os olhos para encontrar sua expressão suave esperando pacientemente. Minha mão involuntariamente subiu pelo seu rosto, tateando vagarosamente sob a máscara negra antes de puxá-la e revelar seu rosto. Lábios levemente grossos, tinha um sinal preto no canto. Eu adorava aquele sinal.
Adorava seu cheiro, seu calor. Adorava suas mãos no meu corpo e seu sorriso fácil. Adorava como meu nome soava em sua voz, como me chamava de meu bem sem parecer piegas. Adorava que ele fosse o nerd da literatura e sua cara de paisagem, adorava também quando me beijava preguiçosamente e me abraçava com ternura.
Eu amava seu cabelo prateado, seus vários jeitos de me olhar, também amava quando ele cozinhava e quando não escutava uma palavra do que eu estava dizendo porque estava imerso na sua literatura pornográfica. Amava como ele conseguia me deixar calma com apenas um abraço e poucas palavras.
E odiava que ele pudesse me perguntar algo assim.
— Você é a minha única certeza, Kakashi — E o trouxe pra mim, para beijá-lo sofregamente. Nossos lábios se movendo lentamente um contra o outro enquanto nossas línguas se encontravam para mais uma dança, dessa vez, lenta e calorosa. — É tudo seu — Eu disse quando nossos lábios se afastaram milímetros antes de se encontrarem novamente.
Perder Kakashi valeria a pena?
Não mesmo, afinal, eu já era toda dele.
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Hey pessoas!
Demorou um pouco mais de tempo, porém habemos capítulo!
Gente, não abandonei (novamente) a fic, ok? O mês foi difícil no trabalho, estou doente inclusive, mas passo bem!
Aliás, estou sentindo falta das reviews! Sei que tenho algumas leitoras fantasmas e adoraria que se manifestassem! Me dá um oi, gente! Sei que to em débito com vocês, mas é sempre legal receber uma palavra de incentivo, principalmente numa fanfic tão longa quanto essa.
Esse capítulo teve várias partes reescritas, na verdade eu cortei várias cenas e muito do diálogo foi suprimido (principalmente entre Sakura e Kurenai). Eu queria que a personagem da Kurenai fosse como uma mãezona do grupo e queria todos tivessem uma personalidade forte ali dentro, mas senti que poderia ficar cansativo e sem sentido pra vocês, então resolvi reduzir.
Também tinha muito mais diálogo entre Sakura e Kakashi, inclusive um cheio de tensão (e não era esse do final), porém achei mais interessante deixar o drama deles pra depois... E oh, tá chegando a hora de abalar essa relação.
Próximo capítulo: Os planos são focar em Sasuke e suas decisões importantes através de uma narrativa com Naruto. Sim, um Naruto POV. (Vamos ver se a ideia vai rolar bem)
Estamos nos encaminhando pra reta final da fanfic, teremos também um time skip de alguns meses, e ai... DRAMA! HAHAHA
Dessa vez, quero todo mundo comentando o capítulo ok?
U_U
Da sempre sua loreyu.
